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Memorial do Holocausto acusa ativista de “difamação” por denunciar monitora que banalizou o Holocausto

Diretor se revoltou com a postura da presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires (EVM) ao denunciar a escritora Maura Palumbo por afirmar em jornais que o “Brasil é um campo de concentração a céu aberto”

Na noite de sexta-feira(29), a advogada Andréa Fernandes, presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires, tomou conhecimento da manifestação do Diretor Educativo do Memorial do Holocausto, Reuven Faingold, acusando-a de promover “ofensas” e “difamações” contra a entidade por ter denunciado a “relativização do Holocausto” promovida por sua monitora Maura Palumbo em dois jornais.

A presidente da ONG EVM vinha fazendo postagens denunciando a monitora do Memorial do Holocausto, Maura Palumbo, pelas entrevistas concedidas ao jornal ‘O Globo’[1] e Tribuna da Bahia[2] defendendo a tese de que “o Brasil é um campo de concentração” devido as mazelas sociais existentes no país, o que é considerado um acinte à memória das vítimas do Holocausto, já que além de não haver qualquer “política de estado” no país instaurando campos de concentração, os contextos de sofrimento dos brasileiros em função da ineficiência de políticas públicas e o desespero das vítimas de “eliminação sistemática” perpetradas por um regime ideológico genocida são completamente incomparáveis.

O primeiro artigo denunciativo foi postado no dia 24 de setembro com o título Como pode uma monitora do Memorial do Holocausto chamar o Brasil de campo de concentração aberto?Na ocasião, Andréa Fernandes alertou para a fala extremista da monitora em alguns momentos da entrevista ao jornal ‘O Globo‘, quando afirmou, por exemplo, que o “nazismo persiste” e que o “desejo de extermínio é muito evidente”, especulando nós vivemos isso aqui. A tese central da monitora, que também é escritora foi externada da seguinte maneira: EU CHAMO O PAÍS DE CAMPO DE CONCENTRAÇÃO ABERTO PORQUE TEMOS TODOS OS INGREDIENTES: A MISÉRIA, A FALTA DE CULTURA, DE ASSISTÊNCIA, DE SAÚDE, PESSOAS NO COMANDO NOS MANIPULANDO.

Nesse artigo, que também foi postado na página oficial da entidade, o único momento em que a advogada se refere ao Memorial do Holocausto o faz com respeito e consideração aos profissionais da instituição frisando:

Termino minhas considerações abismada com o fato da autora em questão exercer MONITORIA no Memorial do Holocausto, em São Paulo. Conheço a instituição e sei que é integrada por especialistas no tema e jamais imaginei que aceitariam ter em seus quadros, uma autora-militante que vergonhosamente relativiza conceitos centrais do Holocausto, o que acaba inconscientemente banalizando as atrocidades ocorridas a partir do momento que o brasileiro que pouco ou nada sabe sobre o Holocausto ouve “senso comum”  afirmar que aqui temos “campos de concentração”, o que, na melhor das hipóteses, é um total DESRESPEITO à memória das vítimas da barbárie que perderam suas vidas naquelas “fábricas de morte em série”.

Apesar de tentar entrar em contato com a diretor geral da entidade, a advogada não teve êxito, só conseguindo o e-mail de um dos diretores após conclamar seus seguidores nas redes em razão do descaso do(s) administrador(es) da página da instituição que não atenderam seu pedido. Estranhamente, mesmo sabedor da denúncia da presidente da ONG EVM, ao visitar a página da instituição,  Reuven se manteve silente.

A segunda manifestação que envolveu a entidade foi uma postagem com o print retirado da página de Maura Palumbo com o teor completo da entrevista ao jornal “Tribuna da Bahia” intitulado “Até quando o Memorial do Holocausto/SP vai manter como ‘monitora’ uma escritora que afirma em jornais que o Brasil tem campos de concentração? Isso é afronta à memória das vítimas do Holocausto”. A advogada cobra posicionamento da entidade salientando:

Logo, considerando as AÇÕES GRAVES e INACEITÁVEIS por serem explicitadas por uma suposta “especialista” que palestra pelo Brasil, CABE ação urgente da CONIB e demais entidades representativas da comunidade judaica para pressionar o MEMORIAL DO HOLOCAUSTO a PROMOVER O DESLIGAMENTO IMEDIATO DESSA SENHORA DE QUALQUER ATIVIDADE VINCULADA À INSTITUIÇÃO, INCLUSIVE, A MONITORIA, BEM COMO REFUTAR PUBLICAMENTE o “discurso político-ideológico” da militante travestida de escritora relativizando a barbárie do Holocausto, E EXIGIR A RETRATAÇÃO PÚBLICA NOS MESMOS JORNAIS onde Maura Palumbo proferiu tais aberrações, retratação esta, que deve ser exposta também na página da referida senhora.

E também:

Na oportunidade, informo que, em não havendo o posicionamento público do Memorial acerca da conduta ora relatada, após o recebimento do requerimento que será encaminhado pela ONG Ecoando a Voz dos Mártires, FORMALIZAR-SE-Á REQUERIMENTO JUNTO À EMBAIXADA DE ISRAEL e AO CONSULADO comunicando as ações desrespeitosas!

Devo lembrar que, a consubstanciação de DESAGRAVO é INDISPENSÁVEL para que se efetive lídima JUSTIÇA com todas as vítimas do Holocausto, inclusive, as não-judias. Assim, CONTO com todas os amigos judeus que se solidarizam com essa causa humanitária a fim de se mobilizarem para que a CONIB também venha agir nesse vergonhoso caso objetivando rápida solução.

Como se vê, nenhuma “difamação” ou “ofensa” direcionada à entidade. A advogada apenas denunciou a entrevista da monitora Palumbo e reivindicou posicionamento público da entidade devido vínculo inegável que mantém com a entrevistada.

Além de Boris Przechacki, filho de sobrevivente do Holocausto, muitos outros judeus também se manifestaram contrariados com a postura da monitora e do próprio Memorial por evitar manifestação sobre a denúncia. A jornalista e pesquisadora Blima Lorber disse que o caso revelava “banalização do Holocausto” e o também historiador e jornalista José Roitberg escreveu um artigo em seu Facebook intitulado “Vamos tratar de Maura Palumbo e dos campos de concentração que ela afirma existirem no Brasil”, reconhecendo a importância da denúncia de Andréa Fernandes, que também é jornalista. Em seu posicionamento Roitberg afirmou em alguns parágrafos:

Eu não faço ideia se Maura Palumbo, uma advogada, empresária e escritora de SP, com 55 anos de idade, portanto da minha geração, é formada para ensino sobre a história do Holocausto pelo Yad Vashem ou não. Eu sou. Portanto possuo um autoridade formal e documental para critica-la.

Com todo o estudo que Palumbo fez sobre o Holocausto parece não ter compreendido o que se passou. E isto é estranho para mim.

Um campo de concentração é um o local para onde as pessoas (não só os judeus) foram enviados a força das armas pelos nazistas. As características básicas de um campo de concentração são: (1) nenhum direito civil, (2) gente definida na chegada para ser rapidamente assassinada e gente definida na chegada para trabalho escravo, (3) alimentação com menos de 800 kcal diárias, (4) nenhuma possibilidade de higiene, (5) nenhum tipo de atendimento médico ou remédios, (5) trabalho escravo até a morte por exaustão, (6) soldados armados em torres de vigia com permissão de atirar nos prisioneiros quando bem entendessem, (7) espancamentos até a morte de prisioneiros por diversão dos guardas, (8) expectativa dos nazistas de que fome, doença, exaustão, calor ou frio, matassem os prisioneiros da forma mais barata possível, (9) cercas eletrificadas para tornar a fuga impossível ou permitir o suicídio dos prisioneiros, (10) o odor constante da carne queimada dos judeus mortos e executados, entre outras coisa mais.

Contudo, apesar de ter se manifestado clarividente o teor da denúncia da presidente da ONG EVM com a demonstração explícita de indignação VÁRIOS JUDEUS e PESQUISADORES, o Diretor Educativo do Memorial do Holocausto desconsiderou todas as provas apresentadas e se dirigiu à advogada numa postagem antiga da mesma na página da entidade que não tinha relação alguma com a denúncia formulada. Em suas considerações, Reuven expõe sua titulação acadêmica frisando que é professor PHD da Universidade Hebraica de Jerusalém e pesquisador há mais de quatro décadas além de estudar com “rigor científico” o tema do Holocausto do povo judeu, “convidando” a advogada “a ler uma parte pequena de sua produção acadêmica na internet”, muito embora as “indumentárias intelectuais” ou o “saber” do diretor educativo da entidade não tenham sido o foco da denúncia.

Reuven afirmou que estava acompanhando nos últimos dias as postagens da advogada e a acusou de “utilizar linguagem agressiva com ofensas e difamações contra o Memorial do Holocausto” e que teria “atacado verbalmente” a monitora Maura Palumbo, que segundo ele, “realiza um belo trabalho educativo”.

Em 43 linhas, Reuven não se manifestou sobre o teor das denúncias divulgadas pela ONG e ainda utilizou FALÁCIA DE ESPANTALHO ao afirmar:

Na entrevista publicada no jornal “O Globo” se explica a precariedade da estrutura do Brasil, próxima à realidade de um campo durante a 2ª Guerra. Ninguém afirma que em nosso Brasil se assassinou sistematicamente como Hitler fez deportando milhares de opositores aos campos”.

Porém, em momento algum, a advogada externou a colocação irreal aduzida pelo diretor, já que se fundamentou apenas nas FALAS LITERAIS da monitora reproduzidas nos jornais, e seu objetivo visava posicionamento público sobre as referidas falas. O diretor ainda afirmou: “receba esta mensagem como posicionamento oficial do “Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto”.

Todavia, como o “posicionamento oficial” da entidade não respondeu ao conclame da ONG Ecoando a Voz dos Mártires, sendo um conglomerado de tergiversações, a advogada respondeu às alegações de forma pormenorizada anunciando que comparecerá pessoalmente à entidade para dialogar e ingressar com REQUERIMENTO ESCRITO, e solicitou, para tanto, o NOME do DIRETOR-GERAL do Memorial responsável por responder pelas demandas externas da entidade.

Outrossim, dadas as sérias acusações dirigidas à sua pessoa exercendo o ofício de ativista de direitos humanos, a advogada solicitou, também, que Reuven apresente as postagens comprobatórias que indicam que teria perpetrado as supostas OFENSAS e DIFAMAÇÕES, contra a entidade, lembrando que “difamação” é uma figura típica penal prevista como CRIME CONTRA A HONRA, pelo que, em não havendo a comprovação das GRAVES ACUSAÇÕES, haverá formalização do pleito de RETRATAÇÃO por ser maculada a honra da presidente da ONG EVM na página da instituição.

[1] https://www.facebook.com/maurapalumboescritora/photos/a.307690232920205/546993785656514/?type=3&theater

[2] https://www.facebook.com/photo.php?fbid=706278959729112&set=a.136839876673026&type=3&theater

Imagem extraída da página do Memorial do Holocausto: Maura Palumbo em atividade como monitora.

Como pode uma monitora do “Memorial do Holocausto” chamar o Brasil de “campo de concentração”?

por Andréa Fernandes

Há algumas semanas, eu tive a curiosidade de conhecer a página de uma autora que se intitula “especialista em 2ª Guerra Mundial”. No momento em que li as postagens enaltecendo o livro que escreveu, notei um post em que a referida senhora fazia propaganda do seu trabalho com link da revista “Veja” intitulado “Católica, advogada milita contra antissemitismo e lança livro”. Porém, algo me chamou a atenção: a autora Maura Palumbo descreveu sua suposta preocupação com a “intolerância” afirmando que discorria em suas “palestras” sobre temas como “fascismo, comunismo, regimes ditatoriais, islamofobia, cristofobia e antissemitismo ao redor do mundo”.

Ao saber que Palumbo estaria preocupada com a “cristofobia”, observei com mais cuidado sua página oficial e não percebi nenhuma publicação informativa acerca da perseguição contra os cristãos num tempo em que tais religiosos compõem a minoria mais perseguida do mundo. Com isso, resolvi fazer um comentário respeitoso para despertar a autora nesse sentido, e para minha surpresa, a tolerância da “tolerante” tem limite, a “crítica”. Imediatamente foi apagado o conselho que teria sido por demais útil para a “causa humanitária” que a idosa diz defender, o que me levou a não recomendar a página fundamentando minha irresignação como jornalista e ativista de direitos humanos. Não demorou muito e recebi algumas ligações de pessoa vinculada à “especialista” conclamando a retirada do comentário, que pelas regras do Facebook não pode ser apagado pelo proprietário da página.

O ASSOMBROSO CASO DE TENTATIVA DE CENSURA PROMOVIDO POR UMA AUTORA QUE APREGOA NAS REDES “AÇÕES PACIFISTAS” PARA VENDER SEU LIVRO, principalmente junto à comunidade judaica em São Paulo por se reportar ao Holocausto chamou a atenção da minha “verve investigativa”. Daí, foi um passo para descobrir algo muito mais sério: a ideologia mascarada em “pesquisa” para reforçar “estereótipos” apreciados pela mídia ideologizada.

 Como Palumbo não tem muitas publicações midiáticas não foi difícil localizar uma entrevista que a mesma concedeu ao jornal ‘O Globo’, que na avidez de propagar sua agenda ideológica fez “surgir das cinzas” uma autora desconhecida que externou o repertório preconceituoso que costuma vigorar em expressiva parte do meio literário. O SUBTÍTULO DEMONSTRA O VERDADEIRO “OBJETIVO” DA REPORTAGEM EM “ANO DE ELEIÇÃO” E CONSEQUENTE “DEMONIZAÇÃO” DO CANDIDATO PREFERIDO DOS CONSERVADORES: Paulista que se dedica ao estudo do nazismo compara o momento atual no Brasil, de disseminação do ódio pelas redes sociais, com o período de Hiltler[1]”.

Antes de mais nada: quem vem sendo acusado pela mídia de “disseminar discursos de ódio”? Quem é chamado pela militância esquerdista de “fascista” e “nazista”? Preciso responder? Dito isto, prossigamos…

A paulista que “se dedica ao estudo do nazismo”, segundo “O Globo” é na realidade, uma bacharel em Direito que se apresenta como autodidata expressando formei-me em Direito, mas sempre me dediquei à pesquisa do nazismo, desde a adolescência. Então, para o jornal, uma escritora sem formação e/ou especialização alguma na área de História ou disciplina correlata é uma “especialista”, desde que, ofereça seu “douto conhecimento apedeuta” para relativizar conceitos.

Em dado momento da entrevista, foi perguntado: “o nazismo morreu como ideologia com a Segunda Guerra Mundial”? A resposta é quase inacreditável: A autora afirma que o “nazismo “persiste” e que o “desejo de extermínio é muito evidente”, afirmando, ainda, com empáfia “nós vivemos isso aqui”. E numa demonstração de elevado nível de ignorância ressalta EU CHAMO O PAÍS DE CAMPO DE CONCENTRAÇÃO ABERTO PORQUE TEMOS TODOS OS INGREDIENTES: A MISÉRIA, A FALTA DE CULTURA, DE ASSISTÊNCIA, DE SAÚDE, PESSOAS NO COMANDO NOS MANIPULANDO.

Como é? Qual o “especialista em nazismo” que teria a audácia de afirmar que o BRASIL É UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO ABERTO repetindo “clichê” do vulgo? Aliás, Palumbo cita a “miséria” como primeiro “ingrediente” para a formação de campos de concentração e esquece que a Alemanha na época da  instalação dos referidos campos não era um “país de miseráveis”! Pelo contrário… Não foram “miseráveis incultos” que Hitler e seus asseclas enviaram aos campos de concentração. Nas filas tinham muitos médicos, advogados, cientistas, professores. Será que nas “pesquisas esquálidas” da autora não houve o cuidado especial com o horrendo conceito “campos de concentração”?

Se nos “anos” de “pesquisa” da autora sobre nazismo e 2ª Guerra Mundial, ela não “aprendeu” o que é um “campo de concentração”, vou ajudá-la com os ensinamentos valiosos de um SOBREVIVENTE DO HOLOCAUSTO, o saudoso Ben Abraham, em sua obraHolocausto: o massacre de 6 milhões”:

Em 21 de março de 1933, logo após Hitler assumir o poder foi criado o primeiro campo de concentração, situado em Oranienburg. Após ser criada a Gestapo (27.04.33), esses campos se tornaram insuficientes para encarcerar todos os elementos perigosos que não concordavam com o Nacional Socialismo.

Os primeiros campos resumiam-se a uma área com vários barracos, cercados de arame farpado e sentinelas da SA montando guarda. O regime interno era rigoroso. Os prisioneiros eram torturados para confessarem atividades anti-nazistas ou denunciarem os amigos que discordavam do regime de Hitler. Muitos foram executados, outos morreram, pois não resistiram à tortura. Destes, os seus familiares recebiam uma urna contendo as cinzas e uma carta, comunicando que o prisioneiro havia morrido de ‘pneumonia’ ou outra doença. Esse procedimento de rotina, todavia, era apenas para com os mortos alemães – “os arianos. Quando tratava-se de um judeu a família nem era avisada, não lhe davam satisfação”.

Em que momento no Brasil tivemos “campo de concentração” em que num deles pelo menos 1 milhão de pessoas foram assassinadas em suas câmaras de gás e crematórios? Será que ela sabe que no auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas diariamente SEIS MIL pessoas, tornando Auschwitz um marco no genocídio de judeus e outras minorias perseguidas pelos nazistas. Conforme o renomado historiador britânico Martin Gilbert, este sim, especialista em Holocausto, a matança inexorável não saltava nenhum dia e nem descansava”. Segundo ele, “os nazistas tinham cortado cada comunidade judaica do mundo exterior, e de qualquer outra vida judaica, e usando esse isolamento trabalhavam sem cessar para destruir. Em Varsóvia, durante um cerco maciço nos dias 6 e 7 de setembro, mais de mil judeus foram mortos nas ruas, incluindo centenas que foram ‘forçados a se ajoelhar na calçada’ para serem alvejados”.

Qualquer estudioso sério sobre o tema sabe que na atual conjuntura não há caracterização de “campos de concentração” no país. Se Palumbo realmente se empenhasse nas pesquisas sem a “amarra ideológica” exemplificaria campos de concentração com as ocorrências de perseguição aos cristãos e dissidentes políticos na China e Coreia do Norte, assunto que parece não gerar interesse numa militante mais “preocupada” em denunciar o suposto “campo de concentração brasileiro” para tentar ganhar “likes” no Facebook a partir de uma entrevista tendenciosa.

Em 2014, um oficial do Ministério do Exterior e representante de Pyongyang na ONU negou diante dos jornalistas a existência de campos de prisioneiros mantidos pelo governo, os quais seriam “centros de trabalho para reformar os detidos”. O oficial informou que esses locais de detenção são onde as pessoas “verificam a sua ideologia e refletem sobre seus atos imorais”. Porém, há denúncias de execuções, desaparecimentos e tortura no país, sendo que o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas constatou violações “sérias, generalizadas e sistemáticas” na Coreia do Norte e documentou a crueldade imposta contra mais de 24 milhões de pessoas[2]. Imagens capturadas por satélites confirmam a existência de grandes extensões de terra, conhecidas como “Zonas de Controle”, onde milhares de pessoas estariam presas por motivos políticos ou ideológicos, sendo que a maioria das pessoas que ingressam, nunca consegue sair. Há 16 campos, seis deles dedicados exclusivamente a presos políticos. No entanto, especialistas estimam que de 120 mil a 200 mil pessoas encontram-se nesses locais. Desse número de pessoas, estima-se que de 50 a 70 mil CRISTÃOS sofram diariamente nos vários campos de trabalho forçado espalhados pelo país. As vítimas do terror imposto nos campos relatam quando milagrosamente conseguem escapar que são impostos todo tipo de tortura física e psicológica, testes de armas químicas nos internos e trabalho forçado.

Os horrores que se vislumbram com toda espécie de tortura torna os campos de concentração um “mal” que não deve ser “banalizado” pela falta de conhecimento de Palumbo,  exigindo, dessa forma, uma cartarse desse conceito abstraído do imaginário infecundo de uma autora que não tem conexão com a realidade.

O interessante é que faltou a autora a explicitação da sua tese ao dizer “O DESEJO DO EXTERMÍNIO É MUITO EVIDENTE”. Lançar palavras ao vento é de uma irresponsabilidade ímpar… Afinal, qual “ator” deseja esse “extermínio evidente” nos moldes de Hitler? É o Estado? Um grupo? Um partido? Quais seriam as “vítimas” do nazismo, segundo a concepção da autodidata militante? Ela bagunça conceitos e fica tudo por isso mesmo! Esse pensamento confuso de Palumbo fez lembrar outra confusão conceitual do jornalista Guga Chacra, que ao comentar o absurdo número de mortos no Brasil, inventou a tese do “genocídio de negros pobres” sem precisar a autoria do crime e esquecendo o fato de que a violência no Brasil não parece ter ainda um contorno analítico definido, muito menos de “brancos matando sistematicamente negros para fins de extermínio evidente”.

Disse ela: AQUI NO BRASIL SE COLOCA MUITO ESSA QUESTÃO DE NÃO ADMITIR O DIFERENTE, DE ANIQUILÁ-LO. O prolema de aceitar-se como “especialista” alguns autodidatas é esse caos de “dar voz” a uma militante que não conhece bem as questões que defende, ou seria muito difícil identificar o liame desse discurso colocando tacitamente as “minorias” como as “pobres vítimas” da “maioria” que só almeja “trucidar”  as classes oprimidas? Na visão míope da advogada, as mais de 60 mil mortes por ano são única e exclusivamente por “inaceitação da diferença”?

COMO A REPORTAGEM ERA COMPLETAMENTE ENVIESADA PARA ATINGIR O ENTÃO PROTOCANDIDATO BOLSONARO, O REPÓRTER PERGUNTOU você consegue identificar em algum partido ou candidato no Brasil atual o discurso de nazista”? Disse ela: “não vejo partidos bem definidos, nem políticos com boa vontade. Não há diretrizes sólidas numa sigla ou noutra. Há confusão de valores religiosos com valores políticos, e eles usam disso para se eleger.”

Talvez, a resposta desconexa seja fruto do conhecimento frágil acerca de política, ou estratégia para inferir-se qualquer coisa de um texto mal escrito e dúbio, pois, o que ela chama de “confusão de valores religiosos com valores políticos” usados supostamente para algum candidato se eleger, é na verdade, tentativa da autora de “desconstruir” a base da sociedade brasileira, majoritariamente cristã num Estado laico. No Brasil, muitas ações políticas  carregam em si uma parte dos princípios religiosos formadores da conduta da maioria dos brasileiros, e esse fenômeno está longe de ser concebido de forma vinculada ao nazismo. Aliás, É MUITO ESTRANHO UMA “CATÓLICA” ALEGAR “CONFUSÃO DE VALORES RELIGIOSOS” QUANDO A PERGUNTA REFERE-SE À IDENTIFICAÇÃO DE “DISCURSO NAZISTA”.

Termino minhas considerações abismada com o fato da autora em questão exercer MONITORIA no Memorial do Holocausto, em São Paulo. Conheço a instituição e sei que é integrada por especialistas no tema e jamais imaginei que aceitariam ter em seus quadros, uma autora-militante que vergonhosamente relativiza conceitos centrais do Holocausto, o que acaba inconscientemente banalizando as atrocidades ocorridas a partir do momento que o brasileiro que pouco ou nada sabe sobre o Holocausto ouve “senso comum”  afirmar que aqui temos “campos de concentração”, o que, na melhor das hipóteses, é um total DESRESPEITO à memória das vítimas da barbárie que perderam suas vidas naquelas “fábricas de morte em série”.

E se a autora não consegue expor doutrina basilar no que concerne ao Nazismo, dificilmente o faria em relação à “cristofobia”, que exige muito mais pesquisa, já que é raro o interesse de acadêmicos sobre o tema “perseguição aos cristãos”. De modo que, devo reconhecer, Palumbo de boca fechada em relação aos massacres e perseguição aos cristãos está fazendo um grande “favor”…  Quando uma autora é pautada na ideologia marxista para palestrar sobre questões humanitárias, o “perfume” das tulipas “exala enxofre”.

[1] https://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/maura-palumbo-escritora-na-fraqueza-as-conviccoes-nazistas-ganham-forca-22434657

[2] http://www.cpadnews.com.br/universo-cristao/24663/coreia-do-norte-admite-existencia-de-campos-de-concentracao-para-reformar%C2%B4-cidadaos.html

Andréa Fernandes é advogada, jornalista, internacionalista e presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires.

Imagem by Alef News