Quatro dos oito hospitais no Leste de Aleppo foram danificados em bombardeios

ALEPPO — Dos apenas oito hospitais que ainda estão em funcionamento no Leste de Aleppo, quatro foram danificados por bombardeios em quatro dias, denunciou a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) nesta quarta-feira. O ONG, que trabalha na região e atribui os atentados às aviações russa e síria, ressalta que os ataques contra as estruturas médicas precárias condenam centenas de pessoas feridas pela guerra civil à morte.

A denúncia vem no mesmo dia em que a ONU classificou os bairros do Leste de Aleppo, em mãos rebeldes, como “zona sitiada”, depois de vários meses de ofensiva das forças do governo e da impossibilidade de entregar ajuda humanitária.

Segundo Jens Laerke, porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Aleppo reúne os três critérios das zonas sitiadas: cerco militar, falta de acesso à ajuda humanitária e ausência de liberdade de deslocamento para os civis.

Segundo a ONU, existem 18 zonas sitiadas na Síria. Recentemente retirou da lista a cidade de Daraya, onde a população pôde ser evacuada após um acordo com o governo sírio.

No Leste de Aleppo há cerca de 275 mil pessoas sitiadas, segundo as Nações Unidas, enquanto o Oeste da cidade está nas mãos do governo e recebe ajuda humanitária.

ATAQUES INDISCRMINADOS

No dia 30 de setembro, dois hospitais no Leste de Aleppo apoiados pela MSF foram gravemente danificados por bombardeios contínuos e indiscriminados. Um banco de sangue também foi danificado. Apesar dos danos, as equipes médicas das três instalações conseguiram continuar seu trabalho.

No dia seguinte, um hospital de trauma da região foi tão danificado por bombardeios que precisou ser fechado. Dois dias depois, enquanto equipes de construção reparavam os danos, a área foi bombardeada novamente, danificando mais ainda o hospital.

Já em 2 de outubro, um hospital cirúrgico também foi danificado por bombardeios, mas continuou aberto.

“Os poucos hospitais que restam estão em colapso, com um fluxo de centenas de feridos deitados e agonizando no chão das enfermarias e dos corredores”, disse em um comunicado Pablo Marco, coordenador de operações de MSF no Oriente Médio. “Os médicos estão realizando cirurgias cerebrais e abdominais nas vítimas dos bombardeios no chão das salas de emergência, pela falta de centro cirúrgicos disponíveis. A Rússia e a Síria devem parar com essa carnificina agora.”

Aleppo é um dos epicentros da guerra civil síria, que já completa cinco anos e deixou centenas de milhares de vítimas fatais. Os conflitos também já forçaram milhões de pessoas a deixarem o país, desencadeando uma grave crise migratória que chega à Europa. Até agora, as negociações de paz não tiveram sucesso em manter um cessar-fogo prolongado, e não há previsão de uma solução política efetiva para a guerra.

Leia mais: http://oglobo.globo.com/oglobo-20239150#ixzz4MH205w4Z

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