Por que um acordo como o do Irã não vai funcionar para a Coreia do Norte?

O sucesso do acordo nuclear iraniano de 2015 elevou o otimismo para as potências mundiais para resolver a crise  norte-coreana de forma semelhante. Mas as diferenças entre as nações vermelhas podem dificultar isso.

Que as autoridades globais desejam um fim ao impasse na Coreia do Norte é compreensível. O país bélico isolado tem sido uma importante fonte de mal-estar: Pyongyang conduziu seu quarto teste nuclear em janeiro e lançou um foguete de longa distância no início deste mês, ambos em desafio às resoluções das Nações Unidas, o que revela a agressiva política militar norte-coreana do líder Kim Jong-un.

As negociações multilaterais destinadas à desnuclearização da península coreana, conhecidas como Six Party Talks (Negociações das Seis Partes), entre os Estados Unidos, China, Japão, Rússia, Coreia do Sul e Coreia do Norte estão paralisadas.

O programa nuclear do Irã foi igualmente preocupante para a comunidade internacional. No último ano, o grupo conhecido como P5+1, que consiste nos EUA, Reino Unido, Rússia, França, China e na União Europeia, garantiu uma vitória histórica quando o Teerã aceitou suspender temporariamente o seu programa nuclear em troca do levantamento gradual das sanções.


Por que a Coreia do Norte está levando o medo da rede do poder energético aos EUA ?

Então, se essas nações podem vencer no Irã, por que não na Coreia do Norte?

A retomada das Negociações das Seis Partes é altamente improvável por causa das pré-condições diametralmente opostas anexadas pelas partes interessadas, explicou Tan Ming Hui, pesquisador associado da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura.

“Os Estados Unidos desejam que a Coreia do Norte volte às negociações e se comprometam à desnuclearização antes da remoção das sanções e um tratado de paz possa estar sobre a mesa. Pyongyang quer que as sanções sejam removidas e um tratado de paz negociado antes que ele esteja disposto a voltar às negociações.”

No fim de semana, surgiram notícias de que Washington tinha mudado de tática em sua tentativa para um tratado de paz.  No início de janeiro, o governo de Obama pediu para fazer parte das discussões do programa de armas em vez de exigir à Coreia do Norte a redução do seu arsenal nuclear antes que as negociações comecem.


Além disso, as circunstâncias diferem do Irã e da Coreia do Norte

O Irã deixou estoques físseis suficientes para criar um armamento, mas Pyongyang já tem um arsenal seguro que ele vê como uma política de troca eficaz para obter ajuda e financiamento, observou Tan. A Coreia do Norte também está menos dependente no comércio exterior e no acesso ao sistema financeiro internacional, enquanto o Irã depende das exportações de energia, ele disse.

Pyongyang também se beneficia do apoio econômico chinês, ao passo que o Irã largamente tem se afastado. Pequim é o maior parceiro comercial e fonte primária de alimentos, sendo um país de grande importância na relação com a Coreia do Norte.


Teste nuclear da Coreia do Norte coloca China em uma dura posição

O relacionamento especial com a Coreia do Norte fez a China especialmente favorável às Negociações das Seis Partes. Após o lançamento do foguete no dia 7 de fevereiro, o Ministério das Relações Exteriores da China solicitou diálogo entre as partes internacionais para garantir a estabilidade regional. Washington, por outro lado, respondeu com novas sanções unilaterais.

“Embora os chineses possam estar furiosos com a Coreia do Norte, é provável que Pequim continue a resistir às duras sanções e a pressionar os Estados Unidos a retomarem a então conhecida Negociação das Seis Partes”, explicou Alastair Newton, chefe da Consultora de Negócios de Alavan e ex-político analista de Nomura, em um nota no início deste mês.

No entanto, notícias recentes podem sugerir uma mudança central. No dia 22 de fevereiro, a mídia sul-coreana informou que vários bancos chineses congelaram contas pertencentes aos norte-coreanos, no que seria considerado como sanções adicionais.

Em qualquer caso, os fundamentos da China para uma solução diplomática são suscetíveis a cair em ouvidos surdos dos EUA depois que Pyongyang rejeitou o pedido de Washington, no mês passado, segundo Newton. “O presidente Barack Obama não demonstrou inclinação alguma para se envolver com a Coreia do Norte desde o último teste. Então, eu não acho que isso vai trazer as pessoas para a mesa, embora Pequim possa tentar incentivar Washington nessa direção.”

Fonte: CNBC

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