Guga Chacra ataca “pastores bolsonaristas”, mas engole “canalhice religiosa” no Líbano

Por Andréa Fernandes

A situação desesperadora em que se encontra o Líbano com aumento de perigosas tensões sectárias – que já resultaram em mortes não divulgadas pela extrema-imprensa – tem recebido muitíssima atenção da minha parte juntamente com o agravamento da situação no Mediterrâneo Oriental em virtude da cobiça expansionista neotomana de Erdogan invadindo fronteiras marítimas da Grécia e Chipre para se apossar ilegalmente da exploração de gás natural, além de suas operações jihadistas no Iraque, Síria, Líbia – dentre outros países africanos – e no próprio Líbano, onde vem financiando a Irmandade Muçulmana local.

Como o Brasil tem a  maior diáspora libanesa do mundo e não vejo na imprensa jornalistas que mostrem a realidade do país sem enviesamento, resolvi ler atentamente as matérias do blogueiro progressista Guga Chacra sobre a atual crise naquele país, já que alguns membros da comunidade judaica seguidos por evangélicos fazem propaganda de suas matérias e a própria Confederação Israelita do Brasil (CONIB) compartilhou um dos seus textos, o que, sinceramente, considero bizarro, pois, dentre tantos outros motivos relevantes,  jamais compartilharia um fragmento sequer de internacionalista que representa nada mais que o pensamento fruto da ideologia pró-Irã implantada pela Fundação Alevi nas universidades ocidentais. Por isso, Chacra BLOQUEOU no seu Twitter um ativista ao responder educadamente  uma das muitas mentiras do blogueiro com informações verdadeiras sobre a marginalização dos cristãos e o decréscimo dessa comunidade no país, além de se negar a reconhecer  o Hezbollah como organização terrorista e atacar – de forma polida, é claro – Israel! Afinal de contas, o blogueiro é o mais notável representante do “ódio do bem”!

Assim,  venho lendo muitas matérias, artigos e trabalhos acadêmicos do MUNDO ÁRABE para desmascarar de vez as narrativas dos “papagaios engomadinhos” da extrema-imprensa ocidental que promove abertamente “desinformação” favorecendo a visão ideológica que fortalece as concepções marxistas de mundo na “guerra cultural” que prestigia teocracias islâmicas autoritárias que disputam a hegemonia no mundo muçulmano através da jihad em suas várias nuances, inclusive, demográfica, midiática, e sobretudo, “diplomática”.

Apesar de não faltar blogueiro aventureiro com a proposta de explicar o mundo muçulmano para a opinião pública brasileira, Chacra é definitivamente um “queridinho dos progressistas”, que aliás, “forçou choro” para posar de “humanista” diante das câmeras quando aconteceram as explosões em Beirute, mas não escreveu na sua “coluna de ataque” – às vezes diário – à Trump no jornal O Globo, artigo reverberando DENÚNCIA da instituição Human Rights Watch, mostrando a extrema violência exercida contra manifestantes libaneses que protestavam pacificamente após as explosões no porto de Beirute, com uso, inclusive, de munição real, bem como outros armamentos mortais pela Polícia do Parlamento, as Forças de Segurança Interna (ISF), as Forças Armadas Libanesas (LAF) e as forças não identificadas em trajes civis. A Cruz Vermelha Libanesa e o Corpo de Socorro de Emergência Islâmico anunciaram que 728 pessoas ficaram feridas durante o protesto de 8 de agosto e pelo menos 153 feridos foram encaminhados aos hospitais.

No Twitter, o “humanista de araque” preferiu divulgar  a MORTE DO CACHORRO de uma jornalista nas explosões – para supostamente mostrar a solidariedade entre as pessoas – mas não teve coragem de mostrar a real desgraça que abate o seu povo, pois, o “bom moço” sabe que terá que passar pelo Hezbollah e o danoso sistema sectário para ajudar a explicar a tragédia libanesa apoiada e estimulada por ditaduras islâmicas!

Já terminei um longo artigo com “fontes árabes”  para mostrar as falácias do paroleiro e devo publicá-lo brevemente durante Live para pormenorizar alguns aspectos não inseridos no texto para evitar agigantá-lo ainda mais… Além disso, já iniciei o segundo artigo mergulhando na problemática não divulgada de forma honesta e que ameaça a existência daquele Estado que já foi a “Suíça do Oriente Médio”. Nesse mister, é necessário fazer uma pequena reflexão: dá para acreditar na efetivação da diretriz de “neutralidade regional” esculpida na Constituição libanesa pela potência colonial francesa inspirada na Constituição da Suíça? Teve bobo acreditando nas tratativas francesas que supostamente defenderiam – após a Independência do Líbano – as comunidades cristãs da imposição da sharia (lei islâmica) pelo poderoso mundo muçulmano em mais um território que na doutrina islâmica compõe Dar Al-Islam (Casa do Islã).

A mesma França que “tirou o corpo fora” quando se estabeleceu oficialmente a hegemonia síria no Líbano através do Acordo de Taif” delineado na terra em que nasceu o profeta Maomé (Arábia Saudita), para salvaguardar os interesses SUNITAS marginalizando os cristãos, está hoje prometendo um “novo Pacto Nacional” sem mexer nem de longe com aos interesses do Irã e o poderio bélico do Hezbollah como herança da interferência de potências estrangeiras no triste território dos “cedros esmagados” pela supremacia islâmica.

Chacra não vem demonstrando preocupação em suas redes acerca da leniência da França e da elite política libanesa – inclusive, cristã – com o domínio do Hezbollah que sequestrou as principais instituições do Estado para efetivação do seu projeto de poder inspirado na Revolução Iraniana. Assim, o blogueiro não denuncia Macron, que não ousou cogitar desarmar o Hezbollah ou exigir uma reforma política que quebrasse seus tentáculos na administração pública, e ainda abraçou o novo primeiro-ministro que é reminiscência da elite dominante que destruiu o país. Logo, Chacra se distancia das “canalhices religiosas” no Líbano para tentar “lacrar” como bom militante histérico compartilhando matéria da extrema-imprensa acusando “pastores bolsonaristas” de terem responsabilidade nas mortes ocasionadas pelo novo coronavírus.

Já a carnificina que foi instituída no Líbano desde a implantação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em 1970, que sequestrou a soberania libanesa impondo uma agenda de interesses externos, é pauta proibida para o militante, que só lembra das ações de Israel durante a “ocupação no Líbano”, não mostrando aos seus leitores o motivo real da aludida “ocupação”. Coisa de gente desonesta no campo intelectual. A Globo com sua linha editorial pró-Irã jamais admitiria noticiar que os palestinos tornaram o sul do Líbano numa plataforma de ataque contra a população civil em Israel. Guga tem “licença global” para atacar pastores que defenderam o uso de medicação que vem salvando incontáveis vidas – principalmente das elites – mas mostrar os antigos projetos supremacistas islâmicos é inaceitável para um blogueiro que trabalha numa emissora que apresentou o pérfido Irã como um “paraíso do Aiatolá”.

E para os “sionistas desavisados” que são “fãs” do blogueiro da extrema-imprensa, um aviso: pede a ele para mostrar, além dos atores domésticos, o PROTAGONISMO da OLP,  Síria, Egito, Irã e Arábia Saudita na eclosão e desenvolvimento da guerra civil libanesa, ok? Essa conversa fiada de escrever APENAS sobre a ocupação israelense massacres de Sabra e Chatila em seus artigos em defesa tácita ao Hezbollah, já deu… A estratégia tosca só convence os universitários ocidentais manipulados, bem como os seus “bajuladores de plantão” e os leigos que não conhecem os meandros históricos e nem sabem o que veio a ser o Acordo de Taif e a Declaração de Baabda, dentre outros documentos importantes.

Como dói perceber que inexiste “referências não-ideologizadas” em nosso país em assuntos que versem sobre Oriente Médio…

Andréa Fernandes – advogada, internacionalista, jornalista e presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires.

Imagem by Jornal da Cidade Online

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