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O desastre da abertura de fronteiras promovida por Merkel na Alemanha

O legado real de Angela Merkel: áreas sem lei que a polícia tem medo de patrulhar, onde metade dos habitantes locais tem origem estrangeira e a língua alemã é uma raridade

A abertura de fronteiras na Alemanha promovida pela chanceler Angela Merkel em resposta à crise dos refugiados tem sido um desastre para o distrito de Marxloh, perto de Duisburg. Um relatório policial descobriu que as ruas são controladas por traficantes de drogas e ladrões.

Metade dos 20 mil moradores deste subúrbio industrial  que outrora já foi próspero tem origem estrangeira, muitos chegam graças à uma oferta da Irmandade alemã e à chanceler Angela Merkel. O resultado da maior crise migratória da Europa desde a Segunda Guerra Mundial tem sido desastroso para Marxloh.

Muitos dos recém-chegados estão desempregados e, portanto, confiam nos benefícios estatais sem exercer atividade remunerada.

Um relatório policial vazado diz que as ruas são controladas por traficantes de drogas e ladrões que “vêem o crime como sua atividade de lazer”.

Quanto aos alemães que permanecem aqui, alguns ficam assustados para sair ao anoitecer devido aos “conflitos entre estrangeiros”, alegando que as viagens no transporte público pela área à noite são “pesadelo”.

“Nós temos muitos problemas aqui e eles não ficam melhores”, explica o homem da tulipa com um bom inglês enquanto ele me entrega uma floração de laranja de sua cesta.

“Este é um lugar perigoso que a senhora deputada Merkel tentou esquecer”, disse um morador. Isso foi até a semana passada, quando a chanceler reconheceu pela primeira vez que áreas como Marxloh se tornaram áreas sem lei, onde os locais, e até mesmo a polícia, temem pisar.

Ao receber mais de um milhão de novos rostos para o país em três anos, Merkel vem irritando um público alemão cada vez mais cético com o mantra “Nós podemos fazê-lo”.

Na própria praça do mercado de Marxloh, o principal restaurante ao ar livre, o Spar, é dirigido por um turco de 28 anos que passou dez anos no Wood Green de Londres.

Ele veio para a Alemanha “por causa de dificuldades familiares” há seis meses, e recusa se identificar à reportagem, mas anuncia que o distrito tem “problemas enormes”. “Há muitas pessoas de diferentes lugares do mundo que querem o controle aqui”, disse ele. “Nós não vemos a polícia com freqüência e eles parecem ficar longe das ruas”.

Seja qual for a impressão disso, Marxloh não faz ninguém se sentir seguro. Os únicos policiais encontrados num período de sete horas foram dois na praça do mercado.

Marxloh é uma das 40 áreas problemáticas citadas na mídia alemã como lutando para lidar com grandes concentrações de migrantes, decadência urbana, alto desemprego e dependência crônica do bem-estar, que se tornaram “incubadoras de anarquia”, bem como drogas e crime.

Em um artigo chamado ‘Ghetto Report Germany‘, o respeitado jornal Bild – que descreveu essas 40 áreas – as classificou como sociedades paralelas, no-go zones e ‘guetos crescentes’.

Os relatórios oficiais da polícia apresentados a outro jornal respeitado, Der Spiegel, disseram que os níveis de violência em Marxloh (e outros lugares como esse) mostram que os oficiais estão perdendo o controle e a ordem pública “não pode ser garantida a longo prazo”.

“Existem distritos onde as gangues de imigrantes estão controlando totalmente as ruas, segundo Der Spiegel. “Moradores e homens de negócios estão sendo intimidados e silenciados. Polícias são vítimas especiais de um alto nível de agressão e desrespeito.

Marxloh, a 20 minutos do centro de Duisburg, no oeste da Alemanha, costumava ser um lugar para as famílias alemãs visitarem um sábado à tarde para fazer compras, um piquenique no parque ou um café e cerveja nos cafés.

Nem muitos estrangeiros visitam aqui ou se atrevem. A maioria das mulheres usa hijabs em obediência à religião muçulmana e multidões de homens com jaquetas de couro se reúnem nas esquinas para fumar enquanto falam em línguas estrangeiras e olhando fixamente para estranhos.

Marxloh há muito tempo é um caldeirão étnico. Os primeiros estrangeiros a se estabelecerem aqui eram trabalhadores turco convidados pela Alemanha nos anos cinquenta e sessenta para trabalho de manutenção na siderurgia.

Muitos são agora cidadãos alemães. Os libaneses receberam um santuário quando foram deslocados durante uma guerra civil que começou nos anos setenta.

Quando as fronteiras da UE foram abertas para os europeus do leste há mais de uma década, também chegaram os romenos e os búlgaros. Em seguida, as decisões da Sra. Merkel convidaram refugiados sírios, o que levou a muitos outros – muitas vezes fingindo ser verdadeiros refugiados – das áreas curdas do Oriente Médio, dos Estados dos Bálcãs e da África.

De acordo com os moradores, as ruas de Marxloh servem como fronteiras entre as gangues étnicas que protegem seu território comercializado. Uma é chamada de “estrada curda”, outra “estrada romena”.

Não é de admirar que a Sra. Merkel tenha tido que admitir que existem no-go zones em seu país. Em sua admissão surpresa na semana passada, ela disse que a segurança doméstica era a obrigação do Estado e que as pessoas tinham direito a ele sempre que se encontravam e se moviam num espaço público. “Há tais lugares, e você tem que chamá-los pelo nome e você precisa fazer algo sobre isso”, disse ela.

Palavras sábias, mas muito tarde? Ela falava algumas semanas depois que um estudo ordenado pelo governo mostrou um aumento drástico de crimes violentos cometidos por imigrantes do sexo masculino na Alemanha com idade entre 14 e 30 anos.

A pesquisa realizada por um grupo de criminologistas disse que o afluxo de requerentes de asilo levou ao pico deprimente.

Um relatório preparado para o parlamento regional sobre a quebra de lei e ordem na área de Duisburg reivindicou gangues libanesas, em particular, se recusando a reconhecer a autoridade policial.  Seus membros são homens jovens entre 15 e 25 anos, e que “quase 100 %” deles – de acordo com o relatório – são procurados por suspeita de crimes, incluindo agressão física e roubo.

Em Marxloh na última Páscoa, um menino búlgaro de 15 anos foi morto com um machado tarde da noite em uma disputa entre seu pai e outros búlgaros. A criança foi arrastada para casa por sua mãe antes de morrer, deixando uma trilha de sangue no pavimento. Não é o que deveria estar acontecendo.

Dois anos atrás, Arnold Plickert, chefe regional da maior unidade policial da Alemanha, reconheceu que Marxloh e outras no-go zones, foram ignoradas por muito tempo.

Com informações de Daily Mail

 

Países falharam ao lidar com crise de refugiados, diz presidente da Comissão Europeia

Até agora, apenas 272 pessoas que chegaram à Grécia e Itália foram realocadas para outras nações do bloco.

BRUXELAS — O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, criticou nesta sexta-feira os Estados Membros da UE que não cumpriram seus compromissos em realocar até 160 mil requerentes de asilo que chegaram à Grécia e à Itália. O líder europeu classificou como “inaceitável” a recusa de países em acolher imigrantes e disse estar cansado em ser acusado de não tomar as medidas necessárias para lidar com o grande fluxo de imigrantes que chegou ao continente.

— Não é a Comissão que falhou, mas alguns Estados membros que não cumpriram seus compromissos — disse Juncker durante uma entrevista coletiva. — Não é possível que uma proposta da Comissão, adotada pelo Conselho e Parlamento Europeus sobre a realocação dos refugiados não seja aplicada logo.

Até agora, o plano lançado pelo bloco em setembro para repartir 160 mil refugiados que haviam desembarcado em solo grego ou italiano só conseguiu realocar menos de 272 pessoas em outros países, segundo o último balanço divulgado. O projeto de levar imigrantes diretamente para nações fora da UE, como a Turquia, também caminha a passos de tartaruga.

Além disso, as nações da UE também estão falhando em devolver aos países de origem aqueles que não conseguem atingir os requisitos necessários para serem integrados ao bloco. Das centenas de milhares de pessoas que chegaram desde setembro, menos de 900 foram mandadas de volta para casa.

Outro ponto de preocupação é o Acordo de Schengen, como é conhecido o tratado de livre circulação entre os países europeus signatários, sob ameaça após vários países decretarem controles nas fronteiras. Para Juncker, o desemprego no país pode aumentar se o sistema deixar de existir.

— Schengen é um das maiores conquistas do processo de integração europeu. Sem o livre movimento de trabalhadores ou a liberdade de trânsito para os cidadãos, o euro não tem sentido — afirmou. — Menos Schengen significa menos emprego e crescimento econômico.

Só no ano passado, mais de um milhão de refugiados chegaram ao continente após fugirem de conflitos armados e da pobreza no Oriente Médio, África e Ásia, vindos principalmente da Síria, do Iraque e do Afeganistão.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/paises-falharam-ao-lidar-com-crise-de-refugiados-diz-presidente-da-comissao-europeia-18481154#ixzz3xKi7BuU9

Alemães Compram Armas para a Defesa Pessoal

  • A corrida para adquirir armas ocorre em meio à escalada irrefutável de crimes perpetrados por imigrantes, incluindo estupros de mulheres e meninas alemãs em uma escala aterrorizante, bem como ataques físicos, esfaqueamentos, invasão a residências, saques, arrombamentos em cidades do país inteiro.
  • As autoridades alemãs, no entanto, não estão medindo esforços para preconizar que o repentino interesse dos cidadãos alemães na temática da defesa pessoal não tem absolutamente nada a ver com a migração em massa para o país, apesar da ampla evidência mostrando o contrário.
  • A disparada de crimes violentos cometidos por migrantes foi corroborada por um relatório confidencial da polícia, vazado, que revela que um número recorde de 38.000 candidatos a asilo foi acusado de cometer crimes no país em 2014. Analistas acreditam que esse número, que se traduz em mais de 100 crimes por dia, seja apenas uma fração do número verdadeiro: muitos crimes não são denunciados.
  • “Qualquer um que faz perguntas sobre os motivos da corrida para a aquisição de armas se depara com o silêncio”. — Süddeutsche Zeitung

A entrada de mais de um milhão de candidatos a asilo oriundos da África, Ásia e Oriente Médio, fez com que os alemães corressem para se armar.

Por toda a Alemanha, país que conta com uma das leis de controle de armas mais rigorosas da Europa, a demanda por armas não-letais de defesa pessoal disparou, incluindo spray de pimenta, pistola de gás, pistola sinalizadora, arma de choque elétrico e repelente de animais. Os alemães também estão ingressando, em números recorde, com pedidos de porte de armas.

A corrida para adquirir armas ocorre em meio à escalada de crimes violentos, perpetrados por imigrantes, incluindo estupros, saques e assaltos a mão armada, em cidades do país inteiro.

As autoridades alemãs, no entanto, não estão medindo esforços para preconizar que o repentino interesse dos cidadãos alemães na temática da defesa pessoal não tem absolutamente nada a ver com a migração em massa para o país, apesar da ampla evidência mostrando o contrário.

Nas últimas semanas os jornais alemães vêm publicando dezenas de casos com manchetes como as seguintes: “A Alemanha está com Medo e se Agarra às Armas“, “Os Alemães estão se Armando: a Demanda por Armas Explode“, “Mais e Mais Pessoas estão Comprando Armas“, “Segurança: mãos para Cima!” “Aumenta a Necessidade por Segurança“, “Boom de Vendas nas Lojas de Armas” e “Os Bávaros estão se Armando, Medo dos Refugiados”?

Recentemente o diário alemão Die Welt produziu um vídeo sobre o aumento nas vendas de armas de defesa pessoal na Alemanha, intitulado: “O Comércio de Armas está Lucrando com a Crise dos Refugiados”. (imagem: captura de tela de vídeo do diário Die Welt)

Desde o início da explosão da crise migratória na Alemanha em agosto de 2015, as vendas de spray de pimenta saltaram 600% em todo o país, de acordo com a revista alemã Focus. O fornecimento do produto está em falta em muitas regiões do país e as reposições estarão disponíveis somente em 2016. “Fabricantes e distribuidores dizem que a entrada em massa de estrangeiros nas últimas semanas, ao que parece, amedrontou muita gente”, de acordo com a revista Focus.

Segundo a KH Security, fabricante alemã de artigos de defesa pessoal, a demanda saltou cinco vezes e as vendas em setembro de 2015, mês em que os alemães começaram a se dar conta das implicações da política de portas abertas da Chanceler Alemã Angela Merkel, foram as mais altas desde a inauguração da empresa há 25 anos. A empresa salienta que há um aumento na demanda não só de armas de defesa pessoal como também de sistemas de alarmes para residências.

Outro fabricante de artigos de defesa pessoal, a empresa DEF-TEC Defense Technology sediada em Frankfurt, reportou um crescimento de 600% nas vendas de outono deste ano. De acordo com o CEO Kai Prase:

“As vendas decolaram a partir setembro. Desde então, nossos revendedores não estão dando conta dos pedidos. Nós nunca passamos por algo assim nos 21 anos da nossa história corporativa. Medo: isso não é racional. O termo certo é: crise de refugiados“.

A mesma história se repete por toda a Alemanha. Segundo a emissora pública de rádio e TV Mitteldeutscher Rundfunk, cidadãos na Saxônia podem normalmente serem vistos se enfileirando, aguardando, em grande número, a abertura das lojas de armas.

O proprietário de uma loja na cidade saxônia de Pirna disse que agora ele vende até 200 aerossóis de spray de pimenta por dia, comparado com cinco aerossóis de uma semana antes do início da crise migratória. Ele disse que está observando que há muitos compradores novos, não aquela clientela de sempre, incluindo mulheres de todas as idades e homens adquirindo armas para as esposas.

Günter Fritz proprietário de uma loja de armas em Ebersbach, outra cidade da Saxônia, contou a seguinte história à RTL News: “desde setembro, isso em toda a Alemanha, e também na minha loja, as vendas de artigos de defesa pessoal explodiram”. Ele acrescentou que seus clientes vêm de todas as camadas sociais, do professor à senhora aposentada. Todos estão temerosos”.

Andreas Reinhardt, proprietário de uma loja de armas no norte da cidade alemã de Eutin disse que agora ele vende de quatro a cinco armas de defesa pessoal por dia, comparado com cerca de duas ao mês antes da recente entrada de candidatos a asilo. “A esta altura a revolta social está visivelmente instigando a atual corrida para a defesa pessoal”, segundo ele. “Eu jamais poderia imaginar que o medo poderia se alastrar com tanta rapidez,” segundo Reinhardt.

Eric Thiel, proprietário de uma loja de armas em Flensburg, uma cidade na costa do Mar Báltico, disse que não há mais spray de pimenta à venda: “está tudo esgotado. Novas remessas só estarão à venda até no mês de março. Tudo que está relacionado com defesa pessoal está experimentando um boom gigantesco nas vendas”.

Wolfgang Mayer, proprietário de uma loja de armas em Nördlingen, uma cidade no Estado da Baviera, disse que ele tem a explicação para a avalanche nos pedidos de porte de armas: “Eu acredito que com a entrada de refugiados, o crescimento no número de arrombamentos e de trapaças, as pessoas estão demandando maior proteção”.

Mayer acrescentou que há uma sensação, cada vez maior, dentro da sociedade alemã de que o estado não tem condições de proteger de forma adequada seus cidadãos, consequentemente eles mesmos têm que cuidar mais da sua proteção. “Segundo Mayer desde o verão as vendas de spray de pimenta aumentaram 50%”, acrescentando que as compras são efetuadas na maioria das vezes por mulheres, de todas as idades, da estudante na cidade à avó viúva.

É legal na Alemanha o uso de spray de pimenta e outros tipos de armas não-letais de defesa pessoal, porém é necessário ter uma licença para portar e usar determinadas categorias de armas. Autoridades em todos os 16 estados da federação alemã estão reportando uma escalada nos pedidos dessas licenças, conhecidas como licença para armas de pequeno porte (kleinen Waffenschein).

No estado de Schleswig-Holstein localizado ao norte da Alemanha, cerca de 10.000 pessoas já têm licença para armas de pequeno porte, um “recorde sem precedentes”, de acordo com o ministério interior regional. Varejistas do estado também estão reportando uma “onda sem precedentes” nas vendas de armas de defesa pessoal e que a reposição dos aerossóis de spray de pimenta está vendida até a primavera de 2016.

Na Saxônia, os varejistas estão reportando um boom sem precedentes nas vendas de spray de pimenta, gás lacrimogêneo, pistolas de gás e até de bestas. Algumas dessas lojas estão vendendo mais armas de defesa pessoal em um dia do que em um mês inteiro antes do início da crise migratória.

Autoridades da Saxônia também estãoreportando um salto no número de pessoas requisitando licenças para todos os tipos de armas de fogo (großen Waffenschein). A corrida para a aquisição de armas pode ser atribuída a um “declínio subjetivo na sensação de segurança da população”, segundo o Ministro do Interior da Saxônia Markus Ulbig.

Em Berlim, o número de pessoas que já possuem uma licença para armas de pequeno porte aumentou 30% nos primeiros dez meses de 2015 comparado com o mesmo período de 2014, já o número de pessoas com licença para todos os tipos de armas de fogo saltou cerca de 50% de acordo com a polícia local.

Na Baviera, mais de 45.000 pessoas possuem uma licença para armas de pequeno porte, 3.000 a mais do que em 2014. Isso representa um “aumento significativo,” de acordo com o ministério interior regional. Assim como em outras regiões da Alemanha, os varejistas bávaros também estão reportando um boom nas vendas de armas de defesa pessoal, incluindo pistolas de gás, pistolas sinalizadoras e sprays de pimenta.

Em Stuttgart, capital de Baden-Württemberg, as lojas de armas locais estão reportando a quadruplicação nas vendas de armas de defesa pessoal desde agosto. A proprietária de uma loja disse que agora ela vende mais armas em uma semana do que normalmente venderia em um mês. Ela acrescentou nunca ter visto uma demanda tão alta.

Em Heilbronn, outra cidade do estado de Baden-Württemberg, autoridades locais reportaram que as vendas de spray de pimenta dobraram em 2015. De acordo com um lojista, a aceleração na demanda de spray de pimenta começou em agosto, quando muitas mães começaram a adquirir o produto para suas filhas em idade escolar. “Nossos clientes estão extremamente receosos”, disse o lojista. “Estamos vendo a mesma coisa por todos os lados”.

Em Gera, uma cidade em Thuringia, a mídia local reportou que em uma loja todo o estoque de 120 aerossóis de spray de pimenta foi vendido em três horas. A loja, que subsequentemente vendeu outro lote inteiro de 144 aerossóis de spray de pimenta, está na lista de espera para obter mais unidades, por causa da falta do produto no fornecedor.

Uma mulher em Gera que trouxe spray de pimenta para a sua filha de 16 anos de idade disse o seguinte:

“Acredito que é totalmente certo que eu proteja a minha filha. Ela está na idade de sair sozinha à noite. Se ela diz ser necessário para a sua proteção, eu acredito que não é nada injustificado. Obviamente que é devido à situação que estamos passando agora na Alemanha. Nós simplesmente não sabemos quem anda por aí. Há muitas pessoas não registradas”.

A mesma propensão em relação à defesa pessoal está acontecendo nos estados alemães deBrandemburgo, Mecklenburg-Vorpommern, Saxony-Anhalt e Reno, Norte da Westphalia, onde a escalada vertiginosa de crimes violentos cometidos por migrantes estão transformando alguns bairros em zonas proibidas.

Defensores da migração em massa acusam os cidadãos alemães de estarem reagindo de forma exagerada. Alguns desses defensores apontam para estudos recentes, encomendados por grupos pró-migração, que alegam sem nenhuma lógica, que o número de crimes cometidos por migrantes está diminuindo e não aumentando.

Outros negam que a corrida para a auto proteção tenha algo a ver com os migrantes. Eles culpam uma série de fatores, incluindo a escuridão antecipada devido ao fim do horário de verão, ataques dos jihadistas em Paris (que ocorreram em novembro, ou seja, três meses depois que as vendas de armas de defesa pessoal começaram a disparar) e também a necessidade de proteção contra lobos selvagens em determinadas regiões ao norte da Alemanha.

O jornal Süddeutsche Zeitung descreveu a manobra da seguinte maneira:

“Qualquer um que faça perguntas sobre os motivos da corrida para a aquisição de armas se depara com o silêncio. Oficialmente as agências reguladoras sustentam que qualquer um que entre com um pedido de licença para armas de pequeno porte não precisa apresentar nenhuma justificativa e, portanto os órgãos governamentais não têm como explicar o que está acontecendo. É verdade que vez ou outra fica evidente que eles estão com medo por causa dos refugiados, segundo afirma um funcionário sob condição de que nem seu nome nem seu departamento sejam mencionados pelo jornal. Algumas pessoas já me disseram: eu quero proteger a minha família. Nós reportamos isso ao ministério…

“Os varejistas também não dizem nada oficialmente sobre os motivos do aumento nas vendas. Telefone para uma pequena loja de armas. Inúmeros refugiados chegaram no final de agosto e a partir de setembro as vendas começaram a aumentar, será possível que uma coisa nada tenha a ver com a outra? Se você não divulgar meu nome: Claro que não, pode falar. Diz o homem no outro lado da linha. As pessoas que entram na loja estão com medo. Elas acreditam que entre os refugiados há ovelhas negras. Alguns clientes admitem isso abertamente”.

Evidência empírica mostra uma escalada irrefutável de crimes perpetrados por imigrantes no país inteiro, incluindo estupros de mulheres e meninas alemãs em uma escala aterrorizante, bem como ataques sexuais e físicos, esfaqueamentos, invasão a residências, saques, arrombamentos e tráfico de drogas.

A disparada de crimes violentos cometidos por migrantes foi corroborada por um relatório confidencial da polícia, vazado para uma revista alemã. O documento revela que um número recorde de 38.000 candidatos a asilo foi acusado de cometer crimes no país em 2014. Analistas acreditam que esse número, que se traduz em mais de 100 crimes por dia, seja apenas uma fração do número verdadeiro: muitos crimes não são denunciados.

Não é de se admirar que uma nova pesquisa de opinião mostre que 55% dos alemães estão pessimistas em relação ao futuro, um salto dos 31% no ano de 2014 e 28% acima de 2013. A pesquisa de opinião mostra que 42% dos entrevistados entre as idades de 14 e 34 anos acreditam que seu futuro será desolador, esse número representa mais do que o dobro (19%) daqueles que se sentiam assim em 2013. Ao mesmo tempo, 64% dos entrevistados com idade de 55 anos ou mais estão receosos em relação ao futuro.

A pesquisa também mostra que quatro quintos (79%) da população alemã acredita que a economia irá se deteriorar em 2016 devido ao fardo financeiro criado pela crise migratória, e 70% acreditam que os estados membros da União Européia irão se afastar ainda mais no ano que vem. A constatação mais previsível de todas: 87% dos alemães acreditam que seus políticos irão experimentar uma diminuição no apoio público em 2016.

Por Soeren Kern

Soeren Kern é colaborador sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque. Ele também é colaborador sênior do European Politics do Grupo de Estudios Estratégicos / Strategic Studies Group sediado em Madri. Siga-o no Facebook e no Twitter. Seu primeiro livro, Global Fire, estará nas livrarias no início de 2016.

http://pt.gatestoneinstitute.org/7108/alemaes-armas-defesa

Alemanha: “20 Milhões de Muçulmanos até 2020”

  • “Estamos importando o extremismo islâmico, antissemitismo árabe, conflitos nacionais e étnicos de outros povos, bem como diferentes entendimentos de como funciona uma sociedade e o estado de direito”. — De um documento vazado da inteligência alemã.
  • “Precisamos deixar bem claro que deve haver limites e cotas para a imigração, não temos condições de salvar o mundo inteiro”. — Markus Söder, Ministro da Fazenda da Baviera.
  • “A crise da migração tem em si o potencial de desestabilizar governos, países e todo o continente europeu. … Nós não estamos diante de uma crise de refugiados. Trata-se de um movimento migratório constituído de migrantes econômicos, refugiados e combatentes estrangeiros” — Primeiro Ministro da Hungria Viktor Orbán.
  • “Enquanto isso, os refugiados continuam se dirigindo para a Alemanha, a uma taxa de cerca de 10.000 refugiados a cada dia. … A década que se seguiu depois que a Chanceler Merkel tomou posse em 2005 agora parece ter sido um período abençoado para a Alemanha, no qual o país usufruía de paz, prosperidade e respeito internacional, mantendo, ao mesmo tempo, os problemas do mundo a uma distância segura. Agora essa era dourada acabou”. — Gideon Rachman, doFinancial Times.

Estima-se que nos próximos cinco anos a população muçulmana da Alemanha irá quadruplicar atingindo o assombroso número de 20 milhões de habitantes, de acordo com uma previsãodemográfica realizada por legisladores bávaros.

O governo alemão espera receber 1,5 milhão de candidatos a asilo em 2015 e provavelmente ainda mais em 2016. Considerando os cálculos sobre a reunificação de familiares, com base na suposição de que os indivíduos cujos pedidos de asilo serão aprovados irão subsequentemente trazer em média quatro membros da família para a Alemanha, esse número crescerá exponencialmente. Isso fora os 5,8 milhões de muçulmanos que já residem na Alemanha.

De acordo com o presidente da Associação das Municipalidades Bávaras (Bayerische Gemeindetag) Uwe Brandl, a Alemanha está a caminho de contar com “20 milhões de muçulmanos até 2020”. A multiplicação desenfreada da população muçulmana na Alemanha representa uma guinada demográfica de proporções épicas, guinada esta que irá mudar para sempre a fisionomia da Alemanha, “e nós estamos inertes, vendo tudo isso acontecer”.

Discursando em uma exposição de grande porte em Nuremburg em 14 de outubro, Brandl alertou que a livre migração irá acarretar pesados custos para os contribuintes alemães e também poderá levar à agitação social. Ele disse o seguinte:

“uma família de refugiados composta de quatro pessoas recebe até 1.200 euros por mês a título de transferência de pagamentos. Fora alojamento e alimentação. Agora veja um pai de família alemão, desempregado, que trabalhou talvez durante 30 anos e que juntamente com sua família recebe um pouquinho a mais do que isso. Essas pessoas perguntam a nós políticos se consideramos isso justo e correto”.

Brandl disse que isso também se aplica ao cartão de saúde eletrônico, que proporciona aos candidatos a asilo os mesmos benefícios disponibilizados aos alemães que pagaram para o sistema de seguro saúde por anos a fio. Dizer que isso é injusto “não tem nada a ver com racismo ou extremismo de direita”.

As preocupações de Brandl ecoaram em um documento da inteligência, vazado, alertando que a entrada no país de mais de um milhão de migrantes provenientes do mundo muçulmanos no corrente ano, levará ao aumento da instabilidade política na Alemanha.

O documento, cujos trechos foram publicados em 25 de outubro no diário Die Welt, revela o crescente alarme nos mais altos escalões do sistema de segurança e inteligência da Alemanha sobre as consequências da política de portas abertas para a imigração da Chanceler Angela Merkel.

O assim chamado não-documento (o autor do documento permanece no anonimato) alerta que a “integração de centenas de milhares de migrantes ilegais será impossível, dado o enorme número de pessoas envolvidas e as já existentes sociedades paralelas de muçulmanos na Alemanha”. O documento acrescenta:

“estamos importando o extremismo islâmico, antissemitismo árabe, conflitos nacionais e étnicos de outros povos, bem como diferentes entendimentos de como funciona uma sociedade e o estado de direito. As agências de segurança da Alemanha são incapazes de lidar com esses problemas de segurança importados e as consequentes reações da população alemã.

Um agente de segurança do primeiro escalão, que preferiu permanecer no anonimato, disse o seguinte ao diário Die Welt:

“a entrada em massa de pessoas dos mais diferentes cantos do planeta levará nosso país à instabilidade. Ao permitir essa migração desenfreada, estamos criando extremistas. A sociedade inserida no contexto da maioria da população está se radicalizando pelo fato do grosso da nação não querer a migração, que está sendo imposta pelas elites políticas. No futuro muitos alemães darão as costas para o estado de direito”.

Os alertas surgem em meio às crescentes críticas à Chanceler Merkel, cuja decisão de 4 de setembro de abrir as portas para os migrantes acantonados na Hungria acabaram exacerbando ainda mais a crise.

O Primeiro Ministro da Baviera Horst Seehofer, que também encabeça a União Social Cristã (CSU), partido irmão da União Democrata Cristã (CDU) de Merkel, emergiu como um dos críticos mais veementes de Merkel. “Estou convencido que a chanceler escolheu outra visão para a Alemanha”, disse ele. “A atitude dela é um equívoco que nos dará o que fazer por muito tempo. Não vejo como colocar o gênio de volta na lâmpada”, acrescentou ele.

Em uma entrevista concedida à revista Bild, Seehofer assinalou:

“acreditamos, da forma mais clara possível, que a imigração tem que ser controlada e limitada se a Alemanha desejar lidar com ela. A gravidade da situação está ficando mais clara a cada dia que passa. A população não quer mais frases de efeito ou visitas inconclusivas a este ou àquele local. Ela quer medidas”!

Após passar meses atacando os críticos da política de imigração de Merkel como sendo xenófobos de direita, o Vice-Chanceler Sigmar Gabriel e o Ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier reconheceram que a crise migratória ameaça despedaçar a sociedade alemã. Em um artigo conjunto publicado pela revista Der Spiegel, ambos assinalam: “não temos condições de absorver e integrar indefinidamente mais de um milhão de refugiados a cada ano”.

O Ministro da Fazenda da Baviera Markus Söder disse o seguinte: “precisamos deixar bem claro que deve haver limites e cotas para a imigração, não temos condições de salvar o mundo inteiro. A entrada de refugiados não será interrompida se não fiscalizarmos nossas fronteiras e enviarmos um sinal inconfundível de que nem todos podem vir para a Alemanha”.

O Ex-Ministro do Interior Hans-Peter Friedrich (CSU) descreveu a política de imigração de Merkel como um “erro crasso de política, sem precedentes” que terá “consequências devastadoras de longo prazo”. Ele disse que a tarefa da política é planejar além do presente e tomar decisões visando o futuro. Tendo em vista a espantosa entrada de migrantes na Alemanha sem qualquer fiscalização, Friedrich conclui o seguinte: “perdemos o controle”. E acrescenta:

“é uma irresponsabilidade total permitir a entrada de dezenas de milhares de pessoas no país de maneira tão descontrolada sem qualquer registro, além disso somos capazes de tão somente estimarmos, sem nenhuma confiabilidade, quantas delas seriam combatentes do Estado Islâmico ou islamistas pertencentes a células adormecidas. Estou convencido que nenhum outro país do planeta seria tão ingênuo e deslumbrado a ponto de se expor dessa maneira a um risco dessa magnitude”.

Michael Stübgen legislador do CDU diz o seguinte: “a divergência (com Merkel) é fundamental. Nosso potencial está exaurido e ninguém se preocupa com a possibilidade do sistema implodir se não recuperarmos o controle das nossas fronteiras. Entretanto, a chanceler discorda e a divergência continua”.

Em 21 de outubro mais de 200 prefeitos da região do Reno, Norte da Westphalia assinaram uma carta aberta à Chanceler Merkel, na qual eles alertam que não há mais condições deles abrigarem mais migrantes. A carta diz o seguinte:

“estamos extremamente preocupados com o nosso país, com as cidades e distritos que nós representamos. A razão é a seguinte: a gigantesca e, na maioria das vezes incontrolada entrada da migrantes na Alemanha, em nossas cidades e nossos distritos.

“A capacidade de alojamento está extremamente sobrecarregada, incluindo tendas e contêineres de navios. Gerir abrigos de imigrantes consome tanto tempo que o nosso staff não tem mais condições de cuidar das demais responsabilidades municipais”.

De acordo com a estação pública de transmissão de rádio e TV Deutsche Welle, o centro de refugiados de Berlim, mostrado acima, recebeu até 2000 pedidos de asilo por dia somente em agosto último, antes do aumento descomunal da entrada de migrantes. (imagem: captura de tela de vídeo da Deutsche Welle)

Discursando perante uma assembléia do Partido Popular Europeu em Madri em 22 de outubro, o Primeiro Ministro da Hungria Viktor Orbán fez um alerta sobre as consequências da política de imigração da Chanceler Merkel. Ele disse o seguinte:

“estamos enfrentando problemas gravíssimos. A crise da migração tem em si o potencial de desestabilizar governos, países e todo o continente europeu…

“Nós não estamos diante de uma crise de refugiados. Trata-se de um movimento migratório constituído de migrantes econômicos, refugiados e combatentes estrangeiros. É um processo descontrolado e não-regulamentado… Eu também quero realçar que há uma fonte inesgotável de pessoas, uma vez que seguindo os sírios, paquistaneses, iraquianos e afegãos, os africanos também já estão se deslocando para cá. A dimensão e o volume do perigo estão bem acima das nossas expectativas…

“Nossa responsabilidade moral é enviar essas pessoas de volta para suas casas e para os seus respectivos países. Nosso objetivo não pode ser o de proporcionar a eles uma nova vida no estilo europeu. O direito à dignidade humana e à segurança são direitos fundamentais. Porém, nem o modo de vida alemão, nem austríaco, nem húngaro são direitos fundamentais de todos os povos do planeta. É um direito somente àqueles que contribuíram para a sua formação. A Europa não tem condições de receber todo mundo que deseja melhorar de vida. Nós devemos ajudá-los a retornarem às suas próprias vidas com dignidade, devemos enviá-los de volta aos seus próprios países…

“Não podemos nos esquivar de falar sobre a qualidade das nossas democracias. Trata-se realmente de liberdade de expressão e informação quando a mídia mostra corriqueiramente mulheres e crianças, quando na verdade 70% dos migrantes são jovens do sexo masculino e que mais se parecem com um exército? Como é possível que o nosso povo sinta que a sua opinião não seja levada em consideração? Além disso temos que verificar se o nosso povo realmente está de acordo com o que está acontecendo. Temos a autorização do nosso povo para permitir a entrada de milhões de migrantes em nosso continente? … Não, ilustres representantes, não temos.

“Não podemos esconder o fato da esquerda européia ter uma agenda muito clara. Ela apóia a migração. Na realidade ela importa para a Europa futuros eleitores de esquerda sob a fachada humanista. É um truque antigo, eu só não consigo entender porque temos que aceitar isso. Eles (da esquerda) consideram o registro de migrantes e a proteção das fronteiras como coisa burocrática, nacionalista e contra os direitos humanos. Eles alimentam o sonho de uma sociedade mundial construída politicamente sem tradições religiosas, sem fronteiras, sem nações. Eles atacam os valores mais importantes da nossa identidade européia: família, nação, subsidiariedade e responsabilidade”.

Em uma coluna no Financial Times de 26 de outubro intitulada “O Fim da Era Merkel Está ao Alcance da Vista”, Gideon Rachman assinala:

“a crise dos refugiados que se abateu sobre a Alemanha provavelmente augurará o fim da era Merkel. Com o país prestes a receber mais de um milhão de candidatos a asilo somente este ano, a ansiedade pública está se avolumando, bem como as críticas à Sra. Merkel, vindas de seu próprio partido. Aliados políticos próximos a ela reconhecem que está clara a possibilidade da chanceler ter que deixar o cargo antes das próximas eleições gerais de 2017. Ainda que ela fique no cargo até o fim do mandato, a simples noção de uma quarta administração Merkel, amplamente debatida há alguns meses, agora parece mais improvável do que nunca…

“O problema é que é incontestável que o governo da Chanceler Merkel perdeu o controle da situação. As autoridades alemãs endossam publicamente as declarações da chanceler: Somos Capazes de Triunfar. Mas o pânico está a ponto de explodir: os preços não param de aumentar, os serviços sociais estão patinando, os índices de aprovação da Chanceler Merkel estão desabando e a violência da extrema-direita está aumentando.

“À medida que a superfície tranquila da sociedade alemã começa a ser importunada, os argumentos sobre os impactos positivos da imigração na economia e na demografia começam a perder força. Temores sobre o efeito político e social de longo prazo de abrigar tantos recém-chegados, principalmente do Oriente Médio, ora implodindo, estão ganhando cada vez mais terreno. Enquanto isso, os refugiados continuam se dirigindo para a Alemanha, a uma taxa de cerca de 10.000 refugiados a cada dia. (Em contrapartida, a Grã-Bretanha aceita receber 20.000 refugiados sírios em um período de quatro anos)…

“Há eleitores que acreditam que a Mutti (a forma carinhosa alemã de se referir àmãe) pirou, por ela escancarar as fronteiras da Alemanha para os miseráveis do planeta…

“A crise dos refugiados marca um divisor de águas. A década que se seguiu depois que a Chanceler Merkel tomou posse em 2005 agora parece ter sido um período abençoado para a Alemanha, no qual o país usufruía de paz, prosperidade e respeito internacional, mantendo, ao mesmo tempo, os problemas do mundo a uma distância segura. Agora essa era dourada acabou”.

por Soeren Kern

Soeren Kern é colaborador sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque. Ele também é colaborador sênior do European Politics do Grupo de Estudios Estratégicos / Strategic Studies Group sediado em Madri. Siga-o no Facebook e no Twitter. Seu primeiro livro, Global Fire, estará nas livrarias no início de 2016.

http://pt.gatestoneinstitute.org/6837/alemanha-20-milhoes-muculmanos

Brasil prorroga regra que facilita concessão de visto a refugiados sírios

Diante do agravamento da crise humanitária na Síria, o governo brasileiro decidiu prorrogar a medida que flexibiliza o ingresso de refugiados daquele país no Brasil, segundo apurou a BBC Brasil.

A regra facilita a concessão de visto. Uma vez em território nacional, eles podem dar entrada no pedido de refúgio.

A prorrogação da medida, por mais dois anos, foi decidida após reunião do colegiado do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), órgão ligado ao Ministério da Justiça, ocorrida nesta segunda-feira em Brasília.

Em vigor há aproximadamente dois anos, a regra expiraria no próximo dia 24 de setembro.

“Diante do agravamento do conflito, o governo federal optou pela prorrogação e continuidade de uma importante medida humanitária que vinha adotando nos últimos anos”, afirmou à BBC Brasil o secretário nacional de Justiça, Beto Vasconcelos.

“Trata-se de um passo importante para o reconhecimento dos refugiados sírios que chegam a nosso país”, acrescentou ele.

Leia também: Brasil acolhe mais sírios que países na rota europeia de refugiados

‘Razões humanitárias’

(Reuters)Image copyrightReuters
Image captionRegra expiraria em alguns dias

Em 2013, dois anos após o início do conflito na Síria, o Conare autorizou a concessão de visto a essa população por “razões humanitárias”.

Até então, eles deveriam atender os mesmos pré-requisitos exigidos dos demais estrangeiros, como comprovação de emprego fixo e condições financeiras para permanecer no Brasil.

Desde que a medida entrou em vigor, foram concedidos cerca de 7 mil vistos a refugiados sírios, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

Desses, segundo dados do Conare, 2.077 receberam refúgio do governo brasileiro de 2011 até agosto deste ano, ou cerca de um quarto do total de refugiados no país (8.400). Trata-se da nacionalidade com mais refugiados reconhecidos, à frente da angolana e da congolesa.

O número é superior ao dos Estados Unidos (1.243) e ao de países do sul da Europa que recebem grandes levas de refugiados ─ não apenas sírios, mas também de todo o Oriente Médio e da África ─ que atravessam o Mar Mediterrâneo em busca de asilo, como Espanha (1.535), Itália (1.060) e Portugal (15). Os dados da Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia, referem-se ao total de sírios que receberam refúgio, e não aos que o solicitaram, e englobam o período de 2011 até o 2º trimestre de 2015.

A emissão do documento está concentrada principalmente nas embaixadas brasileiras em Beirute (Líbano), Amã (Jordânia) e Istambul (Turquia). A representação diplomática em Damasco (Síria) foi fechada em 2012 por motivos de segurança.

“A medida é importante pois facilita a concessão de vistos a quem mais precisa. Muitas pessoas chegam aqui só com a roupa do corpo, pois abandonaram suas casas às pressas”, afirmou à BBC Brasil um diplomata brasileiro que atua no Oriente Médio e pediu para não ser identificado.

Segundo ele, apenas na embaixada onde trabalha, o número de vistos concedidos por mês a cidadãos sírios é hoje quatro vezes maior do que antes da crise, em 2011.

Naquele ano, grupos rebeldes iniciaram protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad, e os confrontos com suas tropas (e agora também com o grupo autodenominado “Estado Islâmico”) se arrastam até hoje.

A regra que facilita a concessão de vistos para refugiados sírios fez com que o Brasil se tornasse uma opção à tradicional rota de fuga dessa população, que, em sua maioria, ruma à Europa.

Leia também: Saga síria: o drama dos refugiados que vivem como sem-teto em SP

Parceria

(Getty)Image copyrightGetty
Image captionAcnur vai ajudar na identificação e documentação de refugiados sírios

Com a prorrogação da regra, o Brasil espera poder conceder refúgio a mais sírios, afirmou Vasconcelos. Ele, no entanto, não soube precisar quantos refugiados o país deve receber.

“Por ora, nosso objetivo é manter o mesmo patamar que mantivemos até agora. Estamos implementando novas iniciativas. E à medida que elas se consolidem, vamos implementar alterações no volume de emissão”, disse ele.

Entre elas está uma parceria inédita com o Acnur, o braço da ONU para refugiados. Segundo Vasconcelos, a agência vai atuar em conjunto com as representações diplomáticas do Brasil nos países vizinhos à Síria para ajudar na identificação e documentação de mais refugiados, especialmente de “casos mais sensíveis”, além de agilizar a emissão de vistos.

“A partir dessa parceria, esperamos garantir uma maior eficiência dessa política humanitária. Aproveitaremos a expertise incomparável do Acnur nessa área para que mais pessoas possam ser beneficiadas”, afirmou.

Segundo Vasconcelos, o governo brasileiro já iniciou conversas com a sede da agência em Genebra, na Suíça, para concretizar a colaboração.

Além disso, acrescentou ele, o Conare fará, nos próximos dias, reuniões com Estados e municípios e entidades da sociedade civil para avaliar “outros mecanismos de melhoria nas políticas de acolhimento e assistência” a refugiados sírios.

“Esperamos que ao melhor identificar, processar e preparar o ambiente de recepção, possamos avaliar iniciativas distintas das que já tomamos até agora”, afirmou.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150920_brasil_refugio_sirio_lgb

Centenas de refugiados chegam à Croácia em nova rota após Hungria ameaçar mais bloqueios

ZAGREB — A Croácia foi eleita pelos refugiados como a nova rota para conseguir chegar à países da Europa Ocidental, como a Alemanha ou as nações escandinavas, depois que a Hungria fechou suas fronteiras aos imigrantes. O governo croata confirmou nesta quarta-feira a entrada de 277 pessoas a partir da Sérvia, ressaltando que eles serão autorizados a atravessar o território e continuar a jornada, disse o primeiro-ministro Zoran Milanovic. A Hungria, por sua vez, afirmou que erguerá mais muros de fronteira, agora para o lado croata.

— A Croácia está inteiramente pronta para receber ou direcionar estas pessoas para onde elas quiserem ir, que obviamente é a Alemanha ou países escandinavos — disse Milanovic ao Parlamento, descartando a a possibilidade de construir uma cerca na fronteira, como fez a Hungria. — Elas irão conseguir passar pela Croácia e nós vamos ajudar, estamos nos preparando para esta possibilidade.

O país afirma estar preparado para receber três mil imigrantes em vários centros de acolhida. Para ajudar nas operações, o governo croata enviou seis mil policiais para as fronteiras, número que pode aumentar se o governo considerar necessário. Além disso, foram encaminhados para a região fronteiriça com a Sérvia equipes para desativar minas terrestres que sobraram da guerra entre 1991 e 1995.

A Eslovênia, por sua vez, afirmou que não criará um “corredor de segurança”, segundo o ministro do Interior, Vesna Gyorkos Znidar.

Nos últimos meses, a Hungria se tornou o principal país de trânsito para os refugiados que desejam chegar às nações mais ricas do continente. Com essa rota fechada, milhares de imigrantes estão buscando outros caminhos, como a Croácia, que já recebeu centenas de pessoas só nesta quarta-feira a partir da Sérvia.

— Elas irão conseguir passar pela Croácia e nós vamos ajudar, estamos nos preparando para esta possibilidade — disse Milanovic.

Por sua vez, o premier húngaro, Viktor Orban, voltou a ameaçar barrar qualquer passagem por seu país. Após afirmar que estenderá até a Romênia o muro anti-imigrantes que constrói na fronteira, ele garantiu que também barrará porções fronteiriças com a Croácia.

Grupo de imigrantes caminham na Sérvia em direção à fronteira com a Croácia, perto da cidade de Sid – ANTONIO BRONIC / REUTERS

NOVA ROTA

Os imigrantes que entram na Croácia chegam pela cidade de Sid, na fronteira com a Sérvia, depois de atravessarem um extenso campo de milho. Segundo a imprensa sérvia, diversos ônibus que pegam refugiados na fronteira com a Macedônia tiveram suas rotas modificadas para evitar a Hungria, que na terça-feira fechou suas fronteiras e deteve centenas de imigrantes.

As prisões ocorreram após uma nova legislação que impõe penas de prisão àqueles que tentam atravessar a fronteira ilegalmente entrar em vigor. Budapeste também anunciou que deve estender em direção à Romênia o muro de arame farpado que marcou sua rejeição aos refugiados em direção ao país.

A rota através da Hungria era até então a principal utilizada pelos imigrantes que chegam ao continente europeu pela Grécia. Com o caminho fechado, milhares permanecem nos Balcãs buscando outros caminhos, possivelmente através da Croácia ou Romênia. Os dois países são membros da União Europeia, mas não fazem parte do sistema de Schengen, que estabelece a livre circulação de pessoas.

Após chegar à Croácia, a polícia conduziu os imigrantes à cidade de Tovarnik, no Nordeste do país, onde serão registrados e passarão por exames médicos, em caso de necessidade. Segundo as autoridades, entre os refugiados estão mulheres e crianças.

http://oglobo.globo.com/mundo/centenas-de-refugiados-chegam-croacia-em-nova-rota-apos-hungria-ameacar-mais-bloqueios-17503235

Ministros da União Europeia acertam maior relocação de imigrantes

Esboço de plano foi feito em conclusão de encontro nesta segunda.
Se for aprovada, decisão vai redistribuir cerca de 120 mil pessoas.

Ministros do Interior da União Europeia concordaram com a relocação de mais de 120 mil pessoas que buscam asilo no bloco, mas deixaram detalhes do esquema em aberto para discussão, de acordo com esboço do texto de conclusão de encontro marcado para esta segunda-feira (14).

Assim como a adoção de um projeto anterior para relocação de 40 mil pessoas que buscaram asilo na Itália e Grécia, o conselho ministerial vai, caso o esboço visto pela Reuters seja aprovado, aceitar a princípio uma proposta do Executivo da UE para redistribuir cerca de 120 mil pessoas.

Mas após a oposição a um sistema de cotas nacionais compulsórias, particularmente de Estados do leste europeu, os governos vão continuar a discutir como dividir as pessoas que buscam asilo no bloco, antes de um encontro ministerial em 8 de outubro.

“O Conselho se comprometeu em relocar um adicional de 120 mil pessoas em necessidade de proteção internacional de Estados membros expostos a grandes fluxos migratórios”, diz o esboço.

“Os número propostos pela Comissão constituem a base para um acordo sobre a distribuição das pessoas pela União Europeia. Os trabalhos serão realizados como uma medida de prioridade para a preparação de uma decisão formal para implementar este comprometimento, com o devido respeito à flexibilidade que pode ser necessária aos Estados membros na implementação da decisão, em particular na acomodação de desenvolvimento”, acrescentou.

Munique declara ter alcançado o limite para acolher refugiados

Apenas no sábado chegaram à capital da Baviera mais de 12 mil pessoas.
Sul da Alemanha busca soluções de emergência para acolher refugiados.

O governo do estado federado da Baviera, no sul da Alemanha, reúne-se neste domingo (13) de forma extraordinária para buscar soluções de emergência para atender aos milhares de refugiados que seguem chegando da Áustria.

 “Devido aos números registrados ontem (sábado), está claro que alcançamos o limite extremo da nossa capacidade para acomodar os solicitantes de asilo que chegam à cidade após atravessar os Balcãs, a Hungria e a Áustria”, declarou um porta-voz da polícia de Munique à agência France Presse.

Segundo números fornecidos pela polícia, apenas no sábado chegaram à estação central de Munique, a capital bávara, 12.200 solicitantes de asilo, aos quais se somaram outros 750 no começo da manhã deste domingo.

O prefeito da cidade, o social-democrata Dieter Reiter, lançou no sábado um alerta por não contar com suficientes vagas para alojar a todas as pessoas que chegam da Hungria através da Áustria.

Refugiados esperam por um trem especial na principal estação ferroviária de Munique, neste domingo (13) (Foto: AFP PHOTO/CHRISTOF STACHE)Refugiados esperam por um trem especial na principal estação ferroviária de Munique, neste domingo (13) (Foto: AFP PHOTO/CHRISTOF STACHE)

Segundo a AFP, o Ministro dos Transportes alemão Alexander Dobrindt, denunciou neste domingo o “fracasso completo” da União Europeia no controle das fronteiras externas contra o fluxo de imigrantes, e pediu medidas “eficazes”. “São necessárias medidas eficazes para conter o fluxo” após o “fracasso completo da UE”, cuja “proteção das fronteiras externas não funciona mais”, disse em um comunicado.

Segundo Dobrindt, a Alemanha “atingiu os limites da capacidade” de acolhida e “este sinal deve ser entendido sem ambiguidade” pelos outros países europeus, acrescentou. “A Alemanha tem ajudado com a questão dos refugiados por meses e em uma largura muito maior do que todos os outros países europeus”, lamentou.

Refugiados dormem na estação central de Munique, no sábado (12) (Foto: AFP PHOTO/PHILIPP GUELLAND)Refugiados dormem na estação central de Munique, no sábado (12) (Foto: AFP PHOTO/PHILIPP GUELLAND)
Refugiados dormem na estação central de Munique, no sábado (12) (Foto: AFP PHOTO/PHILIPP GUELLAND)Refugiados dormem na estação central de Munique, no sábado (12) (Foto: AFP PHOTO/PHILIPP GUELLAND)

Pedido de ajuda
As organizações humanitárias que colaboram na primeira acolhida fizeram um apelo à população para que doassem sacos de dormir e colchonetes, utilizados esta noite nas estações de trem e de ônibus por alguns refugiados que não puderam ser hospedados nos albergues e edifícios preparados nos últimos dias pela prefeitura.

As autoridades locais e regionais se sentem abandonadas e nas últimas horas não cessaram de reivindicar aos demais estados federados que acolham parte dos solicitantes de asilo que chegam a Baviera, mas, por enquanto, a resposta é limitada e lenta.

A reunião do governo regional estará presidida por Horst Seehofer, líder da conservadora União Social-Cristã (CSU), partido irmão da CDU de Angela Merkel e parceiro na grande coalizão que governa a Alemanha.

No entanto, as afinidades políticas não frearam suas críticas à chanceler por ter decidido abrir as fronteiras aos refugiados sem ter previsto as consequências que isso poderia ter e sem ter desenvolvido um plano global de amparada.

Segundo as estimativas feitas na sexta-feira passada pelo ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, a Alemanha pode receber este fim de semana cerca de 40 mil solicitantes de asilo.

Refugiados são encaminhados a abrigo em Munique neste sábado (12) (Foto: Sven Hoppe/AP)Refugiados são encaminhados a abrigo em Munique neste sábado (12) (Foto: Sven Hoppe/AP)

Sírios refugiados em igreja no Rio narram dramas e fugas da guerra

Casa de Apoio em paróquia de Botafogo, na Zona Sul, abriga nove sírios.
Nos primeiros 8 meses de 2015, número de sírios na cidade dobrou.

As histórias das fugas e os horrores do dia a dia da guerra civil na Síria se cruzam dentro de um abrigo montado para refugiados em uma paróquia em Botafogo, na Zona Sul do Rio. O G1 visitou a Casa de Apoio para Refugiados, montada  pelo padre  Alex Coelho Sampaio, nos fundos da igreja de São Sebastião. Atualmente, entre 16 refugiados, nove são sírios. Uma delas, Sandy, 25 anos, chegou sozinha ao Brasil há três meses. Os pais dela morreram na guerra e uma irmã está na Turquia.

 O trabalho da igreja tem apoio da Cáritas Diocesana, responsável pela assistência aos refugiados no Rio, que tem apoio do Acnur (Alto Comissariado da ONU para os Refugiados) e do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão vinculado ao Ministério da Justiça.  Segundo a Cáritas, somente nos primeiros oito meses de 2015, o número de sírios no Rio de Janeiro dobrou em relação a todo o ano passado. Até o final de agosto eram 108, contra 46 em 2014. Segundo Diogo Félix, assessor de informação da Cáritas Rio, depois da foto do menino Aylan Kurdi, 3 anos, que morreu no mar da Turquia durante a fuga dos pais, o número de oferecimentos de voluntários para trabalhar na Cáritas deu um salto. Em uma semana, mais de 200 pessoas se ofereceram para trabalhar com refugiados.

O padre conta que os árabes convivem harmonicamente no mesmo espaço com uma família ucraniana e outra nigeriana.  Todos recebem moradia e alimentação pelo período de três meses.

Khaled Feres diz que se a família se refugiasse no Brasil, ele esqueceria a Síria (Foto: Káthia Mello / G1)

Drama e saudade 
O protético Khaled Feres, 27 anos, chegou há um mês. Antes, viveu na cidade de Campos, no norte do Estado. Ele conta que após a morte do irmão mais velho na guerra, o pai, um professor universitário em Damasco, decidiu enviar os três filhos homens para fora do país. Khaled foi enviado no ano passado ao Brasil, um outro irmão e sobrinhos foram para a Alemanha e outro está naTurquia.  O sonho dele é estudar Odontologia e, por isso,  decidiu vir para o Rio aprofundar os estudos em português.

Emocionado, ele conta que a família não está em segurança na Síria. Segundo ele, o bairro onde ele vivia era populoso com cerca de  20 mil pessoas. Atualmente, por causa da guerra, o local está deserto, com menos de mil pessoas. “Sinto falta da minha família. Se meu pai, minha mãe e minha irmã viessem para cá eu ia esquecer a Síria. Não ia ter saudades de lá, mas meu pai diz que não quer sair da sua casa. Ele sempre me diz que a casa dele é o seu país”, disse.

Ele diz que não quer ir embora do Brasil e relatou experiência de preconceito que sofreu no Líbano, onde ficou um mês antes de chegar aqui. Para Khaled, o sentimento de ver os refugiados fugindo para a Europa é de tristeza. Ele diz que fica pensando que pode ter conhecidos, amigos e até parentes no meio dos refugiados.

Padre Alex diz que é chamado de pai pelos refugiados. Ele estuda árabe, o que facilita o contato e a comunicação com o grupo.  Ele conta que a ideia de criar o centro foi a guerra na Síria.  “Fiquei sensibilizado com a guerra e abri a casa. Procurei a Cáritas e disse que tinha o espaço. Comecei com um quarto e tive que ampliar porque começaram a chegar mais sírios no Rio”.

Padre Alex Sampaio e o protético Khaled abrigado na paróquia São Sebastião, em Botafogo, na Zona Sul  (Foto: Káthia Mello/G1)Padre Alex Sampaio e o protético Khaled abrigado na paróquia São Sebastião, em Botafogo, na Zona Sul (Foto: Káthia Mello/G1)

No espaço do abrigo ele escreveu frases de boas vindas e criou regras de convivência, como horários de almoço e café da manhã. Ele diz que mantém o espaço com doações. No momento ele pode receber mais quatro refugiados. No entanto, tem capacidade para abrir mais 16 vagas. A alimentação é o principal problema e a ajuda  que ele recebe é da comunidade que frequenta a igreja. As doações podem ser feitas durante a semana, entre 8h e  18h.

O pároco diz que a casa tem normas. Segundo ele, fumar narguilé está liberado desde que seja feito do lado de fora para não incomodar as outras pessoas. Os momentos da reza muçulmana ocorrrem normalmente, segundo o padre dentro dos quartos.  “Eu sempre digo para eles. Deus é um só, para mim e para você. E, nós somos irmãos. Isso é fundamental para a boa convivência”.

Padre Alex conta ainda que muitos chegam feridos e com abalos psicológicos. Segundo ele, alguns até têm pesadelos à noite.  Ele conta que gosta de incentivar os jovens a estudar. No alojamento é comum encontrar livros abertos e computadores com lições de português.  Para atender aos refugiados, a paróquia conta com uma cozinheira, uma pessoa para limpeza e Ali, 43 anos, um sírio que fugiu da guerra e foi contratado pelo padre para trabalhar na igreja.

Irmãos sírios vendem salgados árabes em Botafogo, na Zona Sul (Foto: Káthia Mello/G1)Irmãos sírios vendem salgados árabes em Botafogo, na Zona Sul (Foto: Káthia Mello/G1)

Falta de moradia e sobrevivência
A família de Mohamed Ebraheen, 20 anos, está no Rio há quase dois anos e, para sobreviver, ele e o irmão de 23 anos vendem salgados árabes  a R$ 10, na rua Voluntários da Pátria, ao lado da igreja. Ebraheen conta que agora eles estão enfrentando dificuldades porque precisam de um lugar para morar. Um dos irmãos era soldado do exército sírio e fugiu para se reunir à família no Brasil.

“São seis pessoas na família e nós vivemos de favor. Agora temos que alugar uma casa e é tudo muito caro. Vender salgados ajuda, mas não é suficiente”.  Ele já  fala português, mas diz que o pai, a mãe e os irmãos ainda encontram dificuldades com a língua. Segundo ele, a Europa seria o melhor destino porque os governos oferecem moradia.

O representante da Cáritas disse que a “onda de solidariedade” é importante, mas não são só os sírios. ” É importante as pessoas saberem que não são só os sírios. Trabalhamos com africanos e refugiados de outros países. A onda de solidariedade é legal, mas não pode ser seletiva”, disse

A Cáritas recebe doações na sua sede na rua São Francisco Xavier, 483, no Maracanã. No momento eles precisam de alimentos, colchões e itens de higiene pessoal.

Pedidos de vistos e refúgio
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, até o dia 31 de agosto, os consulados do Brasil em vários pontos do mundo concederam 7.800 vistos e 2.077 sírios já foram reconhecidos como refugiados no país.  Eles são maioria dos refugiados no país, segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), de um total de 8,4 mil refugiados no Brasil.
Os sírios que fogem do país procuram principalmente o consulado brasileiro em Beirute, no Líbano e depois o de Aman, na Jordânia, Ancara e Istambul, na Turquia.

O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) tem reunião marcada para o dia 21, onde deverá prorrogar as regras que facilitam o refúgio de sírios no Brasil. Em vigor desde 2013, a norma que simplifica a concessão de visto a imigrantes daquele país venceria no final de setembro. O Conare é presidido pelo Ministério da Justiça e reúne ainda os ministérios das Relações Exteriores, da Saúde, do Trabalho, entre outros. As solicitações de refúgio no Brasil são encaminhadas ao órgão, que avalia e julga se aceita ou não os pedidos de ajuda.

Regra
A resolução do Conare de 2013 que facilitou a concessão de vistos aos sírios, e que deve ser prorrogada, explica que a medida de facilitação do visto aos sírios foi adotada considerando a crise humanitária gerada pelo conflito na Síria e o alto número de refugiados gerado pelos confrontos.

Para fazer um pedido de refúgio ao governo brasileiro, o estrangeiro deve estar em território nacional e procurar um posto da Polícia Federal ou do Ministério da Justiça para esclarecer sua situação.

Na época em que a resolução foi adotada, o Itamaraty explicou que os critérios para a concessão do visto podem variar de acordo com cada pedido. Em alguns casos, por exemplo, o governo pode relevar o fato de o solicitante do visto não ter comprovado emprego fixo na Síria. Em outros casos, poderão ser aceitos pedidos sem que o cidadão sírio apresente comprovantes de renda.

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/09/sirios-refugiados-em-igreja-no-rio-narram-dramas-e-fugas-da-guerra.html

Grécia reforça sistema de acolhida para milhares de refugiados

Autoridades trabalhavam para abrir novos centros de atendimento.
Ilha de Lesbos está prestes a explodir com mais de 20 mil migrantes.

As autoridades gregas trabalhavam terça-feira (8) para abrir novos centros de atendimento para os milhares de refugiados que chegam todos os dias em suas ilhas, um êxodo que o presidente da União Europeia alertou que pode durar anos.

O ministro da Imigração grego admitiu que a ilha de Lesbos está prestes a explodir com a chegada de milhares de pessoas.

 As autoridades decidiram expandir suas capacidades para atender os 30 mil refugiados que, segundo a ONU, estão espalhados por várias ilhas do mar Egeu, 20 mil deles em Lesbos.

Nas últimas horas, a tensão tem aumentado nesta ilha, onde guardas costeiros e policiais armados com cassetetes tentam controlar no porto cerca de 2,5 mil pessoas que queriam embarcar em uma balsa rumo a Atenas.

“Foram três dias horríveis… Não há quartos, nenhum hotel, nem banheiros, não há camas, nada”, explica Hamzat Husam, um engenheiro sírio de 27 anos que conseguiu nesta terça-feira, após horas de espera, os papéis para sair da ilha.

Cenas de caos em toda a Europa evidenciam as dificuldades dos governos de controlar a chegada de milhares de pessoas que fogem da guerra e da miséria do Oriente Médio e na África.

“A onda de migração não é um incidente isolado, mas o início de um êxodo real, o que significa que temos de lidar com este problema nos próximos anos”, disse Tusk.

Frente ao desespero dos migrantes, países ao redor do mundo, incluindo vários latino-americanos, ofereceram-se para recebê-los.

A Venezuela anunciou que acolheria 20 mil pessoas, o mesmo número que o Reino Unido propôs para cinco anos.

Enquanto isso, a presidente brasileira, Dilma Rousseff, afirmou que receberia os refugiados de braços abertos, enquanto a sua colega chilena, Michelle Bachelet, disse que seu governo estava trabalhando para receber “um grande número” de pessoas.

Na Europa, a Alemanha, a maior economia do continente, se comprometeu em receber 500 mil refugiados a cada ano a médio prazo, e a chanceler Angela Merkel previu que esse fluxo mudará profundamente o país.

Milhares de migrantes aguardam embarque no porto de Lesbos, na Grécia (Foto: Angelos Tzortzinis/AFP)Milhares de migrantes aguardam embarque no porto de Lesbos, na Grécia (Foto: Angelos Tzortzinis/AFP)

“Estou aqui há oito, nove dias, nem sei mais ao certo”, diz Aleddin, um estudante de engenharia bloqueado em Lesbos e que tenta chegar à Alemanha para se juntar ao seu irmão.

“Alguns estão aqui há 14 ou 15 dias, o governo [grego] não se importa”, diz ele.

Na segunda-feira, poucas horas depois do resgate de 61 pessoas ao largo da costa da ilha de 85.000 habitantes, o ministro grego de Imigração, Iannis Mouzalas, reconheceu que Lesbos está “prestes a explodir”.

Enquanto isso, o líder do partido conservador Nova Democracia, Evangelos Meimarakis, disse nesta terça-feira que a Grécia deve reforçar sua defesa nas fronteiras para frear a chegada de migrantes.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/grecia-reforca-sistema-de-acolhida-para-milhares-de-refugiados.html

“No que se refere aos imigrantes, as fronteiras devem estar melhor protegidas e a Grécia não deveria enviar a mensagem de que ‘aqui é bom, venham para cá'”, disse em entrevista à rede Star Meimarakis. “Porque quem chega aqui envia essa mensagem aos que esperam”, completou.

O Nova Democracia governou a Grécia até janeiro, quando o partido de Alexis Tsipras, Syriza, chegou ao poder.

O antecessor de Tsipras, Andonis Samarás, manteve uma política migratória linha dura, que mantinha imigrantes e refugiados em campos de retenção. Tsipras suavizou esta política ao assumir o cargo.

Na Líbia, a guarda costeira resgatou 120 pessoas a bordo de um bote, que se somam às 366.402 pessoas que tentaram atravessar o Mediterrâneo este ano, metade deles sírios, segundo dados da ONU.

Na frente política, os países da UE estão divididos sobre como responder à crise, e a chanceler alemã considerou que a proposta do presidente da Comissão Europeia para acolher 120.000 refugiados nos países do bloco é apenas “um primeiro passo”, porque o número de refugiados é muito variável.

De acordo com o plano de Juncker, que será apresentado na quarta-feira, a Alemanha teria de acomodar 31 mil pessoas, a França 24 mil e a Espanha quase 15 mil.

Em Genebra, o representante especial para Migração e Desenvolvimento, Peter Sutherland, pediu “uma resposta europeia como parte de uma resposta global” e sugeriu a organização de uma conferência internacional sobre a questão.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/grecia-reforca-sistema-de-acolhida-para-milhares-de-refugiados.html