Em nossa opinião: EUA precisa tomar uma posição sobre o genocídio cristão

Por: Deseret News (Editorial)

Em meados dos anos 1990, o governo de Clinton esperou e não fez nada em relação ao genocídio que foi cometido contra a minoria Tutsi de Ruanda. O presidente já havia decidido ser contrário ao uso da intervenção militar. Por esse motivo, seu governo foi relutante para considerar que estava acontecendo um genocídio. Sob os termos da Convenção das Nações Unidade de 1948, um categoria desse tipo necessitaria de intervenção.

Em 1998, o presidente Clinton desculpou-se por isso em um discurso em Ruanda. Entre outras coisas, ele disse, “nós devemos deixar claro para todos aqueles quem poderiam cometer tais atos no futuro que eles devem responder por eles, e eles irão”.

Mas agora parece que os Estado Unidos estão dispostos mais uma vez a esperar, relutantes em utilizar a palavra “genocídio” para referir à forma que o Estado Islâmico está sistematicamente dizimando cristãos e adeptos de outras religiões que se recusam em converter-se à marca particular do Islã dos terroristas.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse aos jornalistas, “Há advogados considerando  quer ou não que o termo (genocídio) pode ser devidamente aplicado nesse cenário”.

Claramente, esse é um caso no qual os Estados Unidos, com o seu sólido princípio constitucional de liberdade religiosa, deveria levar ao resto do mundo. Os termos da Convenção das Nações Unidas não devem ser um entrave. Os Estados Unidos já estão profundamente envolvidos, através de ataques aéreos e outros apoios, em combate ao terrorismo do Estado Islâmico. Não está claro o que mais os termos da convenção poderiam exigir.

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Refugiados cristãos de Mosul que agora vivem em campos de refugiado em Levo, no Iraque realizam uma sessão de oração aos milhares de outros cristãos que tiveram de abandonar Mosul por causa do grupo terrorista Estado Islâmico. A ONU estima que 50 mil cristãos estejam deslocados internamente. Créditos: Gail Orenstein, Sipa EUA.

 

Enquanto isso, a União Europeia passou uma resolução parlamentar denominando os atos do Estado Islâmico como genocídio, tornando a falta de ação dos EUA ainda mais curiosa.

A relutância do presidente Obama reforça a infeliz impressão que o seu governo não se importa com o clamor das pessoas que estão sendo negadas à liberdade religiosa, até mesmo que estão ao ponto de tortura e morte.

Para o seu crédito o presidente falou sobre essa perseguição durante a recente National Prayer Breakfast, dizendo “Nós oramos pela proteção de Deus a todos no mundo que não são livres para praticar a sua fé, incluindo cristãos que são perseguidos, ou que tenham sido expulsos de suas terras por causa da violência indescritível”.

Mas suas ações, começando com a política interna que inclui a tentativa de forçar grupos como as Irmãzinhas dos Pobres a violarem as suas próprias crenças, afirmando a cobertura de contraceptivos aos funcionários, e continuando através da redução do ministro para liberdade religiosa a um papel simbólico, falam mais alto.

O Congresso não foi muito melhor. Há um ano, os representantes Chris Smith, R-New Jersey e Anna Eshoo, D-California, apresentaram o HR1150. Entre outras coisas, isso colocaria o ministro pela liberdade religiosa sob o Departamento do Estado, e iria levá-lo a “coordenar políticas de liberdade religiosa e estratégias de engajamento religioso em todos os programas norte-americanos, projetos e atividades”. A todos os agente de serviços estrangeiros seria dada a formação obrigatória sobre a liberdade religiosa.

Esse projeto de lei foi enviado ao comitê no mês de abril do ano passado e não foi ouvido desde então.

Em termos práticos, a passagem do HR1150 e um decreto presidencial de “genocídio” nos atos cometidos pelo EI faria pouco para diminuir as horríveis atrocidades. Eles poderiam, contudo, fornecer um novo sentido de urgência que poderia unir o mundo para focar no que está acontecendo.

Pesquisas mostram que a maioria dos americanos considera religiosa, e 70% deles identificam-se como cristãos. No entanto, as atrocidades cometidas contra os seus irmãos cristãos no Oriente Médio não interessam a eles.

Uma Casa Branca que fez da liberdade religiosa uma prioridade pode despertar essa vasta maioria. Pode ainda fazer desse objetivo um parte da campanha presidencial de 2016, onde os potenciais futuros presidentes teriam de dizer como eles pretendem encarar essa crise.

Arrepiar-se sobre a possibilidade de chamar um genocídio por seu nome legítimo parece uma estrada para mais tristezas tragicamente semelhantes àquelas depois da tragédia ruandesa.

Fonte: Deseret News

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