Em áudio, ex-chanceler argentino reconhece Irã como responsável por atentado a Amia

‘Eles, faz 18 anos, puseram a bomba’, afirma Héctor Timerman na gravação

BUENOS AIRES — Duas gravações de áudio mostram o ex-chanceler argentino Héctor Timerman admitindo que o Irã foi responsável pelo atentado contra a Associação Mutual Israelita da Argentina (Amia). As gravações foram divulgadas pelo jornalista Daniel Santoro, em um programa de rádio do país, e fazem parte do material utilizado por ele para escrever o livro “Nisman debe morir” (“Nisman deve morrer”), sobre o promotor argentino Alberto Nisman, que investigava o atentado e tinha pedido o indiciamento, em fevereiro de 2013, da então presidente, Cristina Kirchner, de Timerman e de outros envolvidos.

— Eles, faz 18 anos, puseram a bomba — afirma Timerman, referindo-se ao Irã, em um diálogo telefônico de 2012, com Guillermo Borger, ex-diretor da Amia.

Na conversa, o ex-chanceler tenta convencer Borger a seguir com as negociações para que fossem entregues pelo governo de Terrã os iranianos acusados pelo atentado. O ex-diretor da Amia queria tentar outro interlocutor para negociar a entrega à Justiça dos suspeitos, já que o “Irã não é um interlocutor” confiável, enquanto Timerman rebate dizendo que não há outra via para as negociações. Em dado momento, Borger sugere que seria bom “poder negociar com outros”, ao que o ex-chanceler responde:

— Se fossem outros, não teriam colocado a bomba.

Às 9h53m, em 18 de julho de 1994, um furgão branco, carregado de explosivos, chocou-se contra o prédio da Associação Mutual Israelita da Argentina (Amia), em Buenos Aires, matando 85 pessoas e ferindo 300. Foi o maior episódio de terrorismo da História do país. A principal suspeita recaiu sobre o Irã, acusado de apoio ao grupo fundamentalista islâmico Hezbollah para organizar o atentado. E em setembro de 2007, o então presidente da Argentina, Néstor Kirchner, denunciou na ONU a falta de cooperação iraniana nas investigações.

Em janeiro de 2013, os governos de Cristina Kirchner e de Mahmoud Ahmadinejad assinaram um Memorando de Entendimento, que incluía a criação de uma Comissão da Verdade, e em maio o promotor Alberto Nisman emitiu um novo parecer, denunciando um possível encobrimento do governo argentino em troca de vantagens econômicas iranianas. Um ano mais tarde, o acordo foi considerado inconstitucional pela Justiça argentina.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/em-audio-ex-chanceler-argentino-reconhece-ira-como-responsavel-por-atentado-amia-18338342#ixzz3upRRZI7U

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s