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França:Turcos e curdos se enfrentam com violência após vitória de Erdogan na eleição

Dezenas de membros das comunidades turca e curda entraram em confronto violento na França após a vitória eleitoral do presidente turco islâmico Recep Tayyip Erdoğan.

Segundo a polícia, turcos e curdos lutaram entre si com barras de ferro, espadas e paus no domingo à noite em Mantes-la-Jolie, nos arredores de Paris,  informa o Le Parisien  .

O incidente marca a primeira grande violência entre curdos e turcos na comunidade e foi dito que começou depois que os partidários turcos do Erdoğan usaram a bandeira da Turquia em frente aos cafés curdos. Os turcos foram atacados por moradores curdos que também teriam atacado dois cafés turcos em retaliação.

Cerca de 1.000 famílias turcas e 400 curdas vivem na área. “Falamos tão pouco sobre política. Mas entre os idosos ou aqueles que não nasceram aqui, às vezes é tenso, mas nunca violento ”, disse um turco local.

Breitbart London@BreitbartLondon

Turks Across Europe Celebrate Reelection of Islamist Turkish President Erdogan http://www.breitbart.com/london/2018/06/26/turks-european-countries-vote-erdogan-celebrate-streets-victory/ 

European Turks Celebrate Reelection of Islamist Erdogan

Turkish residents and citizens of Belgium, France, and the Netherlands celebrated the reelection of Islamist Turkish President Erdoğan.

breitbart.com

Embora os confrontos entre turcos e curdos sejam incomuns em grande parte da França, vários desses incidentes violentos ocorreram na vizinha Alemanha, Áustria e Suíça .

A Alemanha tem visto vários confrontos violentos, com os mais recentes ocorrendo em abril, quando mais de 50 turcos, curdos e alguns libaneses lutaram uns contra os outros com armas , incluindo facões e barras de ferro, nas ruas de Duisburg.

Em setembro de 2015, os dois grupos entraram em confronto em Frankfurt e, em abril de 2016, as lutas eclodiram mais uma vez durante uma marcha nacionalista turca em Duisburg, incluindo os lutadores do grupo ultra-nacionalista turco Grey Wolves .

A Áustria, que também tem uma população significativa de turcos, viu confrontos no coração de Viena em agosto de 2016, quando manifestantes curdos teriam sido incitados pelos turcos a lutar. Ambos os grupos usaram spray de pimenta uns sobre os outros, forçando os turistas a fugir da área em pânico.

Com imagem e informações Breitbart

“A Europa não tem ouvidos para esta guerra”

O Estado turco impõe-se pela força militar no Curdistão, sem distinguir civis de combatentes. A pretexto da luta contra o terrorismo, foi desencadeada uma verdadeira guerra contra os civis no Sudeste do país, desde meados de 2015.

Há um ar pesado, um cheiro a fumo e uma poeira que se infiltra na garganta, nos pulmões. Estamos em Nusaybin, território curdo, no limite sudeste da Turquia. A guerra da Síria está a dois passos. É ali que começa a fronteira: Al-Qamishli, na Síria, é a um passeio dali, embora passando uma terra de ninguém com 600 mil minas prontas a explodir. Mas é um engano dizer as coisas assim; na verdade, a guerra já mora ali.

Raqia Tovan tem um rosto jovem, mas triste, carregado, coberto por um lenço escuro, com flores azuis e vermelhas, atado sob o queixo. As memórias do último ano são amargas. O Exército turco lançou uma brutal ofensiva contra os curdos, após as legislativas de 7 de Junho, quando o Partido Democrático do Povo (HDP), pró-curdo, entrou para o Parlamento em Ancara. Dessa forma, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no poder, não teve maioria suficiente para governar.

Várias zonas do Sudeste da Turquia transformaram-se em cenários de guerra: a operação militar do Estado contra os seus cidadãos curdos é um compêndio de violações dos direitos humanos. Para Raqia Tovan, o seu mundo desmoronou-se.

“Quando começou o recolher obrigatório, no primeiro dia, decidimos deixar a cidade. Mas o meu filho mais velho não se quis vir embora. Soubemos pelosmedia, dois meses depois, que tinha sido morto”, contou. “Há um sítio, na cidade de Urfa, onde se pode ir reclamar o cadáver. Mas só achámos partes do corpo do meu filho. Não só o mataram a tiro como o destruíram, desmembraram-no”, diz Raqia Tovan, que vai franzindo o sobrolho à medida que desenrola o novelo da sua história, que veio contar aos visitantes de Nusaybin. “Nem sequer pelos testes de ADN era possível saber se era mesmo ele. Havia muitos corpos destruídos.”

O Governo justificou a operação militar como uma necessidade para lutar contra o terrorismo – não do grupo Estado Islâmico, que controla território na Síria e no Iraque, e tem feito atentados na Turquia, mas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão. O PKK é uma guerrilha que a Turquia considera terrorista e que começou a lutar pelas armas em 1984 pela independência desta nação sem Estado espalhada por vários países (Turquia, Iraque, Síria e Irão).

“Ainda não sei onde está o meu filho. Tudo isto é muito desumano. O Estado matou e destruiu tudo, as famílias, as casas, os homens também. Não consigo dormir. A União Europeia devia saber disto”, diz Raqia Tovan, que quis contar a tragédia em que se transformou a sua vida aos europeus que vieram a Nusaybin, numa missão organizada pelo Movimento Europeu Anti-Racismo (EGAM) e pela Rede de Parlamentares Elie Wiesel.

“O nosso maior problema é a etiqueta ‘grupo terrorista’ que foi colada ao PKK. O Governo pode sempre dizer que está a matar terroristas”, diz Hatip Dicle, co-líder do Congresso da Sociedade Democrática, uma plataforma de movimentos curdos que proclamou a autogovernacão no Curdistão turco no Verão de 2015. “Veja-se o exemplo do apartheid: o mundo isolou o Governo racista da África do Sul, enquanto não fez a paz. Se o Governo turco não tiver o mesmo tratamento, não haverá paz.”

Negação de identidade

Em Diyarbakir, a capital económica e cultual do Curdistão, o exército e a polícia actuaram de forma igualmente brutal. “Se conseguirmos, vamos levar os nossos casos até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Mas parece-nos que a UE não tem ouvidos para esta guerra”, diz Mustafa Çukur, pai de Rozerin Çukur, uma adolescente de 16 anos que foi morta a tiro pela polícia turca em Sur, o centro histórico da cidade, e cujo cadáver só pôde recuperar ao fim de seis meses. “A bala entrou pelo topo do crânio e saiu pelo lado da cara”, explica o pai, com uma calma perturbante.

PÚBLICO -

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O que outrora já foram prédios em Cizre: O Exército turco lançou uma brutal ofensiva contra os curdos, após as legislativas de 7 de Junho

“Destruíram as nossas cidades, queimaram as nossas terras e ninguém faz nada. Agora é porque a UE está a comprar à Turquia uma solução para os refugiados”, acusa Mustafa Çukur. “Fizeram de nós refugiados no nosso próprio país.” Pelo menos um milhão de pessoas foi afectada por esta campanha militar. Só em Sur, 23 mil pessoas viviam nas zonas de intervenção. Agora, vivem em bairros de lata.

Foram impostos longos períodos de recolher obrigatório — em alguns casos, duraram meses, sem interrupção —, durante os quais foram bombardeados. Sur, um núcleo urbano com mais de 7000 anos, com centenas de monumentos históricos, alguns classificados como património da Humanidade, ou bairros de cidades como Nusaybin, Cizre, Silvan e outras. Como se de uma verdadeira guerra se tratasse.

“A Constituição nega o reconhecimento de outras identidades para além da dos turcos da seita sunita, apesar de existirem várias outras no país”, explica Raci Bilici, responsável pela delegação de Diyarbarkir da Associação de Direitos Humanos da Turquia. “Esta luta existe por causa da negação de identidade. O problema da Turquia é ter uma democracia fraca.”

A tragédia podia surgir de uma forma banal: a família de Kemin, uma mulher jovem, toda vestida de negro, lenço negro e olhos afundados, decidiu ficar em Nusaybin. O marido era funcionário municipal. “Depois de 21 dias fechados em casa, decidiu ir à rua, para comprar cigarros”, conta. “Foi atingido a tiro ao sair.”

Hoje ainda há vastas áreas de Sur ou Nusaybin onde é proibido entrar. Vedações ou enormes blocos de cimento servem para bloquear ruas ou bairros, que convivem resvés com lojas de especiarias, churrascos, outras habitações. As crianças entram por buracos e recolhem munições aos quilos, para vender em sacos de 5kg.

Nas décadas de 1980/90, a guerra civil entre o PKK e as autoridades turcas grassou nas zonas rurais. Fez mais de 30 mil mortos e levou os curdos a fugir para as cidades. Mas esta nova ofensiva estatal, que não distinguiu civis de combatentes, é urbana. O objectivo foi limpar o coração das cidades de células do PKK, formadas por jovens, adolescentes ou até crianças, que se radicalizaram devido à herança de frustração e fúria por serem vítimas de racismo e discriminação. A maioria da população curda é muito jovem, com menos de 20 anos — são os “filhos da tempestade” da década de 1990, dos anos dos desaparecimentos forçados, da tortura.

Do telhado de uma casa de Sur vê-se a destruição. Casas sem telhado, paredes derrubadas pelos bombardeamentos e pelo picotado das armas automáticas. Ao longe, uma clareira terraplanada onde foram já demolidos edifícios do que era antes uma malha urbana labiríntica de pedra escura para dar lugar sabe-se (teme-se) lá ao quê.

PÚBLICO -

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Habitantes no topo de Sur, o centro histórico de Diyarbakir, onde viviam 23 mil pessoas que agora estão em bairros de lata

Antes da intervenção, 18% dos terrenos em Sur eram propriedade da TOKI, a agência de desenvolvimento urbano turca, cujas políticas têm levado à expulsão de populações de zonas de Istambul para dar lugar aos projectos megalómanos acarinhados por Erdogan. Com um decreto publicado a 21 de Março, os restantes 82% foram expropriados.

“A minha casa tinha 700 anos e agora já não existe. Antes, ofereceram-me muito dinheiro por ela e não aceitei… Agora, com a expropriação, é muito menos. Mas não vou aceitar”, confia um habitante de Sur. “Põem a bandeira turca em todo o lado. Mas vamos resistir.”

Embora não se conheçam ainda projectos concretos, teme-se que os moradores sejam impedidos de regressar. Sur é um núcleo urbano classificado com vestígios de povos diferentes (arménios, romanos, otomanos, curdos, muçulmanos, e outros) e corre o risco de ser obliterado por construções que imponham o carácter muçulmano sunita.

“Era uma criança”

“Escondia-se aqui um atirador furtivo a disparar”, conta Cahit Morgül, num terraço de Sur. Muito delgado, quase como se o vento o pudesse dobrar, com o rosto encovado e os olhos grandes, tristes, é um pai de luto. “Tinha um filho de 14 anos e mataram-no. Mesmo que tivesse alguma arma, e nunca lhe vi nenhuma, não o podiam ter matado. Era uma criança”, contou.

“Quando atacaram a minha casa, começou a arder. Até usaram helicópteros.” Os momentos em que o Estado desencadeou toda essa força bruta contra um civil ficaram imortalizados em fotos da Reuters. “Também usaram gás, não sabia o que fazer”, conta. Tirou primeiro de casa o filho mais novo. Já não conseguiu tirar o mais velho: os militares mataram-no a tiro.

“A nossa vida familiar está destruída. Se não estivesse aqui convosco, estava com a minha mulher no cemitério. Estamos lá das 14h às 19h, todos os dias”, confessa Cahit Morgül. “O meu filho mais novo tem sete anos. Perguntaram-lhe na escola o que quer ser quando for grande e ele disse que quer juntar-se à juventude do PKK, para vingar a morte do irmão.”

Para se livrar de algumas centenas de militantes — não há números oficiais —, o Governo não hesitou em usar força letal. “O resultado foi uma destruição tão grande que faz lembrar as cidades europeias em escombros após a II Guerra Mundial ou a guerra na Síria”, diz Raci Bilici. Há vários relatos de pessoas mortas em caves — mortas a tiro e depois queimadas.

As barricadas começaram a ser erguidas depois de, em Outubro de 2014, o Presidente Erdogan ter afirmado que Kobani, a cidade curda na Síria tomada pelo Estado Islâmico um mês antes, ia cair. Acabou por ser reconquistada pelos peshmergas, os combatentes curdos, no ano seguinte.

Banhos de sangue

É impossível não ver a sede do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) em Diyarbarkir, na parte moderna da cidade: a entrada está ornada de enormes painéis com a fotografia do primeiro-ministro, Binali Yildirim. Ao entrar, a parede do lado direito, rente à escadaria, tem um enorme retrato do Presidente Recep Taiyyp Erdogan que nos acompanha na subida.

Mustafa Kaçmaz, segundo vice-presidente do AKP em Diyarbarkir, faz uma análise dos motivos desta enorme operação de segurança. “O problema é que o HDP decidiu apresentar uma lista nacional e não concorrer com candidatos independentes, como antes”, analisou.

“Antes das eleições, o HDP dizia que queria continuar as negociações de paz [iniciadas dois anos antes]. Mas depois ofereceram-se para qualquer coligação que afastasse o AKP do poder”, afirma Kaçmaz, um advogado curdo que escolheu juntar-se ao partido de Erdogan.

O HDP, apesar de não ser reconhecido pelo PKK como o seu braço político, paga politicamente como se o fosse. É um partido de esquerda com uma forte componente curda — e toda a política do Curdistão tem alguma coisa que ver com o PKK. Tudo se funde no conceito nebuloso da “organização”.

Sem maioria para formar governo e com a necessidade de novas eleições no horizonte, começou a desenhar-se o cenário de violência. Kaçmaz apresenta a versão do Governo: “O HDP ameaçava as pessoas de que iria haver um banho de sangue, se os futuros resultados eleitorais não fossem os que desejavam.”

Segundo a deputada do HDP Sibel Ygitalp, foi o Governo que atiçou os ânimos, prometendo que a guerrilha curda ia lançar uma vaga terrorista: “A campanha eleitoral do AKP foi cheia de ameaças de banhos de sangue, de tentativas de descredibilizar o HDP, afirmando que os terroristas iam andar à solta se votassem em nós”, afirmou.

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“Não às prisões” ouviu-se nas ruas de Istambul em Novembro, quando o governo turco prendeu dois líderes pró-curdosYASIN AKGUL/AFP

Reforçados pela entrada do HDP no Parlamento e ainda com o amargo de boca das declarações de Erdogan sobre a queda iminente de Kobani, os municípios do Curdistão começaram a declarar em Agosto de 2015 a autogovernação: o princípio defendido pelo líder do PKK, Abdullah Öcalan, preso em solitária desde 1999, em alternativa à independência.

Foram interrompidas as negociações de paz que decorriam há dois anos e o cessar-fogo. Ainda antes da repetição das legislativas em Novembro, em que o AKP teve maioria absoluta, a Turquia caiu numa espiral de violência.

Enquanto os curdos faziam atentados contra alvos militares e policiais, reforçou-se a repressão contra os media em todo o país. E iniciou-se a violenta operação militar contra o terrorismo no Sudeste da Turquia, com os longos períodos de recolher obrigatório.

“O Governo de Ancara não aceita a auto-organização curda, considera-a uma ameaça à existência do Estado turco”, analisou Firat Anli, co-presidente do município de Diyarbarkir, preso dias depois da visita da missão das ONG europeias, que o PÚBLICO acompanhou. É acusado de promover actividades terroristas. A guerra na Síria e o desejo de autonomia dos curdos foram os factores que levaram ao colapso do processo de paz, analisou.

“A Turquia tem problemas muito graves. A mentalidade do Governo é estar sempre a lutar contra alguém: contra os jornalistas, os escritores, os autarcas, os curdos”, disse Anli.

A ex-deputada Ayla Akat Ata, líder do Congresso Livre das Mulheres (KJA), foi deputada durante oito anos e sabe o que é ser um alvo do Governo. Foi presa no mesmo dia que os presidentes da câmara de Diyarbarkir. Feições muito desenhadas, cabelo preto comprido escadeado, dirige uma organização que agrupa mulheres de partidos, sindicatos e associações curdas. O seu tempo no Parlamento valeu-lhe mais de 200 casos em tribunal.

“Uma declaração à imprensa, um comunicado, um pedido de esclarecimento — tudo isso serve, sob a acusação de agir em conluio com uma organização terrorista”, explicou. “Sou advogada, sei que isto não é legal.” Agora, Ayla Akat Ata está na prisão, com novas acusações.

Professores presos

Após o golpe de Estado falhado de 15 de Julho, de que foram acusados os seguidores do imã Fethullah Gülen, multiplicaram-se ainda mais as perseguições, os atentados à liberdade de expressão. Houve uma verdadeira razia entre os professores: entre os perto de 100 mil funcionários públicos despedidos, cerca de 50 mil são professores. E metade pertence a um sindicato de esquerda, o Egitim Sen.

Siyar Sakar Atlian tem uma camisa aos quadrados, calças de ganga justas, o cabelo apanhado num rabo-de-cavalo, as sobrancelhas finas e arqueadas. “Sou professora há 18 anos e o meu marido há 20. Agora ele está preso, por causa das suas actividades no sindicato. Foram buscá-lo a casa de madrugada, com a minha filha mais velha a ver. Disse à minha mais nova que o pai foi para um campo de férias de futebol. Mas ela começa a fazer perguntas”, conta, num retrato de aflição.

É sempre assim: a polícia vem de madrugada e prende um professor. “Chegam pelas 5h, e temos de responder com uma espingarda apontada à cara e uns grandes focos de luz nos olhos”, contou Semra Kiratli, cujo marido dá aulas há 18 anos e foi levado para a prisão. “Mandam-nos deitar no chão, não tocar em nada. Espalham-se pela casa toda, como se ali houvesse algo de anormal.”

Chegam nos veículos blindados brancos marcados com números garrafais, que andam pelas cidades a toda a hora do dia ou da noite. Intimidam. Revistam a casa, vasculham os livros nas estantes, conta esta mulher vestida de azul, cabelo preto comprido, brincos prateados compridos, brinquinho brilhante no nariz, rosto de meia-lua. “A minha irmã está a viver lá em casa, vai-se casar esta semana, e o meu marido pediu para se despedir dela. A polícia disse que se calhar devia ir ao casamento também.”

O P2 viajou a convite do Movimento Europeu Anti-Racista (EGAM) e da Rede de Parlamentares Elie Wiesel para a Prevenção de Genocídios

Clara Barata

https://www.publico.pt/2016/11/20/mundo/noticia/a-ue-nao-tem-ouvidos-para-esta-guerra-1750211

Turquia suspende mais de 11 mil professores

Ancara alega suspeita de ligação dos docentes com a banida legenda curda PKK. Erdogan anuncia maior operação da história contra o partido e diz que remoção de servidores públicos é parte fundamental da luta.

Mais de 11 mil professores foram suspensos no sudeste da Turquia por suspeita de apoiarem o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), comunicou a agência estatal turca Anadolu nesta quinta-feira (08/09). A suspensão em massa ocorreu pouco mais de uma semana antes do início do novo ano letivo.

Anteriormente, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, já havia advertido que as suspensões seriam implementadas, alegando que o governo suspeita que 14 mil professores estariam “ligados ao terror”.

O sudeste da Turquia tem visto o pior índice de violência em duas décadas, desde que um cessar-fogo entre o banido partido curdo e o governo foi rompido em julho de 2015. O PKK, que ataca regularmente alvos policiais e militares na majoritariamente curda região sudeste do país, intensificou suas atividades nos últimos meses. O partido exige uma maior autonomia para a minoria curda no país.

A Turquia está travando a maior operação de sua história contra militantes curdos e a remoção de servidores públicos ligados ao PKK é uma parte fundamental da luta, segundo declaração do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, nesta quinta-feira.

“Nós estamos executando a maior operação contra a organização terrorista PKK na história, tanto dentro como fora de nossas fronteiras”, disse o presidente turco.

Paralelamente à operação contra o PKK, quase 130 mil funcionários públicos foram demitidos nas últimas semanas, enquanto Ancara continua seu expurgo aos serviços públicos em decorrência à fracassada tentativa de golpe militar em julho. Ancara alega que os alvos são seguidores do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, que, segundo Ancara, estaria por trás da trama que visava derrubar o governo.

Também nesta quinta-feira, a polícia turca lançou uma operação para prender 151 militares, empresários e servidores públicos acusados de terem ligação com o clérigo. A agência Dogan informou que a Promotoria de Istambul ordenou a prisão de 92 pessoas em 15 províncias diferentes, entre eles 82 militares, incluindo seis generais, um policial, três professores e seis pessoas que não tiveram seus trabalhos revelados. Também foram presos 27 empresários acusados de pertencer à confraria de Gülen.

Os partidos da oposição e os críticos do governo denunciam que as prisões e demissões se transformaram numa caça às bruxas. E afirmam que entre os detidos há pessoas que nunca tiveram ligação com Gülen, tendo inclusive combatido a confraria do clérigo.

PV/efe/rtr/dpa

http://www.dw.com/pt/turquia-suspende-mais-de-11-mil-professores/a-19537980

Turquia enfrenta ameaças de inimigos estrangeiros e domésticos

Segurança interna se divide entre o combate ao EI e a separatistas curdos

ISTAMBUL – Há algum tempo, explosões já não são eventos raros na Turquia. Considerado durante muito tempo um bastião de estabilidade entre a Europa e o Oriente Médio, o país entrou em um período de alta tensão se dividindo entre o conflito contra a guerrilha separatista do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), no Leste do país, e a luta para evitar que a violência da guerra civil na Síria atravesse as fronteira. O Estado Islâmico (EI) apontado pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, como possível realizador do atentado de ontem, também estevePOR trás do ataque em Ancara, em outubro do ano passado, considerado o mais letal da História moderna da Turquia, que deixou 103 mortos e mais de 400 feridos.

Apesar de realizarem ataques em diferentes partes do país, tanto o EI quanto grupos curdos como Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK, na sigla em curdo), uma dissidência do PKK, cada vez mais concentram suas forças nas grandes cidades do país, Ancara e Istambul, onde até então a violência era restrita a escritórios partidários, em especial os das legendas esquerdistas e os do Partido Democrático do Povo (HDP, na sigla em turco), de orientação pró-curda, muitas vezes com a participação de grupos nacionalistas.

O Partido da Frente de Libertação Popular Revolucionária (DHKP/C, na sigla em turco), guerrilha de extrema-esquerda banida do cenário político, também realiza ataques periódicos contra policiais e embaixadas de nações ocidentais.

A proximidade com a Síria transformou a Turquia no principal destino de combatentes que se juntavam ao EI, e o país recebeu críticas pela porosidade de suas fronteiras. O PKK acusou Ancara de ignorar deliberadamente ameaças extremistas, enquanto o grupo jihadista condenou o governo turco, classificando-o como “apóstata e alinhado com os cruzados”, prometendo, em suas publicações digitais, “conquistar Istambul”.

Efeitos são sentidos no turismo

Além das tensões com a Rússia, que afastaram um dos principais grupos de turistas que vistavam o país, os atentados foram um duro golpe contra o turismo, setor responsávelPOR cerca de 11% do PIB turco. Dados do primeiro trimestre apontam uma queda de 6,44% em relação a 2015, e a procura por hotéis no país diminuindo em até 70%. Segundo a BBC, a retração no setor pode chegar a 40% em 2016. Embora o país ainda atraia milhões de turistas anualmente, a França exortou seus cidadãos a “serem mais vigilantes” em pontos turísticos, enquanto o Reino Unido alertou para a possibilidade de “novos ataques que podem acontecer de maneira indiscriminada e afetar locais visitados por estrangeiros”.

A onda de ataques deixou até mesmo os próprios cidadãos turcos com medo de frequentar grandes espaços abertos e locais como shopping centers.

— Estamos vendo uma intensificação cada vez maior da violência — afirma Menderes Cinar, professor da Universidade Baskent, em Ancara.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/turquia-enfrenta-ameacas-de-inimigos-estrangeiros-domesticos-19605743#ixzz4Cykqnhy4
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Curdos se reúnem para declarar sistema federal na Síria

Partidos e personalidades curdo-sírias, assim como de outros grupos étnicos, se reúnem nesta quarta-feira para declarar um sistema federal nas áreas sob controle curdo no norte da Síria.

O diretor do Centro Curdo para os Estudos, Nawaf Khalil, disse à Agência Efe por telefone que o encontro, realizado na cidade de Romeilan, na região curda da Al Jazeera, localizada na província nordeste síria de Al Hasaka, contará com cerca de 200 representantes.

Khalil disse esperar que ao longo do dia seja anunciada a criação de “um sistema federal em Royava”, em referência ao Curdistão sírio, que abrangerá os enclaves de Al Jazeera, Kobani, Afrin e Kuri Sabi, todos no norte do país árabe.

O dirigente explicou que a decisão de dar este passo veio após “os últimos avanços políticos e militares das Unidades de Proteção do Povo (YPG, sigla em curdo) e das Forças da Síria Democrática (FSD).

As YPG são o principal integrante das FSD, uma aliança armada curdo-árabe que recebe apoio dos EUA e que teve grandes progressos nos últimos meses no norte da Síria frente ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

Khalil destacou que para adotar esta medida “certamente houve contatos com partes internacionais”, em alusão a Rússia e EUA, mas que em nenhum caso conversaram com o governo de Damasco.

A reunião para declarar um sistema federal coincide com as negociações de paz em Genebra entre uma delegação do governo sírio e a Comissão Suprema para as Negociações (CSN), principal grupo opositor.

O Partido da União Democrática (PYD, sigla em curdo), principal formação política curdo-síria, não foi convidado para o diálogo por causa das ameaças da Turquia de boicotar a conferência de paz.

O chefe negociador da delegação governamental, Bashar al Jaafari, rejeitou hoje na cidade suíça qualquer tentativa contra a integridade territorial do país.

“As bases das negociações indiretas (entre governo e oposição) proíbem colocar tal cenário. Do que falamos aqui, é preciso manter e respeitar a unidade e a integridade territorial da Síria”, disse Al Jaafari.

Por outro lado, as “asayish”, forças de segurança curdo-sírias, detiveram hoje mais de 60 combatentes das Forças de Defesa Nacional – milícias pró-governo – em um complexo de segurança das autoridades sírias no povoado de Qameshli, em Al Hasaka, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Anteriormente, as “asayish” atacaram com tal complexo com mísseis, sem causar vítimas.

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/curdos-se-reunem-para-declarar-sistema-federal-na-siria,8918104432fce320f5ca24233a61774eqco4swe5.html

Regime e oposição na Síria rejeitam projeto federal curdo

DAMASCO — Representantes curdos das áreas controladas pela etnia no Norte da Síria anunciaram a criação de uma unidade federal curda na região. Após cinco anos de guerra civil no país, os curdos ampliaram os domínios territoriais e, embora já se previsse uma declaração de autonomia como a desta quinta-feira, o anúncio provocou a imediata reação tanto do governo em Damasco quanto da oposição rebelde. E ainda afeta as negociações de paz apoiadas pela ONU, das quais os curdos não participam.

— O sistema federal foi aprovado pela região Rojava (Curdistão sírio), no Norte da Síria — discursou Sihanouk Dibo, dirigente do Partido da União Democrática (PYD), principal grupo curdo sírio.

Rojava é uma palavra curda que se refere aos três enclaves curdos na Síria: Jazira, Kobani e Afrin. A unificação das três áreas, além das outras recém-conquistadas pelas forças curdas, representaria um passo a mais em direção à autodeterminação.

Imediatamente, o Ministério das Relações Exteriores em Damasco fez advertências a “qualquer parte que tenha a intenção de atentar contra a unidade do território e do povo sírio”. Quase ao mesmo tempo, a coalizão da oposição atacou em um comunicado “qualquer tentativa de formar entidades, regiões ou administrações que confisquem a vontade do povo sírio”.

— Qualquer anúncio deste tipo não tem valor legal e não terá qualquer impacto jurídico, político, social ou econômico, já que não reflete a vontade do povo sírio — afirmou uma fonte do ministério à agência de notícias estatal Sana.

EUA criticam iniciativa

A iniciativa curda também enfrenta forte resistência do governo da Turquia, já que a proclamada região federal curda na Síria fica na fronteira turca. Cerca de 17 milhões de curdos vivem na Turquia, totalizando cerca de 20% da população do país.

— (Os curdos) Não estão clamando por independência, mas por um sistema de Estado federal na Síria. Mas não está claro se serão capazes de se defenderem contra rebeldes, as forças de Damasco e a Turquia — ponderou ao GLOBO o professor Robert Riggs, pesquisador de História da Síria da Universidade de Bridgeport, nos EUA.

E mesmo recebendo treinamento e armas dos EUA, o que os ajudou a combater e fazer recuar os jihadistas do Estado Islâmico (EI), os curdos também foram repreendidos por Washington.

— Não apoiamos zonas semiautônomas e autogovernadas dentro da Síria — afirmou o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, John Kirby.

O enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que conduz as negociações de paz em Genebra, também é contrário a partilhas territoriais:

— Todos os sírios rejeitam a divisão da Síria. Um federalismo pode ser discutido.

O professor Riggs critica o processo de paz, na forma como está sendo encaminhado.

— É grave a falta de envolvimento curdo na negociação sobre a Síria. Como pode haver uma solução política justa e equitativa se um dos principais atores não foi incluído? E parece que os curdos têm amplo apoio popular em seus territórios.

Os curdos controlam 14% do território da Síria. E afirmam que o projeto federal tem representantes da população árabe e de outras minorias.

— Resulta de discussões com árabes e assírios, chechenos, armênios, turcos. Rojava é um caso especial: não é o que foi feito no Curdistão iraquiano — explicou Nawaf Khalil, ex-membro do PYD.

Enquanto isso, em Moscou, o comandante da Força Aérea disse que a retirada da maior parte dos militares russos da Síria deve ser concluída em até três dias. Entretanto, o presidente Vladimir Putin declarou que continua apoiando o governo Assad e que pode voltar a fortalecer a presença militar na região em questão de horas.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, classificou como genocídio a violência cometida pelo EI contra minorias religiosas:

— Na minha opinião, o Daesh (acrônimo árabe do EI) é responsável pelo genocídio contra grupos como yazidis, cristãos e xiitas.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/regime-oposicao-na-siria-rejeitam-projeto-federal-curdo-18896900#ixzz43DAWtHdQ
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Explosão de carro-bomba atinge capital turca, deixando 37 mortos

Militantes curdos e EI reivindicaram autoria de atentados recentes

ANCARA — Um carro-bomba explodiu e abalou a capital turca de Ancara, neste domingo à noite (hora local), matando 37 pessoas e ferindo ao menos 125, disseram autoridades de segurança e do governo local citadas pela agência Dogan. Estão ainda hospitalizadas 71 pessoas. Investigações preliminares acusaram o grupo rebelde Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) pelo ataque.

A explosão ocorreu na Praça Kilizay, ao lado de uma importante estação de transportes e de um ponto de ônibus. De acordo com os meios de comunicação locais, há vários veículos queimados.

Tiros também foram ouvidos após a explosão, enquanto ambulâncias correram para a área. Uma nuvem de fumaça podia ser vista a 2,5 quilômetros de distância, disse uma testemunha à Reuters.

Como fez em outras ocasiões, país bloqueia redes sociais contra imagens do ataque. O governo de Recep Tayyip Erdogan é acusado de intensificar a repressão à liberdade de expressão e de imprensa no país nos últimos anos.

Aliados da Turquia na guerra ao terrorismo se manifestaram, condenando o ataque.

“A França está ao lado da Turquia para continuar com ela a luta contra o terrorismo que atinge todos os lugares e deve ser combatido com a maior energia”, disse o presidente francês, François Hollande, em um comunicado.

ONDA DE ATAQUES

A explosão ocorreu menos de um mês depois de um ataque com carro-bomba no centro de Ancara, matando 28 pessoas. Militantes curdos reivindicaram a responsabilidade pelo atentado.

Na sexta-feira, os EUA haviam alertado para a possibilidade de um ataque terrorista nesta semana.

Recentes atentados no país vêm sendo reivindicados pelo Estado Islâmico e por grupos rebeldes curdos. Militantes do EI realizaram, no entanto, pelo menos quatro ataques a bomba na Turquia desde junho de 2015. Grupos jihadistas locais e radicais de esquerda também organizaram ataques no passado no país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

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Turquia acusa curdos por ataque em Ancara e bombardeia PKK

Novo atentado no país deixa seis soldados mortos na região de Diyarbakir.

ANCARA — O governo turco acusou nesta quinta-feira os curdos pela explosão de um carro-bomba que deixou 28 mortos em Ancara no dia anterior. Como resposta, a Força Aérea do país lançou uma ofensiva contra acampamentos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no Norte do Iraque, aumentando ainda mais a tensão na região. Menos de 24 depois do atentado, um novo ataque contra um comboio militar matou seis soldados e deixou um gravemente ferido em Diyarbakir, no Sudeste do país.

O ataque suicida em Ancara ocorreu em uma área considerada o coração administrativo da cidade, onde ficam localizado o Parlamento, prédios governamentais e o quartel-general das Forças Armadas turcas. Os primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, condenou o episódio e identificou o autor como membro da milícia curda síria YPG trabalhando junto com insurgentes do PKK. O premier também anunciou que a polícia realizou nove detenções como parte da investigação e anunciou que o país adotará todas as medidas na fronteira para garantir sua defesa.

— Diante das informações que obtivemos, foi claramente identificado que esse ataque foi realizado por membros de uma organização terrorista dentro da Turquia junto com um membro da YPG que atravessou da Síria — disse Davutoglu em discurso ao vivo na televisão. — O nome do autor do atentado é Salih Necar. Nasceu em 1992 na cidade de Amuda, no Norte da Síria.

Comboio militar que viajava na região de Diyarbakir é atingido em ataque – ILYAS AKENGIN / AFP

Os curdos negaram as acusações. Um dos líderes do PKK, Cemil Bayik, disse que não sabia quem era responsável, mas que o ataque poderia ser uma resposta a “massacres no Curdistão”, fazendo referência à região curda que cobre partes de Turquia, Síria, Iraque e Irã. O líder do principal partido curdo da Síria, o Partido de União Democrática (PYD), Saleh Muslim, também negou qualquer envolvimento no atentado.

Um dia depois da explosão em Ancara, ao menos seis soldados morreram em um ataque contra um comboio militar no Sudoeste do país. De acordo com os relatos, uma bomba artesanal foi detonada por controle remoto e matou os militares que viajavam em um veículo do Exército entre as cidades de Diyarbakir e Bingol.

Os ataques no território turco são os mais recente em uma série de atentados, principalmente atribuídos ao Estado Islâmico, e ocorrem num momento em que a Turquia é arrastada cada vez mais para a guerra na vizinha Síria e tenta conter parte da violência de décadas em seu Sudeste predominantemente curdo. Em outubro do ano passado, um atentado durante uma passeata pela paz em Ancara matou 103 pessoas e deixo 500 feridos. Em 16 de janeiro, 10 turistas alemães morreram em um ataque, atribuído ao EI, em um bairro turístico de Istambul.

Famílias de vítimas no ataque se confortam após notícia – Burhan Ozbilici / AP

Além disso, desde o ano passado, o país se viu afetado pela retomada do conflito curdo. As forças de segurança e os ativistas do PKK se enfrentam diariamente no sudeste do país, de maioria curda. O reinício dos confrontos e os atentados atribuídos ao PKK após mais de dois anos de trégua acabaram com os diálogos de paz iniciados em 2012 para buscar uma solução ao conflito curdo, que provocou mais de 40.000 mortes desde 1984

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Exército turco atira em curdos durante funeral

O exército turco atacou diversos curdos durante um funeral apesar de estarem portando bandeiras brancas. Não houve qualquer ataque das vítimas, conforme pode se constatar no vídeo abaixo:

Trata-se de mais uma irrefragável violação dos direitos humanos praticada pelo exército do tirano Erdogan, amigo pessoal do presidente dos Estados Unidos.

EI usou gás mostarda contra soldados curdos, diz diplomata

Opac confirmou a utilização de agentes químicos, mas sem identificar os responsáveis

AMSTERDÃ — Os jihadistas do Estado Islâmico atacaram forças curdas no Iraque com gás mostarda no ano passado, informou um diplomata da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAC) sob condição de anonimato. O órgão, vinculado à ONU, confirmou, pela primeira vez, o uso de agentes químicos no país desde a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003. Amostras de sangue de soldados curdos foram testadas em laboratório depois que 35 deles adoeceram no campo de batalha em agosto passado.

O resultado dos testes ainda não foi divulgado oficialmente, e a OPAC não deve identificar que lado do conflito usou a arma química. Mas o diplomata informou que a análise da organização credita o manejo do gás mostarda a combatentes do EI. O ataque químico teria ocorrido durante um combate ao sudoeste de Irbil, capital da região autônoma curda no Iraque.

O arsenal químico do Iraque foi destruído quase totalmente na era de Saddam Hussein — soldados americanos encontraram apenas alguma munição química da época durante a ocupação de 2003 a 2011. Especialistas acreditam que o agente provenha de uma reserva química síria não declarada, onde os extremistas adquiriram conhecimento básico para desenvolver e realizar ataques do tipo com foguetes e morteiros.

A OPAC já havia confirmado o uso do gás mostarda no ano passado, na guerra da Síria. Depois que centenas de civis morreram atingidos por gás sarin no subúrbio de Damasco, em 2013, o governo sírio negociou a entrega de suas armas químicas, incluindo reservas de gás mostarda, sob a supervisão da comunidade internacional, que culpa o presidente Bashar al-Assad pelas mortes.

O Estado Islâmico declarou um califado em um território que abrange tanto o Iraque quanto a Síria, e não reconhece as fronteiras com ambas as nações.

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