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As “vidas negras que não importam” para a militância marxista

Por Andréa Fernandes

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden fez uma declaração que resume perfeitamente a inversão de valores apregoada pela extrema-esquerda em todo mundo. Segundo ele, a morte do criminoso George Floyd teve  impacto global maior do que o assassinato do mais proeminente representante da luta contra a discriminação racial nos Estados Unidos, reverendo Martin Luther King[1].

Ideologia usurpadora não respeita a memória dos ícones da humanidade

O interesse do atual candidato à presidência dos Estados Unidos ao desrespeitar a atuação ativista impecável de Martin Luther King não é apenas ideológico, e passa pelas verbas de campanha, já que há denúncias de que a arrecadação de recursos lançada pelo movimento Black Lives Matter (BLM) tinha como objetivo financiar o Partido Democrata e por conseguinte, a candidatura do falastrão Biden, o que foi também divulgado pela ativista conservadora Candace Owens ao compartilhar vídeo acessado por mais de um milhão de pessoas, no qual mostra o caminho dos dólares até os cofres democratas[2].

De olho na “galinha dos ovos de ouro”, Biden ousa comparar o “incomparável”. Todavia, é lógico que não há necessidade de expor a biografia do líder negro pacifista do movimento por direitos civis nos Estados Unidos assassinado no ano de 1968, em Tenesse, após obter grandiosas conquistas sem o uso de violência. Compará-lo a um negro assassinado por policial após a prática de crime é um acinte a qualquer resquício de humanidade. Por outo lado, a afronta contra a memória de Luther King passa a ser “criminosa” quando vemos o grupo que está por trás da tentativa débil de transformar a vítima de crime praticado por policial em “mártir”.

Propaganda enganosa na instrumentalização da morte de George Floyd

O movimento racial oportunista Black Lives Matter (BLM) usa a morte de Floyd para alavancar protagonismo na suposta agenda de combate ao racismo. O site da entidade afirma “BLM é uma intervenção política e ideológica em um mundo onde vidas negras são sistemática e intencionalmente desaparecidas”, aduzindo ainda que “é uma afirmação da humanidade das pessoas negras, da nossa contribuição para a sociedade, da nossa resiliência em face da opressão fatal[3].

Na verdade, a propaganda enganosa do site do BLM não revela o real apreço à violência e crimes diversos propagados por membros do grupo sob estímulo direto da liderança. Os rastros de destruição e mortes camuflados pela extrema-imprensa durante os protestos violentos foram vistos em diversas cidades dos EUA e do mundo. Um exemplo da selvageria se deu na cidade de Minneapolis, onde mais de 220 prédios foram INCENDIADOS desde a morte de Floyd, o que fez com que o prefeito informasse que intenta pedir ajuda externa estadual e federal para reconstrução da cidade após os crimes que a mídia floreia como “distúrbios civis”, mas que na realidade, são atos terroristas para impor a agenda de “desmantelamento da polícia”. Saques e depredação à propriedade, além de ataques assassinos a policiais por conta da ação de UM policial que já está sendo julgado pelo crime que cometeu não podem ser minimizados.

O prejuízo só em Minneapolis ultrapassa o valor de US$ 55 milhões[4] e segundo alguns analistas, pode chegar à cifra das centenas de milhões de dólares. Imagina se os “protestos depredatórios” fossem realizados por algum grupo de direita? Inclusive, vale ressaltar que a imprensa não se refere aos criminosos como “extremistas”. Eles são considerados como “manifestantes indignados”.

Em Chicago, durante apenas 3 dias de protestos, 1.258 “manifestantes-criminosos” foram presos. Conforme relato das autoridades policiais mais da metade das prisões estavam relacionadas a CRIMES de saque e destruição de propriedades, sendo que 135 armas foram apreendidas e 62 prisões se deram em razão de crimes relacionados a armas de fogo[5].

Sem nenhuma repercussão na mídia, em pouco mais de uma semana de “protestos”, quase 300 policiais haviam sido feridos em Nova York e como o combate ao racismo nunca foi a verdadeira motivação para as manifestações, o ataque contra a corporação policial se tornou praxe através de mensagens de ódio, tais como “foda-se a polícia”, bem como ofensas pintadas em prédios e monumentos em várias cidades rotulando policiais como “porcos[6]. Contudo, as ações criminosas violentas levaram o presidente Trump à postura firme de ameaçar enviar as forças armadas para auxiliar os policiais e a Guarda Nacional.

Black Lives Matter na senda do terrorismo

O terrorismo defendido pelo grupo BLM é público, apesar da mídia não dar destaque às declarações das principais lideranças para evitar críticas. Assim, em 03 de junho, Hawk Newsome, líder da facção em Nova York, deu entrevista ao jornal Daily Mail declarando “guerra à polícia” e avisando que está desenvolvendo a criação de um braço armado altamente treinado para supostamente enfrentar a brutalidade policial  à semelhança do Partido dos Panteras Negras e Nação do Islã, entidades extremamente violentas que mantinham militantes armados para supostamente “proteger” as comunidades negras da “violência policial”[7]. Aliás, esse assunto que envolve a aliança com o extremismo islâmico é tão GRAVE, que merece artigo explicativo, o qual escreverei brevemente.

“Ódio ao Cristianismo”, presente!

Não obstante a inspiração violenta advinda de grupos paramilitares, a agenda do Black Lives Matter tornou-se inconfundível quando a histórica igreja em St. John – em frente à Casa Branca –  foi incendiada durante os “protestos”. O ódio mortal contra a bandeira americana também foi representado nesse evento ao ser queimada a bandeira hasteada do lado de fora do templo religioso[8].

O ato criminoso é de um simbolismo ímpar: A igreja Episcopal de São João foi erguida em 1815, e tendo em vista todos os presidentes americanos desde James Madison terem participado de pelo menos um culto no templo, ficou conhecida como “igreja dos presidentes”. A democracia honrando a fé cristã é insuportável para movimentos violentos da extrema-esquerda.

Black Lives Matter a serviço da “revolução”

O conteúdo ora apresentado  evidencia que o perigoso movimento racial BLM instrumentaliza o racismo para promover o ideário marxista objetivando extirpar o sistema capitalista. Resumindo: trata-se de mais um grupo radical usando estrategias terroristas – com apoio incondicional da imprensa e “humanistas” – a serviço da “revolução”.

Vidas negras importam?

A tradução em português de “Black Lives Matter” é “vidas negras importam”. Porém, a realidade mostra que é a IDEOLOGIA que importa de fato. Os negros são apenas um “meio” para atingir os “fins”. Senão vejamos: na semana em que várias cidades pelo mundo explodiam em protestos estimulados pelo movimento racial extremista, militantes muçulmanos fortemente  armados assassinaram 27 civis no centro do Mali em três ataques a aldeias agrícolas predominantemente cristãs em menos de 24 horas[9]. Além do fuzilamento, a estratégia de terror utilizada por muçulmanos para abater cristãos negros pobres e invisíveis para o BLM e opinião pública global foi o atear fogo aos corpos “contemplando” a agonia das vítimas inocentes até a morte.

Quando é que a igreja pedirá “perdão” ao cristãos negros massacrados que tanto despreza?

As barbáries envolvendo cristãos negros africanos não são divulgadas na mídia em geral e as igrejas americanas também não atentam para as atrocidades, que aliás, já são costumeiras em alguns países onde os cristãos são torturados, fuzilados, decapitados, queimados vivos em suas casas ou nas igrejas, e as meninas cristãs são sequestradas e mantidas como escravas sexuais. Pastores e padres americanos se curvaram à sedução marxista do BLM e decidiram esboçar hipócrita “compaixão” pelo negro assassinado que alcançou visibilidade internacional em virtude da militância extremista. Porém, os negros inocentes dizimados em contínuo genocídio  não merecem espaço no coração dos religiosos que se apresentam como “cristãos” porque o motivo do morticínio não é “racismo sistêmico” e sim, “cristofobia genocida islâmica”. “Cadáveres negros” oriundos das terras africanas inundadas de jihadistas impondo a sharia (lei islâmica) não são merecedores de protestos, consternações ou hashtags!

Nem mesmo a notícia de fuzilamento de 81 negros na Nigéria após o convite para ouvir um sermão islâmico comoveu o BLM e a “igreja militante”. Crianças e mulheres negras não foram poupadas no sangrento massacre, mas a “vida” do negro criminoso elevado a “santo das causas marxistas” vale muito mais do que a vida dos cristãos negros nigerianos! Lembro que recentemente, uma liderança evangélica nos EUA induziu as ovelhas cegas que seguem seus rastros ideológicos para se ajoelhar e pedir perdão perante um grupo de negros em solidariedade ao palanque revolucionário ditado pelo violento BLM. No entanto, às ovelhas levadas quase diariamente ao “matadouro islâmico” na Nigéria e outros países muçulmanos ainda não coube pedido de perdão pela omissão no trato com questão muito mais grave e urgente que o controverso “racismo sistêmico” da polícia americana. Os negros que sofrem genocídio são “religiosamente” ignorados pela cristandade pós-moderna que viraliza as pautas globalistas anticristãs.

Repugnância é o sentimento que me invade nesse momento de reflexão. Um movimento revolucionário que fechou aliança com o extremismo islâmico não cumprir a meta consignada em seu site no tocante à “intervenção política e ideológica para que vidas negras não desapareçam sistemática e intencionalmente”,  é perfeitamente compreensível, mas, os “seguidores de Cristo” ao abandonarem seus irmãos de fé perseguidos e covardemente assassinados em dezenas de países, mostram que a Bíblia foi substituída pelos “manuais marxistas” que dispõem as pautas que merecem o “altruísmo ideologicamente engajado”.

A igreja e demais progressistas que choram por Floyd, mas ignoram a dor das meninas cristãs negras de Chibok – que padecem há 6 anos como escravas sexuais de “piedosos muçulmanos” – têm no fracassado Karl Marx o seu poste-ídolo de estimação.

Andréa Fernandes – é advogada, internacionalista, Jornalista e presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires (EVM)

Imagem by  Scott Olson / Getty Images

[1] https://www.foxnews.com/politics/mlks-niece-biden-why-compare-martin-luther-king-jr-and-george-floyd

[2] https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/recursos-levantados-pelo-black-lives-matter-com-morte-de-floyd-estariam-bancando-campanha-democrata/

[3] https://www.hypeness.com.br/2020/06/black-lives-matter-as-tres-mulheres-negras-por-tras-do-movimento-contra-o-racismo/

[4] https://fox28spokane.com/the-latest-minneapolis-officials-estimate-damage-at-55m/

[5] https://news.wttw.com/2020/06/06/george-floyd-protests-1258-arrested-130-police-officers-injured-chicago

[6] https://www.foxnews.com/us/nypd-292-officers-injured-floyd-protests

[7] https://www.dailymail.co.uk/news/article-8384065/Black-Lives-Matter-leader-declares-war-police.html

[8] https://www.washingtonpost.com/religion/fire-set-at-historic-st-johns-church-during-protests-of-george-floyds-death/2020/06/01/4b5c4004-a3b6-11ea-b619-3f9133bbb482_story.html

[9] https://www1.cbn.com/cbnnews/2020/june/36-reported-dead-as-attacks-on-christian-villages-in-mali-and-nigeria-continue

EUA anunciam desligamento do Conselho de Direitos Humanos da ONU, citando sua “tendência crônica contra Israel”

Haley chama o corpo global de “uma fossa de preconceito político”; anuncia a saída dos Estados Unidos depois de prolongadas críticas sobre seu foco obsessivo em Israel; Oficial dos EUA diz que a mudança é “imediata”

THE TIMES OF ISRAEL– Os Estados Unidos estão se retirando do Conselho de Direitos Humanos da ONU, disse na terça-feira a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, afirmando que o corpo global é um “esbanjamento de preconceito político”.

“Damos esse passo porque nosso compromisso não nos permite continuar fazendo parte de uma organização hipócrita e egoísta que ridiculariza os direitos humanos”, disse ela em uma coletiva de imprensa anunciando a mudança.

Haley disse que se o conselho fizesse reformas, os Estados Unidos “ficariam felizes em se juntar”.

Embora os EUA possam ter permanecido como observadores não-votantes no conselho, uma autoridade dos EUA disse que se tratava de uma “retirada completa” e que os Estados Unidos estavam renunciando à sua função “imediatamente”. O funcionário não estava autorizado a comentar publicamente e insistiu no anonimato.

Autoridades dos EUA disseram na terça-feira que o governo concluiu que seus esforços para promover reformas no conselho fracassaram, e que a retirada foi o único passo que pode dar para demonstrar sua seriedade. Não ficou imediatamente claro se os EUA permaneceriam como observadores não-votantes no conselho.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ao lado de Haley no Departamento de Estado, disse que não havia dúvida de que o conselho já teve uma “visão nobre“.

Mas hoje precisamos ser honestos ”, disse Pompeo. “O Conselho de Direitos Humanos é um pobre defensor dos direitos humanos.”

Haley e Pompeo ressaltaram que a decisão foi tomada depois de um longo ano de esforços para envergonhar o conselho de reforma e remover os Estados membros que cometem abusos.

Essas reformas foram necessárias para tornar o conselho um defensor sério dos direitos humanos”, disse Haley. “Por muito tempo, o Conselho de Direitos Humanos tem sido um protetor de violadores de direitos humanos e um escoadouro de preconceito político. Lamentavelmente, agora está claro que nosso pedido de reforma não foi atendido ”.

O órgão sediado em Genebra foi criado em 2006 para promover e proteger os direitos humanos em todo o mundo, mas seus pronunciamentos e relatórios muitas vezes enfureceram os EUA – em particular, o enfoque implacável do conselho nas políticas israelenses em relação aos palestinos.

Mas, como Haley ressaltou, Washington também acredita que não chega a criticar abusos flagrantes de oponentes americanos como Venezuela e Cuba.

“Os países têm conspirado uns com os outros para minar o atual método de seleção de membros”, disse Pompeo. “E o preconceito continuado e bem documentado do conselho contra Israel é injusto”, disse ele.

“Desde a sua criação, o conselho adotou mais resoluções condenando Israel do que contra o resto do mundo combinado”, observou ele.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, saudou a decisão dos EUA, afirmando que o conselho é “uma organização tendenciosa, hostil e anti-Israel que traiu sua missão de proteger os direitos humanos”.

Haley, que há um ano fez um alerta de que Washington faria valer sua ameaça de deixar o conselho se as reformas não fossem cumpridas, usou uma linguagem ainda mais rígida.

“Damos esse passo porque nosso compromisso não nos permite continuar fazendo parte de uma organização hipócrita e egoísta que ridiculariza os direitos humanos”, disse ela.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, lamentou a decisão dos EUA, acrescentando: “A arquitetura de direitos humanos da ONU desempenha um papel muito importante na promoção e proteção dos direitos humanos em todo o mundo”.

O embaixador de Israel na ONU Danny Danon saudou o anúncio, dizendo em um comunicado que os EUA “provaram, mais uma vez, seu compromisso com a verdade e justiça e sua relutância em permitir que o ódio cego à Israel em instituições internacionais permaneça incontestado”.

“O Conselho de Direitos Humanos tem sido o inimigo daqueles que realmente se importam com os direitos humanos ao redor do mundo”, disse Danon imediatamente após Haley falar. “Agradecemos ao presidente Donald Trump, ao secretário de Estado Mike Pompeo e à embaixadora Nikki Haley por sua liderança, e conclamamos a maioria moral da ONU a responsabilizar todas as suas instituições”.

Haley havia ameaçado se retirar do conselho em junho de 2017, a menos que fosse reformada, inclusive removendo seu mecanismo processual embutido para atacar Israel.

A “campanha implacável e patológica” do conselho contra um Estado com um forte histórico de direitos humanos “zomba não somentede Israel, mas do próprio conselho”, disse ela na ocasião durante um discurso em Genebra, horas antes de ir para Israel para sua primeira visita ao Estado judeu.

Haley listou várias condições para os EUA permanecerem no conselho, incluindo a necessidade de abolir o item 7 da Agenda (“a situação dos direitos humanos na Palestina e em outros territórios árabes ocupados”), que desde sua adoção em 2007 destacou Israel para censura perpétua, uma medida que nenhum outro país enfrenta no órgão da ONU.

“Não há razão legítima de direitos humanos para este item da agenda existir”, disse Haley no ano passado. “É a falha central que transforma o Conselho de Direitos Humanos de uma organização que pode ser uma força para o bem universal, em uma organização que está sobrecarregada por uma agenda política.”

Uma retirada total dos EUA retiraria do conselho sem um dos defensores tradicionais dos direitos humanos. Nos últimos meses, os Estados Unidos participaram de tentativas de identificar violações de direitos em lugares como o Sudão do Sul, o Congo e o Camboja.

A oposição à decisão dos defensores dos direitos humanos foi rápida. Um grupo de 12 organizações, incluindo a Save the Children, a Freedom House e a United Nations Association – EUA, disse que havia “preocupações legítimas” sobre as deficiências do conselho, mas que nenhuma delas garantiu a saída dos EUA.

“Esta decisão é contraproducente para a segurança nacional americana e os interesses da política externa e tornará mais difícil o avanço das prioridades de direitos humanos e ajuda às vítimas de abuso em todo o mundo”, disseram as organizações em um comunicado conjunto.

Adicionado Kenneth Roth, o diretor executivo da Human Rights Watch: “Todos no governo Trump parecem se preocupar com a defesa de Israel.”

O anúncio veio apenas um dia depois de o chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad al-Hussein, ter denunciado o governo Trump por separar crianças migrantes de seus pais.

Existem 47 países no Conselho de Direitos Humanos, eleitos pela Assembléia Geral da ONU com um número específico de cadeiras alocadas para cada região do globo. Os membros servem por períodos de três anos e podem servir apenas dois termos consecutivos.

Uma questão chave será quando uma retirada dos EUA sairá de Israel se seu maior e mais poderoso defensor abandonar seus direitos de voto ou abandonar o conselho por completo.

Desde o ano passado, o gabinete de Haley pressionou o conselho e seu chefe a não publicar um banco de dados de empresas que operam em assentamentos na Cisjordânia, a chamada “lista negra” que está preocupando Israel poderia afastar as empresas e lançar mais retaliações sobre sua presença na Cisjordânia, reivindicada por palestinos.

No mês passado, o ministro da Defesa, Avigdor Liberman, pediu que Israel e os Estados Unidos se retirassem do conselho, no que chamou de “hipocrisia” ao criticar a política israelense em de Gaza.

Mas Israel nunca foi um Estado membro do Conselho de Direitos Humanos, cujos membros são eleitos pela Assembléia Geral da ONU.

“Estamos cooperando com o conselho e temos uma embaixada nas instituições da ONU em Genebra … mas não somos membros do conselho”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Emmanuel Nahshon, na terça-feira, poucas horas antes do anúncio dos EUA.

Uma retirada dos EUA também pode ser em grande parte simbólica: o atual mandato dos Estados Unidos no conselho termina no ano que vem, quando poderá voltar ao status de observador mantido por outros países que não são membros. Nessa situação, os EUA seriam capazes de falar sobre os abusos de direitos, mas não votar.

Os Estados Unidos optaram por ficar fora do Conselho de Direitos Humanos antes: O governo do presidente George W. Bush decidiu não ser membro quando o conselho foi criado em 2006. Os EUA só entraram no órgão em 2009 sob o presidente Barack Obama.

O anúncio esperado dos EUA foi bem recebido pelo vice-ministro de Diplomacia de Israel, Michael Oren.

“Emb. Nikki Haley anunciará em breve a retirada dos Estados Unidos do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Esta é uma resposta bem-vinda a um organismo que condenou Israel mais do que todos os outros países juntos. Os EUA agora sinalizam sua recusa em dar legitimidade ao preconceito da ONU contra Israel e os judeus”,  twittou  na terça-feira,

A reação ao movimento antecipado dos defensores dos direitos humanos foi igualmente rápida.

“A retirada da administração Trump é um triste reflexo de sua política unidimensional de direitos humanos: defender os abusos israelenses contra as críticas tem precedência acima de tudo”, disse Kenneth Roth, diretor executivo da Human Rights Watch.

“Tudo o que Trump parece se preocupar é com a defesa de Israel”, disse ele, acrescentando que caberá aos membros remanescentes garantir que o conselho aborde sérios abusos.

O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, recusou-se a comentar diretamente, dizendo: “Vamos esperar para ouvir os detalhes dessa decisão antes de comentar completamente”.

Mas, ele acrescentou: “O que está claro é que o secretário-geral acredita firmemente na arquitetura de direitos humanos da ONU e na participação ativa de todos os estados membros nessa arquitetura”.

A retirada também segue as fortes críticas da ONU à política de Trump de separar crianças migrantes de suas famílias na fronteira EUA-México, embora o governo Trump ainda não tenha explicitamente citado essas críticas, manifestadas segunda-feira pelo chefe de direitos da ONU Zeid Ra’ad Al-Hussein como uma razão para sair.

Falando da política de administração de Trump, Hussein disse, “o pensamento de que qualquer estado procuraria intimidar os pais infligindo tal abuso em crianças é inconcebível.”

Desde que Trump assumiu o cargo, os Estados Unidos renunciaram à agência cultural da ONU, Unesco, cortaram o financiamento da ONU e anunciaram planos para deixar o acordo climático de Paris apoiado pela ONU.

 

Conselho de direitos humanos da ONU reabre em meio a ameaça de saída dos EUA

O Conselho de Direitos Humanos da ONU iniciará uma nova sessão na segunda-feira sob uma nuvem crescente de críticas dos EUA e a ameaça de Washington se retirar do organismo, principalmente por causa de seu preconceito contra Israel.

 Durante muito tempo, as críticas dos americanos ao conselho por seu viés contra Israel aumentaram desde que o ceticismo de Donald Trump , chegou ao poder.

A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley fez um discurso inflamado no conselho de Genebra há um ano, exigindo profundas reformas para corrigir seu “preconceito crônico contra Israel”.

Ela também exigiu que o órgão rejeite regimes abusivos, como a Venezuela e o Burundi, que ocupam assentos no conselho rotativo de 47 cadeiras.

Apesar da dura retórica dos EUA que basicamente pedia “reforma ou estamos partindo”, pouco mudou.

Cansado de esperar pela reforma, Washington distribuiu um projeto de resolução algumas semanas atrás que estabelece unilateralmente a mudança completa que estava buscando.

Mas os Estados Unidos receberam pouco apoio e ainda não apresentaram formalmente a resolução, o que provocou a febril especulação que estava prestes a abandonar e teme o impacto teria.

“Se eles se retirarem, graves conseqüências podem ser esperadas para o conselho “, disse Valentin Zellweger, embaixador da Suíça na ONU em Genebra, à imprensa nesta semana.

O rascunho do texto dos Estados Unidos pedia mudanças drásticas nas regras que determinam como a Assembléia Geral em Nova York escolhe os países para preencher vagas no conselho.

Ela pediu que fosse mais difícil conseguir um assento, mas é mais fácil expulsar países acusados ​​de violações sérias de direitos.

Viés anti-Israel

Enquanto isso, a principal queixa dos Estados Unidos é o tratamento que o Conselho dá a Israel.

Israel é o ÚNICO PAÍS país com um item específico na agenda, conhecido como item 7, o que significa que sua conduta nos territórios palestinos é analisada em cada uma das três sessões anuais da agência.

Um processo de reforma está em andamento, mas o presidente do conselho, o embaixador esloveno Vojislav Suc, disse aos jornalistas que o objetivo é racionalizar o nosso trabalho“, e não as mudanças políticas, como a eliminação do item 7.

Em uma reunião de cerca de 120 países organizada em Genebra em dezembro passado, houve muito entusiasmo por uma proposta para abordar cada um dos itens da agenda do conselho, incluindo o item 7, apenas uma vez por ano.

O embaixador de Israel, Aviva Raz Shechter
Embaixador de Israel Aviva Raz (AFP/Fabrice Coffrini)

“Os Estados Unidos ficaram muito satisfeitos ” com esse compromisso, que teria reduzido drasticamente a quantidade de escrutínio israelense, disse aos jornalistas Marc Liman, chefe do grupo de especialistas do Universal Rights Group.

Mas a União Europeia não conseguiu chegar a uma posição comum, o que levou os países de outras regiões a abandonar o navio.

“Por isso, entrou em colapso e os americanos não ficaram felizes“, disse Liman, explicando que Washington decidiu impulsionar as reformas por conta própria.

Em Genebra, há rumores de que a administração Trump já decidiu fechar a porta do conselho.

Caixa de pandora

De certa forma, tal movimento simplesmente retornaria o conselho ao seu estado original.

Os Estados Unidos recusaram-se a aderir ao organismo quando este foi criado em 2006, quando George W. Bush estava na Casa Branca e seu embaixador na ONU era John Bolton, agora Conselheiro de Segurança Nacional de Hawk e crítico de Trump.

Foi só depois que Barack Obama chegou ao poder que Washington se juntou ao conselho em 2009.

Ironicamente, Israel poderia ser o maior perdedor se o governo Trump se retirar.

O item 7 foi adotado antes dos EUA. Desde que Washington assumiu seu assento no conselho, o número de resoluções condenando Israel diminuiu drasticamente.

Louis Charbonneau, da Human Rights Watch disse à imprensa que a organização estava preocupada que, na ausência dos Estados Unidos, países como a China ou a Rússia poderiam “aceitar emendas hostis”, incluindo ofertas para excluir a sociedade civil do conselho.

Eles poderiam seqUestrar o processo e os Estados Unidos não poderiam impedi-lo“, disse ele, alertando que isso poderia criar “uma espécie de situação semelhante à caixa de Pandora“.

Com imagem UN News e informações Israel Noticias

EUA e Rússia anunciam acordo para cessar-fogo na Síria

Washington e Moscou afirmam que cessação dos combates começa em 12 de setembro, data de feriado muçulmano. Medida abre caminho para uma solução política ao conflito que eclodiu em 2011 e já matou mais de 200 mil pessoas.

Estados Unidos e Rússia chegaram, nesta sexta-feira (09/09), a um acordo inicial para uma cessação das hostilidades na Síria. O acordo abre caminho para uma solução política para o conflito que eclodiu em 2011, já matou mais de 200 mil pessoas e resultou no deslocamento de praticamente a metade da população síria.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o ministro do Exterior da Rússia, Sergey Lavrov, disseram que o cessar-fogo começará em 12 de setembro, quando muçulmanos observam o feriado religioso Eid al-Adha, e compreenderá a paralisação total de todas as operações de combate, incluindo os bombardeios aéreos.

“Hoje, os Estados Unidos e a Rússia anunciam um plano que, esperamos, venha reduzir a violência, o sofrimento e facilite o caminho em direção à paz negociada e a uma transição política na Síria”, afirmou Kerry.

O chefe da diplomacia americana afirmou também que os Estados Unidos acreditam que a Rússia tem a capacidade de pressionar o presidente sírio, Bashar al-Assad, para acabar com o conflito e sentar-se à mesa das negociações.

“Se o plano for executado em boa fé […] este pode ser um momento em que os esforços e as negociações multilaterais na mesa diplomática se consolidarão e poderiam enfim prover o povo sírio com uma transição política”, disse Kerry.

No entanto, o secretário de Estado americano alertou que o acordo é uma “oportunidade” para todas as partes envolvidas no conflito, acrescentando que os acordos apenas se manterão se houver medidas concretas no solo sírio, no campo de batalha.

Por um lado, Kerry pleiteou que todos os grupos de oposição na Síria necessariamente devam aderir ao cessar-fogo, Por outro, ele acrescentou que o acordo também estipula que o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, “não executará missões aéreas de combate onde oposicionistas estão localizados”, medida classificada de alicerce da cessação das hostilidades.

Por fim, o secretário de Estado dos EUA anunciou que foi decidido que, após um período de sete dias de respeito desta trégua, ambos países realizarão ataques coordenados contra posições dos grupos terroristas Frente Fateh al-Sham (antiga Frente Al Nusra) e “Estado Islâmico” (EI).

http://www.dw.com/pt/eua-e-r%C3%BAssia-anunciam-acordo-para-cessar-fogo-na-s%C3%ADria/a-19541424

Veja as principais etapas da crise nuclear iraniana desde 2002

O impasse entre Irã e as potências ocidentais já dura quase 12 anos.
Sítios nucleares secretos no Irã foram descobertos em de agosto de 2002.

Potências ocidentais e o Irã anunciaram nesta quinta-feira (2) que concordaram que a capacidade nuclear deste país será limitada e que trabalharão em um acordo até o final de junho. O grupo 5+1, integrado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, China, França) e a Alemanha estava reunido com o Irã há oito dias em Lausanne, na Suíça, para esboçar os pricípios deste acordo.

A comunidade internacional quer frear o programa nuclear iraniano e controlar de perto para garantir que Teerã não fabricará armas nucleares e bomba atômica. Em troca do cumprimento do acordo, sanções impostas contra o país seriam levantadas.

O impasse entre Irã e as potências ocidentais já dura quase 12 anos. Confira abaixo as principais etapas da crise nuclear iraniana desde agosto de 2002:

2002-2004 – SÍTIOS SECRETOS
Após a revelação de sítios nucleares secretos em Natanz e Arak (centro) em agosto de 2002, o Irã aceita uma inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A agência descobre vestígios de urânio enriquecido e estabelece um ultimato em setembro de 2003.

Em 21 de outubro de 2003, o Irã se compromete a suspender suas atividades de enriquecimento de urânio durante uma visita inédita a Teerã dos chefes da diplomacia francesa, alemã e britânica. Um acordo é assinado em 7 de novembro de 2004.

2005-2008 – ENRIQUECIMENTO A 3,5% E SANÇÕES
Em 8 de agosto de 2005, o Irã, do novo presidente conservador Mahmud Ahmadinejad, retoma suas atividades de conversão de urânio em Ispahan (centro). Os europeus rompem as negociações.

No final de janeiro de 2006, os cinco grandes (EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia) decidem pressionar o Conselho de Segurança. O Irã reage. Em 11 de abril, Teerã anuncia ter enriquecido urânio a 3,5% pela primeira vez e rejeita uma oferta do 5+1 (os cinco grandes e a Alemanha) para paralisar o enriquecimento (21 de agosto). O governo iraniano inaugura uma usina de água pesada em Arak.

Em 23 de dezembro de 2006, a ONU aplica suas primeiras sanções, regularmente reforçadas, assim como aquelas decididas pelos Estados Unidos e, depois, pela União Europeia (UE).

As negociações patinam. Em 2007, o Irã anuncia ter ultrapassado a etapa das 3.000 centrífugas. O feito é simbólico, porque pode permitir virtualmente ao Irã fabricar a matéria-prima para uma bomba atômica. Hoje, são quase 20 mil, sendo metade em atividade.

2009-2012 – ENRIQUECIMENTO A 20% E EMBARGO EUROPEU
Em 2009, o novo presidente americano, Barack Obama, estende a mão ao Irã, convidando o governo a superar 30 anos de conflito.

Em 9 de abril, Teerã inaugura uma usina de combustível nuclear em Ispahan (centro). Em 25 de setembro, Obama e os líderes francês e britânico denunciam a construção secreta de um segundo local de enriquecimento em Fordo (centro).

Em 9 de fevereiro de 2010, após o fracasso de um acordo negociado para enriquecer em um outro país, o Irã começa a produção de urânio enriquecido a 20% em Natanz.

Enquanto Israel fala de ataque preventivo, a AIEA publica em 8 de novembro de 2011 um relatório sobre uma “possível dimensão militar” do programa iraniano. Depois disso, em 9 de janeiro de 2012, anuncia que o Irã começa a enriquecer a 20% em Fordo.

Em 23 de janeiro de 2012, a UE decide congelar os bens do Banco Central iraniano e adotar um embargo petrolífero aplicável em 1º de julho. As negociações 5+1 são retomadas em abril, após 15 meses de paralisação.

2013 – ACORDO PROVISÓRIO
Eleito em junho, o presidente iraniano, Hassan Rohani, ex-negociador nuclear, obtém o aval do guia supremo Ali Khamenei para negociar. Washington e Teerã conversam secretamente em Omã.

Em 27 de setembro em Nova York, Rohani e Obama conversam por telefone – pela primeira vez desde 1979 -, depois de um encontro ministerial Irã/P5+1.

Em 24 de novembro, as negociações estreiam em Genebra sobre um acordo por seis meses, que limita a atividades nucleares sensíveis, mediante uma suspensão parcial das sanções.

2014 – NEGOCIAÇÕES PROLONGADAS
As negociações para um acordo definitivo começam em 18 de fevereiro de 2014. Elas continuam sob diferentes formatos. Apesar dos intensos esforços diplomáticos, as discussões fracassam e devem ser prolongadas duas vezes, no total de 11 meses.

Em paralelo, o acordo interino também é prolongado. Em 27 de agosto, o Irã anuncia a modificação do futuro reator de Arak para limitar a produção de plutônio.

2015 – RUMO A UM ACORDO
As negociações são retomadas a partir de janeiro, tendo 1º de julho como prazo-limite e 31 de março como estimativa para a obtenção de um acordo político.

Enquanto Israel continua sua campanha contra um acordo com o Irã, nos Estados Unidos, a oposição republicana ganha o Congresso americano e ameaça o Irã com sanções preventivas. Obama promete vetar qualquer iniciativa nesse sentido, alegando que poderia atrapalhar as negociações em curso.

Os chefes da diplomacia das grandes potências e do Irã se reúnem em 30 de março em Lausanne, com o objetivo de suspender os últimos obstáculos para um acordo de princípios, fundamental para continuar as negociações até um acordo final. O prazo seria 30 de junho.

Em 2 de abril, Barack Obama comemora a conclusão de um acordo “histórico” sobre o programa nuclear do Irã, que será alvo de “verificações sem precedentes”.

Foto: Federica Mogherini (representante de assuntos exteriores da UE), Mohammad Javad Zarif (ministro do extereior iraniano), Philip Hammond (secretário do exterior britânico) e John Kerry (secretário de Estado americano) antes do pronunciamento sobre bases para acordo nuclear com Irã nesta quinta-feira (2) na Suíça (Foto: AP)

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/04/veja-principais-etapas-da-crise-nuclear-iraniana-desde-2002.html