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Ataque a base da ONU no Sudão do Sul mata 18 pessoas

Guerra sectária não poupa refugiados protegidos por capacetes azuis.

JUBA – Um ataque a uma base gerida pelas forças de paz da ONU no Sudão do Sul deixou pelo menos 18 mortos e 40 feridos, anunciou nesta quinta-feira o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. O local abriga civis fugindo do conflito sectário no país. Não há soldados entre as vítimas fatais, segundo um comunicado.

De acordo com a ONU, os7 mortos eram pessoas deslocadas que viviam na base na cidade de Malakal (Nordeste). Na região, a constante violência entre as comunidades étnicas Dinka e Shilluk explodiu durante a madrugada e avançou pelo dia, disse Ban.

— Todo ataque dirigido contra civis, os locais da ONU e os capacetes azuis podem constituir um crime de guerra — disse Ban, citado em um comunicado.

Sul-sudaneses conferem cenário de destruição após invasão em confronto sectário – JUSTIN LYNCH / AFP

Recentemente, a assinatura de um acordo de paz no país (recentemente criado, mas já flagelado por uma intensa guerra civil e sectária) fez com que o presidente Salva Kiir oferecesse ao líder rebelde, Riek Machar, a volta ao posto de vice-presidente. A proposta foi aceita.

A guerra civil matou milhares de pessoas e deslocou mais de 2,3 milhões desde o fim de 2013.

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Mesquitas sunitas do Iraque são atacadas após atentados do EI

Retaliação a explosões reacende conflito sectário no país
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BAGDÁ – Ao menos sete mesquitas sunitas e dezenas de lojas no leste do Iraque foram incendiadas nesta terça-feira, segundo fontes de segurança e autoridades locais, um dia depois que 23 pessoas foram mortas em duas explosões reivindicadas pelo Estado Islâmico. Dez pessoas também foram mortas a tiros em Muqdadiyah, 80 quilômetros a nordeste de Bagdá, disseram fontes de segurança e de hospitais.

Testemunhas disseram que algumas vítimas do ataque desta terça-feira foram mortas dentro de casa ou arrastadas para a rua e executadas por atiradores de vestes pretas e uniformes camuflados. De acordo com as forças de segurança, os ataques ocorreram nos distritos centrais de Mualimeen, Asri e Orouba.

— É pior que o inferno. Eu escondi meu dois filhos embaixo de uma pilha de roupas, dentro do armário, para evitar que fossem descobertos — disse Um Ibrahim, viúva sunita que fugiu para Khanaqin depois de ver duas mesquitas tomadas pela fumaça preta.

A ascensão do grupo terrorista Estado Islâmico, que segue uma ideologia jihadista sunita, tem inflamado um conflito sectário de longa duração no país, principalmente entre a maioria xiita e a minoria sunita. O aumento dessa violência pode minar os esforços do primeiro-ministro Haider al-Abadi, um islâmico xiita moderado, para desalojar os militantes de grandes áreas do Norte e Oeste, que os jihadistas conquistaram em 2014.

Pelo menos duas mesquitas sunitas no Sul de Bagdá foram atacadas na semana passada depois de um clérigo xiita ser executado na Arábia Saudita, provocando reações furiosas no Iraque e no vizinho Irã.

ESCALADA DE TENSÕES

No auge da guerra civil do Iraque, há quase uma década, esses ataques a mesquitas muitas vezes desencadeavam assassinatos por vingança e contra-ataques em todo o país. As autoridades tentaram coibir a escalada da violência ao condenar os ataques às mesquitas, assim como os bombardeios da segunda-feira, que, segundo o Estado Islâmico, tiveram alvos xiitas.

Abdul Lateef al-Himayim, chefe do órgão governamental responsável pelo monitoramento de sítios religiosos sunitas, considerou os ataques “uma tentativa desesperada de destruir a unidade iraquiana”, enquanto as Nações Unidas alertaram, em comunicado, que os bombardeios poderiam levar o país “de volta aos dias obscuros de luta sectária”.

Já Haqqi al-Jabouri, membro do conselho local da província de Diyala, onde se localiza Muqdadiya, disse que os ataques de ambos os lados prejudicam a integração da comunidade. Ele culpou “milícias xiitas indisciplinadas” pelos ataques às mesquitas. Amal Omran, que também integra o conselho de Diyala, creditou o ataque a “infiltrados interessados em minar a imagem das milícias xiitas”.

As milícias xiitas foram cruciais para evitar que o Estado Islâmico avançasse sobre a capital iraquiana e sobre santuários desta ramificação do Islã, durante a investida de radicais sunitas na fronteira síria em 2014. Essas organizações têm ajudado as forças iraquianas a afastar os militantes, inclusive de territórios de Diyala. No entanto, as milícias têm sido acusadas de violar os direitos humanos dos sunitas.

POLÍCIA TAMBÉM É ALVO

Dois jornalistas iraquianos também foram mortos esta terça-feira nos arredores de Baquba, a 65 quilômetros de Bagdá, de acordo com autoridades de segurança e a TV estatal Sharqiya. Eles teriam sido desviados por uma milícia xiita em um posto de controle perto de Muqdadiya. No caminho de volta a Baquba, atiradores dispararam no veículos em que os profissionais estavam.

Mais cedo, um homem-bomba atacou um comboio policial na mesma região, matando três membros das forças de segurança e ferindo um oficial de polícia.

Qasim al-Anbuki, chefe da inteligência policial na região, liderou um grupo para checar um suposto carro-bomba estacionado em uma rodovia que liga Bagdá a Baquba. Ao se aproximar do veículo, o homem detonou o explosivo. Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque.

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Limpeza étnica e sectária avança no Oriente Médio

Guerra entre comunidades no Iraque e na Síria expõe nova crise de refugiados.

DAMASCO — Uma limpeza sectária e étnica está se intensificando na Síria e no Iraque. Comunidades que antes viviam juntas em paz estão tão temerosas umas das outras, depois de anos de guerra selvagem, que as seitas ou grupos étnicos mais poderosos estão expulsando os mais fracos. Este padrão está se repetindo em vários lugares — desde cidades sunitas capturadas por milicianos xiitas nas províncias ao redor de Bagdá, passando por enclaves cristãos no centro da Síria sob a ameaça do Estado Islâmico (EI), até aldeias do Turcomenistão ao sul da fronteira sírio-turca sendo bombardeadas por aviões russos.

A incapacidade de sírios e iraquianos de voltar para casa em segurança significa que Europa e Oriente Médio terão que lidar durante décadas adiante com uma irreversível crise de refugiados provocada pela guerra.

— Vamos acabar como os cristãos, sendo tirados do país à força — diz o jovem fotógrafo sunita Mahmoud Omar, que já morou em Ramadi, no Iraque.

Muitos fugiram em maio, quando o EI capturou a cidade, atualmente sob ataque das forças militares do governo xiita de Bagdá, que tenta recapturá-la. Cerca de 1,4 milhão de pessoas de Anbar — 43% da população da maior província iraquiana — estão deslocadas, diz a Organização Internacional para Migrações.

As tribos árabes sunitas na província de Raqqa, na Síria, emitiram uma declaração no início do mês passado acusando forças curdas — as Unidades de Proteção Popular (YPG) — de deslocar árabes da cidade Tal Abyad, na fronteira com a Turquia. As forças curdas dizem que “nenhum soldado das YPG pode entrar nas áreas árabes, onde os nossos combatentes estão presentes”. As YPG negam ter forçado os árabes a deixar Tal Abyad, mas curdos sírios muitas vezes consideram os árabes sunitas como colaboradores do EI.

Comunidades menores, como as dos cristãos no Iraque e na Síria, estão sendo eliminadas. Na aldeia de Sadad — que já foi lar de cinco mil membros da Igreja Ortodoxa Síria — as pessoas estão saindo porque há apenas algumas horas de eletricidade por dia e os preços são muito altos, mas acima de tudo porque os moradores têm medo de serem abatidos pelo EI. Dois anos atrás jihadistas sunitas radicais, liderados pela Jabhat al-Nusra, filiada à al-Qaeda, capturaram Sadad por dez dias, matando 45 cristãos e destruindo ou saqueando 14 igrejas antes de serem expulsos pelo exército sírio.

Na Síria, muitos dos cerca de 5,3 milhões de refugiados e 6,5 milhões de pessoas deslocadas provavelmente tiveram suas casas e bairros destruídos ou ocupados por membros bem armados de alguma comunidade hostil.

O mesmo se dá no Iraque. Descrevendo aldeias sunitas ao sul de Kirkuk, cujos habitantes foram expulsos por xiitas e curdos, um especialista de direitos humanos que quis manter o anonimato disse que “se os sunitas fogem, as pessoas dizem que é a prova de que eles estavam trabalhando com o EI e, se ficam, é dito que são membros de células adormecidas do EI esperando para atacar. Eles saem perdendo sempre”. A fuga em massa e as expulsões que estão ocorrendo são comparáveis às que aconteceram na Índia e no Paquistão em 1947, ou na Alemanha no final da Segunda Guerra Mundial.

‘Divisão irremediável’

“Os esforços de limpeza étnica local já estão tornando a divisão da Síria cada vez mais irremediável”, analisa o professor Fabrice Balanche, do Washington Institute for Near East Policy, no estudo chamado “Limpeza étnica ameaça Unidade da Síria”. Ele acrescenta que “a diversidade sectária está desaparecendo em muitas áreas do país”. A tomada de uma área inteira por uma única seita, etnia ou filiação política tende a ser difícil de reverter porque as casas são dadas aos novos proprietários que não querem abandoná-las.

Os árabes sunitas têm estado no centro da revolta contra o presidente sírio Bashar al-Assad desde 2011 e também consideram as comunidades não-sunitas como partidárias de Assad. Isso é o motivo dos distritos sunitas terem se tornado alvos do governo. Distritos inteiros de Damasco e Homs que já estiveram sob controle rebelde são hoje um mar de ruínas com cada edifício tendo sido destruído por explosivos. Mas a comunidade sunita também está socialmente dividida, com os mais letrados e de melhor poder aquisitivo aliando-se a Assad, opondo-se aos sunitas mais pobres, mais rurais e tribais.

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