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Fome no Iêmen está prestes a ser a mais grave do mundo em 100 anos

Ao menos 22 milhões de pessoas dependem atualmente de ajuda humanitária para sobreviver no Iêmen, em guerra civil desde 2015

Iêmen, país que vive três anos de uma violenta guerra civil, está prestes a se tornar a maior crise de fome no planeta em cem anos, se os bombardeios da coalizão liderada pela Arábia Saudita, e que tem o apoio dos Estados Unidos, Reino Unido e França. O alerta veio da Organização das Nações Unidas no início desta semana. De acordo com estimativas recentes da entidade, 18 milhões de pessoas vivem em “insegurança alimentar”.

Lise Grande, diretora de ajuda humanitária da ONU no país,  prevê que a fome possa se alastrar pelo Iêmen nos próximos três meses. Atualmente, cerca de 13 milhões de pessoas estão ameaçadas de carência alimentar. “Muitos acreditavam ser inimaginável que em pleno século 21 veríamos uma crise de fome como na Etiópia e em partes da União Soviética”, disse ela em entrevista à rede de notícias BBC e repercutida pelo jornal britânico The Guardian.

Guerra no Iêmen

Um dos países mais pobres do mundo, o Iêmen está em conflito desde idos de 2015, quando rebeldes huthis se levantaram contra o presidente iemenita Abedrabbo Mansour Hadi. A guerra civil se agravou na medida em que os diferentes lados passaram a ser apoiados por diferentes potências militares em 2015. Do lado dos huthis, que conseguiram se consolidar e controlar grandes territórios no país (a capital Sana, inclusive), está o Irã e do lado do governo, que ganhou reconhecimento internacional, a coalizão saudita.

Os efeitos desse conflito na população civil têm sido devastadores. O país sofre uma série de sanções que vêm dificultando o acesso à ajuda humanitária nas áreas emergenciais, vive uma onda de recrutamento de crianças para servirem como soldados. Desde 2015, ao menos 10 mil pessoas foram mortas no conflito, 2.200 delas crianças, e 22 milhões dependem de assistência de organizações não governamentais para sobreviver.

A coalizão saudita é frequentemente acusada pelos rebeldes de engajar em bombardeios e ataques que causam fatalidades civis. Como resultado, o Conselho de Direitos Humanos da ONU começou a investigar possíveis crimes de guerra no Iêmen. Embora reconheça que as ações da coalizão são as que mais afetaram civis, o órgão nota que os rebeldes também são potencialmente culpados por esses crimes.

Com imagem e informações Exame

10 países mais perigosos do mundo para as mulheres

Aqui está a lista dos 10 países classificados como os mais perigosos para as mulheres por uma pesquisa de especialistas globais

A Índia foi apontada como o país mais perigoso do mundo para as mulheres em uma pesquisa com especialistas globais divulgada na terça-feira.

A pesquisa da Thomson Reuters Foundation com cerca de 550 especialistas em questões femininas classificou o Afeganistão e a  Síria  em segundo e terceiro lugar, com a Somália e a Arábia Saudita em seguida.

A pesquisa foi uma repetição de uma pesquisa semelhante em 2011, que classificou os países mais perigosos para as mulheres como Afeganistão, República Democrática do Congo, Paquistão, Índia e Somália.

Ele perguntou quais cinco dos 193 estados membros das Nações Unidas eram mais perigosos para as mulheres e o pior para os cuidados de saúde, recursos econômicos, práticas tradicionais, abuso sexual e não sexual e tráfico de seres humanos.

1. ÍNDIA – No topo da lista, com níveis de violência contra as mulheres ainda em alta, mais de cinco anos após o estupro e assassinato de um estudante em um ônibus em Nova Déli provocou indignação nacional e promessas do governo para enfrentar a questão.

A Índia classificou-se como a mais perigosa em três questões – os riscos que as mulheres enfrentam de violência e assédio sexual, de práticas culturais e tradicionais e do tráfico de seres humanos, incluindo trabalho forçado, escravidão sexual e servidão doméstica.

2. AFEGANISTÃO – Segundo na lista, com especialistas dizendo que as mulheres enfrentam problemas terríveis quase 17 anos após a derrubada do Taleban.

Classificado como o país mais perigoso para as mulheres em três áreas – violência não sexual, acesso a cuidados de saúde e acesso a recursos econômicos.

3. SÍRIA – Terceiro após sete anos de guerra civil. Classificada como o segundo país mais perigoso para mulheres em termos de acesso a cuidados de saúde e violência não sexual, o que inclui violência relacionada com conflitos, bem como abuso doméstico. Terceiro conjunto com os Estados Unidos sobre os riscos que as mulheres enfrentam de abuso sexual.

5. ARÁBIA SAUDITA – Quinto total, mas o reino conservador foi nomeado o segundo país mais perigoso para as mulheres em termos de acesso econômico e discriminação, inclusive no local de trabalho e em termos de direitos de propriedade. Quinto em termos dos riscos que as mulheres enfrentam de práticas culturais e religiosas.

6. PAQUISTÃO – O sexto mais perigoso e quarto pior em termos de recursos econômicos e discriminação, bem como os riscos que as mulheres enfrentam de práticas culturais, religiosas e tradicionais, incluindo os chamados crimes de honra. O Paquistão ficou em quinto lugar na violência não sexual, incluindo abuso doméstico.

7. REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO – Listada como a sétima das Nações Unidas, alertando que milhões de pessoas enfrentam “condições infernais de vida” depois de anos de derramamento de sangue e ilegalidade. Classificada como segundo país mais perigoso para mulheres no que diz respeito à violência sexual, e entre sétima e nona em quatro outras questões.

8. IÊMEN – Oitavo na lista após classificar mal o acesso a cuidados de saúde, recursos econômicos, risco de práticas culturais e tradicionais e violência não sexual. O Iêmen ainda está se recuperando da crise humanitária mais urgente do mundo, com 22 milhões de pessoas que precisam de ajuda vital.

9. NIGÉRIA – Classificado em nono lugar, com grupos de direitos humanos acusando os militares do país de tortura, estupro e assassinato de civis durante uma luta de nove anos contra militantes do Boko Haram.  Nigéria foi nomeada o quarto país mais perigoso, juntamente com a Rússia, quando se tratava de tráfico humano. Ele listou o sexto pior dos riscos que as mulheres enfrentam em práticas tradicionais.

10. ESTADOS UNIDOS – Única nação ocidental no top 10 e terceira em conjunto com a Síria pelos riscos que as mulheres enfrentam em termos de violência sexual, incluindo estupro, assédio sexual, coerção sexual e falta de acesso à justiça em casos de estupro. A pesquisa veio depois que a campanha #MeToo se tornou viral no ano passado, com milhares de mulheres usando o movimento de mídia social para compartilhar histórias de assédio ou abuso sexual.

Com imagem   Jornal de Notícias e informações Haaretz

Mísseis balísticos iemenitas atingem o Ministério da Defesa da Arábia Saudita em Riad e outros alvos

As forças de foguetes do Iêmen na quarta-feira lançaram vários mísseis balísticos (Burkan 2H) na sede do Ministério da Defesa da Arábia Saudita em Riad, além de outros alvos enquanto agências internacionais de notícias informavam que fortes explosões foram ouvidas e nuvens de fumaça foram testemunhadas na cidade.

Simultaneamente, as forças de foguetes iemenitas lançaram mísseis balísticos (Badr1) na Cidade Econômica King Fahd, bem como outros alvos em Jizan.

Os drones operados pelas forças revolucionárias do Iêmen haviam atingido dois alvos na Arábia Saudita no mesmo dia, como parte da retaliação pelos crimes cometidos pela agressão liderada pela Arábia Saudita no país empobrecido árabe.

Fontes militares do Iêmen disseram que veículos aéreos não tripulados têm como alvo o Aeroporto Internacional de Abha, na região sudoeste de Asir, causando o cancelamento de vôos.

O Iêmen tem estado desde 25 de março de 2015 sob uma brutal agressão da coalizão liderada pelos sauditas, que também inclui Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito, Marrocos, Jordânia, Sudão e Kuwait, em uma tentativa de restaurar o poder do ex-presidente fugitivo Abdrabbuh Mansour Hadi.

Dezenas de milhares de iemenitas foram feridos e mortos em ataques liderados pela Arábia Saudita, com a grande maioria deles civis.

No entanto, as forças aliadas do Exército do Iêmen e comitês populares estabelecidos pelos revolucionários Ansarullah têm enfrentado os ataques com todos os meios, causando enormes perdas às forças lideradas pela Arábia Saudita.

Com informações de Al-Manar

Pesquisa mostra que a maioria dos franceses se opõe à venda de armas à coalizão contra o Iêmen liderada pela Arábia Saudita

Segundo pesquisa de YouGov divulgada pela Reuters, 75% dos franceses querem que o presidente Emmanuel Macron suspenda as exportações de armas para países, incluindo Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, envolvidos na guerra do Iêmen.

Macron tem sido pressionado para reduzir o apoio militar aos dois países do Golfo Pérsico devido à preocupação de que as armas francesas estejam sendo usadas na ofensiva que marca seu terceiro ano na segunda-feira.

Os dois Estados do Golfo Pérsico estão liderando uma coalizão que luta contra o grupo Houthi, alinhado com o Irã, que controla a maior parte do norte do Iêmen e da capital Sanaa. O conflito já matou mais de 10 mil pessoas e desalojou mais de três milhões.

A pesquisa mostrou que 88 % dos entrevistados acreditam que seu país deve parar as exportações de armas para todos os países onde há um risco de serem usadas ​​contra populações civis e especificamente 75 % para aqueles que operam no Iêmen.

Leia:  Daesh afirma tiro na França, não fornece provas

Sete em cada dez pessoas disseram que o governo deveria parar de exportar armas para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

“Por ocasião do terceiro aniversário da guerra da Arábia Saudita no Iêmen, é hora de o governo (francês) ouvir essa mensagem”, disse Eoin Dubsky, gerente de campanha da ONG SumOfUs, que encomendou a pesquisa.

Emmanuel Macron, que se apresenta ao mundo como um presidente humanista, deve passar de palavras para ações.”

A pesquisa acontece enquanto alguns Estados europeus, especialmente a Alemanha, cortam laços com a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita. França, Grã-Bretanha e os Estados Unidos não seguiram o exemplo.

A França é o terceiro maior exportador de armas do mundo e conta com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos entre seus maiores compradores.

Leia:  Nenhum sinal da França revendo as vendas de armas para a coalizão liderada pelos sauditas do Iêmen – fontes

Ao contrário de muitos do seus aliados, os procedimentos franceses de licenciamento de exportação não têm freios ou contrapesos parlamentares, tornando o sistema particularmente opaco.

A pesquisa mostrou que 69% das pessoas queriam ver o fortalecimento do papel do parlamento francês no controle das vendas de armas.

A pesquisa foi realizada on-line entre 20 e 21 de março com uma amostra de 1.026 pessoas de várias vertentes da população francesa com 18 anos ou mais.

Com informações e imagens de Middle East Monitor

Ataques da coalizão saudita matam 136 civis no Iêmen

Ataques aéreos realizados pela coalizão liderada por sauditas no Iêmen mataram pelo menos 136 civis desde 6 de dezembro e 87 pessoas ficaram feridas, segundo a Reuters .

Rupert Colville, porta-voz de instituição de direitos humanos que atua na região afirma: “Estamos profundamente preocupados com o recente aumento das vítimas civis no Iêmen, como resultado de intensos ataques aéreos da coalizão, após a morte do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, em Sanaa em 4 de dezembro”.

Segundo a ONU, 7 ataques aéreos atingiram uma prisão no distrito de Shaub, Sanaa, matando cerca de 45 presos leais ao internacionalmente reconhecido Abd Abdel Rabbuh Mansur Hadi.

Em outro ataque 14 crianças e 6 adultos morreram em Huydaydah no dia 15 de dezembro. Duas crianças e oito mulheres que estavam retornando de uma festa de casamento de Marib no início desta semana também foram mortas.

A coalizão saudita entrou na guerra do Iémen em março de 2015 em razão de suposto pedido de Hadi para ajudar a combater as ameaças territoriais provocadas pela aliança iraniana com os Houthis e o ex- presidente Ali Abdullah Saleh, em março de 2015. A dinâmica do conflito sofreu mudança significativa quando Saleh cortou as relações com os Houthis e foi morto no início de dezembro . As forças restantes que são leais a Saleh juntaram-se ao exército nacional de Hadi em uma nova aliança para combater os Houthis e recuperar a capital Sanaa.

Os ataques aéreos da coalizão liderada pelos sauditas continuaram em áreas densamente povoadas no Iêmen apoiando a nova aliança contra o Houthis.

Com informações de Middle East Monitor

Fome deve matar mais iemenitas do que a guerra

Mais de metade da população está agora em estado de insegurança alimentar com 7 milhões sofrendo fome permanente.

Genebra: catástrofe humanitária no Iêmen deve piorar à medida que a guerra tem arruinado a economia e está impedindo o abastecimento de alimentos conduzindo o país à beira da fome, disse o representante oficial da ONU no país, à Reuters.

“Ao longo de todo este país crianças estão morrendo”, disse Jamie McGoldrick. Coordenador Humanitário da ONU no Iêmen.

Quase dois anos de guerra entre uma coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita e o Irã, apoiando o movimento Al Houthi, deixou mais da metade dos 28 milhões de iemenitas em estado de “insegurança alimentar”, com 7 milhões deles suportando a fome, de acordo com as Nações Unidas.

Al houthis têm sido amplamente responsabilizado por protelar os esforços para alcançar uma solução política e prolongar a crise.

No último revés, os maiores comerciantes do Iêmen deixaram de realizar novas importações de trigo devido a uma crise no banco central, segundo documentos vistos pela Reuters.

Já, oito em cada 10 crianças são raquíticas por desnutrição e a cada 10 minutos uma criança morre devido a doenças evitáveis, conforme relata a agência da ONU . Para sobreviver várias famílias muitas vezes dependem de um salário-benefício e o casamento infantil está aumentando, com as meninas casando aos 15 anos de idade, em média, e muitas vezes mais jovens.

A ONU estima que 18,8 milhões de pessoas precisam de alguma forma de ajuda humanitária, mas se esforça para entregar suprimentos, em parte por causa da guerra e em parte devido à falta de financiamento. A interrupção dos embarques de trigo vai agravar o problema.

“Sabemos que no início do próximo ano, vamos enfrentar problemas significativos”, disse McGoldrick, que descreveu a economia como “periclitante”.

Quase metade das 22 províncias do Iêmen já estão oficialmente classificadas como estando em uma situação de emergência alimentar, disse ele. Isso é quatro em uma escala de cinco pontos, onde cinco é a fome.

“Eu sei que existem alguns desenvolvimentos preocupantes e temos visto que a deterioração na economia e os serviços de saúde e a capacidade de fornecer alimento somente nos daria uma estimativa de que as coisas vão ficar muito pior”, disse McGoldrick.

A ONU tem vindo a realizar uma nova avaliação de alimentos em preparação para um novo apelo humanitário em 2017, quando irá pedir doadores para ajuda a socorrer 8 milhões de pessoas. Mas a fome pode ainda não ser declarada oficialmente.

Fome “significa mais de duas pessoas que morrem por dia para cada 10.000 na população, ou cerca de 5.500 mortes por dia em todo um país do tamanho do Iêmen, de acordo com um cálculo da Reuters . A corrente de “emergência” em grande parte do Iêmen ainda significa 1-2 mortes por 10.000.

http://gulfnews.com/news/gulf/yemen/yemen-edging-nearer-famine-as-war-takes-toll-1.1947351

O iemenita que perdeu 27 pessoas de sua família em um bombardeio aéreo

A guerra no Iêmen tinha começado havia apenas dois meses quando Abdullah al-Ibbi foi fazer uma refeição com suas duas esposas, filhos e netos.

Naquele momento, sua casa foi atingida por um bombardeio aéreo, que matou 27 membros de três gerações de sua família.

Al-Ibbi sobreviveu e ficou sabendo das mortes apenas seis semanas depois, quando acordou em uma cama de hospital.

“Se eu não temesse a Deus, teria cometido suicídio naquela hora. Teria pulado de um prédio… mas Deus me deu paciência”, lembra o iemenita.

A família vivia na região de Saada, que é reduto dos rebeldes Houthi. A área foi alvo de muitos ataques da coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o presidente iemenita exilado Abdrabbuh Mansour Hadi.

A casa foi atingida por volta da meia-noite, lembra Al-Ibbi.

As equipes de resgate e escavadeiras trabalharam até a manhã para retirar os corpos presos sob os destroços. Entre os mortos estavam 17 crianças – a mais nova, uma neta do iemenita, tinha apenas um mês de idade.

Além dele, três filhos adultos sobreviveram.

As crianças mortasImage copyrightAYMAN AL-IBBI
Image captionAs crianças que morreram no ataque (da esq. para dir.): Iman, Ibrahim, Mona, Yaaqoub, Zakariya; Ishaaq (centro) e Ismail (centro à frente)
Ismail, filho de al-IbbiImage copyrightAYMAN AL-IBBI
Image captionIsmail, o filho mais novo de al-Ibbi, tinha apenas dois anos

Desde que a guerra no Iêmen começou, no início de 2015, os civis foram os mais atingidos.

Já são mais de 4 mil mortos, a maioria deles nos ataques aéreos liderados pelos sauditas, segundo dados da ONU.

Memórias

Abdullah al-Ibbi passa a maior parte de seu tempo em um quarto na mesquita onde vive agora.

Lá, fica ansioso pelas visitas dos filhos, que vivem em outras partes da cidade.

As noites são mais difíceis – ele teve ferimentos na cabeça e na mandíbula e precisa de um tratamento que não existe em Saada.

Mas não são apenas os problemas físicos que fazem o iemenita perder o sono – há também as memórias da vida antes da tragédia.

Destroços da casaImage copyrightAYMAN AL-IBBI
Image captionA casa da família foi totalmente destruída

“Às vezes eu durmo duas, três horas e então acordo e fico até de manhã… lembro dos filhos e da minha casa”, explicou.

“Nossa vida era humilde, mas tranquila. Era uma boa vida, éramos felizes… perdemos tudo.”

Al-Ibbi cresceu na província de Ibb, região central do Iêmen, e depois se mudou para Saada. Lá, abriu duas barbearias, nas quais ele e seus filhos trabalhavam.

Yusuf, filho de Al-IbbiImage copyrightAYMAN AL-IBBI
Image captionO filho de 13 anos de al-Ibbi, Yusuf, em uma das duas barbearias da família

“Lutei e trabalhei durante anos e construí nossa casa, tijolo por tijolo.”

Futuro

Desde a tragédia, há 18 meses, a família não recebeu nenhum apoio financeiro, apesar das muitas entrevistas que concedeu e das visitas de representantes de várias organizações.

Yunus e a filha, DuaaImage copyrightAYMAN AL-IBBI
Image captionYunus, um dos filhos de Al-Ibbi, sobreviveu, mas perdeu um dos olhos; na imagem, ele está com a filha de dois anos, Duaa

Eles tiveram de pegar dinheiro emprestado para pagar o tratamento de um dos filhos de Al-Ibbi, Yunus, que passou seis meses em um hospital por causa dos ferimentos graves causados por estilhaços – e acabou perdendo um olho.

“Quero dar uma vida de volta aos meus filhos. Quero que eles vivam em suas próprias casas”, disse Al-Ibbi.

O iemenita fica perturbado quando fala dos filhos mais novos, Ismail, Ibrahim, Ishaaq e Yaaqoub, que morreram no bombardeio.

Mas o nascimento recente de um neto trouxe alegria ao que restou da família.

Ayman al-Ibbi e o filho, IsmailImage copyrightAYMAN AL-IBBI
Image captionAyman, outro filho sobrevivente de Al-Ibbi, resolveu dar o nome de Ismail ao seu filho, uma homenagem ao irmão de dois anos que morreu no bombardeio

Seu filho, Ayman, resolveu dar o nome de Ismail ao recém-nascido para homenagear ao irmão mais novo, que tinha apenas dois anos quando morreu.

Al-Ibbi falou sobre a alegria de ver o neto pela primeira vez.

“Senti como se tivesse ganhado o mundo… Senti como se Deus tivesse nos compensado por tudo o que perdemos.”

Ele diz esperar que Ismail não passe pelo mesmo que a família passou.

“Que ele não veja esta humilhação e esta guerra… Que tenha um futuro melhor.”

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37865863

A cada sete segundos uma menina é forçada a se casar

A cada sete segundos uma menina com menos de 15 de idade se casa no mundo, aponta um relatório divulgado pela ONG Save the Children nesta terça-feira (11/10), Dia Internacional da Menina. Crianças de até dez anos são forçadas a se casar, frequentemente com homens mais velhos, em países como Afeganistão, Iêmen, Índia e Somália.

A ONG afirma que o casamento infantil não apenas priva as jovens de educação e oportunidades, mas também aumenta o risco de morte ou danos no parto se elas têm filhos antes de que seu corpo esteja preparado.

“O casamento infantil dá início a um ciclo de desvantagens que nega às meninas os direitos mais básicos de aprender, se desenvolver e ser criança”, afirma a presidente da Save the Children International, Helle Thorning-Schmidt.

“Meninas que se casam cedo demais frequentemente não podem ir à escola e estão mais propensas a sofrer violência doméstica, abuso e estupro. Elas engravidam e são expostas a doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV”, alerta.

O relatório “Até a última menina. Livres para viver, livres para aprender, livres de perigo” apresenta um ranking com 144 países, classificando-os do melhor para o pior para as garotas com base no casamento infantil, na educação, na gravidez na adolescência, na mortalidade materna e no número de legisladoras mulheres.

Níger, Chade, República Centro-Africana, Mali e Somália aparecem nos últimos lugares do ranking. O país mais bem classificado é a Suécia, seguida por Finlândia, Noruega, Holanda e Bélgica.

O Brasil aparece em 102º, com o relatório chamando a atenção que o país, apesar de ter a renda per capita média-alta, apresenta altos níveis de gravidez na adolescência e casamentos de crianças. O Brasil, destaca o relatório, está apenas três posições acima do Haiti, por exemplo.

Pesquisadores afirmam que conflitos, pobreza e crises humanitárias são fatores que deixam meninas expostas ao casamento precoce. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que o número de mulheres que se casam antes dos 18 anos passe dos 700 milhões atuais para cerca de 950 milhões em 2030.

Bombardeio contra escola mata 10 crianças no Iêmen

Arábia Saudita alega que ataque foi contra campo de treinamento rebelde.

SANÁ — Ao menos 10 crianças morreram e 28 ficaram feridas em um ataque aéreo contra uma escola na cidade de Haydan, no norte do Iêmen, neste sábado. O bombardeio foi atribuído à coalizão liderada pela Arábia Saudita, que combate rebeldes xiitas hutis naquele país. A acusação foi negada por militares sauditas, que alegam terem atacado um campo de treinamento de jihadistas.

-Vimos dez crianças mortas e 28 feridas, todas menores de 15 anos, vítimas de ataques aéreos em uma escola islâmica — disse Malak Shaher, porta-voz da organização Médicos Sem Fronteiras, em entrevista à AFP.

O bombardeio também foi confirmado pela Unicef:

“Por causa da intensificação da violência no Iêmen na semana passada, a quantidade de crianças mortas ou feridas em bombardeios aéreos ou por explosões de minas aumentou de forma significativa”, lamentou o Fundo das Nações Unidas para a Infância.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita, por sua vez, negou o bombardeio neste domingo e assegurou que o alvo da incursão foi um campo de treinamento rebelde. Em entrevista à AFP, o general saudita Ahmed al Asiri, acusou os rebeldes de “usarem crianças como recrutas”.

O militar reiterou que nenhuma escola foi atingida, e que o ataque resultou na morte do responsável pelo centro de treinamento Abu Yahya Abu Rabaa e um número não determinado de combatentes rebeldes.

— Estivemos em contato com o governo e não existem escolas neste setor, é o centro de treinamento Al Huda — disse al Asiri. — Nossa pergunta é a seguinte: o que fazem crianças ali?

O Iêmen está mergulhado numa guerra civil desde que rebeldes xiitas hutis tomaram a capital Saná, em setembro de 2014. O presidente, Abd Rabbuh Mansur Hadi, vive exilado na Arábia Saudita, que o apoia com uma coalizão militar internacional. Estimativas de grupos de direitos humanos indicam que mais de 9 mil pessoas já morreram no conflito.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/bombardeio-contra-escola-mata-10-criancas-no-iemen-19919613#ixzz4HJxoA2ox
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Iémen: A guerra esquecida

Por Mohammed Shaikhibrahim

A euronews acompanhou o exército regular numa das frentes de batalha. Chegámos à província de Lahj, no sul. A partir desta região tentam chegar à capital, que está nas mãos dos rebeldes desde 2014.

Mothana Ahmed é um oficial do exército nacional. “Queremos garantir ao nosso povo que está em todo oIémen que não o vamos abandonar, vamos recuperar cada centímetro de terra e vamos continuar a progredir até à erradicação do último dos Houthis e das forças leais ao antigo presidente Ali Abdullah Saleh”, afirma Ahmed.

Em resposta à aliança de circunstância entre Houthis e o expresidente Saleh, a coligação árabe liderada pela Arábia Saudita passou a apoiar as tropas regulares.
Os ataques aéreos, a chamada “Operação Tempestade Decisiva”, começaram a 25 de março de 2015.

E foi através destes raides que o exército conseguiu recuperar o controlo de Aden.
A cidade no sul do país tem uma enorme importância estratégica nesta guerra.
Está muito próxima do estreito de Bad al-Mandeb, o principal ponto de passagem dos navios internacionais.

O governador de Aden, Adrous al Zoubaidi garante que “estamos prontos para libertar todas as cidades do Iémen que estão nas mãos dos Houthis, com todos os meios à nossa disposição, legais, pacíficos e militares. Estamos prontos a libertar a honra e a religião das mãos dos Houthis porque são um grupo rebelde que se afasta do consenso do povo iemenita e das suas tradições, com o apoio externo do Irão”.

No meio deste caos há ainda um terceiro grande protagonista.
A Al-Qaeda tem uma forte presença também nas cidades do sul do país.
O grupo extremista é responsável por vários atentados que visam, sobretudo, os soldados fiéis ao presidente eleito Abed Rabbo Mansour Hadi.

Sana, a capital nas mãos dos rebeldes

Seguimos para o centro, até à capital Sana, controlada pelos Houthis desde 21 de setembro de 2014. Um controlo total apoiado por dezenas de milhares de combatentes do grupo Ansar Allah. Foi adotada uma espécie de nova constituição que fez do Comité Revolucionário, liderado por Mohammed Ali al-Houthi, a mais alta autoridade.

“Estamos dispostos a lutar até ao fim, até à independência total do nosso país, libertá-lo de toda a ingerência estrangeira, de forma a vencer os invasores da nossa terra. Mas quem são os derrotados desta guerra? Os derrotados são os filhos dos povos árabes e muçulmanos. No sul, os nossos inimigos estão a dar apoio a grupos terroristas enquanto fingem que os estão a combater”, garante Mohammed Ali al-Houthi.

Os Houthis têm um enorme apoio em Sana e conseguiram a difícil tarefa de juntar as mais importantes tribos, ou seja, o coração da sociedade iemenita. Além disso, muitos chefes militares juntaram-se ao movimento.

O líder do Comité Revolucionário acredita “a Arábia Saudita não entrou nesta guerra por vontade própria: recebeu ordens para liderar esta guerra. Acreditamos são os Estados Unidos que a estão a controlar. São eles que coordenam as operações militares, que definem os alvos a ser bombardeados pelos aviões.”

Os Houthis regem-se por vários slogans: “Morte a Israel. Morte aos americanos e aos amaldiçoados que apoiam os judeus. De acordo com vários relatórios, o movimento também conta com ajuda dos libaneses do Hezbollah.
A nível militar, grande parte dos meios são fornecidos pelas forças fiéis ao antigo presidente Ali Abdullah Saleh. Apesar de ter sido deposto após a revolução de 2011, continua ser uma das principais figuras do país.

Mas as dúvidas são muitas. Um habitante de Sana pergunta porque “tanta destruição…Porque apareceu esta revolta na sociedade do Iémen? Quais são os objetivos desta revolta? E onde nos vai levar? Estes ataques destruiram completamente o país. Até agora não tivemos nada de positivo. Esta agressão liderada pela Arábia Saudita contra nós é injusta. Poderiamos dar uma resposta mais forte mas a grande questão é: porque é que lutamos uns contra os outros?”

Saada, o berço movimento Houthi

A nossa viagem pelo Iémen continua em direção a Saada.
No extremo norte do país, foi nesta cidade que nasceu o movimento Ansar Allah, foi daqui que sairam os primeiros Houthis. Saada foi palco de várias guerras durante o antigo regime.
E agora, mais uma vez, volta a estar no centro de um conflito. Os efeitos da guerra são visíveis em todos os cantos e esquinas da cidade.

O enviado da euronews ao Iémen, Mohamed Shaikhibrahim lembra que “Saada tem um papel muito importante. Para além de ser o principal bastião do movimento Ansar Allah, é uma das cidades mais próximas da fronteira com a Arábia Saudita, o que a torna numa das zonas mais afetadas pelos combates”.

Aqui o nível de simpatia e apoio aos Houthis aumentou nos últimos anos por causa do cerco e destruição a que a cidade foi sujeita ao longo de todos estes anos de conflito.
Um morador da região garante que “o Iémen tem homens fortes e o Iémen vai ser um cemitério para os invasores. Não vamos permitir que avancem para dentro das nossas fronteiras. Vão ser derrotados nesta guerra”.

A Arábia Saudita acusa os Houthis de violar as fronteiras e bombardear as cidades fronteiriças, para além de ocupar os postos de controlo sauditas. Acusações negadas pelos Houthis que garantem que apenas se estão a defender dos bombardeamentose ataques a milhares de civis.

Rasha Mohamed, investigadora da Amnistia Internacional afirma que “todas as partes estão a cometer crimes de guerra: tanto a coligação, como os Houthis, como os grupos anti-Houthis que estão a lutar no terreno. Fomos a todas as regiões, temos dados de ataques no terreno realizados por grupos armados em Aden e em Taiz. Somos obrigados a dizer que nesta altura todas as partes envolvidas cometeram crimes de guerra e devem ser condenados imediatamente pela comunidade internacional”.
De acordo com relatórios de vários organismos internacionais, nomeadamente da Human Rights Watch ou a Amnistia Internacional, entre os arsenais estão bombas de fragmentação que foram largadas em áreas residenciais, provocando a morte e ferimentos em centenas de civis.

Iémen: O paraíso para os negociantes de armas

No Iémen qualquer cidadão comum pode ter uma arma, quase todo o tipo de armas.
Algumas são interditas pelas leis internacionais em zonas habitadas. De acordo com os mesmos documentos, a quantidade de bombas e mísseis que atingiram as diferentes regiões do Iémen não estão de acordo com chamados os princípios de proporcionalidade e de prevenção, princípios que fazem parte das regras da guerra entre as nações.

O enviado da euronews ao Iémen, Mohamed Shaikhibrahim explica que “de acordo com as autoridades locais, os especialistas iemenitas têm muitas dificuldades para lidar com os mísseis e bombas, especialmente com as bombas de fragmentação. O trabalho de desminagem e desarmamento dos engenhos exige equipamentos especiais, que não existem no país por causa do bloqueio a que o Iémen está sujeito”.

Os Houthis acusam a Arábia Saudita e os países da coligação de utilizar vários tipos de armas internacionalmente interditas contra civis e exigem que seja feito uma investigação internacional. O general Yahya al Houthi garante que “entre as bombas utilizadas encontrámos algumas de origem britânica outras francesas, mas a maioria vem dos Estados Unidos. O que foi largado no Iémen, sobretudo na província de Marib, são bombas químicas, bombas de fósforo branco para além de bombas de fragmentação”.

Sempre acompanhados por elementos do grupo Ansar Allah, visitámos uma das montanhas que circundam a capital Sana. Os rebeldes garantem que a região de Jebel faj Attan foi atingida por bombas de neutrões e que provocaram uma enorme destruição na região.

Durante esta visita não nos foram mostradas quaisquer provas sobre a utilização deste tipo de arma de destruição em massa.

Mas o coronel Abdalillah Al Mutamayz afirma que “os especialistas identificaram o tipo de arma usada aqui e garantiram-nos que se tratou de uma bomba de neutrões uma vez que provocou muitos estragos, as montanhas transformaram-se em fragmentos perigosos e atingiu quem morava nas proximidades”.

Esta informação não foi confirmada por qualquer entidade independente e muitos especialista garantem que é impossível tratar-se de uma bomba de neutrões tendo em conta tipo de destruição.
De qualquer forma, a área atingida pela explosão ultrapassa os dois quilómetros. Quanto às vítimas, são centenas, de acordo com fontes do Ministério da Saúde.

Os relatórios divulgados pelas forças da coligação garantem que os bombardeamentos tinham como objetivo destruir depósitos de armas escondidos nas montanhas. Além disso, a força das explosões foi potenciada pelo arsenal que existia nesses depósitos dos Houthis e forças fiéis a Ali Abdullah Saleh.

Um país a morrer de fome

As consequências desta guerra, que conheceu um frágil cessar fogo que não fui nunca respeitado, para a população são devastadoras. A maior parte das cidades do Iémen foram palco de combates. O sofrimento dos civis é impossível de contabilizar e aumenta a cada dia uma vez que os bens de primeira necessidade são escassos.

Um morador da capital explica que “com o bloqueio não tenhos farinha para fazer pão, a água é racionada e não há outros alimentos. A fronteira principal foi bloqueada, a entrada da cidade de Hodeida foi fechada e não entram os navios com ajuda humanitária. As centrais eléctricas do Iémen foram destruídas”.

O Iémen já era considerado um dos países árabes mais pobres, mas guerra agravou o cenário: dos 26 milhões de iémenitas, 21 milhões vive em condições de pobreza. Entre eles 9 milhões sobrevive em condições de miséria sem nada para comer. Um outro morador garante que “há crianças que morrem por causa da seca. Não somos capazes de lhes dar nem sequer um copo de leite. Já vi crianças a morrer à fome, mulheres que abortam porque não ter o que comer. Não temos qualquer tipo de cuidados básicos”.

Muitos iemenitas atingidos por este conflito fazem manifestações semanais em frente às instalações daONU na capital para pedir ajuda e exigir a intervenção da comunidade internacional.

Al Mufti Taiz Sheikh Aqil ibn Sahl, é um dos ansiões de Sana e faz muitas perguntas :
“O que fazem as Nações Unidas pelo Iémen? O que tem feito por nós? Até agora têm sido incapazes de levantar o bloqueio e ajudar-nos com alimentos, medicamentos ou segurança. O que vamos fazer? “

Do lado da ONU há muitas justicações para esta falta de ação. Jamie McGoldrick, representante das Nações Unidas garante que “as restrições à importação de alimentos, medicamentos e combustíveis são difíceis de contornar para o público em geral mas também para nós. Além disso, fizemos um pedido à comunidade internacional de mil e 800 milhões de dólares para ajuda humanitária. Nesta altura, estamos no quinto mês do ano e recebemos apenas 16%.”

Milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar as próprias casas. Outras tantas deixaram mesmo de ter casas. Sobrevivem nos campos de refugiados…onde não existe quase nada. De acordo com as últimas estimativas da ONU, no Iémen há quase três milhões de deslocados.

Uma refugiada entrevistada pela euronews explica que “não temos nada aqui. Não temos roupa, não temos comida, não temos água. A nossa situação é muito difícil, sofremos muito, comemos lixo, temos muitas doenças, passamos fome. Não conseguimos ir aos hospitais. Não nos resta mais nada a não ser pedir a ajuda de Deus…”

http://pt.euronews.com/2016/06/03/iemen-a-guerra-esquecida/

Lutando pelos cristãos e minorias perseguidos