Europeus, refugiados e o terror

Por Amir Kater

   Pesquisas demonstram que muitos cidadãos europeus relacionam refugiados ou imigrantes, nos dias atuais, muçulmanos, com o terror ou os percebem de maneira negativa.

   Assim como no Brasil e alguns outros países, o europeu tem real  preocupação/impressão que com a chegada de mais muçulmanos haverá maior onda de terror e atentados diversos.

       A crise na realidade vem desde a Segunda Guerra Mundial, a engendradora de muitos dos problemas migratórios. A ONU estima que mais de trezentas mil pessoas tentaram atravessar o Mediterrâneo, em 2015, para tentar chegar à Europa.

    Sabe-se que a esmagadora maioria  são da África e Oriente médio fugindo de perseguições e guerras como a da Síria, que já leva mais de cinco anos. Aliás, a mesma ONU, nesse período todo, sequer enviou os famosos observadores para a Síria, na verdade o fez já no final de 2016, qual seja, 4,5 / 5 anos após o início dessa guerra ignóbil.

        Estima-se que duas mil e quinhentas pessoas de todas as faixas etárias morreram nas travessias desesperadas em fuga daquilo que a ONU parece gostar de ver, o caos. Um dos maiores emblemas foi a criança Aylan Kurdi, quando a cena de seu corpo que jazia na praia de Bodrum ‒ Turquia ‒ sensibilizou o mundo pela questão dos refugiados.

       Um dos grandes problemas é a chegada, normalmente, pela Grécia ou Itália, de hordas de pessoas, na maioria das vezes em idade militar, com grande vigor físico, sem família, mulheres e/ou crianças; o que chama atenção sobremaneira; sempre com direção à Alemanha de Merkel, que se propôs  a receber oitocentos mil refugiados sírios, em sua quase totalidade no ano de 2015. Percebe-se um acirramento na questão, pois esses “pobres” refugiados têm que se deslocar até a Alemanha. Contudo, quando chegam às fronteiras de países menos permissivos e mais conscientes da proteção de seus cidadãos como Áustria, Eslovênia e Hungria, se vêm com o problema das fronteiras fechadas e fortemente patrulhadas; evidente que isso agrava a crise, principalmente para outros países que têm esses errantes passando por seus territórios, trazendo o horror.

      O que há hoje além desse quadro geral, sombrio ao extremo para a Europa, é uma questão geopolítica evidente, pois a maioria dos migrantes são sírios, fugindo da guerra, que envolve os pró-governo Assad e os que querem derrubá-lo; mais do que lógico que isso tem como resultado uma realidade local, tenebrosa, que fortalece toda sorte de organizações extremistas como o DAESH (em árabe, ad-Dawlat al-Islāmiyah fī al-ʿIrāq wa sh-Shām) que pretende um califado através da visão whahabita e, pra não esquecer, extremamente violenta.

         Devemos considerar outra questão importante que é o fato de que países europeus têm baixa taxa de natalidade, diferente dos migrantes islâmicos, que se procriam aos montes. Com isso a população europeia com baixo nível de fecundidade e envelhecimento natural de sua população,  gere um problema em que seus cidadãos, apesar das matérias em geral não apontarem, comece a sucumbir aos novos moradores, dada a sua taxa de natalidade; logo de senhores passarão a vassalos.

         Devemos, ainda, considerar a crise econômica que atinge a Europa e os integrantes da Comunidade Europeia em 2008. Onde Grécia e Espanha têm taxas de desemprego de 20%, o que acirra a xenofobia em muitos setores, por considerarem os migrantes como concorrentes desleais. O que fortalece o discurso da extrema-direita, aliás, um dos poucos sistemas de visão política capaz de aplacar as sanhas de certos grupos radicais islâmicos, pois aceita a não permissividade, a letargia, frente aos ataques, estupros, saques, roubos e furtos perpetrados por esses que chegam, curiosamente, 99,9% das vezes muçulmanos. Uma boa demonstração foi a crise dos véus (hijab) na França, entre outras posturas que visam defender o modelo de vida europeu comum.

       O que chamam de globalização na verdade, hoje, se vê como a agenda de dominação de pontos específicos do globo por uma visão sórdida, política, disfarçada de religião, que impõe sua visão e forma de vida pelo medo, pelo terror e pelas armas; além das perseguições a qualquer grupo que destoe de suas ideias.

      Numa próxima oportunidade, continuaremos traçando o paralelo das imigrações através dos séculos e comparando a questão europeia, com a brasileira e o  que ocorre na América Latina, atualmente uma incubadora de grupos e radicais como os do Hezbollah.

Fonte da Imagem: LineaDiretta24.it

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