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Vergonha para a Humanidade

Nos últimos dias, centenas de civis morrem em crimes de guerra na Síria

Na tarde de quarta-feira, duas bombas de barril, artefato dos mais destrutivos e letais, foram lançadas contra prédios de uma área civil em Aleppo, no Noroeste da Síria. O responsável pelo ataque esperou que as equipes de emergência pudessem transportar os que restavam vivos para o hospital al-Quds, onde médicos e enfermeiros começaram a trabalhar freneticamente para socorrê-los e famílias se amontoaram no portão de entrada em busca de informações sobre parentes feridos. Minutos depois, lançaram a terceira bomba sobre unidade.

Entre os mais de 50 corpos retirados dos escombros, até a tarde de ontem, estava o do único pediatra restante na cidade, doutor Wasem Maaz. Como outros mortos no ataque, ele trabalhava voluntariamente. Muitas das crianças sob seus cuidados também morreram, soterradas no prédio reduzido a ruínas. As cenas são chocantes demais para serem exibidas, mas não podem ser ignoradas pela História. São registros da barbárie ocorrida sob os olhos da comunidade externa. O ataque aconteceu durante um cessar-fogo que deveria ser mantido até o fim das negociações de paz, ainda infrutíferas, em Genebra.

Em entrevista à coluna, por telefone, o presidente da Médicos Sem Fronteiras espanhola, responsável pelas operações da organização na Síria, José Antonio Bastos, vê no ataque uma ação premeditada e proposital contra agentes de ajuda humanitária e de saúde, como tática de guerra.

Diante do impasse em Genebra sobre sua permanência no poder, o presidente Bashar al-Assad, que tem apoio da Rússia, intensificou bombardeios nos últimos dias para tentar cercar o leste de Aleppo e estrangular a oposição, deixando-a sem saída e sem acesso a suprimentos, comida, assistência humanitária ou médica, matando-a aos poucos — e a população, já exausta e faminta, com ela.

Centenas de civis morreram nos ataques dos últimos dias. “Embora não haja evidências sobre quem é o responsável por este ataque, nós sabemos que Assad tem usado bombas de barril contra alvos civis. No contexto da guerra na Síria, somente seu Exército e aliados dispõem de força aérea, e os ataques ocorreram contra áreas da oposição. Com isso, aliado ao fato de que temos testemunhado uma tentativa do governo de cercar Aleppo, é possível afirmar que, provavelmente, o ataque ao hospital faz parte dessa ofensiva”, disse Bastos. “Esse hospital era um dos mais antigos ainda em operação e todas as partes desse conflito sabiam de sua existência e localização, o que nos leva a crer que foi ataque deliberado.”

Diante dos ataques dos últimos dias, as equipes médicas estavam operando com toda o pessoal. “Nós sabíamos que uma ofensiva maior estava por vir”, disse Jose Antonio. Mas ninguém poderia imaginar que seria contra o hospital. “Já não há como estar seguro em Aleppo.” Antes uma cidade moderna de cinco milhões de habitantes, Aleppo tem hoje 250 mil civis sitiados pelos confrontos e aterrorizados. Até o ataque ao hospital, restavam apenas 25 médicos na cidade. No mês passado, ao menos quatro outros hospitais foram atacados.

Nos últimos anos, as atrocidades do Estado Islâmico chocaram o mundo e serviram para criar um clima de terror com o qual o grupo conquistou avanços. Mas o horror beneficiou sobretudo o governo de Assad.

“Todas as partes do conflito cometeram agressões contra civis. A violência do EI é bem conhecida, mas enquanto o mundo estava preocupado com o grupo, em termos quantitativos e no que diz respeito ao uso de bombas de barril… O governo sírio tem mais a ser responsabilizado”, diz José Antonio. “O nível de violência e desumanidade é geral, mas o número e a violência dos ataques pelo governo sírio têm sido maiores.”

Nos conflitos, equipes de busca e resgate, hospitais e áreas onde há civis devem ser poupados, segundo as convenções de Genebra, e ataques contra tais alvos são crimes de guerra.

“Bombardear um hospital é, em qualquer circunstância e sem sombra de dúvidas, um crime de guerra. Mas um ataque como este, sem nenhum alerta prévio e da forma premeditada como tem sido feito, com uma bomba lançada no hospital onde feridos, equipes de resgate e de saúde, além de famílias, se aglomeravam como consequência de dois outros ataques anteriores, vai muito além. É uma vergonha para a Humanidade.”

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/vergonha-para-humanidade-19201867#ixzz47JlBchaC
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Uso de bombas de fragmentação no Iémen é possível crime de guerra

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu hoje que o uso de bombas de fragmentação para atingir zonas povoadas no Iêmen “pode constituir um crime de guerra”.

A ONU indicou ter recebido “informações preocupantes” sobre o uso desse tipo de armas em ataques, em 06 de janeiro, da coligação árabe pró-governamental sobre Sanaa, a capital controlada pelos rebeldes xiitas Huthi apoiados pelo Irã.

Citado pelo seu porta-voz, Ban Ki-moon declarou-se “muito preocupado com a intensificação dos ataques aéreos da coligação militar árabe” liderada pela Arábia Saudita e, particularmente, com “informações sobre ‘raids’ intensos em áreas residenciais e edifícios civis em Sanaa”, entre os quais a câmara de comércio e uma instituição para cegos.

“A utilização de bombas de fragmentação em zonas povoadas pode constituir um crime de guerra”, frisou o responsável, instando “todas as partes” no conflito a respeitarem o direito internacional e a população civil e a garantirem o êxito da próxima ronda de conversações de paz “assim que possível”.

Estas negociações estão, em princípio, previstas para meados de janeiro, sob a égide da ONU, mas a crise nas relações entre Riade e Teerã e o fim do cessar-fogo no Iêmen fazem temer adiamentos.

O mediador da ONU no Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, esteve hoje em Riade para se reunir com responsáveis iemenitas e sauditas e tentar reinstaurar o cessar-fogo.

O severo aviso de Ban Ki-moon ocorre um dia depois da decisão do Governo iemenita, apoiado pela coligação árabe na sua guerra contra os Huthi, de expulsar o representante das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Iêmen, George Abu Al-Zulof.

O secretário-geral da ONU criticou veementemente esta expulsão e pediu ao Governo para recuar nesta decisão, até agora sem resultado.

O Governo iemenita acusou o representante de parcialidade.

Num relatório recente, o Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos levantava fortes suspeitas sobre a utilização de bombas de fragmentação pela coligação na província de Hajjah, fronteiriça com a Arábia Saudita.

Uma equipa do Alto-Comissariado tinha encontrado numa aldeia de Al-Odair os restos de 29 bombas desse tipo.

Uma bomba de fragmentação é composta por um recipiente que dispersa, no ponto de impacto, muitos pequenos projéteis explosivos que se encontram no seu interior. Esta arma, muito eficaz numa superfície ampla, é considerada particularmente mortal e é proibida por uma convenção internacional datada de 2008, que a Arábia Saudita e o Iêmen não assinaram.

O Iêmen está mergulhado numa guerra civil que já fez quase 6.000 mortos, 2.800 dos quais civis, e desencadeou uma grave crise humanitária.

Uma coligação sob comando saudita efetua uma intervenção em apoio do Governo iemenita desde março de 2015 para expulsar os rebeldes xiitas Huthi, acusados de ligações ao Irão, que se apoderaram de grandes áreas do país.

http://www.noticiasaominuto.com/mundo/516489/uso-de-bombas-de-fragmentacao-no-iemen-e-possivel-crime-de-guerra

Yemen: Houthi Artillery Kills Dozens in Aden

(Beirut) – Pro-Houthi forces have repeatedly fired mortar shells and rockets indiscriminately into populated areas in the southern Yemeni port city of Aden in violation of the laws of war. In the deadliest attack, on July 19 in Dar Saad district, mortar fire killed several dozen civilians, including children.

Leaders of the Houthis, also known as Ansar Allah, should immediately cease indiscriminate attacks by their own and allied forces and take all possible steps to minimize harm to civilians. Houthi forces should not use explosive weapons with wide-area effect in populated areas because of the inevitable harm they cause to civilians.

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“Pro-Houthi forces have been raining mortar shells and rockets onto populated areas of Aden with no apparent regard for the civilians remaining there,” said Ole Solvang, senior emergencies researcher. “These unlawful attacks take a terrible human toll and should stop immediately.”

Human Rights Watch visited four areas in Aden controlled by southern resistance forces that had come under fire from Houthi rockets and mortars since July 1. Human Rights Watch also interviewed four Aden residents by phone and reviewed photographic evidence and video footage of the attacks and their aftermath published on social media.

Investigation of the impact sites and weapons remnants shows the use of multiple rockets and mortar rounds with blast and fragmentation effects that can cause injuries and damage over a wide area. These weapons, in particular unguided rockets, are difficult to target with accuracy, and when directed toward populated areas are indiscriminate. Indiscriminate attacks violate the laws of war and amount to war crimes when carried out deliberately or recklessly. Human Rights Watch has previously documented the use of unguided rockets against populated areas in Saudi Arabia by pro-Houthi forces in Yemen.

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Remnant from what appear to be a 122 mm rocket found after an attack on the Mansoura District in Aden on July 7-8, 2015. The attack killed several dozen civilians.

© 2015 Human Rights Watch

Human Rights Watch investigated attacks that struck areas under the control of the southern resistance committees. The areas were attacked repeatedly over several days, excluding the possibility of misdirected fire. Impact marks on buildings and walls indicated that the munitions had come from the direction of the front lines, and the impact areas were within range of pro-Houthi forces.

Human Rights Watch presented details of the attacks with Ansar Allah authorities in Sanaa, the capital, but they did not provide any concrete information about the attacks or their intended targets. A representative of Ansar Allah from the Ministry of Human Rights said that he would welcome an investigation, even an international one, including of alleged violations by Houthi forces.

Local residents in the areas attacked said that no southern resistance fighters were in those areas and that the fighters had not used the areas to launch attacks against the Houthis. Human Rights Watch saw no evidence of military installations or other military objectives that would constitute legitimate targets.

International humanitarian law – the laws of war – governs the hostilities in Yemen and Saudi Arabia. It prohibits indiscriminate attacks, which strike military objectives and civilians or civilian objects without distinction. Examples include attacks that are not directed at a specific military objective or that use weapons, such as unguided rockets, that cannot be directed at a specific military objective.

Military commanders must choose a means of attack that can be directed at military targets and will minimize incidental harm to civilians. Weapons that are so inaccurate that they cannot be directed at military targets without imposing a substantial risk of civilian harm should not be deployed. Forces deployed in populated areas must avoid locating military objectives near densely populated areas and try to remove civilians from the vicinity of military activities.

“Houthi leaders should realize that they could face a war crimes trial for ordering or even just overseeing indiscriminate rocket attacks on civilian neighborhoods,” Solvang said.

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Damage to the wall around the Al Massila primary school in Little Aden after a rocket struck it on July 9, 2015, killing a man sitting by the wall.

© 2015 Human Rights Watch

July 19 Attack on Dar Saad
Pro-Houthi forces fired mortar shells into Dar Saad, one of Aden’s northern districts, on the morning of July 19, local residents told Human Rights Watch. The shelling killed nearly 100 people, most of them civilians, according to Doctors without Borders (MSF). Human Rights Watch visited the scene of the attack the next day, July 20.

Local residents said that mortar fire began hitting the Dumina neighborhood, in the eastern part of Dar Saad, at about 9 a.m. and continued for several hours, during which mortar shells also hit the nearby Shaikhan neighborhood and the Insha’at neighborhood in western Dar Saad.

In Shaikhan, several mortar shells hit close to the local mosque. One exploded about 20 meters away between 10:30 and 11 a.m., injuring many children who were waiting in a line to collect water, witnesses said. A local policeman told Human Rights Watch:

There were many injured. I couldn’t count them all. I myself helped perhaps 15-16 children who were wounded, all of them between 9 and 12-years-old, and most of them had been standing in line for water.

Another mortar shell fell near the mosque’s main gate at about 12:30 p.m. as worshipers emerged from noon prayers, killing at least five civilians, witnesses said.

Several mortar rounds also struck the western part of Dar Saad. In the Insha’at neighborhood, a mortar shell that hit a truck in the street near a shop on Maydan street at about 9:30 a.m. wounded at least three people. Shortly after the first impact, another mortar shell struck the area next to the shop, killing at least nine people, including a 10-year-old child, and injuring at least six others, including five children, witnesses said.

A third shell hit a house at about 10 a.m. Ali Ahmad Muhammad Nagi, 45, the owner, told Human Rights Watch:

A shell fragment penetrated the roof and the first floor and got stuck in the ceiling of the ground floor, right above the bed where my 7-year-old daughter was sleeping. She is suffering now, wakes up frightened at night, in panic, remembering the loud sounds and seeing the tip of the shell hanging over her head. I was scared myself so how do you think she felt? Then the shells started raining over the area, here, there, everywhere, exploding among people helping the wounded.

Local residents said that at least 12 shells hit the neighborhood that morning.

Human Rights Watch examined more than 15 impact sites in eastern and western Dar Saad. At several there were munition remnants such as tail sections that are distinctive indicators of a mortar shell. Based on their knowledge from previous attacks, local residents said they thought the remnants came from 120 mm mortars. This was consistent with the findings of a Human Rights Watch analysis of remnants.

The areas of Dar Saad that the mortar shells hit are all two or three kilometers south of the front line between the Houthi and southern resistance forces fighting for control of Aden. Human Rights Watch examined at least four sites where mortar shells had struck the north and front-line-facing walls of buildings indicating that they had come from positions held by Houthi forces. In general, 120 mm mortars have a minimum range of 500 meters and a maximum range of over 7 kilometers. These shells can produce casualties on exposed people up to 60 meters away from the point of impact.

The international humanitarian aid organization Doctors Without Borders (MSF), which runs a hospital in Aden, reported that attacks on Aden on July 19 killed nearly 100 people and wounded about 200 others. The head of MSF in Yemen said that 80 percent of the overall casualties were civilians.

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Damage to the eastern façade of the Royal Concorde Hotel in Aden after a rocket attack on July 1, 2015.

© 2015 Private

July 9 Attack on Little Aden
At least six rockets struck B-class, a residential neighborhood close to the Aden Refinery Company in Little Aden on a peninsula west of the main city, on the afternoon of July 9. The attack killed 70-year-old Hassan Zaid, local residents said. Zaid died when a rocket struck the eastern side of the concrete wall surrounding al-Massila primary school, where more than 200 people displaced by the fighting had sought shelter, residents said. Human Rights Watch viewed a fragment pattern visible on the eastern side of the wall, but not western, indicating that it almost certainly came from the east.

Another rocket struck the north face of a house about 500 meters west of the school, also damaging a neighboring house and seriously wounding Hussein Rauf, 19. Doctors had to amputate both of his legs, local residents said.

At least four other rockets struck the area without causing further casualties. Local residents showed Human Rights Watch a large object at one site that appeared to be the remnant of a 122 mm unguided rocket.

Taken together, the damage to the school wall and the residential buildings indicate that the rockets came from the northeast. Pro-Houthi forces were in the Tawahi district, 15 kilometers away and north of the Aden airport, 20 kilometers away. In general, unguided 122 mm rockets have a minimum range of at least a kilometer and a maximum range of 20 kilometers. However, given the many variations and performance improvements made by some manufacturers, some 122 mm rockets may be capable of reaching ranges approaching 40 kilometers.

Local residents said a rocket also struck the nearby Kod al-Namer residential neighborhood at about 1 a.m. on July 9, slightly injuring one man and damaging three houses.

The attacks in Little Aden may have been directed at the Aden oil refinery. Rockets struck the refinery on June 27 and on July 13, according to media reports.

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Remnant of one of six unguided rockets that struck Little Aden on July 9, 2015. The attack killed one man and severely injured another.

© 2015 Human Rights Watch

July 7 Attack on Mansoura District
Rockets and mortar shells struck Wadea Hadad, a residential area about 500 meters west of Mansoura central prison in Mansoura District, between 10 p.m. on July 7 and 2 a.m. on July 8, killing at least six civilians and seriously wounding others, residents told Human Rights Watch. They named six of the dead, who included one woman and two children belonging to the Saleh family, ages 2 and 6. The dead children’s mother and 10-year-old sister were critically injured.

Mahmoud Abdulaziz, 29, said that the rockets struck in numerous places, some in the streets and some on cars: “I saw five people get killed in that attack, all of them civilians from this area,” Abdulaziz said.

Residents said that Gunblat Saleh Fadel, 32, died when a munition hit his car as he sought to move it to a safer place, and that a rocket killed two other people when it exploded near their car as they attempted to evacuate people from the neighborhood.

Some residents said that they could distinguish between rocket and mortar attacks because rockets generally caused greater damage to buildings, and showed Human Rights Watch rocket remnants that they had found after the attack.

The neighborhood that came under attack is known as “Army Buildings” to local residents because the Yemeni authorities formerly allocated apartments in the area to military officers. However, local residents told Human Rights Watch that there had been no firing of rockets, mortars, or other weapons from the area or any significant deployment of fighters that could have provided a justification for the Houthi attack on July 7.

July 1 Attack on Mansoura District
Multiple rockets struck Blocks 4 and 5, two residential neighborhoods in Mansoura District early on the morning of July 1, local residents said. The attack killed 18 civilians, including a child, and wounded 23 others, according to Al-Khader al-Aswar, director of the Aden office of Yemen’s Health Ministry.

Local residents said that the first rocket struck near Mansoura central prison near midnight on June 30, killing one man. A short time later, a second rocket hit a gas station on Prison Street about 40 meters from the Infinity Hotel, then accommodating several hundred people displaced by the fighting. Then, after dozens of people had rushed to the site to see if there were casualties, a third rocket hit the street nearby.

Muhammad Hussein al-Hamed, who was staying at the hotel and standing in front of it when the third rocket struck, said:

I heard a huge explosion when something hit the ground in the middle of the street right next to us. I felt something piercing my skin and bone in my right arm, my foot and the area between my thighs. I screamed. I managed to get back to the hotel on my own, but there I fainted from the pain and bleeding.

Al-Hamed said he saw about 10 other people wounded by the rocket strike. Another hotel resident said that 16 people staying there were wounded, some severely.

About one hour later, a fourth rocket struck room 411 on the fourth floor of the Royal Concorde Hotel, adjacent to the Infinity Hotel, wounding a mother and her child. One of the people staying at the Royal Concorde said:

Women and children were screaming, running out of their apartments without even wearing abayas or taking their bags. The fourth floor was filled with smoke. The family living in 411 had come to Mansoura to seek safety. Now the wife and child are in critical condition in the hospital.

At about 5:30 a.m. another rocket struck a two-story home about 40 meters from the Infinity Hotel. Omar Saleh Omar, 54, a bus driver who was living on the first floor of the house, said:

I had just returned from prayer in the mosque when I heard two huge explosions. The whole house was filled with smoke. I couldn’t see or breathe. My daughters were screaming. A fan had fallen on my oldest daughter, injuring her face, hands, and legs. When we got out of the house, we saw that the second floor was burning.

The rocket had struck the second floor of the building, where a couple lived with their 8-month-old daughter, killing the baby and mortally wounding the father, Omar said.

“It was awful, that day was awful,” Omar said. “I will never forget how she [the mother] screamed and cried. Now she doesn’t speak at all. She has been in shock since that day.”

https://www.hrw.org/news/2015/07/29/yemen-houthi-artillery-kills-dozens-aden

Bashir do Sudão viaja apesar de ter um mandado de detenção do TPI

O presidente sudanês, Omar al-Bashir chegou na Mauritânia no domingo para participar de uma cúpula, apesar de um mandado de captura internacional emitido contra ele em 2009 por acusações de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

A visita veio semanas depois da África do Sul se recusar a prender Bashir durante uma reunião da União Africana, e até mesmo ameaçar a retirar-se do Tribunal Penal Internacional (TPI), após protestos.

Na Mauritânia, que não tinha assinado o Estatuto de Roma do TPI, Bashir vai na segunda-feira para uma reunião de iniciativa da Grande Muralha Verde, que visa plantar uma parede de árvores na África para impedir que  o deserto se espalhe, disse a agência estatal de notícias da Mauritânia.

Líderes de Burkina Faso, Senegal, Mali, Chade e Mauritânia são esperados para participar da cúpula de um dia.

Bashir preside o Sudão desde 1989 e foi indiciado por genocídio contra a população civil na região ocidental de Darfur durante o conflito que eclodiu em 2003. O conflito começou em 2003, quando rebeldes negros se levantaram contra o seu governo dominado pelos árabes, protestando porque eles foram marginalizados. Khartoum desencadeou uma sangrenta contra-insurgência, utilizando as forças armadas e milícias aliadas.

A ONU diz que 300 mil pessoas foram mortas no conflito e outros de 2,5 milhões forçados a fugir de suas casas.

https://english.alarabiya.net/en/2015/07/30/Taliban-announces-Mansour-as-new-leader-.html

Justiça sul-africana proíbe presidente do Sudão de deixar o país

Omar al-Bashir participava de cúpula da União Africana; pedido de detenção foi feito pelo Tribunal Penal Internacional.

JOHANNESBURGO — Um tribunal sul-africano proibiu este domingo que o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, deixe a África do Sul enquanto a Justiça não se pronuncia sobre um pedido de detenção reivindicado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

Bashir, acusado de genocídio e crimes de guerra, estava em Johannesburgo participando da cúpula da União Africana. Seu caso será examinado pelo tribunal do país às 9h30m (horário local) de segunda-feira. O juiz Hans Fabricuis pediu para que o governo sul-africano tome “todas as medidas necessárias” para evitar que o sudanês deixe o país.

O TPI reivindica a detenção de Bashir desde 2009, quando foi acusado por crimes de guerra e contra a Humanidade. No ano seguinte, ele passou a ser acusado também por homicídio.

Os pedidos de captura estão vinculados aos conflitos em Darfur, no oeste do Sudão, onde mais de 300 mil pessoas morreram desde 2003, a maioria devido a doenças.

O tribunal pediu no dia 28 de maio para que a África do Sul realizasse a detenção e a entrega de Bashir, cumprindo sua instituição, sediada em Haia, na Holanda. O embaixador sul-africano no país respondeu que o governo sul-africano afirmou que a lei “não era clara”. Em um documento, a TPI afirmou que não havia “ambiguidades ou incertezas” sobre a obrigação do governo de Johannesburgo.

Bashir, de 71 anos, está no poder desde um golpe de Estado em 1989. Ele foi reeleito em abril com 94% dos votos para um novo mandato de cinco anos.

Em 2009, ele limitou significativamente suas viagens para o exterior, privilegiando países aliados e que não são membros do TPI, na África e no Oriente Médio.

Depois da detenção de Bashir, o Congresso Nacional Africano afirmou que o TPI “não era mais útil para os propósitos a que foi concebido”. Por isso, reivindicou que o estatuto do tribunal fosse revisto e aplicável para todos os países-membros da ONU. Desta forma, seria possível ter “uma Corte independente para aplicar uma Justiça universal e equitativa”.

http://oglobo.globo.com/mundo/justica-sul-africana-proibe-presidente-do-sudao-de-deixar-pais-16442124

Documentos vazados provam crimes de guerra do regime sírio

Haia – Várias atas de acusação por crimes de guerra contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, e seus colaboradores foram estabelecidas por uma comissão internacional financiada pelos ocidentais, com base em documentos oficiais vazados ilegalmente da Síria.

A Comissão Internacional para a Justiça e a Responsabilidade (CIJA) revelou nesta quarta-feira ter estabelecido três atas de acusação por crimes contra a Humanidade contra o regime, e afirmou que continua a reunir provas contra o governo e contra os rebeldes.

A CIJA confirmou em um e-mail à AFP que as acusações foram estabelecidas com base em documentos do governo vazados clandestinamente da Síria por uma equipe de 50 investigadores sírios.

Cerca de 500.000 páginas foram reunidas pela CIJA, que contratou funcionários adicionais para assistir às várias horas de vídeos de crimes supostamente cometidos pelos rebeldes ou grupos extremistas.

As três atas de acusação dizem respeito principalmente aos primeiros meses do levante contra o regime, que começou em março de 2011.

A primeira visa o presidente Bashar al-Assad e seu gabinete de guerra, a Célula Central de Gestão de Crise (CCGC), a segunda, ao Bureau Nacional de Segurança, que reúne os principais chefes da segurança, e a terceira, ao Comitê de Segurança encarregado pelas províncias de Deir Ezzor e Raqa.

Elas foram redigidas a partir de documentos oficiais roubados que falam de “ordens específicas para esmagar a revolta popular que se estendia desde Damasco às várias províncias” do país.

O jornal britânico The Guardian, que teve acesso às atas, revelou que a “mania do regime de dar ordens escritas por meio da rede de comando e de relatar também por escrito os acontecimentos remonta ao mais alto nível de poder em Damasco”.

Esses documentos permitem esclarecer o papel de diferentes personalidades do regime durante a guerra. Eles mostram que a CCGC se reunia todos os dias, e que todas as minutas das reuniões eram transmitidas à Assad para serem aprovadas.

Também mostram que o Baas, o partido no poder, é o principal “executor” das decisões e que os mesmos tipos de tortura são utilizados nas diferentes províncias, “o que supõe uma política partida deste centro”.

Mas apesar de todo o material recolhido pela CIJA, os membros deste organismo financiado por vários governos ocidentais reconheceram que não há tribunal em que possam apresentar essas acusações.

Considerando que “o regime de Assad cometeu milhares de atrocidades contra o povo sírio desde o início do conflito em 2011”, o Reino Unido reagiu afirmando que “a CIJA, que trabalhou sem descanso, muitas vezes em circunstâncias perigosas, reuniu provas a fim de fazer os responsáveis responderem por seus crimes”, segundo um comunicado do Foreign Office.

“O Reino Unido tem um compromisso de longa data para fazer com que os responsáveis por crimes de guerra e crimes contra a Humanidade na Síria prestem contas”, ressalta o texto.

A Rússia, aliada de Assad, bloqueou em várias ocasiões na ONU toda iniciativa de levar o caso da Síria ao Tribunal Penal Internacional.

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/documentos-vazados-provam-crimes-de-guerra-do-regime-sirio

Anistia Internacional acusa Síria de cometer “Crimes contra a humanidade” em Aleppo na Síria

Entidade de direitos também critica rebeldes por abusos, incluindo ‘crimes de guerra’.

As forças governamentais sírias estão cometendo “crimes contra a humanidade” por indiscriminadamente bombardear Aleppo, a Anistia Internacional disse na terça-feira, uma vez que também criticou os rebeldes por abusos incluindo “crimes de guerra”.

Em um novo relatório, a entidade de direitos humanos disse ser “implacável” o bombardeio aéreo da ex-potência econômica da Síria, forçando muitos residentes a “ganhar uma existência subterrânea”.

Ele bateu os “horrendos crimes de guerra e outras violações da cidade pelas forças do governo e grupos armados de oposição em uma base diária.”

“Algumas das ações do governo em Aleppo constituem crimes contra a humanidade”, disse a Anistia.

O relatório foi particularmente crítico acerca da utilização pelo governo das chamadas bombas de barril, armas toscamente construídas formadas a partir de barris e outros recipientes cheios de explosivos.

Grupos de direitos humanos dizem que as armas são especialmente destrutivas e matam indiscriminadamente.

“Ao implacável e deliberadamente atingir alvos civis, o governo sírio parece ter adotado uma política cruel de punição coletiva contra a população civil de Aleppo”, disse o diretor do programa de Oriente Médio e Norte da África da Anistia, Philip Luther.

Apesar da documentação mostrando o uso do governo dessas armas por grupos de direitos humanos e ativistas no terreno, o presidente sírio, Bashar al-Assad tem repetidamente negado que suas forças usam bombas barril.

Seu uso tem criado “puro terror e sofrimento insuportável”, disse a Anistia.

Na segunda-feira, a ONG Médicos Sem Fronteiras disse que um dos principais hospitais de Aleppo tinha sido forçado a suspender as atividades após os recentes ataques.

O hospital em controle pelos rebeldes Sakhur serviu cerca de 400.000 pessoas, disse o grupo, renovando um apelo para todos os lados “respeitar os civis, as instalações de saúde e pessoal médico.”

O relatório da Anistia também criticou os rebeldes que lutam em Aleppo, que foi dividida entre o controle do governo no controle a oeste e da oposição no leste desde pouco meados de 2012.

O relatório disse que os rebeldes estavam a cometer “crimes de guerra”, utilizando “armas imprecisas, como morteiros e foguetes improvisados ​​montados com botijões de gás chamados” canhões do inferno’. ”

Rebeldes disparam mísseis regularmente em Aleppo ocidental, e a Anistia diz que cerca de 600 civis foram mortos em tais ataques em 2014.

O regime com ataques de bombas de barril matou mais de 3.000 civis em toda a província de Aleppo no ano passado, disse a Anistia.

O relatório também documentou “tortura generalizada, detenção arbitrária e abdução por ambas as forças governamentais e grupos armados de oposição.”

E a Anistia criticou a comunidade internacional por não punir os abusos contra civis na Síria, chamando-a de “exibição de coração frio da indiferença” que encorajou a impunidade.

“A contínua inação está sendo interpretada pelos autores dos crimes de guerra e crimes contra a humanidade como um sinal de que eles podem continuar a manter os civis de Aleppo reféns sem medo de qualquer retribuição”, disse Luther.

O conflito sírio deve ser encaminhado para o Tribunal Penal Internacional e os perpetradores “podem ser levados à justiça”, disse ele.

Mais de 220.000 pessoas foram mortas na Síria desde março de 2011, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos do monitor.

O conflito no país começou com protestos anti-governo, mas culminou em uma guerra sangrenta depois de uma repressão do regime.

http://www.i24news.tv/en/news/international/middle-east/70015-150505-amnesty-slams-crimes-against-humanity-in-syria-s-aleppo

Bangladesh enforca líder do partido Jamaat-e-Islami por crimes de guerra de 1971

O governo de Bangladesh enforcou o líder islamista oposicionista Muhammad Kamaruzzaman, neste sábado, por crimes de guerra cometidos durante a guerra de independência do Paquistão, em 1971, o que gerou uma reação raivosa de seus apoiadores que convocaram uma greve como protesto.

Kamaruzzaman, de 63 anos, do partido Jamaat-e-Islami, foi enforcado na Prisão Central de Daca, depois que a Corte Suprema rejeitou seu pedido contra a pena de morte imposta por um tribunal especial para genocídio e tortura de civis durante a guerra.

Ele se recusou a implorar por perdão ao presidente. O diretor da prisão confirmou que a execução foi realizada às 10h30 (horário local).

O presidente do partido Jamaat-e-Islami, Maqbul Ahmed, disse em um comunicado: “O governo, de uma maneira muito planejada, o matou por vingança política”.

O partido declarou o domingo como um “dia de oração” por Kamaruzzaman e por paz e convocou greve geral para segunda-feira.

A força paramilitar da Guarda de Fronteira de Bangladesh foi implantada em todo o país para conter qualquer sinal de protesto. Todas as estradas que levam até a prisão foram fechadas neste sábado e forças de segurança patrulharam a capital.

Defensores da sentença logo saudaram a execução. Em todo o país, aconteceram várias marchas pedindo a conclusão de outros casos de crimes de guerra. Manifestantes ofereceram doces uns aos outros para festejar a execução.

(Por Serajul Quadir)

http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/bangladesh-enforca-lider-do-partido-jamaat-e-islami-por-crimes-de-guerra-de-1971,2794f61d1d9ac410VgnCLD200000b2bf46d0RCRD.html

Tribunal Penal Internacional diz ser improvável líderes do Estado Islâmico serem julgados por crimes de guerra

A procuradora-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI) declarou na quarta-feira que há indícios de crimes de guerra cometidos pelos insurgentes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, mas que ainda há pouca chance de seus líderes serem investigados pela instância.

Os crimes atribuídos ao grupo jihadista ultrarradical sunita vão das execuções em massa, a escravidão sexual, o estupro e a tortura ao recrutamento forçado de crianças e até ao genocídio, afirmou Fatou Bensouda em comunicado.

Mas ela declarou que, embora tenha jurisdição sobre crimes cometidos por combatentes que são cidadãos de países-membros do TPI, os líderes do Estado Islâmico parecem ser principalmente do Iraque e da Síria, que não são filiados à corte.

“Neste estágio, a perspectiva de o meu escritório investigar e processar os principais responsáveis dentro da liderança do Estado Islâmico parece limitada”, disse Bensouda.

O tribunal pode exercer “jurisdição pessoal” sobre indivíduos que são cidadãos de países-membros, acrescentou. Uma jurisdição mais ampla também pode ser requisitada a Haia pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Muitos cidadãos de nações filiadas ao TPI são suspeitos de cometer atrocidades em combates do Estado Islâmico, incluindo “Jihadi John”, militante que se acredita ser um cidadão britânico e que protagonizou vídeos de decapitações divulgados pelo grupo extremista.

Bensouda disse que a corte recebeu relatos sobre milhares de combatentes estrangeiros que se uniram ao Estado Islâmico, muitos de Estados-membros do TPI, como Tunísia, Jordânia, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Bélgica, Holanda e Austrália.

“Alguns destes indivíduos (de Estados-membros) podem ter estado envolvidos no cometimento de crimes contra a humanidade e crimes de guerra”, acrescentou.

O Estado Islâmico ocupou vastas porções do norte e do oeste iraquianos no ano passado e controla uma grande parte do leste da Síria em meio aos quatro anos de guerra civil no país, mas desde então perdeu algum terreno após uma ofensiva do governo de Bagdá.

Criado em 2002 para julgar crimes graves quando as autoridades nacionais se mostram incapazes ou indispostas a agir, o TPI só pode intervir em nações não-filiadas se for notificada pelo Conselho de Segurança da ONU, como no caso do Sudão.

O tribunal já foi criticado por sua incapacidade de atuar em alguns dos piores conflitos mundiais, entre eles o da Síria, que cobrou centenas de milhares de vidas e forçou milhões de pessoas a fugirem.

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/tpi-diz-ser-improvavel-lideres-do-estado-islamico-serem-julgados-por-crimes-de-guerra,7783c3959699c410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html

Os crimes de guerra do Hamas – Contra os palestinos.

4881 foguetes e 1753 morteiros foram lançados pelo Hamas, da Faixa de Gaza a áreas civis de Israel, durante 1 mês, duas semanas e 4 dias de conflito em julho e agosto do ano passado. Demorou à Anistia Internacional nada menos de 211 dias para determinar que o lançamento de morteiros e foguetes sobre civis – mais de 6 mil lançamentos – é um crime de guerra.

Quando tocava a sirene e eu e minha esposa (grávida) tínhamos que procurar refúgio, eu já suspeitava disso. E não precisei de 211 dias para chegar a esta conclusão.

Aliás, a esta mesma conclusão – de que se trata de crime de guerra – chegaram os analistas da Anistia com respeito ao armazenamento de munição e foguetes em residências, mesquitas e escolas, incluindo aqui as escolas da ONU. Aqui minha suspeita era menos contundente pouquinha coisa à época. Mas daí também, não sou especialista no assunto, e podia ser que as escolas tivessem sido construídas para esse propósito mesmo. Afinal de contas, nada melhor do que esconder morteiros, granadas, explosivos e foguetes embaixo de cadeiras escolares, não é verdade?

Não acho desnecessário nem repetitivo lembrar o número de mortos (2100, ficando com a conta mais modesta) nem o número de desabrigados (mais, bem mais de meio milhão) palestinos durante o confronto. E eu teria uma existência muito menos conflituosa se não tivesse que lidar com as respostas israelenses aos avanços do Hamas vindos do lado de lá. E infelizmente números não denunciam razão. Apenas tragédia.

No dia 28 de julho (cinco dias depois da nota de repúdio do Brasil a Israel, e apenas a Israel) houve uma explosão no campo de refugiados de Al-Shati, na Faixa de Gaza. Morreram 13 civis, incluindo 11 crianças. Segundo o relatório, foram mortos por fogo indiscriminado vindo do próprio Hamas, como confirmaram analistas independentes que estiveram no local, corroborando a acusação feita por Israel na época. Mais números, menos razão ainda. Muito mais tragédia. E 211 dias para esta revelação.

O relatório por hora se limita a este exemplo. Mas entre cinco e dez  porcento 1 dos foguetes lançados da Faixa de Gaza caíram por lá mesmo. Há evidências, como relatos e vídeos de foguetes sendo lançado do meio de áreas civis, e várias acusações fundamentadas de lançamento a partir de escolas e de hospitais, o que levanta a suspeita de que o número de vítimas palestinas pelo próprio Hamas seja muito mais alta. A Anistia prepara mais um relatório em que revelará a investigação a respeito dos fuzilamentos sumários de supostos colaboradores de Israel pelo Hamas. Ainda não se tem um estimativa exata para o número de palestinos que morreram desta forma. Ao final, o relatório sugere que “aparentemente, palestinos mataram mais civis em Gaza do que em Israel”.

Frisei na época, como reitero agora, que a mais terrível desproporcionalidade no conflito entre Israel e o Hamas (Hamas, não os palestinos) é que quando um israelense morre, ganha o Hamas. E quando um palestino morre, ganha o Hamas.

Foram 55 dias de adjetivos bombásticos por conta de quase toda autoridade e celebridade que entendesse ou não fizesse ideia a respeito do assunto. Uma esculhambação tanto oficial quanto extra-oficial, de passeatas e até partidos pedindo não o fim da guerra, mas o fim do próprio Estado de Israel. E enquanto a guerra em si, para quem era parte dela se fazia uma maré de aflição, tristeza e decepção, eu sabia (até mesmo por experiência) que o pós-guerra seria muito pior, e muito mais deprimente.

Demorou 211 dias para alguma entidade internacional de importância se pronunciar de forma coerente a respeito. Tempo demais para as vítimas civis mortas no conflito. Para as “mártires” mortos por Israel, e os “efeitos colaterais”, completamente ignorados até agora, mortos pelo próprio Hamas.

Adjetivos bombásticos e notas diplomáticas unilaterais não ajudaram a frear o conflito, não melhoraram a situação da população civil palestina, não diminuíram a violência e agora fica claro que nem sequer descreviam a realidade ou ajudaram a elucidá-la. Enquanto escrevo isso 150 mil soldados e outros nove exércitos se juntam para mostrar que o Oriente Médio é tudo menos simples (ver gráfico 1): uma briga de bons contra maus. Inocentes contra algozes. Colocações levianas, sejam do seu amigo “que manja” no Facebook, sejam de fontes oficiais, confundem mais ainda. Confundem e adicionam para a tristeza, decepção, ódio e a tragédia.

E colocações levianas não vão ajudar para a próxima guerra. Guerra de quem sabe que não pode confiar no discernimento justo do resto do mundo.

Diagrama das relações geopolíticas no Oriente Médio

Mais Links sobre a notícia:

http://www.dailymail.co.uk/wires/afp/article-3012589/Palestinian-rockets-killed-Gaza-civilians-war-Amnesty.html

http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/amnestys-other-verdict-on-gaza-war-hamas-committed-war-crimes-as-well-10134099.html

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4641155,00.html

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.648902

Notes:

  1. O calculo é meu, baseado em vários relatos diferentes da época do conflito, do qual destaco este eeste

http://www.conexaoisrael.org/os-crimes-de-guerra-do-hamas-contra-os-palestinos/2015-03-30/gabpac