Yarmouk, a “Carnificina Esquecida” pelos Defensores da Causa Palestina

No dia 1º de abril, os terroristas do Estado Islâmico invadiram o campo de refugiados palestinos de Yarmouk a sete quilômetros da capital síria. O local já havia abrigado 160 mil refugiados e era guarnecido por hospitais, escolas, mesquitas e outros serviços, mas devido a fuga em massa ocasionada pela ferocidade do conflito que assola a Síria desde 2011, cerca de  18 mil palestinos habitavam a região no momento da investida do ISIS.

Yarmouk se tornou um verdadeiro campo de combate onde diversos grupos jihadistas lutavam entre si e o Estado Islâmico, e para completar o desespero dos palestinos, aviões militares e artilharia do exército sírio passaram a compor o caos implantado por “revoltosos muçulmanos”, de acordo com as informações prestadas pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Porém, nada impediu o Estado islâmico de controlar a maior parte do campo.

De acordo com a Rede Palestina de Sociedade Civil na Síria, até maio de 2015, foram mortos mais de 2850 palestinos no campo. Além das mortes resultantes do conflito armado, diversos refugiados foram decapitados e morreram de fome devido o cerco que impedia a chegada de auxílio humanitário. Mas, é lógico que a imprensa não alardeou com manchetes sensacionalistas o massacre de palestinos fora de Gaza. Afinal de contas, palestino só é manchete, se Israel for o ator principal!

Como as atrocidades ainda eram diminutas, o governo sírio lançou sobre a população sitiada “bombas de barril”, cujo uso é considerado CRIME DE GUERRA.

E o próprio secretário-geral da Onu, Ban Ki-moon, afirmou que o campo de refugiados de Yarmouk era “o mais profundo círculo do inferno”. Aliás, o sr. Moon, – que tempos atrás elogiou as posturas da Arábia Saudita, “berço do salafismo” – vociferou que “Yarmouk começa a parecer um campo de extermínio”, mostrando-se indignado porque o Estado Islâmico passou a copiar as ações do Hamas utilizando os refugiados palestinos, incluindo 3.500 crianças, como “escudos humanos”.

Daí, vale uma pequena observação: se a utilização de civis palestinos como escudos humanos é característica de um “campo de extermínio”, por que o secretário-geral das Nações Unidas nunca proferiu o aludido termo em relação ao mesmo crime praticado exaustivamente pelo Hamas em Gaza?

Entrementes, quando qualquer mortal tenta obter notícias do atual estado do campo de refugiados na Síria, a dificuldade é imensa, sendo certo que, nem mesmo a tal rede Palestina de Sociedade Civil na Síria não atualiza suas informações desde maio. Mas, diariamente somos assolados por notícias de Gaza e a ONU acaba de demonizar Israel num relatório fraudado sobre a última operação defensiva do Estado judeu em Gaza, onde a representante da União Européia, Mary Mc Gowan, exercendo a função de Presidente da Comissão Independente de Inquérito sobre a Guerra de 2014, mostrou que a referida comissão não era tão “independente” assim, visto que, essa senhora – que “convenceu” todos os países da UE que integram o Conselho de Direitos Humanos da ONU a votar contra Israel – simplesmente é CASADA com um membro da equipe de investigação da mesma ONU. E apesar do chefe do Comitê Judaico Americano, David Harris, protestar, alegando a existência de um “conflito de interesses”, a União Européia rechaçou o pleito.

Com isso, a imprensa voltou a alardear o sofrimento palestino em Gaza devidamente lastreado por uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU, composto por países recordistas em violações dos direitos humanos, tais como, China, Arábia Saudita, Rússia e Cuba, os quais foram devidamente assessorados pela antissemita Organização de Cooperação islâmica, que integra 57 países muçulmanos.

Ora, num momento em que os próprios palestinos refugiados sírios afirmam “alto e bom som” que foram abandonados e sofreram CARNIFICINAS em Yarmouk, o mundo se volta EXCLUSIVAMENTE para o ardiloso plano árabe de deslegitimar as ações de defesa de Israel contra facções terroristas em Gaza. E nunca é demais lembrar que, tanto a Autoridade Palestina quanto o Hamas, se negaram a socorrer seu povo sitiado naquele território!

Mas, alguém viu algum movimento social protestando contra os massacres de palestinos em Yarmouk? Alguém protestou contra a ação covarde do regime sírio lançando “bombas de barril” contra refugiados indefesos? E alguém viu protestos ou críticas pela covardia dos movimentos palestinos em Gaza e na Cisjordânia que abandonaram seus irmãos em Yarmouk?

E por que será que o uso de palestinos pelo Hamas como “escudos humanos” em Gaza não configura para ONU e movimentos sociais um “campo de extermínio”? Alguma iniciativa para dar fim ao sofrimento em Yarmouk? Por que tanto silêncio nesses últimos meses?

Assim, como o campo de refugiados palestinos em Yarmouk deixou de ser notícia ou preocupação da ONU, o senso comum continuará atentando para a rede BBC com sua reportagem tosca sobre a situação deplorável das crianças em Gaza sem engendrar uma crítica sequer ao Hamas e demais grupos salafistas, como fez o último relatório da ONU contra Israel, que ocultou qualquer acusação que pudesse desmascarar o verdadeiro violador de direitos humanos naquele território ocupado pelo terror.

O “esquecimento seletivo” ainda é uma importante bandeira do movimento de solidariedade ao povo palestino.

Andréa Fernandes

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