Arquivo da tag: #crise imigratória

Em três meses, Grécia recebeu quase meio milhão de migrantes

Quase meio milhão de migrantes ilegais chegaram à Grécia nos últimos três meses de 2015, informou nesta quinta-feira (10/03) a missão europeia de fronteiras, Frontex. A maioria teria tomado a chamada rota dos Bálcãs rumo a outros países da União Europeia.

A agência registrou 484 mil casos na rota do leste do Mediterrâneo até a Grécia, através da Turquia, entre outubro e dezembro do ano passado, e 466 mil na rota dos Bálcãs. Muitos destes teriam atravessado a fronteira da Croácia, através da Sérvia, para reentrar no território da União Europeia (UE).

Esses dados elevaram o número de travessias ilegais da fronteira da UE para 978,3 mil no último trimestre de 2015, atingindo um novo recorde desde que a Frontex iniciou a coleta de dados, em 2007. Dos que chegaram à Grécia, majoritariamente nas ilhas próximas à costa da Turquia, 46% eram de refugiados sírios, e 28%, de afegãos.

A agência registrou uma queda na chegada de migrantes à Itália a partir da Líbia, mas observou, em contrapartida, um aumento dos que partiram do Marrocos rumo à Espanha, ainda que a quantidade desses casos seja considerada baixa.

Refugiados se acumulam nas fronteiras da Grécia

Foram registradas 2,8 mil travessias ilegais através da rota do oeste do Mediterrâneo no último trimestre de 2015, configurando um número recorde para essa época, duas vezes maior do que no mesmo período de 2014.

Turquia: acordo não é retroativo

O ministro turco para Relações com a União Europeia, Volkan Bozkir, afirmou nesta quinta-feira que o acordo firmado entre Ancara e Bruxelas no início da semana, que prevê a readmissão de migrantes em solo turco, não é válido para os que já se encontram na Grécia, mas apenas para os que lá chegarem após o pacto entrar em vigor.

Citado pela agência estatal de notícias Anadolu, Bokzir disse que o número de migrantes que o país aceitará de volta será de milhares ou dezenas de milhares, mas não de milhões.

Ele afirmou que seu país vai cumprir suas obrigações para obter a liberação dos vistos de viagem para a UE até o dia 1º de maio. O bloco prometeu enviar 6 bilhões de euros para ajudar a Turquia a lidar com o grande fluxo de refugiados e acelerar as conversações sobre o processo de adesão do país à UE.

Ancara, por sua vez, se comprometeu a conter o fluxo migratório para o continente. Mais de 130 mil migrantes teriam chegado à Europa nos primeiros meses de 2016, segundo estimativas da ONU.

RC/rtr/afp

http://www.dw.com/pt/em-tr%C3%AAs-meses-gr%C3%A9cia-recebeu-quase-meio-milh%C3%A3o-de-migrantes/a-19106045

Eurodeputados criticam acordo entre UE e Turquia

Parlamentares alegam que acordo em troca de ajuda para conter fluxo migratório dá muito poder a Ancara. Críticos ressaltam que crise de refugiados não deve ser confundida com adesão da Turquia ao bloco.

As principais lideranças do Parlamento Europeu se posicionaram nesta quarta-feira (08/03), em Estrasburgo, contra a proposta de acordo entre a União Europeia (UE) e a Turquia em troca de apoio para frear o fluxo migratório em direção à Europa. Os parlamentares acusaram a UE de estar entregando “as chaves do bloco” para Ancara.

“Esse acordo não pode ser uma forma de negociata na pele de refugiados”, afirmou Gianni Pittella, o líder dos socialistas, ressaltando que a negociação sobre a crise migratória não deveria ser confundida com a adesão da Turquia ao bloco.

A mesma opinião foi defendida pela líder da bancada de esquerda, Gabriele Zimmer. “Não se pode negociar pessoas ou direitos fundamentais. Nunca estivemos tão longe de uma solução europeia”, ressaltou.

Já o líder da bancada Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa, Guy Verhofstadt, afirmou que o acordo é altamente problemático, pois Ancara teria muito poder para determinar quem é refugiado e quem podem entrar na Europa. Um curdo do Iraque poderia ter o acesso negado, exemplificou.

Syed Kamall, da bancada Conservadores e Reformistas, também criticou a proposta, que considerou não ser fundamentada em leis europeias. “Há um ou dois líderes negociando sem consultar os outros países. Tenho dificuldade em ver o quanto se esse acordo é legal ou prático”, ressaltou.

Os parlamentares alertaram ainda sobre fazer muitas concessões à Turquia e sobre o crescente autoritarismo do presidente Recep Tayyip Erdogan, citando como exemplo as intervenções sobre meios de comunicação e os ataques contra os curdos.

Até mesmo o líder do grupo do Partido Popular Europeu, o alemão Manfred Weber, membro da União Democrata Cristã (CDU), partido de Angela Merkel, criticou o acordo. “Deve haver uma parceria e não uma dependência da Turquia”, disse, ressaltando seu ceticismo sobre a adesão da Turquia ao bloco, devido, por exemplo, aos “inaceitáveis ataques a jornais”.

Proposta polêmica

A Turquia apresentou na segunda-feira um plano em troca do apoio para frear o fluxo migratório, no qual solicitou mais 3 bilhões de euros à UE até 2018, além dos 3 bilhões já prometidos em novembro. Além disso, Ancara pediu a isenção de visto para cidadãos turcos na União Europeia e a aceleração das negociações para o ingresso do país no bloco.

Em troca, a Turquia se compromete a acolher todos os refugiados que chegarem à Grécia e não obtiverem asilo e está disposta a readmitir todos os imigrantes que não vêm da Síria e todos os que foram interceptados em suas águas territoriais, além de adotar medidas enérgicas contra os traficantes de pessoas.

A proposta está sendo analisada por líderes europeus. Muitos se mostraram favoráveis as medidas. Após a cúpula da UE com a Turquia, Merkel afirmou que foram “dados passos qualitativos” e ressaltou que um acordo entre o bloco e Ancara pode ser fechado no encontro marcado para os dias 17 e 18 de março.

CN/lusa/afp/dpa

http://www.dw.com/pt/eurodeputados-criticam-acordo-entre-ue-e-turquia/a-19105376

 

Macedônia fecha rota dos Bálcãs para migrantes

País não deixará passar mais nenhum migrante ilegal, fechando na prática principal rota dos refugiados para o centro da Europa. Decisão segue novas restrições de Eslovênia, Croácia e Sérvia.

A Macedônia fechou completamente sua fronteira para migrantes ilegais nesta quarta-feira (09/03), depois de Eslovênia, Croácia e Sérvia anunciarem novas restrições na entrada de estrangeiros.

A Macedônia permitia que um pequeno número de sírios e iraquianos passasse pela fronteira, mas mudou de postura após as reações dos países vizinhos. “Fechamos completamente a fronteira”, disse a autoridade policial, que não quis ser identificada, à agência de notícias Reuters.

De acordo com o Ministério do Interior, nenhum migrante entrou vindo da Grécia nesta terça-feira. “A Macedônia agirá de acordo com as decisões tomadas por outros países na rota dos Bálcãs”, disse um porta-voz do ministério, se referindo à principal rota usada por mais de um milhão de imigrantes que chegaram à União Europeia ao longo do ano passado.

Refugiados se acumulam nas fronteiras da Grécia

Eslovênia, Croácia e Sérvia começaram a aplicar nesta quarta-feira restrições para o ingresso de migrantes nas fronteiras, o que na prática significa o fim da chamada rota dos Balcãs para os migrantes.

Segundo as autoridades, só poderão entrar na Eslovênia os estrangeiros que cumprirem os requisitos para entrar no país, ou seja, os que tenham passaportes e vistos válidos para o espaço de Schengen. O ministério esloveno do Interior ressaltou que permitirá a entrada de migrantes que desejam pedir asilo no país ou por motivos humanitários.

A Croácia, que integra a União Europeia, mas não o espaço de Schengen, seguiu o exemplo da Eslovênia e recusará a passagem a quem não tiver a documentação apropriada. Também a Sérvia anunciou que introduzirá restrições.

Esses países não mais autorizarão a passagem de grandes contingentes de migrantes, como aconteceu nos últimos meses, e cada pessoa será submetida a um controle individual.

O presidente do Conselho europeu, Donald Tusk, saudou os anúncios. “Fluxo irregular de migrantes pela rota dos Bálcas Ocidentais chegou ao fim”, escreveu Tusk no Twitter, salientando que não se trata de ações unilaterais, mas parte de uma estratégia europeia.

Ilustradores se engajam no debate migratório

Já a Hungria declarou situação de crise em todo o seu território, o que na prática aumenta o poder das autoridades policiais. O governo húngaro também pretende reforçar a segurança das suas fronteiras no sul.

As mudanças foram anunciadas pouco depois de a União Europeia e a Turquia fecharem um acordo que prevê que a Turquia acolha cada imigrante sírio ilegal que chegar à Grécia, em troca de a União Europeia acolher um requerente de asilo sírio que já estiver na Turquia. Não está claro, porém, quando o acordo vai começar a valer nem se haverá um limite máximo de refugiados envolvidos na “troca”.

Cerca de mil migrantes estão retidos num campo de refugiados do lado da Macedônia, perto da fronteira com a Sérvia. Outros 400 estão presos numa área entre a Sérvia e a Macedônia. Eles se recusam a voltar para a Macedônia e não obtêm permissão para atravessar a Sérvia.

O governo da Grécia calcula que há cerca de 36 mil imigrantes retidos no país e que desejam seguir viagem para outros países da Europa.

AS/rtr/lusa/dpa/afp

http://www.dw.com/pt/maced%C3%B4nia-fecha-rota-dos-b%C3%A1lc%C3%A3s-para-migrantes/a-19104823

Dias de migração irregular chegaram ao fim, diz Tusk

Após cúpula da UE, presidente do Conselho Europeu cita avanços em negociações com Turquia em troca de ajuda para conter fluxo migratório. Países do bloco analisam propostas de Ancara até encontro na próxima semana.

Os chefes de Estado e governo da União Europeia (UE) concordaram nesta segunda-feira (07/03) em analisar até a próxima semana as propostas apresentadas por Ancara em troca do apoio para frear a chegada de refugiados à Europa. Após a cúpula da UE e da Turquia, em Bruxelas, líderes europeus afirmaram ter alcançado as linhas gerais para um possível acordo.

“Os dias de migração irregular para Europa chegaram ao fim”, afirmou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, acrescentando que os líderes da União Europeia consideram oferecer mais dinheiro à Ancara em troca de ajuda para conter o fluxo migratório. Tusk confirmou ainda que a Turquia receberá de volta migrantes apreendidos em águas turcas.

Refugiados aguardam na fronteira da Grécia em acampamento improvisado

Depois de 12 horas reunidos, os líderes europeus concordaram também em facilitar o acesso a vistos para cidadãos turcos na Europa e acelerar as negociações para o ingresso da Turquia na UE.

O presidente francês, François Hollande, disse que a cúpula trouxe “a esperança de que a questão dos refugiados possa ser resolvida com solidariedade na Europa e eficiência na cooperação com a Turquia”. Hollande ressaltou que Ancara é fundamental para interromper a chegada de migrantes à Grécia.

A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, afirmou que foram “dados passos qualitativos” na cúpula e ressaltou que um acordo entre o bloco e Ancara pode ser fechado no encontro marcado para os dias 17 e 18 de março.

Propostas turcas

No início da cúpula, a Turquia apresentou um plano, no qual solicitou mais 3 bilhões de euros à UE até 2018, além dos 3 bilhões já prometidos em novembro. Além disso, Ancara pediu a isenção de visto para cidadãos turcos na União Europeia e a aceleração das negociações para o ingresso do país no bloco.

Em troca, a Turquia se compromete a acolher todos os refugiados que chegarem à Grécia e não obtiverem asilo e está disposta a readmitir todos os imigrantes que não vêm da Síria e todos os que foram interceptados em suas águas territoriais, além de adotar medidas enérgicas contra os traficantes de pessoas.

CN/rtr/afp/ap

http://www.dw.com/pt/dias-de-migra%C3%A7%C3%A3o-irregular-chegaram-ao-fim-diz-tusk/a-19100654

‘Não venham à Europa’, pede Tusk a migrantes econômicos

Presidente do Conselho Europeu também irá para a Turquia discutir a crise migratória

ATENAS — Após uma reunião sobre a crise de refugiados em Atenas com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu nesta quinta-feira que os migrantes econômicos desistam de ir à Europa e pediu mais unidade entre os países do bloco para lidar com a situação. Mais tarde, Tusk viajará à Turquia, onde se encontrará com o premier turco, Ahmet Davutoglu.

Veja também

— Quero lançar um apelo a todos os migrantes econômicos ilegais potenciais, de onde forem. Não venham à Europa. Não acreditem nos traficantes. Não coloquem em risco suas vidas e seu dinheiro. Tudo isso não servirá de nada — disse em uma entrevista coletiva, ressaltando que nem a Grécia, nem nenhum outro nação europeia pode continuar sendo países de trânsito.

Tusk aproveitou a ocasião para prometer que os regulamentos do acordo Schengen (que permite a livre circulação de pessoas) voltarão a ser aplicados e criticou as decisões unilaterais tomadas por alguns países do bloco europeu na tentativa de conter a crise migratória. Para ele, prejudicam a solidariedade entre os parceiros.

— As decisões unilaterais, sem coordenação prévia, embora sejam compreensíveis em um contexto nacional, prejudicam o espírito europeu de solidariedade — afirmou, fazendo um alerta: — A Grécia vai requerer que todos os países respeitem o Tratado Europeu e que haja sanções para aqueles que não o fizerem.

Nas últimas semanas, as nações dos Bálcãs limitaram a entrada de imigrantes a 580 por dia, uma medida encabeçada pela Áustria e seguida por Macedônia, Sérvia, Croácia e Eslovênia que criou um gargalo na Grécia. Com os guardas bloqueando a passagem do território grego para o macedônia, foram registrados confrontos entre imigrantes e policiais nos últimos dias.

Por sua parte, Tsipras disse que a Grécia continuará fazendo o que for possível para garantir que imigrantes ou refugiados não fiquem sem assistência, mas ressaltou que o país não pode suportar o peso da crise sozinho.

Nós não vamos permitir que a Grécia ou qualquer outro país se transforme em um armazém de almas — disse o premier grego.

IMIGRANTES NÃO PARAM DE CHEGAR

Desde o início de janeiro, mais de 131 mil imigrantes desembarcaram no continente europeu pelo mar Mediterrâneo — número que supera a quantidade de pessoas entraram na Europa nos primeiros cinco meses do ano passado, segundo a ONU. Dentre os refugiados, houve mais de 410 mortes durante as perigosas travessias marítimas clandestinas que chegam, sobretudo, à costa grega.

Para lidar com a crise, a UE propôs na quarta-feira um novo programa de ajuda no valor de de 700 milhões de euros, similar ao tipo de alívio para desastres oferecido para países em desenvolvimento. Se aprovado, o projeto irá destinar neste ano 300 milhões de euros do orçamento anual, principalmente para a Grécia, e prevê usar 200 milhões de euros nos próximos dois anos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/nao-venham-europa-pede-tusk-migrantes-economicos-18793777#ixzz41tVy5R1p
© 1996 – 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Alemanha não sabe paradeiro de 13% dos refugiados que recebeu

Governo indica que eles podem ter retornado ao país de origem, viajado ou estejam vivendo na ilegalidade.

BERLIM — O governo alemão não sabe o paradeiro de 13% dos 1,1 milhão de refugiados registrados no país, cerca de 130 mil pessoas, informou o ministério do Interior nesta sexta-feira respondendo a uma requisição do partido de esquerda Die Linke. Segundo as autoridades, esses imigrantes não se apresentaram aos centros de acolhida para onde foram destinados, possivelmente por causa de um retorno ao país de origem, uma viagem a outra nação ou estejam vivendo ilegalmente.

O ministério apontou ainda que a Alemanha é ainda menos eficiente em mandar de volta os refugiados aos países europeus responsáveis por eles. De acordo com uma estimativa, o governo só solicitou a algum parceiro europeu para realocar um imigrante uma vez em cada dez casos no ano passado. Em 2014, isso acontecia com mais frequência.

Seguindo as normas do bloco europeu, a primeira nação do continente onde a pessoa chega deve se encarregar de registrá-la. No entanto, a recente crise migratória provocou um colapso, uma vez que a Grécia – a principal porta de entrada da UE para os refugiados – recebeu em janeiro desse ano mais de 100 mil imigrantes, 21 vezes mais do que no mesmo mês de 2015. O governo estima que 1,1 milhões chegaram à Alemanha no ano passado, com muitos mais esperados para chegar nos próximos anos.

Para aumentar a crítica dos contrários ao acolhimento a refugiados em solo alemão, o chefe de Gabinete Federal para as Migrações, Frank-Juergen Weise, disse que há até 400 mil pessoas atualmente no país cujas identidades e nacionalidades são desconhecidas pelas autoridades.

Na quinta-feira, o Parlamento alemão – o Bundestag – aprovou um pacote de leis mais rígidas leis sobre o asilo a imigrantes, no intuito de ajudar o país a lidar com um fluxo sem precedentes de refugiados, a maioria do Oriente Médio e da África. A mudança visa acelerar os procedimentos de abrigo e torna mais fácil deportar as pessoas cujo pedido não tenha sido reconhecido pelo governo. O projeto agora deverá ser votado pelo Câmara Alta do Parlamento, ou Bundesrat.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/alemanha-nao-sabe-paradeiro-de-13-dos-refugiados-que-recebeu-em-2015-18754451#ixzz41HJP1iOo
© 1996 – 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Jovens marroquinos se fazem passar por sírios para chegar à Alemanha

Desde setembro, centenas de marroquinos chegaram à Europa através da Turquia

Ilias Mazyani, de 19 anos, sentava-se todas as tardes no café Al Bustan com o amigo Mohamed Abdelmalki, de 21. O assunto era sempre o mesmo: ir para a Alemanha através da Turquia, fazendo-se passar por refugiados sírios. Depois do último verão, muitos jovens de Nador já tinham conseguido. A maioria tinha nascido em Zgangan, a sete quilômetros dessa cidade marroquina, e a cerca de vinte minutos de carro da fronteira com a cidade espanhola de Melilla. Circulavam pela cidade planos de viagem com as instruções para chegar a Europa. Só era preciso pagar 800 euros pela passagem de ida e volta de Casablanca a Istambul. Os marroquinos não precisam de visto para viajar à Turquia.

Uma vez na Turquia era preciso se desfazer do passaporte marroquino, comprar um documento sírio por 60 euros, pagar a máfia que transporta refugiados para a Grécia e fazer-se passar por sírio. Para alguns, o trajeto saía pelo equivalente a 1.000 euros (4.000 reais) e para outros, por 3.000. Com o crescimento da demanda, as agências de viagens começaram a aumentar os preços, e as máfias fizeram o mesmo.

Em setembro, muitos jovens partiram de Zgangan. Não há números oficiais. Mas a maioria das fontes consultadas fala de mais de 1.000 em uma cidade de apenas 30.000 habitantes. Alguns fizeram vídeos durante o trajeto e começaram a publicar no Facebook. Foram para a Alemanha porque a maioria das pessoas de Zgangan tem famílias no país europeu há várias décadas. Mazyani e Abdelmalki tentaram a sorte junto com outro amigo em 17 de novembro.

“Chegamos até a fronteira da Grécia com a Macedônia”, relata Abdelmalki. “Mas não dava mais para atravessar. Tentamos três vezes. Ilias disse que ia tentar uma quarta vez antes de desistir. E quando tentou passar pela cerca foi eletrocutado”. A família ainda espera receber o corpo de Ilias, que está na Grécia.

O êxodo de jovens se estendeu a outras regiões. Segundo o jornal digital Le Desk, na cidade de Safi (600.000 habitantes) existem bairros como Hay Oued El Bacha ou Derb Moulay El Hassan que registraram “saídas maciças nos últimos meses”. “Mais de mil jovens saíram da região de Nador desde meados do ano passado. Esse foi o primeiro lugar do país de onde começaram a sair”, diz Omar Naji, presidente da Associação Marroquina de Direitos humanos (AMDH) em Nador.

“Desde 2000, o Estado vem falando em grandes planos e projetos de infraestrutura para Nador”, comenta Naji. “Mas depois de 15 anos o resultado está aqui: nada foi feito. O desenvolvimento do turismo do qual tanto se falou nunca chegou; o trabalho, também não. O próprio rei disse em um de seus discursos que não viu o resultado de todos os projetos que inaugurou. O empresário maior de Nador é Melilla. O contrabando continua sendo a principal indústria”.

“Por que os veículos oficiais silenciam sobre esse fluxo maciço de emigrantes irregulares?”, pergunta-se Omar Naji. “Por que as autoridades não têm feito nada para impedir? O embaixador marroquino na Grécia não disse nada sobre os compatriotas que estão ali sofrendo. Essa passividade não é neutra. O Estado obtém um benefício político e econômico. Primeiro, porque tira do caminho muita gente de Rif, uma região que tradicionalmente teve uma postura crítica ao Estado. E, segundo, porque esses desempregados, assim que conseguem trabalho na Europa, começam a enviar dinheiro a Marrocos. As remessas são uma das principais fontes de renda do país”.

Ramsise Bulaiun, diretor do site Nadorcity, afirma que desde janeiro o número de saídas diminuiu muito. “Mas até um mês atrás era o assunto de todo o mundo. Fizemos uma pesquisa com as principais agências de viagens e deduzimos que, nos últimos três meses, devem ter saído da região de Nador entre 1.500 e 1.800 pessoas. Muitos jovens não foram porque não conseguiram juntar os 3.000 euros para pagar viagem. Perguntamos às autoridades por que nada está sendo feito para impedir esse êxodo e nos disseram: não existe nenhuma lei que nos permita impedir alguém de viajar para Istambul como turista”.

De acordo com Bulaiun, também existem balsas que saem da costa levando imigrantes, apesar de o Marrocos ter apertado o cerco contra a imigração ilegal. “Mas a viagem de balsa é muito mais cara, sai por 8.000 euros. Às vezes são balsas carregadas de drogas e o imigrante, além de pagar a passagem, tem que descarregar a mercadoria”.

Em outubro começaram a ser divulgados na Internet os primeiros vídeos de jovens que chegaram a Alemanha provenientes de Nador. Iam de ônibus de Istambul para a cidade turca de Izmir. Depois seguiram de lancha até a ilha grega de Lesbos. Em seguida, de navio até Atenas, como refugiados sírios. No total, atravessam seis países até chegar a Alemanha.

Em 3 de janeiro, um cantor da cidade, Jouhan Nouri, publicava no Youtube a canção “Estrada para a Turquia”, onde contava a peripécia de muitos jovens. “Depois de publicar essa canção, ele mesmo fez a rota para a Turquia e agora publica no Facebook fotos da Espanha”, comenta um amigo dele.

Outro vídeo que circula na Internet é o de dois irmãos de Zgangan. “Foram embora sem dizer nada ao pai, explica o funcionário de uma organização humanitária que prefere não ter o nome divulgado. “Mas, quando chegaram à Macedônia, tiveram de pedir dinheiro ao pai para continuar a jornada. O pai está furioso com eles. É agricultor, tem terras e ovelhas. Diz que podiam ter ficado com ele trabalhando no campo”.

“A maioria dos que se foram era gente desempregada, mas não pobres”, diz a mesma fonte. “Têm boas roupas, telefones de última geração e são capazes de reunir até os 3.000 euros que custa a viagem. Veem os marroquinos que chegam da Europa no verão com seus bons carros e querem viver como eles. O problema é que aqui não há futuro. Muita gente trabalha como carregador no contrabando da fronteira. Ganham o equivalente a 10 euros por dia e isso é tudo”.

Mohamed tem 39 anos, está casado, tem dois filhos e mora em Zgangan. Não quer revelar seu sobrenome, mas conta a história de seu irmão de 32 anos, que partiu em setembro para a Alemanha. “De lá foi para a Bélgica, onde mora com uma irmã de minha mãe. Foi junto com outros 10 rapazes da vila. Por enquanto está sem trabalho, não tem nada, mas ao menos tem esperança. Seu objetivo é obter os documentos e a única forma de conseguir isso é se casando. Apesar de morar com nossa tia, nós enviamos dinheiro daqui para que possa se manter. É assim que sempre fizemos nesta terra. Quando encontrar trabalho, será sua vez de nos mandar dinheiro”.

Em apenas dois meses, mais de 10.000 imigrantes marroquinos em situação irregular chegaram à Alemanha, segundo fontes diplomáticas alemãs em Rabat. Essa onda levou a chanceler Angela Merkel, chamada de “tia Merkel” em Nador, e o rei Mohamed VI a fecharem, em 27 de janeiro, um acordo para a repatriação “sem demora” dos imigrantes irregulares. A Suécia também estuda com Marrocos como repatriar 800 menores que chegaram entre 2014 e 2015.

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/02/12/internacional/1455272411_933711.html

Suécia: Um homem é morto a facadas e outros três são feridos entre gangues no centro de refugiados

Um homem foi esfaqueado até a morte e três pessoas ficaram feridas depois de uma briga em massa em um centro de imigrantes na Suécia neste fim de semana.

A polícia prendeu um homem de 20 anos por suspeita de assassinato após o incidente em Ljusne, perto de Soderhamn, região central da Suécia, no sábado.

Mais de uma dúzia de requerentes de asilo do sexo masculino estavam envolvidos na briga de faca, que se acredita ter começado quando um grupo de um centro próximo visitou o outro para resolver um argumento anterior.

A polícia foi chamada ao local e prendeu um homem após a realização de uma operação em um dos apartamentos no centro de refugiados, e mais três foram levados para interrogatório e depois liberados.

De acordo com a Polícia de Soderhamn, até 15 pessoas estavam envolvidas na briga, todos os homens que se acredita estar na faixa dos 20 anos.

Este é o último de uma série de incidentes violentos que teve lugar em centros de requerentes de asilo na Suécia este ano.

Um incidente no mês passado obrigou a polícia correr por suas vidas depois de ser atacada por um grupo de requerentes de asilo em um centro de refugiados em Vasteras, no centro da Suécia

A polícia tinha sido chamada para ajudar a localizar um menino de dez anos que tinha alegadamente sido “estuprado repetidamente por outros requerentes de asilo no centro.

Isso veio poucos dias depois do assassinato da assistente social Alexandra Mezher, de 22 anos, que foi esfaqueada até a morte em um centro de refugiados em Molndal, perto de Gotemburgo, quando ela interveio para parar a luta.

A polícia sueca exigiu mais recursos para conter o aumento da violência ligada à crise migrante.

O porta-voz da polícia Thomas Fuxborg disse no mês passado: “Esses tipos de chamadas estão se tornando cada vez mais comum.

“Estamos lidando com mais incidentes como estes desde a chegada de tantos mais refugiados do exterior. ‘

Suécia recebeu mais de 160.000 refugiados e migrantes em 2015, mais do que qualquer outro país da UE per capita.

No entanto, o número de recém-chegados caiu drasticamente após a verificação da identidade de controle obrigatório nas fronteiras que foi introduzida no mês passado.

Read more: http://www.dailymail.co.uk/news/article-3447576/One-man-stabbed-death-three-injured-latest-mass-brawl-gangs-Swedish-migrant-centre.html#ixzz40HU2qlhQ
Follow us: @MailOnline on Twitter | DailyMail on Facebook.

Pesquisa: 40% dos alemães defendem renúncia de Merkel

Enquete revela que, ao mesmo tempo, 45,2% da população apoia permanência da chefe de governo no cargo. Chanceler federal vem perdendo popularidade em meio ao agravamento da crise migratória.

Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (29/01) pela revista alemã Focus revela que quatro entre cada dez alemães querem a renúncia da chanceler federal, Angela Merkel.

Enquanto 39,9% dos 2 mil entrevistados pelo instituto de pesquisas Insa são a favor de que a chanceler deixe o cargo, 45,2% defendem sua permanência como chefe de governo.

Durante muito tempo, Merkel gozava de índices elevados de popularidade, mas acabou perdendo apoio nos últimos meses , em particular, devido ao agravamento da crise migratória no país.

Os apoiadores do partido de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) são os mais críticos ao governo da chanceler. A renúncia de Merkel é defendida por dois em cada três adeptos do partido eurocético.

Entre os apoiadores do partido A Esquerda, 45,4% defendem que Merkel deixe o cargo, e 44% dos adeptos do Partido Liberal Democrático (FDP) também são favoráveis à saída da chanceler. Entre os que apoiam o Partido Social Democrata (SPD), que integra a coalizão governista juntamente com a União Democrata Cristã (CDU) de Merkel, 41,3% são a favor da renúncia da chefe de Estado.

A menor rejeição à Merkel vem dos apoiadores do Partido Verde e da própria CDU, com 30% e 26,6%, respectivamente, favoráveis à sua saída.

Novas leis de asilo

Os resultados da pesquisa foram divulgados após a coalizão governista chegar a um acordo sobre asmudanças nas leis de asilo do país.

Os líderes concordaram que os refugiados não poderão mais trazer automaticamente seus familiares para a Alemanha. Em alguns casos, eles terão que aguardar dois anos para poder buscar a família.

A coalizão também concordou em acrescentar Marrocos, Argélia e Tunísia à lista de países considerados seguros, o que torna mais rápida a análise do pedido de asilo e a deportação dos requerentes desses países.

Além disso, ficou decidido que os requerentes de asilo que concluírem um curso profissionalizante na Alemanha terão o direito de trabalhar por dois anos no país, independentemente do seu status como refugiado.

http://www.dw.com/pt/pesquisa-40-dos-alem%C3%A3es-defendem-ren%C3%BAncia-de-merkel/a-19011578

Líderes da UE insistem que não há ‘ligação’ entre a crise imigratória e os ataques sexuais no ano novo em Colônia – e prometem dar um fim às ‘acusações falsas’

“Não há link ‘entre a crise imigratória e a onda de ataques sexuais em Colônia durante as celebrações do ano novo, acreditam funcionários da UE.
A Comissão Europeia quer remover ‘falsas associações entre o número crescente de alguns atos criminosos e a chegada de imigrantes, mostram os documentos.
Atas internas tomadas em uma reunião de gabinete em 13 de janeiro sugerem que os funcionários também estão aumentando a preocupação com a possibilidade de uma reação pública em relação aos ataques.

“Não há ligação ‘entre a crise imigratória e a onda de ataques sexuais em Colônia durante as celebrações do Ano Novo, acreditam os funcionários da UE.
Alguns dos ataques são acreditados para ter sido realizada após fogos de artifício foram lançados na multidão de Ano Novo fora da estação principal de Colónia, o que levou os membros do público a fugir

Eles documentam o primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, afirmando que os dois eventos  ‘não são relacionados “, de acordo com Matthew Holehouse para The Telegraph.
Segundo Timmermans “quanto aos crimes em Colônia que preocupa a todos, estes eram uma questão de ordem pública e não estavam relacionadas com a crise dos refugiados.”

Os documentos sugerem que os funcionários querem “a rejeição incondicional de falsas associações entre certos atos criminosos, como os ataques contra as mulheres em Colônia na véspera de Ano Novo, e o afluxo maciço de refugiados ‘.

Mas os funcionários simultaneamente não querem “minimizar” os problemas.
Um grande grupo se reuniu do lado de fora da estação ferroviária de Colônia seis dias após os ataques. A Comissão Europeia quer remover ‘falsas associações entre o número crescente de alguns atos criminosos e a chegada de imigrantes, mostram os documentos.
Os ataques provocaram um protesto de centenas de pessoas, que agitavam bandeiras alemãs e banners escritos com o slogan “Não sejam bem-vindos refugiados estupradores ‘

O presidente Jean-Claude Juncker encerrou o debate e salientou que ele queria manter a “credibilidade na Comissão», revelam as atas.
Centenas de mulheres apresentaram queixas de agressão sexual após a onda de ataques na cidade alemã na véspera do Ano Novo.
Uma multidão de homens – que se acredita ser do Norte Africano e origem árabe – foram acusadas de molestar e roubar mulheres após se reunir na estação central da cidade.
Uma mulher disse à polícia que foi cercada por 20 homens de aparência norte-africana antes e que eles atacaram suas partes íntimas enquanto outro disse estava tocando na virilha.

Cerca de 1 milhão de refugiados são pensados ​​para já entraram ilegalmente na Europa

A exposição de The Telegraph vem depois de a polícia sueca revelar que eles têm lidado com cerca de 5.000 incidentes envolvendo imigrantes desde outubro.
Duas ameaças de bomba, quatro estupros e mais de 550 assaltos estavam entre os delitos oficiais relatados de acordo com dados obtidos por SvD.
Eles também participaram de 450 lutas, 194 ameaças violentas e 58 incêndios que envolvem imigrantes ou requerentes de asilo.
Essa denúncia também vem depois da trabalhadora humanitária de 22 anos Alexandra Mezher ter sido esfaqueada até a morte no centro para criança imigrante onde ela trabalhava em Molndal, Suécia, na segunda-feira. Um garoto de 15 anos de idade, de Somália apareceu no tribunal na quarta-feira sendo acusado de assassinato.
Cogita-se que cerca de 1 milhão de refugiados podem ter entrado ilegalmente na Europa.

Leia mais:
Tusentals incidenter i polisens Särskilda “flyktingkod” | SvD
Os líderes da UE: ‘No link’ entre os ataques sexuais Colônia e crise migrante – Telegraph

Read more: http://www.dailymail.co.uk/news/article-3423959/No-link-migrant-crisis-wave-New-Year-sex-attacks-Arab-North-African-men-women-Cologne-say-EU-leaders.html#ixzz3yjknbcmg
Follow us: @MailOnline on Twitter | DailyMail on Facebook