ESTADO ISLÂMICO ACEITA LEALDADE DO BOKO HARAM, DIZ AGÊNCIA

Boko Haram, que atua na Nigéria, jurou lealdade no começo do mês. Porta-voz anuncia ‘expansão do califado para África Ocidental’.

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) aceitou o juramento de lealdade dos islâmicos nigerianos do grupo Boko Haram, segundo uma gravação de áudio apresentada como um discurso do porta-voz do EI, difundida nesta quinta-feira (12) nas redes sociais, de acordo com as agências de notícias France Presse e Reuters.

“Anunciamos a boa nova da expansão do califado para a África Ocidental porque o califa, que Deus o preserve, aceitou a aliança dos nossos irmãos do grupo sunita para a pregação e a jihad”, disse o porta-voz Abu Mohammad al-Adnani, em alusão ao nome em árabe do Boko Haram, que jurou lealdade ao EI no começo deste mês.

“Nosso califa, que Deus o abençoe, aceitou o compromisso de lealdade de nossos irmãos do Boko Haram, então saudamos muçulmanos e nossos irmãos da Jihad na África Ocidental”, disse, referindo-se ao líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi.

Ele também pediu aos muçulmanos que não puderem se juntar à luta na Síria e no Iraque que entrem em combate na África.

O grupo radical islâmico Boko Haram, que assumiu a autoria do sequestro de mais de 200 estudantes em abril do ano passado, nasceu de uma seita que atraiu jovens do norte do país. Boko Haram significa “a educação ocidental é pecaminosa” em hausa, a língua mais falada no norte da Nigéria.

O grupo multiplica ataques sangrentos no nordeste da Nigéria há seis anos, e inclusive, no Chade, no Níger e no Camarões, o que levou estes países a lançar uma ofensiva militar contra o grupo islamita.

No último sábado, seu líder, Abubakar Shekau, divulgou um vídeo em que jura lealdade aos jihadistas que atuam na Síria e no Iraque. “Nós anunciamos nossa fidelidade ao califa… e iremos ouvi-lo e obedecê-lo em tempos de dificuldade e prosperidade”, dizia a tradução para o inglês do vídeo divulgado em árabe.

O Estado Islâmico anunciou seu califado entre os territórios conquistados na Síria e no Iraque em junho de 2014 e convocaram todos os muçulmanos a jurarem lealdade ao chefe do “Estado”, Abu Bakr al-Bagdadi, que foi proclamado o califa.

O que é um califado?
Depois da morte do profeta Maomé, em 632, seus seguidores concordaram com a criação do califado, que significa sucessão em árabe, como um novo sistema de governo.

O califa é literalmente o sucessor do profeta como chefe da nação e líder da ‘umma’, comunidade de muçulmanos, e tem o poder de aplicar a lei islâmica (sharia) na terra do Islã.

Propaganda

Segundo especialistas ouvidos pela AFP, a declaração de lealdade é, acima de tudo, uma operação de propaganda proveitosa para ambos os grupos. “De fato, os dois grupos precisam disso. Ambos necessitam de um esforço de propaganda para manter a moral de suas tropas, que sofrem derrotas em suas campanhas militares”, disse à agência Peter Pham, diretor do programa África do centro de reflexão Atlantic Council de Washington.

“Para o EI, é uma chance de se apresentar como em expansão, de aumentar seu prestígio, de ser considerado inevitável. Está na defensiva no Iraque e na Síria, isso lhe permite se apresentar como se estivesse se espalhando a outras áreas”, estima o especialista.

“Para o Boko Haram também é uma vitória de propaganda num momento em que enfrenta uma ofensiva coordenada de vários exércitos da região. E, para isso, a única coisa que precisa é de uma câmera e de uma conexão à internet”, explica Pham.

Estratégia de comunicação

Recentemente, o Boko Haram divulgou vídeos com estilo similar ao usado pelo EI para exibir decapitamentos de reféns e recrutar candidatos à jihad em suas fileiras na Síria e no Iraque. A mudança de forma e conteúdo da propaganda do Boko Haram levou alguns especialistas a especular sobre possíveis vínculos com jihadistas do Oriente Médio ou uma aliança entre diversos grupos.

Os primeiros vídeos do Boko Haram, de qualidade medíocre, eram feitos de forma quase artesanal e distribuíam-se através de intermediários em CD-Rom e em chaves de memória USB, entregues a jornalistas no norte da Nigéria. Na maioria das vezes, mostravam seu líder, Abubakar Shekau, gesticulando em intermináveis monólogos.

A partir de dezembro de 2013, estes vídeos passaram a incluir planos variados e, sobretudo, imagens de execuções.

 http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/03/grupo-estado-islamico-aceita-lealdade-do-boko-haram.html

 

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