67 jornalistas foram assassinados neste ano por exercer sua profissão

França aparece na lista dos países mais perigosos pela primeira vez no século XXI.

Em 7 de janeiro, depois do atentado terrorista contra a redação do semanário satíricoCharlie Hebdo, a França se tornou o terceiro país com mais jornalistas assassinados em 2015. Este ano morreram 67 em todo o mundo por causa de sua profissão, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). A França aparece na lista de países mais perigosos pela primeira vez no século XXI, com oito assassinatos, superada pela Síria (10) e Iraque (11). Se na contagem final se acrescentasse a cifra de profissionais que morreram em 2015 sem que as autoridades determinassem o motivo, o número de vítimas subiria para 110. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas publicou um relatório paralelo, no mesmo dia, no qual constam 69 assassinados. As cifras diferem em razão da disparidade nos critérios para incluir as vítimas na lista.

Os sobreviventes do ataque jihadista contra o Charlie Hebdo vivem sob proteção policial desde o atentado. A jornalista francesa de origem marroquina Zineb El Rhazoui, de 33 anos, que escapou do massacre do semanário porque estava de férias, recebeu numerosas ameaças de morte na Internet de supostos islamistas. “Meu marido perdeu o emprego porque os jihadistas revelaram seu lugar de trabalho, e eu estou ameaçada”, explicou El Rhazoui em maio.

“Quase nunca enviamos jornalistas para zonas de guerra (…). Em 7 de janeiro foi a guerra que veio até nós”, declarou em outubro o diretor do Charlie Hebdo, Laurent Sourisseau, oRiss. No ano passado, dois terços dos repórteres assassinados no mundo estavam em zonas de conflito, segundo a RSF. A proporção se inverteu em 2015: dois terços das vítimas (64%) trabalhavam em países que não estão em guerra, como França, México, Índia e Filipinas.

O México é o sétimo país com mais jornalistas assassinados este ano e o primeiro da América Latina, com oito mortos (cinco deles sem que o motivo esteja esclarecido). Um dos casos mais emblemáticos é o do repórter Rubén Espinosa, especializado na cobertura de movimentos sociais e ativista contra as agressões à imprensa em Veracruz, o Estado mais perigoso para o exercício da profissão nesse país – e do qual ele tinha fugido depois de receber ameaças. Em agosto ele foi encontrado morto com quatro mulheres em um apartamento na Cidade do México, onde havia buscado refúgio. As autoridades aventam a hipótese de roubo ou de possíveis vínculos com vítimas do crime organizado, embora seus familiares e outros jornalistas tenham pedido que a morte de Espinosa seja investigada como um assassinato relacionado com sua profissão.

Em Honduras foram registradas sete vítimas este ano, mas não especificado o motivo da morte de nenhuma delas. As cifras de jornalistas assassinados pelo exercício de sua profissão na América Latina se multiplicariam se fossem incluídas as mortes cujo motivo é desconhecido ou não foi apontado pelas autoridades. A Fundação para a Liberdade de Imprensa afirma que mais de 45% das investigações de homicídios de jornalistas na Colômbia, por exemplo, prescreveram e já não serão mais averiguadas. Em 2015, somente o assassinato de um jornalista colombiano foi vinculado diretamente com sua atividade profissional, segundo a RSF. Brasil (3) e Guatemala (1) completam a lista latino-americana desses crimes.

 O último capítulo do relatório reúne as três faces da ameaça contra a liberdade de imprensa. O texto observa que pelo menos 54 repórteres estão sequestrados na Síria, Iêmen, Iraque e Líbia, todos eles países com presença de organizações terroristas islamistas. China (23), Egito (22) e Irã (18) encabeçam a lista de países com mais jornalistas presos, de um total de 153 no mundo.
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