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União Europeia critica Turquia, mas não suspende negociações

Erdogan cogita referendo sobre adesão ao bloco e pena de morte.

BRUXELAS E ANCARA – O caminho para uma eventual entrada da Turquia na União Europeia (UE) ainda enfrenta muitos obstáculos, mas o país conseguiu nesta segunda-feira vencer mais uma barreira dentro do bloco. Reunidos em Bruxelas, os ministros das Relações Exteriores europeus rejeitaram o pedido da Áustria de suspender a candidatura do país.

Os chanceleres, no entanto, não deixaram de criticar a repressão do governo turco a supostos partidários de um golpe militar fracassado em julho.

Outro ponto que ameaça criar obstáculos ao país é a decisão anunciada nesta segunda-feira pelo presidente Recep Tayyip Erdogan: ele disse estar pronto para realizar um referendo no ano que vem sobre a continuidade das conversas com a UE e reiterou que restauraria a pena de morte — medida que, se aprovada no Parlamento, provavelmente acabaria com as esperanças turcas de integrar o bloco.

Em discurso na TV, Erdogan pediu paciência aos turcos e citou o exemplo do Reino Unido, que promoveu um referendo sobre a saída da UE.

— Vamos ao povo, uma vez que ele tomará a decisão final. O Reino Unido disse “vamos sair”, e saiu — afirmou.

O expurgo promovido pelo governo de Erdogan após o levante militar estremeceu as relações com a UE e gerou divisões dentro do bloco. Luxemburgo e Bélgica também criticaram a Turquia, mas os membros mais poderosos do bloco, França e Alemanha, argumentaram que o fim das negociações de adesão agora faria mais mal do que bem.

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Talibã rejeita participar de conversas de paz no Afeganistão

Extremistas dizem que negociações não vão trazer resultados até que ocupação de tropas americanas acabe. Além disso, grupo quer ser retirado das listas negras internacionais de terrorismo e ter seus detidos liberados.

Os extremistas islâmicos do Talibã negaram neste sábado (05/03) a participação nas próximas negociações de paz mediadas pelo chamado Grupo de Coordenação Quadrilateral, que inclui representantes do Afeganistão, Paquistão, China e EUA e que tentava intermediar conversações em Islamabad no início deste mês.

No entanto, o Talibã afirmou que não sentará à mesa de negociações enquanto as forças americanas permanecerem no país em meio a crescentes operações do Exército do Afeganistão contra os extremistas.

“Nós rejeitamos todos os rumores e declaramos de forma inequívoca que o líder do [autoproclamado] Emirado Islâmico não autorizou ninguém a participar desta reunião”, diz uma nota do Talibã.

“Mais uma vez, nós reiteramos nossa posição de que as conversações não trarão nenhum resultado até que a ocupação de tropas internacionais acabe, até que os nomes do Talibã sejam retirados das listas negras internacionais e até que nossos detidos sejam liberados.”

Expulso do poder por uma intervenção militar liderada pelos EUA em 2001, o Talibã tem travado uma violenta insurgência para derrubar o governo afegão apoiado pelo Ocidente e reestabelecer um regime islâmico fundamentalista.

As conversações diretas entre o Talibã e o governo em Cabul estão suspensas desde o anúncio do mulá Mohammed Omar, líder de longa data do grupo extremista.

FC/rtr/ap/afp

http://www.dw.com/pt/talib%C3%A3-rejeita-participar-de-conversas-de-paz-no-afeganist%C3%A3o/a-19096539

Batalha por Aleppo encerra negociações de paz, diz especialista

Para cientista político, diplomacia dos EUA fracassou ao entrar nas conversações sem exigências prévias. Agora, com a ofensiva de Assad e da Rússia contra Aleppo, elas viraram de vez uma farsa, afirma.

“A atual ofensiva e especialmente a batalha por Aleppo são basicamente o último prego no caixão das conversações em Genebra”, afirmou o cientista político André Bank, do Instituto Giga para Estudos do Oriente Médio, de Hamburgo, em entrevista à DW.

O analista avaliou que o cerco à cidade e sua possível retomada pelas forças do presidente Bashar al-Assad condena as negociações para a paz na Síria ao fracasso. “A ofensiva contínua das forças de Assad, juntamente com a Força Aérea russa, com o apoio do Irã e de várias milícias xiitas, já tornaram uma farsa essas negociações de paz”, disse.

Ele afirmou ainda que a diplomacia dos Estados Unidos fracassou “ao entrar na terceira rodada das conversações de Genebra sem exigências prévias e fazendo concessões ao lado russo e ao governo sírio”.

DW: Se as tropas de Assad tomarem Aleppo, qual seria o impacto disso sobre a guerra civil na Síria?

André Bank: O impacto seria muito forte. Pela primeira vez desde 2012, as tropas de Assad passariam a controlar uma área que vai da capital, Damasco, passando por Homs, no centro da Síria, pelo noroeste sírio, indo até a metrópole de Aleppo, no norte. Assim, o regime voltaria a controlar uma área muito grande e populosa da Síria. Mas isso não significaria o fim da guerra civil.

André Bank é especialista em Síria do Instituto Giga para Estudos do Oriente Médio

A oposição síria espera agora ajuda militar de países como a Arábia Saudita ou os Emirados Árabes Unidos. Qual a probabilidade de serem enviadas tropas terrestres árabes?

Eu continuo achando que isso seja muito pouco provável. A Arábia Saudita só poderia agir como parte de uma aliança liderada pelos Estados Unidos. E forças terrestres dos EUA, possivelmente em coordenação com forças terrestres europeias, são, na minha opinião, muito improváveis, apesar da péssima situação dos direitos humanos e da guerra em si. Principalmente o presidente Barack Obama, no último ano de seu mandato, não defenderia uma intervenção militar tão precária.

Quais as consequências da ofensiva de Assad para as conversações de paz em Genebra, que foram suspensas até 25 de fevereiro?

A atual ofensiva e especialmente a batalha por Aleppo são basicamente o último prego no caixão das conversações em Genebra. A ofensiva contínua das forças de Assad, juntamente com a Força Aérea russa, com o apoio do Irã e de várias milícias xiitas, já tornaram uma farsa essas negociações de paz. A isso soma-se o fato de que há fortes discordâncias dentro da oposição. Por tudo isso, a atual rodada de conversações em Genebra já havia representado uma espécie de vitória simbólica para o regime de Assad. E agora, sob essas condições, não vai ocorrer uma retomada séria das negociações.

Refugiado foge de Aleppo em direção à fronteira síria com a Turquia

Então a diplomacia ocidental fracassou?

A diplomacia dos EUA fracassou ao entrar na terceira rodada das conversações de Genebra sem exigências prévias e fazendo, assim, concessões ao lado russo e ao governo sírio. Uma limitação significativa de ataques aéreos por parte de Assad e da Rússia teria sido necessária para dar à oposição mais confiança em relação ao processo de negociação.

Qual a influência da batalha por Aleppo sobre a crise dos refugiados?

Ela tem um impacto enorme. Devemos ter em mente que Aleppo é a maior cidade da Síria, com quatro milhões de habitantes, e que lá ainda vivem centenas de milhares, apesar das batalhas devastadoras. Muitos deles já partiram em direção à fronteira com a Turquia devido à nova ofensiva. Seria irresponsável não abrir a fronteira na região e não prestar assistência rapidamente, para que as pessoas possam obter uma certa proteção pelo menos na Turquia.

A Força Aérea da Rússia e as forças do governo sírio atacam principalmente as forças de oposição. Em que essa ofensiva beneficia o “Estado Islâmico”?

O “Estado Islâmico” é beneficiado a partir do momento em que não é mais atacado por forças do governo sírio, pela Rússia ou pelo Irã. De qualquer forma, ele quase não vinha sendo atacado antes, mesmo. Por outro lado, os ataques da aliança contra o EI, nos quais a Alemanha começou a se envolver, na sequência dos ataques de Paris em novembro, foram muito ampliados. Eles fizeram com que a área sob domínio do EI tenha encolhido, tanto na Síria como no Iraque, no ano passado e mesmo nos últimos meses.

http://www.dw.com/pt/batalha-por-aleppo-encerra-negocia%C3%A7%C3%B5es-de-paz-diz-especialista/a-19036460

ONU interrompe negociações sobre a Síria em Genebra

Ataques no Norte do país matam quase cem pessoas, incluindo três agentes humanitários.

GENEBRA — O enviado especial das Nações Unidas à Síria, Staffan de Mistura, pediu uma suspensão temporária dos diálogos de paz do conflito sírio, citando a falta de progressos na primeira semana de negociações. A decisão foi tomada logo após a divulgação do governo sírio de que uma ofensiva nos arredores de Nabul e Zharaa, ao Norte de Aleppo, deu fim ao cerco de rebeldes islamistas que ocupavam as cidades.

Segundo a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediada em Londres, mais de 70 rebeldes morreram durante os bombardeios, assim como 26 soldados do regime sírio. De acordo com as Nações Unidas, três agentes humanitários também teriam morrido durante um bombardeio aéreo na região, embora Farhan Haq, porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tenha afirmado que os agentes provavelmente não eram das equipes das Nações Unidas.

Haq não confirmou quem foram os responsáveis pelo ataque, mas afirmou que as Nações Unidas estão “extremamente preocupadas com a escalada dos combates e seu impacto sobre a população civil”.

Em Genebra, o Alto Comitê de Negociações, grupo que representa parte da oposição síria nos diálogos de paz, afirmou que se reuniria com de Mistura, e condenou “o bombardeio indiscriminado de áreas civis no Norte da Síria, e aumento das agressões por parte do regime sírio e da Rússia”.

Em Roma, o secretário de Estado, John Kerry, pediu a Moscow que interrompesse os ataques aéreos na tentativa de facilitar um cessar-fogo entre as partes envolvidas nas negociações de Genebra. Mas, em Moscou, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, prometeu dar sequência aos bombardeios.

— Ataques aéreos russos não cessarão até que tenhamos verdadeiramente derrotado grupos como o Estado Islâmico e a Frente al-Nusra — afirmou Lavrov. — Não vejo motivo algum para interrompermos os ataques.

Considerados organizações terroristas pela ONU, Estado Islâmico e a Frente al-Nusra não participam das negociações de Genebra.

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Paquistão anuncia adiamento de novas conversas com talibãs afegãos

Dirigentes afegãos haviam anunciado que iam propor um cessar-fogo.
Mudança ocorre após anúncio da morte de líder talibã.

O ministério das Relações Exteriores do Paquistão anunciou nesta quinta-feira (30) o adiamento de uma rodada de negociações entre o Afeganistão e os insurgentes talibãs depois do anúncio da morte do líder talibã mulá Omar.

Os contatos estavam previstos no Paquistão e os dirigentes afegãos haviam anunciado que iam propor um cessar-fogo.

As primeiras negociações oficiais entre os dois lados aconteceram em 7 e 8 de julho, em Murree, perto de Islamabad, com a participação de diplomatas da China e dos Estados Unidos.

Estas negociações transcorrem num contexto marcado por atos violentos dos insurgentes islamitas, que cometem cada vez mais ataques fora de seus tradicionais redutos do sul e leste do Afeganistão, principalmente em Cabul e províncias do norte.

Segundo informou na véspera o porta-voz do serviço de inteligência do Afeganistão, o líder supremo dos talibãs afegãos, mulá Omar, morreu há dois anos em circunstâncias misteriosas, confirmando assim os rumores sobre sua morte.

Os rebeldes ainda não confirmaram oficialmente a morte de seu líder, que não é visto publicamente desde 2001.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/paquistao-anuncia-adiamento-de-novas-conversas-com-talibas-afegaos.html

Afeganistão e Talibã terão conversas de paz no fim de semana

Medida esperada há meses reunirá governo e extremistas, em pé de guerra por novos atentados.

CABUL – Uma delegação afegã saiu para o Qatar para começar a negociar com representantes do Talibã nos próximos dias, buscando enfim terminar o longo conflito com o grupo extremista. O anúncio foi dado pelo vice-diretor do Alto Conselho pela Paz, Attaullah Ludin.

Vinte membros se reúnem no domingo e na segunda-feira com os talibãs. Os extremistas confirmaram que participarão de conversas, e também discutirão com autoridades paquistanesas.

O chefe do Exército paquistanês, Raheel Sharif, disse em fevereiro que Ghani demonstrou a vontade de iniciar as negociações no mês seguinte. Há pouco mais de um mês, Ghani e Barack Obama se reuniram na Casa Branca para debater alternativas no combate ao extremismo.

Não houve avanços em negociações desde então, e outros atentados mataram dezenas em Cabul e no interior, além do Paquistão. Os jihadistas chegaram a anunciar uma ofensiva de primavera contra forças estrangeiras.

Os esforços anteriores para negociar o fim da guerra que começou em 2001 não tiveram resultados, mas os últimos sinais aumentaram as esperanças de um necessário impulso do novo presidente afegão, Ashraf Ghani.

http://oglobo.globo.com/mundo/afeganistao-taliba-terao-conversas-de-paz-no-fim-de-semana-16035714

Negociações com o Irã geram preocupação em Israel

Políticos e comentaristas televisivos demonstram ceticismo quanto à diminuição da capacidade nuclear iraniana

TEL AVIV – Na primeira reação oficial de Israel ao anúncio de um acordo entre as potências ocidentais e o Irã, o ministro da Inteligência e de Assuntos Estratégicos, Yuval Steinitz, braço direito do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmou que se trata de um acordo ruim que, ao invés de ser um contratempo para o programa nuclear iraniano, lida apenas com congelamento e supervisão desse programa.

— Houve um acordo provisório ruim, assinado há um ano e meio, que levou infelizmente a um acordo-quadro tão ruim quanto o anterior e que pode levar a um acordo permanente ainda pior — disse Steinitz ao Canal 2 da TV israelense. — O acordo inclui realmente há algumas limitações, mas muito parciais e frouxas. Há supervisão, mas isso não quer dizer nada porque no momento em que o Irão decidir produzir armas nucleares, expulsará os supervisores, assim fez a Coreia do Norte.

Antes da entrevista, Steinitz já havia emitido um comunicado sobre as negociações na Suíça no qual afirmou que “os sorrisos em Lausanne estão desconectados da lamentável realidade na qual o Irã se recusa a fazer quaisquer concessões na questão nuclear e continua a ameaçar Israel e todos os outros países do Oriente Médio”.

Mais cedo, Benjamin Netanyahu usou o Twitter para exigir que qualquer acordo assinado como Irã atrasasse “significativamente as capacidades nucleares do Irã”. No tweet, Netanyahu divulgou um quadro mostrando o envolvimento do Irã em conflitos do Oriente Médio em países como Iêmen, Iraque, Líbano e Egito.

A equipe do primeiro-ministro revelou trechos da conversa entre Netanyahu e Barack Obama nos quais os líder israelense expõe suas preocupações ao presidente americano.

“Um acordo baseado nessas diretrizes ameaçaria a sobrevivência de Israel. Há apenas dois dias, o Irã afirmou que a destruição de Israel não era negociável, e nesses dias fatídicos o Irã está acelerando o envio de armamentos a seus aliados terroristas para que ataquem Israel. Este acordo irá legitimar o programa nuclear do país, impulsionar sua economia, e aumentar a agressão e o terrorismo do Irã no Oriente Médio e no mundo”.

“Um acordo como esse não bloqueia o comainho do Irã até a bomba nuclear. Ele a pavimenta. O acordo aumenta os riscos da prliferação nuclear na região e os riscos de uma guerra horrenda. A alternativa é manter a firmeza e aumentar a pressão sobre a Irã até que um acordo superior seja alcançado”.

Outros políticos demonstraram preocupação, mas sem criticar diretamente o acordo costurado pelas potências sob a liderança americana. Yitzhak Herzog, líder do Partido Trabalhista e candidato derrotado nas eleições legislativas de 17 de março pela legenda União Sionista, preferiu olhar para o futuro, esperando que a supervisão internacional realmente evite que o Irã produza armas nucleares.

“O principal ainda está a nossa frente. Temos que fazer com que o acordo final que está sendo produzido leve à retratação do programa nuclear iraniano de modo que evite que o Irã chegue às armas nucleares, e assegure os interesses de defesa de Israel”, escreveu Herzog em sua página do Facebook.

O ex-ministro das Finanças, o centrista Yair Lapid, do partido Yesh Atid (Há Futuro), escreveu também no Facebook que, no caso do programa nuclear iraniano, não deve haver oposição ou coalizão em Israel: “Todos estamos preocupados que os iranianos deem uma volta no esquema e Israel tem que proteger seus próprios interesses de segurança. O regime dos aiatolás tem ‘vendido’ ao mundo fraudes e enganos por anos enquanto progredia com o seu programa nuclear. Eles vão tentar, desde o primeiro dia, enganar a comunidade internacional, como fizeram no passado”.

A imprensa israelense também demonstrou ceticismo na cobertura jornalística do acordo e dos discursos subsequentes do presidente americano, Barack Obama, e do secretário de Estado, John Kerry. O comentarista Udi Segal, do Canal 2, chegou a dizer que o mundo estava dando ao programa nuclear iraniano um certificado de “kosher”. Ele usou o nome dado às leis de alimentação e comportamento do Judaísmo no sentido de legitimidade.

As reações aconteceram em meio à tensão que tomou conta de Israel na tarde de ontem depois que um soldado israelense de 22 anos, Niv Asraf, desapareceu nos arredores da cidade palestina de Beit Anun, no Sul da Cisjordânia. No fim da noite, no entanto, ficou claro que se tratava de um caso policial e não relacionado ao conflito com os palestinos.

http://oglobo.globo.com/mundo/negociacoes-com-ira-geram-preocupacao-em-israel-15771094

Esboço do acordo alcançado para o programa nuclear do Irã

O Irão e as seis potências mundiais chegaram a acordo sobre as linhas gerais para limitar os programas nucleares do Irão, relatado pela Associated Press na quinta-feira. O debate continua no entanto sobre o que deve ser tornado público.

Os oficiais falaram das conversações prorrogadas por duas vezes após o prazo de 31 de março, num esforço para formular não só uma declaração geral do que foi realizado mas também os documentos descrevendo o que o que é necessário cumprir até 30 de junho, para um acordo final.

Uma coletiva de imprensa foi marcada para no final do dia, quando se esperava o anuncio dos resultados das negociações.

O chefe de política externa da União Européia, Federica Mogherini, e o ministro das Relações Exteriores do Irão, Mohammad Javad Zarif, deverão ler a mesma declaração em Inglês e Farsi. Zarif e o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, deverão informar os repórteres separadamente.

Os EUA e outros cinco países esperam conseguir conter tecnologias nucleares do Irão que poderiam ser usadas para fabricar armas. Teerão nega tais ambições, mas está negociando porque pretende a suspensão das sanções econômicas impostas devido ao seu programa nuclear.

Pressionado pelos críticos do Congresso nos EUA, que ameaçam impor novas sanções sobre o que consideram ser mau acordo, a administração Obama está exigindo a divulgação pública significativa de acordos e entendimentos alcançados. O Irão quer o mínimo tornado público neste momento, alegando ser prejudicial para os seus interesses, dizem as autoridades.

Os iranianos querem que qualquer resultado de negociações na cidade suíça de Lausanne seja descrito menos como um “acordo” e mais de um entendimento informal.

Os oficiais exigiram anonimato porque não estão autorizados a discutir as negociações publicamente.

Eles falaram após diplomatas dos seis países terem debatido durante a noite para avançar o ritmo das negociações nucleares que estavam sendo dolorosamente lentas. O Ministro das Relações Exteriores do Irão disse que estavam perto de um acordo preliminar, mas que ainda não haviam chegado ao fim.

As negociações foram retomadas várias horas após diversas sessões durante a noite entre Kerry e Zarif, e outras reuniões envolvendo as seis potências.

O Irão também quer se livrar de sanções que restringiam sua economia. Os EUA e seus parceiros querem documentos detalhados sobre os passos que o Irão deve tomar até ao final de Junho, sobre o seu programa nuclear.

Enquanto se dirigia para sua própria reunião quinta-feira, Zarif disse que as negociações haviam feito “progresso significativo”. Mas disse que minutas ainda tinham de ser escritas.

O problema, disse Zarif, foi diferentes opiniões do outro lado da mesa – Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha – dificultando a coordenação.

Ministro do Exterior russo, Sergey Lavrov, que deixou Lausanne terça-feira, disse a agência de notícias Interfax, que estavam perto. “Há apenas alguns passos a tomar ou, em alguns casos, até menos, e alguns assuntos já foram acordados”, disse ele.

Mas, como as negociações se arrastavam, um oficial disse no início de quinta-feira que estavam “num momento difícil e o caminho a seguir não era muito claro”, acrescentando que a ideia de quebrar as conversações para o Pessach e Páscoa e retomando na semana seguinte, tinha sido informalmente sugerido. Isso foi confirmado por outro funcionário. Não estava autorizado a discutir as negociações publicamente, e ambos exigiram anonimato.

As conversações – o mais recente em mais de uma década de esforços diplomáticos para conter a situação nuclear do Irão – atingiu a marca na quinta-feira, pouco antes de o Departamento de Estado anunciar que iria duplicar esforços depois de atingir a data limite de 31 de março para um quadro político.

À medida que todos se esforçavam para chegar a um acordo, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier cancelou uma visita planejada à Lituânia, Estónia e Letónia. O chanceler francês, Laurent Fabius, também regressou, menos de um dia depois de deixar a cidade.

Ultrapassando prazos autoimpostos, o presidente Barack Obama arrisca antagonizar legisladores ainda mais em ambos os partidos, que estão prestes a tomar a sua própria ação para derrubar o acordo se determinarem que a administração tem sido demasiado conciliador.

A resposta inicial dos republicanos às extensões sugeria que já tinham chagado a uma conclusão “que as negociações não estavam indo bem”, anunciou em comunicado o Sen. John McCain, do Arizona e Lindsey Graham, da Carolina do Sul. “A cada passo, os iranianos parecem decididos a manter intenção de conseguir a capacidade nuclear.”

Zeeva

‘Negociações estão na reta final’, diz chefe da diplomacia francesa

Laurent Fabius alerta que ‘últimos metros são os mais difíceis’, e que ‘há pontos em aberto, especialmente no lado iraniano’
LAUSANNE, Suíça — As negociações sobre o programa nuclear iraniano “estão nos metros finais antes da linha de chegada, que são os mais difíceis”, disse nesta quarta-feira o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, ao chegar a Lausanne.

— Estamos a poucos metros da meta, mas sabemos que estes são os mais difíceis — disse o ministro francês das Relações Exteriores, esclarecendo que o acordo ainda “não está fechado”.

Com relação a suas expectativas quanto ao fim das negociações, Fabius disse esperar que o acordo surja “o mais rápido possível”.

Depois de intensas discussões, durante sete dias, e com o prazo um acordo expirado, muitos dos ministros das Relações Exteriores do Grupo 5 + 1 (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França, mais a Alemanha), que negociam com Irã, começaram a mostrar sinais de cansaço nesta quarta-feira.

— A questão é muito importante, porque se trata da luta contra a proliferação nuclear e de certa forma, da reintegração do Irã na comunidade internacional — afirmou o chefe da diplomacia francesa, que reiterou que o acordo procurado pelos países deve ser “robusto, e permitir que haja uma verificação da conformidade”.

Fabius, que voltou a Lausanne depois de viajar para Paris, disse que ainda há pontos em aberto, “especialmente no lado iraniano”.

De acordo com vários diplomatas, os pontos de conflito continuam a ser os prazos para a suspensão das sanções que sufocam a economia de Teerã, o futuro limite da capacidade de enriquecimento de urânio, e o destino do material nuclear do Irã.

O objetivo dos diálogos é chegar a um acordo de base para alcançar um acordo político sobre o programa nuclear iraniano, que permita, em seguida, negociar até 30 de Junho um acordo definitivo com todos os detalhes técnicos.

Foto: Laurent Fabius (esquerda) ao lado do chefe da delegação iraniana, Mohammad Javad Zarif, em Lausanne. Ministro francês afirma que negociações estão ‘a poucos metros da meta final’ – FABRICE COFFRINI / AFP

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Os Estados Unidos decidem estender conversas com Irã por um dia

LAUSANNE, Suíça — Após comentários de que as negociações estão complicadas, com assuntos ainda em abertos por discutir, e até um ultimato dado por um representante dos Estados Unidos, as conversas em busca de um acordo sobre o programa nuclear do Irã, que deveriam terminar nesta terça-feira, foram estendidas até quarta. As delegações do grupo P5+1 — as cinco potências nucleares, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China, mais a Alemanha —, juntamente com os iranianos concordaram em prorrogar o deadline menos de três horas antes de findar a data-limite estabelecida no ano passado para a obtenção de um acordo político — o cronograma ainda prevê mais três meses de discussão para acertar os detalhes técnicos do pacto.

— Fizemos suficientes progressos, nos últimos dias, que fazem que valha a pena continuar as conversas até quarta-feira — afirmou a porta-voz do Departamento de Estado americano, Marie Harf, ressalvando que a prorrogação não garante que haverá acordo — Há vários assuntos complicados pendentes.

Por sua parte, o negociador iraniano Hamid Baidinejad assegurou que Teerã estava disposto a “continuar até chegar a uma solução”, sem dizer, no entanto, se estariam dispostos a ir além do prazo pré-fixado. O Irã sempre afirma que o programa nuclear é para fins pacíficos.

— Avançamos, mas lentamente, dada a complexidade das questões — declarou o porta-voz da Organização Iraniana de Energia Atômica, Behruz Kamalvandi.

Ao mesmo tempo, dois oficiais de delegações do Ocidente disseram que os iranianos foram alertados da necessidade de tomar a decisão se aceitariam o acordo antes do amanhecer. Uma das fontes afirmou que as seis potências avisaram ao Irã que não estavam jogando uma “prorrogação”.

— Dissemos a eles que isso precisa ser decidido agora — contou o outro oficial. — Não pode nos tomar mais seis dias (tempo que já dura a atual rodada de negociações em Lausanne, na Suíça).

Principais impasses: sanções e reservas

Ontem, pouco antes do anúncio da extensão do prazo, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest afirmou que os americanos deixariam as negociações caso não se chegasse a um acordo provisório:

— Se não formos capazes de alcançar um acordo político, então não vamos ficar esperando até 30 de junho para sair fora — afirmou Earnest, referindo-se a data para assinar o acordo definitivo.

Há quase uma semana, o P5+1 e o Irã tentam solucionar os impasses nas negociações, que têm como principal objetivo garantir que o Irã não tenha a capacidade de desenvolver uma bomba nuclear em troca de aliviar as sanções internacionais que minam a economia do país. Uma das principais dificuldades seria a recusa do Irã em enviar parte do urânio enriquecido estocado ao exterior.

— O ponto de partida é que não temos concordância com os iranianos acerca da reserva (de urânio) — disse Marie Harf a repórteres, enquanto que representantes de outras delegações comentam que esse assunto, por ser enquadrado como uma questão técnica, pode ser deixado para ser finalizado até o acordo final de junho.

Outra questão de peso é que, enquanto o Irã quer que as sanções impostas pela ONU sejam imediatamente suspensas, os EUA, junto com as delegações parceiras, querem que as restrições sejam retiradas gradualmente, a fim de assegurar que o Irã esteja tomando as providências necessárias para cumprir o acordo. O P5+1 quer uma suspensão de mais de dez anos do programa nuclear iraniano.

— Não haverá nenhum acordo se o assunto das sanções não puder ser resolvido — enfatizou Majid Takhteravanchi, outro negociador iraniano.

Há ainda outros tópicos, como as restrições à pesquisa e desenvolvimento relacionados a novos tipos de centrífugas nucleares, bem como a duração do trato também estão em debate. Um acordo colocaria fim a um impasse que já dura 12 anos, e reduziria o risco de uma nova guerra no Oriente Médio, enquanto o Irã poderia aumentar as exportações de petróleo, reduzidas à metade desde que sanções foram aplicadas em 2012.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, que havia deixado a Suíça na segunda-feira, regressou a Lausanne na tarde desta terça, afirmando que eram boas as chances de sucesso “se nenhuma das partes fizesse mais exigências no último minuto”. Nas primeiras horas da madrugada, o chanceler disse que já havia sido fechado um acordo que seria colocado no papel “em questão de horas”, mas um diplomata que participava das negociações desmentiu que já houvesse acerto sobre os principais pontos em debate.

Mais cedo, em Berlim, onde estava reunido com a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, afirmou que seria melhor “não ter acordo algum do que um acordo ruim”.

E pelo terceiro dia consecutivo, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a atacar as negociações, afirmando que permitiria ao Irã produzir a bomba nuclear e que seu país iria fazer “tudo” o que fosse necessário para defender sua segurança. Acredita-se que Israel seja o único pais no Oriente Médio com um arsenal nuclear. Por sua vez, o chanceler saudita, Saud Al Faysal, acusou as grandes potências de “ir de encontro aos interesses regionais ao tentar o Irã com benefícios os quais não poderá desfrutar se não cooperar com o resto dos países da região”.

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