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Macaco arranca véu de menina numa tribo muçulmana líbia e gera conflito com 16 mortos e 50 feridos

Quatro dias de confrontos entre milícias tribais rivais na cidade líbia de Sabha deixaram pelo menos 16 pessoas mortas e 50 feridos. A violência teria sido desencadeada por um macaco que arrancou o véu de uma menina.
O macaco, que pertencia a um comerciante da tribo Gaddadfa, tirou a vestimenta de uma estudante da tribo Awlad Suleiman que estava passando com um grupo de outras meninas, informou a Reuters, citando moradores locais.

Os combatentes Awlad Suleiman retaliaram em resposta, matando três membros da tribo Gaddadfa juntamente com o macaco em uma onda de violência envolvendo armas pesadas.

“Houve uma escalada no segundo e terceiro dias com o uso de tanques, morteiros e outras armas pesadas”, disse um morador local à agência por telefone, acrescentando que “ainda há confrontos esporádicos e a vida é completamente fechada nas áreas onde têm havido lutas “.

Sabha está localizado em uma parte tribal do sul da Líbia. Como outras partes do país, o local continua atormentado pela violência entre facções rivais. A região é também um importante centro para o contrabando de armas, tráfico de refugiados e outras atividades ilegais. Os Gaddadfas e os Awlad Suleiman são as duas facções mais poderosas na região de Sabha.

No domingo, o Centro Médico Sabha recebeu os corpos de 16 pessoas mortas nos confrontos, bem como cerca de 50 feridos, disse um porta-voz da instalação.

“Há mulheres e crianças entre os feridos e alguns estrangeiros de países da África subsaariana entre os mortos devido a bombardeios indiscriminados”, disse ele.

Depois de ser um dos países mais ricos do norte da África, a Líbia mergulhou no caos depois que uma revolta apoiada pela OTAN derrubou o poderoso Muammar Gaddafi em 2011. O país é agora um importante centro de contrabandistas humanos que transportam refugiados de toda a região para a Europa.

https://www.rt.com/news/367580-monkey-headscarf-clashes-libya/

Cristãos líbios resistem à perseguição

Atualmente, a Líbia é uma nação dirigida por três governos rivais, motivo que torna a situação da população ainda mais complicada, já que não há governantes focados em resolver as questões pendentes do país, mas em se manter no poder. Ore por essa situação.

Peça a Deus para interferir nos corações e nas mentes dos perseguidores, que eles abandonem seus maus caminhos e sintam-se necessitados da presença de Jesus em suas vidas. Os cristãos líbios têm sido muito maltratados por eles e a violência está se espalhando rapidamente.

Interceda pelos refugiados que vivem no país e também por aqueles que fugiram em busca de uma nova vida, em outras regiões. Que todos eles encontrem grupos de oração onde possam ser fortalecidos na fé e que consigam participar de cultos, ainda que sejam clandestinos. Ore para que eles não se sintam sozinhos e que entre os novos irmãos encontrem amor e acolhimento.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/11/cristaos-libios-resistem-a-perseguicao

Líbia: Cristãos são considerados infiéis e recebem ameaças de morte

Há relatos de um jovem de 18 anos que se converteu recentemente e seus pais o enviaram a uma clínica psiquiátrica. Esse caso é como uma “brecha na parede” que nos faz ter só uma ideia de como os cristãos são reconhecidos na Líbia

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Nas terras de Cirene, onde morava Simão, aquele que carregou a cruz de Jesus conforme descreve a Bíblia, região onde hoje é a atual Líbia, sabe-se que os cristãos vivem em extrema perseguição. A nação que ocupa o 10º lugar na atual Classificação da Perseguição Religiosa, apesar de sua longa herança cristã, hoje está praticamente dominada pela presença do islã, que não permite nenhuma forma de evangelismo e a simples menção do nome de Cristo é o motivo que faz disparar a ira e a violência contra seus seguidores.

Depois que a Primavera Árabe se alastrou também como uma tempestade destrutiva sobre a Líbia, e o ex-presidente Gadaffi foi morto em sua terra, se tornou ainda mais difícil a entrada de ocidentais no país. Não há igrejas disponíveis para a reunião dos cristãos que sobreviveram lá, o que há são cristãos espalhados, escondidos e que vivem sua fé de maneira secreta. As estatísticas falam de 20 e 25 mil cristãos, mas não é possível saber sobre os novos convertidos, principalmente depois de 2014, quando o grupo extremista Estado Islâmico se instaurou e ganhou apoio de outras facções islâmicas. A questão é: como vivem nossos irmãos líbios?

As notícias mostram um cenário cada vez mais violento e uma política agressiva, com praticamente três governos lutando entre si pelo poder. O maior número de cristãos é de estrangeiros, africanos subsaarianos ou egípcios que estão tentando ganhar a vida no país. Trata-se de uma igreja jovem e pequena, da qual a Portas Abertas conseguiu ter acesso apenas a 150 membros, e em grande sigilo. Eles se reúnem em igrejas domésticas, são muito hostilizados pela sociedade e, tratados como “estranhos” pela própria família. Há relatos de um jovem de 18 anos que se converteu recentemente e seus pais o enviaram a uma clínica psiquiátrica. Esse caso é como uma “brecha na parede” que nos faz ter só uma ideia de como os cristãos são reconhecidos na Líbia.

Além disso, eles enfrentam uma grande pobreza, falta de emprego por causa da discriminação e, normalmente, vivem unidos em imóveis alugados, o que os torna ainda mais vulneráveis. O grupo de cristãos etíopes que foram mortos em uma praia da Líbia, no ano passado, era de migrantes que compartilhavam a mesma casa. A matéria Estado Islâmico executa cristãos etíopes, divulgada na época, fornece outros detalhes. De lá para cá, a Líbia se tornou um lugar ainda mais perigoso e hostil para a igreja de Cristo. Mesmo assim, ainda há pessoas que se decidem pelo cristianismo e não olham para o risco, mas se convertem confiando no Senhor e nas orações de sua nova família em Jesus.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/07/como-vivem-os-cristaos-na-libia

Anistia Internacional denuncia rotina de abusos sexuais a refugiadas na Líbia

Imigrantes relataram realidade de tortura e violência em ponto-chave da rota da imigração

RIO — Assassinato, cativeiro, perseguição religiosa e exploração sexual. Este é o pesadelo enfrentado pelos refugiados que passam pelo território líbio enquanto tentam escapar da guerra e da pobreza em seus países de origem. A Anistia Internacional recolheu depoimentos de imigrantes sobre os sofrimentos desumanos a que já foram submetidos por traficantes e grupos armados na Líbia. E, para as mulheres, os abusos sexuais sistemáticos parecem uma realidade praticamente inevitável neste longo caminho: elas já tomam anticoncepcionais antes de viajar, como medida de precaução para o momento em que se depararem a esta difícil realidade.

“A Líbia está cheia de crueldade” foi o nome escolhido para o relatório da organização humanitária publicado nesta sexta-feira. As entrevistas incluíram conversas com 90 imigrantes, que conseguiram chegar a centros de acolhimento a refugiados à Puglia e à Sicília, duas regiões da costa italiana. Eles haviam sobrevivido aos abusos na Líbia e às perigosas travessias que já fizeram milhares de vítimas no Mediterrâneo.

— Desde terem sido sequestrados, encarcerados durante meses embaixo da terra e sofrir abusos sexuais de grupos armados até serem golpeados, explorados ou baleados por contrabandistas de pessoas, traficantes ou grupos criminosos, os refugiados e imigrantes descreveram em assustadores detalhes os horrores que foram obrigados a suportar na Líbia— disse Magdalena Mughrabi, representante da Anistia Internacional.

A Anistia Internacional conversou com 15 mulheres, que relataram uma vida de medo constante dos estupros durante a jornada na costa líbia. A médicos, psicólogos e assistentes sociais, muitas delas disseram que já se preocupavam em tomar anticoncepcionais para evitarem uma possível gravidez decorrente destes abusos. A maioria destes crimes é cometida pelos traficantes de pessoas ou por membros de grupos armados — muitas vezes enquanto elas são mantidas em casas privadas ou armazéns abandonados.

ESTUPROS SISTEMÁTICOS

Aos 22 anos, a jovem eritréia Ramya relatou ter sido estuprada duas vezes por traficantes enquanto era mantida em cativeiro em um campo perto de Ajdabya, no Nordeste da Líbia, após ter entrado no país em março de 2015.

— Os guardas entravam, escolhiam qual mulher eles queriam e a levavam para fora. As mulheres tentavam recusar mas, quando você tem uma arma apontada na sua cabeça, você não tem de verdade uma escolha se você quer sobreviver. Eu fui estuprada duas vezes por três homens. Eu não queria perder a minha vida — disse.

Outras mulheres contaram ter testemunhado uma série de estupros em meio à sensação de medo instaurada entre os refugiados. Uma das histórias é a de uma jovem que foi abusada por cinco homens de uma vez, porque um dos contrabandistas achou que ela não tinha pagado pelo transporte. As testemunhas relatam que, embora este fosse um engano do traficante, ninguém teve coragem de impedi-lo.

Antoinette, de 28 anos, também disse ter sido mantida em cativeiro recentemente durante sua fuga de Camarões, em abril de 2016:

— Eles não ligam se você é uma mulher ou uma criança. Eles usavam varas para nos bater e atiravam no ar. Talvez porque eu tinha uma criança eles não me estupraram, mas eles estupraram mulheres grávidas e solteiras. Eu vi isso acontecer.

SEM ÁGUA, SEM COMIDA

Outros refugiados contaram diversos tipos de dramas enquanto atravessavam a Líbia. Não raro, eles são mantidos em condições deploráveis: sem água e comida, agredidos, abusados e insultados. As suas famílias são pressionadas a pagar pelo seu resgate. E, quem não tivesse o dinheiro, deveria trabalhar de graça sob regime forçado para quitar a dívida. Tudo isso embaixo de tortura e pressão psicológica.

Vindo da Eritreia, Semre, de 22 anos, disse ter visto quatro pessoas morrerem de doenças e fome enquanto eram mantidas em cativeiro até que suas famílias pagassem pelo seu resgate. Dentre elas, havia um menino de 14 anos e uma mulher de 22 anos.

— Ninguém os levou ao hospital, então nós mesmos tivemos que enterrá-los.

Em seu relatório, a Anistia Internacional fez um apelo para que o governo de unidade nacional da Líbia, que é apoiado pelas Nações Unidas, volte os olhos ao drama humanitário que recai sobre a migratória. A ONG também pediu que a comunidade internacional tome ações para atacar os fatores que geram os fluxos migratórios e aumentar o número de pessoas recebidas no exterior.

— O governo de unidade nacional deve pôr fim aos abusos cometidos por suas proprias forças e milicias aliadas. E deve garantir que ninguém, incluindo membros de grupos armados, continuem a cometer graves abusos, incluindo possíveis crimes de guerra, com impunidade — afirmou Magdalena.

Centenas de milhares de pessoas viajam à Libia enquanto fogem, sobretudo, de países da Ádruca Subsaariana. Na esperança de chegar aos países europeus, eles tentam deixar para trás a guerra, a perseguição e a extrema pobreza. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), atualmente há mais de 264 mil refugiados e imigrantes no território líbio. A Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que 4.937 pessoas morreram enquanto tentavam cruzar o Mediterrâneo da Líbia para a Europa desde 19 de abril de 2015.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/anistia-internacional-denuncia-rotina-de-abusos-sexuais-refugiadas-na-libia-19623760#ixzz4DJ0HRRCw
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Decapitações, crucificações e escassez de alimentos: a vida sob comando do ISIS em Sirte

Desde que assumiu o controle em fevereiro do ano passado, o grupo Estado Islâmico (EI) tem realizado dezenas de execuções – decapitando e atirando em cativos – na cidade costeira líbia de Sirte, segundo dito nesta quarta-feira pela Human Rights Watch.

Os militantes executados são opositores políticos, combatentes rivais, bem como dezenas de supostos espiões, bruxas e infiéis, de acordo com documentário “We Feel We Are Cursed: Life under ISIS in Sirte”

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Cristãos líbios pagam um preço altíssimo para seguir a Cristo

As punições impostas aos líbios são desumanas, incluindo amputação de membros, crucificação e decapitação. Os cidadãos líbios são inclusive obrigados a frequentar aulas de reeducação islâmica

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Recentemente, a BBC News informou que os Estados Unidos fizeram um acordo com a ONU a fim de apoiar a Líbia na luta contra o Estado Islâmico. O país vem sofrendo sérios ataques e os combatentes estão ganhando espaço na política, impondo suas leis, incluindo até mesmo regras de vestuário para homens e mulheres, alterando o conteúdo pedagógico das escolas e estabelecendo o poder de uma “polícia religiosa” pelas ruas. As punições impostas por eles são desumanas, incluindo amputação de membros, crucificação e decapitação. Os cidadãos líbios são inclusive obrigados a frequentar aulas de reeducação islâmica.

Esse cenário dificulta ainda mais a vida dos cristãos líbios. “É difícil imaginar que a situação vá melhorar, é mais provável que os partidos islâmicos, que são hostis à liberdade religiosa, dominem cada vez mais e comecem a ‘fechar’ o país”, comenta um dos analistas de perseguição. O acesso ao país já é perigoso para os jornalistas e o contato com as pessoas tem sido limitado. Muitos estão fugindo do país para tentar uma nova vida em outro lugar e os que ficam têm enfrentado uma séria crise financeira que se alastrou pela Líbia. De acordo com a BBC, tem faltado até mesmo medicamentos nos hospitais

“A matança é inacreditável. Eu perdi nove primos e dois vizinhos. Um dos meus primos foi crucificado, outro foi decapitado e outro morreu durante um incidente, por um tanque de mísseis”, comenta um dos moradores de Sirte, uma cidade importante da Líbia, que foi destruída e saqueada ao final da guerra civil no país em 2011 e depois tomada pelo Estado Islâmico em 2015. De acordo com alguns moradores, o grupo estava mais focado em conquistar a fidelidade e a obediência da sociedade tribal de Sirte, mas agora o objetivo principal é implantar a sharia (lei islâmica) e impor seus conceitos religiosos a todos. Ore pelos cristãos líbios e interceda por eles.

Fonte: Portas Abertas.

 

 

 

Chanceler britânico alerta para cooperação entre EI e Boko Haram

Philip Hammond teme que presença de grupo jihadista na Líbia fortaleça ações de extremistas nigerianos

ABUJA — Jihadistas do Boko Haram podem reforçar a cooperação com o Estado Islâmico (EI) caso o grupo consiga fortalecer sua presença na Líbia, afirmou um funcionário do governo britânico neste sábado à agência Reuters. No ano passado, o Boko Haram, que há sete anos trava um conflito no Norte da Nigéria, jurou lealdade ao Estado Islâmico.

— Se o EI estabelecer uma presença mais forte na Líbia, criará uma rota uma rota de comunicação direta, que acabará intensificando a cooperação prática entre os dois grupos — disse o ministro do Exterior britânico, Philip Hammond em uma conferência de segurança na Nigéria.

Na sexta-feira, um funcionário do alto escalão do governo americano afirmou que ainda não havia sinais de que combatentes nigerianos estivessem seguindo para a Líbia.

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Líbia: Um país perigoso demais para ser cristão

Muitos já morreram corajosamente pelo nome de Cristo e o país foi um dos cenários mais marcantes na história da igreja atual

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A Líbia que é o 10º país na Classificação da Perseguição Religiosa tem enfrentado uma violência cada vez mais intensa nos cenários sociais. A forma como os cristãos líbios lidam com a perseguição, mesmo em meio ao caos político, é uma verdadeira lição para o cristão livre de perseguição. Muitos já morreram corajosamente pelo nome de Cristo e o país foi um dos cenários mais marcantes na história da igreja atual, onde o mundo todo pôde ver a cena de 21 cristãos sendo executados, em seus uniformes cor de laranja, na beira do mar. E, apesar disso, das perdas e da tristeza que fica, a igreja líbia cresce, fazendo aumentar a fé dos cristãos que sobrevivem e alcançando mais corações convertidos.

De acordo com um relatório da agência de notícias France Presse (AFP), no dia 24 de fevereiro, o Parlamento Internacional da Líbia não aprovou o estabelecimento de um novo governo de unidade. As preocupações de segurança e ameaças contra os membros do parlamento tornou impossível a realização de uma sessão formal. “Isso vai prolongar a instabilidade na Líbia, que já tem sido um país muito perigoso para os cristãos”, comenta um dos analistas de perseguição.

Informações do The Guardian indicam que as forças especiais francesas se estabeleceram na Líbia para apoiar o governo na luta contra o Estado Islâmico (EI). A força aérea dos EUA chegou a realizar ataques aéreos contra uma suposta instalação que servia como um campo de treinamento do EI. Como consequência, mais de 40 pessoas foram mortas, incluindo um militante que parecia estar envolvido em ataques terroristas na Tunísia, no ano anterior. “Essas notícias da presença do EI na Líbia tem sido constante e o exército deles está crescendo a cada dia”, observa o analista.

Interceda por eles.

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Trípoli, um feudo de milícias sitiado pelo Estado Islâmico

TRÍPOLI – Em Trípoli, mal se veem estrangeiros. Às 22h todo mundo procura estar em casa. “Há policiais por toda parte, mas não servem de nada”, queixa-se um recepcionista que há pouco mais de um ano, em 27 de janeiro de 2015, estava no hotel Corintia quando vários terroristas do Estado Islâmico (EI) mataram dez pessoas, quase todas estrangeiras. Dias antes, um carro-bomba detonado perto do hotel havia deixado seis feridos.

À ameaça do EI é preciso acrescentar a dos sequestros, que há anos se transformaram em uma rentável atividade econômica, de maneira nenhuma restrita apenas a Trípoli. Há inclusive quem diga que atualmente há menos casos do que há dois anos. Mas, na semana passada, passou-se a um outro nível de truculência. Abdullah Dagnoush, de 12 anos, que havia sido sequestrado dois meses antes em frente à sua casa, no município de Wirshiffana, 30 quilômetros a oeste de Trípoli, apareceu pendurado em uma árvore. Seu pai não conseguiu juntar o resgate exigido, que era de 500.000 dinares (1,42 milhão de reais, pelo câmbio oficial). Os sequestradores torturaram o menino, mataram-no e o penduraram como aviso aos navegantes.

A espanhola Carmen López (nome fictício) chegou a Trípoli com 24 anos, e hoje tem 57. Trabalhava no setor turístico durante a ditadura de Muamar Kadafi e atualmente é professora de idiomas. “Tenho um aluno cujo primo foi sequestrado. O carro do meu marido foi roubado à mão armada, em plena rua, e ninguém fez nada para identificar os criminosos. Quanto ao Estado Islâmico, a pergunta que todos se fazem aqui é quem os trouxe e por que estas tropas que controlam a cidade não os combateram.”

Há em Trípoli três milícias que controlam a cidade: a de Haithem al Tajouri, na zona leste, a Ghinawa, na zona sul, e a Al Raddah. Esta última, que tem um chefe de comunicação, destaca-se sobretudo na região do aeroporto e na luta contra as drogas e o EI. Em questão de armas e homens, é possível que a brigada de Al Tajouri seja a mais poderosa. “Mas o poder de uma brigada é ter as pessoas ao seu lado”, diz o arquiteto Samer Lagha, de 28 anos. “E as pessoas estão com a Raddah”.

A Raddah é a brigada mais bem organizada. E a cabeça do seu líder, o salafista Abdulrauf Kara, é a mais cobiçada pelo EI. O grupo islâmico já tentou matá-lo com um carro-bomba contra a sede da brigada nos arredores do aeroporto. A Raddah mantém uma prisão com detentos do Estado Islâmico, e esses jihadistas acusam a milícia de usar a tortura. A brigada de Kara de vez em quando publica vídeos nas redes sociais nos quais aparecerem invadindo casas do EI em Trípoli e prendendo seus membros.

Imigrantes ilegais, que tentavam chegar à Europa em barco clandestino, depois de serem detidos por autoridades da Líbia – ISMAIL ZITOUNY / REUTERS

“Se não fosse por Kara e sua brigada eu não poderia abrir a porta desta loja”, diz o comerciante Salah Ambaga, dono de um estabelecimento que compra e vende ouro na Cidade Velha de Trípoli. “Alguns dizem que eles são parte do EI, mas isso é falso. Em Trípoli é possível ver mulheres dirigindo e fumando”, afirma.

Ambaga e seu irmão mostram um cofre com um metro de altura, repleto de cédulas de dinheiro e com um lingote de ouro. “Aqui não há medo de que me assaltem. E aí ao lado, onde vendem dólares e euros, você pode ver os dinares em sacos pelas ruas. E ninguém rouba.” De fato, na parte antiga da capital líbia se veem até 30 homens negociando preços. Há dois anos, um dólar comprava 1,80 dinar, ao passo que agora custa 4 – mais que o dobro. Há todo um mercado negro de divisas, perfeitamente tolerado pelas autoridades. Alguns acreditam que os grandes beneficiados com essa atividade são algumas milícias e os políticos.

Ambaga e seu amigo Lagha, o arquiteto, argumentam que a segurança não é tão problemática quanto era há três anos. As maiores preocupações das pessoas hoje são a incerteza econômica, a inflação e a possível presença de partidários de Gadafi num Governo de unidade nacional.

Mas a insegurança física e econômica está minando a confiança dos líbios. “Muitos ricos foram embora do país”, diz um jornalista líbio que prefere manter o anonimato. “Não há sigilo bancário para ninguém. As tropas têm gente nos bancos para lhes passar informações sobre as contas das pessoas. Pagando um bancário você obtém qualquer informação disponível.”

“Na Cidade Velha, a situação permaneceu mais ou menos igual nos últimos cinco anos”, acrescenta Carmen López. “É uma área de passagem, e é do interesse de todas essas máfias das brigadas mantê-la tranquila. A classe comerciante, além disso, está com a Irmandade Muçulmana, que governa Trípoli. Mas a Líbia não é a Cidade Velha. Tem gente que vive nos subúrbios de Trípoli e não pode voltar para casa à noite. E ninguém mais se manifesta na praça Verde, que agora se chama praça dos Mártires. E não se manifestam porque sabem que suas vidas e a dos seus familiares correm riscos”.

“A liberdade de expressão que havia no primeiro e segundo ano da revolução desapareceu”, acrescenta a espanhola. “Agora há medo e uma sensação de fracasso. Com relação à saúde, faltam muitos remédios nos hospitais. Quanto às mulheres, em dois anos o Governo islâmico conseguiu implantar sua ideologia. Acredito que eu seja a única na Líbia que não usa lenço na cabeça. As crianças na escola ficam me olhando como se eu fosse um bicho raro”, continua.

Entretanto, é nesta cidade – repleta de policiais com fardas diferentes e ameaçada pelo EI – que cedo ou tarde um eventual Governo de unidade precisará se instalar. E, para isso, será necessário convencer, entre outros, as três grandes brigadas de Trípoli. “Uma só não bastaria”, especula Samer Lagha. “Nem sequer Abdulrauf Kara poderia garantir a segurança de um Governo de unidade se antes não houver uma negociação com as outras duas tropas.” Como em qualquer negociação, para que se instale um Governo de unidade alguém em Trípoli terá de ceder poderes, armas ou dinheiro. E, por enquanto, ninguém parece disposto a renunciar a nada.

http://oglobo.globo.com/mundo/tripoli-um-feudo-de-milicias-sitiado-pelo-estado-islamico-18788639

Um ano: 21 cristãos decapitados na Líbia

O vídeo intitulado de “uma mensagem assinada com sangue para o povo da cruz”, de autoria do Estado Islâmico (EI), divulgado no dia 15 de fevereiro de 2015 chocou e alertou cristãos do mundo inteiro.

Histórico
A população do Egito, principalmente os cristãos, tem enfrentado grandes pressões e sofrimento. Desde 2011, com a mudança do presidente, cristãos dizem que “o país teve a sensação de sair de uma frigideira para ir direto para o fogo”. Por causa da tomada de poder, há dois governos rivais na nação. A população, mesmo agitada e com falta de segurança em seu próprio país, ainda busca novas oportunidades fora da fronteira.

Os 21 cristãos, sequestrados e mortos, buscavam melhorias de vida e trabalho no país vizinho, a Líbia.

Em 2016, a Líbia entrou para a lista dos 10 países onde há mais perseguição religiosa no mundo. O país ainda está tentando se recuperar da guerra e da revolução popular. Agora, a influência do EI está crescendo ainda mais.

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(Foto usada para relembrar dos 21 cristãos mortos em praia da Líbia)

Assistindo ao vídeo é fácil perceber que, antes de serem executados, alguns disseram repetidamente: “Senhor Jesus Cristo”, sendo essas suas últimas palavras. Em Apocalipse 12.11 diz:“Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho que deram; diante da morte, não amaram a própria vida”. Jesus venceu a morte! E os 21 cristãos que foram mortos por causa de Seu nome, há um ano, iniciaram a vida eterna com Cristo.

Hoje, mais do que nunca, a igreja no Egito e Líbia precisa de nossas orações!

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/02/um-ano-21-cristaos-decapitados-na-Libia