Secretário de Estado dos EUA considera divisão territorial da Síria

Medida pode ser tomada caso cessar-fogo não seja cumprido; 100 mil chegam á Grécia.

WASHINGTON — O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, afirmou que vai recorrer a um plano B para a Síria caso não seja cumprido o cessar-fogo acordado entre governo e oposição para a guerra civil que já assola o país há quase cinco anos: a repartição territorial da nação. A divisão do solo sírio pode ocorrer se também não se conseguir chegar a um governo de transição nos próximos meses.

— Pode ser tarde demais para manter o território da Síria unido se esperarmos muito mais tempo — afirmou Kerry ao Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, nesta terça-feira.

O secretário não defendia a divisão territorial como uma solução e se recusou a entrar em detalhes sobre a proposta. Não explicou, por exemplo, se seria necessário um aumento do envolvimento militar americano. Mas frisou que seria um erro afirmar que o presidente dos EUA, Barack Obama, não apoiaria a repartição síria.

Sobre os progressos mais amplo de negociações, Kerry foi duro quanto ao destino do ditador Bashar al-Assad.

— O próprio Assad vai ter que tomar algumas decisões reais sobre a formação de um processo de governo de transição que é real. Há certamente opções de plano B a ser consideradas.

Somente neste ano, 102.500 pessoas chegaram de forma ilegal às ilhas gregas de Samos, Kos e Lesbos a partir da Turquia, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). A metade deles é de sírios, afirmam as autoridades, e 20% são afegãos.

Em 2015, ano em que foi registrada a mais grave crise migratória até o momento, o número de cem mil refugiados na travessia só foi alcançado em junho.

Refugiados chegam à ilha de Lesbos, na Grécia – ARIS MESSINIS / AFP

ACORDO PARCIAL

O governo sírio e a oposição anunciaram nesta terça-feira estarem de acordo com o cessar-fogo proposto por Estados Unidos e Rússia no país, mas sob algumas condições. O regime de Assad disse que aceita a trégua, mas ressaltou que continuará combatendo grupos terroristas excluídos do acordo, como o Estado Islâmico. Enquanto isso, o principal grupo de opositores apontou que é favorável ao fim das hostilidades, desde que sejam cumpridas suas demandas.

— Para garantir o êxito deste cessar-fogo previsto para sábado, o governo sírio está disposto a coordenar-se com a Rússia para determinar quais são as regiões e grupos armados incluídos nesta trégua — indicou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.

Foto divulgada pela agência “Sana” mostra sírios reunidos em local onde dois ataques que atingiram província de Homs – Uncredited / AP

O regime destacou a importância de se fechar as fronteiras e do fim de apoio estrangeiro a grupos armados, citando a necessidade de impedir que essas organizações fortaleçam suas capacidades ou mudem suas posições. Além disso, se reservou ao direito de responder a qualquer violação contra cidadãos sírios ou contra suas Forças Armadas.

Com início marcado para o próximo sábado, o acordo entre Rússia e Estados Unidos exclui os grupos extremistas Estado Islâmico, Frente al-Nusra (braço sírio da al-Qaeda) e organizações que o Conselho de Segurança da ONU considera “terroristas”, mas que não são identificadas no texto. Mas, como o governo sírio não faz nenhuma distinção entre ativistas, rebeldes e jihadistas, há o receio que opositores acabem virando alvo de ataques.

Por sua parte, o Alto Comitê de Negociações (HNC na sigla em inglês) decidiu depois de uma reunião em Riad na segunda-feira que aprova os esforços internacionais para o fim das hostilidades na Síria. Mas a aceitação do acordo está condicionada ao fim da ofensiva do governo de Assad em 18 áreas controladas pelos rebeldes, a libertação de presos e a suspensão dos bombardeios e ataques de artilharia.Segundo o coordenador do HNC, Riad Hijab, o grupo está comprometido com os esforços de acabar com o derramamento de sangue na Síria e levar todas as partes para a mesa de negociações.

No entanto, analistas estão descrentes quanto à possibilidade de uma trégua efetiva, considerando a escalada recente dos conflitos entre o governo sírio e os rebeldes e o fracasso da última tentativa. Em 12 de fevereiro, outro acordo de cessar-fogo estava em pauta para ser efetivado em sete dias, mas o prazo se esgotou na última sexta-feira sem avanços.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/secretario-de-estado-dos-eua-considera-divisao-territorial-da-siria-18733111#ixzz4196pTwoR
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