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Artigo: Estímulo à deserção pode dar fim à guerra na Síria

Insatisfação entre os alauítas e os drusos está no ponto mais alto desde 2012

Enquanto as complicadas negociações de paz avançam a passos lentíssimos em Genebra, os EUA se encontram em pequena vantagem para ajudar a agenciar um fim para o conflito que matou quase 250 mil pessoas e gerou a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Há, na verdade, uma forma bem eficiente de Washington pressionar Damasco: oferecendo dinheiro e asilo para os oficiais e autoridades que queiram desertar o regime criminoso do presidente Bashar al-Assad.

A insatisfação entre os alauítas – seita minoritária que forma a base do governo – drusos e outros grupos religiosos menores está no ponto mais alto desde 2012, quando dezenas de membros do alto escalão do Exército e da segurança deixaram o gabinete. No ano passado, a tensão, que já era grande, se intensificou após o confronto armado entre as forças com respaldo do Irã e os moradores de dois vilarejos alauítas na periferia de Hama. Em setembro, manifestantes drusos e paramilitares tomaram um prédio público na província de Sweida, no sul, e destruíram uma estátua de Hafez Assad, pai de Bashar.

Desde o início da revolução, cerca de três mil oficiais sírios abandonaram o barco, de acordo com um relatório do Exército Livre da Síria. A grande maioria agora vive em campos de refugiados na Turquia e na Jordânia, onde sobrevive à base de bicos, assistência federal dos países que os acolheram ou da oposição síria, já tão sobrecarregada. Entretanto, muitos outros podem imitá-los e só não o fizeram porque se desencorajam com o declínio gigantesco na qualidade de vida, principalmente entre os generais, que podem ajudar a forçar uma solução política. Verba e a assistência legal dos EUA poderiam mudar esse quadro.

Eu sei, em primeira mão, que os homens de Assad tirariam vantagem desse dinheiro, pois, em 2012, um deles procurou a comunidade síria em Washington. Estava pronto para mudar de lado e queria ajuda. A mensagem chegou rapidamente ao Departamento de Estado, que reagiu de maneira surpreendente: “Dê entrada no pedido de visto e siga o procedimento normal”. O candidato a desertor decidiu não fazer nada, desanimado com a perspectiva de um processo longo e intenso que, sem dúvida, revelaria sua identidade.

Caso semelhante ocorreu meses depois: um membro alauíta do alto escalão quis saber se os EUA o apoiariam se ele abandonasse o cargo – e embora estivesse preparado para convencer os colegas a se virarem contra Assad se recebesse respaldo, Washington basicamente o ignorou.

Para ser justo, o governo Obama vem se comunicando em segredo, há anos, com políticos sírios, tentando encorajá-los a mudar de lado. Esse contato, porém, se resume àqueles que têm cargos mais altos e nunca incluiu incentivos concretos, segundo ex-membros do governo com quem falei. Para a estratégia funcionar, Washington teria que oferecer uma assistência substanciosa aos integrantes das esferas governamentais inferiores.

A melhor saída seria a CIA lhes oferecer asilo temporário e dois pagamentos: uma soma polpuda assim que os desertores deixarem o governo de Assad e um salário mensal de alguns milhares de dólares. Para os sírios é muito dinheiro, mas é uma quantia insignificante comparada aos US$3 bilhões que Washington já gastou na campanha contra o Estado Islâmico.

Obviamente, a agência teria que investigar minuciosamente todos os pedidos com antecedência para confirmar que são mesmo de membros do governo sírio e não agentes duplos; em troca, os desertores teriam que estimular outros membros de suas comunidades a trocar de lado, além de se unirem à oposição na criação de um plano de transição.

Meus contatos alauítas também enfatizaram a necessidade de sigilo absoluto. Para quem ainda tem família na Síria é duplamente arriscado abandonar o regime, pois é muito provável que os entes queridos se tornem alvos das forças de segurança de Assad. De fato, o presidente tem tanto medo das deserções que colocou o serviço de inteligência para monitorar de perto os membros das Forças Armadas.

Como parte de qualquer negociação, o governo Obama devia dizer, com clareza e constância, que Assad não pode continuar no poder. O recente encontro do Secretário de Estado John Kerry com líderes da oposição em Riad, na Arábia Saudita, deixou os mesmos em dúvida, sem saber se os EUA querem que Assad saia ou não. Os alauítas também ficaram confusos no ano passado, depois que o diretor da CIA, John O. Brennan, disse que “ninguém quer ver o colapso do governo”. Essa confusão tem consequências reais na Síria.

Além disso, o prazo atual norte-americano dá a Assad pelo menos um ano e um mês para sair, sinalizando erroneamente aos prováveis desertores de que não há pressa. Mas deveria. Se Washington convencer mais políticos e oficiais a trocar de lado, poderia forçar o início do fim da guerra.

É claro que essa não seria a solução final; a intervenção militar russa na Síria convenceu muitos membros da elite alauíta de que Assad não vai cair nunca. E o Irã também demonstra inequivocadamente que apoia a minoria. Quando Assad sofreu grandes derrotas, em meados de 2015, o General Qassim Suleimani, comandante da Força Quds, unidade especial do Exército dos Guardiões da Força Islâmica, visitou cidades alauítas nas linhas de frente, em uma demonstração ostensiva de apoio. Tais atitudes fazem muita diferença entre os sírios que pensam em abandonar Assad – como também faria a ajuda vinda de Washington.

Se as minorias sírias abandonarem Assad em massa, o conflito perderia muito de seu teor sectário, tão perigoso, aumentando assim as chances de uma transição política estável. Washington deveria melhorar as condições de vida dos antigos oficiais nos campos de refugiados e oferecer incentivos concretos para quem quiser desertar. Ao fazê-lo, ajudaria os EUA a aumentar sua influência nas negociações de Genebra e, assim, acelerar a queda de Assad.

(Mohammed Alaa Ghanem é diretor das relações governamentais e assessor político do Conselho Sírio-Americano.)
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Igreja é atingida durante combates

O governo turco emitiu uma ordem de evacuação devido às batalhas de militantes armados

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Uma das igrejas mais antigas do mundo, a Igreja Ortodoxa Siríaca (IOS), erguida há 1.700 anos, sofreu vários danos, na semana passada, durante os combates entre o governo turco e os separatistas curdos, na cidade de Diarbaquir, no sudeste da Turquia. Segundo o líder religioso, os ataques vêm acontecendo desde dezembro. “Eu e minha família nos abrigamos em nossa casa, que fica no terreno da igreja. O chão tremeu muito e eu pensei que a construção não suportaria os impactos. Eles lançaram muitas bombas. No momento, estamos sem água e sem eletricidade. Não é possível continuar aqui, todos os moradores estão sendo instruídos a fugir”, comentou o líder.

A violência tomou conta do distrito de Diarbaquir. O governo emitiu uma ordem de evacuação devido às batalhas de militantes armados do PKK (sigla em inglês – Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e as forças turcas. “As pessoas saíram de suas casas com cautela, o líder religioso ia à frente e acenava com uma bandeira branca. Hotéis foram evacuados, praticamente todas as pessoas tiveram que deixar o local”, disse um dos analistas de perseguição. Mas há algumas denúncias intrigantes que foram feitas. “Os jornais noticiaram que a IOS estava envolvida com o PKK e que ali havia um esconderijo de munições e explosivos. O líder se defendeu dizendo que, durante o tempo em que esteve cuidando da igreja, ele não viu nada e que, provavelmente, esses materiais foram depositados ali após a sua fuga”, explica o analista.

Líderes da Associação das Igrejas Protestantes da Turquia se reuniram com o governador Huseyin Aksoy e o prefeito Gultan Kisanak, junto com outras associações cristãs para decidir sobre a continuidade dos trabalhos evangelísticos. Intensos combates têm ocorrido em todo sudeste da Turquia desde o fim do cessar-fogo de dois anos em julho passado. De acordo com o Partido Democrata pró-curdo Popular (HDP – sigla em inglês), o governo impôs toque de recolher em muitas vilas e cidades predominantemente curdas. Até o momento, pelo menos 161 civis, incluindo dezenas de crianças, morreram por causa dos combates. Mas apesar desse cenário de guerra, da perseguição religiosa vinda do extremismo islâmico e do nacionalismo religioso, o corpo de Cristo continua crescendo na Turquia. “De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos”. (2 Coríntios 4.8-9)

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Os curdos e a ‘negociação’ em Genebra

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Essa semana estava prevista uma reunião em Genebra, no marco das negociações indiretas entre o governo sírio e as facções da ‘oposição’ armada reunidas no grupo divulgado pelo nome tonitruante de Alto Comitê para as Negociações. Ninguém teria de ser adivinho para saber que as tais ‘negociações’ fracassariam, mas, dessa vez, elas nem começaram.

O enviado da ONU para a crise síria, Staffan de Mistura, decidiu adiar a reunião para o dia 25 de fevereiro.

Aquela espantosa coleção de grupos financiados com petrodólares por fundamentalistas sauditas e por patrocinadores ocidentais, alguns dos quais sequer se dão o trabalho de fingir que seriam democráticos e são declarados fundamentalistas islamistas, como Yeish Al Islam, sente que sua aventura militar – aplaudida pelo ocidente, até que os refugiados converteram-se em problema -, está-se derretendo irremediavelmente, deixando atrás de si uma trilha de mortos, mutilados e multidões sem teto ou terra.

A facinorosa ‘oposição’ síria está negociando para ganhar tempo, porque está à beira do colapso, e é visível que não tem nem as mínimas condições para ‘exigir’ a imediata saída do presidente Assad.

Problema, aí, é que a única decisão que o ocidente, Turquia e as teocracias do Golfo considerariam aceitável é que Assad, de algum modo e em algum momento, ‘declare’ que deixará o governo -, e encontram nos EUA todo o apoio de que precisam no ocidente para continuar a insistir nessa sandice.

A discutir, para essa gente, só, o modo e o momento em que Assad deixará o governo para o qual foi eleito. Essa e só essa é a ‘questão’ que estará em discussão dia 25 de fevereiro.

Curiosamente porém, foi excluído daquela reunião o partido dos curdos, o PYD, o qual, dentre outras coisas, é ator político importantíssimo no futuro da Síria e a única força que combateu em solo contra o ‘Estado Islâmico’. É paradoxal que se boicote a participação do PYD, quando a mídia-empresa ocidental tão frequentemente vendeu a imagem dos curdos como os “amigos” do ocidente, cuidando atentamente de esconder os reais objetivos políticos desse movimento, e limitando sua simpatia a uma imagem semierotizada de mulheres jovens armadas com fuzis. Essa visão é parte do modo característico como Hollywood compreende e ensina a compreender a realidade, como fazem também os veículos dominados economicamente e ideologicamente pelos EUA. Esses todos veem o mundo como se fosse filme de ‘mocinho’, no qual os bons distinguem-se facilmente dos maus, até pelas roupas. Assim também se pode dizer que o imperialismo não tem amigos nem inimigos, mas exclusivamente interesses.

Os curdos têm agenda própria, seu próprio projeto político, e estão trabalhando com a finalidade de torná-lo realidade. Estão sós, contando com a simpatia de setores populares em todo o mundo. Contam também com um arremedo de solidariedade que lhes vem das grandes potências as quais, na verdade, só se interessam pelos curdos como instrumentos dos quais elas possam servir-se. Nesse sentido, aconteceu, em dado momento, uma passageira convergência entre EUA, Europa e os curdos, na luta contra o ‘Estado Islâmico’.

Mas os curdos serão a primeira vítima dos humores sempre mutáveis da política imperial dos EUA, na tentativa de encontrar solução para a crise síria, que não derrote completamente os interesses estratégicos dos EUA.

Da perspectiva dos EUA, os curdos são úteis como força de choque para enfrentar o ‘Estado Islâmico’. Mas não como ator político autônomo e válido para construir solução política para a disputa pela Síria. Por quê? Porque, num sentido estratégico, os EUA precisam manter boas relações com a Turquia, membro-chave da OTAN. O governo islamista turco está obcecado com derrubar o presidente Assad, porque é governo secular-nacionalista, com excelentes relações e alianças com o Hizbullah no Líbano e com o Irã. Assim, a Síria de Assad impôs-se como bloco contra o projeto que aspira a ser hegemônico, das ditaduras teocráticas do Golfo, naturais aliados do regime de Ancara.

Mas a Turquia, que ambiciona a consolidar-se como ator regional de peso, tem também interesse estratégico em suprimir o movimento curdo dos dois lados da fronteira turco-síria. Erdoğan assenta-se sobre o estado turco criado pelo secularismo autoritário de Kemal Ataturk, ao mesmo tempo em que sonha com a grandeza do califato otomano. Em algum sentido, Erdoğan converteu-se em personagem que acredita que teria conseguido conectar o secularismo e o Islã político, entre o estado moderno e o califato. Com isso, recebe a oposição de todas as facções da elite turca.

Os curdos são terrível dor de cabeça para os projetos de Erdoğan, seja o de se tornar hegemônico na região, seja o de manter o Estado autoritário turco fundado sobre a premissa suposta modernizante de “um povo, uma língua, uma bandeira”. Essa premissa já foi utilizada para justificar o genocídio dos armênios em 1915 e também a “limpeza étnica” em curso em várias áreas da Turquia.

Os curdos têm projeto democrático-participativo, secular, socialista, têm visão confederalista, defendem direito de o povo curdo existir. Nada que agrade muito a Erdoğan ou aos seus aliados teocráticos no Golfo.

Na Síria, o movimento curdo é democratizante e aspira a preservar a própria autonomia. O movimento já declarou que não vê a saída de Assad como meta prioritária; para eles prioridade é, isso sim, construir uma relação renovada entre a sociedade síria e o estado sírio.

Deixar que a experiência democrática curda mantenha-se e frutifique a partir do norte da Síria seria péssimo exemplo, do ponto de vista da Turquia de Erdoğan, para a população de Bakur, o território cuja população é majoritariamente curda, hoje ocupado pelo estado turco. Bakur recebeu apoio e inspiração da região de Rojava, o território majoritariamente curdo no norte da Síria.

Mas os curdos são também inspiração democrática para todo o povo turco, que vive sob evidente déficit de democracia desde 2013, quando se ergueu no Parque Gezi uma onda de indignação popular que se alastrou por todo o país. O atual governo turco só consegue ainda se segurar no poder porque recorreu ao terror e a extrema violência nas eleições passadas.

Por isso também, é que Erdoğan fez vista grossa ante a colusão evidente do (i) ‘Estado Islâmico’ – organização que também mantém vínculos orgânicos com as teocracias do Golfo e com a Arábia Saudita – com (ii) os aparelhos repressivos e o exército turco. Essa colusão tem importante serventia, na guerra que Erdoğan move contra os curdos e suas milícias em território sírio (YPG). Por isso setores doestablishment turco mantêm vínculos econômicos com o ‘Estado Islâmico, fundamentalmente mediante o contrabando de petróleo.

Essa é a razão da muito surpreendente total incapacidade que Erdoğan tem mostrado em seus ‘ataques’ sempre fracassados contra o ‘Estado Islâmico’, ao mesmo tempo em que se empenha furiosamente nos ataques contra os guerrilheiros curdos na Síria, no Iraque e na Turquia. Por essa razão também, Erdoğan mostrou-se tão agressivamente desafiador no confronto contra a Rússia, ator que fez a balança pender decisivamente contra o ‘Estado Islâmico’.

Não é acaso que a Rússia seja o país que mais insiste hoje em que, o destino de Assad tem de ser decidido pelo povo sírio, não por um grupúsculo de milícias financiadas por outros países. Mas a Rússia também insiste em que os curdos participem como atores fundamentalmente importantes, em qualquer cenário de negociação séria para superar a crise.

EUA e o chamado ‘ocidente’ estão em situação ambivalente. Querem controlar o ‘Estado Islâmico’, ao mesmo tempo em que querem satisfazer também seus sócios geoestratégicos. Por isso os EUA agem de modo tão claramente contraditório. Detestam a instabilidade regional que a presença do ‘Estado Islâmico’ implica; mas não conseguem enfrentá-los com firmeza, porque esse ataque molestaria os aliados dos EUA na região: as petroteocracias e a Turquia, membro da OTAN. Por isso os EUA precisam dos curdos como espécie de tropa de choque contra o ‘Estado Islâmico’. Mas só isso, nada além disso.

Por isso é que, muito esquizofrenicamente, os EUA definem as guerrilhas curdas em território turco (PKK) como terroristas. Mas quando as guerrilhas curdas aparecem em território sírio (YPG), elas milagrosamente se convertem em “combatentes da liberdade” – por mais que todos os curdos compartilhem uma mesma ideologia, um mesmo projeto político, além de táticas, métodos, armamento, combatentes e comando militar.

Problema é que, mesmo que não definam alguns curdos como terroristas (por enquanto), mesmo assim os EUA não podem considerá-los como atores políticos. Por isso, precisamente, os EUA fingem que nada veem enquanto aumentam as agressões curdas contra curdos através da fronteira, e mesmo que já haja sinais muito graves de que a Turquia poderia invadir a região de Rojava, com toda sua força militar – o que significará verdadeira carnificina de curdos (‘terroristas’ e ‘combatentes da liberdade’, porque essa diferença absolutamente não existe no mundo real). E tudo isso se passa com o beneplácito da “comunidade internacional” regida, como rebanho, por Washington e Bruxelas.

Tudo isso considerado, não é acaso que a “comunidade internacional” regida como rebanho por Washington esteja agora dando as costas aos ‘aliados’ curdos, ao mesmo tempo em que garantem ‘legitimidade’ política a uma sórdida coalizão de fundamentalistas islamistas e mercenários oportunistas de último minuto – o que o ocidente chama de ‘oposição democrática’ síria -, que nem existiria se não fosse pelos petrodólares e petrometralhadoras fornecidas pelos xeiques autoritários do Golfo e pelo mini-califa de Ankara.

No momento que seria de se tomarem decisões de fundo, o futuro da Síria é disputado num escritório clandestino em Genebra, fora do alcance da vontade do povo curdo e do povo sírio.

Aos curdos, segundo Genebra, restaria compreender o lugar que lhes caberia no tabuleiro do Oriente Médio: bucha de canhão em tempos de guerra, e que baixassem a cabeça na hora de se decidirem os destinos do território onde vivem.

E em meio a tudo isso, mais uma vez a ONU comprova sua absoluta incapacidade para resolver coisa alguma, sempre se movendo conforme quem lhe grite mais forte e perpetuando crises, em vez de contribuir para superá-las.

O que se pode esperar das ‘negociações’ em Genebra, quando recomeçarem? Nada, como sempre. *****

 

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Polícia turca detém 21 acadêmicos que assinaram carta em apoio a curdos

Mais de mil signatários, incluindo intelectuais estrangeiros, pedem o fim de operações contra rebeldes.

ISTAMBUL — A polícia turca deteve 21 professores universitários que estavam entre os mais de mil signatários de uma carta pedindo o fim das operações do Exército contra rebeldes curdos. O documento provocou a ira do presidente conservador-islâmico, Recep Tayyip Erdogan, que apelou ao Judiciário para agir contra a “traição”.

Segundo a agência de notícias pró-governo Anatolia, os professores da Universidade de Kocaeli foram detidos durante o amanhecer em suas residências.

Promotores abriram uma investigação contra os acadêmicos por suposto insulto ao Estado e propaganda terrorista. Erdogan criticou severamente os signatários.

Quase 1.200 pessoas, incluindo intelectuais estrangeiros como o linguista americano Noam Chomsky, assinaram na segunda-feira uma “iniciativa universitária pela paz”. Na carta, os signatários pedem o fim da intervenção das forças de segurança turcas contra os rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Depois de dois anos de cessar-fogo, os combates entre as forças de segurança turcas e o PKK foram retomados no ano passado, o que acabou com as negociações de paz iniciadas em 2012 para tentar por fim a um conflito que matou mais 40 mil desde 1984.

No texto intitulado “Não seremos parte deste crime”, os signatários denunciam que o governo executa um massacre deliberado e planejado que viola as leis turcas e os tratados internacionais.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/policia-turca-detem-21-academicos-que-assinaram-carta-em-apoio-curdos-18480143#ixzz3xKo089pi

Quatro pontos da complicada relação da Turquia com seus vizinhos – e com o ‘Estado Islâmico’

A região de Sultanahmet, coração turístico de Istambul, capital da Turquia, foi atingida nesta terça-feira por um atentado suicida que deixou ao menos dez mortos – ao menos nove turistas alemães e um peruano, segundo autoridades.

 O ataque não foi reivindicado, mas o governo turco atribuiu-o ao grupo autodenominado “Estado Islâmico”.

O episódio ocorreu perto dos conhecidos pontos históricos de Santa Sofia e Mesquita Azul, em uma das cidades mais visitadas do mundo.

O premiê turco, Ahmet Davutoglu, afirmou que o país continuará sua luta contra o EI, internamente e dentro da coalizão liderada pelos EUA.

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Os ataques evidenciam as conflituosas – e muitas vezes dúbias – relações da Turquia com alguns vizinhos e com o próprio EI.

Nesse contexto se insere também o enfrentamento constante do governo turco com os rebeldes curdos, que reivindicam um Estado próprio.

A seguir, quatro pontos das complexas relações internacionais da Turquia atualmente:

1 – A dúbia relação com o Estado Islâmico

A Turquia já havia se tornado alvo do EI com dois bombardeios realizados no ano passado atribuídos ao grupo: na cidade de Suruc, perto da Síria, e na capital Ancara, que matou mais de cem pessoas.

“Até que eliminemos o Daesh (outra designação dada ao EI), continuaremos a lutar internamente e com as forças da coalizão (internacional)”, disse nesta terça-feira o premiê Davutoglu, em pronunciamento televisionado.

Image copyrightAP

No entanto, até meados do ano passado, a Turquia relutou em assumir protagonismo nessa coalizão e foi acusada de leniência perante o EI.

O país tem servido de ponto de passagem para combatentes estrangeiros que se juntaram aos jihadistas na Síria – e armas e fundos supostamente fluíram pela mesma rota via Turquia.

Por conta disso, o país foi criticado por aliados ocidentais, incluindo os EUA, que acusaram Ancara de ter facilitado a ascensão do EI.

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Além disso, em agosto passado, o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) acusou o governo turco de proteger o EI em seus bombardeios para impedir que os curdos – que estão na linha de frente de combate aos jihadistas – avancem e conquistem territórios.

2 – O enfrentamento com os curdos

Isso nos leva a um segundo ponto crucial da política interna e externa de Ancara: o enfrentamento, de décadas, com a minoria étnica curda, que reivindica mais autonomia.

São mais de 30 milhões de pessoas, segundo os cálculos mais conservadores, ocupando um território que engloba partes da Turquia, da Síria, do Iraque e do Irã.

Os curdos são os principais adversários do governo turco.

“Os turcos alegam estar lutando contra o ‘EI’, mas estão na verdade lutando contra o PKK”, disse Cemil Bayik, líder do partido curdo, em entrevista à BBC em 2015. “Seu objetivo é interromper o avanço curdo contra (o grupo islâmico).”

O governo turco na época negou e disse estar comprometido no combate aos extremistas islâmicos.

A violência em áreas curdas vinha escalonando desde o colapso, em julho, de um cessar-fogo com o PKK – que também já foi acusado de atentados em território turco.

3 – A oposição ao governo sírio

O governo turco tem sido um duro crítico do presidente sírio, Bashar Al-Assad, desde o começo da guerra civil no país vizinho.

Mas por ser um dos principais aliados da oposição síria, a Turquia tem enfrentado o fardo de abrigar milhões de refugiados sírios.

Image copyrightEPA

Efetivamente, segundo o New York Times, a Turquia já fechou suas fronteiras para novos refugiados do país vizinho.

Depois de um ataque do EI em julho de 2015, os turcos autorizaram a coalizão contra o EI liderada pelos EUA a usar suas bases aéreas para lançar ataques em território sírio.

Por outro lado, a Turquia tem criticado o apoio da coalizão aos milicianos curdos.

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4 – Os objetivos divergentes em relação à Rússia

Enquanto a Turquia é um forte opositor ao governo de Assad, este tem na Rússia seu principal aliado.

Os dois países têm objetivos divergentes na geopolítica da região, o que foi evidenciado com a derrubada, em novembro, de um caça russo por forças turcas – que acusaram a aeronave de violado o espaço aéreo turco.

A Rússia considera a manutenção de Assad no poder crucial para a defesa dos interesses russos no Oriente Médio; já o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, chegou a dizer que seria impossível para os sírios “aceitarem um ditador que provocou a morte de até 350 mil pessoas”.

Todo esse xadrez geopolítico e o aumento das tensões com diversos agentes internos e externos provocam, na Turquia, o medo de mais atentados.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160111_turquia_relacoes_pai

Forças turcas matam 32 curdos em conflito

Operação marca escalada de violência após fim de cessar-fogo.

DIYARBAKIR, Turquia — Forças de segurança da Turquia mataram 32 militantes curdos na região majoritariamente curda no Sudeste do país, em um novo episódio que marca o acirramento do confronto reacendido pelo colapso de um cessar-fogo entre o Estado e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no fim de 2012. Na mesma operação, um policial morreu e outros dois foram feridos.

O cessar-fogo foi encerrado em julho, retornando um conflito que, nas últimas três décadas, provocou a morte de mais de 40 mil pessoas. A maioria dos combates ocorre nas cidades de Cizre e Silopi, próximas às fronteiras com Síria e Iraque. Um toque de recolher foi instituído nestas áreas.

No sábado, 16 rebeldes foram mortos em ambas as cidades, e outros quatro foram mortos no distrito histórico de Sur, na maior cidade da região, Diyarbakir.

Considerado um grupo terrorista por Turquia, EUA e União Europeia, o PKK alega estar lutando por autonomia e por direitos aos curdos no país-membro da Otan.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/forcas-turcas-matam-32-curdos-em-conflito-18444654#ixzz3wtwfs7bQ

Artigo: O maior aliado do Ocidente contra o EI

Governo central iraquiano não obteve progressos significativos, apesar de ajuda.

Para nós que vivemos no Curdistão, o Estado Islâmico (EI) é uma realidade a ser confrontada diariamente. As forças peshmergas, que tenho a honra de comandar, enfrentam, de suas trincheiras, um exército de extremistas prontos para matar ou escravizar todos aqueles que se oponham a ele. Todos os dias, combatentes peshmergas — que provaram ser a força mais eficaz na luta contra o EI — morrem em combate.

Qualquer um familiarizado com a História do Iraque não se surpreende com sua instabilidade. O país foi criado segundo fronteiras arbitrárias determinadas por potências estrangeiras após a Primeira Guerra Mundial, agrupando diversos povos sem seu consentimento. Os governos iraquianos — e em especial, o regime de Saddam Hussein — submeteram curdos e outras minorias no Norte desse Estado fictício a ataques genocidas e dura opressão, criando os alicerces do atual desejo dos curdos por autodeterminação e independência, que vemos como soluções naturais para esses problemas.

No verão (do Hemisfério Norte) de 2014, o EI tomou o Oeste do país praticamente sem resistência do governo central. Não fosse a precisa intervenção de forças curdas, a cidade de Kirkuk, com suas enormes reservas de petróleo e quase um milhão de habitantes, teria caído nas mãos do grupo.

Os ataques aéreos americanos ajudaram enormemente meus soldados em sua luta para reduzir as fronteiras do EI, mas é necessário mais equipamento. Todo o armamento pesado enviado pelos EUA é direcionado para o governo central, que não obteve progressos significativos, apesar da enorme ajuda que recebe, paga pelos contribuintes americanos. Com apenas uma fração desse investimento, os EUA poderiam apoiar os curdos, um aliado muito mais confiável.

Mas esse problema não pode ser resolvido apenas com explosivos de alto impacto. Precisamos também de apoio político. Líderes americanos nos encorajam a vender nosso petróleo através do governo central. No entanto, embora Bagdá esteja feliz em receber dinheiro por nosso petróleo, o governo não demonstra o mesmo entusiasmo para repassá-lo a nós e, como consequência, o governo do Curdistão não tem sido capaz de pagar seus empregados de maneira consistente há um ano.

Enquanto celebramos a vitória em Sinjar, devemos descobrir como conseguiremos, juntos, nossa próxima vitória. Estamos ansiosos para ajudar, como parte de uma coalizão internacional, a expulsar jihadistas de outras áreas além do Curdistão — embora não desejemos ocupar territórios que não sejam tradicionalmente nossos.

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Os combatentes peshmergas que comando não foram alistados à força. Eles prefeririam morrer a se render à tirania do EI. Estamos obstinados a libertar cada centímetro do Curdistão, e vamos exercer nosso direito à autodeterminação. Ainda temos mais voluntários prontos para se juntar à luta contra o EI — mas precisamos de recursos para treiná-los e equipá-los.

Não podemos fazer isso sozinhos. Precisamos do apoio do Ocidente.

(Comandante peshmerga)

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/artigo-maior-aliado-do-ocidente-contra-ei-18324796#ixzz3ujkH0T00

O que havia nos túneis secretos do Estado Islâmico encontrados no Iraque?

Após retomada de cidade no norte do país, forças curdas se depararam com centenas de metros de galerias.

Centenas de metros de túneis subterrâneos usados por militantes do autodenominado Estado Islâmico na cidade de Sinjar foram descobertos por forças curdas.

Os curdos e forças da coalizão que combate o EI retomaram Sinjar, no Iraque, em 12 de novembro.

Imagens mostram os túneis que eram usados pelos militantes para protegê-los de bombardeios aéreos. Eles foram construídos sob casas e eram conectados a elas. Veja o vídeo.

Centenas de metros de túneis subterrâneos usados por militantes do autodenominado Estado Islâmico na cidade de Sinjar foram descobertos por forças curdas (Foto: BBC)Centenas de metros de túneis subterrâneos usados por militantes do autodenominado Estado Islâmico na cidade de Sinjar foram descobertos por forças curdas (Foto: BBC)

Força árabe-curda anuncia ofensiva contra Estado Islâmico na Síria

Uma coalizão árabe-curda anunciou neste sábado ter lançado sua primeira ofensiva contra os territórios controlados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

A operação, anunciada em um comunicado das Forças Democráticas Sírias (FDS), começou na noite de sexta-feira contra os territórios controlados pelo EI na província de Hasake (nordeste).

Em outubro, as Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG), a principal milícia curda, e grupos rebeldes árabes que lutavam juntos há muito tempo decidiram criar uma coalizão que inclui curdos, árabes e cristãos siríacos.

 Segundo o comunicado, esta primeira ação militar receberá apoio da coalizão liderada pelos Estados Unidos, que realiza bombardeiros aéreos na Síria desde setembro de 2014.

Na véspera, os Estados Unidos enviarão para a Síria cerca de cinquenta homens das forças especiais, uma decisão que supõe uma guinada na política do presidente Barack Obama no âmbito da operação de guerra internacional contra o EI no país.

Em quatro anos e meio de um conflito que deixou mais de 250 mil mortos, esta é a primeira vez que Washington enviará oficialmente militares ao território sírio – embora no papel de assessores, não de combatentes.

Estas forças imitariam as que operam no Iraque, que treinam tropas locais, oferecem armas e dão apoio aéreo.

Mas no Iraque, a linha entre os combatentes e os não combatentes é muito difusa. Em uma ofensiva recente, um soldado americano morreu. Foi o primeiro a morrer em operações em terra no Iraque desde que Washington iniciou a ofensiva contra a organização jihadista.

Oficialmente, os militares estarão restritos ao papel de assistência e de assessoramento dos grupos rebeldes sírios moderados.

Segundo a Casa Branca, não houve mudança da política americana na Síria.

O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, admitiu, no entanto, que Washington tinha “mudado de opinião sobre seu compromisso militar na Síria”.

A decisão de Obama não passa de simbólica, mas representa uma guinada para um presidente que até agora se mostrou cético sobre o intervencionismo militar e que, depois da retirada do Iraque, não quer voltar a ver os Estados Unidos na linha de frente de um conflito no Oriente Médio.

Desde que começou a guerra civil na Síria, em 2011, os Estados Unidos sempre rejeitaram se envolver militarmente até criar uma coalizão de 65 países, que bombardeia o EI e outros grupos jihadistas na Síria e no Iraque.

Simultaneamente aos seus bombardeios contra os jihadistas, as diplomacias americana e russa mantiveram nesta sexta-feira, em Viena, consultas multilaterais com vistas a uma solução política para a guerra na Síria.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/10/forca-arabe-curda-anuncia-ofensiva-contra-estado-islamico-na-siria.html

Jihadista do ISIS com sotaque americano aborda Obama em vídeo de “vingança” decapitando quatro combatentes peshmergas pelo ataque das forças especiais dos EUA que resgatou 70 reféns iraquianos

Militantes do ISIS decapitaram quatro combatentes Peshmerga curdos em “vingança” por um ataque por forças especiais dos EUA que resgatou 70 reféns iraquianos e matou 20 terroristas.

No vídeo mais recente execução do grupo bárbaro, um homem de fala Inglesa mascarado com um sotaque americano é visto segurando uma faca sobre um dos reféns.

Três outros jihadistas – todos vestidos de preto, com os rostos cobertos – também são vistos segurando lâminas enquanto eles estão atrás de três outros curdos vestindo macacões laranja.

Dirigindo-se ao presidente Obama, o carrasco líder diz que as decapitações são “vingança” pelo ataque a uma prisão do ISIS.

No vídeo mais recente execução do grupo bárbaro, um homem de fala Inglês mascarado com um sotaque americano é visto segurando uma faca enquanto ele está sobre um dos reféns

Três outros jihadis - todos vestidos de preto, com os rostos cobertos - também são vistos segurando lâminas enquanto eles estão atrás de três outros curdos vestindo macacões laranja

O vídeo de duração de 15 minutos,  a ser exibido na íntegra, em seguida, mostra o terrorista de língua Inglesa empurrando o primeiro soldado Peshmerga para o chão e decapitando-o.

Tremendo de medo, os três outros cativos são obrigados a assistir, com um deles firmemente fechando os olhos para o brutal assassinato que ocorre.

Read more: http://www.dailymail.co.uk/news/article-3297749/ISIS-behead-Peshmerga-fighter-three-Kurds-killing-latest-barbaric-video-revenge-special-forces-rescuing-70-hostages-one-jihadis-American-accent.html#ixzz3q9iZ4mJp
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