Em Pyongyang, fazenda-modelo com armas de brinquedo para as crianças

Governo apresenta cooperativa moderna, com poucos moradores e escolinha

PYONGYANG – O governo dizia que era um exemplo a ser seguido de fazenda compartilhada. Havia legumes, certamente, mas mal dava para ver alguém trabalhando. E tudo estava surpreendentemente limpo, ainda que a agricultura costume causar sujeira.

— Este é um lugar muito bonito. Todos os cidadãos de Pyongyang têm inveja desta fazenda — afirmou Park Myong Shil, guia escolhido pelo governo para conduzir alguns repórteres pela fazenda Jangchon, ao Sudeste da capital.

A Coreia do Norte, que costuma ser um país recluso, permitiu que alguns membros da mídia internacional fossem à capital nesta semana. O regime quer mostrar melhoras na administração do país desde que Kim Jong-un chegou ao poder, há quase cinco anos.

A praça central tinha um mural de Kim Il-sung, o “eterno presidente” da Coreia do Norte, sobre uma plantação de repolho. Em torno da praça estavam casas idênticas, com painéis solares e aquecedores de água idênticos nos telhados.

Os inspetores conduziram os repórteres a um jardim de infância na fazenda, cuja entrada tinha uma pintura de crianças sorridentes sob o slogan “Somos felizes”. As paredes eram decoradas com desenhos de animais — em um deles, um esquilo segurava um lançador de granadas — e os brinquedos nas prateleiras incluíam tanques de guerra. Em outra sala, uma professora ajudou uma criança de 2 anos a mostrar um fuzil de brinquedo para os repórteres.

Depois, os inspetores levaram todos para as residências. A versão oficial é que três mil pessoas vivem na fazenda. Entretanto, quase ninguém estava lá. E as hortas em frente às casas? Eram apenas jardins domésticos, disseram os inspetores. Mas não explicaram por que uma tinha um jardim apenas com repolho, outra apenas com pepino, e a terceira inteiramente com abóboras.

Os inspetores, então, levaram os repórteres para uma casa habitada por Hong Son Suk, uma ex-professora que vive lá há um ano.

Um repórter abriu a geladeira e encontrou morangos e um peixe — parecia, portanto, que ela realmente vivia lá. Do lado de fora, um cão sarnento estava amarrado. Seu nome? Prosperidade.

Fonte: O Globo

 

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