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Igrejas são demolidas em Cuba

Cerca de 200 membros foram detidos para manter a ordem e impedir a ação

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De acordo com relatórios da Portas Abertas, pelo menos quatro igrejas foram destruídas e outras receberam ordem judicial para fechamento, só no mês de janeiro. Informações do Christian Todayafirmam que uma igreja de Santiago, cidade cubana que fica ao leste do país, foi totalmente destruída por funcionários do governo, além disso, cerca de 200 membros foram detidos para manter a ordem e impedir que os agentes entrassem na frente dos tratores e escavadeiras que realizavam a operação.

“Muitos foram espancados durante as detenções. E a demolição aconteceu enquanto Toledano, o líder cristão responsável pela igreja, estava nos Estados Unidos”, comenta um dos analistas de perseguição. Segundo ele, outras três igrejas tiveram o mesmo destino. “Medidas drásticas como estas acontecem quando o governo acusa os líderes de ‘subversão’, ou seja, basta que eles critiquem o governo ou se posicionem contra ele. Sendo que os cristãos já estão instruídos a parar com as obras evangelizadoras que realizavam”, explica o analista.

Atualmente, Cuba não está entre os 50 países mais hostis ao evangelho, mas está posicionado em 63º lugar. Embora seja um país onde a “liberdade de religião” se encontra nas leis e nos documentos oficiais, na prática o que se vê são severas restrições às reuniões e encontros, cultos, evangelização nas ruas e até construção de igrejas. O governo diz que é neutro em questões relacionadas ao cristianismo, exigindo a separação entre a igreja e o Estado, mas age com severidade contra os cristãos. Aos cubanos não é permitido criticar o governo abertamente, falar mal do regime ou ainda reclamar da situação precária que o povo enfrenta. Ore por essa nação.

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https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/04/igrejas-sao-demolidas-em-cuba

 

Após intervenção do governo, jornal turco muda linha editorial

Mundo

Após intervenção do governo, jornal turco muda linha editorial

Agora sob controle estatal, diário “Zaman” adota linha pró-governo e publica artigo sobre ambicioso projeto de construção de ponte sobre o Bósforo. Jornalista diz que edição não foi feita pela equipe da publicação.

O diário turco Zaman, crítico ao presidente Recep Tayyip Erdogan, publicou neste domingo (06/03) a sua primeira edição desde que foi colocado sob intervenção estatal e exibiu uma linha claramente pró-governo. A publicação, com tiragem diária de 650 mil exemplares, é a de maior circulação no país.

A capa do jornal mostra um artigo sobre um ambicioso projeto do governo para a construção de uma ponte sobre o estreito de Bósforo, em Istambul, ligando as partes asiática e europeia, que vai custar mais de 3 bilhões de euros.

Há também uma foto de Erdogan segurando a mão de uma idosa, anunciando uma recepção no Palácio Presidencial em homenagem ao Dia da Mulher e, ainda, a notícia sobre um funeral de “mártires” mortos em confrontos com rebeldes curdos no sudeste da Turquia.

“A internet foi cortada e não podemos usar o nosso sistema”, afirmou um dos jornalistas do diário. “A edição de domingo não foi feita pela equipe do Zaman.”

A edição de sábado, impressa antes de um tribunal de Istambul informar na sexta-feira a decisão de estatizar o diário, trouxe uma capa completamente preta com a manchete “Dia vergonhoso à imprensa livre na Turquia”.

A medida da Justiça provocou no sábado protestos de grupos de direitos civis, políticos da União Europeia e levou centenas de manifestantes às ruas da metrópole turca. A polícia usou gás lacrimogêneo, canhões d’água e balas de borracha contra a multidão de manifestantes em frente aos escritórios do jornal.

“Decisão da Justiça”

O primeiro-ministro Ahmet Davutoglu defendeu o procedimento contra o jornal Zaman, afirmando que houve uma decisão independente da Justiça. Durante uma visita de Estado ao Irã, Davutoglu afirmou que as medidas seriam “certamente não um procedimento político, mas legal”.

Ele disse, ainda, que a Turquia é um Estado de direito e, por isso, “está fora de questão para mim ou qualquer um dos meus colegas interferir neste processo”.

O grupo Zaman, também dono das agências de notícias Cihan e do jornal editado em inglês Today’s Zaman, é conhecido por posições próximas ao do imã Fethullah Gülen, acusado pelo governo de tentar criar um “Estado paralelo” na Turquia usando sua influência no Judiciário e na polícia. Atualmente, ele está em exílio nos EUA.

O movimento de Gülen foi um aliado próximo de Erdogan até 2013, quando veículos de imprensa ligados ao líder religioso se juntaram às vozes que acusavam Erdoga o então primeiro-ministro, de corrupção. Desde então, Gülen é acusado de liderar um movimento terrorista que quer derrubar o governo.

http://www.dw.com/pt/ap%C3%B3s-interven%C3%A7%C3%A3o-do-governo-jornal-turco-muda-linha-editorial/a-19097809

Polícia turca invade maior jornal do país

Tribunal passa controle de periódico crítico ao governo para administrador público. Manifestantes tentam impedir invasão e são dispersos com violência. Organizações internacionais condenam medida.

A polícia turca usou gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar manifestantes que tentavam impedir nesta sexta-feira (04/03) que as autoridades assumissem o controle do jornal de maior circulação no país, o Zaman, de posição crítica ao governo do presidente Recep Tayyip Erdogan.

A polícia invadiu a sede do Zaman, após a decisão de um tribunal de Istambul que ordenou que a administração do grupo de mídia fosse passada para uma gestão pública escolhida pelas autoridades. O jornal é acusado de ligação com o líder islâmico e opositor do presidente turco Fethullah Gülen. A medida também afeta a versão em inglês do periódico e uma agência de notícia do grupo.

Centenas de pessoas se reuniram em frente à sede do jornal para protestar contra a decisão. O editor-chefe do jornal, Abdulhamit Bilici, afirmou, após o anúncio do tribunal, que era “um dia negro para a democracia” na Turquia.

“Se tornou um hábito nos últimos três, quatro anos. Todos que se manifestam contrários às políticas do governo enfrentam processos judiciais, prisão ou o controle do governo”, disse Bilici. O Zaman é o jornal mais vendido na Turquia, com uma circulação diária de 650 mil exemplares.

A decisão foi condenada por organizações internacionais de direitos humanos. “Vejo uma interferência séria na liberdade de imprensa que não deveria ocorrer em uma sociedade democrática. Essa é a mais recente restrição inaceitável e indevida da liberdade de impressa na Turquia”, afirmou o comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Nils Muiznieks.

A organização Repórteres sem Fronteiras criticou duramente a medida e acusou Erdogan de estar “se movendo do autoritarismo ao despotismo completo”.

“Estrutura paralela”

Gülen, que já foi um apoiador de Erdogan, entrou em guerra com o governo em 2013, quando promotores iniciaram uma investigação de corrupção envolvendo pessoas próximas ao presidente turco.

Desde então, Erdogan acusa Gülen de ter influência em tribunais, na polícia e na mídia, formando uma “estrutura paralela” com o propósito de derrubar o governo. Vários policiais e oficiais de Justiça, suspeitos de ligação com Gülen, foram afastados. Exilado nos Estados Unidos desde 1999, o opositor nega as acusações.

CN/rtr/ap

http://www.dw.com/pt/pol%C3%ADcia-turca-invade-maior-jornal-do-pa%C3%ADs/a-19095750