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Análise: morte de braço direito de Saddam Hussein é ‘fim de era’ no Iraque

A morte da última grande figura do regime de Saddam Hussein ainda foragida, Izzat Ibrahim al-Douri é, se confirmada, o último capítulo de uma cortina que cai sobre uma era na história do Iraque. Mas seu papel depois da queda do ex-presidente iraquiano foi tão ou mais significativo.

Douri, que morreu durante um combate na província de Salahuddin, no norte da capital Bagdá, segundo autoridades iraquianas, liderou um grupo linha-dura leal a Saddam, que, por sua vez, ajudou a alimentar e prolongar a insurgência contra seus sucessores. Os apoiadores do braço direito do ex-presidente iraquiano, no entanto, negam a informação de que ele teria morrido.

A morte de Douri, aliás, já foi anunciada e depois desmentida várias vezes. Havia vários boatos sobre onde ele se escondia, dentro ou fora do Iraque – e sua saúde estaria debilitada. Mas ele reapareceu – em vídeo, pelo menos – na medida em que militantes do grupo autodeclarado “Estado Islâmico” (EI) tomavam o controle de Mossul e Tikrit no ano passado. Na gravação, ele pedia que os iraquianos se juntassem à luta sunita jihadista.

Há pouca dúvida de que autoridades da época de Saddam Hussein e comandantes militares tenham tido um papel-chave em tornar o EI a força de combate que é hoje. Mas o tamanho do protagonismo que Douri teve ativamente na ascensão do grupo extremista, assim como qualquer aliança direta e contínua entre sua milícia e o “EI”.

Sua morte é simbolicamente significativa, mas talvez tenha pouco efeito prático sobre o combate em terra firme.

Douri, de 72 anos, liderou o grupo insurgente Ordem Naqshbandi, uma força-chave por trás da recente ascensão do “Estado Islâmico”.

Ele foi o número dois de Saddam Hussein, que foi derrubado quando as forças lideradas pelos Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 e executado em 2006.

Douri era visto como a mais alta figura do partido Baath de Saddam Hussein a ter conseguido escapar da prisão após a invasão e por muito tempo tinha sua cabeça a prêmio.

Ele era o “Rei de Paus” no famoso baralho que os Estados Unidos criaram com base em fotos dos integrantes procurados do regime de Saddam Hussein após a derrubada do governo.

O partido Baath, no entanto, nega que Douri tenha morrido.

Ainda assim, a rede de TV al-Arabiya mostrou uma foto que seria do corpo do ex-general iraquiano.

O governador de Salahuddin, Raed al-Jabouri, afirmou que ele morreu durante uma operação conjunta entre militares e aliados xiitas no leste de Tikrit ─ uma cidade cujo controle foi retomado pelo governo há duas semanas.

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‘Estado Islâmico’

Crédito: AP
Douri era o Rei de Paus no famoso baralho que os Estados Unidos criaram para capturar ex-integrantes do governo de Saddam Hussein

A ordem Naqshbandi de Douri era o principal grupo insurgente do Partido Baath. Apesar de suas raízes seculares, acredita-se que ele tenha tido um papel-chave em uma grande ofensiva promovida pelo “Estado Islâmico” no ano passado.

O “EI” tomou o controle de grandes partes do território da Síria e do Iraque, em um esforço para estabelecer um “califado” islâmico.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/04/150417_analise_morte_braco_direito_saddam_hussein_lgb

Mas nos últimos meses as forças iraquianas ─ apoiadas pelos ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos desde agosto ─ recapturaram de 25% a 30% do território inicialmente perdido para o “EI”.

O grupo jihadista ainda controla grandes áreas, incluindo a segunda maior cidade do Iraque, Mossul.

Militantes realizaram uma série de ataques na sexta. Na capital, Bagdá, uma série de atentados a bomba reivindicados pelo “Estado Islâmico” deixaram ao menos 30 pessoas mortas.

Na cidade de Irbil, no norte do país, a capital da região autônoma do Curdistão, uma bomba matou pelo menos uma pessoa perto do consulado americano.

A violência vem sendo alimentada pela divisão sectária entre muçulmanos sunitas e xiitas.

O governo do país é dominado por políticos pertencendo à maioria xiita e apoiada pelas milícias xiitas. O “EI” e outros grupos insurgentes são sunitas.

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Ex-aliado de Saddam é morto em combate no Iraque, diz governo

Al-Douri coordenou ataque com gás que matou 5 mil curdos e hoje estaria ao lado de insurgentes e do EI

BAGDÁ — No baralho distribuído pelo governo de George W. Bush com as figuras do regime iraquiano mais procuradas ele era o rei de paus. Ezzat Ibrahim al-Douri era considerado o braço-direito de Saddam Hussein. Ele sobreviveu à queda e execução do ditador, mas teria sido morto nesta sexta-feira por forças iraquianas e milícias xiitas que lutam contra insurgentes.

Al-Douri era o mais alto membro do antigo governo ainda foragido. Na lista dos EUA, era o sexto de uma lista de 55 iraquianos mais procurados, com uma recompensa de US$ 10 milhões por sua cabeça. Após a queda de Saddam, ele liderou a insurgência contra o governo de maioria xiita, organizando ataques. Ele agora estaria liderando insurgentes aliados ao Estado Islâmico quando foi atingido, informou o governador da província de Salahuddin, Raed al-Jubouri.

Embora o Partido Baath negue e a morte de al-Douri já tenha sido anunciada antes, a pessoa que aparece morta na imagem mostrada pela TV realmente se parece com o ex-vice-presidente do poderoso Conselho do Comando Revolucionário iraquiano. Um teste de DNA será feito para confirmar a identidade.

— Essa é uma grande vitória para os envolvidos na operação. Ele é considerado o cérebro desse grupo terrorista — disse al-Jubouri, se referindo ao Estado Islâmico. — Certamente isso terá um impacto sobre eles.

O governo iraquiano lidera uma ofensiva contra o EI e ex-membros do Baath, o partido de Saddam, na tentativa de retomar o território conquistado no coração sunita do país por jihadistas. Acredita-se que al-Douri fosse uma das principais figuras dos rebeldes.

Odiado pelos curdos, al-Douri foi o oficial responsável pelo uso de gás tóxico em Halabja, no Norte do Iraque, em 1988, num ataque que matou 5 mil pessoas da etnia. Ele interrompeu uma visita a Viena em 1999 para evitar a prisão por suspeita de crimes contra a Humanidade.

http://oglobo.globo.com/mundo/ex-aliado-de-saddam-morto-em-combate-no-iraque-diz-governo-15906231