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Mulheres sírias para a UE: “Expulse nossos homens e mande-os para casa – precisamos deles aqui”

A guerra na Síria levou a uma escassez de homens no país. Agora, as mulheres sírias querem seus homens de volta e pedem à UE que os “expulse” para que eles voltem e ajudem a reconstruir o país.

O conflito na Síria está chegando ao fim. Donald Trump afirmou que o EI é derrotado e prometeu retirar todas as tropas dos EUA da área.

Até mesmo Israel argumenta que a guerra acabou, e a Russia mostra imagens das celebrações de Natal em Damasco.

A longa e sangrenta guerra deixou vestígios profundos na demografia da Síria. Um repórter no local observa que “cerca de 70% das pessoas que ele conhece são mulheres jovens”.

“Olhe ao redor, você só vê mulheres. Na universidade, na rua, nos cafés, só mulheres. A maioria dos jovens saiu da Síria ”, afirmam as alunas Safaa e Sheima.

Outra mulher, Lina, diz que Assad deve dar àqueles que fugiram a anistia do serviço militar, mas ela também tem uma proposta para os países que aceitaram muitos homens da Síria:

“A solução é expulsá-los e enviá-los de volta à Síria para que eles possam começar a reconstruir o país”, diz ela.

Ao mesmo tempo, a escassez de homens significa que as mulheres sírias estão fazendo um grande progresso na vida profissional, ao entrar em profissões anteriormente dominadas pelos homens.

“No passado, não era aceito que as mulheres trabalhassem em certas áreas, mas agora a sociedade é forçada a aceitá-lo e isso é bom”, diz Safaa.

Com imagem e informações Voice of Europe

“Falta quase tudo em Aleppo”

O sírio Osama el-Ezz é cirurgião e trabalha para a Sociedade Médica Sírio-Americana (Sams). Regularmente, ele viaja da Turquia para sua cidade natal, Aleppo, levando ajuda médica para as pessoas. Atualmente, ele também se encontra lá – na parte da cidade que passou a ser controlada pelos rebeldes desde meados de 2012.

Desde que a Rússia começou a ajudar o ditador Bashar al-Assad, executando ataques aéreos, a luta por Aleppo, segunda maior cidade da Síria, é maior do que nunca.

“A vida nesta região está realmente muito difícil. Falta quase tudo que se precisa para sobreviver”, conta Ezz à DW, em entrevista realizada por meio de curtas mensagens de voz, já que não foi possível a comunicação telefônica.

Deutsche Welle: Como está a situação na parte de Aleppo em que você se encontra agora?

Osama el-Ezz: A vida nesta região está realmente muito difícil. Falta quase tudo que se precisa para sobreviver. As pessoas não têm energia elétrica já há mais de seis meses. E o abastecimento hidráulico também é precário. Mal sai água das nossas torneiras, para não falar da água potável. As pessoas têm pouco dinheiro. E perderam as esperanças.

Poucos estão empregados, e são muitos os parentes feridos que precisam de cuidados. Além disso, os pais de muitas famílias – e, portanto, os chefes entre os familiares – estão mortos. Eles perderam a vida lutando ou foram vítimas de bombardeios, muitos homens também foram sequestrados pelo regime.

As pessoas não tentam fugir de Aleppo?

Nem todos têm a possibilidade. Há pouca gasolina, e poucos têm um carro. Mas, sobretudo: as tropas do governo tomaram o controle de vias importantes, e é difícil conseguir passar pelos bloqueios de rua. Além disso, há o risco de ser atingido por bombas no caminho. Mas há pessoas que fogem.

Como a situação em Aleppo mudou desde os ataques do Exército russo?

Médico Osama el-Ezz, da SAMS

Diariamente, sofremos ataques violentos por vários tipos de bombas – e com a intervenção russa, tudo ficou ainda pior. As tropas do governo sempre tiveram como alvos locais com grande número de pessoas – como praças, escolas, mesquitas. Mas isso aumentou desde então e o número de vítimas cresceu maciçamente.

Nós, médicos, também vemos uma mudança nas lesões dos combatentes ou vítimas, já que os russos, aparentemente, utilizam outras armas e bombas. Infelizmente, também não existe nenhum tipo de alerta, esses ataques acontecem simplesmente. E ninguém pode se esconder tão rapidamente – especialmente porque nem todas as casas possuem porão.

Como isso afeta as pessoas?

Quase ninguém se atreve mais a sair de casa. Eles estão traumatizados, precisam de ajuda psicológica e psiquiátrica. As crianças acordam aos gritos durante a noite, grávidas perdem seus bebês. Os homens também sofrem muito com essa situação. Eles carregam um fardo pesado: de um lado, tentam ganhar dinheiro. No entanto, são eles que veem toda a destruição e os mortos na cidade.

E como os cuidados médicos estão funcionando?

Há poucos medicamentos e pouquíssimos aparelhos medicinais. Mas o que nos causa problemas em especial é que nós nem sempre podemos tratar adequadamente as doenças graves, como casos de câncer.

O que as pessoas lhe contam, do que elas têm medo?

Elas estão muito preocupadas que as tropas do governo assumam o controle das entradas da cidade e deixem que as pessoas morram de fome. Sabemos que Assad não poupa ninguém. Esse é um grande cenário de horror para as pessoas nesta parte de Aleppo.

http://www.dw.com/pt/falta-quase-tudo-em-aleppo/a-19055735

Assad reconhece ‘falta de recursos humanos’ no exército sírio

Com guerra civil, 230 mil foram mortos e milhares ficaram feridos.
“A palavra derrota não existe no dicionário do exército sírio”, disse Assad.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, reconheceu neste domingo (26) que existe “uma falta de recursos humanos” no exército, ao mesmo tempo em que afirmou que suas tropas eram capazes e vencer a guerra contra os rebeldes.

Após mais de quatro anos de guerra civil, 230 mil foram mortos e milhares ficaram feridos, o exército sírio, que teve seus efetivos reduzidos à metade, segundo os especialistas, registrou muitas derrotas frente aos rebeldes, sobretudo no norte.

“Há uma falta de recursos humanos”, reconheceu Assad perante representantes de organismos econômicos em Damasco, acrescentando que “o problema que as forças armadas enfrentam não tem relação com o planejamento, mas com o cansaço”.

“É normal que um exército seja afetado pelo cansaço, mas o cansaço e a derrota não são a mesma coisa”, ressaltou rapidamente em seu discurso, transmitido pela televisão.

“A palavra derrota não existe no dicionário do exército sírio”, acrescentou em meio aos aplausos. “Vamos resistir e vamos vencer”, declarou.

Assad havia decretado um dia antes uma anistia para os desertores, com a condição de se alistarem no exército em um prazo determinado.

“Este decreto busca encorajar os desertores a se unirem ao exército”, explicou o presidente sírio.

Os soldados que se uniram à rebelião não podem se beneficiar desta anistia.

O exército sírio, que combate tanto os rebeldes quanto os jihadistas, viu suas forças se enfraquecerem, apesar de uma ampla campanha publicitária lançada no início de julho para convocar os cidadãos a se alistar.

“É preciso tomar medidas específicas para aumentar (as tropas) com o objetivo de realizar as missões urgentes”, considerou Assad.

Mais de 80.000 soldados e milicianos favoráveis ao regime morreram desde o início do conflito, o que representa um terço dos 230.000 mortos registrados no total pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Assad também justificou a retirada de suas tropas de certas regiões que o regime perdeu nos últimos meses, sobretudo na província de Idleb (noroeste), explicando que “o exército não pode estar presente em cada esquina do território”.

“Às vezes concentramos o arsenal e as tropas em uma região importante, mas isso é feito em detrimento de outros locais, que se tornam mais frágeis”, argumentou.

Segundo os especialistas, o regime considera como a “Síria útil”, ou seja, vital para sua sobrevivência, as cidades centrais de Damasco, Hama e Homs, assim como a região costeira de Lataquia.

Em relação às negociações para encontrar uma saída ao conflito, Assad reiterou que “toda proposta política que não esteja fundada na luta contra o terrorismo não terá sentido”.

O regime sírio considera terroristas toda a oposição, tanto rebeldes quanto jihadistas.

http://g1.globo.com/mundo/siria/noticia/2015/07/assad-reconhece-falta-de-recursos-humanos-no-exercito-sirio.html

Escassez de combustível pode gerar mais mortes no Iémen

A escassez de combustível no Iémen, devido aos conflitos e às restrições nas importações pode, num futuro próximo, causar de mais mortes no país do que os atuais combates, denunciou hoje a organização internacional Oxfam.

A falta de combustível afetou o fornecimento de água e de alimentos e os serviços médicos de 84% dos iemenitas, que necessitam de ajuda urgente e enfrentam um risco crescente de doença e desnutrição, refere a Oxfam, em comunicado.

Desde o final de março passado, quando começou a ofensiva de uma coligação árabe liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes xiitas huthis, a citada aliança impôs restrições às importações, que não foram levantadas apesar da atual trégua humanitária, que está a ser violada por ambos os lados.

Philippe Clerc, diretor da Oxfam no Iémen, assegurou que depois de mais de 100 dias de luta, os iemenitas “necessitam de um fluxo constante de abastecimentos no país e de um cessar-fogo permanente para permitir a entrega de combustível e outros mantimentos”.

“Caso contrário, muitas mais pessoas morrerão desnecessariamente. Sem um ação urgente, a escassez poderá matar mais pessoas do que as balas ou as bombas”, sublinhou Clerc.

O combustível que entra no país totaliza apenas 20% do que é necessário e os alimentos e medicamentos que se podem distribuir são também insuficientes e permanecem, muitas vezes, bloqueados nos portos por falta de combustível para os transportar”.

“Sem um fornecimento adequado de combustível, as bombas de água não poderão operar por mais tempo e os alimentos e medicamentos limitados que se encontram nos principais portos do Iémen vão estragar-se, já que não podem ser transportados para os 21 milhões de pessoas que necessitam de ajuda”, disse o responsável da Oxfam.

Cerca de 20 milhões de pessoas, 80% da população, necessita de água potável neste momento.

Atualmente, pelo menos 1.8 milhões de crianças estão com risco de diarreia e cerca de 400.000 milhões poderão sofrer de desnutrição severa, diz a nota da Oxfam.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, pelo menos 120.000 milhões de crianças poderão morrer se não se proporcionar água potável, atenção adequada e alimentos.

Além disto, pelo menos 500 mulheres grávidas enfrentam um maior risco de morrer durante o parto, já que a escassez de combustível obrigou a fechar hospitais e salas de maternidade.

Desde que começaram os bombardeamentos da coligação, em finais de março, mais de 3.000 pessoas morreram, metade das quais civis, e um milhão teve que abandonar as suas casas, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou-se na segunda-feira “muito dececionado” pelo fracasso da trégua humanitária que devia observar-se desde sexta-feira e assegurou que a sua organização mantém contactos com todas as partes para tentar parar a violência.

http://www.noticiasaominuto.com/mundo/421005/escassez-de-combustivel-pode-gerar-mais-mortes-no-iemen

Água potável não chega a 16 milhões de iemenitas (Oxfam)

Quase dois terços dos habitantes do Iêmen não têm acesso à água potável, dois meses após o início de uma campanha de bombardeios aéreos liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes xiitas huthis apoiados pelo Irã, afirmou nesta terça-feira a ONG Oxfam.

“Os bombardeios aéreos, os combates terrestres e a escassez de combustível fazem com que mais três milhões de iemenitas estejam privados de água potável”, o que eleva a 16 milhões o número de iemenitas nesta situação, acrescentou a organização humanitária em um comunicado.

“Estamos falando do equivalente das populações de Berlim, Londres, Paris e Roma juntas”, destacou a diretora da organização para o Iêmen, Grace Ommer.

Uma coalizão dirigida pela Arábia Saudita lançou no dia 26 de março uma campanha de bombardeios aéreos no Iêmen em apoio ao presidente Abd Rabo Mansur Hadi, exilado em Riad, e para frear o avanço dos rebeldes, que controlam extensas regiões do país, incluindo a capital, Sanaa.

Embora os ataques aéreos tenham diminuído as capacidades militares da rebelião, não provocaram nenhuma mudança fundamental em terra.

As perspectivas de uma solução política ao conflito continuam distantes, enquanto a população civil sofre as duras consequências dos confrontos.

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/agua-potavel-nao-chega-a-16-milhoes-de-iemenitas-oxfam,e4d8673980b1817885f9a9185a9fd3bbsm4iRCRD.html