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A solução de Dois Estados

Por Sergio Bichuchs Sinenberg

Como sou partidário da “solução de Dois Estados”, quero propor à Angela Merkel que Berlin seja dividida novamente e que cada metade da cidade seja a capital de Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental, respectivamente. Temos certeza que os berlinenses não farão objeções à divisão da cidade, para que a mesma seja a capital de dois Estados.

Quanto ao Brasil, quero sugerir que seja respeitado o Tratado de Tordesilhas, devolvendo à Espanha toda a Amazônia.

Inglaterra deverá ceder a metade das Ilhas Malvinas à Argentina, criando dois Estados: a República das Focas Portenhas e a Irlanda do Atlântico Sul.

Não vamos esquecer de propor ao effendi Erdogan, sultão do novo Império Turco, que deverá abrir mão de Istambul, para respeitar a origem cristã desta famosa cidade, que já foi chamada Bizâncio e depois Constantinopla, quando era a capital do cristão Império Romano Oriental.

O mesmo Erdogan concordará –não temos dúvidas – com a divisão da Turquia em dois Estados, um turco e outro curdo, seguindo o bom exemplo da República Islâmica do Irã, que fará o mesmo ato de justiça internacional e respeito à autodeterminação dos povos.

Assim sendo, estes democráticos e humanitários países propiciarão a criação do Estado Curdo, o Curdistão.

Por seu lado, a China já avisou que devolverá o Tibete ao seu povo, para inspirar a solução de dois Estados a outros países.

Aproveitando o generoso espírito natalino, até Vladimir Putin, o “Czar de Todas as Rússias”, quer colaborar, reintegrando a Crimeia à Ucrânia.

Pura generosidade!

Imagem: http://www.dw.com/en/merkels-delicate-mission-to-turkey/a-37367606

 

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A Alemanha admite: 75% dos migrantes muçulmanos necessitarão de benefícios nos próximos anos

“A realidade do refugiado: a Alemanha admite que 75% enfrentam o desemprego de longa duração e viverão de benefícios”, de Simon Osborne, Express , 23 de junho de 2017:

TRÊS quartos dos refugiados da Alemanha serão desempregados de longa duração e reivindicam benefícios por anos, foi admitido hoje.

Aydan Özoğuz, comissário para imigração, refugiados e integração, disse ao Financial Times que apenas um quarto a um terço dos recém-chegados entrarão no mercado de trabalho nos próximos cinco anos e “para muitos outros precisamos de até 10”.

O Institute for Employment Research (IAB) descobriu que apenas 45 por cento dos refugiados sírios na Alemanha possuem um diploma de ensino e 23 por cento um diploma universitário.

As estatísticas da Agência Federal do Trabalho mostram que a taxa de emprego entre os refugiados é de apenas 17 por cento.

Ele disse que 484 mil dos refugiados estão procurando trabalho, contra 322 mil em julho passado – um aumento de 50%.

Destes, 178.500 estão oficialmente desempregados, o que significa que eles não só não têm trabalho, mas não estão matriculados em nenhum programa de treinamento ou cursos de idiomas – 27% acima em julho passado ….

Esperava que a chegada de tantos imigrantes em idade de trabalhar e altamente motivados ajudasse a acabar com a falta de competências da Alemanha e a resolver uma crise demográfica colocada por sua taxa de natalidade perigosamente baixa …

https://www.jihadwatch.org/2017/06/germany-admits-75-of-muslim-migrants-will-be-on-welfare-for-years-to-come

Estudante judeu sai de escola de Berlim devido ameaças e violência de colegas de classe muçulmanos

“Estudante judeu sai de escola de Berlim por ameaças e violência de colegas de classe muçulmanos”, de Simon Kent, Breitbart , 28 de maio de 2017:

 Espancamentos e abusos de colegas de classe muçulmanos foram citados pelos pais de um adolescente judeu como o motivo pelo qual o retiraram de uma escola principal de Berlim.

O menino de 14 anos nasceu em Londres de uma mãe britânica e um pai alemão. De acordo com um relatório no Sunday Times , o estudante foi expulso e recebeu soco de alunos do Oriente Médio e origem turca tantas vezes, que ficou temendo por sua vida. Um dos agressores alegadamente ameaçou matá-lo com uma arma simulada que ele acreditava ser real.

O Conselho Central de Judeus na Alemanha descreveu as alegações de bullying na Friedenauer Gemeinschaftsschule em Berlim como “anti-semitismo da forma mais horrorosa”.

The Times informa Ferdinand e seus pais – Gemma, um empresário de Londres, e Wenzel, uma ativista de direitos humanos – escolheram um ambiente multicultural para o ensino de seus filhos. Até recentemente, a família tinha hospedado um refugiado sírio na casa de Berlim.

“Eu amei o fato de que a escola era multicultural. . . Os filhos e os professores eram tão legais “, disse Ferdinand.

No entanto, dentro de uma semana de inscrição em novembro passado, em uma escola onde quase três quartos dos alunos são de famílias imigrantes, os problemas de Ferdinand começaram depois que ele deixou escapar que ele era judeu.

“Primeiro, meu amigo turco, Emre, disse que não poderia mais sair comigo porque eu era judeu”, disse Ferdinand. “Então outros alunos começaram a dizer coisas estereotipadas sobre como os judeus só querem dinheiro e odeiam muçulmanos”.

As surras diárias por uma gangue de alunos, todos de origem imigrante, logo seguiram. Estes foram acompanhados de insultos raciais.

“Este menino, Jassin, cujos pais são palestinos, me perguntou se eu sou de Israel”, disse Ferdinand. “Eu nunca estive em Israel. Ele disse que a Palestina vai queimar Israel e seus amigos disseram que o Peru queimará Israel. Ele continuou me chutando.

“Um dia ele veio até mim por trás e ele me deu um soco na parte de trás. Fiquei tonto. . . Eu tive uma hematoma por uma semana ou duas. Toda vez que algo de ruim acontecia, eu disse a mim mesmo que eu poderia gerenciá-lo, mas isso só piorou “.

A experiência de Ferdinand não é um incidente isolado no sistema escolar de Berlim.

Aaron Eckstaedt, diretor da Escola Secundária Judaica Moses Mendelssohn em Berlim, disse à Jewish Chronicle que seis a 10 pais judeus se candidataram para mudar seus filhos de escola todos os anos.

Os pedidos são geralmente “em reação a declarações antissemitas vindas esmagadoramente de colegas árabes ou turcos”, disse ele.

Matéria completa: http://pamelageller.com/2017/06/jewish-berlin-muslim.html/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook

Por que a Alemanha não se desculpou até hoje pelo primeiro genocídio do século 20

Para historiadores, trata-se do primeiro genocídio do século 20. Mas muitas pessoas nunca ouviram falar do assassinato de dezenas de milhares de pessoas por tropas alemãs no território que hoje é a Namíbia, na África.

Entre 1904 e 1908, quando a região era conhecida como Sudoeste Africano e estava sob colonização de Berlim, militares realizaram uma campanha implacável de extermínio de duas etnias locais, os herero e os nama.

De um total de cerca de 100 mil integrantes dos dois grupos, estima-se que pelo menos 80 mil homens, mulheres e crianças foram mortos por balas, canhões, fome ou sede. O estupro em massa de mulheres foi sistemático.

Centenas de crânios de vítimas foram enviados à Alemanha para serem analisados em estudos sobre diferenças raciais que buscavam provar a superioridade dos brancos. Vinte deles foram devolvidos à Namíbia em 2011.

Manifestação em Berlim, com cartaz exigindo pedido de desculpasDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNesta manifestação em Berlim, em 2015, participantes pediram que governo alemão se desculpe formalmente pelas mortes
Homens e meninos herero, algemados e desnutridosDireito de imagemARQUIVO NACIONAL DA NAMÍBIA
Image captionMuitas fortes foram causadas por fome e sede

Mais de um século depois, representantes dos governos alemão e namíbio negociam uma declaração conjunta sobre o episódio – algo motivado principalmente por uma extensa campanha de ativistas herero e nama.

Segundo a imprensa alemã, Berlim deverá reconhecer pela primeira vez sua responsabilidade em um genocídio na África.

Os grupos étnicos entraram este mês em um tribunal de Nova York com um pedido de indenização junto ao governo alemão, com base em possíveis violações da Declaração da ONU sobre Direitos de Grupos Indígenas.

Porém, o principal negociador da Alemanha nas negociações com a Namíbia, Ruprecht Polenz, disse ao jornal britânico The Guardian que o ocorrido na Namíbia “não pode ser comparado ao Holocausto” – o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial resultou no pagamento individual de indenizações pelo governo.

Acadêmicos e ativistas argumentam, porém, que as ações contra os herero e os nama foram igualmente brutais – alguns asseguram que as atrocidades na África abriram caminho para o Holocausto, quase quatro décadas depois.

Estupros e assassinatos

Na Conferência de Berlim, em 1884, as potências europeias fizeram uma partição da África. A Alemanha, que tinha colônias onde hoje é Camarões, Togo e Tanzânia, anexou também a costa sudoeste do continente.

Soldados alemães na NamíbiaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionRebelião dos herero e nama contra a ocupação fez com que o kaiser Guilherme 2º enviasse 14 mil soldados para a colônia

Indígenas foram expulsos de suas terras, que foram entregues a colonos alemães. A população nativa sofreu todo tipo de abuso, incluindo estupros e assassinatos. Isso causou as revoltas de 1903, em que guerreiros herrero e nama fizeram ataques que resultaram na morte de dezenas de colonos.

A resposta alemã veio com a ordem do imperador, o kaiser Guilherme 2º, para que 14 mil soldados fossem deslocados para a colônia. Todos sob o comando de Lothar Von Trotha, que havia reprimido brutalmente rebeliões nativas em posições do país na China e no leste da África.

Entre as represálias estavam uma morte lenta no deserto do Kalahari, onde soldados tinham envenenado os poços d´água.

Genocídio

Prisioneiros herero acorrentados, na companhia de soldados alemães montadosDireito de imagemARQUIVO NACIONAL DA NAMÍBIA
Image captionO general Lothar von Trotha ordenou em 1904 que os herero ‘deixassem o país’

Von Trotha abriu os trabalhos enviando uma mensagem veemente os herero:

“Eu, general dos soldados alemães, envio esta carta aos herero. O povo herero deve abandonar o país. Se negarem, forçarei sua partida com canhões. Qualquer herero, com ou sem armas, será executado.”

“Von Trotha disse a seus soldados que não atirassem em mulheres e crianças. Em vez disso, os soldados as forçaram a fugir para o deserto, onde morreram de fome e sede”, disse à BBC Mundo (o serviço em espanhol da BBC) Reinhart Koessler, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Freiburg e acadêmico especializado no passado colonial da Alemanha.

Gravura de época mostra batalha entre guerreiros herero e tropas alemãsDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPara Reinhart Koessler, a proclamação de Von Trotha ‘teve a intenção clara de extermínio, e isso constitui genocídio’
Descendentes de von Trotha na NamíbiaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionDescendentes do general Lothar von Trotha foram à Namíbia en 2007 para pedir desculpas por suas ações

Para Koessler, as palavras de Von Trotha “foram uma intenção clara de extermínio, e isso constitui genocídio, a vontade de eliminar um grupo étnico”.

Os estupros de mulheres herero e nama foi algo tão generalizado que muitos descendentes atualmente têm algum ancestral alemão.

“Sou descendente direto dos herero. Tanto meus avôs maternos quanto paternos tinham sangue alemão em suas veias por causa do abuso sexual cometido contra meu povo”, disse Ngondi Kamatuka, integrante da Asociação Herero Contra o Genocídios, à BBC Mundo.

Pedido de desculpas

As negociações entre Alemanha e Namíbia são o resultado de um longo processo iniciado logo após o país se tornar independente da África do Sul, em 1990.

Ngondi KamatukaDireito de imagemCORTESIA NGONDI KAMATUKA
Image captionNgondi Kamatuka quer pedido oficial de desculpa dos alemães

“Os povos herero e nama exigem um pedido de desculpas oficial do povo alemão, emitido pelo Parlamento. O Parlamento deve pedir perdão de forma inequívoca pelos crimes cometidos em nome do imperador (o kaiser Guilherme)”, afirma Kamatuka.

Um dos temas mais complicados é o de uma possível indenização.

A Alemanha se recusa a falar sobre reparações e propõe oferecer compensações por meio de projetos de infraestrutura e ajuda financeira para a Namíbia.

“Quando um criminoso comete um delito, ele não tem direito a escolher as consequências”, discorda Kamatuka.

Ativistas pedem para participar direamente das negociações e dizem desconfiar do que o governo da Namíbia, dominado por outro grupo étnico, o ovambo, fará com eventuais fundos repassados.

Alguns observadores ressaltam que a negociação direta com grupos étnicos e discutir reparações faria com que a Alemanha reconhecesse culpa com base na convenção da ONU contra o genocídio.

Indenizações

Kamatuka diz que as vítimas africanas mereciam o mesmo tipo de indenização individual que as do Holocausto.

Representantes da Namíbia no Memorial do Holocausto, em BerlimDireito de imagemCORTESIA REINHART KOESSLER
Image captionRepresentantes da Namíbia no Memorial do Holocausto em Berlim, em 2011; as representantes foram à capital alemã na ocasião da repatriação de 20 crânios de vítimas herero, devolvidos por um hospital do país europeu
Ruprecht PolenzDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO principal negociador alemão, Ruprecht Polenz, disse à imprensa que seu país usará o termo ‘genocídio’, mas descartou categoricamente a indenização de familiares de vítimas

“O número de mortos no Holocausto e na Namíbia não é comparável, mas o que fizeram com nosso povo foi igualmente brutal”.

Segundo o jornal The New York Times, Ruprecht Polenz, o representante alemão nas negociações, assegurou que seu país usará o termo genocídio.

Mas em entrevista a uma rádio alemã, ele disse que, na visão do governo, o uso do termo não incorre em obrigações legais, mas sim morais e políticas de “sanar as feridas”.

À BBC Mundo, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha afirmou que as negociações ocorrem desde 2014 “em busca de um enfoque comum sobre esses eventos dolorosos”.

“Espera-se que um dos resultados desse diálogo seja uma linguagem comum em relação a esses eventos históricos, assim como um pedido de desculpas da Alemanha e a aceitação dessas desculpas pela Namíbia.”

Ngondi Kamatuka afirma que “se Alemanha tomar a posição de não nos indenizar, pensaremos que não querem fazê-lo porque, ao contrário das vítimas da Segunda Guerra Mundial, nós temos a pele negra”.

O representante herero, que vive nos EUA, diz que fundos pagos pela Alemanha poderiam ser usados na compra de “terras roubadas dos herero e dos nama, que hoje vivem em pobreza espantosa”.

Mulher herero em frenta a uma casa, ao lado de um meninoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAtivistas querem recuperar terras perdidas por nativos
Mulher hereroDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionSegundo Kamatuka, as duas etnias ocupavam 70% das terras

Segundo o ativista, esses grupos étnicos ocupavam “cerca de 70% das terras” antes da chegada dos alemães.

“Hoje ainda temos muitos proprietários de terra que só vão à Namíbia para caçar. Fomos pacientes e jamais invadimos suas fazendas, mas as indenizações permitiriam comprar algumas dessas terras para combater a miséria de nosso povo.”

Genocídio esquecido

Para Koessler, há uma “amnésia colonial” na Alemanha que deve ser combatida. Na sua opinião, esse passado colonial está relacionado aos eventos trágicos mais conhecidos da história do país.

Postal mostrando crânicos de vítimas hereroDireito de imagemREINHART KOESSLER
Image captionAs mortes de nativos foram divulgadas na Alemanha em gravuras como esta

“Os perpetradores de muitos genocídios no século 20 tentaram ocultá-los, mas o caso da Namíbia foi algo muito público”, afirma Koessler.

“A proclamação do general Von Trotha foi debatida em público e postais com ilustrações de atrocidades circulavam (pela Alemanha). Inclusive um que mostrava crânios sendo embalados, com o comentário de que mulheres herero foram obrigadas a limpá-los com cacos de vidro.”

“Um autor da época, Gustav Frenssen, descreveu os testemunhos de soldados que participaram da repressão, e afirmou que o que ocorreu com a população negra era justificado por uma lei divina.”

Koessler conta que um livro de Frenssen, A Viagem de Peter Moors ao Sudoeste Africano, legitimizando o genocídio, foi usado em escolas e cópias foram dadas aos soldados que iam ao front.

Relação com o Holocausto?

“Claro que não podemos falar de uma linha causal com o Holocausto. Mas, na minha opinião, essa mobilização de nacionalismo e a exposição pública das atrocidades combinaram para baixar o nível do que era aceitável em termos do que seres humanos podem fazer uns aos outros. De certa forma, contribuíram para o que ocorreu nas décadas seguintes e levou ao Holocausto”, avalia Koessler.

Fotógrafos em frente a crânios em caixas de vidroDireito de imagemGETTY IMAGES
Image caption20 crânios enviados à Alemanha para estudos foram devolvidos em 2011 à Namíbia por um hospital de Berlim

Para o jornalista americano Edwin Black, a matança na Namíbia “estabeleceu um padrão” para o Holocausto.

Em um artigo recente, ele cita vários exemplos. Um dele é o caso de Eugen Fischer, médico nazista cujas pesquisas sobre diferenças raciais tiveram início na Namíbia.

“A entrada do termo campo de concentração no vocabulário alemão teve início com o estabelecimento de campos para hereros”, completa Black.

Hermann Goering, que estava apenas abaixo de Adolf Hitler na hierarquia nazista, era filho de Heinrich Goering, primeiro governador alemão na Namíbia.

Herança

Para Reinhart Koessler, é importante que alemães mais jovens saibam o que ocorreu – o ensino de história na Alemanha é “muito eurocêntrico”, diz.

Filas de lápides de soldados alemães
Image captionCemitério alemão na Namíbia tem filas de lápides para soldados alemães…
Placa no cemitérioDireito de imagemGETTY IMAGES
Image caption…mas apenas uma placa para lembrar vítimas herero.

“Na minha opinião, o Parlamento deve pedir desculpas pelo genocídio, e deve haver consequências materiais.”

Já Kamatuka queixa-se da ausência de monumentos em homenagem às vítimas das atrocidades na Namíbia.

“Não se fala do genocídio nos livros escolares da Alemanha e da Namíbia”, diz.

“Os jovens herero e nama precisam saber do genocídio contra seu povo. Para que saiba quem são, de onde vêm e como navegar seu futuro.”

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38554223?ocid=socialflow_facebook

Suspeito de ataque em Berlim é morto por polícia na Itália; o que se sabe até agora

O suspeito pelo ataque em Berlim foi morto pela polícia na Itália, confirmou nesta sexta-feira o ministro do Interior do país, Marco Minniti.

Anis Amri foi abordado durante uma patrulha de rotina na região de Sesto San Giovanni, em Milão, por volta das 3h locais (meia-noite do Brasil).

Ele “pegou uma arma imediatamente” e atirou, disse Minniti. O policial Cristian Movio ficou ferido no ombro e não corre risco de morte. Seu colega, Luca Scata, que está na polícia há nove meses, foi quem disparou contra Amri, matando-o.

Segundo as autoridades italianas, as digitais do homem morto correspondem às colhidas dentro do caminhão usado no ataque ao mercado de Natal em Berlim na segunda-feira.

A agência de notícias Ansa informou que Amri teria viajado até à França e, uma vez, pego para Turim e depois embarcado em outra composição para Milão.

Cristian Movio no hospitalImage copyrightPOLIZIA DI STATO
Image captionPolicial italiano ficou ferido no ombro durante abordagem do suspeito

Desde o atentado, uma megaoperação policial estava em curso nos países europeus que fazem parte do chamado Espaço Schengen, zona de livre circulação que abrange grande parte da União Europeia, além de Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

O atentado ocorreu na noite de segunda-feira e deixou 12 mortos e 49 feridos, 18 deles em estado grave.

Abaixo, algumas perguntas e respostas sobre o atentado:

1. Quem é o suspeito?

O suspeito do ataque em Berlim foi identificado como o tunisiano Anis Amri, de 24 anos ─ o visto de residência dele foi encontrado na cabine do caminhão.

Polícia e corpo coberto na rua foto (AP Photo/Daniele Bennati)Image copyrightAP PHOTO/DANIELE BENNATI
Image captionSuspeito foi morto pela polícia após tiroteio na madrugada em Milão

Ele havia sido preso na Itália por vandalismo e roubo em 2011 e tinha um comportamento violento enquanto estava atrás das grades. Depois de solto, foi exigido que ele deixasse o país.

Fontes na Justiça alemã afirmaram que Amri, que teria entrado no país no ano passado, chegou a ser monitorado em Berlim entre março e setembro por suspeita de planejar um roubo para pagar por armas automáticas que usaria em um ataque. Mas o monitoramento teria sido suspenso por falta de provas.

A imprensa alemã informou que Amri solicitou asilo na Alemanha em abril deste ano e recebeu uma permissão de permanência temporária. O pedido acabou sendo rejeitado, mas não foi possível deportá-lo para a Tunísia, porque ele não tinha documentos de identificação válidos.

Amri também seria conhecido por usar seis nomes falsos e tentado se passar como egípcio ou libanês. De acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung, o suspeito faria parte do círculo de um clérigo islâmico radical, Ahmad Abdelazziz A., conhecido como Abu Walaa, que foi preso em novembro.

Câmera em painel de táxi flagra momento de ataque com caminhão em Berlim

Um alerta sobre Amri foi emitido na quarta-feira após seus documentos de imigração terem sido achados dentro da cabine do caminhão.

Seu irmão, Abdelkader Amri, que vive na Tunísia, afirmou à agência de notícias AFP não ter acreditado quando viu o rosto dele no noticiário. “Estou em choque e não posso acreditar que ele cometeu esse crime. Se ele for culpado, merece pagar por isso.”

O pai de Amri e forças de segurança afirmaram a uma rádio da Tunísia que o suspeito deixou há sete anos o país, onde também havia sido condenado a cinco anos de prisão à revelia na Tunísia por suposto roubo agravado com violência.

Na terça-feira, a polícia soltou o único suspeito até então ─ que, segundo a imprensa local, seria um paquistanês de 23 anos identificado como Naved B.

Ele havia solicitado refúgio no país no ano passado. Segundo autoridades, não havia provas concretas contra ele.

2. O que aconteceu?

Por volta das 20h15 (horário local) de segunda-feira, um caminhão avançou contra o público em um dos mais movimentados mercados de Natal de Berlim, em Breitscheidplatz, perto do boulevard Kurfürstendamm, a principal rua comercial do centro da cidade.

Pessoas deixam flores no mercado de Natal em que 12 pessoas foram mortas por um caminhão (Foto de Michele Tantussi/Getty Images)Image copyrightMICHELE TANTUSSI
Image captionPessoas deixaram flores no mercado de Natal em que 12 pessoas foram mortas pelo caminhão

O local fica ao lado da ruína da igreja Kaiser Wilhelm, que foi bombardeada durante a 2ª Guerra Mundial e preservada como um símbolo dos horrores do conflito.

O caminhão de 25 toneladas carregava vigas de aço e teria arrastado tudo o que cruzou pela frente por cerca de 50 a 80 metros.

3. Como o autor do atentado conseguiu tomar o controle do caminhão?

A polícia acredita que Amri sequestrou o caminhão na tarde de segunda-feira dentro de uma zona industrial no noroeste de Berlim.

O motorista do caminhão, identificado como o polonês Lukasz Urban, parou ali depois de uma entrega ter sido adiada.

Dados do GPS do veículo mostram pequenos movimentos, “como se alguém estivesse aprendendo a dirigi-lo”, antes de deixar a área às 19h40 (hora local), em direção ao mercado de Natal.

O corpo de Urban foi encontrado no banco do carona com tiros e ferimentos a faca. Investigadores citados pela imprensa alemã dizem que o motorista lutou com o agressor pelo comando do volante.

Um deles afirmou ao tabloide Bild que a necropsia parece revelar que Urban sobreviveu às facadas, mas foi morto a tiros quando o caminhão parou. Nenhuma arma foi achada no local.

O procurador federal alemão Peter Frank disse que o foco da investigação agora é estabelecer se Amri tinha uma rede de apoio que o ajudou a executar seu plano e fugir.

Os investigadores também estão tentando verificar se a arma usada no confronto em Milão é a mesma empregada para matar o motorista polonês.

4. Alguém reivindicou a autoria do atentado?

Sim, o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI). Segundo a organização jihadista, um de seus “soldados” realizou o ataque “em resposta às convocações para atingir cidadãos dos países que fazem parte da coalizão” que combate o EI.

Nour al Houda em Oueslatia, na TunísiaImage copyrightMOHAMED MESSARA
Image captionNour Al Houda segura foto de filho, Anis Amri, suspeito de dirigir caminhão que matou 12 pessoas em Berlim

O EI controla partes dos territórios da Síria e do Iraque. No entanto, o grupo não deu provas nem identificou o autor do atentado.

Mas o procurador Peter Frank afirmou a jornalistas que o estilo do ataque e a escolha do alvo sugerem relação com o extremismo islâmico.

5. Foi o primeiro ataque do tipo?

Esse é o quinto ataque na Alemanha neste ano ─ os quatro primeiros ocorreram ao longo de apenas uma semana em julho passado.

No dia 18 daquele mês, um adolescente afegão refugiado no país atacou um trem, deixando cinco feridos antes de ser morto. Quatro dias depois, um adolescente alemão descendente de iranianos matou nove pessoas a tiros em Munique antes de se suicidar.

No dia 24, um refugiado sírio de 21 anos matou uma mulher com uma machadinha e deixou cinco feridos antes de fugir e ser preso. Algumas horas depois, um sírio de 27 anos – que teve de pedido de asilo negado – explodiu a si mesmo do lado de um bar. Quinze pessoas se feriram.

Serviços de segurança afirmaram que os ataques não tinham ligação entre si e que não é possível dizer que o ataque do dia 22 daquele mês foi um ato terrorista, já que motivações políticas foram descartadas.

O incidente de segunda-feira em Berlim evocou lembranças do ataque com um caminhão no Dia da Bastilha em Nice, na França, em 14 de julho, quando 86 pessoas foram mortas. Na época, o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico também reivindicou a autoria do atentado.

Tanto o EI quanto a Al-Qaeda tinham instruído seus seguidores publicamente a usarem caminhões em ataques contra multidões.

6. Como tem sido a política da Alemanha com os refugiados?

A tensão vem aumentando desde os ataques cometidos em julho. Existe a preocupação de que ao alto influxo de refugiados pode permitir a entrada de combatentes extremistas.

Caminhão usado no ataque na capital alemãImage copyrightEPA
Image captionCaminhão avançou sobre pessoas que estavam em um mercado de Natal no boulevard Kurfürstendamm, um dos mais movimentados de Berlim

A chanceler Angela Merkel disse estar “em choque e muito triste”, mas acrescentou: “Não queremos viver com medo do mal, senão os inimigos da liberdade já terão vencido”.

Autoridades disseram que o ataque a um mercado de Natal é “simbólico”, mas afirmaram ser impossível transformar esses locais em “fortalezas” para protegê-los de novas ações do gênero.

O Ministério Público afirmou ainda não ser possível prevenir todo e qualquer tipo de ataque e que se deve esperar por ações semelhantes no futuro.

Merkel afirmou que seria “especialmente repugnante” se o autor do ataque fosse uma pessoa “que pediu proteção e refúgio à Alemanha” e prometeu aplicar “as penas mais duras permitidas pela lei” para punir os responsáveis.

A chanceler instituiu no país uma política de abertura para imigrantes. No ano passado, 890 mil refugiados em busca de asilo chegaram à Alemanha. Críticos à medida disseram que ela era um risco à segurança.

Marcus Pretzell, membro do partido populista de direita AfD, que defende políticas anti-imigração, culpou Merkel e sua política pelo ataque.

Por sua vez, Horst Seehofer, líder do CSU, partido-irmão da legenda de Merkel na Baviera, pediu que a chanceler “repense e mude sua política de imigração e segurança” após o ocorrido na segunda-feira.

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38377238

A Alemanha se Curva à Lei da Sharia

“Um Sistema de Justiça Paralela se Estabeleceu na Alemanha”.

por Soeren Kern

  • Um tribunal alemão deliberou que sete islamitas que formavam uma patrulha de justiceiros para fazer valer a Lei Islâmica (Sharia) nas ruas de Wuppertal não infringiram a lei alemã e que estavam simplesmente exercendo o seu direito à liberdade de expressão. A decisão “politicamente correta”, que pode ser contestada, autoriza, na prática, a Polícia da Sharia a continuar aplicando a Lei Islâmica em Wuppertal.
  • A autoproclamada “Polícia da Sharia” distribuiu folhetos informando sobre a implantação de uma “zona controlada pela Sharia” em Wuppertal. Os policiais exortavam transeuntes, tanto muçulmanos quanto não-muçulmanos, a frequentarem as mesquitas e se absterem de consumir bebidas alcoólicas, cigarros e drogas, de participarem de jogos de azar, de se entreterem com música, pornografia e prostituição.
  • Os críticos dizem que os casos – especialmente aqueles em que a lei alemã ocupa uma posição secundária em relação à Lei da Sharia – refletem uma perigosa ingerência da lei islâmica no ordenamento jurídico alemão.
  • Em junho de 2013 um tribunal em Hamm ordenou que aquele que contrair um casamento de acordo com a lei islâmica em um país muçulmano e mais tarde quiser se divorciar na Alemanha deverá obedecer os termos originais estabelecidos pela Lei Islâmica (Sharia). A decisão histórica legalizou, de fato, a prática da “tripla talaq” da Sharia na qual se obtém o divórcio ao recitar três vezes a frase “eu me divorcio de você”.
  • Um número cada vez maior de muçulmanos na Alemanha está conscientemente contornando por completo os tribunais alemães, decidindo suas diferenças nos tribunais informais da Sharia que proliferam ao redor do país.
  • “Se o Estado de Direito não conseguir estabelecer a sua autoridade e exigir respeito, então pode imediatamente declarar a sua falência” − Franz Solms-Laubach, correspondente político do jornal Bild.

Um tribunal alemão deliberou que sete islamitas que formavam uma patrulha de justiceiros para fazer valer a Lei Islâmica (Sharia) nas ruas de Wuppertal não infringiram a lei alemã e que estavam simplesmente exercendo o seu direito à liberdade de expressão.

A decisão, que efetivamente legitima a Lei da Sharia na Alemanha, faz parte de um número crescente de casos em que os tribunais alemães estão – intencionalmente ou não – promovendo o estabelecimento de um sistema jurídico islâmico paralelo no país.

A autoproclamada “Polícia da Sharia” provocou uma reação de comoção popular em setembro de 2014, quando os policiais da Sharia distribuíram folhetos amarelos informando sobre a implantação de uma “zona controlada pela Sharia” no Distrito de Elberfeld em Wuppertal. Os policiais exortavam transeuntes, tanto muçulmanos quanto não-muçulmanos, a frequentarem as mesquitas e se absterem de consumir bebidas alcoólicas, cigarros e drogas, de participarem de jogos de azar, de se entreterem com música, pornografia e prostituição.

Um tribunal alemão deliberou que um grupo de islamitas que formava uma patrulha de justiceiros para fazer valer a Lei Islâmica (Sharia) nas ruas de Wuppertal não violou uma lei alemã e que estavam simplesmente exercendo o seu direito à liberdade de expressão. Eles foram acusados segundo uma lei que proíbe o uso de uniformes em comícios públicos – uma lei que originalmente foi concebida para proibir grupos neonazistas de participarem de passeatas em público.

Os justiceiros são seguidores do salafismo, uma ideologia antiocidental virulenta que busca abertamente substituir a democracia na Alemanha (e em outros lugares) por um governo islâmico baseado na Lei Islâmica (Sharia).

A ideologia salafista postula que a Lei Islâmica (Sharia) está acima da lei ordinária, secular, porque ela emana de Alá, o único legislador legítimo e, portanto, com força de lei eterna para toda a humanidade. De acordo com a visão de mundo salafista, a democracia é um esforço com o objetivo de alçar a vontade dos seres humanos num patamar acima da vontade de Alá, sendo portanto uma forma de idolatria que deve ser rejeitada. Em outras palavras, a Lei Islâmica (Sharia) e a democracia são incompatíveis.

O prefeito de Wuppertal Peter Jung afirmou esperar que a polícia aja com firmeza contra os islamistas: “a intenção dessas pessoas é provocar, intimidar e forçar que os outros aceitem sua ideologia. Nós não vamos permitir isso”.

A chefe de polícia de Wuppertal Birgitta Radermacher ressaltou que a “pseudo polícia” representava uma ameaça ao Estado de Direito e que apenas policiais contratados e indicados pelo Estado têm o direito legítimo de atuar como policiais na Alemanha. Ela ainda salientou:

“O monopólio do poder pertence exclusivamente ao Estado. Qualquer tipo de comportamento que intimide, ameace ou provoque não será tolerado. EstesPoliciais da Sharia não são legítimos. Ligue 110 (polícia) quando você vir essas pessoas.”

O Promotor de Justiça de Wuppertal Wolf-Tilman Baumert argumentou que os homens que usavam coletes laranja estampados com os dizeres “SHARIAH POLICE”, infringiram uma lei que proíbe o uso de uniformes em comícios públicos. A lei que proíbe, em especial, o uso de uniformes que expressam opiniões políticas, foi originalmente concebida para impedir que grupos neonazistas fizessem passeatas em público. Segundo Baumert, os coletes são ilegais porque provocam um efeito “deliberado, intimidador e militante”.

No entanto, em 21 de novembro de 2016, o Tribunal Distrital de Wuppertal deliberou que tecnicamente os coletes não são uniformes e que, de qualquer maneira, não representavam uma ameaça. O tribunal determinou que as testemunhas e os que por lá passavam não poderiam ter se sentido intimidados por aqueles homens e que processá-los seria infringir a liberdade de expressão deles. A decisão “politicamente correta”, que pode ser contestada, autoriza na prática a Polícia da Sharia a continuar aplicando a Lei Islâmica em Wuppertal.

Tribunais Alemães e Lei da Sharia

Os tribunais alemães estão cada vez mais acatando a lei islâmica porque tanto os autores quanto os acusados são muçulmanos. Os críticos dizem que os casos – especialmente aqueles em que a lei alemã ocupa uma posição secundária em relação à Lei da Sharia – refletem a perigosa ingerência da lei islâmica no ordenamento jurídico alemão.

Em maio de 2016 um Tribunal de Apelação em Bamberg reconheceu o casamento de uma menina síria de 15 anos com seu primo de 21. O tribunal deliberou que o casamento era válido porque foi contraído na Síria, onde esse tipo de casamento é permitido de acordo com a Lei Islâmica (Sharia), que não determina a idade mínima para o casamento. A deliberação legaliza, para todos os efeitos, a Sharia no tocante ao casamento de menores de idade na Alemanha.

O caso emergiu depois que o casal chegou a um abrigo para refugiados em Aschaffenburg em agosto de 2015. A Fundação do Bem-Estar do Menor (Jugendamt) se recusou a reconhecer o casamento e separou a menina do marido. O casal entrou com uma ação na justiça e uma vara de família deliberou a favor da Fundação, que alegou ser a responsável legal pela menina.

O tribunal de Bamberg revogou a sentença. Foi determinado que, de acordo com a Lei Islâmica (Sharia), o casamento era válido porque ele já tinha sido consumado e que, assim sendo, a Fundação do Bem-Estar do Menor não tinha nenhuma autoridade legal para separar o casal.

A decisão — que já foi descrita como um “curso intensivo sobre a lei de casamento islâmico sírio” — foi o estopim que deu início a uma explosão de controvérsias. Alguns acusaram o tribunal de Bamberg de aplicar a lei da Sharia em detrimento da lei alemã ao legalizar uma prática proibida na Alemanha.

Os críticos da decisão apontam para o Artigo 6 da Lei de Introdução ao Código Civil Alemão (Einführungsgesetz zum Bürgerlichen Gesetzbuche, EGBGB), que determina:

“A norma jurídica de outro país não deve ser aplicada quando o seu emprego resultar em um efeito indubitavelmente incompatível com os princípios fundamentais do direito alemão. Em particular, não é pertinente se o seu emprego for incompatível com os direitos fundamentais.”

Esta condição é normalmente ignorada, no entanto, ao que tudo indica, para se alinhar ao interesse da correção política e do multiculturalismo. Aliás, a Lei Islâmica (Sharia) vem invadindo o sistema jurídico alemão praticamente sem obstáculos por quase duas décadas. A seguir, alguns exemplos:

  • Em agosto de 2000 um tribunal de Kassel ordenou a uma viúva que dividisse a pensão do falecido marido marroquino com outra mulher com quem ele também era casado. Embora a poligamia seja ilegal na Alemanha, o juiz determinou que as duas mulheres deviam dividir a pensão, em conformidade com a legislação marroquina.
  • Em março de 2004 um tribunal de Koblenz concedeu à segunda esposa de um iraquiano que morava na Alemanha o direito de permanecer para sempre no país. O tribunal deliberou que após cinco anos de casamento poligâmico na Alemanha, seria injusto esperar que ela voltasse para o Iraque.
  • Em março de 2007 uma juíza em Frankfurt citou o Alcorão em um caso de divórcio envolvendo uma mulher alemã-marroquina que vinha sendo recorrentemente espancada pelo marido marroquino. Apesar da polícia ter ordenado que o homem ficasse longe da esposa com a qual não vivia mais sob o mesmo teto, ele continuou a abusar dela e num determinado momento ameaçou matá-la. A Juíza Christa Datz-Winter recusou-se a conceder o divórcio. Ela citou a Surata 4, Versículo 34 do Alcorão, que justifica “tanto o direito do marido de fazer uso do castigo físico contra a esposa desobediente quanto a instituição da superioridade do marido sobre a mulher”. A juíza acabou sendo afastada do caso.
  • Em dezembro de 2008 um tribunal em Düsseldorf determinou que um turco pagasse um dote de €30.000 (US$32.000) à sua ex-nora, de acordo com a Lei da Sharia.
  • Em outubro de 2010 um tribunal em Colônia deliberou que um iraniano pagasse à sua ex-esposa um dote de €162.000 (US$171.000), valor atual equivalente a 600 moedas de ouro, de acordo com o contrato original de casamento, segundo a Sharia.
  • Em dezembro de 2010 um tribunal em Munique deliberou que uma viúva alemã tinha o direito a apenas um quarto do patrimônio deixado pelo seu falecido marido, que nasceu no Irã. O tribunal destinou os outros três quartos dos bens aos parentes do marido em Teerã, em conformidade com a Lei da Sharia.
  • Em novembro de 2011 um tribunal em Siegburg permitiu que um casal iraniano se divorciasse duas vezes, primeiro por um juiz alemão de acordo com a lei alemã e depois por um clérigo iraniano de acordo com a Lei da Sharia. A diretora do Tribunal do Distrito de Siegburg Birgit Niepmann, realçou que a cerimônia da Sharia “era um serviço do tribunal”.
  • Em julho de 2012 um tribunal em Hamm ordenou um iraniano a pagar à esposa, com a qual não vivia mais sob o mesmo teto, um dote como parte de um acordo de divórcio. O caso envolveu um casal que contraiu matrimônio de acordo com a Lei Islâmica (Sharia) no Irã, migraram para a Alemanha e depois se separaram. Fazia parte do acordo de casamento original a promessa do marido de pagar à esposa um dote de 800 moedas de ouro mediante solicitação. O tribunal ordenou que o marido pagasse à mulher €213.000 (US$225.000), valor equivalente atual das moedas.
  • Em junho de 2013 um tribunal em Hamm ordenou que aquele que contrair um casamento de acordo com a lei islâmica em um país muçulmano e mais tarde quiser se divorciar na Alemanha deverá obedecer os termos originais estabelecidos pela Lei Islâmica (Sharia). A decisão histórica legalizou, de fato, a prática da “tripla talaq” da Sharia na qual se obtém o divórcio ao recitar três vezes a frase “eu me divorcio de você”.
  • Em julho de 2016 um tribunal em Hamm ordenou a um libanês que pagasse à esposa, com a qual não vivia mais sob o mesmo teto, um dote como parte de um acordo de divórcio. O caso envolveu um casal que contraiu matrimônio de acordo com a Lei Islâmica (Sharia) no Líbano, migraram para a Alemanha e depois se separaram. Fazia parte do acordo de casamento original a promessa do marido de pagar à esposa um dote de US$15.000. O tribunal alemão ordenou que o marido pagasse à mulher o valor equivalente em Euros.

Em entrevista concedida ao Spiegel Online, o especialista em Islã Mathias Rohe assinalou que a existência de estruturas jurídicas paralelas na Alemanha é uma “expressão da globalização”. Ele acrescentou: “nós aplicamos a lei islâmica, da mesma maneira que aplicamos a lei francesa”.

Tribunais da Sharia na Alemanha

Um número cada vez maior de muçulmanos na Alemanha está conscientemente contornando por completo os tribunais alemães, decidindo suas diferenças nos tribunais informais da Sharia que proliferam ao redor do país. De acordo com uma estimativa, cerca de 500 juízes que adotam a Sharia agora estão regulamentando as altercações civis entre muçulmanos na Alemanha – um desdobramento que aponta para o estabelecimento de um sistema de justiça islâmica paralela no país.

Uma das principais razões para a proliferação dos tribunais da Sharia é que a Alemanha não reconhece a poligamia ou casamentos envolvendo menores.

O Ministério do Interior da Alemanha, respondendo a um pedido com base na Lei de Liberdade de Informação, recentemente revelou que, segundo consta, 1.475 menores de idade casados residem na Alemanha desde 31 de julho de 2016 – incluindo 361 crianças com menos de 14 anos de idade. Acredita-se que o verdadeiro número de casamentos infantis na Alemanha é bem maior do que indicam as estatísticas oficiais, porque muitos são mantidos em segredo.

A poligamia, embora ilegal segundo a lei alemã, é lugar comum entre os muçulmanos em todas as grandes cidades alemãs. Em Berlim, por exemplo, estima-se que um terço dos homens muçulmanos que residem no bairro Neukölln tem duas ou mais esposas.

Segundo uma revelação transmitida pela RTL, uma das principais empresas de mídia da Alemanha, homens muçulmanos que residem na Alemanha normalmente se aproveitam do sistema de assistência social trazendo duas, três ou quatro mulheres do mundo muçulmano para a Alemanha e se casam com elas na presença de um clérigo muçulmano. Uma vez na Alemanha, as mulheres solicitam os benefícios do sistema de bem-estar social, inclusive o custeio de uma casa separada para si e seus filhos, sob a alegação de serem “mães solteiras”.

Muito embora a fraude cometida pelos imigrantes muçulmanos não seja “segredo para ninguém”, custando aos contribuintes alemães milhões de euros a cada ano, as agências governamentais relutam em tomar medidas devido à correção política, segundo a RTL.

A chanceler Angela Merkel, certa vez declarou que os muçulmanos devem obedecer a Constituição e não a Lei Islâmica (Sharia) se quiserem viver na Alemanha. Mais recentemente o Ministro da Justiça Heiko Maas ressaltou:

“Ninguém que vem para o nosso país tem o direito de colocar os seus valores culturais ou crenças religiosas acima da nossa lei. Todos devem respeitar a lei, não importa se cresceram aqui ou acabaram de chegar.”

Na prática porém os líderes alemães toleraram e continuam tolerando um sistema de justiça islâmico paralelo, que permite aos muçulmanos fazerem justiça com as próprias mãos, muitas vezes com trágicas consequências.

Em 20 de novembro de 2016, por exemplo, um alemão-curdo de 38 anos de idade na Baixa Saxônia amarrou uma corda na traseira do seu carro e a outra extremidade ao redor do pescoço de sua ex-esposa. Em seguida ele a arrastou pelas ruas de Hameln. A mulher, que sobreviveu, permanece em estado crítico.

A revista semanal, Focus, reportou que o homem era um “muçulmano extremamente religioso que se casou e se divorciou da mulher, de acordo com a Lei Islâmica (Sharia)”. Ela acrescentou: “segundo o direito alemão, no entanto, os dois não eram casados”. O jornal Bildrelatou que o homem era casado “uma vez segundo a lei alemã e quatro vezes segundo a Lei da Sharia”.

O crime que novamente chamou a atenção para o problema da justiça da Sharia na Alemanha, alarmou alguns membros do establishment político e da mídia.

Wolfgang Bosbach, da União Democrata Cristã (CDU), ora no poder salientou: mesmo que alguns se recusem a admitir, um sistema de justiça paralelo se estabeleceu na Alemanha. Este desdobramento mostra uma clara rejeição aos nossos valores e à ordem jurídica.”

Em 23 de novembro o Bild, jornal de maior circulação na Alemanha, alertou que o país estava “capitulando à Lei Islâmica (Sharia)”. Em uma “Reportagem Especial sobre a Sharia” ele afirmou:

“O acordo da coalizão de 2013 entre a CDU e os Social-Democratas rezava:”queremos fortalecer o monopólio legal do estado. Nós não vamos tolerar a justiça ilegal paralela. Mas tudo ficou no mesmo”.

Em um comentário Franz Solms-Laubach, correspondente político do Bild, salientou:

“Ainda que nós nos recusemos a acreditar: regiões da Alemanha são governadas pela Lei Islâmica (Sharia)! Poligamia, casamentos infantis, juízes da Sharia – por demasiado tempo não tem sido aplicado o Estado de Direito alemão. Muitos políticos sonharam com o multiculturalismo …

“Não se trata de uma questão de folclore ou de costumes e tradições estrangeiros. É uma questão de lei e ordem.

“Se o Estado de Direito não conseguir estabelecer a sua autoridade e exigir respeito, então pode imediatamente declarar a sua falência”.

Soeren Kern é colaborador sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque. Ele também é colaborador sênior do European Politics do Grupo de Estudios Estratégicos / Strategic Studies Group sediado em Madri. Siga-o no Facebook e no Twitter.

https://pt.gatestoneinstitute.org/9520/alemanha-curva-sharia

Alemanha deportará mais de 12.500 afegãos

Governo considera que atual situação em algumas regiões do Afeganistão não representa riscos à segurança. País foi palco de série de ataques na última semana, inclusive a um consulado alemão.

Mais de 12.500 afegãos que tiveram pedido de asilo negado pela Alemanha deverão ser deportados para o Afeganistão, revela reportagem publicada nesta quinta-feira (17/11) por um jornal alemão. O governo justifica a medida por considerar que grande parte do país não representa mais riscos para a segurança.

No total, 12.539 afegãos deverão voltar para sua terra natal, segundo o diário Neue Osnabrücker Zeitung. O número representa 5% dos quase 247 mil cidadãos de origem afegã que vivem atualmente na Alemanha.

Como justificativa, o Ministério do Interior alemão alegou que a segurança está garantida nos grandes centros do Afeganistão. “Levando em consideração o país como um todo, não pôde ser detectada nenhuma deterioração da situação de segurança”, informou o órgão, citado pelo diário.

O Ministério do Interior também acrescentou que a Bamf, agência de migração e refugiados, avalia cada pedido de asilo individualmente e quais são os riscos oferecidos aos requerentes. Ainda segundo a reportagem, 27 afegãos com asilo negado foram repatriados em 2016, em contraste com nove no ano anterior.

A deputada Ulla Jelpke , do partido A Esquerda, pediu ao governo que pare de enviar refugiados de volta para o “país colapsado por uma guerra civil”. Segundo ela, tais deportações representam “um alto risco de vida e são completamente irresponsáveis”.

Nos últimos dias, uma série de ataques ilustrou a situação em que se encontra o Afeganistão: há exatamente uma semana, militantes do Talibã atacaram o consulado alemão em Masar-i-Scharif, deixando seis mortos e quase 130 feridos; no sábado, um ataque reivindicado por radicais islâmicos na base militar dos Estados Unidos em Bragram matou quatro americanos; e por último, na quarta-feira, um atentado suicida na capital Cabul deixou seis vítimas.

http://www.dw.com/pt-br/alemanha-deportar%C3%A1-mais-de-12500-afeg%C3%A3os/a-36423844

Grupo salafista banido na Alemanha atua no sul do Brasil

Organização “A Religião Verdadeira”, acusada de propagar radicalismo no país europeu, promove distribuição de exemplares do Alcorão em Florianópolis. Campanhas semelhantes já foram realizadas em 15 países.O grupo salafista “A Religião Verdadeira” (DWR, na sigla em alemão), que foi alvo de uma megaoperação policial na Alemanha nesta terça-feira (15/11) e acabou sendo oficialmente banido por ordem do governo, atua no Brasil desde junho deste ano.

A página do grupo no Facebook mostra que o líder da organização, o palestino naturalizado alemão Ibrahim Abou-Nagie, esteve em julho no país e participou de uma distribuição de exemplares do Alcorão nas ruas de Florianópolis.

A DWR começou a ganhar notoriedade na Alemanha a partir de 2011, quando Abou-Nagie lançou o projeto “Leia!” (“Lies!”, em alemão) para distribuir 25 milhões de cópias do Alcorão no país. Nos últimos anos, tornou-se comum ver voluntários do grupo (sempre do sexo masculino) distribuindo exemplares nas zonas de pedestres de cidades alemãs ao lado de cartazes que diziam: “Leia! A verdadeira palavra do teu Senhor!”.

Expansão para o Brasil

De acordo com a página brasileira do grupo no Facebook, a estratégia de distribuição na Alemanha foi exportada para Florianópolis. Fotografias mostram voluntários distribuindo exemplares em zona de pedestres da capital catarinense. A estrutura, os cartazes e as camisetas usadas pelos voluntários são exatamente os mesmos dos usados na Alemanha. A única adaptação foi a tradução dos slogans originalmente em alemão.

Fotografias mostram que os primeiros exemplares foram distribuídos no centro da capital na metade julho. A última campanha ocorreu no último sábado. Em uma das ações, o próprio Abou-Nagie, de 52 anos, que está com paradeiro desconhecido após as ações policiais desta terça-feira, participou dos esforços de distribuição.

Em um vídeo publicado na página, Nagie, fala em alemão sobre a expansão do seu projeto em Florianópolis.

“Estamos começando aqui. É uma cidade muito bonita”, diz. Ele então pergunta para um homem ao seu lado, também alemão, se ele já havia imaginado que estaria no Brasil promovendo o projeto. O homem diz que não. Abou-Nagie então afirma: “Eu também nunca imaginei. Mas essa é a vontade de Alá. (…) Enfrentamos um voo de 17 horas, mas por Alá isso é um prazer.”

Em seguida, um representante brasileiro usa a câmera para falar da organização. “Este é um projeto que teve início na Alemanha e se expandiu para a Europa. É um projeto que teve um retorno muito bom. Cerca de 360 mil pessoas aderiram ao islã após conhecerem a verdade. Estamos agora iniciando aqui em Florianópolis.”

A DW entrou em contato com representantes do projeto “Leia!” no Brasil, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Além do Brasil, recentemente a DWR promoveu campanhas de distribuição do Alcorão num total de 15 países, incluindo França, Reino Unido, Suécia e Áustria.

Salafistas na Alemanha

A cena salafista, da qual a DWR faz parte, está em expansão na Alemanha. Segundo dados do governo, o movimento contava com 3.800 membros em 2011. Em julho de 2016, eram 8.900. O número é pequeno em comparação com o total de muçulmanos na Alemanha, que chega a 4 milhões, mas o governo já afirmou estar preocupado com a expansão do movimento e sua ideologia, que promove a sharia (a lei islâmica) e a rejeição aos valores ocidentais. Seguidores do movimento também se juntaram a grupos terroristas na Síria.

No total, 820 pessoas deixaram a Alemanha para se filiarem a organizações terroristas na Síria desde o início da guerra no país, em 2011. Segundo o Ministério do Interior alemao, a DWR de Abou-Nagie foi responsável por recrutar pelo menos 140 pessoas.

Em um vídeo publicado na página do grupo, o próprio Abou-Nagie afirma que “A democracia é contra o islã”. Pregador sem formação teológica, ele chegou à Alemanha nos anos 1980 e se tornou cidadão alemão em 1994. Em 2003, ele afirmou que teve uma revelação e começou a promover a vertente salafista do islã no país.

Em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, o ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, usou palavras duras para descrever a DWR e justificar o seu banimento. “Sob o pretexto de promover o islã, e sob o pretexto de uma distribuição supostamente inofensiva de traduções do Alcorão em zonas de pedestres, mensagens de ódio estavam sendo propagadas e pessoas estavam sendo radicalizadas”, afirmou.

O governo, no entanto, salientou que a ação desta terça-feira não visa proibir a difusão da crença muçulmana ou a distribuição do Alcorão, mas apenas o abuso da religião por ativistas radicais que propagam suas ideologias extremas ou apoiam organizações terroristas.

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