Violência, massacres e atentados: influência do terror islâmico?

Por Gil Carlos Montarroyos[1]

Muito temos nos perguntado se houve alguma influência do atentado na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano. O modus operandi, não deixa dúvidas – o atentado sofreu direta ou indiretamente essa influência. Segundo o Global Terrorism Database[2] já ocorreram mais de 180.000 atentados terroristas, mais de 88.000 bombardeios, 19.000 assassinatos e 11.000 sequestros desde 1970 diretamente ligados à prática do terrorismo no mundo até 2017.

Dentro desses dados e levando em consideração o recrudescimento do Islã radical, mais comumente denominado de jihadismo islâmico (Jihad, definição islâmica para qualquer ação violenta contra muçulmanos apóstatas e não-muçulmanos), e suas ações violentas, tanto contra outros muçulmanos, como por exemplo, atentados sunitas contra populações xiitas em diversos países (Paquistão, Iraque, Iêmen, Sudão, Omã, etc…), bem como a ocidentais, civis e militares em todo o mundo.

Não obstante a todo o caos no mundo islâmico na periferia do sistema internacional, temos visto a extrapolação de atos de terrorismo, muito deles não diretamente ligados ao terror islâmico, mas, que sofreram algum tipo de influência deste, face, a ampla divulgação na mídia internacional das diversas ações dos diversos grupos terroristas islâmicos em todo o mundo: Hamas, contra civis e militares israelenses, Hizballah, idem, Al Qaeda, contra civis e militares, tanto no Oriente Médio, como no Ocidente, ISIS ou DAESH, mais conhecido Estado Islâmico, com atos de extrema violência praticados majoritariamente contra civis, amplamente divulgados em toda mídia internacional.

Toda essa propaganda gratuita feita diuturnamente pela grande mídia, possui alguma influência no atentado à escola de Suzano? A resposta é sim. Segundo a Autora de “Mentes Depressivas – As Três Dimensões da Doença do Século” (editora Globo), a psiquiatra Ana Beatriz Silva menciona a onda de suicídios atribuída ao lançamento do livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, obra de Goethe, de 1774, em que o protagonista se mata após um amor não correspondido. Como reação, o livro foi recolhido e proibiu-se a discussão sobre o suicídio por acreditar que seria algo que incitasse a prática.

Segundo a especialista, quando há um caso noticiado, gatilhos mentais, associados a problemas emocionais e psicológicos, estimulam os potenciais suicidas a executarem o suicídio. “Uma cena de suicídio pode causar muitos impactos na vida de um jovem por meio do gatilho, especialmente quando esses jovens estão fragilizados, angustiados e perdidos nas questões cotidianas, sem apoio e orientação, desconectados com a vida“, afirma a escritora.

Essa análise também deve ser aplicada aos casos de terrorismo em geral. Em todo o mundo, o fenômeno do terrorismo é amplamente discutido, mas, as autoridades ainda não fazem ideia de como prevenir atos de terror. Nos casos de terrorismo, via de regra há uma pauta político-religiosa por trás do ato, que, usado como ferramenta de pressão política ou como prática de guerra assimétrica, trazem à baila uma pauta política e muitas vezes religiosa.

Iniciado em 1922, quando há o primeiro ato de terrorismo religioso registrado de fato, contra a comunidade judaica do então Mandato Britânico para Palestina,  após a criação da organização religiosa islâmica egípcia Irmandade Muçulmana, fundada por Sayyd Qutb e Hassan Al Banna, uma onda de religiosidade e doses cavalares de radicalismo passou a se observar no Egito e rapidamente se espalhou por toda a região, culminando com o denominado Pógrom de Jerusalém, se iniciando ali a modalidade de terror islâmico como a conhecemos nos dias atuais.

Terror em Realengo: o primeiro caso?

Em 07 de abril de 2011, no bairro de Realengo, no município do Rio de Janeiro, aconteceu o primeiro caso de terrorismo doméstico, onde aparecem indícios de radicalização islâmica no caso. O terrorista Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, que invadiu na manhã do dia 07 de abril de 2011 a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, atirando nos alunos, vindo a matar 10 meninas e 1 menino, deixando 13 estudantes feridos, foi o primeiro caso onde há fortes indícios de uma possível radicalização do assassino.

Em carta encontrada no local do atentado, o terrorista deixa claro a influência religiosa no texto (Foto abaixo). Vale ressaltar que não foi encontrado vínculos reais do terrorista com grupos radicais islâmicos, sem, contudo, inviabilizar a percepção de que houve a influência do terror islâmico no processo de autorradicalização, já que o mesmo menciona na carta trechos do hadith[3].

Não é incomum casos de autorradicalização. Muito pelo contrário, há evidências desse processo de identificação terrorista em todo mundo, o que fortalece a tese de que a ampla cobertura da mídia nesses casos, influenciam potenciais terroristas a se autorradicalizarem e a perpetrarem atos de terrorismo, tanto de cunho religioso, como o caso de Realengo, como nos demais casos, como o atentado de Columbine, Suzano, Nice, Madri, Paris, Londres, etc…

Toda essa exposição sobre o tema, segundo o raciocínio da Dra. Ana Beatriz Silva, autora de Mentes Depressivas, há um processo de empatia com o agressor. Vale salientar que nesses casos, o processo de empatia é lento e progressivo, e em muitas vezes, com forte presença de psicopatia preexistente nos acusados.

Política de segurança ou de saúde pública?

Com o desenrolar dos casos acima citados uma luz de alerta se acendeu no nosso país, com a prisão de diversos possíveis terroristas que já estavam em pleno processo de preparação de atentados em outros estados do Brasil. Em Pernambuco https://www.op9.com.br/pe/noticias/presos-dois-suspeitos-de-integrar-bonde-dos-terroristas-em-jaboatao/, Rio de Janeiro e Goiás, conferir o link: http://www.folhape.com.br/noticias/noticias/brasil/2019/03/19/NWS,99312,70,450,NOTICIAS,2190-POLICIA-APREENDE-DOIS-JOVENS-COM-PLANOS-PARA-ATACAR-ESCOLAS-BRASIL.aspx, em Campina Grande, na Paraíba, conferir o link: https://www.portalt5.com.br/noticias/policia/2019/3/199060-aluno-esfaqueia-colega-dentro-de-escola-em-campina-grande.

Vale salientar que apesar da lei antiterror ter sido aprovada, a mesma é incipiente e pouco clara, tanto para identificação e enquadramento legal em casos de terrorismo, bem como falha em dar um subsídio legal para as forças de segurança pautarem suas ações.

Principais vetores de propagação do terrorismo no Brasil

Não há nenhuma dúvida em relação ao principal vetor de propagação do terrorismo no mundo: o Islã radical, mais conhecido como jihadismo islâmico. Mas, para nossa preocupação, não são os únicos. Esse fenômeno, apesar de não ser recente, foi negligenciado pelas autoridades brasileiras, muitos pelo envolvimento dos antigos governos com a agenda globalista.

O avanço do Islã no Brasil, muito pela falta de uma regulação da propagação de ideologias radicais, se transforma em principal vetor de propagação de atos de terrorismo, tanto no Brasil, como no mundo.

Novas evidências surgem a todo o momento acerca da presença de células jihadistas em território brasileiro. Para isso faremos uma recapitulação de algumas notícias já veiculadas pela grande mídia nos links abaixo:

  1. https://g1.globo.com/go/goias/noticia/mpf-go-denuncia-11-brasileiros-por-promover-estado-islamico-e-tentar-recrutar-pessoas-para-atentados-terroristas.ghtml;
  2. https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/05/17/A-atua%C3%A7%C3%A3o-do-Estado-Isl%C3%A2mico-no-Brasil-segundo-estas-opera%C3%A7%C3%B5es;
  3. https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2017-10-12/estado-islamico-minas.html;
  4. https://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/estado-islamico-no-brasil/;
  5. https://super.abril.com.br/historia/explosao-islamica/;
  6. https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/05/justica-acata-denuncia-contra-9-brasileiros-por-ligacao-com-estado-islamico.shtml.

Além dessas notícias amplamente veiculadas, há a presença de grupos jihadistas em universidades brasileiras, como as presenciadas em ato pró-Irã na UFPE, https://sintrajufpe.org.br/sintrajuf/artigos/3/, em Recife, PE: https://esquerdaonline.com.br/2018/05/21/recife-tera-ato-pelo-fim-das-agressoes-sionistas-de-israel-contra-povo-palestino/; todos os atos sob o pretexto de apoio a causa palestina.

Atos pró-Palestina na Paulista, com a presença de terroristas conhecidos, também foram vistos em eventos da Paulista. Aliás, 2018 foi um ano muito problemático no que tange o tema terrorismo islâmico no Brasil.

Os fortes laços dos partidos de esquerda com grupos terroristas islâmicos como Hizballah, Fatah, Irmandade Muçulmana, dentre outros, demonstram que há uma alinhamento político-ideológico de partidos e organizações não governamentais brasileiras, bem como organizações criminosas, como por exemplo, o caso da facção criminosa paulista autodenominada Primeiro Comando da Capital – PCC, com o grupo terrorista Libanês Hizballah, para entender o problema conferir o link https://istoe.com.br/o-hezbollah-pode-dominar-o-pcc/.

Enfim, o tema ainda está longe de uma resolução pacífica. Fica clara a total inexperiência do poder público brasileiro no controle e prevenção desses atos terroristas, bem como a clara falta de vontade política de parte da classe política brasileira na resolução do problema, causando uma instabilidade jurídico-coercitiva para amparar os agentes de segurança nas ações preventivas e corretivas de potenciais ações terroristas no país.

Imagem Tribuna do Norte

[1] Internacionalista, historiador e analista internacional, com estudos focados no terrorismo islâmico.

[2] Sitio Start Institute, Maryland University: https://www.start.umd.edu/gtd/about/, acessado em 27/03/2019, 12:26.

[3] Conferir sítio: <http://islamsul.com.br/categories-1-layout/item/229-purificacao-islam>.

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