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Fronteira em Pacaraima sem a presença do exército facilita ingresso ilegal de venezuelanos

Por Andréa Fernandes

RORAIMA – Ao assinar o Decreto da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), na última terça-feira (28/08), o presidente Michel Temer ampliou o poder de polícia das Forças Armadas na faixa de 150 km nas fronteiras do Brasil com a Venezuela e República Cooperativa da Guiana, abrangendo a cidade de Pacaraima na fronteira venezuelana, a capital Boa Vista e Bonfim, na divisa da Guiana.

Assim, foram enviados 300 militares que se uniram aos 370 homens (270 na Venezuela e 100 na Guiana) para fiscalizar e patrulhar as fronteiras. Como consequência do decreto, criou-se um posto volante nas rodovias BR 174 e 401 e a definição de que a Força Nacional atuaria nas ruas de Pacaraima e nos arredores de abrigos em Boa Vista, porém, imagens divulgadas ontem (31.08) pelo ativista Nando Abreu na fronteira com a Venezuela próxima ao hospital Délio Tupinambá, no bairro Vila Nova, mostram a fronteira completamente desguarnecida sem a presença de militares.

Conforme as imagens do vídeo postado pelo ativista nas redes, há facilidade extrema para o ingresso de venezuelanos de forma ilegal sem qualquer possibilidade de registro e identificação. Não há no local barreiras impossibilitando a entrada ilegal no território brasileiro, o que mostra não ser confiável a informação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que atualmente apenas 30,9 mil venezuelanos estariam vivendo no Brasil, sendo 99% em Roraima, que teria aumentado sua população total em 10% após início da migração.

A estimativa divulgada na quarta-feira(29) pelo IBGE aponta que aproximadamente 10 mil venezuelanos teriam cruzado a fronteira nos seis primeiros meses de 2018, porém, esse levantamento tem como base dados da Coordenação Geral da Polícia de Imigração da Polícia Federal a partir de 2015, ano em que segundo a instituição governamental aproximadamente mil venezuelanos viviam no Brasil, configurando, assim, o aumento dessa população estrangeira em 3.000%. No entanto, fica clarividente que na base para e levantamento de informações necessárias à confecção de suas estatísticas, o IBGE não se reporta ao número de imigrantes ilegais que teriam ingressado durante todo esse período devido porosidade das fronteiras reconhecida recentemente por Temer, que ao autorizar envio de 300 militares outorgando-lhes “poder de polícia” utiliza medida paliativa para conter críticas da opinião pública, uma vez que foi autorizado o emprego das Forças Armadas em ações de Garantia da Lei e da Ordem num período por demais exíguo entre 29 de agosto a 12 setembro, na fronteira norte e leste e nas rodovias federais do estado.

Terminando o prazo contemplado na GLO decretada por Temer, o serviço de fiscalização e patrulhamento do exército continuará deficitário.

Ao ser entrevistado por jornal Folha BV, a assessoria de comunicação da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, informou o seguinte: 

O Exercito continuará com seu trabalho de fiscalização e patrulhamento das fronteiras e irá intensificar sua presença nas rodovias, com o estabelecimento de postos de bloqueio e controle de estradas” .

E ainda:

A única diferença é que esses militares passam a ter poder de polícia. Se ocorrerem conflitos como aqueles onde os venezuelanos foram expulsos da cidade, os militares poderão agir para conter o tumulto. Agora as Forças Armadas tem competência legal para intervir”.

Dessa forma, ao que parece, a real preocupação do governo Temer é evitar conflitos promovendo a segurança dos venezuelanos em solo brasileiro, e não promover medidas eficazes para evitar o descontrole da imigração, inclusive, com ingresso de número incerto de venezuelanos de forma ilegal através de fronteiras não vigiadas, o que gerou contundente crítica do Secretário Chefe da Casa Civil, Frederico Linhares, que acusa o decreto de ser limitado ao não atender as reais necessidades do estado.

Nós entendemos que efetivamente, o GLO é uma ação que não soluciona o problema de fato. É uma ação pontual e muito rápida que vence no dia 12 de setembro, de modo que o legado disso é muito pouco, em relação a um problema que precisa ter uma solução de longo e médio prazos. Hoje a grande prioridade são recursos para a saúde e um hospital de campanha em Boa Vista”.

Inobstante, o desguarnecimento da fronteira que possibilita ingresso de venezuelanos ilegalmente no território brasileiro, ocasionando, inclusive, problema de segurança, o governo federal continua promovendo ações priorizando a atendimento de venezuelanos em detrimento de brasileiros, o que ficou demonstrado na manhã desse sábado (1/09), quando a cidade de Pacaraima teve corte de energia elétrica – apagões são comuns no município – mas, no posto de triagem do exército para recepção de venezuelanos na fronteira um gerador de energia garantia o atendimento num dia com fluxo pequeno de refugiados, garantia esta, que não é conferida com eficiência aos pacientes do único hospital de Pacaraima, que segundo  R7 Notícias, já registrou óbito de uma mulher em meio a um apagão que durou 24 horas sem o funcionamento dos geradores.

Imagem Fernando Abreu

Andréa Fernandes é jornalista, advogada, internacionalista e presidente da ONG Ecoando a  Voz dos Mártires, que em sua representação em Roraima – através da advogada Sandelane Moura – vem defendendo os interesses do povo de Roraima acusando injustamente de “xenofobia”.

 

 

 

 

Seis mil pacientes de Gaza tratados em hospitais de Israel, nenhum pelo Egito

Enquanto os líderes de segurança e defesa de Israel continuam a discutir a melhor forma de lidar com as ameaças que emanam da fronteira sul de Israel com Gaza, um comitê do Knesset sobre o status das mulheres está lutando com uma questão diferente.

Uma reunião de Comitê do Knesset (parlamento) para o Avanço das Mulheres, que se reuniu na segunda-feira, foi inesperadamente tensa devido às mudanças não programadas na agenda que subitamente afastaram o assunto do bem-estar das mulheres judias no sul de Israel para uma discussão sobre o status das mulheres em Gaza.

MK Merav Ben Ari (Kulanu) participou da reunião; ela explicou em uma entrevista na Rádio do Exército de Galei Tzahal, “A agenda deveria ser uma discussão sobre a situação atual das mulheres de Sderot. Mas de alguma forma mudou sem que soubéssemos disso para uma discussão de como as mulheres estão vivendo em Gaza. ”

Segundo Ben Ari, também foram apresentados dados atualizados que impediram a discussão. Nos últimos meses, “seis mil pessoas [de Gaza] receberam tratamento médico em Israel (através da travessia de Erez)”, disse ela.

Por meio da travessia de Rafah [para o Egito], ninguém está sendo transferido para centros médicos“, ressaltou.

Com imagem de United with Israel  e informações Jewish Press

Disputa entre Autoridade Palestina e Hamas leva caos aos hospitais de Gaza

Por Andréa Fernandes

O porta-voz do Ministério da Saúde palestino Ashraf Al-Adra anunciou que os geradores de sete centros de saúde na Faixa de Gaza não mais funcionam devido escassez de combustível.

Segundo o comitê de gerenciamento de crises do Ministério da Saúde, a situação da Faixa de Gaza entrou num estágio sem precedentes devido à crise do combustível, e com isso está exigindo que doadores intervenham para dar fim ao grave problema. O comitê solicitou  à empresa de energia que trabalhe urgentemente para fornecer eletricidade aos hospitais em tempo integral.

O hospital Beit Hanoun em Gaza já havia suspendido em 29 de janeiro seus serviços depois que o centro de saúde ficou sem combustível, de acordo com o Centro de Informação Palestino .

Nossos serviços de saúde estão em declínio depois que vários deles foram suspensos pelo terceiro dia no Hospital Beit Hanoun e o Hospital Infantil Al-Durra teve os pacientes transferidos para outros hospitais devido à falta de combustível. Estamos a poucas horas de ver o gerador do hospital psiquiátrico parar.

O caos instalado na saúde pública em Gaza se deve à disputa de poder travada entre Autoridade Palestina e Hamas que prometeram encerrar uma década de divisão territorial, política e ideológica através da assinatura de um acordo de reconciliação em outubro, o qual não teve êxito.  A Autoridade Palestina deveria ter assumido o controle de Gaza até dezembro, o que não ocorreu.

Shadi Al-Yazji, especialista em cirurgia odontológica, narra os problemas gerais dos serviços de saúde em Gaza: A falta de e medicamentos básicos que devem vir de Ramallah (Cisjordânia controlada pela Autoridade Palestina) é uma questão real e piora. A falta de muitas especialidades habilitadas pra cirurgia cardíaca e neurocirurgiões, inexistentes na região agravam o problema. Al-Yazji abordou também a falta de eletricidade: “agora  temos apenas 4 horas por dia e é cortada 12 horas, dificultando o tratamento dos pacientes.

Al-Yazji afirma que o governo central palestino deve fazer um “esforço concentrado”, pois é comum na mídia palestina a acusação de perpetrar “punição coletiva” contra os habitantes da Faixa de Gaza em razão dos desentendimentos com o grupo terrorista Hamas que controla o local.

Com informações de Middle East Monitor.

Pacientes em hospitais de Gaza sem comida porque Abbas nega pagamento a fornecedores

As empresas que fornecem refeições a pacientes em hospitais da Faixa de Gaza deixaram de atender a centros médicos porque não foram pagos por meses, infomou ontem um porta-voz do Ministério da Saúde.

Segundo  o porta-voz do Ministério da Saúde, Ashraf Al-Qidra, o governo da Autoridade Palestina em Ramallah não realizou os pagamentos das empresas que prestavam o serviço de refeições.

Em entrevista à imprensa de Quds, Al-Qidra disse:  “Centenas de pacientes estão agora sem alimentos”, e ainda acrescentou  que o Ministério das Finanças não respondeu às solicitações feitas há semanas para pagar as dívidas com as empresas.

A falta de adimplemento da Autoridade Palestina em relação às despesas com pacientes em hospitais em Gaza não se dá em razão de insuficiência de fundos, e sim, devido direcionamento escuso dos recursos recebidos da comunidade internacional, pois a prioridade é com a manutenção do foco terrorista contra Israel como o caso dos salários que são pagos a prisioneiros condenados por ações terroristas.

Al-Qidra informou ainda  que pacientes nos hospitais de Gaza necessitam de 86 mil refeições por ano, o que gera um custo de 6 milhões de shekels (US $ 1,7 milhão). Em 2016, Gaza obteve financiamento de instituições de caridade para custear os valores das refeições em hospitais, uma vez que tal qual Autoridade Palestina, a prioridade da organização terrorista é utilizar recursos recebidos em doações financeiras para promover armamento de suas milícias terroristas e promover ataques terroristas contra Israel.

Com informações de Middle East Monitor

Todos os hospitais em Aleppo estão inoperantes após bombardeios

Todos os hospitais do leste de Aleppo, naSíria, estão inoperantes após dias de pesados bombardeios, afirmaram a coordenação médica local e a Organização Mundial da Saúde (OMS), embora uma organização que monitora a guerra civil tenha informado que alguns ainda estão funcionando.

A conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Susan Rice, afirmou que os Estados Unidos condenaram “nos mais fortes termos” os últimos ataques aéreos contra hospitais e pediu à Rússia, aliada do presidente sírio Bashar al-Assad, que tome medidas para acabar com a violência.

 Fortes bombardeios ocorreram no leste da cidade desde terça-feira, quando o Exército sírio e seus aliados retomaram operações após uma pausa que durou semanas. Eles lançaram ataques por terra contra posições dos insurgentes na sexta-feira.

O Observatório Sírio para Direitos Humanos afirmou que pelo menos 27 pessoas, incluindo crianças, morreram neste sábado na região devido a dezenas de ataques aéreos e bombas jogadas contra o local.

Aviões de guerra, artilharia e helicópteros continuaram bombardeando o leste de Aleppo neste sábado, atingindo muitos bairros residenciais, informou o Observatório.

“Essa destruição de infraestrutura fundamental para a vida deixa a população, cercada mas resoluta, incluindo todas as crianças e idosos, sem quaisquer estrutura médica para tratamento, deixando-os para morrer”, afirmou a coordenação médica de Aleppo em comunicado enviado à Reuters na sexta-feira por uma autoridade da oposição.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/11/todos-os-hospitais-em-aleppo-estao-inoperantes-apos-bombardeios.html

Quatro dos oito hospitais no Leste de Aleppo foram danificados em bombardeios

ALEPPO — Dos apenas oito hospitais que ainda estão em funcionamento no Leste de Aleppo, quatro foram danificados por bombardeios em quatro dias, denunciou a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) nesta quarta-feira. O ONG, que trabalha na região e atribui os atentados às aviações russa e síria, ressalta que os ataques contra as estruturas médicas precárias condenam centenas de pessoas feridas pela guerra civil à morte.

A denúncia vem no mesmo dia em que a ONU classificou os bairros do Leste de Aleppo, em mãos rebeldes, como “zona sitiada”, depois de vários meses de ofensiva das forças do governo e da impossibilidade de entregar ajuda humanitária.

Segundo Jens Laerke, porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Aleppo reúne os três critérios das zonas sitiadas: cerco militar, falta de acesso à ajuda humanitária e ausência de liberdade de deslocamento para os civis.

Segundo a ONU, existem 18 zonas sitiadas na Síria. Recentemente retirou da lista a cidade de Daraya, onde a população pôde ser evacuada após um acordo com o governo sírio.

No Leste de Aleppo há cerca de 275 mil pessoas sitiadas, segundo as Nações Unidas, enquanto o Oeste da cidade está nas mãos do governo e recebe ajuda humanitária.

ATAQUES INDISCRMINADOS

No dia 30 de setembro, dois hospitais no Leste de Aleppo apoiados pela MSF foram gravemente danificados por bombardeios contínuos e indiscriminados. Um banco de sangue também foi danificado. Apesar dos danos, as equipes médicas das três instalações conseguiram continuar seu trabalho.

No dia seguinte, um hospital de trauma da região foi tão danificado por bombardeios que precisou ser fechado. Dois dias depois, enquanto equipes de construção reparavam os danos, a área foi bombardeada novamente, danificando mais ainda o hospital.

Já em 2 de outubro, um hospital cirúrgico também foi danificado por bombardeios, mas continuou aberto.

“Os poucos hospitais que restam estão em colapso, com um fluxo de centenas de feridos deitados e agonizando no chão das enfermarias e dos corredores”, disse em um comunicado Pablo Marco, coordenador de operações de MSF no Oriente Médio. “Os médicos estão realizando cirurgias cerebrais e abdominais nas vítimas dos bombardeios no chão das salas de emergência, pela falta de centro cirúrgicos disponíveis. A Rússia e a Síria devem parar com essa carnificina agora.”

Aleppo é um dos epicentros da guerra civil síria, que já completa cinco anos e deixou centenas de milhares de vítimas fatais. Os conflitos também já forçaram milhões de pessoas a deixarem o país, desencadeando uma grave crise migratória que chega à Europa. Até agora, as negociações de paz não tiveram sucesso em manter um cessar-fogo prolongado, e não há previsão de uma solução política efetiva para a guerra.

Leia mais: http://oglobo.globo.com/oglobo-20239150#ixzz4MH205w4Z

Palestinos: “A Máfia da Destruição”

  • Funcionários do Hamas e da Autoridade Palestina (AP) transformaram o atendimento médico em um comércio que rende centenas de milhares de dólares por ano. Esta corrupção permitiu a altos funcionários da Cisjordânia e Faixa de Gaza desviarem milhões de shekels (moeda israelense) do orçamento da AP.

  • Em 2013 a AP gastou mais de meio bilhão de shekels para cobrir despesas médicas de palestinos que foram encaminhados a hospitais fora dos territórios palestinos. No entanto, ninguém sabe exatamente como o dinheiro foi gasto e se todos aqueles que receberam a documentação para o encaminhamento de fato precisavam de tratamento médico. Em um caso verificou-se que 113 pacientes palestinos tinham dado entrada em hospitais israelenses ao custo de 3 milhões de shekels, no entanto não há nenhuma documentação dessas internações. Até as identidades dos pacientes continuam envoltas em mistério.
  • Hajer Harb, uma corajosa jornalista palestina da Faixa de Gaza, assinala que ela já está enfrentando acusações de “difamação” por expor a corrupção. Ela vem sendo recorrentemente interrogada pelo Hamas. O regime da AP, de sua parte, não está nada contente com o fato do vazamento ter vindo à tona.
  • Os hospitais de Gaza estariam melhor equipados se o Hamas usasse o dinheiro ao seu dispor na construção de centros médicos em vez de túneis para contrabandear armas do Egito para atacar Israel.

Pergunta: o que os pacientes palestinos fazem para obter autorização para receber tratamento médico em Israel e em outros hospitais ao redor do mundo? Resposta: pagam propina a funcionários da alta hierarquia palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Aqueles que não têm como pagar a propina são abandonados à própria sorte, amontoados, em hospitais mal equipados, falta de pessoal, principalmente na Faixa de Gaza.

No entanto, ao que tudo indica, uns palestinos são mais iguais do que os outros: aqueles palestinos cujas vidas não correm perigo, mas que só fazem de conta. São eles: empresários, comerciantes, estudantes universitários e parentes de altos funcionários da Autoridade Palestina (AP) e do Hamas, que recebem autorização para viajar para Israel e para outros países sob o pretexto de emergência médica.

Inúmeros palestinos apontam o dedo para o Ministério da Saúde da AP na Cisjordânia. Eles ressaltam que funcionários do alto escalão do ministério têm abusado de seus poderes em troca de propina de pacientes genuínos e de palestinos que querem apenas a licença médica para saírem da Faixa de Gaza ou da Cisjordânia. Graças à corrupção, a inúmeros pacientes reais foram negadas a oportunidade de receber tratamento médico adequado tanto em Israel quanto em outros países.

Palestino sendo levado a uma ambulância israelense no posto de fronteira de Erez entre a Faixa de Gaza e Israel a caminho de um hospital israelense, 29 de julho de 2014. (imagem: Ministério das Relações Exteriores de Israel)

Isto, claro, não se aplica aos altos funcionários palestinos e seus familiares, que continuam a fazer uso irrestrito de hospitais israelenses e de outros centros médicos na Jordânia, Egito, países do Golfo e da Europa.

Até mesmo altos funcionários do Hamas desfrutam do acesso a hospitais israelenses. Em 2013, Amal Haniyeh, neta do líder do Hamas Ismail Haniyeh, foi transferida para um hospital israelense para tratamento médico urgente. Um ano antes, a irmã de Haniyeh, Suheilah,também foi levada a um hospital israelense para uma urgente cirurgia cardíaca.

Haniyeh, no entanto, não teve que pagar propina para que sua filha e irmã recebessem tratamento médico em Israel. Com efeito, alguns palestinos são evidentemente muito mais iguais que outros.

A corrupção no sistema de saúde palestino, tanto na Cisjordânia quanto na Faixa de Gaza, tem sido um segredo bem conhecido. Os palestinos que não desfrutam dos contatos certos e sem o dinheiro necessário para entregar a um alto funcionário ou médico estão plenamente conscientes de que eles jamais receberão a autorização das assim chamadas “referências médicas no exterior”. A assinatura de um médico ou de um funcionário da alta hierarquia do sistema de saúde é a mercadoria mais preciosa existente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. A assinatura permite que os pacientes recebam tratamento médico gratuito em Israel e em vários outros países.

A falta de regras claras que definam quem tem direito a esse privilégio tem facilitado a corrupção generalizada no sistema de saúde palestino. O nepotismo desempenha um papel importantíssimo nesse tipo de corrupção. O parente de um alto funcionário palestino pode facilmente ser transferido para tratamento em um hospital israelense, jordaniano ou egípcio, ao passo que pacientes da Faixa de Gaza sem recursos podem ter que esperar meses e até anos até que possam obter tais autorizações.

Funcionários do Hamas e da AP estão fazendo negócios com a vida dos pacientes palestinos. Eles transformaram o atendimento médico em um comércio que rende centenas de milhares de dólares por ano. Esta corrupção, que avança na ausência de transparência e de prestação de contas, permitiu também a altos funcionários da Cisjordânia e Faixa de Gaza desviarem milhões de shekels do orçamento da AP.

Apesar da promessa da Autoridade Palestina e do Hamas de combaterem a exploração de pacientes palestinos, os próprios palestinos não sentiram nenhuma melhora. Eles dizem que mais de 70% dos casos de encaminhamentos médicos a hospitais israelenses e ao exterior não constam dos registros e que ainda não está claro como e onde o dinheiro foi gasto.

Por exemplo, em 2013 a AP gastou mais de meio bilhão de shekels para cobrir despesas médicas de palestinos que foram encaminhados a hospitais fora dos territórios palestinos. No entanto, ninguém sabe exatamente como o dinheiro foi gasto e se todos aqueles que receberam a documentação para o encaminhamento de fato precisavam de tratamento médico.

A AP sustenta que em 2014 mais de 54.000 palestinos de Gaza obtiveram a papelada necessária para os encaminhamentos médicos de tratamento fora da Faixa de Gaza. As autoridades responsáveis pela saúde na Faixa de Gaza, no entanto, dizem que eles estão cientes de apenas 16.382 casos documentados de pacientes reais que receberam as autorizações.

Entre 1994 e 2013 a Autoridade Palestina não solicitou as notas fiscais discriminadas dos hospitais israelenses dos tratamento médicos ministrados aos pacientes palestinos. Os valores são deduzidos mensalmente das receitas cobradas por Israel e depois transferidos para a AP

A Coligação para a Prestação de Contas e Integridade (AMAN), um grupo palestino que atua na esfera da democracia, direitos humanos e boa governança para combater a corrupção e melhorar a integridade, os princípios de transparência e sistemas de prestação de contas na sociedade palestina, é um dos poucos órgãos que estão soando o alarme no tocante a esse abuso.

No ano passado a AMAN divulgou uma denúncia na qual alertava sobre a corrupção no Departamento de Referências Médicas no Exterior, subordinado ao Ministério da saúde da AP. A denúncia apontou discrepâncias nos custos de tratamento médico em Israel e em outros hospitais e os valores pagos. Por exemplo, em um caso verificou-se que 113 pacientes palestinos tinham dado entrada em hospitais israelenses ao custo de 3 milhões de shekels, no entanto não há nenhuma documentação dessas internações. Até as identidades dos pacientes continuam envoltas em mistério.

A denúncia da AMAN afirma que as medidas tomadas pelas autoridades responsáveis pela saúde dos palestinos no sentido de limitar o nepotismo e as propinas e evitar o desperdício de dinheiro público, foram insuficientes. Os médicos, de acordo com a denúncia, enfrentam pressão de funcionários da Autoridade Palestina para que emitam a documentação médica requerida pelos hospitais israelenses e outros hospitais ao redor do mundo, mesmo para os pacientes que não precisam daquela internação. Em determinados casos, assinala a denúncia, os pacientes podiam ter sido tratados em hospitais palestinos, não havendo a necessidade de transferi-los para outros hospitais a custos tão elevados.

A AP assinala que pediu à Comissão Anticorrupção que investigue o escândalo. Até a presente data ainda não está claro se foram tomadas as medidas necessárias contra os responsáveis pela corrupção.

O Hamas por sua vez continua responsabilizando a AP pelo sofrimento dos pacientes na Faixa de Gaza. O movimento islamista afirma que o governo da AP está retendo a emissão de licenças médicas como meio de punir os palestinos por seu apoio ao Hamas.

Na realidade, o que acontece não é bem isso: determinadas autoridades responsáveis pela saúde na Faixa de Gaza ligadas ao Hamas também têm explorado o sofrimento dos pacientes. O Hamas não tem interesse que isso venha à tona.

Hajer Harb, uma corajosa jornalista palestina da Faixa de Gaza, recentemente elaborou uma reportagem investigativa sobre a corrupção de funcionários da saúde na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Ela vem sendo recorrentemente interrogada pelo Hamas.

Harb assinala que ela já está enfrentando acusações de “difamação” por expor a corrupção. Ela foi informada por seus interrogadores que a decisão de intimá-la para investigação veio depois que um médico na Faixa de Gaza apresentou uma queixa de “difamação” contra ela.

Os interrogadores do Hamas exigiam que Harb revelasse suas fontes e a identidade das pessoas envolvidas no escândalo de corrupção. “Eu disse a eles que sou jornalista e não posso fornecer as identidades das minhas fontes sem ordem judicial”.

“Os promotores disseram que as seguintes acusações pesavam contra mim: crime de falsa identidade (eles alegam que não revelei minha verdadeira identidade na reportagem investigativa), difamar o Ministério da Saúde devido à publicação de informações imprecisas e incorretas e trabalhar com ‘agentes estrangeiros’ (ao elaborar uma denúncia para uma rede de TV radicada em Londres, sob o pretexto de que a empresa jornalística não está registrada na Assessoria de Imprensa na Faixa de Gaza)”.

Em sua denúncia, Harb mencionou os intermediários que conseguem obter a documentação médica necessária para a internação em hospitais israelenses e estrangeiros em troca de propina. Ela se aproximou de um dos intermediários alegando que queria viajar da Faixa de Gaza para a Cisjordânia para se casar com alguém de lá. Ela escreveu que recebeu uma autorização para sair da Faixa de Gaza para se submeter a um tratamento médico no Hospital Al-Makassed em Jerusalém Oriental, em troca de propina paga a um médico local. Ela também descobriu uma série de documentos médicos forjados em nome do filho de um alto funcionário palestino da Faixa de Gaza, que os obteve para completar os estudos na Cisjordânia. Mais tarde Harb localizou um homem que afirmou trabalhar para o Serviço de Segurança Preventiva da AP e se vangloriava que conseguiria uma autorização para tratamento médico fora da Faixa de Gaza por US$200. Outro palestino comprou uma licença médica para deixar a Faixa de Gaza e trabalhar em um restaurante em Ramala.

O Hamas afirma estar combatendo a corrupção de funcionários que estão complicando a vida dos pacientes palestinos. Na realidade o Hamas está é ocupado assediando jornalistas que expõem a verdade. O regime da Autoridade Palestina, de sua parte, não está nada contente com o fato do vazamento ter vindo à tona.

O Sindicato dos Jornalistas Palestinos (PJS), com sede na Cisjordânia, condenou o Hamas por assediar Harb. Mas a crítica deve ser vista mais no contexto da luta pelo poder entre a AP e o Hamas e não decorrente da preocupação em relação às liberdades públicas.

Em um comunicado, o PJS criticou o Hamas por interrogar Harb classificando-a como uma “grave violação ao trabalho da mídia e liberdade de expressão” nos territórios palestinos. O sindicato enfatizou o direito dos jornalistas de não revelarem a identidade de suas fontes, acrescentando que Harb respeitou todas as normas morais, legais e profissionais.

Najat Abu Baker, membro do Conselho Legislativo Palestino subordinado à facção da Fatah da AP do Presidente Mahmoud Abbas, foi uma das poucas políticas da Cisjordânia que se atreveu a se manifestar abertamente contra o escândalo da corrupção.

Segundo ela a corrupção no Departamento de Referências Médicas da AP transformou-o em uma “verdadeira máfia chefiada por figuras influentes”. Abu Baker acusou o ministério de explorar os residentes mais humildes da Faixa de Gaza além de desperdiçar recursos públicos:

“A questão das licenças médicas virou um comércio e os únicos que estão pagando caro são os pacientes da Faixa de Gaza. As centenas de pacientes que morreram foram vítimas das medidas do ministério”.

Ela exigiu a formação de uma Comissão de Inquérito para investigar o escândalo da corrupção. Ela ressaltou que muitos pacientes da Faixa de Gaza morreram enquanto aguardavam documentação médica necessária para a internação, ao passo que a outros que não estavam doentes, foram dadas as licenças graças ao nepotismo e à propina.

“Os mercadores da morte estão brincando com o destino de nossos pacientes. Já está na hora de dizer a verdade para que possamos nos livrar da máfia da destruição e acabar com o comércio da vida de nossos pacientes”.

O escândalo das licenças médicas é mais uma prova de que tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina exploram descaradamente seu povo para fins políticos e financeiros. A AP usa seu poder para emitir licenças médicas a fim de pressionar os palestinos da Faixa de Gaza contra o Hamas. Seus funcionários vendem as licenças por dinheiro vivo. O Hamas, que continua mantendo toda a Faixa de Gaza como refém, tem suas próprias ideias sobre o bom uso de seu dinheiro. Os hospitais de Gaza estariam melhor equipados se o Hamas usasse o dinheiro ao seu dispor na construção de centros médicos em vez de túneis para contrabandear armas do Egito para atacar Israel. Enquanto licenças médicas são vendidas pelo lance palestino mais alto, perguntamos: qual é o preço de uma licença para fins de esclarecimento em relação ao comportamento dos líderes palestinos?

Khaled Abu Toameh é um jornalista premiado radicado em Jerusalém.

https://pt.gatestoneinstitute.org/9024/palestinos-corrupcao-medica

Ataques a hospitais violam santuários da vida na Síria e no Paquistão

Autoridades apelam contra violência que matou dezenas desde sábado.

 IDLIB, Síria, E QUETTA, Paquistão — Os ataques a dois hospitais — um suicida em Quetta, no Paquistão, ontem, e outro aéreo em Idlib, na Síria, no sábado — evidenciam a situação de vulnerabilidade dos centros médicos em locais de conflito. Se, no passado, ataques a hospitais eram um tabu, o aumento de casos recentes mostra que os locais dedicados ao salvamento de feridos e doentes tornaram-se alvos como quaisquer outros. No Paquistão, o atentado a um hospital de Quetta matou pelo menos 70 pessoas e deixou cem feridos após a explosão de um homem-bomba diante de uma multidão. Na Síria, um hospital apoiado pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) — o 16º da organização atacado apenas este ano no país — foi destruído por um bombardeio aéreo na cidade de Millis, na província de Idlib. Quatro profissionais do hospital e outras nove pessoas foram mortas.

Najum Abbasi, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) de Islamabad, classificou o atentado de Quetta de “alarmante” e ressaltou que “hospitais são para salvar vidas”, pedindo proteção aos centros médicos:

— Estamos em choque — afirmou Abbasi ao GLOBO, lembrando de recentes atentados na Síria e no Afeganistão. — Apelamos por respeito e proteção a instalações médicas e a profissionais da saúde, não só no Paquistão, mas globalmente.

A explosão provocou um banho de sangue em frente ao setor de emergência do hospital de Quetta, onde 200 pessoas se reuniam para expressar pesar pelo assassinato, poucas horas antes, de um famoso advogado da região: presidente da Associação de Advogados do Baluquistão, Bilal Anwar Kasi foi morto por dois homens armados quando saía de casa. Após o bombardeio, a Casa Branca disse, por meio de um comunicado, que o atentado contra um grupo de advogados de luto o torna “ainda mais hediondo”.

Mais cedo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também condenara o atentado:

— O fato de escolher como alvo pessoas em luto em um hospital civil faz com que o ataque seja particularmente abominável — disse o porta-voz de Ban, Farhan Haq.

Paquistaneses choram explosão de uma bomba na porta de hospital em Quetta – BANARAS KHAN/AFP

SÍRIA: DESDE 2012, 373 INSTALAÇÕES ATINGIDAS

Na Síria, o ataque ao hospital do MSF em Idlib, no sábado, matou quatro funcionários e nove civis, dentre eles cinco crianças. O bombardeio destruiu a maior parte do local, incluindo o centro cirúrgico, a unidade de terapia intensiva, a pediatria e cerca de 80% dos equipamentos médicos e ambulâncias. Apenas no ano passado, 63 hospitais apoiados pela ONG foram atingidos no país.

— O bombardeio de outro hospital na Síria é ultrajante — disse Silvia Dallatomasina, gestora médica das operações do MSF no Noroeste do país. — Cada vez que um hospital é destruído, seja ele um alvo direto ou atingido durante um ataque indiscriminado a áreas civis, uma parcela da população síria é privada de receber cuidados de saúde vitais.

Segundo a ONG Médicos pelos Direitos Humanos (PHR, na sigla em inglês), desde 2012, 373 centros de saúde foram atingidos na Síria. Julho foi o pior mês em cinco anos de conflito, de acordo com a Sociedade Médica Sírio-Americana, que contabilizou 43 ataques do tipo no país — mais do que um por dia. Em março, forças do governo lançaram bombardeios aéreos mortais em seis hospitais perto de Aleppo em apenas uma semana.

— Desde junho, assistimos ao aumento de ataques contra civis e em instalações médicas na região. Cada um destes bombardeios constitui um crime de guerra. Destruir hospitais equivale a assinar sentenças de morte para milhares de pessoas que não conseguem deixar o país — disse Widney Brown, diretor da PHR.

Conhecido por ser um centro de referência especializado em pediatria, o hospital do MSF atingido no sábado oferecia cuidados essenciais para cerca de 70 mil pessoas que vivem na cidade de Millis e em seu entorno, onde um número considerável de deslocados está abrigado após fugir de frentes de batalha no Norte da Síria. Cerca de 250 pacientes eram atendidos a cada dia.

— Como médicos humanitários, continuaremos fazendo o possível para ampliar a oferta de assistência médica na Síria, mas precisamos ver o fim imediato de ataques a hospitais — pediu Silvia.

No Paquistão, os atentados contra hospitais também têm precedentes: em 2010, 13 pessoas morreram na explosão de uma bomba na unidade de emergências de um hospital de Karachi, onde as vítimas de um atentado cometido pouco antes recebiam atendimento médico.

— Ataques como esse não aconteciam há muito tempo no país. Eram mais comuns no auge da militância, entre 2009 e 2011 — lembrou o porta-voz do CICV.

Em Quetta, o ataque deixou um rastro de destruição. Corpos de vítimas eram vistos em poças de sangue horas depois, e vários veículos estacionados nas proximidades foram danificados. Uma testemunha, Hajji Abdul Haq, que sobreviveu com ferimentos leves, contou que estava do lado de fora da entrada do hospital com outros advogados, esperando receber o corpo do colega de profissão. Pelo menos 18 magistrados foram mortos, além de alguns jornalistas que acompanhavam o grupo.

— Eu estava na segunda fileira, os advogados seniores na primeira — disse Haq ao “New York Times”. — De repente, houve uma explosão ensurdecedora. Perdi minha audição por quase uma hora após a explosão.

O grupo Jamaat-ul-Ahrar, dissidência do Talibã, foi o primeiro a assumir a responsabilidade pelo ataque — é a mesma organização que realizou um atentado durante a Páscoa, em março, matando 72 pessoas em Lahore. Horas depois, o Estado Islâmico também reivindicou a responsabilidade. (Colaborou Carolina Jardim)

http://oglobo.globo.com/mundo/ataques-hospitais-violam-santuarios-da-vida-na-siria-no-paquistao-19882288

Mais de 90 ataques na Síria atingiram hospitais apoiados pela MSF em 2015, denuncia ONG

Instituição pede investigação independente de ataque em Idlib que deixou 25 mortos.

RIO — O mais recente relatório da Médicos sem Fronteiras (MSF), divulgado ontem, revela um novo cenário de barbaridade na Síria: nem mesmo os hospitais estão seguros, e a saúde está em colapso. No ano passado, 94 ataques atingiram 63 instalações médicas apoiadas pela organização humanitária, deixando 12 delas completamente destruídas. Os bombardeios continuaram neste ano, mesmo depois do acordo assinado entre as potências mundiais, como EUA e Rússia, pelo fim das hostilidades na Síria. Dos seis hospitais atacados desde o início de 2016, cinco foram atingidos na segunda-feira, no Norte, matando dezenas. A consultora legal da MSF Françoise Saulnier denunciou que ações do tipo são cada vez mais frequentes no país e agravam a situação para os civis.

— Além do aumento dos ataques aos hospitais, cresceu o número de feridos que não conseguem ter acesso a essas instalações — afirmou ao GLOBO Françoise, de Paris. — A população está com medo de ir aos hospitais. As pessoas preferem morrer em casa de seus ferimentos do que ir para as instalações médicas, porque não há mais segurança nesses locais. A situação é cada vez mais terrível.

‘Não respeitam os princípios de Humanidade’

Um desses hospitais era apoiado pela MSF na província de Idlib e ficou destruído. Ao todo 25 pessoas morreram: nove trabalhadores e 16 pacientes — uma das vítimas era uma criança com menos de 5 anos. Segundo os relatos dos sobreviventes, quatro mísseis atingiram o prédio pela manhã em um ataque que durou menos de dois minutos. Cerca de 40 minutos depois, quando os feridos e mortos estavam sendo retirados, um novo bombardeio ocorreu, em um ataque que parecia ter como alvo as equipes de resgate.

A tragédia não acabou aí: uma hora mais tarde, um hospital próximo, que tinha recebido muitos dos feridos do primeiro ataque, foi atingido. A MSF denunciou os bombardeios em Idlib como ataques deliberados e pediu uma investigação independente, indicando que a ação foi, provavelmente, realizada pela coalizão do regime de Bashar al-Assad, apoiada pelas forças russas.

— Temos elementos indicando que o ataque foi realizado pela coalizão entre os sírios e russos, mas não temos provas. Por isso, é fundamental uma investigação independente para determinar as responsabilidades. Mas não é possível que os países envolvidos no conflito não façam nada além de acusar uns aos outros, sem esclarecer o caso — enfatizou Françoise. — É preciso transparência.

Enquanto isso, o número de bombardeios no país só aumenta e os civis imersos em um conflito prestes a completar cinco anos veem dia a dia a situação piorar. Hoje, dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, quatro realizam ataques na Síria: EUA, França, Reino Unido e Rússia. Enquanto os três primeiros participam de uma coalizão internacional contra alvos do Estado Islâmico, os russos apoiam o Exército sírio contra opositores. Para a consultora da MSF, as ações militares só agravam o drama humanitário.

— Os países não respeitam nem mesmo os princípios de humanidade, e a guerra contra o terrorismo não pode servir de justificativa para ações que aumentam o drama humanitário. A Síria vive uma situação de guerra total — apontou Françoise, cética sobre uma trégua. — Os acordos de paz não chegam ao terreno e não têm sido suficientes para parar os massacres e as operações violentas na Síria, principalmente porque as responsabilidades de cada um na trégua não foram esclarecidas.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/mais-de-90-ataques-na-siria-atingiram-hospitais-apoiados-pela-msf-em-2015-denuncia-ong-18698688#ixzz40aIlbVzN
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Cerca de 50 mortos por mísseis que atingiram centros médicos e escolas em cidades sírias

Cerca de 50 civis foram mortos quando mísseis atingiram cinco centros médicos e duas escolas em áreas controladas pelos rebeldes nas cidades da Síria nessa segunda-feira.

A carnificina ocorreu devido as tropas sírias com o apoio da Rússia terem intensificado seu impulso em direção ao reduto rebelde de Aleppo.

Quatorze pessoas foram mortas na cidade de Azaz, perto da fronteira com a Turquia, quando mísseis atingiram uma escola que abrigava famílias que fogem da ofensiva e um hospital infantil, disseram dois residentes e um médico.

As bombas também atingiram um outro abrigo de refugiados no sul da cidade e um comboio de caminhões, disse outro morador.

“Temos um grande número de crianças gritando no hospital”, disse o médico Juma Rahal.

Pelo menos duas crianças foram mortas e dezenas de feridas, disse ele.

Ativistas postaram o vídeo online pretendendo mostrar o hospital danificado. Três bebês chorando estavam em incubadoras em uma enfermaria cheia de equipamentos médicos quebrados. Reuters não pôde verificar independentemente o vídeo.

Em um incidente separado, mísseis atingiram um outro hospital na cidade de Marat Numan, na província de Idlib, no noroeste da Síria, disse o presidente francês dos Médicos Sem Médicos Sem Fronteiras (MSF), que foi apoiar o hospital.

“Havia pelo menos sete mortes entre o pessoal e os pacientes, e pelo menos oito agentes do MSF estão desaparecido, e não sabemos se eles estão vivos”, Mego Terzian à Reuters.

COBERTURA RELACIONADA

“O autor do ataque é claramente … o governo ou a Rússia”, disse ele, acrescentando que não era a primeira vez que as instalações do MSF na Síria tinham sido atacadas.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitora a violência em todo o país, disse que um enfermeiro foi morto e cinco enfermeiras, um médico e um enfermeiro devem estar sob os escombros no hospital MSF.

Também em Marat Numan, outro ataque atingiu o Hospital Nacional na extremidade norte da cidade, matando duas enfermeiras, disse o Observatório.

Violação do direito internacional

O Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon disse que os ataques, que a ONU disse que mataram cerca de 50 civis, foram uma flagrante violação das leis internacionais.

“Estes incidentes lançam uma sombra sobre os compromissos assumidos na reunião ISSG (Grupo Internacional de Apoio Síria) em Munique em 11 de fevereiro”, disse o porta-voz da ONU, Farhan Haq.

Os Estados Unidos também condenaram o bombardeio intensificado no norte da Síria e disseram que iam contra os compromissos assumidos pelas potências mundiais em Munique na semana passada para reduzir as hostilidades.

http://uk.reuters.com/article/us-mideast-crisis-syria-missiles-idUKKCN0VO12Y