O tema “massacre de cristãos” ainda é tabu para a imprensa multiculturalista

Hoje, Guga Chacra publicou um artigo intitulado “Por que os terroristas do Al-shabab matam cristãos?”

E se o leitor desavisado não tomar cuidado com as “entrelinhas”, acreditará  na aparente demonstração de sensibilidade com a perseguição aos cristãos, sendo necessária uma leitura acurada do texto para perceber o “veneno do engano”.

Inicialmente, o jornalista afirma que o “Al-Shabab é o único dos grupos terroristas que dizem agir em nome do islamismo (sic) que mata apenas cristãos  em seus recentes atentados terroristas’, e cita como exemplos, os atentados no shopping queniano, onde 68 cristãos foram sumariamente executados por não serem capazes de declarar a shahada e o atentado na universidade de Garissa, que deixou um saldo horrendo de 148 cristãos mortos.

Todavia, ele começa a se perder quando aduz que o Estado islâmico tem por “alvos principais” os muçulmanos xiitas do Iraque, além dos sunitas ou alawitas pró-Assad na Síria e os curdos. E após elencar os alvos primordiais, Guga paradoxalmente assevera que o grupo terrorista “leva adiante um genocídio de cristãos assírios e yazidis”. E daí, vale levantar a seguinte questão: é possível se perpetrar um genocídio sem ter por escopo a destruição da comunidade contra a qual se pratica a matança? E por que essa comunidade que se tenta dizimar, via genocídio, não seria um alvo principal?

Seria razoável acreditar que, se o Estado Islâmico pratica genocídio, como afirma o jornalista e também diversos grupos de direitos humanos que trabalham na região, é lógico que os cristãos também são um dos “alvos  principais” dos pérfidos terroristas, que não poupam uma minoritária comunidade religiosa ordeira e amante da paz, por ser considerada “infiel”, tornando-se, assim, condenada à morte como os demais “apóstatas muçulmanos”.

Ademais, Guga afirma que “o Boko Haram mata indiscriminadamente cristãos e muçulmanos”. Ora, com a devida “venia”, qual o objetivo do mesmo ao usar o vocábulo “indiscriminadamente”? Os jihadistas matam cristãos e muçulmanos porque acreditam que estão prestando serviço útil a Alá perpetrando limpeza religiosa. Vale repetir, que de acordo com a interpretação religiosa dos militantes do ISIS, os cristãos são “infiéis” (kafir), pelo que, tal fato já os torna passíveis à penalidade máxima que era aplicada pelos primórdios seguidores do corão, morte. Aliás, ainda hoje, governos teocráticos islâmicos “matam discriminadamente”, e nesse sentido, cumpre avocar a sentença de morte pronunciada pelo Judiciário paquistanês contra a cristã Asia Bibi e a mesma condenação imposta pelo Irã ao pastor Yocef Nadarkhani.

Seria tão difícil para um jornalista experiente como o Guga reconhecer essa realidade ?

Quando o jornalista cita a facção al-Qaeda, trazendo a ideia de que o grupo mata pessoas aleatoriamente em seus atentados terroristas, os incautos chegam a pensar que a conotação dos atentados seria eminentemente política e desvinculada de qualquer teor de extremismo religioso.  Então, vamos recorrer ao próprio bin-Laden para sanar qualquer dúvida. Talvez, o finado terrorista possa provar ao Guga, qual seria o verdadeiro “alvo” da organização que comandava.

Em 23 de fevereiro de 1998, bin-Laden publicou no jornal árabe al-Quds al-‘Arabi  uma “Declaração da Frente Islâmica para a Jihad contra os Judeus e os Cruzados”, e apesar do título do documento ameaçador já ser bastante sugestivo para compreensão do objetivo maior da al-Qaeda, é de bom alvitre citar pequeno trecho do terceiro tópico:

“Embora os propósitos dos norte-americanos nessas guerras sejam religiosos e econômicos, eles também servem ao insignificante Estado judeu, desviando a atenção de sua ocupação de Jerusalém e da morte de muçulmanos na cidade.”

O líder terrorista se fundamenta em versículos do corão para ordenar a morte dos norte-americanos e saque de seus bens, comando este, que deveria ser obedecido por todos os muçulmanos, especialmente, os jovens, os ulemás, os líderes e os soldados. Bin-Laden declarou jihad contra os cruzados (representantes do cristianismo) e os judeus!

Logo, se morreram também muçulmanos nos ataques terroristas ao “World Trade Center”, na concepção de bin-Laden, eram merecedores por estarem no país que abriga parte dos “cruzados” e acabaram se tornando “ajudantes de Satã”!

Entrementes, dentre as absurdezas propaladas por Guga, a mais esdrúxula é, indubitavelmente, a afirmação de que “o Al-Shabab, no passado recente, também matava muçulmanos. Na verdade, ainda mata.” A partir daí, cita a Somália, “um país quase 100% islâmico” e discorre sobre as milhares de mortes de muçulmanos. Nesse momento, chego a pensar que ele esqueceu que a proposta do artigo seria explicar a morte de cristãos e não tentar justificar “uma matança pela outra”, aduzindo que o sanguinário grupo terrorista somali que assassinou covardemente centenas de cristãos quenianos desde 2013, também mata muçulmanos no seu país de origem, que aliás, está em guerra civil constante, sendo o al-Shabab apenas uma das facções terroristas que disputam o poder na Somália desde o golpe de Estado que derrubou o ditador Siad Barre.

Numa celeuma desmensurada que o levou a ficar longe da resposta no tocante a motivação dos massacres de cristãos, que em momento algum veio à lume, Guga fixa sua análise na conjuntura geopolítica que teria levado o al-shabab a efetivar atentados contra comunidades cristãs no Quênia, e nessa aventura trágica, o jornalista “deixa no ar”  a ideia de que o al-Shabab é uma ameaça para os cristãos tão-somente no Quênia, podendo até haver “atritos” entre cristãos, que são maioria,  e muçulmanos.

Contudo, o jornalista teve um lapso que não merece perdão. Seria indispensável informar que o grupo fundamentalista aterroriza não somente os cristãos quenianos, como frisado no texto, mas, também, impõe uma perseguição atroz na Somália, sendo certo que o Estado africano ocupa o 2º lugar no ranking dos países que mais perseguem os cristãos no mundo, segundo a renomada “Missão Portas Abertas”, a qual denuncia explicitamente  o mote religioso de “limpeza do cristianismo” promovido pelo al-shabab, que ataca comunidades cristãs e ordena aos seus seguidores que matem os cristãos!

Enfim, quem pergunta, agora, sou eu: por que a imprensa “ameniza o terror” provocado pelas facções islâmicas contra os cristãos?

por Andréa Fernandes

Artigo do Guga Chacra em:

http://internacional.estadao.com.br/blogs/gustavo-chacra/por-que-os-terroristas-do-al-shabab-matam-cristaos/

Missão Portas Abertas:

https://www.portasabertas.org.br/cristaosperseguidos/perfil/somalia/

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