Arquivo da tag: #BBC

A BBC apela à ONU devido “punição coletiva” de seus jornalistas pelo Irã

A BBC britânica informou nessa segunda-feira que apelou às Nações Unidas para proteger seus jornalistas no Irã depois de declarar que a perseguição e o assédio à imprensa pelas autoridades iranianas aumentaram em 2017.

“A BBC está tomando o passo sem precedentes de apelar para as Nações Unidas porque nossas próprias tentativas de persuadir as autoridades iranianas para que acabem com seu assédio foram completamente ignoradas”, disse o diretor-geral da BBC, Tony Hall, em um comunicado.

“Na verdade, nos últimos nove anos, a punição coletiva dos jornalistas do Serviço Persa da BBC e suas famílias piorou”.

O secretário estrangeiro da Grã-Bretanha, Boris Johnson, disse em dezembro que ele denunciou “o assédio oficial de jornalistas que trabalham para a BBC persa e suas famílias dentro do Irã” com seu homólogo iraniano Mohammad Javad Zarif quando visitou Teerã.

A emissora disse que jornalistas em Londres trabalhavam na BBC persa, parte do BBC World Service, e suas famílias no Irã foram alvo desde o lançamento da estação de TV via satélite em 2009.

O assédio aumentou no ano passado, quando as autoridades iranianas alegaram que o trabalho do serviço era um crime contra a segurança nacional do Irã e congelou os ativos de mais de 152 funcionários atuais e ex-persas da BBC, afirmou.

BBC persa disse na época que foi outro passo do Judiciário do Irã para silenciar jornalistas imparciais.

A BBC disse que outras medidas contra seus jornalistas incluíram a prisão e detenção arbitrária de membros da família no Irã, o confisco de passaportes e proibições de viagem impedindo que as pessoas saíssem do Irã e a propagação de notícias falsas e difamatórias dirigidas a pessoas, especialmente mulheres jornalistas.

O Irã acusou a BBC de incitar a agitação após a disputa da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad em 2009 e disse que seus jornalistas transmitiram contra os interesses nacionais da República Islâmica.

No ano seguinte, proibiu os iranianos de entrarem em contato com dezenas de organizações estrangeiras, incluindo a BBC, que dizia estar tentando derrubar a teocracia islâmica.

A BBC disse que planejaria uma série de eventos em parceria com a Federação Internacional de Jornalistas nesta semana durante a 37ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

Com informações de Middle East MonitorMiddle East Monitor

 

Decapitação, mão decepada, enforcamento: a lista de castigos encontrada em escola abandonada do EI

Militantes do grupo autodenominado Estado Islâmico estão sendo expulsos de áreas que controlavam no norte da Síria, e provas do domínio desses militantes estão vindo à tona.

O repórter da BBC Jiyar Gol viajou com combatentes curdos que enfrentam o EI na região de Manbij, no norte da Síria, e teve acesso exclusivo a uma escola abandonada que era controlada pelo grupo extremista.

O repórter encontrou vestígios do “currículo” das escolas do Estado Islâmico, que incluem produção de bonecos para enganar aeronaves inimigas, aulas de física e ensinamentos sobre os duros castigos impostos pelo grupo a quem viola suas regras de comportamento.

http://www.bbc.com/portuguese/geral-36828145

Emissora BBC é acusada de ser “muito cristã”

Agora a discussão gira em torno da concessão de um espaço de tempo semelhante para o islamismo, hinduísmo e outras religiões

6_OrienteMedio_0100100107

De acordo com uma reportagem do veículo de comunicação inglês The Times, a BBC tem sido “muito cristã” em sua pauta. O comentário surgiu depois que um líder muçulmano sugeriu que a emissora transmitisse as tradicionais orações muçulmanas de sexta-feira, da mesma forma que ela transmite os cultos cristãos. Agora a discussão gira em torno da concessão de um espaço de tempo semelhante para o islamismo, hinduísmo e outras religiões.

“Por um lado, é justa essa discussão e também dá oportunidade às minorias de receberem um espaço nas programações religiosas do canal, mas por outro lado, temos novamente a influência muçulmana na radiodifusão. Aaqil Ahmed, que foi nomeado em 2009 pela emissora para ser o chefe do departamento de ética e religião está de acordo com as reivindicações”, comenta um dos analistas de perseguição.

Atualmente, os cristãos na Europa também enfrentam perseguição. Milhares de refugiados conseguiram escapar da intensa violência do Oriente Médio e quando pisam em solo europeu continuam sendo perseguidos e ameaçados. Na Alemanha, por exemplo, os cristãos sofrem até agressões físicas em albergues, conforme a matéria Refugiados cristãos são perseguidos na Alemanha, publicada no mês passado. Em suas orações, interceda por eles.

Leia também
Cristãos refugiados sofrem discriminação na Europa
Cristãos europeus podem sofrer perseguição
Por que a Europa tem medo de Deus?

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/06/emissora-bbc-e-acusada-de-ser-muito-crista

Equipe da BBC é detida no Catar por reportagem sobre condições de trabalho na Copa de 2022

Após a repercussão internacional sobre más condições de trabalho para imigrantes nas obras da Copa do Mundo de 2022, o governo do Catar decidiu convidar jornalistas para visitar o país e conhecer as novas acomodações onde os operários estariam morando.

A BBC foi ao país para participar da visita oficial guiada por autoridades catarianas, mas também foi atrás de outras fontes de informação para a reportagem. Em uma das idas a campo para conversar com trabalhadores em outro local – que não o indicado pelo governo –, a equipe com o repórter Mark Lobel, um câmera, e um tradutor acabou detida.

Oito carros brancos cercaram o veículo de reportagem da BBC, levando a equipe em alta velocidade para um canto da estrada. Cerca de uma dúzia de seguranças revistaram os jornalistas, gritando com eles toda vez que tentavam falar. Eles levaram todo o equipamento que estava com a equipe.

Leia mais: Copa de 2022 no Catar: quanto calor é calor demais?

Mais tarde, na delegacia, os três foram interrogados separadamente por agentes de Inteligência. Eles perguntavam várias vezes com quem os jornalistas teriam conversado. As autoridades disseram que a prisão deles era uma questão de “segurança nacional” e não permitiram que a equipe fizesse nenhuma ligação. “Aqui não é a Disneylândia. Vocês não podem usar a câmera em qualquer lugar”, disse um dos policiais.

Os seguranças estavam acompanhando tudo o que a BBC fazia no Catar e chegaram a mostrar fotos da equipe entrevistando pessoas e visitando acomodações dos operários imigrantes no país. Depois, os policiais levaram os jornalistas à prisão, onde eles ficaram por dois dias – as autoridades chegaram a ameaçar deixá-los lá por quatro dias, para “ensinar-lhes uma lição”.

Liberada, a equipe da BBC ainda foi levada para se juntar ao tour de imprensa preparado pelo governo catariano. As autoridades não mantiveram nenhuma acusação contra os jornalistas, mas ainda não devolveram o equipamento confiscado.

Problema recorrente

Outras equipes de jornalismo também já passaram por situações similares à que a BBC viveu na última semana no Catar. Uma TV alemã também foi detida enquanto fazia reportagem sobre as más condições de trabalho de imigrantes no país.

Governo do Catar alega que repercussão sobre condições de trabalho nas obras da Copa foi exagerada e que está fiscalizando e punindo empresas denunciadas

Segundo Mustafa Qadri, pesquisador dos direitos de imigrantes na Anistia Internacional, as prisões de jornalistas e ativistas podem ser uma tentativa de “intimidar aqueles que procuram expor os abusos de trabalho no Catar”.

Leia mais: Delatora de escândalo na Fifa diz temer por sua vida

O Catar, país mais rico do mundo proporcionalmente à sua população de pouco mais de 2 milhões de pessoas, está despejando dinheiro em uma tentativa de melhorar sua reputação de permitir condições precárias de trabalho para trabalhadores pouco qualificados.

Resposta do governo

O Catar já se manifestou sobre o que aconteceu com a equipe da BBC e alegou que os jornalistas “violaram propriedades privadas, algo que é contra a lei no Catar e em muitos outros países.”

“Talvez antecipando que o governo não iria fornecer esse tipo de acesso, a equipe da BBC decidiu por si fazer suas próprias visitas a campo e entrevistas nos dias que antecederam o tour planejado pelo governo. Fazendo isso, eles violaram propriedades privadas, algo que é contra lei no Catar. Forças de segurança foram chamadas, e a equipe da BBC foi detida”, explicou o governo do Catar por meio de nota.

A BBC respondeu ainda pedindo que o equipamento apreendido fosse devolvido. “A presença da BBC no Catar não era secreta e eles estavam focados em uma reportagem perfeitamente apropriada para o jornalismo. As autoridades do Catar fizeram uma série de alegações conflituosas para justificar a prisão, e a equipe da BBC rejeita todas elas. Estamos pressionando as autoridades do Catar para uma explicação completa e para o retorno do nosso equipamento confiscado.”

A Fifa também se manifestou dizendo que vai investigar o que aconteceu e que “qualquer incidente relacionado a uma aparente restrição de liberdade de imprensa é motivo de preocupação para a Fifa e será investigado com a seriedade que merece.”

Condições de trabalho

A visita guiada pelo governo do Catar mostrou algumas vilas onde os operários imigrantes das obras da Copa vivem no país. Lugares grandes, com piscinas, academias, e outros serviços. Mas a BBC também conversou com pessoas que vivem em outros lugares bem diferentes. Quartos apertados, com poucas condições de higiene, onde os trabalhadores acabam vivendo por falta de opção.

Um deles tinha 18 anos apenas e disse que queria ajudar seu irmão mais velho a sustentar a família, porque o pai tinha morrido, e a situação financeira deles era crítica. Ele é do Nepal, de onde saíram quase 400 mil trabalhadores com destino ao Catar.

Denúncias apontam que condições de algumas acomodações de imigrantes estão abaixo do padrão exigido

O nepalês pagou US$ 600 a uma agência para conseguir o visto para trabalhar no Catar e ouviu que receberia US$ 300 por mês pelo trabalho. Quando ele chegou, porém, recebeu a notícia de que o trabalho lhe renderia quase metade disso, US$ 165 por mês. Ele conta que nunca recebeu uma cópia do contrato que assinou e que não conseguiu entender o que estava escrito nele, já que tudo estava em inglês.

Leia mais: Presidente da Fifa quer dar mais ‘poder’ a mulheres no futebol

Ele agora está à mercê do sistema de trabalho restritivo do Catar, que impede os trabalhadores de mudarem de emprego por cinco anos.

Ministro do Trabalho do Catar garante que país fez avanço no combate a condições precárias de trabalho dos imigrantes

O Ministro do Trabalho, Abdullah al-Khulaifi, recebeu a BBC para falar sobre o problema em seu país, mas disse que “o Catar sempre foi um país aberto e sempre será.”

“Não posso esconder os problemas que eu estou enfrentando. Mas o Catar é um país aberto e agora com smartphones, todo mundo é jornalista”, afirmou.

Segundo ele, a cobertura negativa sobre as condições de trabalho dos imigrantes foi exagerada. Ele afirma que muito progresso foi feito desde então para melhorar essas condições.

Ainda de acordo com al-Khulaifi, o governo aumentou a fiscalização para impedir empresas de pagarem muito pouco aos funcionários e tem distribuído multas a quem viola os direitos de trabalho do país.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/05/150518_catar_prisao_bbc_rm