Massacre dos Romanov & a Cartilha Ideológica em ação

Por Elvis Macedo

Vladimir Lenin – líder dos Bolcheviques, mentor e coordenador da Revolução Russa – há exatos 100 anos encabeçou em Moscou o movimento que, mancomunados com os bolcheviques de Ecaterimburgo, culminou com o massacre da Família Imperial Romanov e serviçais da casa.

A ordem fora enviada de Moscou, por meio de um telegrama codificado. Missão dada é missão cumprida. A ordem foi acatada e executada nos Urais, onde os Romanov e os serviçais estavam encarcerados há 17 meses.

Os que sobreviveram aos tiros, foram assassinados com o uso de baionetas. Depois do massacre, para eliminar quaisquer possibilidades de identificação, os bolcheviques, utilizando-se de ácido, desfiguraram os cadáveres.

Yakov Yurovsky -réu confesso dos tiros que matou o Czar Nicolau II, foi para Moscou e entregou as joias que pertenciam à Família Romanov. Foi recebido com louvor, honrado e homenageado. Recebeu cargos importantíssimos no governo dos Bolcheviques. Tratamento semelhante fora dispensado a Ramón Mercader, assassino de Trotsky enviado por Stalin. Depois de cumprir 20 anos de prisão foi para Moscou, foi recebido como um herói e recebeu todas honrarias e condecorações dentre os comunistas, recebera de Fidel Castro uma casa em Havana e todo tipo de privilégio ao herói comunista.

Das muitas hipocrisias de Vladimir Lenin, talvez, a mais destacada é: cometer crueldades e erros ainda piores contra os quais lutou.

Ontem, na TV Cultura, às vésperas de completar 100 anos do massacre da Família Romanov, foi exibido o telejornal e, como todas as noites, é comum diversas pautas que são discutidas, quase sempre, com a participação de 2 convidados. Antes de finalizar o telejornal, foi ao ar uma reportagem falando sobre a tragédia que sofrera a Família Romanov, numa das entrevistas foi possível ouvir Peter Sarandinaki, neto de uma sobrevivente e bem afeiçoado à tragédia.

Declaração de Peter S. foi: “…gostaria de dar à família um enterro honroso e digno que eles merecem“.

É aí que entra em cena o Vladimir, não o Lenin, mas o Safatle. Numa indignação que não conseguiu mascarar sua militância e seu ativismo, Vladimir Safatle disparou seu ódio contra a Família Romanov:
Eu acho surreal esse tipo de reportagem, na verdade, a tragédia não era dos Romanov, a tragédia eram os Romanov!…” (sic)

Vladimir Safatle é ativista político, colunista do jornal Folha de São Paulo, professor e filósofo.
Das muitas hipocrisias de Vladimir Safatle, talvez, a mais destacada é: ensina-nos a sermos afetuosos e termos compaixão para com os injustiçados, mas despreza cretinamente o massacre das crianças Romanov.

O primeiro Vladimir, o Lenin, favoreceu e lutou pelas minorias e por meio delas alcançou o poder. Depois que alcançou o poder ostentou as mais “execráveis” e “abomináveis” regalias às quais sempre se opôs: aumentou descaradamente o salário dos que estavam em eminência dentro do partido, praticou nepotismo, serviu-se dos bens dos Romanov, bem como limousine, propriedades, etc.

O segundo Vladimir, o Safatle, articulista impetuoso e com veemência produz suas críticas às injustiças, mas não a todo tipo de injustiça. Ao tecer suas críticas contra os regimes totalitários, os ditadores são muito bem expostos e os males consequentes de suas tiranias são chamados um a um pelo nome, mas, em específico, suas críticas vão de encontro aos ditadores Mussolini, Hitler, Franco, Salazar, Pinochet e a ditadura militar no Brasil; porém, suas críticas, quando direcionadas a Lenin, Stalin, Mao e Fidel passam a ter um sabor de elogio, pois com tamanho eufemismo e boa retórica alivia o peso dos fatos; a dor dos acontecimentos sobre os que foram oprimidos são apenas um momento importante da história, um ciclo de guerra ou, como recentemente declarou: “uma tentativa que não deu certo, mas nem por isso pode ser considerada como errada“.

Levanta seu discurso em favor dos “sem voz” e “sem vez”, ou seja, as minorias; ensina-nos sobre a importância da dinâmica dos afetos, sobre o dever de não portarmos sentimentos danosos ao meio social, ensina-nos a termos compaixão pelos que estão em injusta e desfavorecida posição, mas pisoteou, ontem, em seu discurso não demonstrando a mínima compaixão às minorias que sofreram o injusto martírio.

 

Imagem Rainhas Trágicas

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