Mortes em massa em prisões na Síria são crime de ‘extermínio’, diz ONU

Grupo de investigadores pediu sanções às autoridades responsáveis ou coniventes com as ações.

GENEBRA — O regime sírio já matou tantos prisioneiros desde o início da guerra civil no país, prestes a completar cinco anos, que a ação desenfreada foi considerada por um grupo de investigadores da ONU como extermínio da população civil e crime contra a humanidade. Em um relatório divulgado ontem, a comissão de inquérito apontou o governo de Bashar al-Assad como responsável por uma violência em massa e sistemática, que supera de longe os números registrados por grupos extremistas como o Estado Islâmico (EI) ou a Frente al-Nusra. Diante dos resultados, o grupo pediu que o Conselho de Segurança imponha sanções direcionadas às autoridades responsáveis ou coniventes com as mortes, torturas e desaparecimentos sob custódia, mas sem identificar os responsáveis.

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“Prisioneiros foram espancados até a morte ou morreram em consequência de seus ferimentos ou atos de tortura”, disse no relatório a comissão liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro. “Com milhares de pessoas ainda presas, medidas urgentes devem ser tomadas pelo governo sírio, por grupos armados, pelos apoiadores de vários lados do conflito e por toda a comunidade internacional para evitar mais mortes.”

Mesmo sem autorização de Damasco para entrar no país, os quatro membros da comissão recolheram milhares de relatos, documentos e fotos via satélite que compreendem o período entre março de 2011 e novembro de 2015 para compor o levantamento intitulado “Fora da vista, fora da mente: mortes em detenção”. O grupo entrevistou 621 sobreviventes e testemunhas, das quais 200 presenciaram a morte de um ou vários de seus companheiros.

Muitos deles contaram ter passado por torturas e tratamentos desumanos e degradantes, alguns tendo sido espancados até a morte durante os interrogatórios. Outros morreram em consequência das condições de vida precárias na prisão.

“As mortes de detentos continuam acontecendo sob um segredo quase absoluto e os testemunhos dos sobreviventes esboçam um quadro aterrador do que está acontecendo”, lamenta o grupo no documento.

Mesmo em maior número, as autoridades sírias não são as únicas que cometem esse tipo de atrocidade. Os grupos armados e organizações jihadistas, que tomaram o controle de grandes partes do território, também submeteram seus inimigos a condições de detenção brutais, explicam os especialistas. De acordo com o estudo, o braço sírio da al-Qaeda, Frente al-Nusra, criou centros de detenção em Idlib, no Noroeste do país, onde foram registradas mortes cruéis.

Os extremistas também realizaram execuções em massa de soldados do governo tomados como prisioneiros.O documento ainda acusa o Estado Islâmico (EI) de crimes contra a humanidade, tortura de prisioneiros e execuções sumárias.

“A responsabilidade por estes e outros crimes deve fazer parte de qualquer solução política”.

PRESOS NA FRONTEIRA TURCA

Na região de Aleppo, no Norte do país, o drama humanitário enfrentado pelos sírios se agravou nos últimos dias, após uma semana de intensos confrontos entre forças do governo e rebeldes que levaram dezenas de milhares de sírios a deixarem suas casas. Cerca de 30 mil pessoas que fugiram na tentativa de atravessar para a Turquia permanecem retidas na fronteira, fechada pelo quinto dia seguido, anunciou o premier turco, Ahmet Davutoglu depois de se reunir com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Ancara.

“Como sempre, vamos atender às necessidades de nossos irmãos sírios e aceitá-los quando for necessário”, apontou Davutoglu, mas deixando claro que o paós não carregará todo o peso da acolhida aos refugiados.

Por sua parte, Merkel se disse horrorizada pelos sofrimentos dos deslocados na fronteira e denunciou os bombardeios, sobretudo realizados pela Rússia. As forças russa ajudam o regime sírio na luta contra os opositores.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/mortes-em-massa-em-prisoes-na-siria-sao-crime-de-exterminio-diz-onu-18634571#ixzz3zioXQY00
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