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Egito condena 75 à morte, incluindo líderes da Irmandade Muçulmana

A mídia estatal egípcia disse que um tribunal condenou à morte 75 pessoas, incluindo figuras importantes do grupo Irmandade Muçulmana por sua participação nos protestos de 2013.

A decisão de sábado no Tribunal Penal do Cairo será agora encaminhada ao Grande Mufti, a principal autoridade teológica do país, por sua opinião não vinculante sobre as sentenças. Em geral, aprova a decisão do tribunal.

A sentença para mais de 660 pessoas foi marcada para 8 de setembro, segundo o site estatal de notícias Al-Ahram.

O caso envolve 739 acusados, incluindo o Guia Supremo da Irmandade Muçulmana Mohammed Badie e o fotojornalista Mahmoud Abu Zeid. As acusações variam de assassinatos a danos à propriedade pública.

O ex-presidente islâmico Mohammed Morsi, apoiado pelos protestos em 2013, foi expulso militarmente após protestos em massa contra seu regime divisional de um ano. Morsi veio da Irmandade. As manifestações foram violentamente dispersas.

Com imagem Egyptian Streets e informações Noticias Israel

Judeus na Turquia: Discriminação Sem Fim

◾Casas de judeus em Israel não são obstáculos à paz. O único obstáculo à paz é o ódio dos vizinhos de Israel.

◾Muitos de nós em diversos países no Oriente Médio veem Israel como a única luz de liberdade e democracia em meio à escuridão, terrorismo e ódio na região.

◾O conceito de verdadeira liberdade e democracia parece ser estranho aos antissemitas. Visto daqui parece que muitos desses autoproclamados liberais de mente fechada, não-livre e antidemocrática, possuem um conceito em que invocam o autoelogio ao definirem o que é certo e errado, comparável ao mais déspota dos tiranos.

◾Quando há solidariedade com a Irmandade Muçulmana ou com o Hamas, com os que encarceram, julgam ou açoitam aqueles que se expressam livremente, tais práticas apenas provam a retidão e legitimidade de Israel.

◾Você se defenderia de ataques com foguetes, por qual razão eles não deveriam se defender também? Israel não tem porque se desculpar.

É realmente muito difícil agradar aqueles que odeiam os judeus.

Quando os judeus não são capazes de se defenderem porque não possuem forças armadas, são “covardes” e perseguidos na Turquia e ao redor do mundo. Quando se defendem, graças às forças armadas, são “opressores”.

Para os antissemitas e anti-israelenses, Israel é o problema.

Muitos de nós em diversos países no Oriente Médio, muito pelo contrário, veem Israel como a única luz de liberdade e democracia em meio à escuridão, terrorismo e ódio na região.

Recentemente em 12 de janeiro, Mahmoud Abbas, negacionista do Holocausto e glorificador do terrorismo, teve um encontro com o Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan em Ancara.

Antes disso em 27 de dezembro, o dirigente do Hamas Khaled Mashaal discursou perante o congresso do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), ora no poder, onde afirmou “Inshallah iremos libertar a Palestina e Jerusalém novamente no futuro”.

A multidão no congresso gritava slogans “Mujahid Mashaal”, “Hamas, estou disposto a morrer por você” e “Morte a Israel”!

A questão é a seguinte: o conceito da verdadeira liberdade e democracia parece ser estranho aos antissemitas. Visto daqui parece que muitos desses autoproclamados liberais de mente fechada, não-livre e antidemocrática, possuem um conceito em que invocam o autoelogio ao definirem o que é certo e errado, comparável ao mais déspota dos tiranos. Quando se diz que Israel é “o problema”, fica implícito que a existência de judeus é o problema.

Quando há solidariedade com a Irmandade Muçulmana ou com o Hamas, com os que encarceram, julgam ou açoitam aqueles que se expressam livremente, tais práticas apenas provam a retidão e legitimidade de Israel.

Quando os povos da região dizem, “Morte a Israel” eles estão na realidade dizendo: não queremos democracia, não queremos equidade. Queremos que nosso estado seja supremo e queremos que os judeus não tenham nenhum estado e que sejam indefesos. Não queremos a sabedoria ou os conhecimentos dos judeus. Precisamos apenas de mais escuridão, arrogância e hostilidade. Nós somos o máximo da ignorância e somos felizes assim. E se possível queremos outro Holocausto, do jeito que o Hamas quer. Ao mesmo tempo, com certeza, queremos paz. É assim que entendemos a paz.

Israel é onde os ancestrais dos judeus viveram, estudaram e trabalharam. Os judeus precisam viver lá não apenas livres de massacres, mas também para estudarem à luz de seus ancestrais, que introduziram o que está entre as primeiras leis de justiça social após o código de Hamurabi. Está tudo lá, basta ler. Pagar o dia trabalhado ao anoitecer. Não cozinhar o cordeiro no leite da mãe. Não roubar. Não matar. Há muito mais. Essas são as verdadeiras mensagens de liberdade.

Os judeus são o povo nativo de Israel, eles estenderam a mão da paz aos palestinos e a outros muitas vezes, e foram rejeitados. Você se defenderia de ataques com foguetes, por qual razão eles não deveriam se defender também? Israel não tem porque se desculpar.

Há uma crença popular de que o antissemitismo não foi estimulado na Turquia até que o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), islamista, subiu ao poder em 2002. Mas se olharmos com mais atenção a vida dos judeus na Turquia moderna fica claro que se trata de um mito. A verdade é que ser judeu na Turquia, ao que parece, significa ter sido exposto a mais de 90 anos de discriminação sistemática, inclusive pogroms, assimilação forçada além de proibições de falar seu idioma nativo.

Em 21 de novembro de 2014, o MEMRI (Middle East Media Research Institute Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio) publicou um despacho oficial que não pode deixar de ser lido intitulado: “O Antissemitismo Atinge Novos Patamares na Turquia: Ameaças Contra Judeus Turcos, Manifestações de Admiração a Hitler, Exortações Para Que Os Judeus Sejam Enviados a Campos de Concentração, Os Judeus Deveriam Pagar Um “Tributo Especial”.

“Ao mesmo tempo em que o Presidente Erdogan negava, em seu discurso de 22 de setembro de 2014 no Conselho de Relações Exteriores, que ele ou seu governo eram antissemitas”, o despacho dizia que “membros de seu partido em casa estavam tuitando elogios a Hitler e que lojas em Istambul exibiam letreiros dizendo “Entrada Proibida de Judeus Cachorros”.

Conforme destaca o MEMRI (Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio), é óbvio que no governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP em inglês), o antissemitismo na Turquia está atingindo novos patamares. Essa pavorosa realidade não é consequência apenas do AKP islamista, ela também não é a primeira da história da Turquia.

Os judeus já eram enviados aos batalhões de trabalhos forçados em 1941e 1942, obrigados a pagarem tributos especiais entre 1942 e 1944 além de serem obrigados a se assimilarem na Turquia. Eles eram obrigados a se sujeitarem, sistematicamente, a discursos de incitamento ao ódio na imprensa turca, que também desempenhou seu papel no pogrom antissemita de 1934 na Trácia oriental. Com a aplicação da lei do sobrenome, as crianças judias tiveram que mudar os nomes e sobrenomes e adotarem nomes com sons turcos. Ladino, o idioma dos judeus da Turquia também foi proibido pelo regime turco. Desde 1923, quando a república turca foi estabelecida, os judeus vêm sendo sistematicamente discriminados (como também acontece com todas as demais comunidades não-muçulmanas), isso sem falar que os judeus foram privados da liberdade de ir e vir pelo menos em três ocasiões: em 1923, 1925 e 1927.

A república turca foi fundada pelo assim chamado Partido Republicano Popular (CHP em inglês), secular, agora o principal partido de oposição no parlamento turco.

Embora o antissemitismo durante o regime do AKP tenha sido amplamente divulgado pela mídia, o antissemitismo durante e após o período em que foi estabelecida a república turca, foi amplamente ignorado.

Na Turquia o antissemitismo tem uma longa história que acompanha as autoridades estaduais, formadores de opinião, círculos políticos (tanto de esquerda quanto de direita), grupos islamistas e não-islamistas e em especial a mídia. Nenhuma universidade turca possui um departamento de estudos judaicos tampouco sobre o Holocausto. O restabelecimento do estado judeu em 1948 simplesmente trocou o antissemitismo pelo antissionismo, que nada mais é do que um tipo de antissemitismo implícito e hipócrita.

Desde a época da fundação da República da Turquia em 1923 até 1950 quando ocorreram as primeiras eleições nacionais, essas práticas eram desempenhadas pelos governos não-islamistas do Partido Republicano Popular (CHP), que estabeleceu o estado turco.

É impossível citar todos os incidentes antissemitas ocorridos na Turquia em um único artigo, mas uma breve cronologia dos acontecimentos mais importantes em relação aos judeus ajudaria a compreender que tipo de vida os judeus eram obrigados a suportar durante décadas naquele país.

Antissemitismo Tradicional na Mídia Turca

A historiadora Ayse Hur, fundamentada em textos bem abrangentes do estudioso independente Rifat Bali, reconta algumas campanhas antissemitas da imprensa turca durante as primeiras décadas da república turca.[1]

Em janeiro de 1923, os jornais a Voz Turca (Türk Sesi) e a Terra Queimada (Yanık Yurt), publicados na província de Izmir, convocaram comerciantes turcos a lutarem contra a “ameaça imoral e sórdida dos judeus”. As chamadas alegavam que os judeus eram o celeiro de germes na Turquia, principalmente em Izmir. Logo em seguida a revista satírica Akbaba, engrossou o coro publicando uma série de artigos com títulos chamativos como “você não sabia que você não deveria fazer negócios com os judeus”, e “devemos permitir que esses germes vivam entre nós”?

Em dezembro de 1925, após a disseminação de boatos de que pelo menos 300 judeus teriam enviado um telegrama de felicitações pelas comemorações pela passagem do 435º aniversário da descoberta da América por Colombo, foi iniciada uma campanha antissemita nos principais jornais turcos. Os artigos publicados se referiam aos judeus como “mal-agradecidos” e “parasitas que se aderem às costas do país” sugerindo que a solução seria seu exílio. Alguns, instigados pelos artigos, assassinaram um jovem judeu e atacaram a sinagoga na cidade de Kuzguncuk.[2] Agora, se o dito telegrama existiu, ninguém sabe.

Em janeiro de 1937, as ondas fascistas e nacional-socialistas da Europa chegaram à Turquia: Um escritório de informações alemão foi aberto em Istambul. Os jornais Türkische Post e o Cumhuriyet (A República) começaram a difundir a propaganda nazista.

Em agosto de 1938 o governo emitiu o decreto nº 2/9498 que rezava o seguinte: “os judeus expostos a pressões em termos de condições de vida e de movimentação em seus países natais, estão proibidos de entrarem e morarem na Turquia independentemente da sua religião atual”. Vinte e seis funcionários judeus da Agência de Notícias da Anatólia, na época a única agência de notícias oficial da Turquia, foram demitidos. Houve um espantoso crescimento no número de artigos e caricaturas em jornais e revistas que consideravam as minorias, principalmente os judeus, responsáveis pelos problemas que a Turquia estava passando.

Em 28 de dezembro de 1939, um terremoto de grandes proporções atingiu a província de Erzincan na Turquia matando dezenas de milhares de pessoas. Assim que souberam do terremoto, as comunidades judaicas de Tel-Aviv, Haifa, Buenos Aires, Nova Iorque, Genebra, Cairo e Alexandria angariaram fundos e vestimentas delas mesmas e as enviaram para a Turquia. Em vez de agradecimentos, os artigos e caricaturas ridicularizaram o gesto e ainda aventaram a possibilidade de más intenções.

Em 1948 quando os judeus quiseram ir para o recém criado Estado de Israel, a Turquia e a mídia controlada pelo estado, que anteriormente tinham feito de tudo que estava em seu poder para que os judeus fugissem da Turquia, agora se referiam àqueles que queriam emigrar como “traidores”.

Códigos Ancestrais de Armênios, Gregos e Judeus

Pesquisas realizadas pelo jornal Radikal e entrevistas com autoridades revelaram a saga de um século de discriminação na Turquia. De acordo com as revelações do jornal Radikal, a Turquia vem designando códigos secretos às comunidades armênias, gregas, judaicas, siríacas e demais minorias não-muçulmanas desde o estabelecimento da república turca. A Superintendência Populacional da Turquia codifica os gregos com o número 1, armênios 2 e judeus 3.

“Trata-se de um escândalo que deveria abalar os fundamentos da Turquia, mas o país está por demais ocupado com sua própria agenda,” segundo Orhan Kemal Cengiz, um advogado que trata de direitos humanos e colunista do Al Monitor.

“Dada a história da Turquia, cheia de práticas desleais em relação aos não-muçulmanos, talvez a importância desse escândalo possa ser melhor compreendida por meio de uma comparação. Imagine que se os judeus na Alemanha de hoje fossem identificados secretamente através de uma codificação do governo alemão e que isso viesse a público. Isso se desdobraria em terremoto político de tal magnitude a ponto de abalar o sistema político alemão até as suas raízes. Em contrapartida, o escândalo na Turquia permaneceu no noticiário por apenas alguns dias, em poucos jornais”.

Leis que excluíam judeus e outros não-muçulmanos de determinadas profissões

Já no início de 1923 e 1924 as empresas estrangeiras e bancos eram obrigados a contratar somente cidadãos muçulmanos/turcos e demitir não-muçulmanos. Gregos, judeus e armênios foram demitidos sem receberem o pagamento.

Em 24 de janeiro de 1924, “ser turco” se tornou um requisito para trabalhar como farmacêutico, de acordo com uma nova lei que regia os farmacêuticos.[3]

Em 3 de abril de 1924, de acordo com a nova lei que regia os advogados, 960 advogados foram avaliados no quesito bons costumes. Em consequência da avaliação, licenças de trabalho de 460 advogados foram canceladas. Dessa forma, 57% dos advogados judeus e três a cada quatro advogados gregos e armênios perderam o direito de trabalhar.[4]

No artigo 4º da lei 1926 que trata dos servidores públicos, foi decretado que somente “turcos” poderiam trabalhar em instituições públicas. A lei abrangia todos os funcionários de instituições públicas, de motorneiros a estivadores. Por conta dessa lei milhares de não-muçulmanos perderam o emprego.

Em 1928, novas leis sobre requisitos para que determinados trabalhos pudessem ser exercidos entraram em vigor. De acordo com as leis, somente cidadãos “turcos” poderiam ser médicos, dentistas, parteiras, enfermeiras e assim por diante.

Os “cidadãos turcos”, nessas leis se referiam somente aos “turcos étnicos”. Portanto para poder exercer essas profissões era necessário não apenas ser muçulmano, mas também “turco étnico”.

Em 22 abril de 1926, depois que a lei que tornava o idioma turco o único idioma a ser usado para correspondências comerciais entrar em vigor, os não-muçulmanos que trabalhavam em instituições administrativas e não eram fluentes no idioma turco, foram demitidos.

Em 11 de junho de 1932, o parlamento turco promulgou a lei nº 2007, que proibia estrangeiros de exercerem uma série de profissões. A lei rezava[5]:

os cargos e serviços mencionados abaixo poderão ser exercidos somente por cidadãos turcos. É proibido a todos aqueles que não são cidadãos turcos trabalharem nos seguintes cargos e serviços:

a) vendedor ambulante, músico, fotógrafo, cabeleireiro, barbeiro, compositor; corretor de imóveis, fabricante de roupas, chapéus e sapatos, operador na bolsa, vendedor de produtos sob monopólio estatal, tradutor, guia, trabalhador da construção, trabalhos em madeira e ferro, trabalhar temporária ou permanentemente em veículos públicos, trabalhar nos setores de abastecimento de água, iluminação, correio e telecomunicações, carregamento e contratação (em navios), motorista ou assistente de motorista, assistente em geral, vigia, zelador ou maitre em qualquer empresa, negócio, hotel ou firma, trabalhar em hotéis, motéis, banhos públicos, cafés, garçom em clubes, salões de dança ou pubs, dançarino(a) ou cantor(a) em pubs.

b) ser vegetariano ou químico.

A “lei de ocupações” foi a lei mais radical do governo kemalista depois da proclamação da nova república em 1923.

As proibições empregatícias também foram um grande obstáculo para os refugiados exilados da Alemanha. Eles tentavam encontrar trabalho que não eram proibidos ou fazer uso de brechas legais. Alguns, em especial as mulheres, recebiam autorizações de residência permanente se casassem com turcos. Se as autoridades turcas descobrissem que os casamentos eram de “fachada” as mulheres corriam o risco de serem deportadas.[6]

“Cidadão, Fale Turco!” Campanha, Proibições contra o Idioma Ladino e Assimilação Forçada

Em 13 de janeiro de 1928, a união dos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Otomana (hoje Universidade de Istambul) lançou uma campanha para proibir o uso em público de todos os idiomas menos o turco.

Os organizadores da campanha afixaram pôsteres em diversas cidades da Turquia com o slogan “Cidadão, fale turco!”. Alguns cartazes proclamavam “não podemos chamar de turco aqueles que não falam turco” ou “Fale turco ou deixe o país”! Centenas de pessoas foram assediadas em público, multadas ou presas, com total apoio do governo.[7]

Isil Demirel, antropologista turco, examinou o processo através do qual o idioma turco substituiu o ladino como a língua dos judeus sefarditas na Turquia.[8] “Os judeus foram submetidos a enormes pressões durante a tentativa de difundir o idioma turco nos anos de 1920”, segundo ele. “Uma vez que o idioma turco começou a ser usado pelos judeus no lugar do ladino, também começaram a emergir diferenças culturais entre a velha geração que usava o ladino como língua materna e a nova geração que foi criada com o idioma turco. Ladino, idioma que está morrendo na Turquia de hoje, é usado somente pelos judeus com idade acima dos 50 anos e incorpora uma cultura antiga e enraizada”.

Demirel cita um judeu sefardita que passou pela campanha “Cidadão, Fale Turco”! que diz o seguinte: “quando se falava duas palavras em espanhol (ladino) naquela época, eles imediatamente levantavam as mãos. Ei Madame, Monsieur! Cidadão, fale turco!, gritavam eles, alguns ostentavam cassetetes para intimidar”.

Em outra campanha de assimilação forçada, em novembro de 1932, todos os judeus da província de Izmir foram obrigados a assinar um acordo no qual se comprometiam a “abraçar a cultura turca e falar o idioma turco”. A mesma campanha foi seguida pelas províncias de Bursa, Kiklareli, Edirne, Adana, Diyarbakir e Ancara. Os jornais estavam lotados de relatos sobre meninas judias (e armênias) que estavam se convertendo, em grupos, ao islamismo.

Pogroms Antissemitas de 1934 na Trácia Oriental

Os pogroms, de 21 de junho de 1934, ocorreram nas províncias de Tekirdag, Edirne, Kirklareli e Canakkale na Trácia Oriental, eles foram instilados pelos artigos escritos pelos autores pan-turcos Cevat Rıfat Atilhan e Nihal Atsız. Os pogroms começaram com um boicote aos negócios de judeus, sendo seguidos por ataques físicos contra edifícios de propriedade de judeus, que primeiramente foram saqueados e em seguida incendiados. Judeus foram espancados, atacados, sendo que algumas mulheres judias, segundo se informa, estupradas.

Aterrorizados, mais de 15.000 judeus fugiram da região. Intimidações antissemitas contra as comunidades judaicas em escolas, mercados e instituições estaduais, mesmo depois dos pogroms, continuaram acontecendo. Uma circular “confidencial” enviada pelo escritório central do CHP, no poder na época na Trácia Oriental, também revelou que o governo tinha, no mínimo, avalizado os pogroms.

A Turquia durante o Holocausto

Durante o Holocausto a Turquia abriu suas portas a pouquíssimos judeus e refugiados políticos. Tentativas de muitas personalidades famosas ou organizações judaicas para que a Turquia aceitasse mais refugiados judeus não deram em nada. Esta é a razão pela qual a Turquia não consta das estatísticas de países para onde os judeus se refugiaram.[9]

Em 1937, a Turquia tomou medidas para impedir a imigração de judeus. Quando o número de refugiados judeus aumentou rapidamente em 1938, a Turquia promulgou duas leis que proibiram todos aqueles sem passaporte ou documentos de cidadania de entrarem e se estabelecerem na Turquia. As leis não estavam abertamente relacionadas aos judeus. Mas atrás delas estava a realidade de que a Alemanha e outros países tinham cancelado os direitos de cidadania dos judeus. Em 29 de agosto de 1938 o governo turco emitiu um documento com as diretrizes para impedir que os “judeus cujos direitos foram limitados em seus países” entrassem na Turquia.[10]

Tragédias dos Refugiados Judeus

Os historiadores Corry Guttstadt e Rifat Bali relatam as tragédias dos refugiados judeus que tentavam fugir da perseguição nazista e chegar em Israel, sua pátria histórica, durante o Holocausto.[11]

Em 8 de agosto de 1939, a embarcação Parita, tinha que atracar na província de Izmir, devido a alguns problemas pelos quais estava passando enquanto trazia 800 judeus refugiados da Alemanha, Polônia e Tchecoslováquia para a terra de Israel (na época sob mandato britânico, chamada Palestina). Os refugiados judeus ficaram por uma semana na costa de Izmir sem carvão, água ou alimento. Foi negado um ancoradouro ao navio no porto e o capitão foi finalmente forçado, sob ameaças da polícia turca a seguir viagem.

As revistas satíricas turcas como a Karikatür e a Akbaba ridicularizaram os refugiados judeus que procuravam refúgio pelo mundo afora em vão. A caricatura na capa da revista Akbaba de 24 de agosto de 1939, mostrava os refugiados judeus no Parita. A legenda mostra um dos judeus dizendo: “estamos com fome e sem dinheiro. Pelo amor de Deus, deixe-nos desembarcar por cinco minutos para ficarmos ricos”. Após a embarcação deixar a costa de Izmir, o jornal semi-oficial Ulus dizia: “os judeus que estavam perambulando por aqui finalmente se foram”.

Em 6 de dezembro de 1940, um navio com o nome de Salvador, indo para a terra de Israel de Varna na Bulgária, chegou em Istambul com 327 judeus tchecos e búlgaros a bordo. O Salvador foi forçado a seguir para alto mar em 12 de dezembro apesar do mau tempo, para finalmente afundar devido a uma forte tempestade na costa de Silivri no Mar de Marmara. Como consequência, 204 pessoas se afogaram entre elas pelo menos 70 crianças.

Em 15 de dezembro de 1941, o navio Struma, em um empreendimento para salvar 769 judeus romenos do extermínio alemão, zarpou do porto de Constanza com o intuito de levá-los à terra de Israel, tentou primeiramente aportar em Istambul. O navio não estava apenas superlotado, mas também sem condições de seguir viagem por um defeito nas máquinas. Um banner com os dizeres “Salvem Nos” foi afixado no navio. Por 70 dias durante os meses de inverno entre 1941 e 1942, a Turquia não permitiu que ele aportasse, os que estavam a bordo lutavam contra doenças e mortes na costa de Istambul, perto de Sarayburnu. A âncora do navio foi finalmente cortada e o navio amarrado a um barco piloto para ser rebocado para o Mar Negro.

Sem motores, combustível, alimento, água ou remédios, o Struma foi abandonado à própria sorte e rebocado para o alto mar. Em 24 de fevereiro de 1942 ele foi torpedeado por um submarino soviético às 02h00. Somente uma pessoa sobreviveu. Após o incidente o então Primeiro Ministro Refik Saydam declarou: “a Turquia não pode se tornar a casa daqueles que não são aceitos por ninguém”.

Batalhões de Trabalhadores Não-Muçulmanos (1941 a 1942)

Em 22 de abril de 1941, 12.000 não-muçulmanos, inclusive judeus entre 27 e 40 anos foram enviados, sob um sol escaldante, como soldados a campos sem infraestrutura e com falta de água, infestados de mosquitos, umidade, lama o que acabou espalhando a malária. Os soldados também conhecidos como “as Vinte Classes”, não receberam armas. Eles foram forçados a usarem roupas de lixeiros e a trabalharem por horas intermináveis, sendo insultados e ridicularizados como “soldados infiéis”. Até cegos e deficientes físicos foram convocados. Eles foram forçados a trabalharem sob condições terríveis, em lugares como construção de túneis em Zonguldak e construção do Parque da Juventude em Ancara. Era trabalho pesado, como quebrar pedras e rochas e construção de rodovias nas províncias de Afyon, Karabuk, Konya e Kutahya. As “Vinte Classes” foram dispensadas em 27 de junho de 1942.[12]

“Devido às péssimas condições de trabalho houve mortes e doenças entre os convocados” segundo relato do especialista em assuntos turcos Ruben H. Melkonyan.

O ponto de vista predominante e amplamente difundido sobre a matéria era de que, ao querer participar da Segunda Guerra Mundial, a Turquia reuniu todos os não-turcos não-confiáveis considerados “quinta coluna” em potencial, segundo Melkonyan.

A Lei do Imposto Patrimonial (1942 a 1944)

Em 11 de novembro de 1942, o governo liderado pelo então Primeiro Ministro Sukru Saracoglu, promulgou a lei do Imposto Patrimonial, cujo objetivo declarado era o de superar problemas econômicos que emergiram durante a Segunda Guerra Mundial. 87% dos contribuintes eram não-muçulmanos.

“A verdadeira razão do Imposto Patrimonial era a de eliminar os não-muçulmanos da economia, de acordo com Basak Ince, professora assistente de ciência política.[13]

Os contribuintes foram divididos em quatro grupos separados de acordo com o background religioso:
1.M para muçulmanos,
2.G para não-muçulmanos,
3.E para estrangeiros,
4.D para convertidos.

O montante dos tributos a serem pagos pelos comerciantes armênios era de 232%, pelos comerciantes judeus 179% e pelos comerciantes gregos 156%. Apenas 4.94% dos muçulmanos turcos tiveram que pagar o imposto patrimonial. De modo que os que mais sofriam eram os não-muçulmanos como os judeus, gregos, armênios e levantinos, recaindo sobre os armênios a tributação mais pesada.

O pesquisador turco Ridvan Akar se refere ao imposto patrimonial como genocídio econômico contra as minorias. [14]

A lei também foi imposta sobre não-muçulmanos pobres, como motoristas, trabalhadores e até mendigos, enquanto seus colegas muçulmanos não tinham que pagar nada. Não-muçulmanos tinham que pagar os impostos em 15 dias, em dinheiro. Aqueles impossibilitados de pagar eram enviados a campos de trabalhos forçados na Anatólia oriental.

“E aqueles impossibilitados de pagar foram enviados a um campo em Askale, perto de Erzerum, região mais fria que Moscou no inverno, onde foram obrigados a trabalhar quebrando pedras e rochas”, segundo relata o autor Sidney Nowill.[15]

A historiadora Corry Guttstadt, em seu livro Turkey, the Jews, and the Holocaust (Turquia, os judeus e o Holocausto), escreve que “embora a lei estipulasse que pessoas acima de 55 anos estavam isentas do trabalho, homens de 75 e de 80 anos, até doentes eram arrastados para a estação ferroviária e deportados”.

Esses tributos arruinaram as vidas e as financias de muitas famílias não-muçulmanas, houve inúmeros suicídios de não-muçulmanos em Istambul. “Alguns cometeram suicídio em desespero”, segundo Guttstadt.

Das pessoas que foram enviadas aos campos de trabalho, 21 morreram lá mesmo, o governo turco confiscou seus bens e os vendeu a muçulmanos turcos a preços irrisórios.[16] “O Imposto Patrimonial foi suspenso em março de 1944, devido à pressão da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos”, segundo Ince.

Assassinatos e Julgamentos Injustos

Em 17 de agosto de 1927, Elza Niyego, uma judia de 22 anos, foi esfaqueada até a morte por Osman Ratip Bey, casado, de 42 anos, que a pediu em casamento, mas ela não aceitou. O corpo dela foi deixado na rua por três horas. A mãe de Elza foi impedida de cobrir o corpo de sua filha, uma ordem que despertou uma enorme comoção na comunidade judaica. A multidão que se aglomerou no funeral em 18 de agosto gritava as seguintes palavras de ordem: “Queremos Justiça”! Depois do funeral, cujo número de participantes foi estimado entre 10 e 25 mil pessoas, o jornal Cumhuriyet (República) iniciou uma intensa campanha antissemita. O Cumhuriyet e outros jornais destacavam manchetes que se referiam aos judeus como “os ingratos” ou “os arrogantes”.

No final do julgamento o assassino Osman Ratip Bey foi enviado a um hospício e não para a prisão. Nove judeus e uma testemunha russa do assassinato foram trazidos ao tribunal pelo “insulto turcalhada” resultando em quatro encarceramentos. E mais uma vez a liberdade de ir e vir dos judeus na Anatólia foi negada pelo governo em 29 de agosto de 1927.

Em 30 de janeiro de 1947 todos os membros de uma família judaica de sete pessoas foram encontrados mortos nas redondezas de Kendirli na província de Urfa. A comunidade judaica de Urfa foi considerada responsável pelo assassinato e todos os judeus do sexo masculino foram presos. Do começo ao fim dos julgamentos a população de Urfa boicotou os judeus. Os judeus que foram presos foram libertados três anos depois, mas os judeus de Urfa tiveram que deixar a cidade.

Judeus na Turquia de Hoje:

os judeus na Turquia, mesmo nos governos kemalistas, não-muçulmanos, ficaram expostos, por décadas, à discriminação sistemática. Hoje, sob o governo islamista, eles estão se sentindo inseguros e ameaçados novamente. Muitos da comunidade judaica da Turquia estão saindo do país ou planejando sair, segundo um artigo escrito por um importante homem de negócios da comunidade em dezembro de 2014 para o jornal judaico Salom de Istambul. Mois Gabay, profissional do segmento de mercado de turismo, escreve o seguinte ao se referir ao assassinato do jornalista turco-armênio Hrant Dink em 2007: “nos defrontamos com ameaças, ataques e assédio todos os dias. A esperança está se esvaindo. É necessário que um Hrant seja baleado para que o governo, a oposição, a sociedade civil, nossos vizinhos e juristas enxerguem o que está acontecendo”?

Gabay acrescenta que um número cada vez maior de judeus turcos está planejando mudar juntamente com a família para outro país: “Aproximadamente 37% dos formados no ensino médio da comunidade judaica na Turquia preferem cursar o ensino superior no exterior… Esse número dobrou se comparado com anos anteriores”.

Não são só estudantes que estão começando a pensar em construir uma vida no exterior para suas famílias e filhos, segundo Gabay, mas também jovens empreendedores: “na semana passada, quando eu conversava com dois de meus amigos em ocasiões diferentes, a conversa mudou para as perspectivas de mudarmos para outro país. Em outras palavras, minha geração também pensa mais em sair do país”.

Quando o antissemitismo vira antissionismo

Se existisse um estado judeu quando toda essa perseguição estava acontecendo, os judeus teriam ido para lá em caso de necessidade.

Se existisse um estado judeu antes do Holocausto, os judeus europeus teriam um lugar para se refugiar. Se eles tivessem forças armadas, poderiam ter se defendido dos nazistas.

Depois de toda essa perseguição e discriminação contra os judeus, a tradição antissemita da Turquia ainda continua. Em 2005, o livro Mein Kampf, de Adolf Hitler, se tornou um best-seller na Turquia após ser publicado por 13 editoras.

Casas de judeus em construção em Israel não são obstáculos à paz. O único obstáculo à paz é o ódio dos vizinhos de Israel.

Uzay Bulut, muçulmana de nascença, é uma jornalista turca estabelecida em Ancara.

[1] Hur, Ayse , 8 de fevereiro de 2009, “Isolated (!) Incidents of Anti-Semitism.” jornal Taraf. Taraf Newspaper.
Bali, Rifat (1999). Turkish Jews in the Republican Years – An Adventure of Turkification (1923-1945). Iletisim Publishing House.
Bali, Rifat (2001). The Children of Moses, The Citizens of the Republic. Iletisim.
Bali, Rifat (2004). The Jews of the State and the “Other” Jew. Iletisim.

[2] Ibid

[3] Hur, Ayse, 22 de janeiro de 2012, “The ‘minority report’ of the Republic.” jornal Taraf. Taraf Newspaper.

[4] Ibid

[5] Yabancılara Çalışma Yasağı

[6] Ibid

[7] Bali, Rifat (1999). Turkish Jews in the Republican Years – An Adventure of Turkification (1923-1945). Iletisim Publishing House. Ince, Basak (2012). Citizenship and Identity in Turkey: From Atatürk’s Republic to the Present Day. I. B. Tauris.

[8] Demirel, Isil (2011). “Ladino: Turkey is Forgetting a Language.” Atlas Magazine. Atlas Magazine.

[9] Türkiye’de Sürgün

[10] Ibid

[11] Guttstadt, Corry (2013). Turkey, the Jews, and the Holocaust. Cambridge University Press. Bali, Rifat (2004). The Jews of the State and the “Other” Jew. Iletisim.

[12] Bali, Rifat (2008). The Twenty Classes: The Episode of Military Service of Non-Muslims during the Second World War. Iletisim Publishing House.

[13] Ince, Basak (2012). Citizenship and Identity in Turkey: From Atatürk’s Republic to the Present Day. I. B. Tauris.

[14] “Report: The law that coveted the ‘wealth’ of minorities,” by Zeynep Ozakat, Milliyetnewspaper, 15/12/2009.

[15] Nowill, Sidney E. P. (2011). Constantinople and Istanbul: Constantinople and Istanbul: 72 Years of Life in Turkey. Matador.

[16] Ince, Basak (2012). Citizenship and Identity in Turkey: From Atatürk’s Republic to the Present Day. I. B. Tauris.

Por Uzay Bulut

http://pt.gatestoneinstitute.org/5265/judeus-turquia-discriminacao

Corte egípcia confirma sentença de morte para Mursi

Ex-presidente foi condenado por fugir da prisão e comandar ataques em 2011. Irmandade Muçulmana convoca levante popular.

CAIRO — Uma corte egípcia confirmou nesta terça-feira sentença de morte para o ex-presidente islamita Mohammed Mursi por fugir da prisão e comandar ataques em 2011. Em outra decisão, o mesmo tribunal condenou Mursi à prisão perpétua por conspirar a favor do movimento palestino Hamas, do grupo libanês Hezbollah e do Irã. O presidente deposto, que é julgado em cinco processos, pode apelar da pena capital. A Irmandade Muçulmana, grupo ao qual Mursi pertence, descreveu as decisões como “nula e sem efeito” e apelou por um levante popular na sexta-feira.

A corte deveria ratificar ou invalidar a sentença de morte nesta terça-feira, cuja condenação foi emitida em 16 de maio. O líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, também foi condenado à morte no mesmo processo. A mesma sentença foi dada ao influente clérigo Sheikh Youssef al-Qaradawi, julgado à revelia.

A confirmação da pena chega depois que o tribunal consultou o grão-mufti, a maior autoridade religiosa do país na interpretação da lei islâmica, a quem o governo concede um papel consultivo.

Mursi já havia sido condenado a 20 anos de prisão em um julgamento pela violência contra os manifestantes durante seu curto mandato de um ano.

Após a condenação, um membro sênior da Irmandade Muçulmana disse que o julgamento tinha “derrubado todas as normas internacionais”.

— Este veredicto é um prego no caixão da democracia no Egito — afirmou Yahya Hamid, um ex-ministro do gabinete de Mursi e chefe de relações internacionais da Irmandade Muçulmana, em entrevista coletiva em Istambul.

A sentença também foi fortemente criticada pelo presidente turco, Tayyip Erdogan, que a classificou de um “massacre da lei e dos direitos básicos”.

“Apelamos à comunidade internacional a agir para retirar essas sentenças de morte, dada sob as instruções de um regime golpista, e para pôr fim a este caminho que poderia comprometer seriamente a paz da sociedade egípcia”, disse Erdogan em um comunicado.

ESPIONAGEM

Pouco antes da confirmação da pena de morte, a corte declarou culpados o ex-presidente e os 34 coacusados por fornecer relatórios de segurança ao Irã, assim como de espionagem a favor do Hamas e do Hezbollah “para cometer ataques terroristas no país com o objetivo de espalhar o caos e derrubar o Estado”. A sentença de prisão perpétua equivale no Egito a 25 anos de prisão.

Em 16 de maio, Mursi e mais outros cem réus haviam sido condenados à morte por matar e sequestrar policiais, atacando instalações e quebrando presídios durante a revolta que tirou o então presidente Hosni Mubarak do poder, em 2011.

Mursi foi o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito e foi derrubado pelo Exército em 2013. Ele disse que o tribunal não era legítimo, descrevendo os processos contra ele como parte de um golpe de Estado liderado pelo ex-chefe do Exército Abdel Fattah al-Sisi.

Sisi, agora presidente, diz que a Irmandade Muçulmana representa uma grave ameaça à segurança do Egito.

http://oglobo.globo.com/mundo/corte-egipcia-confirma-sentenca-de-morte-para-mursi-16456986

Is Islamic State ‘secondary priority’ for Saudi Arabia?

Al-Qaeda benefits from Yemen conflict

Last week the Islamic State (IS) seized control of both Ramadi in Iraq and Palmyra in Syria while taking credit for a suicide bombing at a Shiite mosque in Saudi Arabia’s Eastern Province, which killed at least 21, forcing the Obama administration to rethink its strategy toward the terrorist group.

Despite the terrorist attack on Saudi soil, Bruce Riedel is not convinced there is a comparable effort at rethinking in Riyadh, writing that IS is a “secondary priority” for the kingdom relative to its military campaign against Houthi insurgents in Yemen.

The United Nations human rights office on May 22 noted the “massive destruction of civilian infrastructure” as a result of the civil war and Saudi airstrikes, observing that more than 1,000 civilians have died in the conflict since March.

In addition to airstrikes, Saudi efforts to build a Yemen military force to defeat the Houthi insurgents is lagging and, Riedel notes, “even if this approach gains momentum, it will only lead to a brutal civil war in Yemen much like Libya, Syria and Iraq in which al-Qaeda and its offshoots will be the main beneficiaries.”

There is an analogy in the kind of mistake between on the one hand what the Saudis are doing when they make IS their distant priority and instead focus primarily on defeating the Houthis nearby and the Assad government from a distance, and on the other hand, the similar approach early in the Syrian war when Assad focused his war on the Free Syrian Army and its partners while ignoring gains made at the time in Syria and on the Turkish and Iraqi borders by extremist groups later to be called IS.

Riedel writes that there are “mutterings around the Gulf states now that the Saudi leadership is impulsive and rash. The Saudis have traditionally been very conservative and risk-averse. From Faisal to Abdullah, Saudi kings were cautious and careful. Now there is hushed talk of a team out of its depth with no plan for an endgame. No one wants to say openly that Riyadh is in a quagmire, but Oman’s decision to opt out of the war is increasingly seen as a smart decision.”

Riedel observes that “Saudi rhetoric is also getting more extreme. While Crown Prince Mohammed bin Nayef and the king’s son were at Camp David filling in for the king, the king was meeting with ultra-conservative members of the Wahhabi clerical establishment who have proclaimed the war a holy mission. After snubbing US President Barack Obama, the king spent his time with clerics who back slavery, object to modern astronomy and regard Shiites as unbelievers.”

It is worth noting that the US-Gulf Cooperation Council Joint Statement “underscored the imperative of collective efforts to counter al-Qaeda in the Arabian Peninsula, and emphasized the need to rapidly shift from military operations to a political process,” a perhaps not-so-indirect reference to the disastrous consequences of the conflict for regional counterterrorism efforts and the Yemeni people.

Riedel warns that the Saudi campaign is an eventual loser for Washington: “Without US help, the Saudis simply could not sustain the air campaign. The Saudis depend on US and British corporate support to maintain their aircraft, they need intelligence to find their targets and they need resupply to replace munitions. So Washington is dragged steadily deeper into a war it did not seek.”

Velayati: No deal on Assad

Ali Akbar Velayati, president of the Iranian Expediency Council’s Center for Strategic Research and a close adviser to Supreme Leader Ayatollah Ali Khamenei, reportedly told Lebanese leaders in private meetings in Beirut on May 18 that while Iran may conclude a nuclear agreement with the P5+1 countries, there will be no changes or concessions in Iran’s regional policies.

Jean Aziz reports that according to sources, Velayati stressed two points about a possible nuclear deal: “First, the time needed to ratify the Iranian-US agreement could be relatively long, and may take more than a matter of weeks. Second, this agreement will not include any Iranian concessions on regional issues that concern Tehran.”

Aziz adds that Velayati reportedly conveyed a sense of optimism and momentum about Iran’s regional policies with Lebanese officials, stressing “that any talk about a potential deal entered into by Tehran at the expense of its ally, President Bashar al-Assad, in Damascus was untrue. … Meanwhile, other victories will be made in Iraq and the counter-axis will face setbacks in Yemen, according to the source.”

Erdogan plays Egypt card

Turkey holds elections for its Grand National Assembly, or parliament, on June 7, with the ruling Justice and Development Party (AKP) campaigning as both firewall and victim, despite Recep Tayyip Erdogan serving as prime minister or president for the past 13 years.

Mustafa Akyol writes that Erdogan has championed the cause of former Egyptian President and Muslim Brotherhood leader Mohammed Morsi, who was sentenced to death May 16, as a means to define the AKP as a bulwark against the “conspiracies” that toppled Morsi and threaten Turkey and the region.

“Like most of the Tamarod folks, Gezi Park protesters were liberal or secular people whose stance against the Islamists received some sympathy in Western media,” Akyol writes. “This was enough for the AKP to link these two separate events, and to imagine a Western (and Israeli) conspiracy behind them to topple the elected Islamists in both Egypt and Turkey.”

Akyol continues, “That is why today the typical AKP supporter believes that his political line is the one that is attacked and the oppressed. Although Erdogan has been in power for 13 years, and has accumulated power unprecedented since the time of Ataturk, the oppression of the Muslim Brotherhood in Egypt provides him and his supporters a strong sense of victimhood. As a result, they completely disregard opposition views that the AKP is the real oppressor and that the opposition is the truly oppressed.”

Cengiz Candar and Fehim Tastekin report that the pro-Kurdish People’s Democracy Party (HDP) has faced harassment and attacks heading into the election, as Turkey’s Kurds, which once supported the AKP in substantial numbers, are now shifting to the HDP.

“At the end of last week, social media reported that 122 attacks had targeted HDP election offices and bureaus in 60 of Turkey’s 81 provinces, or three-fourths of the country,” Candar writes.

Sibel Hurtas writes that Armenian youths took to the streets to protest the demolition of an Armenian orphanage camp complex, a possible sign of increasing political activism among Turkey’s Armenian citizens.

The plight of Syrian refugees is also polarizing Turkish citizens. Syrian refugees in Turkey are becoming targets of social and economic grievances, according to Semih Idiz.

“Public anger is not only being stirred by Syrian beggars becoming permanent features on the streets of cities and towns, but also because the refugees are undercutting already low wages and forcing up rents in mainly lower-income districts because of the increased demand for housing they create,” Idiz writes.

Idiz reports on a recent poll that showed that “more than 70% believe that the Syrians will create lasting problems for the country, while nearly 50% think the government’s management of the refugee crisis has not been satisfactory. These figures appear to suggest that most of those who believe it is right to help the Syrians also feel the refugees should be sent home as soon as conditions in Syria permit. What is clear is that if Ankara continues to maintain an open-door policy toward the Syrians without introducing concrete measures to counter the policy’s adverse social and economic effects, tensions between locals and refugees will continue to boil over, resulting in ugly scenes across the country like those of the past few weeks.”

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2015/05/isis-yemen-saudi-arabia-assad-lebanon-hdp-turkey-elections.html#ixzz3bCt9bJ5b

Egito confirma pena de morte para líderes da Irmandade Muçulmana

Justiça irá executar Mohammed Badie e outros 13 dirigentes do grupo.
Membros foram acusados de fazer operações para enfrentar autoridades.

Um tribunal do Egito confirmou neste sábado (11) a pena de morte para o líder da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, e outros 13 dirigentes do grupo acusados de estabelecer a “sala de operações de Rabba” para fazer frente às autoridades do país.

O tribunal, que já tinha determinado a condenação no último dia 16 de março, confirmou a sentença de morte por enforcamento depois de o caso ser remetido ao mufti Shauqi Alam, a máxima autoridade religiosa do Egito, que devia oferecer seu parecer não vinculativo de acordo com a sharia (lei islâmica).

Além do líder do grupo, foram condenados também outros integrantes do alto escalão da Irmandade Muçulmana como Mohammed Gazlan, Mustafa al Ganini e Saad al Hosseini.

Todos são acusados de comandar operações para enfrentar as autoridades locais e propagar o caos depois do desmantelamento dos acampamentos de protestos nas praças de Rabaa al Adauiya e Al Nahda, no Cairo, em agosto de 2013.

Badie, assim como outros dirigentes da Irmandade Muçulmana, já tinham sido condenados à morte em outros processos por instigar a violência e ter envolvimento nos distúrbios ocorridos no país.

Os 14 citados fazem parte de um total de 37 processados neste caso. Os demais réus foram condenados à prisão perpétua, segundo indicou a agência estatal “Mena”.

Imagem de arquivo mostra Mohamed Badie, chefe da Irmandade Muçulmana, no Egito (Foto: AFP PHOTO / GIANLUIGI GUERCIA)Imagem de arquivo mostra Mohamed Badie,
chefe da Irmandade Muçulmana, no Egito
(Foto: AFP PHOTO / GIANLUIGI GUERCIA)

Centenas de pessoas foram condenadas à morte no último ano no Egito em grandes julgamentos que as organizações de direitos humanos criticaram por não respeitarem os princípios de um protesto justo e pela gravidade das penas, entre outros motivos.

Alguns dos casos mais polêmicos ocorreram na cidade de Al Minia, ao sul do Cairo, onde centenas de islamitas foram sentenciados à pena capital, entre eles Badie, em poucos meses.

Nenhuma dessas penas tinha sido aplicada até 7 de março, quando um islamita foi executado na forca após ser condenado por assassinato durante os protestos pela derrubada do presidente Mohammed Mursi, em julho de 2013.

Desde o golpe militar contra Mursi, líder da Irmandade Muçulmana, as autoridades perseguiram os simpatizantes, integrantes e líderes do grupo, declarado posteriormente como organização terrorista.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/04/egito-confirma-pena-de-morte-para-lider-da-irmandade-muculmana.html