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Israel fornece mais ajuda humanitária aos sírios deslocados no Golã

Na semana passada, as Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram seis operações para fornecer ajuda humanitária aos sírios deslocados nas Colinas de Golan, informaram os militares nesta quinta-feira.

Dirigido pela Brigada Bashar , 72 toneladas de alimentos, 70 tendas, 9 mil litros de combustível, bem como remédios, suprimentos médicos, roupas e brinquedos foram transferidos para a Síria.

“As IDF continuaram  ajudando sírios em acampamentos  estabelecidos no Golan sírio, onde milhares de sírios que vivem em condições precárias , sem acesso à água, eletricidade, comida ou necessidades básicas,” diz o comunicado divulgado pela Unidade Porta-voz das IDF.

“ASs IDF estão monitorando eventos no sul da Síria e estão preparadas para uma variedade de cenários , incluindo assistência humanitária contínuo aos sírios “, disse o comunicado, acrescentando que as IDF vão permitir que os sírios atravessem para Israel e os militares continuarão a defender os interesses de segurança do Estado de Israel “.

IDF têm vindo a fornecer  assistência humanitária para salvar vidas dos sírios nas Colinas de Golã, como parte da operação ” bons vizinhos “, que foi lançado em junho de 2016. O Exército de Israel tem fornecido de 1524 toneladas de alimentos 250 toneladas de roupas, 947.520 litros de combustível, 21 geradores, 24.900 equipamentos médicos e medicamentos, tudo isso mantendo o princípio de não participação na guerra civil síria.

O major Dr. Sergei Kotikov , um oficial sênior das IDF envolvido na Operação Good Neighbor, disse ao  The Jerusalem Post  em uma entrevista recente perto da fronteira com a Síria que as IDF aumentaram sua ajuda e alimentos para os sírios desde o início da ofensiva.

No início desta semana, cerca de 200 sírios se reuniram a poucos metros da fronteira com Israel, depois que eles marcharam na fronteira, com algumas bandeiras brancas acenando na tentativa de entrar no Estado judeu.

Os sírios recuaram logo depois que soldados israelenses gritaram para que eles voltassem e retornassem a um acampamento de pessoas deslocadas na vila de Bariqa .

O exército sírio iraniano – apoiado milícias xiitas e Hezbollah foi bater nas províncias do sudoeste da Dara’a e Qunetria em uma ofensiva destinada a recuperar os eixos estratégicos que fazem fronteira com a Jordânia e os rebeldes no Golan que ocuparam a fronteira durante vários anos.

Milhares de sírios fugiram para a fronteira israelense nas Colinas de Golã em busca de uma área segura e de acordo com a ONU , entre 285.000 e 325.000 pessoas fugiram desde o início da ofensiva com cerca de 189.000 que se mudaram para a fronteira com Israel.

Os sírios fugiram de suas casas por causa da ofensiva. Muitos se agruparam na área de Quneitra ao longo da fronteira, esperando que a área de fronteira seja uma zona de exclusão e que eles sejam protegidos de ataques aéreos ou avanços de regime.

Apesar dos relatos não confirmados de que Israel e a ONU estão em negociações para estabelecer zonas de segurança para os sírios ao longo da fronteira, Israel deixou claro que nenhum refugiado sírio poderá entrar em Israel, e que continuará a fornecer ajuda humanitária.

Com imagem MENAHEM KAHANA / AFP / Getty Images e informações Israel Noticias

Síria: 100.000 civis ainda bloqueados pelos combates em Alepo

De acordo com o ministério russo da Defesa, cerca de 10.500 civis sírios fugiram, nas últimas 24 horas, das partes do leste de Alepo ainda controladas pelos rebeldes. A informação carece, no entanto, de verificação independente.

A ONU estima que cerca de 100.000 pessoas estão ainda bloqueadas numa área cada vez mais reduzida da cidade, quase sem acesso a alimentos, água e cuidados médicos.

Um homem que escapou de Alepo diz que “as pessoas que se juntaram aos grupos armados fizeram-no pelo salário, comida e bebida e para se protegerem de abusos. Os grupos maltratam os que não o fazem e têm o monopólio sobre a comida, que vendem [aos civis]”.

Outro afirma que “tentaram de tudo” para o obrigar a voluntariar-se, mas ele recusou e foi agredido.

Segundo a ONU, grupos rebeldes e “jihadistas” tentam impedir os habitantes de abandonar a área dos combates, chegando a disparar sobre os que fogem, e há também relatos de “centenas de homens desaparecidos” depois de passarem para áreas controladas pelo regime sírio.

http://pt.euronews.com/2016/12/10/siria-100000-civis-ainda-bloqueados-pelos-combates-em-alepo

Cerca de 15 mil cristãos são socorridos na Nigéria

“Agradeço ao Senhor por essa ajuda e a todos que trouxeram esses alimentos para nós; não tínhamos nada, agora temos comida para dar aos nossos filhos”.

Recentemente, a Portas Abertas iniciou um trabalho de ajuda emergencial para as famílias cristãs nigerianas que tiveram que fugir de suas vilas e cidades para se proteger em campos informais e agora vivem deslocadas. No Nordeste da Nigéria, em Maiduguri, há cerca de 3 mil famílias ou 15 mil cristãos dependendo das doações de alimentos para viver.

Há uma séria crise humanitária em diversas regiões do país depois dos ataques do Boko Haram, desde 2009. O grupo extremista islâmico capturou muitas partes do Sul de Borno e alguns Estados do Norte de Adamawa, declarando um califado na cidade de Gwoza. Os cristãos dessas localidades tiveram que fugir para cidades vizinhas, onde o cristianismo também não é bem vindo. Há muitos traumatizados, precisando de tratamento especializado e, principalmente, de orações.

Até mesmo o fato de receber ajuda com alimentos e outros itens de primeira necessidade faz com que esses cristãos sejam mais notados, o que não é bom para eles. Nos campos onde há muçulmanos, por exemplo, a pressão é grande. “A ideia dos campos informais foi um escape para os cristãos que estavam sendo segregados pelos islâmicos. Eles não recebiam comida e não tinham permissão de sair para ir à igreja”, disse John Gwamma, que organizou um desses acampamentos cristãos.

“Quando fugimos do Boko Haram passamos necessidades, ficamos sem água potável, sem comida. Mas Deus nos deu coragem, a Bíblia diz que há um tempo de sofrimento, mas que isso vai passar pela graça de Deus. Precisamos suportar. Agradeço ao Senhor por essa ajuda e a todos que trouxeram esses alimentos para nós. Não tínhamos nada, agora temos comida para dar aos nossos filhos”, conclui uma nigeriana perseguida.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/11/cerca-de-15-mil-cristaos-sao-socorridos-na-nigeria

Washington insiste: “Rússia é responsável pelo ataque ao comboio humanitário em Aleppo”

Aviões SU-24 de fabricação russa sobrevoavam a área, segundo fontes de inteligência dos Estados Unidos.

Washington culpa a Rússia pelo bombardeio de um comboio da ONU e do Crescente Vermelho atacado quando levava ajuda humanitária a 78.000 pessoas sitiadas em Urm al Kubra, na província síria de Alepo. “Toda nossa informação indica claramente que houve um bombardeio. Isso significa que só pode haver duas entidades responsáveis”, disse o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca Ben Rhodes, em referência a Rússia e Síria.

A acusação vem imediatamente depois de Moscou negar qualquer responsabilidade no ataque, que destruiu 18 dos 31 veículos do comboio. Vinte civis e um trabalhador do Crescente Vermelho Sírio (SARC) morreram. “Nem aviões russos nem sírios realizaram bombardeios contra um comboio da ONU no sudoeste de Alepo”, declarou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia em um comunicado.

A negativa não bastou a Washington. “Responsabilizamos o Governo russo pelo bombardeio nesse espaço aéreo em vista de seu compromisso com a suspensão das hostilidades nas operações ar-terra em locais de fluxo humanitário”, disse Ben Rhodes, de acordo com a rede CNN.

Segundo duas fontes norte-americanas consultadas pela agência Reuters, dois aviões SU-24 da Rússia sobrevoavam a área no momento do ataque. Essas fontes citam informação dos serviços de Inteligência dos Estados Unidos. Além disso, um dirigente do principal bloco da oposição política na Síria, Riad Hijab afirmou que só a Rússia e a Síria tinham aviões nessa área.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos também acusa a Força Aérea do regime pelo ataque ao comboio, que levou a ONU suspender o envio de ajuda humanitária à Síria. Nesta quarta-feira, a ONU tentará destravar a busca de soluções para a guerra na Síria com uma reunião do Conselho de Segurança, que acontecerá em meio à escalada das tensões entre os Estados Unidos e a Rússia, tanto pelo bombardeio da caravana humanitária como pela morte de 62 militares sírios em outro bombardeio, que o Pentágono atribui a um erro.

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/21/internacional/1474435258_464464.html

Síria: ajuda humanitária continua bloqueada

Na Síria a ajuda humanitária continua bloqueada, sem acesso às populações encurraladas nas zonas de conflito, apesar do cessar-fogo.

A chamada rota do Castello é a via mais rápida de acesso aos bairros rebeldes de Alepo, onde 250 mil pessoas estão desde julho sitiadas, mas os camiões com ajuda humanitária continuam a aguardar que o exército sírio e os seus aliados libertem o caminho que lhes permita avançar. O acordo de trégua previa que as forças em conflito se retirassem de uma faixa de 3,5 km, mas isto não foi ainda cumprido.

Em pano de fundo, são esgrimidas as acusações mútuas, com o governo sírio a culpas as forças rebeldes, que afirma não respeitarem a trégua.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, apelou esta quinta-feira a Damasco para que autorize com urgência a entrada em Alepo dos camiões com ajuda humanitária.

De Mistura lembrou que a rota de Castello tem um estatuto especial no acordo Russo-Americano e sublinhou que estão dois grupos de 20 camiões imobilizados, à espera dos salvo-condutos que o governo de Bashar al-Assad não emitiu ainda, e sem os quais os comboios com ajuda humanitária não podem avançar rumo a Alepo.

Outros 40 camiões com alimentos continuam entretanto parados depois de terem passado a fronteira turca, à espera dos salvo-condutos que Damasco não enviou ainda.

Nos bairros rebeldes de Alepo cerca de 250 mil pessoas estão desde julho isoladas sem ajuda humanitária.

http://pt.euronews.com/2016/09/15/siria-ajuda-humanitaria-continua-bloqueada

Síria: ONU quer que Damasco abra os céus à ajuda humanitária

A ajuda humanitária continua a chegar a conta gotas a apenas uma pequena parte das 592 mil pessoas sitiadas pela guerra na Síria.

Cinco camiões da ONU e do Crescente Vermelho distribuem desde ontem apenas medicamentos à povoação rebelde de Deraya, cercada pelo regime desde há quatro anos.

Uma ajuda insuficiente para a população local e a ONU que apelam a Damasco que autorize a distribuição de ajuda por via aérea.

Segundo o vice-enviado da ONU para a Síria, Ramzy E. Ramzy:

“É necessário obter a autorização do governo para garantir a segurança, mas pode não ser suficiente. Há outros grupos espalhados pela Síria que têm a capacidade de dificultar estas operações e isso tem de ser tomado em conta”.

A Rússia, aliada de Assad, tinha já largado mantimentos em Abril sobre as zonas sitiadas no leste da Síria.

Estados Unidos, Reino Unido e França convocaram uma reunião do Conselho de Segurança para sexta-feira, para exigir que Damasco cumpra o compromisso de autorizar a largada de mantimentos no início de Junho.

A ONU reconhece que apenas 4 das 19 cidades sitiadas poderiam ser reabastecidas por aviões, quando não dispõe de helicópteros para aceder às zonas mais remotas do país.

A oposição síria criticou, por seu lado, e em vídeo, as caravanas humanitárias que, nos últimos dias, têm conseguido aceder a algumas cidades sitiadas, classificando-as como “um remendo temporário”.

http://pt.euronews.com/2016/06/02/siria-onu-quer-que-damasco-abra-os-ceus-a-ajuda-humanitaria/

Resistente a avanços do governo sírio, Daraya é o pesadelo de Assad

Cercada desde 2012, cidade a 15 minutos de Damasco não recebe ajuda humanitária

AUJA, CISJORDÂNIA — Bombas e a fome, promessas de pão e anistia, iscas e porrete: o regime sírio tem tentado de tudo para controlar a cidade de Daraya, próxima da capital, Damasco, mas tudo tem sido em vão. A cidade esteve na linha de frente das manifestações de 2011 contra o presidente Bashar al-Assad e foi uma das primeiras onde se estabeleceu um cerco militar, no fim de 2012

Apesar dos apelos dos habitantes e de advertências da ONU e das organizações de direitos humanos, o governo sempre impediu a entrada de ajuda no território rebelde, a sudoeste da capital. Entretanto, o regime autorizou a assistência a várias outras regiões desde a instauração de um cessar-fogo parcial, no dia 27 de fevereiro.

Dayara fica a 15 minutos de carro do centro de Damasco, e também é muito próxima da base aérea de Mazeh, sede dos serviços de Inteligência da Força Aérea, e sua prisão. Para uma fonte próxima ao governo, essa cidade é uma pedra no sapato do poder.

— Dayara tem um lugar especial no pensamento do governo. O Estado não quer uma trégua, quer conquistá-la, pois a cidade ocupa uma posição muito estratégica — explica, sem rodeios.

Segundo os militantes antigovernamentais dos Comitês Locais de Coordenação, atualmente há combates nos subúrbios da cidade. E de acordo com o site pró-regime al-Masdar, o Exército “prepara uma vasta operação” para capturar Daraya nos próximos dias.

Em novembro de 2012, as forças governamentais “estabeleceram cordões na entrada da localidade e, em dezembro, já não havia caminhos seguros para entrar ou sair”, explica um militante local, Shadi Matar. A cidade perdeu 90% dos seus 80 mil habitantes.

Médico em Daraya, Hosam Jshini indica que os habitantes carecem de tudo e se limitam a comer ervas silvestres.

— Eletricidade? Já nem sabemos o que isso significa. Água? Vem de poços e não é potável. Comida ou leite para as crianças? Não há — lamenta.

Em 12 de maio, Jshini e outros moradores da cidade esperavam ansiosamente a chegada de cinco caminhões, carregados principalmente de leite para bebês e material escolar. Os veículos foram bloqueados na entrada de Daraya.

— A maioria dos combatentes em Dayara pertence aos grupos mais radicais e mais religiosos. É por isso que o Estado crê que a ajuda humanitária nunca chegará aos civis — disse uma fonte próxima ao regime.

Os militantes não aceitam esses argumentos.

— Daraya é conhecida como a escola da revolta, e não da violência — assegura Bisan Fakih. — A nossa resistência é o grão de areia que impede Bashar de silenciar a revolta.

http://oglobo.globo.com/mundo/resistente-avancos-do-governo-sirio-daraya-o-pesadelo-de-assad-19365212

Refugiados sírios fazem protesto em São Paulo

Grupo quer sensibilizar brasileiros para a violência na terra natal.

SÃO PAULO. Um grupo de refugiados sírios que vive no Brasil fez neste domingo um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, próximo ao Consulado da Síria, em solidariedade aos conterrâneos e em protesto contra bombardeios na província de Aleppo, no norte do país.

Em abril, apesar da trégua em vigor desde fevereiro entre o regime e os rebeldes, bombardeios deixaram 22 civis mortos na província da Síria, entre eles dez crianças, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Continuar lendo Refugiados sírios fazem protesto em São Paulo

Comboios de ajuda humanitária partem para áreas sitiadas da Síria

Alimentos e remédios são esperados em sete locais, incluindo Madaya e Zabadani.

BEIRUTE — O primeiro comboio de ajuda humanitária carregado de alimentos e remédios entrou nesta quarta-feira em áreas sitiadas no subúrbio de Damasco informou o grupo Crescente Vermelho, um dia depois de o regime de Bashar al-Assad liberar o acesso. A remessa, anunciada pelo enviado especial da ONU Staffan de Mistura na terça-feira à noite, tem o objetivo de aliviar os civis que estão morrendo de fome em localidades cercadas por forças do governo ou progrupos rebeldes.

Entre os locais, estão as cidades de Madaya e Zabadani, sitiada pelo regime de Assad. Na província de Idlib, áreas isoladas por grupos rebeldes, como Fua e Kefraya, também vão receber a ajuda, afirmou o porta-voz da organização. Além dos suprimentos, entre eles trigo e alimentos energéticos, uma equipe médica vai aos locais.

O Crescente Vermelho sírio está coordenando as remessas aéreas com a ONU, que exigiu acesso irrestrito a todas as áreas sitiadas do país, onde afirma que centenas de milhares de pessoas são reféns dos combates e dos bloqueios deliberados dos vários participantes da guerra civil. Um triste exemplo é Madaya. Dezenas de pessoas morreram de fome na cidade depois de meses de cerco de forças governamentais e seus aliados.

Nesta quarta-feira, funcionários da ONU se reúnem para decidir sobre uma possível remessa por ar na região de Deir ez-Zor, onde milhares de pessoas estão cercadas pelo Estado Islâmico

Durante uma cúpula em Berlim sobre os centenas de milhares de refugiados que chegaram à Europa nos últimos meses, muitos deles sírios, a chanceler alemã, Angela Merkel, classificou a situação no país em guerra como insuportável, se referindo aos recentes bombardeios nas províncias do Norte que atingiram hospitais. Ela também insistiu na sua proposta sobre a criação de uma área de exclusão aérea para proteger os civis e pediu aos líderes europeus uma ação comum sobre o fluxo de refugiados.

A chefe do governo alemão está cada vez mais isolada dentro da União Europeia sobre a questão dos refugiados e, até o momento, só cerca de 100 refugiados que chegaram na Itália e na Grécia foram realocados. A meta era que 160 mil tivessem sido distribuídos no ano passado.

A França, principal aliado da Alemanha na Europa, distanciou-se de Merkel na semana passada depois de o primeiro-ministro Manuel Valls afirmar que tal política não poderia ser mantida a longo prazo. A Áustria, que atuou em coordenação com a Alemanha em 2015, também expressou reticências e reforçou a sua política de imigração, estabelecendo limites de entradas.

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“Falta quase tudo em Aleppo”

O sírio Osama el-Ezz é cirurgião e trabalha para a Sociedade Médica Sírio-Americana (Sams). Regularmente, ele viaja da Turquia para sua cidade natal, Aleppo, levando ajuda médica para as pessoas. Atualmente, ele também se encontra lá – na parte da cidade que passou a ser controlada pelos rebeldes desde meados de 2012.

Desde que a Rússia começou a ajudar o ditador Bashar al-Assad, executando ataques aéreos, a luta por Aleppo, segunda maior cidade da Síria, é maior do que nunca.

“A vida nesta região está realmente muito difícil. Falta quase tudo que se precisa para sobreviver”, conta Ezz à DW, em entrevista realizada por meio de curtas mensagens de voz, já que não foi possível a comunicação telefônica.

Deutsche Welle: Como está a situação na parte de Aleppo em que você se encontra agora?

Osama el-Ezz: A vida nesta região está realmente muito difícil. Falta quase tudo que se precisa para sobreviver. As pessoas não têm energia elétrica já há mais de seis meses. E o abastecimento hidráulico também é precário. Mal sai água das nossas torneiras, para não falar da água potável. As pessoas têm pouco dinheiro. E perderam as esperanças.

Poucos estão empregados, e são muitos os parentes feridos que precisam de cuidados. Além disso, os pais de muitas famílias – e, portanto, os chefes entre os familiares – estão mortos. Eles perderam a vida lutando ou foram vítimas de bombardeios, muitos homens também foram sequestrados pelo regime.

As pessoas não tentam fugir de Aleppo?

Nem todos têm a possibilidade. Há pouca gasolina, e poucos têm um carro. Mas, sobretudo: as tropas do governo tomaram o controle de vias importantes, e é difícil conseguir passar pelos bloqueios de rua. Além disso, há o risco de ser atingido por bombas no caminho. Mas há pessoas que fogem.

Como a situação em Aleppo mudou desde os ataques do Exército russo?

Médico Osama el-Ezz, da SAMS

Diariamente, sofremos ataques violentos por vários tipos de bombas – e com a intervenção russa, tudo ficou ainda pior. As tropas do governo sempre tiveram como alvos locais com grande número de pessoas – como praças, escolas, mesquitas. Mas isso aumentou desde então e o número de vítimas cresceu maciçamente.

Nós, médicos, também vemos uma mudança nas lesões dos combatentes ou vítimas, já que os russos, aparentemente, utilizam outras armas e bombas. Infelizmente, também não existe nenhum tipo de alerta, esses ataques acontecem simplesmente. E ninguém pode se esconder tão rapidamente – especialmente porque nem todas as casas possuem porão.

Como isso afeta as pessoas?

Quase ninguém se atreve mais a sair de casa. Eles estão traumatizados, precisam de ajuda psicológica e psiquiátrica. As crianças acordam aos gritos durante a noite, grávidas perdem seus bebês. Os homens também sofrem muito com essa situação. Eles carregam um fardo pesado: de um lado, tentam ganhar dinheiro. No entanto, são eles que veem toda a destruição e os mortos na cidade.

E como os cuidados médicos estão funcionando?

Há poucos medicamentos e pouquíssimos aparelhos medicinais. Mas o que nos causa problemas em especial é que nós nem sempre podemos tratar adequadamente as doenças graves, como casos de câncer.

O que as pessoas lhe contam, do que elas têm medo?

Elas estão muito preocupadas que as tropas do governo assumam o controle das entradas da cidade e deixem que as pessoas morram de fome. Sabemos que Assad não poupa ninguém. Esse é um grande cenário de horror para as pessoas nesta parte de Aleppo.

http://www.dw.com/pt/falta-quase-tudo-em-aleppo/a-19055735