Bom seria se “os cristãos” aprendessem algumas lições com os judeus

Ao ler a postagem de um amigo no facebook através da qual era exibida uma convocação do rabino chefe de Israel a todos os judeus a fim de jejuarem em razão dos últimos atos de violência contra os israelenses, reconheço que fui tomada por dois sentimentos contrapostos: de um lado, a comoção de perceber o quanto as lideranças religiosas israelenses estão atentas para a dor do seu povo, e por outro lado, um miserável sentimento de vergonha por não perceber a mesma iniciativa por parte das principais lideranças cristãs no Ocidente.

Por oportuno, cumpre trazer à baila as palavras do líder religioso judeu:

“O RABINO CHEFE DE ISRAEL, Shlomo Amar, convoca todo o povo judeu, onde quer que se encontrem, à realizar um jejum completo, desde o por do sol de hoje, domingo, até o por do sol de amanhã, acompanhado de rezas e recital de Tehilim (Salmos), devido ao grande derramamento de sangue em Israel…momentos muito difíceis para o “POVO DE ISRAEL”!
Quem não conseguir realizar um jejum completo, pode jejuar até o meio dia.
Ele solicita que amanhã, segunda feira, seja um dia de silêncio, onde se fale apenas assuntos elevados…um dia para se falar com Hashem…rezando para Ele proteger o nosso povo.”

Sabemos que as ações violentas provocadas por palestinos estimulados pelo presidente da Autoridade Palestina e pelas facções terroristas em Gaza estão atingindo proporções dramáticas, e o intuito de promover-se uma nova intifada já foi vociferado pelo Hamas, o que traz sérias tensões, posto que, em havendo a referida insurreição, certamente diversos judeus e palestinos serão vitimados. De sorte que, enquanto lideranças religiosas e políticos palestinos estão promovendo discursos de ódio para incentivar o lamentável derramamento de sangue inocente, os lideres religiosos judeus recorrem à fé para tentar por fim à violência, ato este, que é comum na história dos judeus.

No entanto, quando olho para esse colossal exemplo advindo da comunidade judaica, percebo o quanto nós, os cristãos, estamos distantes da doutrina que pregamos exaustivamente em milhões de templos espalhados mundo afora… Lembro-me que o cristianismo sempre foi reconhecido por causa de suas “ações de amor” referentes à membresia e ao próximo. Porém, como vaticinado pelo próprio Yeshua, “o amor de muitos se esfriou”, e a evidência maior está no desprezo pelos seus irmãos de fé que estão sendo perseguidos e massacrados pelas ditaduras comunistas e islâmicas. Foram pelo menos 1 milhão de mortos em 10 anos, enquanto as igrejas “cultuavam a Deus” sem se preocupar em socorrer seus mártires entregues a todo tipo de sofrimento físico e psicológico.

Nem mesmo o advento da facção terrorista “Estado Islâmico”, que age com requintes de crueldade e expõe sua barbárie de forma apoteótica em vídeos, foi capaz de sensibilizar a cristandade ocidental. Milhares de cristãos estão passando por tortura, escravidão sexual,  mutilação, crucificação, fome e massacres sistemáticos, e grande parte da “igreja” não consegue verter uma lágrima. Aliás, a maioria esmagadora dos cristãos no Ocidente continua em “festa”, celebrando a riqueza da liberdade religiosa e as “bênçãos” das quais acreditam ser merecedores.

Ademais, o genocídio de cristãos em “terras distantes” não é motivo suficiente para suplantar o sectarismo que reina em nosso país, pelo que, não foi possível assistir as principais lideranças cristãs conclamando a igreja brasileira – independentemente de vínculos denominacionais – para promover JEJUNS e ORAÇÕES pelos cristãos perseguidos, além de socorro para fins humanitários! Entrementes, as “campanhas” para diversas finalidades continuam a todo vapor, porque “o que importa é a família cristã brasileira ser abençoada e próspera”!

Diante desse quadro vergonhoso, eu só posso parabenizar os judeus por não abandonarem seus irmãos, mesmo estando tão distantes… Certamente, o “amor” que vocês nutrem por Eretz Israel e as comunidades lá estabelecidas, inclusive, de diversas minorias, será recompensado. E quanto aos “cristãos” tão orgulhosos de sua história de resistência ao martírio na era romana, da qual muitos deles não são dignos de citar, eu lamento profundamente por não conseguirem vislumbrar que o “dom da excelência é o amor”, este mesmo amor que negam aos seus irmãos e às diversas minorias abandonadas pela “igreja triunfante” cuja referência ficou perdida, quem sabe, nas catacumbas de Roma.

por Andréa Fernandes

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