Estado Islâmico assume autoria de ataques em Jacarta

Sete pessoas, incluindo cinco agressores, morreram em uma série de explosões com bombas e tiroteios na capital indonésia. Atentados atingiram área próxima a prédio da ONU e do Starbucks.

JACARTA — O Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria dos ataques que mataram ao menos sete pessoas nesta quinta-feira na capital da Indonésia. Espalhando terror por Jacarta, uma série de explosões com bombas e tiroteios atingiram um importante distrito de negócios e áreas próximas ao prédio das Nações Unidas e do Starbucks. Entre os mortos há cinco agressores e dois civis — um indonésio e um canadense. Dezessete pessoas, incluindo um homem holandês, um austríaco e um alemão, ficaram feridas. É o primeiro ataque do grupo extremista no país de maioria muçulmana.

Homem é visto segurando arma em direção a multidão em Jacarta – XINHUA / REUTERS
Os ataques não foram de fato surpresa para as autoridades indonésias, que alertaram no mês passado sobre uma ameaça credível no país. Em dezembro, nove suspeitos de pertencerem ao EI foram presos com documentos que esboçavam um plano para “fazer um show” em Jacarta. O presidente indonésio, Joko Widodo, classificou a ação desta quinta-feira de ato terrorista e disse que não irá ceder ao medo.

— Nossa nação e nosso povo não deveriam ter medo, não seremos vencidos por esses atos terroristas — declarou Widodo à rede de televisão Metro TV, acrescentando que as autoridades condenam este ato que perturbou a segurança e espalhou o terror entre a população.

Como medida de precaução, a Embaixada dos Estados Unidos em Jacarta permanecerá fechada na sexta-feira, enquanto as autoridades americanas alertam para a possibilidade de novos ataques.

“A Embaixada dos EUA pede fortemente que os cidadãos americanos mantenham um elevado nível de vigilância, fiquem atentos aos eventos locais e tomem as decisões corretas para reforçar a segurança pessoal”, diz um comunicado da representação.

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse que atos de terror não vão intimidar os países.

— Estamos juntos, todos nós, unidos em nossos esforços para eliminar aqueles que escolhem terror — afirmou.

ATAQUES DO EI ESPALHAM PÂNICO NAS RUAS DA INDONÉSIA

Homem ferido é levado após uma explosão perto da loja de departamento de Sarinah em Jacarta. Uma série de ataques atingiram um importante distrito de negócios e áreas próximas ao prédio das Nações Unidas e do Starbucks na capital da Indonésia nesta quinta-feiraFoto: Veri Sanovri / AP

Corpos são vistos em ruas da cidade após os atentados. Entre os mortos há cinco agressores e dois civis — um indonésio e um canadense. Dezessete pessoas, incluindo um homem holandês, um austríaco e um alemão, ficaram feridas

Polícia indonésia persegue suspeito de envolvimento nas explosões e ataques a tiros, reivindicados pelo Estado Islâmico. É o primeiro ataque do grupo extremista no país de maioria muçulmanaFoto: BAY ISMOYO / AFP

Os ataques não foram de fato surpresa para as autoridades indonésias, que alertaram no mês passado sobre uma ameaça credível no país. O presidente indonésio, Joko Widodo, classificou a ação desta quinta-feira de ato terrorista e disse que não irá ceder ao medoFoto: Tatan Syuflana / AP

Um cidadão estrangeiro fica ferido após os atentados no Centro de Jacarta. O pânico nas ruas pôde ser visto em imagens na TV, com pelo menos seis explosões e um tiroteio em um cinema, segundo as agências internacionaisFoto: STRINGER / REUTERS

Depois que cerca de sete militantes trocaram tiros com a polícia, os agentes demoraram cerca de três horas para acabar com o cerco perto de um café Starbucks e da Sarinah, a mais antiga loja de departamentos de JacartaFoto: BAY ISMOYO / AFP

Policiais antiterroristas lançaram uma ofensiva contra pessoas suspeitas de ligações com o Estado Islâmico em Jacarta. O governo mobilizou 150 mil agentes de segurança para proteger igrejas, aeroportos e outros locais públicos e fez uma série de detenções preventivasFoto: ROMEO GACAD / AFP
1 de 7AnteriorPróximo

PÂNICO NAS RUAS

Demorou cerca de três horas para acabar com o cerco perto de um café Starbucks e da Sarinah, a mais antiga loja de departamentos de Jacarta, depois que cerca de sete militantes trocaram tiros com a polícia antes de se explodirem. O pânico nas ruas pôde ser visto em imagens na TV, com pelo menos seis explosões e um tiroteio em um cinema, segundo as agências internacionais.

Três homens-bomba teriam se explodido perto do Starbucks, que fechou todos os seus estabelecimentos na cidade. Segundo a empresa, uma pessoa ferida foi retirada do local, enquanto outra recebeu tratamento na cena.

— As janelas do café Starbucks explodiram. Eu vejo três pessoas mortas na rua. Houve um período de calmaria no tiroteio, mas alguém está no telhado do edifício e policiais estão apontando suas armas para ele — relatou o fotógrafo da agência Reuters Darren Whiteside, enquanto o ataque transcorria.

As explosões aconteceram no entorno da Thamrin Street, um distrito comercial onde estão instaladas embaixadas estrangeiras e escritórios das Nações Unidas. Alguns prédios da área foram esvaziados.

No Twitter, Jeremy Douglas, um funcionário da ONU, afirmou que “pessoas no escritório acham que é um ataque parecido com o ocorrido em Paris, feito por simpatizantes do Estado Islâmico”. Ele disse ainda não ter visto nada parecido em mais de três anos vivendo no Paquistão.

— Parece muito perto — descreveu Douglas, representante regional do escritório da ONU sobre Drogas e Crimes, acrescentando ter ouvido um total de cinco explosões.

Logo após os ataques, o porta-voz da polícia apontou um grupo vinculado ao EI como suspeito. Quatro suspeitos de estarem envolvidos nos atentados foram detidos.

— Há uma forte suspeita de que (os ataques) são obra de um grupo na Indonésia vinculado com o EI. Pelo que vemos hoje, se trata de um grupo que segue o exemplo dos atentados de Paris — disse à AFP Anton Charliyan.

UM PAÍS SOB AMEAÇA

Com a maior população muçulmana no mundo — a maioria pratica uma forma moderada da religião —, a Indonésia tem estado nas últimas semanas sob a ameaça de militantes islâmicos. Policiais antiterroristas lançaram uma ofensiva contra pessoas suspeitas de ligações com o Estado Islâmico.

O governo mobilizou 150 mil agentes de segurança para proteger igrejas, aeroportos e outros locais públicos e fez uma série de detenções preventivas.

O país viveu uma onda de ataques de militantes na década de 2000. O mais mortal foi um atentado a bomba em uma discoteca em Bali que deixou 202 mortos, a maioria turistas.

Desde o ataque em Bali, radicais islâmicos têm sido responsabilizados por uma série de atentados em todo o país, que foram atribuídos à Jemaah Islamiyah, um grupo do Sudeste Asiático ligado à al-Qaeda.

A polícia tem sido bem sucedida na destruição de células domésticas de militantes desde então, mas as autoridades estão preocupadas com um ressurgimento inspirado por grupos como o Estado Islâmico e de indonésios que retornam depois de lutar com os jihadistas.

Os últimos grandes ataques de militantes em Jacarta foram em julho de 2009, com bombas nos hotéis JW Marriott e Ritz Carlton.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/estado-islamico-assume-autoria-de-ataques-em-jacarta-18470030#ixzz3xHB8g7xA

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s