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Os EUA reconhecem Jerusalém como capital de Israel: vem guerra por aí?

Por Andréa Fernandes

Antes de escrever sobre o evento histórico promovido pelos Estados Unidos no momento em que o presidente Donald Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel, resolvi dar uma espiada nas “análises” da galera suprassumo em política internacional e também na mídia árabe. Afinal de contas, nenhum país se importa realmente com os palestinos sob a ótica dos “direitos humanos”, uma vez que o intuito real é deslegitimar Israel na obsoleta oposição midiática comunista ao único país que não se afundou na desordem estimulada pelo ódio religioso e sectarismo, próprios de países muçulmanos.

Tão logo Trump cumpriu com o dever consignado na lei que o Congresso americano aprovou em 1995 – que prevê o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a consequente transferência da embaixada – e que vinha sendo covardemente postergado por seus antecessores, a comunidade internacional explodiu em fúria – não tão “calorosa” quanto os jihadistas que o Ocidente recebeu – criticando a ação americana num flagrante desrespeito à soberania do país.

O vozerio foi fortalecido pela União Europeia, na pessoa da chefe de política externa, Frederica Mogherini – aquela integrante do partido comunista italiano que “tietava” o terrorista Yasser Arafat[1] – irresignada, após o ato de Trump, disse: “acreditamos que a única solução realista para o conflito entre Israel e Palestina é baseada em dois Estados e com Jerusalém como a capital de ambos”[2]. Talvez, a tese dela em ciência política intitulada “A Relação entre Religião e Política no Islã”, seja o motivo de se empenhar em defender a “jihad palestina”, já que as ações criminosas de países muçulmanos não são do seu interesse, e sempre é bom lembrar que a diplomata hipócrita não anda preocupada com a ocupação de 37% do território cipriota pela Turquia, que mantém 40 mil soldados no norte do Chipre, invadido em 1974[3]. Por acaso, Frederica se manifestou na imprensa quando o “sultão Erdogan” avisou que “a Turquia nunca sairá do Chipre[4]? As pautas comunistas sempre privilegiam os “amantes da paz islâmica obtida pela espada”.

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina – considerado “moderado” pelo Ocidente – ao ser informado por Trump através de telefonema acerca da sua decisão de mudar a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém acionou seu fiéis “ativistas-terroristas”, que convidaram fotógrafos e cinegrafistas para “visitar” Belém a fim de documentar um “evento importante”, qual seja, palestinos ensandecidos queimando cartazes com imagens de Trump e a bandeira de Israel[5]. O objetivo é simples: promoção da “propaganda de ódio” para levar a opinião pública a acreditar que a política de Trump incendiará a região, o que fez o presidente da Autoridade Palestina afirmar que “os Estados Unidos perderam o papel de mediador no Oriente Médio”[6].

Hoje, Abbas em pronunciamento agressivo afirmou que a “revolta palestina” deve continuar e o líder do movimento Fatah – também considerado moderado pelo Ocidente – disse que “Trump emitiu declaração de guerra contra o povo palestino”[7]. Abbas já havia ordenado o fechamento de escolas e na usual política retaliatória contra inocentes, o prefeito de Belém (ocupada por palestinos), também determinou o desligamento de todas as luzes de natal na área onde cristãos vêm  sofrendo limpeza religiosa desde o início da ocupação palestina. E se alguém vier com a lengalenga de que “palestinos não são ocupantes”, cabe lembrar que antes da Guerra de Independência de 1948, a população original de Ramallah era 90% cristã e de Belém, 80%. Além disso, o “pacisfismo islâmico” dos invasores palestinos proporcionou a seguinte realidade: em 1967, mais da metade dos moradores de Belém eram muçulmanos e Ramallah se tornou uma grande cidade muçulmana[8].

Aliás, vale uma breve digressão: o falecido terrorista Yasser Arafat mudou a demografia de Belém semelhantemente à estratégia de países muçulmanos na atualidade, ou seja, enviando milhares de muçulmanos de campos de refugiados, e como bem salienta o jornalista Giulio Meotti, transformou a cidade – outrora majoritariamente cristã – “num refúgio seguro para terroristas suicidas”, onde cemitérios e conventos foram profanados e cristãos transformados em escudos humanos pela perversa Organização para a Libertação da Palestina (OLP). De sorte que, a OLP e outros grupos islâmicos “ofertaram” aos cristãos nativos as mesmas atrocidades que seus homólogos do Estado Islâmico: casamento forçado, conversões, espancamentos, apropriação de terras, ataques incendiários, boicote comercial, tortura, sequestro, assédio sexual, extorsão, dentre outros crimes mantidos ocultos pela mídia vendida aos interesses árabes.

Após o pronunciamento histórico de Trump, Ismail Haniyeh, líder do grupo terrorista Hamas, fez o que sempre foi sua especialidade: conclamar o terror contra civis inocentes, e para tanto, pediu uma nova “intifada contra o inimigo sionista[9] como condenação à decisão de Trump no melhor estilo “jihad”. Contudo, a “ansiedade sanguinária” não resistiu esperar até o dia 8, quando deveriam ser iniciados os atos de violência, e com isso, os terroristas passaram a efetivar disparos de foguetes contra o território israelense ocasionando “resposta” de Israel direcionada às estruturas militares na Faixa de Gaza[10]. Seguindo a mesma “linha assassina”, o grupo terrorista xiita Hezbollah, financiado pelo Irã, também endossou a necessidade de intifada.

Incitados por suas lideranças, cerca de 3 mil palestinos saíram às ruas em protestos violentos em 30 locais na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, onde dezenas de manifestantes se reuniram perto da fronteira com Israel e lançaram pedras contra os soldados. A violência se intensificou no embate de palestinos contras as forças israelenses e segundo a imprensa palestina, já são 200 palestinos feridos e 1 morto.

Insta esclarecer que o “tom apocalíptico” de alguns jornais descambaram em distorções de ignorância ímpar como aconteceu com ‘O Globo’, ao consignar: “Diante da reação inflamada do mundo árabe, com protestos na Faixa De Gaza e na Turquia, o Exército israelense anunciou o envio de batalhões adicionais ao território palestino da Cisjordânia[11]”. O jornalista nervoso por externar o sensacionalismo de sempre, incluiu indevidamente a Turquia na lista de territórios integrantes do “mundo árabe”. O desespero tomou conta da redação…

De qualquer maneira, o mundo muçulmano é, de certo modo,  imprevisível, e as lideranças  palestinas se esforçam para conseguir o apoio que carecem para promover “arruaça terrorista” ao ponto de desencadear uma verdadeira “guerra”, tentando invalidar o ato legítimo de Trump, porém, deverão primeiro, convencer a monarquia saudita a validar sua ações, visto que numa proposta inusitada de “acordo”, a Arábia Saudita ofereceu a cidade de Abu Dis (próxima à Jerusalém Oriental) como a futura “capital da Palestina”, em vez de Jerusalém Oriental. E se ainda assim, o caro leitor tem dúvida do “apoio” que goza a Autoridade Palestina, cabe informar que Abbas foi pressionado pelo Egito e Arábia Saudita a não processar funcionários israelenses em tribunais internacionais como havia prometido, e decidiu… obedecer a “orientação”[12].

A Organização de Cooperação Islâmica (OIC) se manifestou ontem expressando rejeição à decisão de Trump e informou que convocará uma reunião extraordinária com os representantes dos Estados-membros em Istambul nos dias 12 e 13 de dezembro para “discutir as repercussões da decisão americana e formular uma posição islâmica unificada” sobre a questão[13].

O principal representante da “Palestina’ no Reino Unido, Manuel Hassassian, disse que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos Estados Unidos equivale a uma “declaração de guerra contra os muçulmanos[14]. Já o Papa Francisco e a ONU apelam para um “diálogo” sobre o status da cidade, mesmo sabendo que não está nos planos dos palestinos essa possibilidade. O Papa ressaltou que se “respeite” o status atual da cidade, pouco se importando que esse pedido absurdo, é, na realidade, um desrepeito ao direito milenar dos judeus à Jerusalém como sua capital indivisível.

Até o momento, as “ameaças explícitas” evidenciadas contra os Estados Unidos advêm do Estado Islâmico e al-Qaeda – grupos islâmicos que vivem em função de ameaças aos “infiéis ocidentais” de modo que não surpreende ninguém a revolta das lideranças dessas facções além do “irmão siamês” Hamas, que objetiva começar nova intifada.

Logo, aguardemos novos “sinais de fumaça islâmica” para sabermos até aonde vai a proclamação de jihad contra Israel e Estados Unidos, já reconhecendo que nessa sexta-feira a promessa de novos protestos se cumpriu em países como Malásia, Indonésia, Iêmen, Turquia, Jordânia, Egito e outros Estados africanos.

Nada mais “inspirador” para um candidato a “Estado terrorista”, que o pedido de suas lideranças exigindo o chamado “Dia de fúria” justamente após as “orações” no dia que é considerado “sagrado” para os seguidores da “religião da paz”.

Publicado originalmente em 08.12.2017, no Portal Gospel Prime

Imagem: g1.globo.com

[1] http://israelstreet.org/2014/11/08/communist-and-islamophile-federica-mogherini-returns-to-ramallah-and-gaza/

[2] https://www.jihadwatch.org/2017/12/eu-vows-push-to-make-jerusalem-capital-for-palestinians-too

[3] http://cyprus-mail.com/2017/07/20/cyprus-marks-43-years-since-turkish-invasion/

[4] https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/01/13/erdogan-diz-que-turquia-nunca-saira-do-chipre.htm

[5] https://www.gatestoneinstitute.org/11508/trump-jerusalem-speech-palestinians

[6] http://g1.globo.com/globo-news/jornal-das-dez/videos/t/todos-os-videos/v/mundo-islamico-protesta-apos-trump-reconhecer-jerusalem-como-capital-de-israel/6342958/

[7] https://www.timesofisrael.com/abbas-vows-palestinian-rage-will-continue-well-never-back-down/

[8] https://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4221651,00.html

[9] https://www.middleeastmonitor.com/20171207-hamas-leader-calls-for-new-intifada-over-trump-decision/

[10] https://www.dn.pt/mundo/interior/jerusaem-israel-ataca-postos-militares-na-faixa-da-gaza-em-resposta-a-projeteis-8971462.html?utm_source=Push&utm_medium=Web

[11] https://oglobo.globo.com/mundo/confrontos-entre-soldados-israelenses-palestinos-deixam-ao-menos-104-feridos-22160770

[12] https://www.middleeastmonitor.com/20171123-under-saudi-egypt-pressure-abbas-retreat-from-prosecuting-israel/#at_pco=smlwn-1.0&at_si=5a29c8f6b0615634&at_ab=per-2&at_pos=0&at_tot=1

[13] http://www.arabnews.com/node/1205411/saudi-arabia

[14] https://g1.globo.com/mundo/noticia/reconhecer-jerusalem-como-capital-de-israel-e-declarar-guerra-diz-enviado-palestino-no-reino-unido.ghtml

 

Artigo: Estímulo à deserção pode dar fim à guerra na Síria

Insatisfação entre os alauítas e os drusos está no ponto mais alto desde 2012

Enquanto as complicadas negociações de paz avançam a passos lentíssimos em Genebra, os EUA se encontram em pequena vantagem para ajudar a agenciar um fim para o conflito que matou quase 250 mil pessoas e gerou a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Há, na verdade, uma forma bem eficiente de Washington pressionar Damasco: oferecendo dinheiro e asilo para os oficiais e autoridades que queiram desertar o regime criminoso do presidente Bashar al-Assad.

A insatisfação entre os alauítas – seita minoritária que forma a base do governo – drusos e outros grupos religiosos menores está no ponto mais alto desde 2012, quando dezenas de membros do alto escalão do Exército e da segurança deixaram o gabinete. No ano passado, a tensão, que já era grande, se intensificou após o confronto armado entre as forças com respaldo do Irã e os moradores de dois vilarejos alauítas na periferia de Hama. Em setembro, manifestantes drusos e paramilitares tomaram um prédio público na província de Sweida, no sul, e destruíram uma estátua de Hafez Assad, pai de Bashar.

Desde o início da revolução, cerca de três mil oficiais sírios abandonaram o barco, de acordo com um relatório do Exército Livre da Síria. A grande maioria agora vive em campos de refugiados na Turquia e na Jordânia, onde sobrevive à base de bicos, assistência federal dos países que os acolheram ou da oposição síria, já tão sobrecarregada. Entretanto, muitos outros podem imitá-los e só não o fizeram porque se desencorajam com o declínio gigantesco na qualidade de vida, principalmente entre os generais, que podem ajudar a forçar uma solução política. Verba e a assistência legal dos EUA poderiam mudar esse quadro.

Eu sei, em primeira mão, que os homens de Assad tirariam vantagem desse dinheiro, pois, em 2012, um deles procurou a comunidade síria em Washington. Estava pronto para mudar de lado e queria ajuda. A mensagem chegou rapidamente ao Departamento de Estado, que reagiu de maneira surpreendente: “Dê entrada no pedido de visto e siga o procedimento normal”. O candidato a desertor decidiu não fazer nada, desanimado com a perspectiva de um processo longo e intenso que, sem dúvida, revelaria sua identidade.

Caso semelhante ocorreu meses depois: um membro alauíta do alto escalão quis saber se os EUA o apoiariam se ele abandonasse o cargo – e embora estivesse preparado para convencer os colegas a se virarem contra Assad se recebesse respaldo, Washington basicamente o ignorou.

Para ser justo, o governo Obama vem se comunicando em segredo, há anos, com políticos sírios, tentando encorajá-los a mudar de lado. Esse contato, porém, se resume àqueles que têm cargos mais altos e nunca incluiu incentivos concretos, segundo ex-membros do governo com quem falei. Para a estratégia funcionar, Washington teria que oferecer uma assistência substanciosa aos integrantes das esferas governamentais inferiores.

A melhor saída seria a CIA lhes oferecer asilo temporário e dois pagamentos: uma soma polpuda assim que os desertores deixarem o governo de Assad e um salário mensal de alguns milhares de dólares. Para os sírios é muito dinheiro, mas é uma quantia insignificante comparada aos US$3 bilhões que Washington já gastou na campanha contra o Estado Islâmico.

Obviamente, a agência teria que investigar minuciosamente todos os pedidos com antecedência para confirmar que são mesmo de membros do governo sírio e não agentes duplos; em troca, os desertores teriam que estimular outros membros de suas comunidades a trocar de lado, além de se unirem à oposição na criação de um plano de transição.

Meus contatos alauítas também enfatizaram a necessidade de sigilo absoluto. Para quem ainda tem família na Síria é duplamente arriscado abandonar o regime, pois é muito provável que os entes queridos se tornem alvos das forças de segurança de Assad. De fato, o presidente tem tanto medo das deserções que colocou o serviço de inteligência para monitorar de perto os membros das Forças Armadas.

Como parte de qualquer negociação, o governo Obama devia dizer, com clareza e constância, que Assad não pode continuar no poder. O recente encontro do Secretário de Estado John Kerry com líderes da oposição em Riad, na Arábia Saudita, deixou os mesmos em dúvida, sem saber se os EUA querem que Assad saia ou não. Os alauítas também ficaram confusos no ano passado, depois que o diretor da CIA, John O. Brennan, disse que “ninguém quer ver o colapso do governo”. Essa confusão tem consequências reais na Síria.

Além disso, o prazo atual norte-americano dá a Assad pelo menos um ano e um mês para sair, sinalizando erroneamente aos prováveis desertores de que não há pressa. Mas deveria. Se Washington convencer mais políticos e oficiais a trocar de lado, poderia forçar o início do fim da guerra.

É claro que essa não seria a solução final; a intervenção militar russa na Síria convenceu muitos membros da elite alauíta de que Assad não vai cair nunca. E o Irã também demonstra inequivocadamente que apoia a minoria. Quando Assad sofreu grandes derrotas, em meados de 2015, o General Qassim Suleimani, comandante da Força Quds, unidade especial do Exército dos Guardiões da Força Islâmica, visitou cidades alauítas nas linhas de frente, em uma demonstração ostensiva de apoio. Tais atitudes fazem muita diferença entre os sírios que pensam em abandonar Assad – como também faria a ajuda vinda de Washington.

Se as minorias sírias abandonarem Assad em massa, o conflito perderia muito de seu teor sectário, tão perigoso, aumentando assim as chances de uma transição política estável. Washington deveria melhorar as condições de vida dos antigos oficiais nos campos de refugiados e oferecer incentivos concretos para quem quiser desertar. Ao fazê-lo, ajudaria os EUA a aumentar sua influência nas negociações de Genebra e, assim, acelerar a queda de Assad.

(Mohammed Alaa Ghanem é diretor das relações governamentais e assessor político do Conselho Sírio-Americano.)
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/artigo-estimulo-desercao-pode-dar-fim-guerra-na-siria-18647043#ixzz409esVAsl
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Batalha por Aleppo encerra negociações de paz, diz especialista

Para cientista político, diplomacia dos EUA fracassou ao entrar nas conversações sem exigências prévias. Agora, com a ofensiva de Assad e da Rússia contra Aleppo, elas viraram de vez uma farsa, afirma.

“A atual ofensiva e especialmente a batalha por Aleppo são basicamente o último prego no caixão das conversações em Genebra”, afirmou o cientista político André Bank, do Instituto Giga para Estudos do Oriente Médio, de Hamburgo, em entrevista à DW.

O analista avaliou que o cerco à cidade e sua possível retomada pelas forças do presidente Bashar al-Assad condena as negociações para a paz na Síria ao fracasso. “A ofensiva contínua das forças de Assad, juntamente com a Força Aérea russa, com o apoio do Irã e de várias milícias xiitas, já tornaram uma farsa essas negociações de paz”, disse.

Ele afirmou ainda que a diplomacia dos Estados Unidos fracassou “ao entrar na terceira rodada das conversações de Genebra sem exigências prévias e fazendo concessões ao lado russo e ao governo sírio”.

DW: Se as tropas de Assad tomarem Aleppo, qual seria o impacto disso sobre a guerra civil na Síria?

André Bank: O impacto seria muito forte. Pela primeira vez desde 2012, as tropas de Assad passariam a controlar uma área que vai da capital, Damasco, passando por Homs, no centro da Síria, pelo noroeste sírio, indo até a metrópole de Aleppo, no norte. Assim, o regime voltaria a controlar uma área muito grande e populosa da Síria. Mas isso não significaria o fim da guerra civil.

André Bank é especialista em Síria do Instituto Giga para Estudos do Oriente Médio

A oposição síria espera agora ajuda militar de países como a Arábia Saudita ou os Emirados Árabes Unidos. Qual a probabilidade de serem enviadas tropas terrestres árabes?

Eu continuo achando que isso seja muito pouco provável. A Arábia Saudita só poderia agir como parte de uma aliança liderada pelos Estados Unidos. E forças terrestres dos EUA, possivelmente em coordenação com forças terrestres europeias, são, na minha opinião, muito improváveis, apesar da péssima situação dos direitos humanos e da guerra em si. Principalmente o presidente Barack Obama, no último ano de seu mandato, não defenderia uma intervenção militar tão precária.

Quais as consequências da ofensiva de Assad para as conversações de paz em Genebra, que foram suspensas até 25 de fevereiro?

A atual ofensiva e especialmente a batalha por Aleppo são basicamente o último prego no caixão das conversações em Genebra. A ofensiva contínua das forças de Assad, juntamente com a Força Aérea russa, com o apoio do Irã e de várias milícias xiitas, já tornaram uma farsa essas negociações de paz. A isso soma-se o fato de que há fortes discordâncias dentro da oposição. Por tudo isso, a atual rodada de conversações em Genebra já havia representado uma espécie de vitória simbólica para o regime de Assad. E agora, sob essas condições, não vai ocorrer uma retomada séria das negociações.

Refugiado foge de Aleppo em direção à fronteira síria com a Turquia

Então a diplomacia ocidental fracassou?

A diplomacia dos EUA fracassou ao entrar na terceira rodada das conversações de Genebra sem exigências prévias e fazendo, assim, concessões ao lado russo e ao governo sírio. Uma limitação significativa de ataques aéreos por parte de Assad e da Rússia teria sido necessária para dar à oposição mais confiança em relação ao processo de negociação.

Qual a influência da batalha por Aleppo sobre a crise dos refugiados?

Ela tem um impacto enorme. Devemos ter em mente que Aleppo é a maior cidade da Síria, com quatro milhões de habitantes, e que lá ainda vivem centenas de milhares, apesar das batalhas devastadoras. Muitos deles já partiram em direção à fronteira com a Turquia devido à nova ofensiva. Seria irresponsável não abrir a fronteira na região e não prestar assistência rapidamente, para que as pessoas possam obter uma certa proteção pelo menos na Turquia.

A Força Aérea da Rússia e as forças do governo sírio atacam principalmente as forças de oposição. Em que essa ofensiva beneficia o “Estado Islâmico”?

O “Estado Islâmico” é beneficiado a partir do momento em que não é mais atacado por forças do governo sírio, pela Rússia ou pelo Irã. De qualquer forma, ele quase não vinha sendo atacado antes, mesmo. Por outro lado, os ataques da aliança contra o EI, nos quais a Alemanha começou a se envolver, na sequência dos ataques de Paris em novembro, foram muito ampliados. Eles fizeram com que a área sob domínio do EI tenha encolhido, tanto na Síria como no Iraque, no ano passado e mesmo nos últimos meses.

http://www.dw.com/pt/batalha-por-aleppo-encerra-negocia%C3%A7%C3%B5es-de-paz-diz-especialista/a-19036460

Análise: Turquia ruma para se tornar a próxima Síria

Situação de instabilidade no país se assemelha à do vizinho quando estourou guerra civil.

Protestos se espalharam pelo país e foram respondidos com truculência pelo governo — mas não silenciados, o descontentamento da população é latente. A oposição se organiza em linhas sectárias; em algumas regiões, arma-se. No Sudeste, rebeldes com antigas demandas por direitos e um histórico de levantes reprimidos pelo governo intensificam a luta pela independência, beneficiados por armas e dinheiro que fluem do Ocidente para uma guerra vizinha, enquanto fundamentalistas islâmicos sustentados com petrodólares atacam os alicerces do poder central e da economia com atentados terroristas letais contra civis. Era este o cenário da Síria em 2011. E é o da Turquia hoje — agravado pelo influxo de dois milhões de refugiados.

Alertas vindos de Ancara têm sido largamente ignorados pela comunidade internacional. Mas até os mais desatentos enxergam os sinais da fumaça no horizonte.

Principais aliados dos Estados Unidos no Iraque e na Síria e responsáveis pelos maiores avanços contra o Estado Islâmico (EI), os curdos estão em alta — assim como sua capacidade de recrutar e transferir dinheiro e armas para a Turquia — e mais próximos da nação independente que almejam. Com apoio militar do Ocidente, as Unidades de Proteção do Povo (YPG, na sigla em curdo) já controlam território sírio do tamanho do Kuwait e do Qatar, onde estabeleceram governo semiautônomo nos moldes do Curdistão iraquiano. Nas trincheiras contra o EI, sua ligação com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela independência da Turquia, é evidente.

A insurgência, antes restrita a vilarejos rurais, alastrou-se para as cidades e vem se intensificando há meses, com uma violenta resposta militar de Ancara. Confrontos quase diários já levaram à morte dezenas de civis. Em novembro, o advogado e ativista por direitos humanos Tahir Elçi foi morto diante das câmeras após uma entrevista coletiva em que defendia o fim dos confrontos em áreas urbanas com alta densidade populacional. Em dezembro, o Ministério da Educação ordenou o fechamento de três mil escolas em áreas curdas e retirou os professores. E pelo menos sete cidades — onde vivem 1,3 milhão de habitantes — estão sob toque de recolher, segundo a Fundação de Direitos Humanos da Turquia.

Tais eventos praticamente não chegaram à imprensa internacional, porque revelar a situação não interessa a ninguém — seria uma exposição de fraqueza para o presidente Recep Tayyip Erdogan e obrigaria o Ocidente a posicionar-se, quando não pode se dar ao luxo de abrir mão da Turquia ou dos curdos para vencer o EI.

Os terroristas, que vêm perdendo território para os curdos na Síria e no Iraque, só têm a ganhar com a instabilidade da Turquia. A explosão no coração do histórico Sultanahmet, o distrito mais turístico de Istambul, ontem, foi o terceiro ataque em seis meses. Em julho, 32 pessoas morreram em uma explosão em Suruc, na fronteira síria; em outubro, um duplo atentado na capital, Ancara, deixou cem mortos.

Erdogan responsabilizou o EI pelo ataque de ontem, mas declarou, ao mesmo tempo, que isso “não importa” porque não vê diferença entre este e o PKK. Mas importa e muito. Importa porque os curdos são as principais forças terrestres contra o EI, e o território sob seu controle é precisamente a longa faixa de fronteira com a Turquia. Qualquer engajamento de Ancara na Síria será retórico sem que envolva um acordo com o PKK. A obsessão de Erdogan com os curdos alimenta o sectarismo e o nacionalismo religioso, o que, por sua vez, fortalece grupos islamistas radicais. Além disso, desde os protestos de 2013 e, principalmente, após assegurar maioria nas eleições de junho, o presidente tem sido implacável contra a oposição secular e a mídia independente. Nós sabemos exatamente no que essa fórmula pode dar.

Adriana Carranca é colunista do GLOBO

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/analise-turquia-ruma-para-se-tornar-proxima-siria-18460824#ixzz3x7dUygxF

Como execução de clérigo xiita pode aumentar antigas tensões no Oriente Médio

A execução de um proeminete clérigo xiita pela Arábia Saudita realimentou a antiga rivalidade entre sauditas e iranianos, e pode dar fôlego a tensões entre sunitas e xiitas no Oriente Médio.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, alertou que a Arábia Saudita enfrentará uma “revanche divina” pela execução de Nimr al-Nimr, e descreveu-o como um “mártir” que agia pacificamente.

Al-Nimr era conhecido por verbalizar o sentimento da minoria xiita na Arábia Saudita, que se sente marginalizada e discriminalizada, e foi crítico persistente da família real saudita.

“Este estudioso reprimido nunca convocou ninguém para movimentos armados ou esteve envolvido em tramas secretas”, disse o aiatolá em mensagem no Twitter. “O único ato do xeique Nimr era a crítica aberta”.

O clérigo e outras 46 pessoas foram executadas no sábado, após serem condenadas por crimes de terrorismo na Arábia Saudita.

Mas o aiatolá Khamenei disse que a morte do xeique foi devido à oposição que ele fazia aos governantes sunitas sauditas.

A execução de Al-Nimr gerou fortes reações oficiais, lideradas pelo Irã, e manifestações foram registradas na Arábia Saudita, no Iraque, no Barein – onde a maioria xiita reclama de marginalização promovida pelos governantes sunitas – e em outros países.

A chancelaria iraniana disse que o reino saudita pagará um alto preço pela ação, e convocou o encarregado de negócios saudita em Teerã como protesto.

Já a Arábia Saudita reclamou ao enviado iraniano no país sobre o que chamou de “interferência flagrante” em seus assuntos internos.

Sunitas x xiitas
A execução expõe as delicadas relações entre sunitas e xiitas. A sunita Arábia Saudita é rival tradicional do Irã por influência na região. Já o Irã é o poder xiita no Oriente Médio, e observa com grande interesse a questão de minorias xiitas em outros países.

A divisão tem origem numa disputa logo após a morte do profeta Maomé sobre quem deveria liderar a comunidade muçulmana.

Sauditas xiitas participam de protesto na cidade de Qatif, no leste do país, contra execução de Al-Nimr  (Foto: STR/AFP )Sauditas xiitas participam de protesto na cidade de Qatif, no leste do país, contra execução de Al-Nimr (Foto: STR/AFP )

A grande maioria dos muçulmanos é sunita – estima-se que entre 85% e 90%. Eles se consideram como a versão ortodoxa e tradicionalista do Islã.

A palavra sunita é derivada de “Ahl al-Sunna”, as pessoas da tradição. A tradição, neste caso, se refere a práticas baseadas em precedentes ou relatos de ações do profeta Maomé e de pessoas próximas a ele.

Sunitas veneram todos os profetas do Corão mas, particularmente, Maomé, como o profeta final. Todos os líderes muçulmanos que vieram depois são vistos como líderes temporais.

Já xiitas, na história islâmica, eram uma facção política – literalmente “Shiat Ali”, ou o partido de Ali. Xiitas acreditam no direito de Ali, genro de Maomé, e seus descendentes de liderar a comunidade islâmica.

Ali foi morto como resultado de intrigas, violência e guerras civis que marcaram seu califado. Seus filhos, Hassan e Hussein, tiveram negados o que acreditavam ser o direito legítimo de acessão ao califado.

Ambos teriam sido mortos, o que deu aos xiitas o conceito de mártir e os rituais de autoflagelação.

Estima-se que haja entre 120 e 170 milhões de xiitas. Eles são maioria no Irã, Iraque, Barein, Azerbaijão e, segundo algumas estimativas, no Iêmen.

Há grandes comunidades xiitas no Afeganistão, Índia, Kuweit, Líbano, Paquistão, Catar, Síria, Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Tensões sectárias
Conflitos recentes como no Líbano, na Síria, no Iraque e no Paquistão, enfatizaram a divisão sectária, dividindo comunidades.

Em países governados por sunitas, xiitas tendem a integrar os setores mais pobres da sociedade. Eles reclamam de serem vítimas de discriminalização e opressão, e algumas doutrinas extremistas sunitas defendem o ódio contra xiitas.

A revolução iraniana de 1979 lançou uma agenda xiita radical que foi vista como um desafio por regimes conservadores sunitas, especialmente no Golfo Pérsico.

A política de Teerã de apoiar milícias xiitas e grupos além de suas fronteiras foi replicada pelos países do Golfo, que fortaleceram suas relações com governos e movimentos sunitas no exterior.

Durante a guerra civil no Líbano, xiitas ganharam uma forte voz política devido às atividades militares do grupo Hezbollah.

No Paquistão e no Afeganistão, grupos militantes extremistas sunitas, como o Talebã, têm atacado com frequência locais sagrados xiitas.

Os atuais conflitos no Iraque e na Síria também ganharam traços sectários. Homens jovens sunitas em ambos os países têm se juntado a grupos rebeldes, muitos dos quais replicam a ideologia extremista da Al-Qaeda.

Enquanto isso, jovens xiitas têm lutado para ou ao lado de forças do governo.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/01/como-execucao-de-clerigo-xiita-pode-aumentar-antigas-tensoes-no-oriente-medio.html

Só combates no terreno venceriam Estado Islâmico, dizem especialistas

Grupo controla áreas de três países e assumiu atentados pelo mundo.
EUA e Rússia negociam coalizão, mas curdos e árabes são fundamentais.

Como em um jogo de xadrez, enfrentar o Estado Islâmico (EI), o grupo terrorista que domina territórios no Iraque, na Síria e na Líbia, é uma tarefa complicada devido aos interesses políticos de vários atores envolvidos no terreno e as nações que fazem fronteira com estes países.

Especialistas ouvidos pelo G1 apontam que, em pleno século XXI, apenas a presença de tropas no terreno (conhecida no jargão militar como “boots on the ground”) poderia retomar o território perdido e enfraquecer o grupo, desde que envolvesse quem já conhece o terreno, como os curdos, que estão barrando o avanço de posições do EI, ou exércitos de países árabes.

Ações pontuais com drones e tropas de elite contra alvos importantes na teia de comando e informações de inteligência que ataquem diretamente líderes, a cadeia de suprimento de combustíveis, armas e munições são também aliadas nesta batalha.

Isso porque, salientam os estudiosos de relações internacionais, os bombardeios que vem sendo realizados nas áreas dominadas pelos terroristas e rebeldes desde que a guerra na Síria começou, há quatro anos, não fazem efeito sozinhos, e estão mais prejudicando a população civil.

Uma série de atentados assumidos pelo grupo provocou atenção internacional para o perigo que ele representa: no dia 13 de novembro, atentados com homens armados em Paris deixaram 130 mortos e 350 feridos. O grupo reivindicou também a derrubada de um avião russo no Egito com uma bomba caseira, que deixou 224 mortos.

O fato do Estado Islâmico ter assumido a autoria de atentados recentes na Europa, na Turquia e no Líbano nos últimos meses mostra que ele está querendo “arrastar todo mundo para uma guerra terrestre. E, em um quadro de guerra terrestre, o dano que eles conseguem infringir é muito grande”, afirma o professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Guilherme Casarões.

“Acabar com o EI é impossível, não se acaba com uma ideologia destruindo um país. O que se pode fazer é enfraquecer e reduzir a capacidade de atuação. A Al-Qaeda, por exemplo, perdeu poder, mas continua existindo”, pontua Gunther Rudzit, coordenador do curso de relações internacionais das Faculdades Rio Branco, em São Paulo.

“É praticamente impossível fazer o governo da Síria e do Iraque retomar o controle de território sem tropas no terreno”, entende ele.

Envolver atores locais
“A estratégia mais plausível, embora difícil, é articular com as tropas e atores locais, como os curdos, que vem desempenhando um papel importante em impedir o avanço do EI nas posições e que podem ter o apoio intensificado com armas e recursos. Mas há um obstáculo político, porque a Turquia, que é aliada norte-americana, luta contra oposicionistas curdos”, explica Guilherme Casarões, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP).

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, durante a cúpula do G20 neste domingo (15) (Foto: RIA-Novosti, Kremlin Pool Photo via AP)Barack Obama e Vladimir Putin conversam sobre a Síria em encontro do G20
(Foto: RIA-Novosti, Kremlin Pool Photo via AP)

Atualmente, Estados Unidos, Rússia, França e países europeus discutem a formação de alianças e especula-se a criação de uma possível coalizão para tentar lutar de forma conjunta contra o Estado Islâmico.

Rússia e França, inclusive, passaram a trabalhar juntos e, durante a Cúpula do G20, que reuniu os países mais ricos do mundo na Turquia em novembro, os líderes russos e americanos, Vladimir Putin e Barack Obama, concordaram com a necessidade de iniciar negociações e de um cessar-fogo sobre o conflito.

Contudo, tanto a Casa Branca quanto o Kremlin possuem interesses divergentes na disputa: enquanto o presidente russo Wladimir Putin é aliado do governo sírio, que tem como alvo especial os rebeldes que lutam contra o regime de Bashar al-Assad, Washington integra uma aliança contra o Estado Islâmico no Oriente Médio (França, Alemanha, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido eEstados Unidos) e defende que a Rússia não ataque a oposição síria.

Em setembro, o general David Petraeus, o ex-chefe da CIA (a agência de inteligência norte-americana) que atuou nas guerras do Iraque e Afeganistão, defendeu que o governo de Barack Obama enviasse militares para treinar jihadistas moderados para lutarem contra o Estado Islâmicoe Assad.

Estrangular em todas as frentes
Para o professor Gunther Rudzit, uma estratégia válida seria tentar estrangular o EI atacando sistematicamente nas três frentes de avanço do grupo, com ações do Exército sírio, dos curdos e forças do Irã ou iraquianas. “Os combatentes do EI estão muito bem preparados e treinados, eles se colocam bem e não desistem fácil. Mas também está sofrendo uma degradação, com recrutas voluntários inexperientes. Está difícil ”, salienta.

Mas, diz Guilherme Casarões, que também é especialista em história e culturas políticas da Universidade Federal de Minas Gerais, apesar de integrar a aliança ocidental e fornecer apoio estratégico para os EUA, a Turquia acirrou recentemente sua atuação contra os rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta por um território independente, mas que, nos bastidores, consome petróleo do EI. “Há relações ambíguas de interesses dos atores envolvidos, de jugo duplo, que prejudicam a formação de uma coalizão única”, afirma.

O fotógrafo Gabriel Chaim, que registra frentes de batalha do EI e da oposição a Assad e está atualmente no norte da Síria, concorda que apenas uma guerra terrestre pode vencer os terroristas.

“Os ataques aéreos sozinhos não funcionam. A nova aliança formada com a união de curdos e árabes, chamada de Forças Democráticas Sírias (FDS), está efetuando este papel de destruí-los em solo. Sem força em solo, é impossível derrotá-los. Qualquer tropa de outro país que vier, sem apoio de locais, é dinheiro jogado fora. Os estrangeiros não conhecem o terreno e também há muitas bombas escondidas”, afirma o fotógrafo.

Ruínas de um prédio após bombardeio na Síria (Foto: Khalil Ashawi / Reuters)Ruínas de um prédio após bombardeio na Síria (Foto: Khalil Ashawi / Reuters)

Interesse comum
Os EUA sofreram a perda de centenas de soldados nas ocupações ao Iraque e Afeganistão e relutam em iniciar uma invasão, atuando somente com ataques aéreos e com forças especializadas e logísticas de apoio.

Segundo Guilherme Casarões, diferente do 11 de setembro de 2001, quando os ataques da Al-Qaeda às Torres Gêmeas, em Nova York, levaram os americanos à guerra no Iraque, os ataques do EI, feitos de forma de simples execução, mas com grande efeito psicológico sobre a população, fazem com que os países alvos cheguem à conclusão de que apenas o bombardeio aéreo não faz mais efeito: “ou se invade, ou não se faz nada”, diz.

Especialista em armamento militar, o professor de relações internacionais Marco Tulio Freitas vê que, antes dos atores envolvidos entrarem no confronto direto, é necessário definir “objetivos comuns”: “e isso é complicado ali. Ninguém sabe qual é o cenário pós-guerra que se espera. É o inimigo de todos eles? Qual o interesse comum?”, pondera.

“Uma campanha militar custa dinheiro e a continuidade dos bombardeios seria apenas para enxugar gelo [expressão que significa ‘insistir em algo inútil’] com mais do mesmo. Aliados árabes poderiam ser atores a serem considerados. Até então, Jordânia, Egito e Arábia Saudita, que possuem bons exércitos, não entraram no conflito. Qualquer questão na região também envolveria Israel. São vários atores a se balançar. Mas uma campanha semelhante à Guerra do Golfo (1990-1991), com aliados ocidentais e a Rússia apoiando com inteligência, reconhecimento aéreos e estratégias o avanço dos árabes no terreno seria uma saída eficaz política e diplomaticamente”, entende Freitas.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/11/so-combates-no-terreno-venceriam-estado-islamico-dizem-especialistas.html

Assad se reúne com Putin em Moscou para analisar situação na Síria

Rússia faz intervenções militares no país desde 30 de setembro.
Pelo menos 370 pessoas morreram desde o início das ofensivas.

O líder sírio, Bashar al Assad, reuniu-se na noite de terça-feira (20) em Moscou com o presidente russo, Vladimir Putin, para analisar a situação da luta contra o terrorismo na Síria, informou nesta quarta-feira (21) o Kremlin.

Trata-se da primeira viagem de Assad fora da Síria desde o início do conflito, em março de 2011, segundo a agência EFE. “As conversas foram bastante prolongadas”, disse à imprensa o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, ao anunciar a visita-relâmpago de Assad à capital russa.

A Rússia, aliada do regime de Bashar al-Assad, tem feito intervenções militares na Síria desde 30 de setembro. A Rússia assegura que suas operações têm como alvos o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e outras organizações “terroristas” hostis ao governo.

Pelo menos 370 pessoas morreram desde o início das ofensivas russas, de acordo com a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), segundo a agência France Presse.

Entre os mortos estão 243 rebeldes e 127 civis, de acordo com a France Presse. O diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, afirmou que entre os combatentes mortos estão 52 do grupo Estado Islâmico.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/10/assad-se-reune-com-putin-em-moscou-para-analisar-situacao-na-siria.html

Qual o impacto da visita de Obama na África?

O momento em que o presidente dos EUA, Barack Obama, desceu de seu Air Force One em solo queniano, na semana passada, foi visto por muitos como uma oportunidade de, usando as palavras do americano, “pedir ao mundo que mude sua abordagem em relação à África”.

Em geral, o continente africano depende menos de assistência estrangeira hoje em relação a décadas passadas. E muitos países africanos são cada vez mais vistos como parceiros globais, e não como agentes minoritários na geração de riqueza, no combate ao terrorismo e às mudanças climáticas.

Obama – cujo tour pela África terminou nesta quarta-feira – deixou claro que tal parceria exige reconhecimento, dignidade e respeito.

O presidente americano argumentou que, em troca, países africanos precisam abraçar os princípios da igualdade, meritocracia e oportunidade para todos – mesmo que isso desafie antigas tradições ou o “jeito antigo de fazer as coisas”.

As 54 nações da África são muito ricas em diversidade. Ao mesmo tempo, é um continente de potencial e contradições.

A marca África

Vejamos, por exemplo, o Sudão do Sul: o país mais novo do mundo tem apenas quatro anos de existência e já está paralisado pela guerra civil.

Obama se queixou que, após 18 meses de hostilidades, os líderes do país não demonstraram “nenhum interesse em evitar o sofrimento de sua população”.

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Simultaneamente às reuniões que realizou na Etiópia, Obama elevou a pressão sobre aliados regionais e pediu que um acordo de paz seja assinado até 17 de agosto – caso contrário, sanções internacionais podem ser impostas.

Na fronteira com o Sudão do Sul estão o Quênia e a Etiópia, em contrapartida, países deliberadamente escolhidos por Obama para sua turnê africana porque mostram o potencial dinâmico do continente.

Em temas como segurança global e comércio, Obama endossou a chamada “marca África”, que segundo ele está se tornando uma força a ser reconhecida, à medida que tropas africanas são cada vez mais convocadas para conter conflitos regionais ou ameaças extremistas – dos militantes do Al-Shabab na Somália ao coflito sectário na República Centro-Africana.

O avanço na cooperação com os EUA será recompensado com laços mais estreitos em inteligência e treinamento. E tal relacionamento só tende a “se aprofundar” com os anos, disse o presidente.

Americano falou sobre o ‘poder da juventude’ e instou países a estimular empreendedorismo juvenil

Em comércio e empreendedorismo, Obama falou do “poder da juventude”, instando líderes locais de ambos os países a criar oportunidades para jovens aproveitarem o progresso econômico.

Ele sabe que a juventude é como uma bomba-relógio demográfica – e milhões de jovens desempregados não beneficiariam nem a economia nem o processo de paz continental.

Mensagens incômodas

O bem-sucedido empresário queniano Vimal Shah disse à BBC que a mensagem principal que ficou da visita de Obama é que a África precisa assumir o controle do cabo de guerra travado entre EUA e China no continente.

“É importante controlarmos nosso próprio destino e nos tornarmos confiáveis com governança e investimentos”, opinou, acrescentando que Obama restaurou a filosofia do “somos capazes” existente no Quênia.

Mas o presidente dos EUA também usou o tour africano como oportunidade de fazer pronunciamentos incômodos. Tanto que chamou a atenção a ausência de diversos chefes de Estado nos discursos feitos na sede da União Africana em Adis Abeba.

Com pouco mais de um ano sobrando em seu mandato, Obama sabia que podia falar com mais dureza, apesar das sensibilidades diplomáticas (como o fato de o vice-presidente queniano William Ruto enfrentar acusações no Tribunal Penal Internacional e a preocupação com as liberdades democráticas na Etiópia).

Quando Obama declarou aos líderes etíopes que opositores políticos não podem ser tratados como terroristas e que jornalistas não devem ser detidos, milhões de pessoas escutaram.

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Ao falar tão abertamente, Obama pode, com seu discurso, “empoderar” jovens e estimulá-los a fazer o mesmo – sobretudo em países onde a liberdade de expressão não é garantida.

No entanto, a cada crítica efetuada, Obama trazia também aliviava o golpe: disse que suas palavras eram ditas como “amigo”, e não como um forasteiro julgando assuntos alheios.

Assim, para quenianos como Ory Okolloh, que é especialista em governança e tecnologia, a fala de Obama foi revigorante, e a turnê do presidente americano o fez pensar “no que poderíamos ser ao darmos o nosso melhor”.

Muitos observadores temiam que o combate ao extremismo ofuscasse as mensagens de governança de Obama e que sua visita desse credibilidade a Estados mal-governados.

Mas Obama também levantou críticas a governantes que prolongam sua estadia no poder, citando o Burundi como exemplo de país onde líderes “se sentem acima da lei”.

Ao mesmo tempo, grupos de direitos humanos creem que o sucesso de Obama só ocorrerá se mudanças políticas de longo prazo surgirão na África.

“Caso contrário, a visita dele pode ter simplesmente endossado a liderança de dois países com situação preocupante em termos de direitos humanos”, disse Leslie Lefkow, vice-diretora para a África da ONG Human Rights Watch.

Obama afirmou que os EUA não carregarão consigo aliados africanos que se distanciem do caminho da democracia e disse esperar que outros países do continente façam o mesmo, por intermédio da União Africana – órgão criticado por muitos por ficar restrito a discursos inflamados.

Talvez o teste do êxito de Obama seja justamente como o organismo responderá à tensão crescente no Sudão do Sul.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150729_obama_visita_africa_impacto_pai

Árabes se irritam com o acordo entre Obama e o Irã

Muitos árabes expressaram profunda preocupação com o acordo nuclear que foi alcançado esta semana entre o Irã e as potências mundiais, incluindo os EUA.

“Este é um acordo perigoso … [ele] fornece ao Irã o que mais necessita para prosseguir as suas guerras e expansionismo contra os árabes: fundos.” – Salah al-Mukhtar, Ammon News.

“O Irã tem tentado intervir no Iraque, Líbano e Síria e está vendo que não está pagando qualquer preço … Há também um sentimento em Teerã que os EUA estão evitando um confronto militar com os iranianos.” – Hassan al-Barari, Al -Sharq.

De acordo com Hani al-Jamal, um pesquisador político e regional egípcio, o acordo significa que a comunidade internacional aceitou o Irã como potência nuclear.

Os líderes árabes e chefes de Estado foram educados o suficiente para não criticar publicamente do acordo, quando o presidente dos EUA, Barack Obama telefonou para informá-los sobre isso. Mas isso não impediu políticos árabes, analistas políticos e colunistas que refletem o pensamento do governo no mundo árabe de atacar no que eles descrevem como “negócio ruim e perigoso de Obama com o Irã.”

Sinal de fraqueza dos Estados Unidos?

Os árabes, especialmente os que vivem no Golfo, percebem o acordo como um sinal de “fraqueza” dos EUA e uma luz verde para que o Irã prossiga com o seu regime “expansionista” no mundo árabe.

“Alguns países árabes se opõem ao acordo nuclear porque ele representa uma ameaça aos seus interesses”, disse o jornal egípcio Al-Wafd, em um artigo intitulado “Os políticos: negócio de Obama com o Irã ameaça o mundo árabe.”

O jornal citou Hani al-Jamal, um pesquisador político e regional egípcio, como dizendo que o acordo significa que a comunidade internacional aceitou o Irã como potência nuclear. Ele previu que o acordo iria colocar o Irã e alguns países árabes, como Arábia Saudita e Egito em rota de colisão.

Al-Jamal aconselhou os países árabes a formar uma “OTAN sunita”, que garanta o status do Paquistão como uma potência nuclear e aliado árabe em face da “ameaça iraniana e israelense”.

Jihad Odeh, um professor de ciência política egípcia, disse que as “conquistas de Obama são projetadas para desmantelar o mundo árabe. Obama quer fazer conquistas históricas antes do final de seu mandato, destruindo a Al-Qaeda, buscando aproximação com Cuba e chegar a um acordo nuclear com o Irã. ”

Embora a Arábia Saudita, que atualmente está em guerra com os Houthis apoiados pelo Irã no Iêmen “, tenha manifestado congratulações” com o acordo nuclear, ela expressou, em particular preocupação com o negócio.

Estados do Golfo que expressam preocupação

Da mesma forma, vários países do Golfo que, inicialmente, saudaram o acordo estão começando a expressar preocupação com as suas repercussões na região. Nos últimos meses, os árabes vêm alertando contra o esforço contínuo do Irã para assumir o controle sobre seus países.

“Os Estados Unidos certamente não querem ver uma hegemonia  iraniana mais poderosa na região, mas, ao mesmo tempo, não parece se importarem com algum tipo de influência iraniana na região”, disse Nasser Ahmed Bin Ghaith, pesquisador do Emirados Árabes Unidos. “O Irã tem procurado recuperar o seu papel anterior de polícia da região.” Bin Ghaith disse que ficou claro que o reconhecimento ocidental de influência regional do Irã viria em detrimento dos países do Golfo. “Os países do Golfo devem construir parcerias estratégicas com as potências regionais do Paquistão e da Turquia, que compartilham os temores de ambições iranianas na região dos países do Golfo”, acrescentou.

Medo generalizado das ambições iranianas

Ecoando o medo generalizado entre os árabes acerca das ambições territoriais do Irã no Oriente Médio, o analista político Hassan al-Barari escreveu no jornal Al-Sharq do Qatar contra a política de apaziguamento para Teerã:

“O Irã tem tentado intervir no Iraque, Líbano e Síria e está vendo que não está pagando qualquer preço; pelo contrário, há tentativas pelas grandes potências para alcançar entendimentos com o Irã. Há também um sentimento em Teerã que os EUA estão evitando um confronto militar com os iranianos e seus procuradores. Os países do Golfo têm aprendido com as lições do passado em diversas áreas. A política de apaziguamento só levou a guerras. Qualquer tipo de apaziguamento com o Irã só vai levá-lo a pedir mais e, provavelmente, se intrometer nos assuntos internos dos países árabes e aumentar a sua arrogância. ”

Mesmo jordanianos se juntaram ao coro de árabes que expressam o medo sobre a crescente ameaça do Irã para o mundo árabe, especialmente na sequência do acordo nuclear com os EUA e as grandes potências.

Salah al-Mukhtar, colunista jordaniano, escreveu um artigo intitulado: “Oh árabes acordem, seu inimigo é o Irã”, em que ele acusou os EUA de facilitarem as guerras de Teerã contra os países árabes.

Do Irã ‘guerras destrutivas’

Descrevendo o Irã como “Eastern Israel,” al-Mukhtar disse que o aspecto mais perigoso do acordo é que ele permite que o Irã continue com suas “guerras destrutivas” contra os árabes. “Este é um acordo perigoso, principalmente na Arábia Saudita e as forças da oposição no Iraque e na Síria”, o colunista jordaniano advertiu. “Este acordo dá condição ao Irã  em relação ao que mais necessita para prosseguir as suas guerras e expansionismo contra os árabes: fundos. O levantamento das sanções é a maneira da América apoiar as guerras perigosas e diretas contra os árabes; o levantamento das sanções também fornece aos iranianos os fundos necessários para empurrar o avanço persa. Os EUA querem drenar os países da Arábia Saudita e os Estados Árabes do Golfo, em preparação para dividi-los. ”

O jornal inglês Daily Star do Líbano também expressou ceticismo sobre o acordo nuclear. “Para toda a conversa deste negócio que contribui para tornar o mundo mais seguro, se Obama é realmente preocupado com seu legado, especialmente no Oriente Médio, ele deve agora trabalhar com o Irã para incentivá-lo a tornar-se um membro regular da comunidade internacional, mais uma vez , e não um país que patrocina conflito, seja diretamente ou através de proxies, em toda a região “, enfatizou o jornal em editorial. “Caso contrário, este negócio só poderia deixar o Irã encorajado em seus projetos expansionistas”.

Figuras de Oposição Iraniana

Além dos árabes, figuras da oposição iraniana também se manifestaram contra o acordo nuclear.

Maryam Rajavi, um político iraniano e presidente do Conselho Nacional da Resistência, comentou:

“A declaração de generalidades, sem assinatura e aprovação oficial do líder espiritual Khamenei, não bloqueia o caminho de Teerã para uma bomba nuclear, nem impede a sua decepção intrínseca.

“Continuando as conversações com o fascismo religioso no Irã – como parte de uma política de apaziguamento – não vai livrar a região e o mundo da ameaça da proliferação nuclear.

“O cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança da ONU é a única maneira dos mulás obter armas nucleares.

“Leniência e concessões injustificadas por parte do P5 + 1 para o regime menos confiável no mundo de hoje só concede mais tempo e agrava ainda mais os perigos que representa para o povo iraniano, para a região e para o resto do mundo.”

Por Khaled Abu Toameh, The Institute Pedral

Foto: Os líderes do P5+ 1 posam com o ministro das Relações Exteriores iraniano Javad Zarif após negociações nucleares em Lausanne, Suíça, em 02 de abril de 2015

http://unitedwithisrael.org/arabs-blast-obama-deal-with-iran/

Bombardeio no Iêmen intensifica; Liga Árabe se reúne para discutir a operação militar

Sanaa, Iêmen (CNN) Em apenas algumas semanas, as boas relações com os vizinhos tornaram-se uma questão de sobrevivência para o presidente do Iêmen Abdu Rabu Mansour Hadi. No sábado, ele reuniu aliados regionais no Egito, enquanto eles bombardearam seus inimigos no Iêmen.

Após rebeldes Houthi ocuparem semanas atrás a capital Sanaa, Hadi fugiu. Quando o presidente pediu a intervenção militar para derrotar a tentativa de derrubá-lo, os países adjacentes responderam esta semana com uma operação de grande ataque aéreo.

Na escuridão da madrugada de sábado, os jatos aumentaram a saraivada de bombardeio em Sanaa, com determinação a Operação Tempestade Árabe entrou em seu quarto dia. E Hadi estava em Sharm el-Sheikh para se reunir com os líderes da região na cimeira da Liga Árabe.

O Iêmen está mergulhado no caos desde que os rebeldes Houthi – muçulmanos xiitas, que há muito se sentiam marginalizados no de país maioria sunita – começaram tomando o controle da capital e de outras áreas do país nas últimas semanas.

A rebelião perturoua outras nações de maioria sunita, o que levou os ataques aéreos pela Arábia Saudita e ao menos outros sete países que visam ajudar a restaurar o governo de Hadi.

A agitação também levou à retirada nesse mês das forças especiais dos EUA no Iêmen, comprometendo seriamente os esforços de contraterrorismo em um país que tem sido um reduto para a Al Qaeda na Península Arábica (AQAP).

Ataques contínuos na capital

Sexta à noite, os ataques aéreos sauditas liderados em Sanaa eram contínuos.

Jatos bombardearam esconderijos de armas de Hadi e outros meios militares, disseram os Houthis e funcionários do governo iemenita. E a Arábia Saudita alegou grandes sucessos.

The Royal Saudi Air Force esmagou todas as principais armas de defesa aérea do Houthis e seus aliados, disse um assessor saudita no sábado. Eles dizimaram a infra-estrutura militar principal em torno de Sanaa e destruíram a maioria das principais estradas que ligam a capital com as principais cidades Taiz e Aden.

A RSAF devastaram todos os maiores campos de aviação, disse o assessor saudita, e muitos Houthis e combatentes aliados foram atingidos pelas bombas.

Aden em caos
Os ataques aéreos estenderam muito além com armas antiaéreas, e rumores circularam de uma possível invasão terrestre, disse um diplomata do Iêmen. Sem uma invasão, os Houthis ainda dominariam, disse o diplomata.

“A linha inferior é – Eu não vejo quaisquer forças políticas ou militares no terreno no país, agora que poderia confrontar a força dominante – os houthis”, disse o diplomata.

Forças especiais navais sauditas invadiram o território para resgatar 68 diplomatas de Aden e levá-los para a Arábia Saudita, e o reino tentou remover uma delegação da ONU do país, disse o assessor saudita.

Na área da cidade portuária de Aden, opondo as forças militares iemenitas – os aliados com os Houthis, e quem os apoia Hadi – têm lutado por mais de uma semana.

O diplomata disse que o caos estava sendo relatado em Aden.

“Estamos ouvindo relatos de execuções sumárias e saqueando” em Aden, disse o diplomata nesse sábado.

Forças Terrestres

A Arábia Saudita tem rechaçado os Houthis com um bloqueio, efetivamente cortando suas linhas de fornecimento, e seus controles do espaço aéreo da força aérea iemenita. A Arábia Saudita e o Egito têm falado sobre a possibilidade de usar forças terrestres.

A Liga Árabe é esperada para dar a sua bênção oficial à operação no sábado, o que poderia abrir o caminho para uma invasão terrestre, relatou o enviado da CNN.

O assessor saudita disse esperar um grande anúncio da Arábia Saudita na cimeira. Mas também pode haver resposta desfavorável de alguns países membros, como a maioria xiita do Iraque ou possivelmente, a Argélia.

Divisão entre sunitas e xiitas
Embora o reino saudita assuma a liderança com cerca de 100 aviões de guerra, os parceiros da coalizão incluem os Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Catar, Jordânia, Marrocos, Sudão e Egito.

Juntos, eles compõem cerca de um terço dos membros da Liga Árabe. São nações muçulmanas de maioria sunita, e os rebeldes Houthi são muçulmanos xiitas aliados com o Irã.

Se o Iêmen se tornar um país satélite iraniano, sua fronteira seria percebida como uma das maiores ameaças pela vizinha Arábia Saudita, que vê os Houthis como proxies do Irã, rival da Arábia Saudita, no Golfo Pérsico.

O Irã denunciou acentuadamente a intervenção armada.

Na cúpula da Liga Árabe de sábado no Egito, Hadi denunciou os Houthis como Irã “fantoches” do irã.

“Eu digo para o fantoche do Irã, e aqueles que estão com ele, vocês destruíram o Iêmen com suas políticas imaturas, criando crise interna e regional”, disse Hadi. “Vocês estão errados ao pensar que podem construir a pátria com gritos e discursos.

“Vocês violaram a soberania (do Iêmen), e assumem a responsabilidade pelo que acontece e o que vai acontecer.”

Os Estados Unidos aprovaram os ataques aéreos e estão apoiando logisticamente, e auxiliando as forças da coalizão na localização de alvos, mas não participam na batalha ativa.

Um pequeno contingente de forças norte-americanas tinha sido estacionado no Iêmen para ajudar na luta contra a AQAP, mas o deixou este mês depois que os rebeldes Houthis avançaram de Sanaa para Aden.

Durante anos, o Iêmen tinha permitido drones dos EUA e forças de operações especiais para perseguir AQAP no país. Agora, o arranjo está em frangalhos. Os Houthis mudaram para Sanaa, em setembro, o que provocou as batalhas que mataram algumas centenas de pessoas antes de uma chamada para cessar-fogo. Em janeiro, eles cercaram o palácio presidencial e Hadi renunciou e foi colocado em prisão domiciliar.

Hadi escapou em fevereiro, fugindo para Aden e declarando que ele permanecia líder do país. Os Houthis assumiram o controle das forças militares estacionadas perto de Sanaa, incluindo a força aérea. Após combates se moverem em direção a Aden esta semana, Hadi deixou o país.

http://edition.cnn.com/2015/03/28/middleeast/yemen-saudi-arabia-intervention/index.html