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Imprensa não noticia desaparecimento de freiras brasileiras em Moçambique

Por Andréa Fernandes

Quando a brasileira Elisabeth Cristina Assis Ribeiro e sua filha Kayla – de apenas 6 anos – foram covardemente executadas por um jihadista na França, o qual utilizou um caminhão para massacrar dezenas de pessoas durante a celebração do Dia da Bastilha[1], a mídia brasileira acompanhou atentamente todo o drama mantendo-nos informados acerca da tragédia que chocou o Ocidente[2]. Todavia, 4 anos após o atentado terrorista, duas brasileiras foram alvo da violência islâmica num país africano de maioria cristã sem que a mídia noticiasse o acontecido.

O motivo da “invisibilidade” da dor de Eliane da Costa e Inês Ramos é simples: o atentado terrorista que fez com que vivessem momentos de pavor não aconteceu na Europa secularista, onde quase tudo é notícia – desde que não envolva críticas à “religião da paz” – mas sim, na “África negra” continuamente desprezada pela militância dos movimentos negros no Brasil e exterior, que só discorrem sobre nossas origens africanas para lembrar exclusivamente da escravidão mantida pelos europeus, ainda que muçulmanos tenham sido as “estrelas do racismo e escravidão”. Os negros que ainda são escravizados por muçulmanos racistas na Líbia, muitos dos quais torturados e mortos, não têm valor algum, se comparados a um criminoso negro covardemente assassinado por policial branco nos Estados Unidos. Nas narrativas desses movimentos negros não cabe as desgraças recorrentes no continente africano.

Outro fator que pesou para a mídia decidir não noticiar o desespero vivido pelas brasileiras que estavam desaparecidas desde 5 de agosto foi “a religião”. Elas são freiras e uma delas também é idosa. Como todos sabem, a extrema-imprensa tem aversão ao Cristianismo e prefere reverberar insistentemente os escândalos envolvendo padres e pastores. Nessa segunda-feira, o blogueiro Demétrio Magnoli publicou um artigo intitulado Bispos, dinheiro e africanidade[3], no qual ataca a Igreja Universal, acusada de ser um “império de ameaça potencial a Angola”. Magnoli descreve com riqueza de detalhes o patrimônio da igreja no país africano dias após a divulgação por outros jornais do escândalo de corrupção envolvendo a emissora onde trabalha e o governo federal da era petista.

Ao que parece, o blogueiro irresignado com o poderio econômico da igreja Universal em solo africano não se incomodou com  a delação do ex-ministro Antonio Palocci afirmando que  uma afiliada da Rede Globo teria pago propina para conseguir o perdão de uma multa no valor de R$ 500 milhões com a Receita Federal[4]. Caso seja confirmado, o ato já excedeu o nível de “ameaça potencial” contra os cofres públicos.

“Mamatas globais” à parte, a informação do desaparecimento das freiras e mais de 60 pessoas logo após um ataque terrorista de alto poder destrutivo no norte de Moçambique pelo grupo muçulmano Ahlu Sunnah Wa-Jama – frequentemente abreviado como Al–Sunna – não foi considerada “relevante” para ocupar as manchetes dos jornais.

Assunto relacionado à Moçambique reconhecidamente importante para ser noticiado pela emissora Globo foi a viagem de um moçambicano ao Brasil em abril de 2019 para pedir em casamento a namorada mineira. A felicidade do casal foi fartamente retratada[5]. Já as freiras vítimas do terror islâmico contaram apenas com alguns sites católicos divulgando informações colhidas através de padres que vivem na região. Não tiveram essas nobres mulheres que fazem um belíssimo trabalho humanitário o direito à solidariedade e orações de milhões de cristãos no Brasil porque as redações da mídia mainstream andam muito ocupadas atacando Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro e toda questão que envolva o pensamento conservador. A guerra ideológica é tratada com muita seriedade, e por isso a imprensa tem o cuidado de não divulgar notícia que possa resultar em solidariedade para com a minoria religiosa mais perseguida do mundo.

Desaparecimento após ataque jihadista

No dia 2 de setembro, o site da Fundação Pontífica Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), divulgou o desaparecimento das duas freiras da congregação San José de Chambéry durante o violento ataque de grupos jihadistas no porto de Mocímboa da Praia, ocorrido em 5 de agosto. A entidade teve acesso à informação através do padre Kwiriwi Fonseca, da Diocese de Pemba, que naquela oportunidade ressaltou que as autoridades ainda não tinham esclarecido o que teria acontecido com as religiosas e demais pessoas que estavam no convento no momento do ataque.

O padre Cantífula de Castro, diretor adjunto da Rádio Encontro, pertencente à Diocese de Nampula, também enviou mensagem à sede portuguesa da Fundação ACN salientando que na Arquidiocese de Nampula cerca de cinco mil deslocados chegaram aos  distritos de Meconta, Nampula e Rapale. A maioria são mulheres, jovens e crianças que precisam de ajuda humanitária. Na verdade, faltam espaço para ficar, comida, roupa e até material para a prevenção da Covid- 19”.

Disse, ainda, o padre: “a província de Cabo Delgado está a arder na guerra há três anos. As pessoas estão vivendo momentos insuportáveis por causa do terrorismo. É uma situação deplorável. Estima-se que sejam pouco mais de mil mortos, casas queimadas, aldeias abandonadas, pessoas que vivem na montanha e outras que se refugiam de mãos vazias em locais mais seguros em busca de proteção.

Horrorizada ao saber do desaparecimento das freiras, fiz uma Live na Página Ecoando a Voz dos Mártires, através da qual me comprometi a recorrer ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Ministério das Relações Exteriores e Embaixada de Moçambique, pois vale repetir, o governo moçambicano não divulgou informações sobre o paradeiro das religiosas.

Contradições na notícia de “libertação”

Ao começar a escrever sobre o tema, tomei conhecimento da matéria publicada pelo site católico ACIprensa[6] em 7 de setembro – mesmo dia em que divulguei o ocorrido através da Live no Facebook – noticiando a libertação das freiras. Assim, informa o site que no dia 6 de setembro, o bispo de Pemba, Dom Luiz Fernando Lisboa, encaminhou uma nota à Agência Fides na qual comunicava que as irmãs Inês e Eliane estariamsãs e salvas e de volta conosco.

Porém, o texto é marcado por algumas contradições, começando pelo título da matéria que afirma ter havido a libertação das “freiras sequestradas após ataque jihadista”, muito embora conste no quinto parágrafo: “Não se sabe se foram sequestrados (sic) ou se, pelo contrário, foram mantidos (sic) incomunicáveis ​​após o ataque.

No parágrafo posterior aparece a informação de “prisão” das freiras:

Segundo a Agência Fides, naquela ocasião, a polícia e as Forças Armadas foram obrigadas a se retirar às pressas, deixando a milícia livre por alguns dias. Na verdade, naquela época, as freiras haviam sido retiradas de sua comunidade e levadas para a prisão. Por alguns dias, nada se ouviu falar deles, mas autoridades nacionais e internacionais imediatamente se mobilizaram para facilitar sua libertação. As negociações foram bem sucedidas.”

No penúltimo parágrafo, é divulgado que as irmãs de San José de Chambéry se viram no meio da luta e foram sequestradas”.

Logo, considerando a falta de publicização de informação oficial dos governos brasileiro e moçambicano confirmando a libertação das freiras e esclarecendo os acontecimentos, decidi manter meu posicionamento inicial de me reportar às entidades diplomáticas e Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A transparência no trato de questões que envolvem a vida humana deve ser uma medida de política pública cobrada de forma respeitosa pela sociedade civil organizada.

A militância progressista precisa saber que todas as vidas importam!

Andréa Fernandes – advogada, internacionalista, jornalista e presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires (EVM).

Imagem: ACI África


[1] https://noticias.r7.com/internacional/fotos/ataque-terrorista-que-deixou-86-mortos-em-nice-na-franca-faz-1-ano-relembre-14072017

[2] http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/07/vou-ter-que-recomecar-do-zero-diz-mae-de-brasileira-morta-em-nice.html

[3] https://oglobo.globo.com/opiniao/bispos-dinheiro-africanidade-24624938

[4] https://conexaopolitica.com.br/ultimas/escandalo-de-corrupcao-envolvendo-a-rede-globo/

[5] https://gshow.globo.com/programas/caldeirao-do-huck/noticia/rapaz-de-mocambique-vem-ao-brasil-pedir-a-namorada-em-casamento-mas-eles-terminam.ghtml

[6] https://www.aciprensa.com/noticias/liberadas-religiosas-secuestradas-en-mozambique-tras-ataque-yihadista-63773

Moçambique: Muçulmanos matam 5 pessoas, incluindo uma criança e incendeiam 44 casas

“Cinco mortes no ataque a Litandacua, Chai – relatório da AIM,” Clube de Moçambique , 21 de junho de 2018 (graças a The Religion of Peace ):

Homens armados não identificados, supostamente membros do grupo islamista conhecido localmente como “Al Shabaab“, mataram cinco pessoas na noite de terça-feira em um ataque contra a aldeia de Litandacua, na província de Cabo Delgado, segundo um relatório da estação de televisão STV.

Os atacantes incendiaram 44 casas. Uma das vítimas era uma criança que estava dormindo em uma dessas casas…

Isto segue ataques letais às aldeias de Naene, também em Macomia, em 4 de junho, e de Namaluco, no distrito vizinho de Quissanga, dois dias depois, em que um total de 14 pessoas foram assassinadas e 374 casas foram destruídas….

News24 noticiou em 10 de junho que militantes muçulmanos têm atacado aldeias por todo o Moçambique, levando milhares a fugirem para Pemba. Relatórios dizem que militantes queimaram 230 casas e decapitaram 23 pessoas nas últimas três semanas.

O grupo Al-Shabab é uma das facções terroristas que vem perseguindo e assassinando cristãos em Moçambique. Porém, a partir de 2014, o grupo Al Sunnah wa Jama’ah  – vinculado ao grupo Al-Shabab –  promove destruição de propriedades cristãs e massacres contínuos.

Denunciando o grupo terrorista Al Sunnah wa Jama’ah, a missionária Heidi Baker, da instituição “CEO of Iris Global” postou um comunicado no Facebook  :

“Eles estão mirando em qualquer um que se oponha ao seu tipo de terror. Nas últimas semanas, esses ataques se intensificaram em frequência e brutalidade. Cada ataque envolveu a morte e queima de casas. Pessoas foram decapitadas em pelo menos seis vilarejos próximos à nossa base em Pemba. Os aldeões estão fugindo por suas vidas, nada carregando com eles e se tornaram refugiados no mato ou em ilhas “.

Autoridades do governo informaram no final de maio que 10 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram decapitadas pelos jihadistas na aldeia de Monjane, na província de Cabo Delgado.

As vítimas incluíram pelo menos dois filhos e quatro mulheres, com o porta-voz da polícia nacional, Inácio Dina, prometendo que os agressores serão perseguidos e levados ao tribunal.

O grupo de vigilância de perseguições International Christian Concern  disse na quarta-feira que o Al Sunnah wa Jama’ah começou como uma seita religiosa do Islã, mas nos últimos meses se tornou violento no país do Leste Africano, assassinando pelo menos 35 pessoas somente no mês passado.

A ICC acrescentou que o grupo está sendo comparado ao Boko Haram, a organização radical na Nigéria.

Com imagem Correio da Manhã e informações The Christian Post e   Jihad Watch

Muçulmanos decapitam 10 pessoas, inclusive, crianças em Moçambique

Dez pessoas, incluindo crianças, foram decapitadas em um vilarejo no norte de Moçambique em um ataque no fim de semana, atribuído a islamitas, disseram fontes locais na terça-feira.

O ataque ocorreu em Monjane, uma aldeia não muito longe de Palma, uma pequena cidade que se prepara para ser o novo centro de gás natural do país na província de Cabo Delgado, no norte do país. “Fomos informados sobre essa tragédia“, disse o administrador de Palma, David Machimbuko, com a informação também confirmada por um residente local, que culpou os islamitas. A emissora estatal de Moçambique também reportou “10 pessoas decapitadas” na área de Palma.

Desde outubro, Cabo Delgado tem visto vários ataques por suspeitos islamitas radicais. Uma das vítimas do ataque de fim de semana foi o líder da aldeia de Monjane, disse um morador local, sem dar seu nome por medo de represálias. “Eles atacaram o chefe enquanto ele dava informações à polícia sobre a localização do al-Shabaab nas florestas“, disse ele à AFP, referindo-se a um grupo armado que acredita ser responsável por um ataque mortal em outubro a uma delegacia de polícia e posto militar no país. cidade de Mocimboa da Praia. Dois policiais morreram e 14 criminosos foram mortos no que se acreditava ser o primeiro ataque jihadista ao país. O grupo não tem vínculo conhecido com o grupo jihadista somali de mesmo nome. Nas semanas seguintes, pelo menos 300 muçulmanos foram presos e várias mesquitas fechadas à força.

AFP

Com imagem de The Conversation  e informações Vanguard

Sociedade civil pede fim de “casamentos infantis” em Moçambique

Organizações da sociedade civil moçambicanas pediram à primeira dama Isaura Nyusi a inclusão da luta contra os “casamentos infantis” e a desnutrição crônica no seu plano de ação social atualmente em elaboração.

As organizações manifestaram a sua disponibilidade em trabalhar em colaboração com o gabinete de Nyusi para pôr freio aos casamentos precoces e mitigar os impactos causados por esses males à sociedade.

A sociedade civil moçambicana manifestou este desejo em Maputo, capital moçambicana, numa audiência pública promovida pela esposa do Presidente da República, para colher opiniões e sugestões sobre as grandes linhas do futuro “Plano Estratégico” do Gabinete da Primeira Dama.

http://www.voaportugues.com/content/sociedade-civil-pede-fim-casamentos-prematuros-mocambique/2692234.html