ONGs apelam contra fechamento do maior campo de refugiados do mundo

ONU e grupos denunciam ilegalidade de proposta, tomada por motivos de segurança, mas que pode piorar ainda mais situação de terrorismo.

NAIRÓBI – O governo do Quênia provocou apelo internacional após anunciar um grande investimento para encerrar as atividades no campo de refugiados de Dadaab, o maior do mundo. De acordo com o Executivo, o local tem suspeitas de que sirva de abrigo para os radicais islâmicos somalis do al-Shabaab, aliados da al-Qaeda. Mas a ONU e várias ONGs apelaram contra a decisão.

— Por motivos de segurança nacional que põem os quenianos num contexto de atividades terroristas e criminosas, o governo começou a operação de encerramento do campo de refugiados de Dadaab — declarou o ministro do Interior, Joseph Nkaissery, nesta quarta-feira. — Os refugiados serão repatriados para o seu país de origem ou países terceiros para aí se instalarem. O campo tornou-se um centro de acolhimento para o al-Shabaab e um posto de contrabando e proliferação de armas ilícitas.

A expectativa do governo é que os primeiros refugiados deixem Dadaab em novembro, e que o campo tenha suas atividades encerradas até maio seguinte.

Perto da fronteira com a Somália, o campo de Dadaab já teve 600 mil pessoas (a maioria, somalis), mas agora, segundo a ONU, vivem por lá 344 mil.

Não é a primeira vez que as autoridades quenianas manifestam a intenção de encerrar o campo de Dadaab, mas este é o primeiro plano organizado e estruturado. Em resposta, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) e ONGs pró-direitos humanos alertaram repatriamento forçado viola as convenções internacionais.

“O encerramento de Dadaab porá em risco 330 mil vidas somalis e terá consequências humanitárias sérias, ao forçar o regresso das pessoas a um país devastado pela guerra, com um acesso mínimo a assistência médica e humanitária”, diz um comunicado da ONG Médicos Sem Fronteiras.

A Human Rights Watch alerta que o Quênia não tem estrutura para realocar os imigrantes em Dadaab. A ONG citou ainda que, em 2013, houve ofensivas de soldados agredindo refugiados e forçando-os a voltar ao país vizinho, de onde fogem da miséria e do terror do grupo radical islâmico.

— Acho que a meta de espalhar medo através de abusos e intimidação é a estratégia provável — criticou o pesquisador Gerry Simpson.

Fonte: O Globo

 

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