Arquivo da tag: #Chibok

Mais 82 meninas de Chibok foram libertadas

Após intensas negociações, as garotas foram levadas à capital da Nigéria, onde iriam reencontrar suas famílias

08-nigeria-pais-meninas-chibok-com-jornal

Neste fim de semana, o governo nigeriano anunciou que mais 82 das meninas, que viviam em cativeiro pelo grupo Boko Haram, foram libertadas após intensas negociações que envolveram militares, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e até mesmo o governo da Suíça e algumas ONGs internacionais, segundo a imprensa oficial do país.

O sequestro ocorreu em 14 de abril de 2014, quando uma escola pública secundária, em Chibok, no estado de Borno, foi invadida por extremistas islâmicos, ocasião em que mais de 200 garotas foram levadas por eles. As autoridades afirmaram que a libertação delas foi uma troca por militantes capturados pelo governo.

As meninas foram recebidas ontem (domingo) em Abuja, capital da Nigéria, onde foram recepcionadas pelo presidente Buhari e iriam reencontrar suas famílias. A lista completa com os nomes delas ainda não foi divulgada publicamente. Alguns pais que estavam ali não tinham certeza de que suas filhas estariam entre as que desembarcaram dos helicópteros que as trouxeram de Maiduguri, capital do estado de Borno.

“Estamos felizes pelas famílias e continuamos com o coração voltado para as demais 114 meninas que permanecem em cativeiro”, disse um dos representantes da Campanha “Bring Back Our Girls” (Tragam nossas meninas de volta), criada pelos nigerianos e que ganhou projeção mundial.

O trabalho da Portas Abertas nessa região continua, apesar das dificuldades e da violência do Boko Haram e de outros grupos extremistas envolvidos. Segundo os colaboradores, a visita aos cristãos que já foram atacados é uma tarefa cada vez mais perigosa. Além disso, há o desenvolvimento contínuo de diversos projetos de longo prazo, entre eles, o auxílio psicológico às meninas sequestradas e suas famílias.

A Nigéria, 12ª nação na atual Lista Mundial da Perseguição, está entre os países da África Subsaariana, que é tema do DIP 2017. Assista ao vídeo abaixo para saber como se envolver mais com os cristãos perseguidos que vivem por lá.

Imagem: Security

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2017/05/mais-82-meninas-de-chibok-foram-libertadas

Mais algumas meninas do Chibok foram resgatadas

Quando elas estão com seus pais compartilham estudos bíblicos e cantam; elas parecem felizes, apesar dos traumas.

Em abril de 2017, vai completar 3 anos que as “meninas do Chibok” foram sequestradas. Na época, havia 275 meninas na escola, 228 foram levadas pelo Boko Haram e somente 47 conseguiram escapar. Os extremistas islâmicos mandaram vários vídeos para os pais dessas meninas e ao governo nigeriano, exigindo a libertação de seus combatentes em troca delas.

Depois de um tempo, muitas foram forçadas a se casar com eles, algumas tiveram filhos e todas tiveram que “se converter” ao islamismo. Em maio de 2016, Amina Ali Nkeki, foi a primeira a ser encontrada viva quando foi descoberta por vigilantes na Floresta de Sambisa, perto da fronteira com Camarões. Depois dela, o exército da Nigéria disse ter resgatado uma segunda menina, Serah Luka, que era filha de um pastor.

13-nigeria-meninas-liberadas

Em outubro de 2016, mais 21 meninas foram libertadas por Boko Haram após dois anos e meio de detenção e muitas negociações com o governo. A maioria, porém, continua desaparecida. No dia 5 de janeiro de 2017, a 24ª menina foi resgatada. Rakiya Abubakar Gali que estava vivendo em cativeiro foi encontrada com seu bebê de apenas 6 meses de idade. Alguns dias depois, Maryam Ali Maiyanga também foi encontrada por soldados que procuravam fugitivos na floresta de Sambisa. Ela estava carregando um menino de 10 meses de idade.

Segundo o governo, um grupo dissidente do Boko Haram parece estar disposto a negociar a libertação de mais 83 meninas. O veículo de comunicação CNN relatou que 114 delas estão mortas, ou, segundo as notícias, não querem deixar seus sequestradores porque elas são agora casadas ou foram “radicalizadas”.

Um grupo de 21 meninas libertadas encontrou-se com o presidente Muhammadu Buhari para agradecer pessoalmente pela contribuição do líder de Estado. Desde então, elas passam por intensas avaliações psicológicas em um centro médico na capital, Abuja. A maioria pertence a famílias de origem cristã. “Quando elas estão com seus pais compartilham estudos bíblicos e cantam. Elas parecem felizes, apesar dos traumas”, finaliza um dos colaboradores da Portas Abertas.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2017/01/mais-algumas-meninas-do-chibok-foram-resgatadas

Exército da Nigéria resgata estudante de Chibok com bebê

MAIDUGURI, Nigéria — O Exército da Nigéria afirmou neste sábado ter resgatado mais uma das meninas sequestradas pelo Boko Haram em 2014 na localidade de Chibok.

Autoridades disseram que a jovem foi encontrada junto com um bebê de 10 meses, um filho que ela teve com um dos extremistas islâmicos do grupo Boko Haram no cativeiro. No mês passado, 21 outras das meninas foram libertadas e levadas de volta às suas famílias; em maio, outra das estudantes conseguiu fugir.

Esta foi a primeira vez que o Exército resgatou uma das meninas de Chibok. O Boko Haram sequestrou mais de 270 estudantes de uma escola em Chibok em abril de 2014 — um ato que provocou comoção no mundo todo e uma campanha pela libertação das meninas.

Desde que foram levadas, os parentes das vítima iniciaram uma campanha em apelo pela volta das jovens meninas com o lema “Bring Back Our Girls” (“Tragam de volta nossas meninas”, em português). Os últimos resgates aumentam as esperanças das famílias que ainda aguardam pelo dia em que poderão rever suas filhas.

grupo militante islâmico também sequestrou milhares de outras pessoas durante a sua insurgência de sete anos no Nordeste da Nigéria. Mais de 15 mil pessoas foram mortas e dois milhões foram forçadas a deixar as suas casas. No ano passado, a organização jihadista prometeu lealdade ao Estado Islâmico (EI). Próxima Exército da Nigéria resgata estudante de Chibok com bebê

Fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/exercito-da-nigeria-resgata-estudante-de-chibok-com-bebe-20417294

http://www.jornalfloripa.com.br/noticia.php?id=842617

Cristãos africanos precisam da nossa ajuda

Enquanto enfrentam a violência, eles oram com fé e também contam com as nossas orações para que sejam fortes e perseverantes apesar de tudo enfrentam a violência, eles oram com fé e também contam com as nossas orações para que sejam fortes e perseverantes apesar de tudo.

Nossos irmãos perseguidos em diversos países africanos têm histórias que contam sobre suas lutas e também sobre suas vitórias. Entre a pobreza e a fome, eles estão abastecidos espiritualmente da Palavra. Enquanto enfrentam a violência, eles oram com fé e também contam com as nossas orações para que sejam fortes e perseverantes apesar de tudo. Na Nigéria, por exemplo, há vários casos em que a perseguição assolou a vida de famílias inteiras, e que hoje, contam com a nossa ajuda.

O caso das meninas do Chibok, que foram sequestradas há dois anos de uma escola secundária, por guerrilheiros do Boko Haram, deixou pais e mães inconsoláveis. Nesse mês, 21 delas foram libertadas, além de outras duas que foram resgatas anteriormente. Mas o número total de meninas sequestradas é de 228. Ainda há pelo menos duas centenas de famílias que choram a perda de suas filhas. E há notícias de que algumas já perderam suas vidas em bombardeios.

Os pais dessas meninas ainda vivem sob intensa pressão, pelo menos 18 deles já morreram de doenças relacionadas ao estresse dessa situação. Muitos buscam refúgio em Deus e se declaram firmes na fé, mas todos eles continuam precisando de ajuda. Esses pais ainda expressam a esperança de reencontrar suas filhas, que foram arrancadas deles por conta da violência de grupos extremistas islâmicos e da perseguição religiosa no país. Em suas orações, interceda por eles.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/10/cristaos-africanos-precisam-da-nossa-ajuda

Boko Haram liberta 21 garotas que foram sequestradas em 2014

Grupo jihadista havia sequestrado 267 meninas em 2014 em Chibok. Após dois anos, dezenas de estudantes permanecem desaparecidas.

O grupo jihadista da Nigéria Boko Haram libertou 21 estudantes que haviam sido sequestradas pelo grupo em uma escola na cidade de Chibok em 2014. Na época, 276 meninas haviam sido levadas pelo grupo terrorista.

Segundo a agência France Presse, “as jovens foram trocadas por quatro prisioneiros do Boko Haram nesta manhã”, na região de Banki (fronteira com Camarões).

Em 2014, 57 garotas conseguiram fugir logo após o sequestro, mas mais de 200 permaneceram desaparecidas.

Em agosto, o Boko Haram publicou um vídeo em que diz mostrar cenas recentes de dezenas de jovens estudantes sequestradas, dizendo que algumas delas tinham sido mortas em ataques aéreos.

No vídeo, publicado em redes sociais, um homem mascarado pode ser visto atrás de dezenas de garotas, uma delas identificada como Maina Yakubu, que diz ser de Chibok. Ela tem o rosto coberto no vídeo.

“O que eu quero dizer a meus pais e ao governo federal é que o governo deveria, por favor, libertar membros do Boko Haram que estão sob custódia de agentes de segurança para que nós também possamos ser soltas”, diz ela. “Jatos militares mataram algumas das garotas”, acrescenta.

O Boko Haram, que no ano passado jurou fidelidade aos militantes do grupo Estado Islâmico, tem sequestrado centenas de homens, mulheres e crianças em sua campanha para criar um califado islâmico.

Sob o comando do presidente Buhari e ajudado por países vizinhos, o exército da Nigéria tem recapturado a maior parte do território perdido para o Boko Haram, mas o grupo ainda realiza frequentes ataques suicidas com bombas.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/10/boko-haram-liberta-21-garotas-que-foram-sequestradas-em-2014-diz-cnn.html

Segunda menina resgatada na Nigéria não foi levada de escola em Chibok

Ela era aluna no local, mas foi sequestrada de sua casa em vila vizinha.
Jovem é filha de pastor e foi libertada em grupo de 97 mulheres e crianças.

Uma segunda “menina de Chibok” resgatada pelos militares nigerianos em uma batalha numa floresta com extremistas islâmicos foi sequestrada em sua vila de origem e não estava entre as 218 estudantes desaparecidas desde o sequestro em massa promovido pelo Boko Haram em 2014.

A menina é uma das três filhas de um pastor do ramo nigeriano da igreja americana Church of the Brethren, sequestradas em dois ataques separados, disse à agência AP o líder comunitário Pogu Bitrus. Este é um indicativo do quanto estão espalhadas e ativas as táticas dos extremistas islâmicos em sequestrar meninas e jovens mulheres usadas como escravas sexuais e meninos e jovens rapazes que são forçados a se unir à sua luta para criar um califado islâmico.

O porta-voz do exército, coronel Sani Kukasheka Usman disse que soldados libertaram a garota após uma batalha na noite de quinta na floresta Sambisa, no nordeste do país, na qual foram liberadas 97 mulheres e crianças e mortos 35 extremistas. Ele disse que ela estava entre as meninas levadas há mais de dois anos de uma escola em Chibok.

Bitrus disse que a menina, que tinha 15 anos quando foi levada, era aluna da mesma escola, mas estava em sua casa na época do sequestro em massa. Ela foi sequestrada depois de sua vila, Madagali, perto da cidade de Chibok, mas ele não sabe precisar quando exatamente.

A primeira adolescente de Chibok a escapar, junto com sua filha de quatro meses, foi descoberta por caçadores vagando pela floresta Sambisa na terça. Na quinta, Amina Ali Nkeki, de 19 anos, viajou à capital nigeriana, Abuja, para se encontrar com o presidente do país, Muhammadu Buhari.

Pais das meninas sequestradas, o movimento Bring Back Our Girls e trabalhadores humanitários criticaram o governo e os militares nigerianos pela forma como lidaram com a situação, com a Anistia Internacional acusando a politização de sua fuga e dizendo que ela não deveria ser exibida em público, mas sim receber tratamento médico urgente para uma vítima de abuso sexual e acompanhamento psicológico.

Ali revelou que algumas poucas meninas morreram no cativeiro, mas que a maioria permanece sob severa vigilância na floresta, segundo o médico da família, Idriss Danladi.

A fuga de Ali renovou esperanças em salvar as outras meninas e fortaleceu as exigências do movimento Bring Back Our Girls para que o governo atue ao lado da comunidade internacional para libertá-las rapidamente.

Na sexta (20) as estudantes de Chibok completam 767 dias de cativeiro.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/05/segunda-menina-resgatada-na-nigeria-nao-foi-levada-de-chibok.html

As meninas de Chibok: a cidade nigeriana que perdeu suas garotas

Ela estava na carroceria de uma camionete, lotada de colegas, enquanto homens armados tentavam levá-las. Seu pai, Daniel, disse a ela que saltasse do veículo – mas a ligação caiu.

Daniel saiu de casa para tentar captar algum sinal de telefone. Quando ligou de volta, um homem respondeu: “Pare de ligar, sua filha foi levada”.

O pai percebeu que o destino da filha estava “nas mãos de Deus”. Tentou ligar de novo no dia seguinte, mas a linha estava inativa.

Embora algumas famílias das garotas desaparecidas tenham autorizado o uso de nomes e fotos, a reportagem trocou os nomes de Jumai e do pai para preservar a identidade deles.

Até o sequestro das meninas, a área de Chibok era relativamente tranquila. O grupo radical islâmico Boko Haram havia atacado vilas ao norte e a leste, mas essa movimentada cidade-mercado havia escapado.

Daniel, que vive em Mbalala, cidade próxima, enviou sua filha à escola em 14 de abril de 2014 para o primeiro de seus exames finais.

Mas naquela noite, em um dos ataques mais organizados do grupo, o Boko Haram atacou o complexo escolar e sequestrou Jumai e 275 de suas colegas.

Escola Pública Secundária para Meninas, Chibok, Nigéria

Sua filha nunca conseguiu saltar da camionete, como algumas meninas que fugiram. Mas Daniel não perdeu a esperança de reencontrá-la. Eles são muito próximos.

“Eu a entendo como ninguém”, diz o pai. “Ela trabalha mais duro do que qualquer um de seus três irmãos e dirige uma moto como um homem.”

Diálogo frio

Há alguns meses, Daniel decidiu tentar ligar para o número da filha mais uma vez. Uma voz de homem respondeu:

“Esse telefone é da minha mulher, o que você quer?”

“Quem é você?”, respondeu Daniel.

O homem disse: “Quem é você?” Daniel desligou.

Dias depois, o pai fez uma nova chamada. O homem respondeu novamente.

“Por que você está ligando para esse número?”, ele perguntou.

Daniel mentiu: “Estou ligando porque conheço você de Maiduguri” – a maior cidade no Estado de Borno.

“Se você me conhecesse não teria ligado para esse número”, respondeu o homem.

Ele disse ser Amir Abdullahi, e se apresentou como um líder militante. Daniel não ligou mais depois disso.

Jumai é natural de Mbalala, cidade a 11 km de Chibok e uma das mais afetadas pelos sequestros. Ao todo, 25 garotas da cidade estão desaparecidas.

Uma cidade movimentada de mercados no passado, onde comerciantes vinham de longe para comprar feijão e gado, hoje tem bancas vazias. As estruturas de madeira das bancas ainda ocupam a praça principal.

Hoje em dia o Exército restringe todas as atividades dos moradores – eles não podem comprar alimentos a granel nem gás de cozinha e geradores não podem funcionar à noite, então as pessoas vão para casa na escuridão.

Sem escolas e sem trabalho, jovens não ficam na cidade caso tenham oportunidade de sair. Meninos buscam trabalho em outros lugares, e meninas tentam se casar o mais cedo possível.

Image copyrightAFP
Image captionChibok restringiu as atividades públicas diante da ameaça de atentados suicidas

Tentando se virar com o que podem, mulheres vendem lanches caseiros na beira da estrada.

Quando não estava na escola, Maryam Abubaker costumava ajudar a mãe a vender esses lanches, bolos de feijão e macarrão. No dia em que Maryam foi sequestrada, ela tinha ajudado a mãe antes de ir à escola.

“Ela é uma boa mulher de negócios. É bem preguiçosa na roça, mas ótima com clientes”, disse a mãe.

Aquele seria o último momento recente de Binti com a filha.

A melhor amiga de Maryam é sua meia-irmã Hansatu. Elas faziam tudo juntas, tinham os mesmos amigos e até costuravam roupas para que pudessem combinar os trajes.

Hansatu adorava moda e queria ser uma designer. Logo antes de ser sequestrada, ela havia implorado à mãe por uma máquina de costura.

Depois de seu desaparecimento, seus irmãos e irmãs mais novos viam suas roupas e perguntavam quando ela iria voltar. A mãe acabou guardando as roupas para parar com os questionamentos.

Ela mostra a roupa que Hansatu usaria no casamento de uma amiga, que acabou não acontecendo.

“Vou guardar até elas voltarem”, diz a mãe.

Esses pertences são a única coisa que restou a esses pais. Desde que suas filhas foram levadas, eles não receberam informações do governo sobre o possível paradeiro das meninas.

O último presidente se negou a atender os pais, e a nova administração fez pouco para rastreá-las. A verdade é que ninguém tem ideia de onde elas possam estar.

Para a família de Grace Paul, tudo o que sobrou foi uma foto. Grace tem 19 anos hoje. É uma ótima cantora, segundo seu pai. Adora matemática e quer ser médica.

As meninas na escola de Chibok representavam os jovens mais ambiciosos da vila.

Em um país onde menos da metade dos jovens termina o ensino secundário, elas integram uma minoria que aposta na educação. E algumas tiveram que lutar por isso.

Aisha Greman tinha 17 anos quando foi sequestrada. O pai diz que ela se recusou a casar enquanto ainda estava na escola, embora tivesse recebido propostas.

Trabalhadora dedicada, ela quer cursar universidade para se tornar uma profissional de saúde.

Jinkai Yama é a mais velha entre quatro irmãs. Queria desesperadamente se alistar no Exército e integrava a brigada de cadetes mulheres.

Suas irmãs mais novas perguntam por ela todo o tempo. No mês passado, quando houve relatos sobre uma menina de Chibok encontrada viva em Camarões, estavam convencidas de que era ela. Mas a jovem era de Bama, uma cidade bem mais ao norte.

Quando chove e está escuro, o pai de Jinkai fecha os olhos e tenta imaginar onde a filha está. Como muitos dos pais na cidade, ele quase já perdeu as esperanças.

Ele e a mulher não acreditam que o governo irá fazer qualquer coisa para encontrar as meninas. Se fizer, diz a mãe de Jinkai, eles teriam enviado uma equipe a Camarões o quanto antes – o envio acabou levando três dias.

A falta de confiança é tão grande que abre margem para teorias da conspiração.

O pai de Jumai, Daniel, acredita que o número de telefone da filha seja chave para descobrir seu paradeiro, mas acha que o governo não pode oferecer nenhuma ajuda. Ele se recusa a passar o número ao governo.

Alerta de ataque

O Exército não costuma ir a Mbalala com frequência, mas todo domingo soldados passam para dispersar pequenos comerciantes do mercado. A região está em alerta após uma série de ataques suicidas. Qualquer ponto que possa servir de aglomeração é foco de tensão.

Quando a reportagem visitou o local, o Exército informou que qualquer um poderia ser um terrorista suicida. Ou seja, até meninas. Nos últimos dois anos, muitos dos terroristas suicidas usados pelo Boko Haram eram meninas.

Image captionApós atentados suicidas, Exército agora restringe a formação de aglomerações na região de Chibok

Houve ataques a campos de refugiados e mercados por toda a região. Em fevereiro, o Boko Haram alvejou o mercado de Chibok, matando 13 pessoas.

Para os pais, a suspeita de que as filhas possam ser autoras de ataques não é algo simples de aceitar.

“Eu dei à luz essa menina”, disse a mãe de uma das meninas. “Mesmo se ela se aproximar de mim com uma arma na mão, deixarei que me mate, mas ainda assim irei dar boas vindas a ela.”

Sinal de vida

Nesta semana, um vídeo divulgado pelo Boko Haram mostra o que parece ser algumas das meninas sequestradas em Chibok.

O vídeo, que teria sido gravado em dezembro do ano passado, foi enviado ao governo da Nigéria e mostra 15 garotas em trajes negros, que se identificam como estudantes levadas da escola.

Algumas das jovens foram reconhecidas pelos pais. Caso tenha a autenticidade confirmada, será o primeiro registro das meninas desde maio de 2014.

O sequestro coletivo motivou uma campanha mundial nas redes sociais, com a hashtag #BringBackOurGirls (traga nossas meninas de volta, em tradução livre) e que envolveu personalidades como a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160414_nigeria_meninas_tg

Jovens capturadas pelo Boko Haram aparecem em vídeo após dois anos

CNN divulga imagens gravadas para comprovar que estudantes de Chibok estão vivas

MAIDUGURI, Nigéria — Após terem sido sequestradas pelo autoproclamado califado do Boko Haram há exatamente dois anos, centenas de meninas nunca mais foram vistas por suas famílias na Nigéria. No entanto, a rede CNN divulgou nesta quarta-feira um vídeo gravado para provar que 15 das chamadas estudantes de Chibok estão vivas. Pela primeira vez, parentes de algumas das 270 vítimas do sequestro tiveram a chance de ver imagens destas jovens.

A rede CNN, que obteve o material com exclusividade, mostrou o vídeo às famílias das meninas que aparecem nas imagens. Com seus cabelos cobertos e roupas longas, as jovens fazem uma fila em frente a uma parede amarela e suja. Elas não apresentam sinais de maus-tratos.

No último fim de semana, Rifkatu Ayuba foi uma das mães que finalmente teve notícias da sua filha, hoje com 17 anos:

— Eu queria tirá-la de dentro da tela — disse Rifkatu, que não faz ideia do local para onde sua filha foi levada, à CNN.

Acredita-se que o vídeo tenha sido gravado no último mês de dezembro como parte das negociações entre o Boko Haram e o governo. Segundo o canal americano, o material foi vazado por uma fonte anônima, que quis oferecer um pouco de esperança aos pais que perderam suas filhas e impulsionar o governo a lutar pela sua libertação.

Enquanto a câmera passa pelas jovens sequestradas, um homem pergunta qual é o nome de cada uma delas, qual era seu nome na escola e de onde elas foram retiradas. Calmamente, elas respondem que foram sequestradas da escola secundária de Chibok.

Ao fim do vídeo de dois minutos, uma das meninas faz uma declaração final:

— Estou falando, no dia 25 de dezembro de 2015, em nome de todas as meninas de Chibok e nós estamos bem.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/jovens-capturadas-pelo-boko-haram-aparecem-em-video-apos-dois-anos-19077295#ixzz45lma6k5s
© 1996 – 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Estudantes de Chibok não estão entre as meninas e mulheres resgatadas na Nigéria

Operação do Exército nigeriano libertou 200 meninas e 93 mulheres reféns do Boko Haram na Floresta de Sambisa

ABUJA — Tropas da forças armadas nigerianas anunciaram o resgate de 200 meninas e 93 mulheres que estavam sob contole do grupo jihadista Boko Haram nesta terça-feira. Apesar de dúvidas iniciais, o porta-voz do Exército nigeriano, coronel Sani Usman, confirmou que entre as meninas resgatadas não estão as sequestradas pelo Boko Haram em Chibok, no ano passado.

As mulheres foram resgatadas na Floresta de Sambisa, onde o Boko Haram mantém acampamentos.

“Nesta tarde, as tropas resgataram 200 meninas e 93 mulheres da Floresta de Sambisa”, informou o Exército nigeriano pelo Twitter.

Pelo Twitter, o Exército da Nigéria também confirmou que destruiu três acampamentos mantidos pelos extremistas.

— Ainda temos que determinar a origem de todas as pessoas libertadas, que estão sendo examinadas — afirmou o major general Chris Olukolade, diretor de Informação do Ministério da Defesa. — Teremos mais detalhes em breve.

O sequestro de mais de 200 estudantes de uma escola em Chibok, em abril de 2014, por militantes do Boko Haram, gerou comoção internacional, e deu origem à campanha “Bring back our girls” (“Tragam nossas meninas de volta”), que se espalhou pelo mundo no ano passado.

Eleito no início do mês, o futuro presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, se mostrou pouco esperançoso na luta pelo resgate das jovens. “Seu paradeiro é desconhecido. Não posso prometer que as encontraremos”, afirmou Buhari há duas semanas.

http://oglobo.globo.com/mundo/estudantes-de-chibok-nao-estao-entre-as-resgatadas-na-nigeria-16000520