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O novo prefeito muçulmano de Sheffield diz: “Eu nem faria um brinde à rainha”

O novo prefeito de Sheffield, Magid Magid, que entrou na política para “combater a xenofobia”, declarou a monarquia britânica “ultrapassada” e disse que se recusaria a brindar à rainha.

“Espero que pelo fato de eu ser um imigrante negro e muçulmano – tudo o que o Daily Mail provavelmente odeia – as pessoas olhem e digam “Em Sheffield temos orgulho de fazer as coisas de maneira diferente e celebrar nossas diferenças“, disse  ele ao The Star na terça-feira. .

Aos 28 anos, Magid tornou-se o mais jovem prefeito da cidade quando assumiu a função oficialmente em cerimonial na quarta-feira, tendo se mudado da Somália com sua família quando tinha cinco anos de idade para “procurar uma vida melhor”.

Descrevendo a posição de lorde prefeito “bastante arcaica”, no entanto, o ex-universitário de Hull disse que gostaria de “trazê-lo para o século 21”, afirmando que “grupos étnicos minoritários estão fazendo coisas incríveis nesta cidade”.

Rompendo com a tradição em sua cerimônia de prefeito, Magid teve a Marcha Imperial de Star Wars e, em seguida, a música do tema do Super-Homem, enquanto os convidados se sentavam, de acordo com  The Star .

Comentando sobre uma visita de estado a Sheffield pelo monarca em 2015, ele disse: “Eu acredito que devemos ter um chefe de Estado eleito. Eu amo a rainha, ela é trabalhadora e uma pessoa adorável – mas o sistema está desatualizado.

Eu nem faria um brinde à rainha. Eu não posso agradar a todos. Vou me ater aos meus próprios princípios.

Magid, que usou seu discurso inaugural como conselheiro ecológico em 2016 para explodir o Brexit e a “xenofobia”, disse que vem acompanhando as notícias sobre o antissemitismo no Partido Trabalhista com interesse.

Mas ao mesmo tempo”, ele argumentou que o Partido Conservador – que introduziu o casamento gay e ordenou que as escolas promovam estilos de vida LGBT para crianças pequenas – “tem um grande problema com a homofobia, e isso não está sendo coberto“.

Com imagem do You Tube e informações de Breibart

Milhares protestam em Beirute a favor de eleição presidencial

Atualmente, presidente precisa ser cristão e é escolhido pelo Parlamento.
Cargo não foi ocupado após fim do mandato de Michel Suleiman, em 2014.

Milhares de pessoas se reuniram nesta sexta-feira (4) para protestar em Beirute a favor do pedido do líder cristão Michel Aoun para que o presidente do Líbano seja eleito por voto popular, de modo a resolver uma crise que paralisou o governo e o Parlamento.

Simpatizantes de Aoun ergueram cartazes laranjas do seu Movimento Patriótico Livre e escutaram breves pronunciamentos de TV feitos por ele. O ministro das Relações Exteriores, Gebran Bassil, outro líder do movimento, disse à multidão: “Nós, libaneses, queremos escolher nosso presidente.”

O presidente, que de acordo com sistema sectário de compartilhamento de poder precisa ser um cristão, é escolhido pelo Parlamento. Mas os parlamentares não têm conseguido eleger um novo mandatário desde o fim do mandato de Michel Suleiman, no ano passado.

Aoun deseja ocupar o cargo, mas não conseguiu reunir o consenso necessário entre os partidos, e não há sinal de alguma alternativa viável.

Enquanto isso, o governo do primeiro-ministro, Tamman Salam, que agrupa partidos de lados opostos no espectro político, perdeu grande parte de seu poder desde que assumiu o cargo com a benção de Irã e Arábia Saudita, países que apoiam facções rivais no Líbano.

Apoiadores do Movimento Patriótico Livre exibem bandeiras, um manequim e uma foto do líder do grupo, Michel Aoun, durante manifestação em Beirute, na sexta (4) (Foto: Reuters/Aziz Taher)Apoiadores do Movimento Patriótico Livre exibem bandeiras, um manequim e uma foto do líder do grupo, Michel Aoun, durante manifestação em Beirute, na sexta (4) (Foto: Reuters/Aziz Taher)

Talebã confirma morte de mulá Omar e elege sucessor

O grupo radical Talebã nomeou um sucessor ao seu líder, mulá Omar, que comandou o movimento por duas décadas e cuja morte foi oficialmente confirmada nesta quinta-feira.#mulá

Segundo fontes próximas à liderança talebã, Omar será substituído por seu vice, o mulá Akhtar Mansour.

Especialistas dizem que a sucessão deve dividir os militantes do grupo: muitos membros de alto escalão rejeitam Mansour por este defender diálogos de paz e por acreditarem que o novo líder foi imposto aos rebeldes por uma única ala do Talebã.

O comunicado do Talebã não deixou claro quando e em quais circunstâncias ocorreu a morte de Omar – apenas informou que ele morreu de uma doença e que ele permaneceu no Afeganistão desde a invasão americana, em 2001.

A informação conflita com a versão dada pelo governo do Afeganistão, segundo o qual Omar teria morrido em um hospital na cidade paquistanesa de Karachi dois anos atrás. Já o Paquistão sempre negou que ele estivesse em seu território.

A morte se tornou um entrave nos diálogos de paz entre o Afeganistão e os insurgentes. Uma segunda rodada de negociações prevista para esta sexta-feira foi adiada.

O Paquistão, que seria o mediador do processo, disse que o adiamento foi solicitado pela liderança do Talebã em meio às incertezas quanto à morte de Omar.

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Mulá Omar fundou o grupo nos anos 1990 e o liderava desde então

O novo líder

O mulá Mansour já é considerado, há tempos, o líder interino do Talebã.

Trata-se apenas da segunda pessoa a liderar o grupo: o mulá Omar fundou o Talebã durante a guerra civil afegã, no início dos anos 1990, e o comandava desde então.

Sua aliança com o então líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, levou à invasão liderada pelos EUA em 2001.

Ele vivia escondido desde então. Acredita-se que ele não tivesse envolvimento significativo no dia a dia do grupo, mas continuava sendo uma figura-chave no Talebã.

O fracasso do grupo em provar que o mulá Omar permanecia vivo foi um grande fator por trás da deserção de diversos membros de alto escalão do Talebã ao grupo autodenominado “Estado Islâmico”, explica o ex-correspondente da BBC em Cabul, David Loyn.

Agora, segundo fontes, o vice de Mansour será Siraj Haqqani, líder de outro importante grupo militar afegão, a rede Haqqani, e procurado pelos EUA com uma recompensa de US$ 10 milhões.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150730_mula_omar_sucessor_pai

Nigéria elege presidente muçulmano com fama de ‘mão de ferro’

Muhamadu Buhari tornou-se o primeiro muçulmano a ganhar a eleição presidencial na Nigéria, derrotando o presidente, Goodluck Jonathan, na primeira vitória de um candidato da oposição na história do país.

Buhari, de 72 anos, é ex-general e já tinha governado o país, a maior economia da África, entre janeiro de 1984 e agosto de 1985, após um golpe militar em dezembro de 1983. O lema de seu regime era “guerra contra a indisciplina”, e ficou marcado, na memória de muitos nigerianos, pela campanha contra corrupção e por abusos de direitos humanos. Ele acabou deposto e preso.

A eleição de Buhari é um fato histórico, já que também é a primeira vez que um presidente candidato à reeleição é derrotado na Nigéria. Foi a segunda vez que Buhari – que perdeu as últimas três eleições – enfrentou Jonathan.

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Buhari derrotou Jonathan por uma diferença de cerca de 2 milhões de votos.

O presidente eleito prometeu acabar com o grupo rebelde islâmico Boko Haram em questão de meses – rejeitando negociar com o grupo – e criticou a ineficiência de Jonathan diante do avanço da milícia. Em julho de 2014, Buhari sobreviveu a um atentado que tinha sinais do Boko Haram.

Desde a independência da Nigéria da Grã-Bretanha, em 1960, o país teve diversos golpes e a maioria das eleições foi fraudada.

Buhari teve a vantagem de ser o candidato da oposição agrupada no Congresso de Todos os Progressistas (APC, na sigla em inglês). O APC atraiu importantes dissidentes do Partido Democrático do Povo (PDP), que dominou a cena política desde o fim do regime militar, em 1999.

AP
Muitos celebraram nas ruas a vitória de Buhari na Nigéria

Ele é popular no norte do país e há os que acreditam que seu passado militar é justamente o que o país precisa para enfrentar a insurgência do Boko Haram, que é forte justamente naquela região e no nordeste do país.

Buhari, que se mostrou a favor da lei islâmica (sharia) no norte, nega que teria uma agenda radical oculta. Sua condição de muçulmano havia sido um problema nas urnas desde 2003, por nunca conseguir o apoio dos cristãos no sul.

‘Guerra contra a indisciplina’

As opiniões sobre o regime de Buhari são conflitantes. Cerca de 500 políticos e empresários foram detidos e alguns o veem como um militar que governa com mão-de-ferro.

Mas outros o elogiam pela tentativa de lutar com a corrupção endêmica que impedia o desenvolvimento da Nigéria. De fato, Buhari mantém uma reputação de honestidade rara entre políticos nigerianos.

AP
É a primeira vez na Nigéria que um presidente candidato à reeleição é derrotado

Sob a campanha conhecida como “Guerra contra a indisciplina”, durante seu governo nigerianos eram forçados a fazer fila para pegar ônibus sob a mira de soldados armados e funcionários que chegavam tarde ao trabalho eram humilhados em público.

Além disso, ele aprovou decreto que restringia a liberdade de imprensa – e que levou à prisão de jornalistas.

Seus esforços de reequilibrar as finanças públicas reduzindo as importações levou à demissão de muitos funcionários e ao fechamento de diversos negócios e, como parte das medidas contra a corrupção, ordenou que a moeda fosse substituída.

Os preços subiram e o nível de vida caiu, o que levou a um golpe do general Ibrahim Babangida, em agosto de 1985. Buhari passou mais de três anos preso. Babangida queria acelerar a restauração de um regime civil, o que não era uma prioridade para Buhari.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/04/150323_nigeria_perfil_hb