Artigo: O maior aliado do Ocidente contra o EI

Governo central iraquiano não obteve progressos significativos, apesar de ajuda.

Para nós que vivemos no Curdistão, o Estado Islâmico (EI) é uma realidade a ser confrontada diariamente. As forças peshmergas, que tenho a honra de comandar, enfrentam, de suas trincheiras, um exército de extremistas prontos para matar ou escravizar todos aqueles que se oponham a ele. Todos os dias, combatentes peshmergas — que provaram ser a força mais eficaz na luta contra o EI — morrem em combate.

Qualquer um familiarizado com a História do Iraque não se surpreende com sua instabilidade. O país foi criado segundo fronteiras arbitrárias determinadas por potências estrangeiras após a Primeira Guerra Mundial, agrupando diversos povos sem seu consentimento. Os governos iraquianos — e em especial, o regime de Saddam Hussein — submeteram curdos e outras minorias no Norte desse Estado fictício a ataques genocidas e dura opressão, criando os alicerces do atual desejo dos curdos por autodeterminação e independência, que vemos como soluções naturais para esses problemas.

No verão (do Hemisfério Norte) de 2014, o EI tomou o Oeste do país praticamente sem resistência do governo central. Não fosse a precisa intervenção de forças curdas, a cidade de Kirkuk, com suas enormes reservas de petróleo e quase um milhão de habitantes, teria caído nas mãos do grupo.

Os ataques aéreos americanos ajudaram enormemente meus soldados em sua luta para reduzir as fronteiras do EI, mas é necessário mais equipamento. Todo o armamento pesado enviado pelos EUA é direcionado para o governo central, que não obteve progressos significativos, apesar da enorme ajuda que recebe, paga pelos contribuintes americanos. Com apenas uma fração desse investimento, os EUA poderiam apoiar os curdos, um aliado muito mais confiável.

Mas esse problema não pode ser resolvido apenas com explosivos de alto impacto. Precisamos também de apoio político. Líderes americanos nos encorajam a vender nosso petróleo através do governo central. No entanto, embora Bagdá esteja feliz em receber dinheiro por nosso petróleo, o governo não demonstra o mesmo entusiasmo para repassá-lo a nós e, como consequência, o governo do Curdistão não tem sido capaz de pagar seus empregados de maneira consistente há um ano.

Enquanto celebramos a vitória em Sinjar, devemos descobrir como conseguiremos, juntos, nossa próxima vitória. Estamos ansiosos para ajudar, como parte de uma coalizão internacional, a expulsar jihadistas de outras áreas além do Curdistão — embora não desejemos ocupar territórios que não sejam tradicionalmente nossos.

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Os combatentes peshmergas que comando não foram alistados à força. Eles prefeririam morrer a se render à tirania do EI. Estamos obstinados a libertar cada centímetro do Curdistão, e vamos exercer nosso direito à autodeterminação. Ainda temos mais voluntários prontos para se juntar à luta contra o EI — mas precisamos de recursos para treiná-los e equipá-los.

Não podemos fazer isso sozinhos. Precisamos do apoio do Ocidente.

(Comandante peshmerga)

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/artigo-maior-aliado-do-ocidente-contra-ei-18324796#ixzz3ujkH0T00

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