Berlim terá albergue para refugiados homossexuais

BERLIM — Com o primeiro albergue para refugiados homossexuais, inaugurado ontem, Berlim fortalece a sua imagem de tolerância, desde os anos de 1920. O novo abrigo fica em um prédio de seis andares, com 29 pequenos apartamentos e capacidade para receber 124 pessoas. Mas o lar dos fugitivos gays, que fica no bairro de Treptow, na antiga parte Leste da cidade, recebeu no primeiro dia de funcionamento apenas 20 pessoas, 19 homens e uma mulher.

Dilek Kalat, secretária municipal de integração, revelou que a Prefeitura planeja instalar novos abrigos com o objetivo de garantir a segurança de gays e lésbicas, que sofrem preconceito na via-crúcis da fuga das guerras civis do Oriente Médio para a Europa.

— Eu fugi da guerra civil, do Estado Islâmico mas também da minha própria família — afirmou Hassan, de 24 anos, um dos moradores do novo abrigo.

Para o refugiado sírio, as “minorias das minorias”, como os fugitivos gays ou cristãos, continuam sendo perseguidos, mesmo depois de atingir um lugar seguro na Europa.

Na Síria, ele se via ameaçado pela própria família — os pais preferiam ver o filho morto a ser gay. Mas, mesmo depois de conseguir asilo em Berlim, o clima de medo persistiu. Os abrigos de refugiados são diariamente palco de agressão contra as “minorias das minorias”. Alguns, como o instalado no antigo aeroporto de Tempelhof em Berlim, alojam mais de duas mil pessoas

— Nesses grandes abrigos, os homossexuais não podem mesmo se sentir seguros porque há entre os refugiados um clima de grande intolerância — afirma Marcel de Groot, da ONG Ajuda aos Homossexuais.

Groot disse que houve na maioria dos países um grande retrocesso depois da Primavera Árabe:

— A situação para os gays ficou muito mais difícil nas regiões dominadas pelo Estado Islâmico, onde o “delito” de ser gay é passível de decapitação. Além disso, não houve melhora também no que se refere à democracia.

Mahmoud Hassino, de 40 anos, deixou a Síria em 2012. Depois de uma odisseia por vários países, chegou a Berlim dois anos mais tarde.

— Pouco tempo depois de chegar, vi logo que não era possível a convivência com outros muçulmanos nos abrigos coletivos — lembra Mahmoud, que hoje ajuda na ONG como tradutor.

Segundo ele, o clima de intolerância no mundo árabe “tornou-se insuportável”.

Mas a ideia de separar as minorias do resto dos refugiados é controversa. A chefia de polícia de Berlim advertiu contra a instalação de um abrigo especial para gays.

— Esses abrigos correm o risco de ser alvos de atentados — afirmou um porta voz da polícia.

Assim mesmo, Nuremberg já conta com um albergue para fugitivos gays desde o inicio do mês, e Munique, no mesmo estado da Baviera, planeja residências especiais para fugitivos gays e também para convertidos ao cristianismo, outro grupo que é alvo de agressões.

O novo abrigo de Berlim, que fica no bairro de Treptow, na antiga parte Leste da capital alemã, tem um forte sistema de vigilância. Depois dos últimos atentados contra albergues de fugitivos no estado da Saxônia, as autoridades aumentaram o nível de segurança nas residências de refugiados em todo o Leste alemão, que é a parte do país mais afetada pela xenofobia.

Para Marcel de Groot, muitos gays árabes que fogem para a Europa têm como destino Berlim por causa da tradição de tolerância que tem a cidade.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/berlim-tera-albergue-para-refugiados-homossexuais-18731111#ixzz413dpx8Ce
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