Síria autoriza ajuda a cidades sitiadas onde 40 mil estão morrendo de fome

Para sobreviver, muitas famílias se alimentam de folhas das árvores e algumas fazem sopa de grama.

DAMASCO — O governo sírio concedeu nesta quinta-feira permissão às Nações Unidas entregarem ajuda humanitária a três cidades onde cerca de 40 mil pessoas estão cercadas há quase seis meses por forças do regime de Bashar al-Assad. Entre as localidades, está Madaya, onde ao menos dez pessoas morreram de fome por falta de recursos básicos, como medicamento e comida, uma situação denunciada pelas agências internacionais como uma catástrofe humanitária.

“A ONU comemorou hoje a autorização do governo da Síria para ter acesso à Madaya, Fua e Kafraya”, afirmou a ONU em um comunicado. “E se prepara para entregar ajuda humanitária nos próximos dias”.

Ainda não está claro quanta ajuda será permitida a entrar em Madaya, a poucos quilômetros de Damasco. A terrível situação no local ganhou destaque depois que fotos de crianças subnutridas, com os ossos aparentes, foram amplamente compartilhadas nas redes sociais. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), cerca de 1.200 habitantes sofrem de doenças crônicas e mais de 300 crianças de desnutrição ou outros problemas de saúde.

Na tentativa de sobreviver, muitas famílias estão se alimentando de folhas das árvores, com algumas pessoas fazendo sopa de grama. Os cães e gatos das cidades também se tornaram comida para a população e desapareceram na cidade, onde um quilo de arroz custa US$ 250. Os moradores que tentaram sair da cidade em busca de comida foram mortas em explosões de de minas colocadas pelas forças do regime ou por franco-atiradores, afirmou a OSDH

— Descrever a situação como sendo trágica é pouco quando vemos a realidade — disse ao canal al-Jazeera um dos habitantes da cidade, Abu Abdul Rahman.
A última vez que uma ajuda humanitária chegou a Madaya foi em outubro, e agora há escassez de praticamente todos os produtos, do leite para bebês até remédios básicos.

— Já é uma catástrofe humanitária — disse um funcionário médico que falou ao “Guardian. — As pessoas pensam que é exagero, mas, acreditem em mim, é pior do que qualquer exagero.

Diante do cenário de total abandono, os moradores encaram a notícia com ceticismo.

— Nós temos medo de que seja uma mentira, ficamos felizes a princípio, mas agora estamos com medo. Não sabemos nada sobre a quantidade de ajuda, ou o que virá — disse um professor da cidade que pediu anonimato.

A situação é semelhante nas cidades de Fua e Kefraya, onde os moradores resistindo sitiadas depois que uma coalizão rebelde, conhecida como Jaysh al-Fateh, cercaram dois enclaves na província de Idlib em meados do ano passado. Atualmente, cerca de 4,5 milhões sírios vivem em áreas de difícil acesso, incluindo 400 mil em 15 locais sitiados, sem acesso às necessidades básicas.

— Esse é um exemplo claro das consequências do uso do lugar como estratégia militar — afirmou Brice de le Vingne, diretor de operações da Médicos sem Fronteiras. — Os médicos no local esvaziaram as prateleiras das farmácias e se veem diante de filas cada vez maiores de pacientes doentes e morrendo de fome para tratar. Os médicos estão até mesmo recorrendo à alimentação de crianças gravemente desnutridas com xaropes médicos, na medida em que são a única fonte de açúcar e energia disponível, o que, por sua vez, acelera o consumo dos poucos suprimentos médicos restantes.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/siria-autoriza-ajuda-cidades-sitiadas-onde-40-mil-estao-morrendo-de-fome-18428716#ixzz3waxb7ZrA

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