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Maldivas: cristãos podem ser ainda mais pressionados

O governo das Maldivas decidiu deixar a “Comunidade das Nações”, uma organização que garantia a democracia e os direitos humanos no país..

Recentemente, o governo das Maldivas decidiu não fazer mais parte do movimento Commonwealth of Nations (Comunidade das Nações), uma organização intergovernamental, composta por 53 países membros (agora 52) que buscam a paz mundial, entre outros objetivos que envolvem valores comuns, democracia, direitos humanos e boa governança. A decisão da liderança do país poderá prejudicar ainda mais a situação dos cristãos.

“Deixar a Comunidade significa que haverá menos monitoramento dos abusos contra os direitos humanos e menos segurança para a comunidade cristã. Agora a paranoia do presidente Abdulla Yameen poderá impulsionar ainda mais a repressão sobre todos os cidadãos”, comenta um dos colaboradores da Portas Abertas que atua na nação.

O Parlamento das Maldivas alega que a Comunidade das Nações interferia nos “assuntos domésticos” do país, ameaçando a soberania do governo e também sua independência. Antes dessa decisão, porém, as Maldivas estavam sendo pressionadas por um “grave déficit democrático”, ou seja, suas leis são tão complexas que os direitos dos cidadãos se tornaram inacessíveis, principalmente aos cristãos.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/11/cristaos-podem-ser-ainda-mais-pressionados

África do Sul vai abandonar o Tribunal Penal Internacional

A África do Sul anunciou que vai abandonar o Tribunal Penal Internacional (TPI) em uma carta enviada à ONU e divulgada nesta sexta-feira (21) pelo canal de televisão público SABC, uma decisão imediatamente criticada pelos ativistas dos direitos humanos.

“A República da África do Sul se retira do TPI, uma retirada que será efetiva em um ano, a partir da data em que o secretário-geral da ONU receber esta carta”, afirma a ministra sul-africana das Relações Exteriores, Maite NKoama-Mashabane no texto, com data de quarta-feira (19).

De acordo com a carta, a África do Sul “considera que suas obrigações a respeito da resolução pacífica dos conflitos são, às vezes, incompatíveis com a interpretação do Tribunal Penal Internacional”.

A decisão foi anunciada após a divergência do ano passado, quando a África do Sul permitiu que o presidente sudanês Omar al Bashir viajasse ao país para participar de uma reunião de cúpula da União Africana, apesar da ordem de prisão do TPI contra o governante.

A África do Sul alegou que o sudanês tinha imunidade como chefe de Estado. O TPI acusa o presidente do Sudão de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio no conflito da região de Darfur.

https://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/%C3%A1frica-do-sul-vai-abandonar-o-tribunal-penal-internacional/ar-AAjdS91

Regime e oposição na Síria rejeitam projeto federal curdo

DAMASCO — Representantes curdos das áreas controladas pela etnia no Norte da Síria anunciaram a criação de uma unidade federal curda na região. Após cinco anos de guerra civil no país, os curdos ampliaram os domínios territoriais e, embora já se previsse uma declaração de autonomia como a desta quinta-feira, o anúncio provocou a imediata reação tanto do governo em Damasco quanto da oposição rebelde. E ainda afeta as negociações de paz apoiadas pela ONU, das quais os curdos não participam.

— O sistema federal foi aprovado pela região Rojava (Curdistão sírio), no Norte da Síria — discursou Sihanouk Dibo, dirigente do Partido da União Democrática (PYD), principal grupo curdo sírio.

Rojava é uma palavra curda que se refere aos três enclaves curdos na Síria: Jazira, Kobani e Afrin. A unificação das três áreas, além das outras recém-conquistadas pelas forças curdas, representaria um passo a mais em direção à autodeterminação.

Imediatamente, o Ministério das Relações Exteriores em Damasco fez advertências a “qualquer parte que tenha a intenção de atentar contra a unidade do território e do povo sírio”. Quase ao mesmo tempo, a coalizão da oposição atacou em um comunicado “qualquer tentativa de formar entidades, regiões ou administrações que confisquem a vontade do povo sírio”.

— Qualquer anúncio deste tipo não tem valor legal e não terá qualquer impacto jurídico, político, social ou econômico, já que não reflete a vontade do povo sírio — afirmou uma fonte do ministério à agência de notícias estatal Sana.

EUA criticam iniciativa

A iniciativa curda também enfrenta forte resistência do governo da Turquia, já que a proclamada região federal curda na Síria fica na fronteira turca. Cerca de 17 milhões de curdos vivem na Turquia, totalizando cerca de 20% da população do país.

— (Os curdos) Não estão clamando por independência, mas por um sistema de Estado federal na Síria. Mas não está claro se serão capazes de se defenderem contra rebeldes, as forças de Damasco e a Turquia — ponderou ao GLOBO o professor Robert Riggs, pesquisador de História da Síria da Universidade de Bridgeport, nos EUA.

E mesmo recebendo treinamento e armas dos EUA, o que os ajudou a combater e fazer recuar os jihadistas do Estado Islâmico (EI), os curdos também foram repreendidos por Washington.

— Não apoiamos zonas semiautônomas e autogovernadas dentro da Síria — afirmou o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, John Kirby.

O enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que conduz as negociações de paz em Genebra, também é contrário a partilhas territoriais:

— Todos os sírios rejeitam a divisão da Síria. Um federalismo pode ser discutido.

O professor Riggs critica o processo de paz, na forma como está sendo encaminhado.

— É grave a falta de envolvimento curdo na negociação sobre a Síria. Como pode haver uma solução política justa e equitativa se um dos principais atores não foi incluído? E parece que os curdos têm amplo apoio popular em seus territórios.

Os curdos controlam 14% do território da Síria. E afirmam que o projeto federal tem representantes da população árabe e de outras minorias.

— Resulta de discussões com árabes e assírios, chechenos, armênios, turcos. Rojava é um caso especial: não é o que foi feito no Curdistão iraquiano — explicou Nawaf Khalil, ex-membro do PYD.

Enquanto isso, em Moscou, o comandante da Força Aérea disse que a retirada da maior parte dos militares russos da Síria deve ser concluída em até três dias. Entretanto, o presidente Vladimir Putin declarou que continua apoiando o governo Assad e que pode voltar a fortalecer a presença militar na região em questão de horas.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, classificou como genocídio a violência cometida pelo EI contra minorias religiosas:

— Na minha opinião, o Daesh (acrônimo árabe do EI) é responsável pelo genocídio contra grupos como yazidis, cristãos e xiitas.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/regime-oposicao-na-siria-rejeitam-projeto-federal-curdo-18896900#ixzz43DAWtHdQ
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Jovens britânicos denunciam perseguição após deixar islã

A opção de adotar uma religião ou crença diferente da dos pais não é tão simples como pode parecer, é o que vários britânicos que decidiram renunciar ao islamismo tradicional de suas famílias estão sentindo na pele.

Essa opção pode ser vista quase como um crime – como era na época medieval. A decisão de renunciar a uma fé, ou apostasia, está rendendo ameaças e até agressões físicas a jovens britânicos que optaram por deixar o islamismo.

Uma investigação da BBC encontrou provas de que esses jovens muitas vezes sofrem abusos dentro das próprias famílias quando revelam que não querem mais ser muçulmanos.

Dados de 2011 sugerem que o número de pessoas na Inglaterra e no País de Gales que dizem não ter religião praticamente dobrou em dez anos, desde 2001 – eles agora equivalem a um quarto da população.

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Image captionAyisha (à direita) conta à BBC sua história de quando abandonou o islamismo

Na mesma época, o número de muçulmanos nas duas nações cresceu 80%, totalizando 2,7 milhões de pessoas. E entre alguns dos britânicos muçulmanos – a maioria deles nascida no Reino Unido e com menos de 24 anos -, existe uma crença de que abandonar o islamismo é um pecado que pode até mesmo ser penalizado com a morte.

Apesar disso, governos locais (municípios ou regiões) parecem não estar cientes da questão e não há nenhuma política para proteger esses jovens vulneráveis.

Não há estatísticas oficiais sobre apostasia entre britânicos muçulmanos e apenas alguns estudos acadêmicos baseados em poucos casos individuais tratam do assunto. Mas muitos desses ex-muçulmanos que vivem na Grã-Bretanha estão compartilhando suas experiências em fóruns online.

Ameaça de morte

Ayisha (nome fictício) de Lancashire tinha apenas 14 anos quando começou a questionar o islamismo depois de ter lido o Corão. Ela começou a se rebelar contra o uso do hijab (tradicional véu islâmico usado por mulheres para cobrir a cabeça) e depois decidiu que não queria mais ser muçulmana. Foi neste momento que começou a enfrentar sérias dificuldades.

Image copyrightGetty
Image captionCidades inglesas como Bradford tem grandes populações de muçulmanos

“Meu pai ameaçou me matar, pegou uma faca e segurou-a no meu pescoço dizendo: ‘Nós podemos te matar se você trouxer essa vergonha para a família.'”

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Ele batia tanto na garota que, certa vez, ela resolveu chamar a polícia, e o pai foi condenado por crueldade infantil. Ayisha não imaginava que teria de se separar de sua mãe e de seus irmãos.

Hoje, com apenas 17 anos, Ayisha foi colocada sob a guarda do pai de seu namorado. É uma situação longe do ideal, mas ela entende. “Eles achavam que eu estaria sob grande risco com a minha família.”

Medo

Aaliyah (nome também fictício), de 25 anos, vive em South Yorkshire. Ela deixou o islamismo quando estava na universidade e percebeu que não poderia voltar para casa, porque seus pais haviam arranjado um casamento para ela – e o medo de sofrer violência por não querer mais ser muçulmana era real.

“Eu sei que minha família não iria me machucar, não os meus pais e irmãos”, ela disse. “Mas eu não contei para o resto da família. Meu pai me disse que se as pessoas erradas descobrissem, ele não saberia o que poderia acontecer.”

Aaliyah dá conselhos a outros ex-muçulmanos em fóruns online e pede para que eles consigam independência financeira antes de contarem aos pais que deixaram o islamismo, para ser mais fácil lidar com o eventual caso de serem expulsos de casa.

Image captionAaliyah diz que o fato de ter sido sincera consigo mesma ameniza a culpa que sente por abandonar a religião

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Como outros ex-muçulmanos, ela ressalta a importância de ter sido sincera consigo mesma para amenizar o peso que carrega pela expulsão de casa e pela culpa que sente.

“Quando voltei para minha família, minha tia me disse que meus irmãos e irmãs não poderiam se casar porque a honra deles estaria manchada. E isso era culpa minha.”

O medo é constante também. “Eu vivia em Bradford e era bem discreta porque lá havia muitos muçulmanos na região. Eu ainda tenho esse medo contido, é difícil de explicar. Você simplesmente quer se manter calado a respeito disso. É mais seguro assim.”

Segurança

Afzal Khan veio do Paquistão, onde leis religiosas contra blasfêmia e a postura conservadora de partes da sociedade deixaram as pessoas que optam pela apostasia sob risco de violência. Ele foi para o Reino Unido estudar teologia na Universidade de Bradford. Durante o tempo que estudou, tomou a decisão de deixar o islamismo e contou isso aos seus amigos paquistaneses via redes sociais.

“Eu pessoalmente concluí que essa fé é extremamente misógina e isso se tornou um ponto de virada claro para mim. Todos os meus amigos muçulmanos ficaram chocados. Inicialmente, eles acharam que eu estava brincando, mas quando perceberam que era sério, eles começaram a me xingar, de uma forma leve no início, mas depois passaram a me atacar, me ameaçar”, contou.

A família dele o expulsou de casa. “Falei com minha mãe pelo telefone e ela berrou: ‘você não é mais meu filho!’ Aí meu irmão pegou o telefone e a mensagem que eles me passaram era de que eu não pertencia mais à família e, desde então, eu nunca mais pude falar com eles.”

Depois de um tempo, Afzal ouviu de um parente que sua mãe disse que ele “deveria ser morto, porque é isso que a lei islâmica determina para quem comete blasfêmias.”

Image copyrightEPA
Image captionVários países punem apostasia; no Paquistão, em 2012, manifestantes protestaram contra professor de escola cristã acusado de blasfemar contra islã

Ele, sua esposa e filha conseguiram permissão para ficar no Reino Unido, porque voltar para o Paquistão representaria um risco muito grande para a segurança deles.

A BBC contatou 13 autoridades locais de regiões com grandes populações muçulmanas entre Yorkshire e Lincolnshire. Nenhuma delas soube dizer qual seria o procedimento em caso de denúncia de abuso ou ameaça contra ex-muçulmanos e a maioria deles não sabia sequer o que era apostasia.

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Alguns disseram que existiam outros serviços específicos para jovens que sofriam abusos. Dada a pressão dentro de comunidades muçulmanas para ocultar os casos de pessoas que deixam a fé, não é tão surpreendente que autoridades locais não tenham muita consciência do problema.

Alom Shaha, representante da Associação Britânica Humanista, escreveu o livro O jovem ateu sobre sua própria experiência quando abandonou o islamismo na juventude. Como consequência disso, ele passou a ser contatado com frequência por muitos jovens ex-muçulmanos buscando ajuda ou conselhos.

Shaha é reticente e tem muito receio de alimentar o preconceito contra muçulmanos, mas diz: “Não podemos ignorar aqueles de dentro dessas comunidades que também são oprimidos. Quero que as pessoas que são responsáveis por cuidar de jovens vulneráveis reconheçam que ser um ateu pode ser algo grave o suficiente que coloca a vida desses jovens em risco.”

Leis e punições sobre blasfêmia pelo mundo

  • A partir de 2012, 22% dos países do mundo possuíam leis ou políticas “antiblasfêmia”;
  • Um em 10 (11%) tinha leis ou políticas de punição para apostasia – variando de multas até pena de morte;
  • Nas Américas, 31% dos países tinham leis contra blasfêmia. Nas Bahamas, a divulgação ou venda de material contendo blasfêmia poderia ser punida com dois anos de prisão.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150929_ex_muculmanos_perseguidos_rm

Prostituídas e exploradas: a dura realidade de crianças imigrantes abandonadas na Europa

A sensação de “estar sozinho no mundo” é difícil para qualquer ser humano. Mas para uma criança, em um mundo ideal, essa situação deveria ser inimaginável.

Enquanto os líderes europeus discutem medidas para conter o enorme fluxo de refugiados e outros imigrantes para a Europa – e não parece haver solução imediata para o problema -, os mais vulneráveis são os que mais sofrem com a situação.

O número de crianças que buscam asilo ou refúgio na Europa aumentou 74%. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), durante os primeiros seis meses de 2015, cerca de 106 mil crianças solicitaram asilo ou refúgio na Europa.

Os mais novos, com menos de 10 anos, geralmente embarcam na jornada para a Europa junto com outro membro da família, mas a porcentagem de crianças desacompanhadas que têm chegado ao Velho Continente tem aumentado drasticamente.

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Algumas são órfãs de guerra. Outras perderam a família na “odisseia” que enfrentaram para chegar à Europa.

Muitas outras foram “escolhidas” por suas famílias para tentar uma vida melhor no continente europeu, com a esperança de poderem enviar dinheiro ou mesmo abrirem as portas para um futuro mais promissor para todos.

Mas infelizmente a Europa não está suficientemente preparada para receber tantas crianças.

Agora, elas chegam à Grécia – a Hungria também se inseriu nessa rota -, mas, há dois anos, era a Itália o principal destino de imigrantes levados por traficantes de pessoas.

Muitos dos menores vinham de Síria, Eritreia e Afeganistão, e viveram toda espécie de horrores no trajeto para a Europa.

Alguns deles sofreram ataques e abusos durante a travessia, mas sempre mantinham esperanças de que quando chegassem lá, sua sorte mudaria.

Mas em muitos casos, não foi o que aconteceu.

Com as autoridades italianas sem saber como lidar com a grande quantidade de imigrantes desembarcando em sua costa, os criminosos se aproveitaram da situação.

Sem refúgio seguro

A consequência disso foi que muitas crianças acabaram sendo exploradas desde o primeiro momento que chegaram na Europa.

Image captionA Itália foi o primeiro destino onde os traficantes de pessoas começaram a atuar

Crianças significam “oportunidades de negócios” no sul da Itália, e alguns centros de acolhida chegam a receber a até 75 euros diários por cada criança que abrigam – e 35 euros por cada adulto.

Sobrecarregadas com volume de imigrantes chegando, as autoridades italianas permitiram a abertura de abrigos privados para crianças, mas sem nenhum controle sobre suas atividades.

A reportagem da BBC visitou um centro desses na cidade de Giarre, na Sicília, e se deparou com condições precárias de saneamento básico, cabos elétricos expostos e descaso com relação às crianças que estavam ali.

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Com resultado dessa investigação e depois de outra denúncia oficial feita por parlamentares italianos, o centro foi fechado há alguns dias.

No entanto, o problema não se resume aos centros privados. Há relatos também sobre maus-tratos a crianças em centros públicos, e sobre vínculos destes com a máfia italiana.

Fabio Sorgoni, que trabalha para a ONG italiana On the Road, disse à BBC que “o tempo é muito curto para que os italianos consigam proporcionar um refúgio seguro às crianças que chegam ali”.

“A lei permite que os menores saiam dos centros de acolhida durante o dia e, assim, eles ficam mais suscetíveis ao crime organizado, que acaba explorando essas crianças”, explicou.

Abandonadas

Pouquíssimos centros de acolhida italianos contam com tradutores suficientes para se comunicar com as crianças em seu idioma.

Além disso, não há profissionais capacitados para reconhecer vítimas de exploração sexual nesses lugares.

Inseguras e desprotegidas, milhares de crianças acabam fugindo dos centros de acolhida na Itália e perdendo-se nas ruas.

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Image captionCrianças são exploradas sexualmente ou começam a vender drogas para sobreviver na Europa

Sem ninguém disposto a tomar conta delas, essas crianças são abandonadas à sua própria sorte – e farão de tudo para tentar sobreviver.

A estação Termini de Roma – a principal estação ferroviária da cidade – se tornou um dos principais destinos das crianças abandonadas do Oriente Médio, quando elas não têm nenhum lugar para ir.

Alguns deles têm apenas 11 anos. São jovens vulneráveis, expostos à maldade alheia. A BBC acompanhou alguns deles durante alguns meses.

Uns foram presos, outros saíram dali em direção a outros países do norte da Europa. Mas suas histórias têm coincidências tristes.

Drogas e prostituição

Khaled, de 14 anos, nos contou que começou a vender drogas para comprar comida. “Fiz isso para evitar o que eu sabia que outras crianças estavam fazendo: mantendo relações sexuais com homens italianos”.

“Eu vi isso com meus próprios olhos. Meninos egípcios, tunisianos, marroquinos, que cobram 50 euros ou até 30 euros por sexo com homens.”

Na estação de trem, Khaled mostrou à reportagem da BBC como funciona esse negócio.

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Ele foi a um café local – muito conhecido por homens que buscam esse tipo de serviço – e conversou com um homem de meia idade que estava ali.

Image caption“Comecei a vender drogas para que não tivesse que me prostituir”, contou Khaled

A maioria dos jovens que conhecemos na estação eram muçulmanos e vinham de famílias conservadoras. Nenhum deles admitiu que se prostituía.

Um ficava apontando para o outro, mas Lassad, um voluntário ítalo-tunisiano que passa vários dias da semana na estação tentando tirar os meninos da vida criminal, disse à BBC que a maioria deles roubam, vendem drogas para gangues e, eventualmente, também se prostituem.

“O que esperam?”, questionou. “De que outra maneira eles poderiam pagar suas dívidas com os traficantes de pessoas? Como vão conseguir se alimentar? Alguns deles sequer têm onde dormir. As pessoas sabem que esses meninos estão desesperados e se aproveitam deles. É um mercado.”

O jovem Hamid chegou a ser preso por vender drogas. Ele diz que liga para sua mãe toda semana e mente sobre sua situação. Dormindo em ônibus à noite e passando dificuldades, o garoto nos mostra a fonte onde costuma tomar banho.

“Viemos aqui pensando que iríamos para a escola, que teríamos um lugar seguro para dormir e que encontraríamos trabalho”, relata Hamid. “Mas não é assim. Nós trabalhamos por uma miséria nos mercados, outros que vieram vendem drogas e outros vendem a si mesmos.”

“Se soubéssemos disso antes, jamais teríamos vindo aqui.”

Para muitas dessas crianças, a rota de fuga para a Europa acaba se tornando um caminho para o inferno.

A maioria das crianças que chegam sozinhas ao continente europeu são meninos, mas viajando de Roma a Abruzzo, no centro da Itália, descobrirmos a situação desesperadora de meninas nigerianas no país.

Escravidão por dívida

O problema do tráfico sexual de mulheres nigerianas é um problema que existe há muito tempo na Europa, mas com a chegada de mais imigrantes pelo Mediterrâneo, a prostituição de meninas do país têm aumentado bastante – incluindo adolescentes.

As meninas deixam suas casas com a ideia de trabalhar na Europa como cabeleireiras ou cuidadoras.

Image captionAdolescentes e mulheres nigerianas sofrem com o tráfico sexual na Europa

Uma vez que terminam a árdua jornada até a Líbia, são mantidas em cativeiro por traficantes, que abusam sexualmente delas, antes de enviá-las em lanchas com destino à Itália.

Quando chegam, eles obrigam as meninas a se prostituírem, dizendo que elas lhes devem entre 50 mil e 60 mil euros (R$ 223 mil a R$ 267 mil) somente pelo pagamento do trajeto até a Europa. Assim, essas jovens mulheres – algumas de até 13 anos – viram “escravas” para pagar suas dívidas.

O valor pago por sexo em Abruzzo é de 15 euros (o equivalente a R$ 67), o que faz com que essas meninas precisem de anos para juntar o dinheiro suficiente para pagar a dívida.

As meninas com quem conversamos conseguiram escapar – e agora estão sob tutela estatal. Elas contaram que os traficantes as ameaçavam caso demorassem muito para pagar o que deviam.

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Durante a noite, vimos meninas muito jovens nas ruas – uma delas, Annie, estava se prostituindo ao lado de uma lata de lixo. Ela nos contou que tinha acabado de chegar à Itália em um barco e parecia bem nervosa.

Essas meninas muitas vezes oferecem sexo apenas em troca de um prato de comida.

A legislação europeia e a legislação internacional defendem a proteção de menores. Mas enquanto os líderes europeus não definirem como lidar com os refugiados e imigrantes que chegam, milhares de crianças ou adolescentes estão sendo abandonadas em condições precárias dentro de suas próprias fronteiras.

Mais de 150 mil já abandonaram Ramadi após ofensiva do Estado Islâmico

Capital da província de Anbar se transformou em palco de conflitos entre forças de segurança e jihadistas

BAGDÁ — Os avanços do Estado Islâmico sobre Ramadi, capital da província de Anbar, na região central do Iraque, provocaram um êxodo em massa da cidade, palco de uma importante batalha na Primeira Guerra Mundial. Mais de 2 mil famílias da região já fugiram da cidade na direção da capital nacional, afirma Riad al-Adad, chefe do conselho regional de Bagdá, e, mais de 150 mil civis (cerca de um terço da população municipal) já abandonaram a cidade.

— O Estado Islâmico está cercando Ramadi de todos os lados — afirmou Azal al-Fahdawi, membro do conselho regional de Anbar. — Desde quarta-feira os terroristas impuseram seu domínio absoluto sobre a porção oriental da cidade após um súbita recuo das forças de segurança.

O ataque do Estado Islâmico sobre Ramadi, localizada 110 quilômetros ao Norte de Bagdá, é parte da resposta a uma enorme ofensiva realizada por tropas do governo e paramilitares aliados há cerca de uma semana para expulsar os jihadistas de Anbar.

Em Washington, o chefe da coalizão de combate ao Estado Islâmico, general Martin Dempsey, afirmou que o conflito em Ramadi era um exemplo da necessidade do governo iraquiano de eliminar concentrações de militantes do grupo jihadista na província de Anbar, mas frisou que a prioridade dos Estados Unidos era proteger a refinaria de petróleo de Baiji, considerada uma peça-chave da estrutura iraquiana.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, e líderes tribais têm pedido mais armamentos pesados para combater os jihadistas.

— Os reforços militares e as armas enviadas à província não são suficientes para conter os jihadistas e impedi-los de assumir o controle das cidades — afirmou al-Fahdawi.

  • Milhares de iraquianos chegam a Bagdá, fugindo dos combates entre forças do governo e militantes do…Foto: STRINGER/IRAQ / REUTERS

  • A frente das tropas do Iraque está quase toda encurralada por militantes do grupo jihadista. Partes…Foto: STRINGER/IRAQ / REUTERS

  • Em Bagdá, soldado iraquiano carrega criança sunita que deixou a cidade de Ramadi. Forças de…Foto: STRINGER/IRAQ / REUTERS

  • Uma criança é carregada por migrantes sunitas que deixaram a capital da província de Anbar. Após…Foto: STRINGER/IRAQ / REUTERS

  • Criança chora em meio à multidão de sunitas desabrigados que partiram de Ramadi em direção à…Foto: STRINGER/IRAQ / REUTERS

  • Mulher desmaia durante o deslocamento até a capital, Bagdá. Enquanto o EI ganha território nem…Foto: STRINGER/IRAQ / REUTERS

Boa parte das famílias fugindo da região vem de Albu Ghanim, nos arredores de Ramadi, tomada pelos jihadistas na quarta-feira.

— O Estado Islâmico nos parou e disse que tinha vindo nos libertar — conta Abu Jasim, um morador da cidade, contando que o grupo montou um posto de controle na entrada da cidade, onde hasteou sua bandeira negra. — Dissemos que estávamos fugindo porque as crianças estavam apavoradas. Eles nos deixaram partir, e vimos corpos caídos nas ruas de policiais e outros civis.

Outro morador, Abu Amar, afirmou que os jihadistas declararam sua vitória por meio de megafones na mesquita da cidade. Seu filho, um policial, está desaparecido, e ele diz ter ouvido que os jihadistas tinham uma lista de moradores a serem executados.

A província de Anbar, a maior do país, é majoritariamente sunita e líderes locais têm acusado o governo xiita do Iraque de ignorar sua situação. Caso solidifique seu domínio em Anbar, o Estado Islâmico terá controle sobre uma faixa de terra que se estende dos arredores de Bagdá à fronteira com a Síria.

Na periferia de Bagdá na sexta-feira, logo após passar por um posto de controle do governo, Saad al-Thiabi, um policial de Ramadi que tem lutado contra os insurgentes do Estado Islâmico há mais de um ano, deixava sua família. Ele disse que voltará para a luta após uma noite de sono, e duvidava se veria os familiares novamente.

— A principal razão pela qual os trouxe para cá é porque não quero ser decapitado na frente dos meus familiares. Quero ser morto longe deles — diz o policial, que afirma estar há dois meses sem receber salários, embora isso não o tenha dissuadido do combate aos jihadistas. — Quero defender minha casa, minha cidade, minha província. Estes não são muçulmanos, eles são criminosos. Este não é o Islã.

Descrevendo as cenas na cidade nos últimos dias, ele disse: “corpos nas ruas. Corpos queimados em carros”.

— Há dois dias, tudo mudou completamente — disse Adil Raheem, que chegou a Bagdá na sexta-feira. — Tivemos de sair, caso contrário, iríamos morrer.

Ao seu lado, um homem chamava os soldados e policiais que defendem Ramadi de “covardes” e sugeria que a cidade estava em risco iminente de cair nas mãos dos insurgentes.

Na oração de sexta-feira em Karbala, cidade sagrada xiita no sul do Iraque, um representante do Grande Aiatolá Ali al-Sistani, o clérigo xiita mais importante do país, pediu às populações em áreas sob controle do Estado Islâmico que libertassem seus próprios territórios, mas também endossou um papel para as milícias

— Outros iraquianos podem participar com eles da libertação de suas áreas, apesar de suas diferentes filiações ou nomes, porque no fim, todos são filhos do Iraque.

http://oglobo.globo.com/mundo/mais-de-150-mil-ja-abandonaram-ramadi-apos-ofensiva-do-estado-islamico-15909675