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Curdos se reúnem para declarar sistema federal na Síria

Partidos e personalidades curdo-sírias, assim como de outros grupos étnicos, se reúnem nesta quarta-feira para declarar um sistema federal nas áreas sob controle curdo no norte da Síria.

O diretor do Centro Curdo para os Estudos, Nawaf Khalil, disse à Agência Efe por telefone que o encontro, realizado na cidade de Romeilan, na região curda da Al Jazeera, localizada na província nordeste síria de Al Hasaka, contará com cerca de 200 representantes.

Khalil disse esperar que ao longo do dia seja anunciada a criação de “um sistema federal em Royava”, em referência ao Curdistão sírio, que abrangerá os enclaves de Al Jazeera, Kobani, Afrin e Kuri Sabi, todos no norte do país árabe.

O dirigente explicou que a decisão de dar este passo veio após “os últimos avanços políticos e militares das Unidades de Proteção do Povo (YPG, sigla em curdo) e das Forças da Síria Democrática (FSD).

As YPG são o principal integrante das FSD, uma aliança armada curdo-árabe que recebe apoio dos EUA e que teve grandes progressos nos últimos meses no norte da Síria frente ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

Khalil destacou que para adotar esta medida “certamente houve contatos com partes internacionais”, em alusão a Rússia e EUA, mas que em nenhum caso conversaram com o governo de Damasco.

A reunião para declarar um sistema federal coincide com as negociações de paz em Genebra entre uma delegação do governo sírio e a Comissão Suprema para as Negociações (CSN), principal grupo opositor.

O Partido da União Democrática (PYD, sigla em curdo), principal formação política curdo-síria, não foi convidado para o diálogo por causa das ameaças da Turquia de boicotar a conferência de paz.

O chefe negociador da delegação governamental, Bashar al Jaafari, rejeitou hoje na cidade suíça qualquer tentativa contra a integridade territorial do país.

“As bases das negociações indiretas (entre governo e oposição) proíbem colocar tal cenário. Do que falamos aqui, é preciso manter e respeitar a unidade e a integridade territorial da Síria”, disse Al Jaafari.

Por outro lado, as “asayish”, forças de segurança curdo-sírias, detiveram hoje mais de 60 combatentes das Forças de Defesa Nacional – milícias pró-governo – em um complexo de segurança das autoridades sírias no povoado de Qameshli, em Al Hasaka, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Anteriormente, as “asayish” atacaram com tal complexo com mísseis, sem causar vítimas.

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/curdos-se-reunem-para-declarar-sistema-federal-na-siria,8918104432fce320f5ca24233a61774eqco4swe5.html

ONU diz que Estado Islâmico pode ter cometido genocídio no Iraque

Relatório fala sobre ataques contra a minoria yázidi.
Grupo tinha intenção de destruir a população como um grupo.

Os ataques dos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) contra a minoria yazidi no Iraque poderiam constituir um genocídio, afirma um relatório da ONU.

O documento relata as atrocidades cometidas pelo EI no Iraque – assassinatos, torturas, estupros – e conclui que o grupo jihadista pode “ter cometido os três crimes internacionais mais graves: crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio”, afirma um comunicado do Escritório da ONU para os Direitos Humanos.

“O esquema manifesto dos ataques contra os yazidis indica a intenção do EIIL (Estado Islâmico no Iraque e Levante, antigo nome do EI) de destruir os yazidis enquanto grupo”, destaca o comunicado.

Segundo os investigadores, “isto sugere claramente que o EIIL pode ter cometido um genocídio”.

O documento foi elaborado por investigadores enviados à região pelo Alto Comissariado e tem como base os testemunhos de mais de 100 pessoas. O  órgão pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que encaminhe o caso ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para a denúncia dos criminosos.

O relatório também ressalta que as forças do governo iraquiano e milícias aliadas “podem ​​ter cometido crimes de guerra”, enquanto combatiam a insurgência.

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas iniciou a investigação em setembro, depois que o grupo militante Estado Islâmico (também conhecido como Isis ou Isil, suas siglas em inglês), se apoderou de grandes áreas do norte do Iraque.

As atrocidades constatadas no relatório poderiam constituir violações do direito internacional, dos direitos humanos e do direito humanitário, segundo os investigadores.

Além disso, algumas “poderiam constituir crimes contra a humanidade e/ou crimes de guerra”, reiteram.

Os investigadores também denunciam o “tratamento brutal” infligido a outros grupos étnicos, incluindo cristãos, turcomanos, sabeus, curdos e xiitas.

O documento, solicitado pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU por iniciativa do governo iraquiano, destaca o “assassinato brutal e seletivo” de centenas de homens e crianças yazidis nas planícies de Nínive (norte) em agosto do ano passado.

Em muitos vilarejos yazidis, a população foi reagrupada e separada. Os homens foram mortos pelos jihadistas e as mulheres tomadas como reféns.

“Em alguns casos, vilarejos inteiros perderam toda a população yazidi”, afirma o documento.

O EI assumiu o controle de vastos territórios iraquianos após uma grande ofensiva iniciada em junho do ano passado.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/03/onu-diz-que-estado-islamico-pode-ter-cometido-genocidio-no-iraque.html