ONG denuncia tortura e execuções em centros de detenção na Síria

Human Rights Watch contabiliza sete mil sírios mortos em prisões administradas pelo governo.
RIO — Até sete mil sírios que morreram em centros de detenção do regime de Bashar al-Assad foram torturados, maltratados ou executados, denunciou a Human Rights Watch nesta quarta-feira. A ONG identificou 19 vítimas em um conjunto de fotografias vazadas por um desertor militar.

Os detalhes das mortes jogam nova luz sobre as condições enfrentadas por detentos em pelo menos cinco centros de detenção administrados pelo governo. Acredita-se que pelo menos 117 mil pessoas foram presas desde que os protestos anti-regime eclodiram em março de 2011.

Os arquivos do desertor sírio, conhecido como “César” para manter seu nome sob anonimato, foram divulgados nesta manhã em Moscou, dois dias antes de uma reunião das 17 nações do Grupo de Apoio Internacional à Síria em Nova York. No encontro, os países vão discutir saídas para a guerra civil de quase cinco anos.

Nenhum dos 19 corpos identificados pela Human Rights Watch foram recuperados. As famílias receberam certificados de óbito em apenas dois casos — ambos diziam que a vítima tinha morrido de insuficiência cardíaca ou respiratória.

Nas fotografias foram encontradas evidências de morte provocada por falta de alimentação, traumatismo, infecção de ferida e, em um caso, uma ferida de bala na cabeça.

— Nós não temos nenhuma dúvida de que as pessoas mostradas nas fotografias de ‘César’ estavam famintas, foram espancadas e torturadas de forma sistemática e em grande escala — denunciou o vice-diretor da Human Rights Watch para o Oriente Médio, Nadim Houry. — Estas fotografias representam apenas uma fração de pessoas que morreram enquanto estavam sob custódia do governo sírio. Mais milhares estão sofrendo o mesmo destino.

O autor das imagens, um fotógrafo do Exército sírio que desertou e fugiu do país no ano passado, tinha a incumbência de fotografar os corpos de pessoas que morriam em centros de detenção nos arredores de Damasco. Durante dois anos, ele fez cópias de todas as fotos em um cartão de memória que escondia em seu sapato. São, ao todo, 55 mil fotografias de 11 mil corpos.

MULHER IDENTIFICADA

A única mulher nos arquivos foi identificada como Rehab al-Allawi, de 25 anos, uma estudante de engenharia na Universidade de Damasco, que desapareceu em janeiro de 2013, enquanto trabalhava com um grupo ativista.

Sua família disse que pagou US$ 18 mil às autoridades sírias para obter informações sobre ela, mas não recebeu nada em troca. A jovem foi finalmente identificada a partir dos arquivos César e sua morte foi confirmada por patologistas que examinaram fotografias de seu corpo. Ahmad al-Musalmani, de 14 anos, acredita-se ser a vítima mais jovem do conjunto de fotos. Segundo familiares, ele foi preso após uma música anti-Assad ser encontrada em seu telefone.

César, cuja identidade permanece protegida, informou legisladores americanos sobre a situação na Síria. Com base nos registros do desertor, a França levou ao Conselho de Segurança da ONU no ano passado supostas provas de torturas sistemáticas por parte do regime sírio e anunciou que tentaria convencer todos os membros a apoiarem uma investigação do Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre os crimes cometidos no conflito.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/ong-denuncia-tortura-execucoes-em-centros-de-detencao-na-siria-18307301#ixzz3uUUBk74P
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