A dura realidade das crianças trabalhadoras em Bangladesh

Existem 3,45 milhões de crianças que trabalham no país, diz pesquisa

Na manhã de sexta-feira em Dhanka e Muhammad Sohel de 13 anos de idade espera dentro de uma van pública para começar outro dia de trabalho como motorista assistente.

O emprego de Sohel é para atrair passageiros e recolher as tarifas enquanto o veículo se move pelas ruas da capital de Bangladesh

Sexta-feira é um dia de oração para os muçulmanos e considerados um dia de folga nesse país de maioria muçulmana. Para Sohel significa que ele terá de lidar com menos passageiros, mas o dia será longo como a maioria sos outros

 “Eu começo o trabalho às 6h da manhã e continuo até por volta de meia-noite”, diz Sohel, que já trabalhou como assistente de motorista por três anos.

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Muhammad Sohel, 13, é um trabalhador de transportes em Dhaka. Ele trabalha 17-18 horas por dia. (foto por Stephan Uttom)

Todo mês, Sohel ganha cerca de 7,000 tak ($90). Depois pagando por seus próprios custos, ele envia dinheiro para o pai e seus irmãos mais novos que moram em uma aldeia na central de Bangladesh.

Antes de trabalhar na cidade, Sohel viveu com sua família e frequentou uma escola primária pública gerida por uma organização não-governamental.

“Com a morte de minha mãe, minha escolaridade chegou ao fim e eu vim para Dhaka com o meu irmão mais velho para ajuda-lo a sustentar a minha família, disse.

Sohel contou que doi ver crianças de sua idade indo para a escola.

“Eu tinha um sonho de me tornar atleta… Agora, eu acabei me tornei um auxiliar, provavelmente para sempre”

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As crianças que trabalham estão sujeitas à serem abusadas física e psicologicamente e na maioria dos casos, recebem mal. (foto por Stephen Sutton)

O jovem mecânico

Muhammad Aslam, 14, has been working in a mechanic’s workshop in old Dhaka for the past four years.

Muhammad Aslam,14, tem trabalhado na oficina de um mecânico na velha HDhaka desde os últimos quatro anos.

A função principal de Aslam é a soldagem de metais  e auxiliar na operação de uma máquina pesada que produz ato-peças. Seu dia de trabalho começa às 6 horas da manhã e termina por volta das dez da noite.

Vindo de um família muito pobre, Aslam nunca viu o interior de uma sala de aula.

“As crianças da minha idade vão à escola e eu também quero ir, mas meus familiares não podem pagar, então me mandam trabalhar”, diz Aslam.

Muitas crianças de Bangladesh estão em uma situação similar

O Relatório Nacional de Pesquisa do Trabalho Infantil do Escritório Bangladesh de Estatísticas diz que há 3.45 milhões de crianças trabalhando

A pesquisa foi pulicada em dezembro e revela um aumento no número de crianças trabalhadores desde a última pesquisa conduzida em 2003, quando houve 3.2 milhões

Cerca de 1,2 milhões de crianças estão atualmente envolvidas em várias formas perigosas de trabalho infantil,          incluindo as fábricas de curtumes, oficinas mecânicas, construção e armazenagem, diz a pesquisa. O valor era de 1,3 milhões em 2003.

Nas últimas décadas, o governo conseguiu fazer dois setores – as indústrias de vestuário e camarão – livre do trabalho infantil, diz o relatório.

O governo em 2012 tinha o objetivo de erradicar o trabalho infantil até 2016. Esse prazo foi adiado.

“Nós devemos admitir que nós falhamos nas promessas que fizemos. Durante uma reunião regional dos países do sul da Ásia em Colombo em dezembro, nós redefinimos o objetivo de eliminar o trabalho infantil de Bangladesh até 2019 “, disse A. K. Masud, um secretário-adjunto do Ministério do Trabalho e Emprego do Bangladesh.

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A pobreza, a falta de consciência e da aplicação de lei frouxa são responsáveis pelo número de trabalhadores infantis em Bangladesh (foto por Stephen Sutton)


Pobreza

Mais de 30% dos 160 milhões de pessoas de Bangladesh vivem com menos do que dois dólares por dia, tornando a pobreza o maior condutor do trabalho infantil.

Embora a educação primária seja gratuita nas escolas estatais, as famílias pobres que não conseguem ter acesso às instalações do governo, muitas vezes, enviam seus filhos para o trabalho.

“Famílias lutam para sobreviver todos os dias e precisam encontrar recursos para uma ou duas refeições por dia. Qualquer tipo de trabalho, não importa quão baixo o salário, é necessário para cobrir as suas necessidades básicas”,  conta o ativista dos direitos da criança Irmão Marista Cesar.

“E todos os membros da família capaz o suficiente irá trabalhar para o bem da família “, diz ele.

Muitas vezes, as crianças trabalhadoras são mal tratadoa pelos seus empregadores. Além de serem mal pagas, estão em alto risco de abuso físico e psicológico. Às vezes, o abuso pode ser fatal.

“Crianças em um ambiente de trabalho estão no nível mais baixo do poder. Eles são tratados como pessoas sem dignidade. Além de riscos de saúde e segurança, eles enfrentam insultos, humilhações e abuso físico”, diz o irmão Henriquez.

Devido à pobreza e à aplicação da lei frouxa, o trabalho infantil é amplamente aceito na sociedade Bangladesh, dizem os ativistas.

Ao invés de manter as crianças em casa, famílias olham para as perspectivas de geração de renda no envio de crianças ao trabalho. As pessoas vêem as crianças trabalhadoras em toda parte, mas eles não consideram isso um problema “, disse Emranul Haque Chowdhury, presidente do Fórum dos Direitos da Criança de Bangladesh, uma coalizão nacional de grupos de direitos da criança.

O governo e as organizações não-governamentais precisam tomar ações efetivas como providenciar empréstimos sem juros para que as famílias pobres possam iniciar um pequeno negócio tornando possível para eles enviar seus filhos à escola, diz Chowdhury.

“Mais esforços são necessários para fazer cumprir a lei e mais campanhas são necessárias para educar as pessoas contra o trabalho infantil “, acrescentou.

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Ao invés da escola, Sabbir Hossain de 13 anos foi enviado ao trabalho por seus parentes


A Igreja trabalha pelas crianças

Para combater o trabalho infantil, a Igreja Católica e outros grupos cristãos têm-se centrado no fornecimento às crianças de comunidades pobres, com uma educação que irá proporcionar-lhes competências profissionais.

“A maioria do nosso projeto foca no econômico e desenvolvimento do sustento das comunidades pobres”, disse Shiba Rozario, gerente de comunicação sênior da Caritas.

“Nós incorporamos as nossas políticas de proteção à criança em nossos projetos, incentivando os pais a mandarem os seus filhos para a escola, não funciona”, diz ela.

O Caritas Bangladesh tem fornecido uma educação básica para mais de 150 mil crianças sem escola de comunidades desfavorecidas e marginalizadas em Bangladesh.

Graças aos fundos da União Europeia, a Caritas está fazendo isso através de 1.000 escolas criadas em todo o país.

O Caritas também funciona em centros de cuidados infantis e de desenvolvimento de competências em oito regiões operacionais onde eles oferecem às crianças desfavorecidas, com uma educação informal e da formação profissional.

Fonte: UCAnews

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