Arquivo da tag: #budistas

A “inspiração palestina” para criação de um novo Estado Totalitário Islâmico

Por Andréa Fernandes

Nos últimos meses, a mídia global tem proporcionado grande visibilidade à expulsão dos rohingyas em Mianmar (Birmânia). Amparados em dados fornecidos pela ONU, ativistas de direitos humanos e jornalistas noticiam semanalmente as ações do governo rotulando-as erroneamente como “genocídio” e até mesmo o Papa foi instado a se pronunciar contra as violações cometidas única exclusivamente contra o referido grupo étnico, apesar de os cristãos estarem sofrendo terrível perseguição que não atrai a atenção da imprensa.

Venho acompanhando o desenrolar da crise e não me surpreendeu um acontecimento não anunciado no Ocidente: numa reunião com o presidente do parlamento em Bangladesh na terça-feira, uma delegação do Oriente Médio – composta por representantes de diversas entidades nas áreas humanitária e política – emitiu o comunicado de que a comunidade internacional deve agir rapidamente sobre a crise com os royingyas ou o mundo criará outra Palestina.

Ora, por que entidades islâmicas estão fazendo conexão dos rohingyas com os palestinos? Há alguma semelhança entre ambas as crises?

Por saber que o Google está contaminado com “desinformação”, penso serem necessárias algumas informações para o leitor perceber que a “crise” que tanto preocupa a ONU representa mais uma faceta do projeto de islamização de territórios não-muçulmanos.

Para tanto, vamos sanar inicialmente a primeira dúvida que aparece ao debatermos essa questão: quem são os rohingyas? A “resposta” vai depender muito da fonte a ser consultada. Se a pesquisa for efetuada num site árabe como Al Jazeera, você lerá que “são a minoria mais perseguida do mundo“, isto porque, países muçulmanos e a imprensa simplesmente ocultam a realidade de que são os cristãos a minoria mais perseguida, sendo “alvos prediletos” em países muçulmanos.

Apologistas árabes muçulmanos costumam definir os rohingyas como grupo étnico formado principalmente por muçulmanos que viveram durante séculos em meio aos budistas de Mianmar. Por outro lado, diversos estudiosos afirmam que a palavra “rohingya” não é encontrada em nenhuma fonte histórica, exceto num único texto do final do século 18. Além disso, reconhecem que o termo passou a ter popularidade entre os muçulmanos do estado de Rakhine (situado em território birmanês) nos anos 50 e 60, oportunidade em que se deu uma “rebelião mujahid” – rebelião daqueles que lutam pela jihad – contra o governo budista birmanês exigindo um Estado separado para os muçulmanos de Arakan. Segundo Jaques P. Leider, especialista em História do sudeste asiático, “até a década de 1990, ‘rohingya‘  foi utilizado na maioria dos meios de comunicação não como uma denominação étnica ou religiosa, mas como uma denominação de insurgentes que resistiram ao governo de Mianmar e tentaram criar um Estado muçulmano independente perto de Bangladesh.

Dessa maneira, já dá para ver que estamos diante de mais um “povo inventado” com o escopo de dar continuidade ao expansionismo imperialista islâmico, senão vejamos: a rede Al Jazeera reconhece “evidências” que não são divulgadas pela grande mídia e vale transcrever para breve apreciação:

Durante os mais de 100 anos de governo britânico (1824-1948), houve uma quantidade significativa de migração de trabalhadores da Índia atual e do Bangladesh para o que hoje é conhecido como Myanmar. Como os britânicos administraram Myanmar como uma província da Índia, essa migração foi considerada interna, de acordo com a Human Rights Watch (HRW). A migração de trabalhadores foi vista negativamente pela maioria da população nativa.

Ora, podemos constatar dois fatos importantes para desvendar as falácias da “propaganda muçulmana”: Al jazeera, que não aceita a decisão dos britânicos em relação a partição de território para formação do Estado de Israel e da “Palestina”, aceitou de “bom grado” como legítima a migração de muçulmanos oriundos da Índia e Bangladesh para território de maioria budista (Mianmar) promovida pelos mesmos “colonialistas britânicos”. E nesse caso, pouco importa o “parecer” de uma instituição humanitária como a HRW, que não tem autoridade alguma para definir assuntos pertinentes à soberania dos países. Outrossim, uma vez não tendo o canal árabe explicado o motivo da indignação da “população nativa” (budista), urge esclarecimentos indispensáveis.

Na verdade, o que está acontecendo em Mianmar é um conflito religioso entre muçulmanos e budistas em virtude do estabelecimento da jihad apregoada por lideranças muçulmanas para criar mais um Estado teocrático islâmico a fim de  submeter os “infiéis budistas” ao Islã.  Estudiosos atestam que ao conquistarem Arakan em incursões contra Mianmar nos idos de 1824-1826, os britânicos passaram a incentivar a imigração de indianos e bengalis muçulmanos para a região de forma que no início do século 20, a população muçulmana imigrante passou a ser O DOBRO do tamanho da população local. Com isso, a comunidade muçulmana (rohingya) passou a expandir suas redes religiosas, bem como assumir costumes diferentes dos seus vizinhos budistas os quais tiveram suas aldeias deslocadas devido crescimento da população muçulmana.

Apesar de não haver nenhuma “promessa formal”, alguns muçulmanos  acreditavam que os britânicos lhes presenteariam com um território autônomo” após a 2ª Guerra Mundial, pelo que uma parcela deles esperava a separação de Mianmar para unir o território à Índia ou Paquistão. Todavia, em 1946, líderes políticos muçulmanos divulgaram suas intenções de se apropriar do território originalmente birmanês (budista) para formar um Estado independente. Logo, após a independência birmanesa em 1948, iniciou-se uma rebelião dos muçulmanos contra o governo que culminou naquilo que inapropriadamente os ocidentais qualificam de “combates de guerrilha”, mas que na linguagem muçulmana é a jihad, a qual expulsou os budistas das aldeias de Arakan, parte do território que desejam estabelecer um Estado na base da usurpação de terras budistas sob a conivência da comunidade internacional. Sendo assim, o surgimento do nacionalismo budista se deve em grande medida à oposição em relação à imigração em massa de muçulmanos. Porém, com o golpe militar em 1962, encerrou-se a participação política formal dos muçulmanos e demais minorias no país aprofundando-se medidas restritivas contra a mesmas.

Em 1982, o governo aprovou a Lei de Cidadania da Birmânia, que concedeu cidadania a muitos grupos minoritários étnicos, mas não outorgou o mesmo direito aos rohingyas. Assim, explosões de violência vêm sendo promovidas pelos muçulmanos os quais são auxiliados por outras facções terroristas islâmicas na Indonésia e Paquistão. Cabe, ainda, enfatizar que a insurgência violenta dos rohingyias é tema de segurança nacional na Índia, conforme atestam relatórios da inteligência que mostram conexão entre grupos rohingyas e organizações jihadistas (terroristas).

Desse modo, considerando o fato de que há uma “experiência genocida” vivida pelos hindus que continuam sendo erradicados por muçulmanos do território vizinho de Bangladesh – transformado à força num sanguinário Estado totalitário islâmico – é perfeitamente compreensível a pauta budista defendendo a tese de que os rohingyas são uma “identidade religiosa inventada”, afirmando através de documentos históricos a inexistência de uma comunidade assim nominada, pois tais muçulmanos são originalmente “imigrantes” conduzidos por britânicos do moderno Estado muçulmano de Bangladesh para um Estado de maioria budista sem consulta à população local.

Se a Europa rechaça a “imigração ilegal”, deveria também considerar como “legítima” a pretensão do país de maioria budista de não reconhecer um “povo inventado” que almeja criar um Estado islâmico em usurpação à soberania de um país. Aliás, vale lembrar que o governo de Mianmar está disposto a conceder cidadania à minoria muçulmana se concordar em utilizar sua verdadeira identidade, a saber, bengali, o que vem sendo rejeitado por suas lideranças que sonham com a implantação de mais um “califado” na Ásia.

Contudo, embora eu reconheça a total ilegitimidade do pleito dos rohingyas, não posso concordar com ações violentas e ilegais do governo de Mianmar, que também são usuais contra a pacífica minoria cristã que não pleiteia autodeterminação. Matança arbitrária, estupros sistemáticos, incêndio de casas e expulsão de moradores costumam ser estratégias de lideranças muçulmanas contra minorias e não cabe a uma defensora dos direitos humanos “justificar” tais ações que atingem principalmente à população mais vulnerável como mulheres e crianças. Ações enérgicas devem ser voltadas sempre contra os jihadistas e não contra a população vulnerável.

Infelizmente, falta ao governo budista de Mianmar a “ética judaica” no trato para com aqueles que almejam usurpar seu território. Dessa vez, o “esforço jihadista” dos muçulmanos está sendo combatido com as “mesmas armas” pelos “discípulos de Buda” que resolveram dar uma trégua aos seus ensinamentos religiosos para seguir os “preceitos de paz” ensinados pela ortodoxia islâmica!

Andréa Fernandes é advogada, internacionalista, jornalista, presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires e líder do Movimento Nacional pelo Reconhecimento do Genocídio de Cristãos e Minorias no Oriente Médio.

Imagem:http://www.rfa.org/english/news/myanmar/myanmar-government-orders-state-media-not-to-use-rohingya-06212016155743.html

 

 

A luta dos cristãos continua em Mianmar

Apesar da vitória eleitoral da líder democrática Aung San Suu Kyi, radicais budistas continuam com seus discursos de ódio e pressionando o governo

17-mianmar-0050101223

De acordo com um relatório da ONG C4ADS, apesar da vitória eleitoral de Aung San Suu Kyi, pela Liga Nacional pela Democracia (LND), os movimentos budistas radicais como o Ma Ba Tha ainda são poderosos. A ONG fornece análises orientadas por dados e relatórios, com base em provas de conflitos globais e questões de segurança transacionais, baseando-se em crimes organizados e corrupção de governos. Na ocasião das eleições, milhares de pessoas, incluindo as minorias comunitárias e religiosas, foram impedidas de votar e candidatos muçulmanos foram desqualificados.

Antes da vitória da líder democrática birmanesa, ela já havia conquistado um lugar no Parlamento, juntamente com 42 colegas da LND. Ao mesmo tempo, contudo, a intolerância religiosa aumentou drasticamente, com o aumento do nacionalismo budista militante. Isto afetou os cristãos drasticamente. A relatora especial da ONU, Yanghee Lee, destacou que a discriminação contra minorias religiosas e étnicas, como os Rohingya, do estado de Rakhine, assim como o discurso de ódio e violência voltado para essas parcelas da população, devem ser combatidos como prioridade pelo novo governo.

O país já enfrentou mais de 50 anos de governo militar. Apesar dos avanços, Yanghee Lee alertou para a necessidade de reformas nas leis, para garantir os direitos à liberdade de expressão e de religião. Ela também pediu a imediata suspensão das prisões, condenações e abusos contra a sociedade civil e jornalistas, além de solicitar a liberação dos presos políticos remanescentes.

“Embora o relatório da C4ADS se concentre exclusivamente sobre a situação da minoria muçulmana, seus resultados são notáveis ​​e pode ser facilmente traduzido para a minoria cristã, bem como o relatório aborda as ‘Leis de Proteção de Raça e Religião’. Os monges estão agitados agora, pressionando o governo e exigindo o cumprimento das leis já existentes no país”, comenta um dos analistas de perseguição. Mianmar é o 23º da Classificação da Perseguição Religiosa em 2016, sendo um dos países que trata os cristãos com mais violência. A igreja é perseguida principalmente por extremistas budistas e militares. Ore por essa nação.

Leia também
Portas Abertas fortalece pastores em Mianmar
Coração voltado para Mianmar
Morte de cristãs reflete a vulnerabilidade das minorias em Mianmar

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/03/a-luta-dos-cristaos-continua-em-Mianmar