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EVM se pronuncia em videoconferência no Ministério Público sobre a atuação do Brasil em matéria de direitos humanos

No dia 24 de outubro, ocorreu mais uma videoconferência sobre a atuação do Brasil em tema de direitos humanos promovida pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão com a participação de representantes da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Internacional do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

A Instituição Ecoando a Voz dos Mártires foi representada pela vice-presidente Marcelle Torres e relembrou o descaso da ONU com o tema “perseguição aos cristãos e minorias do mundo muçulmano” e o requerimento do EVM durante a videoconferência do dia 29 de março no sentido de haver pronunciamento do representante brasileiro na sessão da Assembleia Geral da ONU em setembro a fim de denunciar e condenar a cristofobia e o comprometimento do Sr. Pedro Saldanha de encaminhar o pedido ao Itamaraty a fim de ser examinado a sua inclusão no discurso brasileiro. Também, durante a videoconferência do dia 24 de outubro, o EVM questionou o discurso do presidente Michel Temer por não ter abordado o sofrimento dos cristãos no mundo muçulmano, tendo deixado de denunciar e condenar a perseguição religiosa, e conclamou ao Ministério das Relações Exteriores que se posicione explicitamente no sentido de incluir na sua agenda de política externa a questão da perseguição religiosa a cristãos e demais minorias no mundo muçulmano, ressaltando o pedido de reconhecimento do genocídio de cristãos nos territórios ocupados pelo Estado Islâmico.

Além disso, o EVM ressaltou que no final do mês de agosto a Coreia do Norte passou pelo pior período de inundações de sua história. De acordo com a UNICEF e a Save the Children, foram cerca de 70 mil pessoas desabrigadas e 600 mil em necessidade de assistência humanitária. As autoridades norte-coreanas estão reforçando a segurança na fronteira para bloquear deserções na sequência de recentes inundações no nordeste do país. Ao mesmo tempo, o governo chinês também está trabalhando para bloquear desertores, começou a reconstrução de uma cerca de arame farpado que foi danificada pelas enchentes e colocou faixas na região da fronteira sino-norte-coreana com o aviso: “os residentes que ajudarem desertores norte-coreanos serão multados em 500 yuan (cerca de 74 dólares)”. Tendo em vista que a embaixada brasileira em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, tem, entre outros objetivos, o de contribuir para a solução pacífica da questão coreana, o EVM questionou quais foram as contribuições em matéria de direitos humanos da representação brasileira no país e de que forma a embaixada brasileira está exercendo a sua intitulada missão de “ajudar a Coreia do Norte a se integrar e a se tornar mais cooperativa”. Ainda, o EVM requereu a atuação ativa da diplomacia brasileira em matéria de direitos humanos na Coreia do Norte e a inclusão do apoio expresso a refugiados norte-coreanos no discurso do representante brasileiro nas próximas participações do Brasil em matéria de direitos humanos na ONU e na próxima sessão da Assembleia Geral da ONU. Todavia, devido ao atraso para o início da videoconferência, o EVM teve sua fala interrompida e não pôde concluir as suas indagações.

Como resposta, em suas próprias palavras, o Sr. Pedro Saldanha, chefe da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores afirmou que o MRE dá importância à toda e qualquer minoria, não só às minorias cristãs, e é um tema que continuarão a dar atenção. Em relação à Coreia do Norte, o Sr. Pedro Saldanha afirmou que o Brasil tem votado reiteradamente à favor das resoluções que condenam a situação de direitos humanos na Coreia do Norte, mas que o Brasil não prega a simples condenação por condenação, e continua tentando engajar a Coreia do Norte com relação aos mecanismos previstos no sistema internacional e participação no mecanismo de Revisão Periódica Universal, esperando que a Coreia do Norte também participe do terceiro ciclo da RPU no início de 2017.

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Coreia do Norte: Crer em Jesus é uma atitude antigovernamental

O simples fato de ter uma Bíblia em mãos é visto como uma afronta ao governo norte-coreano; ouvir a respeito do evangelho coloca uma pessoa em risco de prisão e até execução

O ano de 2016 começou com algumas fugas de cidadãos da Coreia do Norte, pessoas influentes para o governo como mostra a matéria Onda de deserções afeta ainda mais a vida de cristãos. O motivo é o controle social elevado das autoridades e a paranoia ditatorial de Kim Jong Un. Os cristãos que vivem lá são muito pressionados por não praticarem o “culto à família Kim”. Na nação mais fechada do mundo, em todos os sentidos, ser um cristão pode significar a morte.

Os trabalhadores de campo que moram em regiões fronteiriças estão ainda mais expostos a situações de risco, tais como sequestros e ataques violentos. Alguns conseguem fugir, é o caso da senhora J, uma refugiada norte-coreana que, atualmente, vive na China. Agora ela pode estudar a Bíblia com um grupo de mulheres, mesmo sendo vigiada pelo marido e alguns parentes que não aceitam sua conversão ao cristianismo.

Mas para quem fica na Coreia do Norte, o simples fato de ter uma Bíblia em mãos é visto como uma atitude antigovernamental. Ouvir a respeito do evangelho coloca uma pessoa em risco de prisão e até execução. Mesmo assim, milhares de pessoas preferem correr esse risco para continuar a seguir Jesus Cristo. Manter a chama da fé sempre acesa, para eles, é um ato de coragem e muita ousadia.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/10/crer-em-jesus-e-uma-atitude-antigovernamental

 

Cristão é encontrado morto e governo norte-coreano é apontado como responsável

REDAÇÃO CENTRAL, 18 Mai. 16 / 09:00 pm (ACI).- Um pastor protestante chinês pertencente a uma igreja protestante com bastante atividade junto à fronteira entre a China e a Coreia do Norte foi encontrado morto em Changbai. Segundo associações de direitos humanos, há indícios de que teria sido assassinado pelo serviço secreto norte-coreano.

De acordo com a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), o corpo de Han Chung-ryeol, de 49 anos, foi encontrado bastante mutilado, próximo à fronteira com a Coreia do Norte.

Diversas associações de defesa dos direitos humanos na Coreia do Sul assinalam que tudo indica que este cristão teria sido assassinado por agentes dos serviços secretos norte-coreanos, aparentemente em retaliação pela recente deserção de 13 trabalhadores de um restaurante norte-coreano em Ningbo, na China, e que pediram asilo a Seul.

A Fundação ACN indica que, de fato, existem diversas comunidades cristãs ativas nas zonas de fronteira com a Coreia do Norte que auxiliam pessoas que buscam fugir deste país.

Conforme recorda a Fundação, há vários casos de cristãos que sofrem com a perseguição e detenção por parte do governo norte-coreano. Um desses casos é o do pastor protestante canadense Kim Kuk-gi, de 60 anos, condenado a prisão perpétua “com trabalhos forçados” por “atos contra o Estado”.

Kim é obrigado a cavar buracos em um pomar, durante cerca de oito horas por dia, não tendo acesso aos outros detentos do campo de concentração onde foi colocado. Ele é acusado de difundir propaganda religiosa em igreja clandestina.

Além disso, nas cadeias de Pyongyang estão outros cristãos, como o sul-coreano Choe Chun-il, de 55 anos, ou o missionário Kim Jeong-wook, acusado de espionagem quando procurava dar abrigo e alimentos a norte-coreanos que tentavam fugir pela fronteira com China.

http://www.acidigital.com/noticias/cristao-e-encontrado-morto-e-governo-norte-coreano-e-apontado-como-responsavel-71335/

Pastor sino-coreano é morto por agentes da Coreia do Norte

Han Choong Yeol ajudava refugiados norte-coreanos que atravessavam a fronteira para a China

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Agentes secretos norte-coreanos capturaram e mataram um pastor sino-coreano (quem nasce ou vive na fronteira da China com a Coreia) que vivia em Chiangbai, uma cidade no lado chinês da fronteira. Han era ativo em ajudar refugiados norte-coreanos, dando-lhes alimentos, medicamentos, roupas e outras necessidades básicas, quando fugiam da Coreia do Norte.

No último sábado (30), o pastor Han deixou sua casa logo após o meio-dia e deveria retornar antes das 17 horas. Como não voltou, uma grande busca foi organizada por parentes e membros da igreja que ele pastoreava. Por volta das 20 horas, seu corpo sem vida foi encontrado mutilado e com vários ferimentos. Pessoas que trabalharam com Han o descrevem como “extremamente apaixonado pelos norte-coreanos”. Seu ministério foi marcado com um alto preço.

Em novembro de 2014, um diácono de sua igreja foi sequestrado e, desde então, nunca mais se ouviu falar dele. O pastor Han sabia que ele também era um alvo, mas continuou seu ministério.

Han tinha 49 anos, e deixou sua esposa e dois filhos, bem como três igrejas locais, com cerca de 600 membros, que ele ajudou a fundar e pastoreava.

Motivos de oração

 Agradeça a Deus pela vida e dedicação do pastor Han.

  • Ore por conforto para os familiares e membros da igreja de Han, que agora estão sem um marido, pai e pastor. Também ore para que eles sejam capazes de perdoar os homens que o mataram.
  • Ore pelos outros cristãos envolvidos no trabalho missionário da Coreia do Norte, que o Senhor os encoraje e os proteja.
  • Ore por perdão para os espiões que mataram o pastor Han. Ore para que eles se arrependam e conheçam o único Deus, para quem o pastor Han entregou a sua vida.
  • Ore pelo diácono que ainda está desaparecido e pelos muitos outros cristãos mantidos em cativeiro na Coreia do Norte.

 

Fonte: Portas Abertas

 

 

EVM CONVENCE MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES A PROPOR AO ITAMARATY A INCLUSÃO DE CONDENAÇÃO DA “CRISTOFOBIA” EM DISCURSO NA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU

Por Andréa Fernandes

Mais uma vez, a equipe de internacionalistas do Ecoando a Voz dos Mártires (EVM) participou de videoconferência com o Ministério das Relações Exteriores e Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, em 29 de março, sobre a atuação internacional do Brasil em temas de direitos humanos. O referido diálogo é realizado periodicamente, seis vezes ao ano, antes e depois das sessões do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

As videoconferências costumam ocorrer nas sedes do Ministério Público Federal em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Manaus, Curitiba e Belém, sendo certo que, as internacionalistas do EVM, Dra. Andréa Fernandes e Marcelle Torres, estiveram no MPF de São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, contando com o apoio operacional de Andrea Giordana Ribeiro que filmou e fotografou o evento.

Cumpre informar que ao ser concedida a palavra à Marcelle Torres, especialista em Coreias e pesquisadora da Escola Naval de Guerra, a mesma se pronunciou tecendo uma análise acurada do cenário de letargia com que são encaradas as terríveis violações de direitos humanos na Coreia do Norte e pontuou a falta de engajamento brasileiro nesse contexto de omissão internacional, requerendo posicionamento brasileiro nesse sentido.

Em resposta às colocações da internacionalista, Pedro Saldanha, Chefe da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores, informou que na última sessão do Conselho de Direitos Humanos, em março, mais uma vez foi adotado Projeto de Resolução intitulado “A Situação dos Direitos Humanos na República Popular Democrática da Coreia” e foi aprovado por consenso, dizendo que o Brasil apóia essa iniciativa, e afirmando ainda que “há sim, uma preocupação da comunidade internacional com relação à situação de diretos humanos na Coreia do Norte”. Contudo, o representante do Ministério das Relações Exteriores se limitou a expressar que o “Brasil acompanha com atenção a situação e atua tendo por objetivo uma melhora concreta da situação de direitos humanos no terreno e não vai atuar com meras condenações pelo simples fato de condenar se o Brasil não considerar que aquela eventual condenação tem o poder de contribuir para a melhora da situação das pessoas que estão sofrendo violações nos diversos países no mundo todo”, sendo com esse princípio que atua também com a Coreia do Norte, mantendo canal de diálogo objetivando trazer o país à cooperação. Todavia, em momento algum, Pedro Saldanha especificou as tais ações brasileiras ou rebateu com argumentos críveis as colocações da internacionalista.

Logo após, houve a manifestação da presidente do EVM, Andréa Fernandes, que inicialmente teceu considerações onde demonstrou o descaso da ONU para com o tema “perseguição a cristãos e minorias no mundo muçulmano”, abordando o fato de ter havido em 21 de março a celebração do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial na ONU, e o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, alertou para o aumento do preconceito, da xenofobia e da violência contra minorias, migrantes e, particularmente, contra muçulmanos, alertando, ainda, sobre o risco que emerge da “extrema-direita” européia contra os imigrantes, idéia esta seguida também pela Diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, destacando que discriminação racial “divide e mata”. Outrossim, noticiou que em 24 de março, a Comissão de Direitos Humanos pronunciou 37 resoluções, mas nenhuma delas condenou especificamente países muçulmanos por violações de direitos humanos contra minorias cristãs.

Andréa Fernandes afirmou que a chamada “extrema direita” européia não vindica formulação de pena de morte contra homossexuais, adúlteros, dissidentes políticos, apóstatas e crianças, como ocorre, por exemplo, no Irã – país que a presidente Dilma pretende visitar – além do que, não defende a escravidão sexual, decapitações e outras atrocidades que ocorrem em países muçulmanos, sendo absurda a falta de posicionamento da ONU contra tais barbáries. Nesse diapasão, a presidente do EVM lembrou do discurso da presidente Dilma Roussef condenando a ISLAMOFOBIA na sessão de abertura da Assembleia Geral da ONU, em 2012, ano em que 105 mil cristãos foram assassinados em razão da sua fé, ressaltando que, em não havendo pronunciamento da presidente ou representante brasileiro na próxima sessão da Assembleia Geral denunciando e condenando a CRISTOFOBIA, configurar-se-á seletividade no trato com o tema, o que seria inadmissível por ser o Brasil um país de maioria cristã que abomina a perseguição sistemática promovida por governos muçulmanos.

Inobstante tal fato, a internacionalista evocou a denúncia da Anistia Internacional em 2015, no que pertine exportação para Arábia Saudita de bombas de fragmentação – proibidas em mais de cem países – as quais estão sendo utilizadas pela teocracia islâmica em bairros residenciais iemenitas na “guerra por procuração” contra o Irã. Frisando que o Brasil é o 4º maior exportador mundial desse tipo de armamento, Andréa Fernandes indagou Pedro Saldanha sobre a resposta brasileira a tal denúncia e o posicionamento governamental quanto ao banimento de exportação do aludido armamento por ser imoral para um país que postula assento permanente no Conselho de Segurança e diz defender direitos humanos, oportunidade em que, trouxe à lume o informe de o governo brasileiro ter ofertado incentivos fiscais em 2013 para as indústrias que enviam armamento proibido que está matando a população mais pobre do Oriente Médio.

Embora sabendo que a denúncia partiu da Anistia Internacional, o Chefe da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores afirmou que não poderia se pronunciar num caso relatado pela “imprensa” e que se certificaria sobre o ocorrido.

No que concerne ao pleito da internacionalista acerca da inclusão no discurso brasileiro de DENÚNCIA e CONDENAÇÃO da CRISTOFOBIA na próxima sessão de abertura da Assembleia Geral da ONU, Pedro Saldanha se comprometeu a encaminhar o pedido para o Itamaraty a fim de ser atendido, posto que, impossível refutar os argumentos expendidos dada a gravidade das violações de direitos humanos cometidas contra as comunidades cristãs no mundo muçulmano.

Dessa forma, o EVM cumpriu um dos seus objetivos institucionais, qual seja, “dar voz nos cenários nacional e internacional aos cristãos e minorias” que são perseguidos por governos muçulmanos e pela Coreia do Norte. E vale salientar que o EVM entrará em contato com importantes lideranças cristãs brasileiras para apoiá-la para que haja o implemento de tão importante tema na agenda de política externa da diplomacia brasileira.

Andréa Fernandes é advogada, internacionalista e presidente do Ecoando a Voz dos Mártires (EVM)

‘Estupraram minha mãe e nos venderam’: norte-coreana relata dramática fuga pelo deserto aos 13 anos

Yeonmi Park fugiu da Coreia do Norte quando tinha apenas 13 anos.

Ela teve que atravessar desertos e rios gelados, e chegou a ser vendida por traficantes de pessoas na China.

Park, que hoje vive e estuda nos EUA, contou à BBC sobre a experiência, há quase uma década, e os motivos da fuga de um dos países mais fechados do mundo.

“Escapei em 2007 com minha mãe, atravessando um rio gelado e sob risco de sermos baleadas.

Quando estava na Coreia do Norte, a única coisa que queria era ter algo para comer. Não havia como sobreviver lá. Por sorte eu vivia na fronteira, via as luzes no lado chinês e pensava que poderia encontrar comida se chegasse à China.

Não tínhamos internet na Coreia do Norte. Há apenas um canal de TV e não há revistas.

Minha mãe e eu não sabíamos o que encontraríamos ao fugir. Cruzamos o rio gelado e caímos nas mãos de traficantes de pessoas na China.

Após a travessia estupraram minha mãe na minha frente. Fomos separadas e vendidas a dois fazendeiros chineses.

Image captionYeonmi cresceu no norte da Coreia do Norte; ela via as luzes do lado chinês da fronteira e sonhava com comida.

Venderam minha mãe por US$ 55 (cerca de R$ 200), e pagaram US$ 200 (R$ 722) por mim.

Isso é muito comum. Quando norte-coreanos fogem para a China, o governo chinês não nos considera refugiados e não nos ajuda a chegar à Coreia do Sul.

Em vez disso, costumam nos capturar e devolver ao regime norte-coreano, apesar de saber que seremos castigadas ou executadas.

Por isso, quem escapa da Coreia do Norte fica muito vulnerável – os chineses sabem disso e se aproveitam.

Quando fui vendida ao fazendeiro e me separaram da minha mãe, tentei o suicídio. Mas o fazendeiro disse que se virasse sua amante ele faria com que me reeencontrasse com minha mãe e traria meu pai da Coreia do Norte.

E ele cumpriu a promessa.

Após um tempo fui da China à Mongólia, atravessando o deserto de Gobi, e finalmente cheguei à Coreia do Sul.

Depois de cinco anos lá, vim há pouco tempo para os Estados Unidos, onde estou estudando na Universidade de Columbia, em Nova York.

Image captionA norte-coreana hoje vive e estuda nos EUA.

Gostaria de voltar a meu país algum dia, mas isso não quer dizer que sinta falta do regime ou do sistema.

“Lavagem cerebral”

Cresci no norte da Coreia do Norte. Meu pai foi preso por trabalhar no mercado negro, por isso tive que me mudar para a região central do país e conheci Pyongyang.

Fui à escola por vários anos e só sabia da existência de poucos países no mundo. Nunca havia ouvido falar da internet.

Tudo o que sabia era sobre os “malditos americanos”. Assim eram chamados.

Tentam lavar seu cérebro a todo momento. Tinha a imagem dos “malditos americanos” com narizes muitos grandes e olhos azuis, verdadeiros monstros.

Nunca soube que a Coreia do Sul era um país livre. Pensava que havia sido colonizado pelos EUA e que os soldados americanos estupravam mulheres e crianças, matavam pessoas.

Pensava que era o pior lugar do mundo.

Amor proibido

O ponto de virada na minha vida foi quando vi o filme Titanic. Jamais tinha visto nada parecido, porque histórias de amor não são vistas na Coreia do Norte.

O amor é considerado algo vergonhoso lá, nunca falamos sobre isso.

Image captionYeonmi publicou recentemente um livro sobre sua experiência chamado “In Order to Live”.

Não há músicas, filmes ou novelas sobre o amor. Por isso, quando viTitanic, não acreditei que alguém pudesse ter feito um filme sobre algo tão vergonhoso como o amor, e como alguém poderia morrer por amor, e não pelo regime.

Isso foi uma revolução na minha vida, deu-me uma primeira ideia sobre a liberdade.

Na Coreia do Norte sabemos que os americanos são mais ricos do que nós, mas como no livro 1984 de George Orwell, as pessoas nas ruas continuam achando que vivem no melhor país do mundo.

Esse livro explica tudo o que aconteceu comigo sob o ponto de vista psicológico.

Quando (o líder norte-coreano) Kim Jong-il morreu (em 2011), eu morava na Coreia do Sul com minha mãe e não conseguíamos acreditar.

Minha mãe disse: ‘como pode ser que Deus morreu?’ E vivíamos na Coreia do Sul!

Na Coreia do Norte não acreditam que ele tenha morrido. Estão certos que seu espírito vive entre nós, como Jesus, e que ele lê mentes e sabe tudo o que fazemos, como no filme O Show de Truman.”

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160321_coreianorte_fuga_tg

 

Coreia do Norte ameaça Seul e EUA com ataque nuclear preventivo

Ataque viria como resposta ao exercício militar que os países começarão.
Há alguns dias, outra ameaça foi feita após aumento de sanções.

A Coreia do Norte ameaçou a Coreia do Sul e os Estados Unidos com um ataque nuclear preventivo, como resposta ao exercício militar conjunto que os países começarão na segunda-feira (7).

Pyongyang alertou que está preparado para lançar “um ataque nuclear preventivo”, em uma declaração emitida pela Comissão Nacional de Defesa, que foi publicada pela agência de notícias oficial KCNA.

Essa advertência se produz alguns dias depois de que o líder norte-coreano, Kim Jong-Un, ameaçou recorrer a um ataque nuclear depois que a ONU aumentou as sanções contra seu regime.

A resolução do Conselho de Segurança da ONU foi uma resposta aos ensaios nucleares e balísticos lançados por Pyongyang.

No comunicado citado pela KCNA, o Comando Supremo do Exército Popular Coreano afirma que essas sanções “escandalosas” levam “essa terra a ferver como um caldeirão de batalha”.

No comunicado as manobras militares conjuntas anuais de Washington e Seul são apontadas como “um exercício de guerra nuclear disfarçado”. “Este ataque nuclear (…) mostrará claramente aos partidários da agressão e da guerra a força militar da Coreia do Norte”, alerta o Comando Supremo.

“Devemos estar sempre prontos, a cada instante, para utilizar nosso arsenal nuclear”, declarou na última sexta-feira o líder norte-coreano Kim Jong-un citado pela KCNA.

kim

Advertências
A retórica belicosa é uma constante do regime mais isolado do mundo quando as tensões aumentam com Seul. Pyongyang dispõe de um pequeno arsenal nuclear, mas os especialistas se dividem quanto a sua capacidade.

“Se apertamos os botões para aniquilar nossos inimigos (…), todos as origens das provocações serão reduzidas em um instante a oceanos de chamas e cinzas”, provocou o Comando Supremo do Exército Popular Coreano.

No passado, a Coreia do Norte advertiu sobre possíveis ataques, uma prártica habitual em períodos de tensão com Seul.

O exercício anual conjunto entre Seul e Washington dura várias semanas, com a participação de milhares de soldados.

Para Pyongyang, essas práticas são uma provocação, embora a Coreia do Sul e os Estados Unidos ressaltem sua finalidade defensiva.

Fonte: Globo.com

Kim Jong-un ordena preparação de armas nucleares para ataque

 

SEUL – O líder norte-coreano, Kim Jong-un, ordenou que o país deixe preparadas suas armas nucleares para uso imediato, se necessário, informou na manhã de sexta-feira (hora local) a agência estatal de notícias do país. Um dia antes, Pyongyang disparou vários projéteis de curto alcance no mar, horas depois de o Conselho de Segurança da ONU votar a imposição de novas sanções rígidas e a presidente da Coreia do Sul prometer pôr fim à “tirania” da nação vizinha.

Segundo a KCNA, “o país revisará sua postura militar para estar pronto para conduzir ataques preventivos caso a situação de segurança esteja muito precária”.

— Devemos estar preparados a todo momento para disparar nossas ogivas nucleares porque nossos inimigos estão ameaçando nossa sobrevivência — disse Kim em mensagem televisionada.

Os EUA se disseram preocupados com as declarações, ao mesmo tempo em que minimizaram a capcidade nuclear do país asiático.

— Instamos a Coreia do Norte a abdicar de ações provocativas que agravam tensões e passar a focar em cumprir com seus compromissos e obrigações internacionais — disse o comandante Bill Urban, porta-voz do Pentágono.

Os disparos da manhã de quinta-feira aprofundaram as tensões na península, que estão altas desde o teste nuclear e o lançamento de foguete recentes dos norte-coreanos, e deixaram os militares do sul em estado de alerta. O Ministério da Defesa da Coreia do Sul disse estar tentando determinar se os projéteis, lançados às 10h (horário local) na costa Leste norte-coreana, eram mísseis de curto alcance ou fogo de artilharia.

A ação ocorreu depois que o Conselho de Segurança aprovou na quarta-feira, por unanimidade, uma resolução que amplia dramaticamente as sanções a Pyongyang na esteira de seu quarto teste nuclear no dia 6 de janeiro e do lançamento de um foguete de longo alcance em 7 de fevereiro.

O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, disse que as ações norte-coreanas mostraram que o país não aprendeu a devida lição da última rodada de sanções.

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que Pyongyang deveria “se abster de provocações que agravam as tensões, e ao invés disso se dedicar ao cumprimento de suas obrigações internacionais”, e o porta-voz da chancelaria chinesa disse que seu país espera que todos os envolvidos evitem ações que causem uma escalada nas tensões.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/kim-jong-un-ordena-preparacao-de-armas-nucleares-para-ataque-18800986#ixzz41tT6b6HY
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ONU aprova as sanções mais duras contra a Coreia do Norte em 20 anos

SÃO PAULO  –  O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quarta-feira (2), por unanimidade, as sanções mais duras contra a Coreia do Norte em duas décadas.

A decisão reflete o descontentamento com o teste nuclear e o lançamento de um míssil de longo alcance feitos recentemente pelo regime de Pyongyang, o que desafiou a proibição de qualquer atividade relacionada a assunto nuclear.

As medidas incluem inspeções obrigatórias em todas as cargas que saem e entram na Coreia do Norte, pelo mar ou pelo ar, proibição de todas as vendas e transferências de armas pequenas e armamento leve para Pyongyang e expulsão de diplomatas do país que se envolverem em qualquer atividade ilícita.

A resolução proíbe que o país exporte carvão, ferro e minério de ferro -cuja renda está sendo usada para financiar os programas de mísseis balísticos- e também ouro, minério de titânio, minério de vanádio e minerais de terras raras.

Também proíbe vendas de combustível de aviação para o país, incluindo querosene usado por foguetes.

Nos EUA, o presidente Barack Obama disse que “a comunidade internacional, falando a uma só voz, enviou a Pyongyang uma mensagem simples: a Coreia do Norte deve abandonar esses programas perigosos e escolher um caminho melhor para o seu povo”.

A embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, disse ao Conselho, após a votação, que “a realidade perversa” da Coreia do Norte não tem igual no mundo, pois o país prioriza seus programas nuclear e de mísseis balísticos em detrimento das necessidades básicas de seu próprio povo.

A resolução sublinha que as novas medidas não se destinam a gerar consequências humanitárias negativas para os civis, cuja maioria enfrenta dificuldades econômicas e escassez de alimentos.

Empresas

No setor financeiro e bancário, os países são obrigados a congelar os bens de empresas e outras entidades ligadas aos programas nuclear e de mísseis de Pyongyang.

Pela resolução anterior, eles eram apenas “incentivados” a fazê-lo.

A resolução também proíbe todos os países de abrir novas agências, subsidiárias e escritórios de representação de bancos norte-coreanos e proíbe as instituições financeiras de estabelecerem novas joint ventures ou criarem e manterem relações de correspondência com esses bancos.

Ela ainda ordena que os países fechem todos os bancos norte-coreanos e encerrem todas as relações bancárias com o país no prazo de 90 dias.

No âmbito das quatro rodadas de sanções da ONU impostas desde o primeiro teste nuclear do país, em 2006, a Coreia do Norte está proibida de importar ou de exportar produtos e tecnologias nucleares e mísseis.

O país também não pode comercializar bens de luxo.

A nova resolução amplia a lista de itens proibidos, acrescentando outros itens de luxo, como relógios caros, motos, veículos de águas de recreio e cristal de chumbo.

Ela também adiciona à lista negra de sanções 16 indivíduos, 12 entidades -incluindo a Agência de Desenvolvimento Aeroespacial Nacional, responsável pelo lançamento de foguetes- e 31 navios de propriedade da empresa norte-coreana de transporte marítimo Management Company.

Os integrantes dessa lista têm seus bens congelados e, no caso de pessoas físicas, estão proibidas de viajar.

Os EUA, seus aliados ocidentais e o Japão vinham pressionando por novas sanções além das já impostas aos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, mas a China estava relutante em impor medidas que poderiam ameaçar a estabilidade da Coreia do Norte e provocar um colapso na economia do país.

Os Estados Unidos e a China, tradicional aliada da Coreia do Norte, passaram sete semanas negociando as novas sanções.

(Folhapress)

Fonte: Valor Econômico

Por que um acordo como o do Irã não vai funcionar para a Coreia do Norte?

O sucesso do acordo nuclear iraniano de 2015 elevou o otimismo para as potências mundiais para resolver a crise  norte-coreana de forma semelhante. Mas as diferenças entre as nações vermelhas podem dificultar isso.

Que as autoridades globais desejam um fim ao impasse na Coreia do Norte é compreensível. O país bélico isolado tem sido uma importante fonte de mal-estar: Pyongyang conduziu seu quarto teste nuclear em janeiro e lançou um foguete de longa distância no início deste mês, ambos em desafio às resoluções das Nações Unidas, o que revela a agressiva política militar norte-coreana do líder Kim Jong-un.

As negociações multilaterais destinadas à desnuclearização da península coreana, conhecidas como Six Party Talks (Negociações das Seis Partes), entre os Estados Unidos, China, Japão, Rússia, Coreia do Sul e Coreia do Norte estão paralisadas.

O programa nuclear do Irã foi igualmente preocupante para a comunidade internacional. No último ano, o grupo conhecido como P5+1, que consiste nos EUA, Reino Unido, Rússia, França, China e na União Europeia, garantiu uma vitória histórica quando o Teerã aceitou suspender temporariamente o seu programa nuclear em troca do levantamento gradual das sanções.


Por que a Coreia do Norte está levando o medo da rede do poder energético aos EUA ?

Então, se essas nações podem vencer no Irã, por que não na Coreia do Norte?

A retomada das Negociações das Seis Partes é altamente improvável por causa das pré-condições diametralmente opostas anexadas pelas partes interessadas, explicou Tan Ming Hui, pesquisador associado da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura.

“Os Estados Unidos desejam que a Coreia do Norte volte às negociações e se comprometam à desnuclearização antes da remoção das sanções e um tratado de paz possa estar sobre a mesa. Pyongyang quer que as sanções sejam removidas e um tratado de paz negociado antes que ele esteja disposto a voltar às negociações.”

No fim de semana, surgiram notícias de que Washington tinha mudado de tática em sua tentativa para um tratado de paz.  No início de janeiro, o governo de Obama pediu para fazer parte das discussões do programa de armas em vez de exigir à Coreia do Norte a redução do seu arsenal nuclear antes que as negociações comecem.


Além disso, as circunstâncias diferem do Irã e da Coreia do Norte

O Irã deixou estoques físseis suficientes para criar um armamento, mas Pyongyang já tem um arsenal seguro que ele vê como uma política de troca eficaz para obter ajuda e financiamento, observou Tan. A Coreia do Norte também está menos dependente no comércio exterior e no acesso ao sistema financeiro internacional, enquanto o Irã depende das exportações de energia, ele disse.

Pyongyang também se beneficia do apoio econômico chinês, ao passo que o Irã largamente tem se afastado. Pequim é o maior parceiro comercial e fonte primária de alimentos, sendo um país de grande importância na relação com a Coreia do Norte.


Teste nuclear da Coreia do Norte coloca China em uma dura posição

O relacionamento especial com a Coreia do Norte fez a China especialmente favorável às Negociações das Seis Partes. Após o lançamento do foguete no dia 7 de fevereiro, o Ministério das Relações Exteriores da China solicitou diálogo entre as partes internacionais para garantir a estabilidade regional. Washington, por outro lado, respondeu com novas sanções unilaterais.

“Embora os chineses possam estar furiosos com a Coreia do Norte, é provável que Pequim continue a resistir às duras sanções e a pressionar os Estados Unidos a retomarem a então conhecida Negociação das Seis Partes”, explicou Alastair Newton, chefe da Consultora de Negócios de Alavan e ex-político analista de Nomura, em um nota no início deste mês.

No entanto, notícias recentes podem sugerir uma mudança central. No dia 22 de fevereiro, a mídia sul-coreana informou que vários bancos chineses congelaram contas pertencentes aos norte-coreanos, no que seria considerado como sanções adicionais.

Em qualquer caso, os fundamentos da China para uma solução diplomática são suscetíveis a cair em ouvidos surdos dos EUA depois que Pyongyang rejeitou o pedido de Washington, no mês passado, segundo Newton. “O presidente Barack Obama não demonstrou inclinação alguma para se envolver com a Coreia do Norte desde o último teste. Então, eu não acho que isso vai trazer as pessoas para a mesa, embora Pequim possa tentar incentivar Washington nessa direção.”

Fonte: CNBC